O equilíbrio da relação parental

Acredito que há uma relação direta entre o que fazemos como pais, os nossos hábitos, as nossas ações, e o comportamento e desenvolvimento dos nossos filhos. A forma como pensamos e nos comportamos influencia diretamente e molda o pensamento e o comportamento deles.

Acredito que o equilíbrio da relação parental e dos filhos depende em primeiro lugar, do equilíbrio e bem-estar emocional, psicológico, físico, espiritual e social dos pais.

Estas são as minhas bases.

relação parental equilibrada

Se eu estou bem, internamente e externamente, relaciono-me de forma equilibrada comigo e com os outros. Se eu estou bem, consigo manter-me presente e equilibrada nos momentos críticos e consigo assim ajudar os meus filhos a equilibrarem-se também. Se eu estou bem, os meus filhos estão bem.

Como adulto, tenho a grande responsabilidade perante mim e perante os outros de assegurar o meu próprio equilíbrio. Como Mãe tenho a tremenda responsabilidade de puder influenciar a balança da relação que tenho com os meus filhos (pelo menos até eles se tornarem aptos para funcionarem como adultos equilibrados e maduros).

Quando os meus filhos estão em desequilíbrio (estão chateados, frustrados, cansados etc.), alterando assim a nossa relação, a minha resposta é decisiva! O que penso e faço em consequência deste desequilíbrio, define para que lado vai a balança e quão grande será a oscilação dela. Ou seja:

  • Se escolho reagir de forma automática, sem pensar ou compreender a situação, deixando o meu cérebro escolher o meu comportamento por mim, normalmente com base em padrões pré-existentes (por ex. os aprendidos durante a nossa infância, com os nossos próprios pais), o resultado mais provável será desequilibrar ainda mais a balança. A intensidade da minha reação fará com que este desequilíbrio seja maior ou menor.Equilibrio filhos

     

  • Se escolho manter-me presente, observar e compreender a situação, tentar descobrir o que a provocou e procurar agir de forma que me parece mais eficaz para a resolver, ajudo a repor o equilíbrio. A calma e eficácia da minha ação podem diminuir rapidamente a oscilação da balança.Equilíbrio paisVou dar-te um exemplo:

    Fim do dia, estamos no carro, no caminho de regresso da escola para casa. A minha filha de 5 anos começa a queixar-se – ora porque o sol está sempre do lado da janela dela, ora porque está demasiado calor ou porque nunca mais toca a música que ela quer.

    Eu estou a conduzir e está trânsito. Preciso de me concentrar e já estou a pensar nas próximas coisas que tenho para fazer assim que chegarmos à casa (banhos, jantar, etc.). Estou meio presente, meio ausente.

    Ao ouvi-la, posso pensar e reagir de várias formas. Para exemplificar vou concentrar-me apenas em duas essenciais:

    • Posso pensar que ela está a ser “chata” e está a incomodar-me com coisas sem importância. Este julgamento do comportamento dela vai levar-me à reagir de forma a afastar esta “melga”, dizendo de forma ríspida e pouco educada: “Pára de te queixar! Nada te agrada! Não vês que está trânsito? Preciso de me concentrar!
      Qual achas que será a reação dela? Muito provavelmente vai desatar a chorar porque se sente rejeitada, incompreendida e porque o problema dela está a ser ignorado.
    • Posso pensar que ela está realmente incomodada com algo e está a precisar de apoio para acalmar. Afinal, só tem 5 anos e acabou de passar 8h numa escola cheia de barulho e longe do seu conforto. Esta observação pode levar-me à ativar a minha concentração no momento presente, e enquanto conduzo com atenção, procurar focar a minha atenção nela. Observar, pensar, aceitar o que a está a incomodar e tentar ajuda-la calmamente. Posso dizer, por exemplo: “Oh, gostavas muito de ouvir aquela música, não é? Estás sempre a cantar quando ela toca. Queres tentar canta-la comigo?…” ou “Ah, hoje está mesmo quente, não é? Também estou cheia de calor. Gostavas de abrir um pouco a janela ou achas melhor aumentarmos o ar fresco?” Desta forma, abro à porta da comunicação e da empatia, e ela saberá que estou a ouvi-la e estou aí para a ajudar.
      Qual achas que será a reação dela? Muito frequentemente vai acalmar gradualmente, porque está a sentir-se compreendida e apoiada.

    O resultado deste momento depende, em grande parte, de mim. Depende da forma como eu o encaro, como penso sobre o que acontece, da minha presença, do meu equilíbrio e da minha disponibilidade em repor a balança no seu nível de equilíbrio, para ambas.

    Quando EU estou em desequilíbrio, o meu comportamento pode provocar o desequilíbrio da nossa relação e, consequentemente, dos meus filhos. Neste caso, não posso esperar que sejam eles a calibrarem a balança por mim, pois obviamente, do ponto de vista de desenvolvimento ainda não têm a maturidade emocional e cognitiva necessária para tal. Mas eu tenho. Ou, pelo menos, é suposto ter.

    Também acredito que a vida não é um equilíbrio constante, mas um conjunto de pequenas/grandes oscilações, pois para conseguirmos ficar em equilíbrio, temos que aprender a lidar também com o desequilíbrio.

    E, à medida que os nossos filhos cresçam, a nossa responsabilidade em assegurar a balança torna-se cada vez mais partilhada. Cabe-nos ensinar aos nossos filhos ao longo do tempo como podem equilibrar a nossa relação e como podem assegurar o seu próprio equilíbrio. Uma competência que, mais tarde, vão usar para assegurar o equilíbrio da sua própria relação parental.

 

 

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Quem tem filhos que passam horas a frente dos aparelhos electrónicos e se deu ao trabalho de observar o comportamento deles quando se “desconectam”, notou com certeza certas alterações. As crianças que veem televisão ou estão a jogar nas consolas ou nos tablets durante algum tempo seguido, sem interrupção, estão mais cansadas e mal-humoradas, respondem torto e de forma tendencialmente agressiva, e estão num estado contraditório de alta agitação e exaustão difícil de gerir.
A Victoria L. Dunckley, M.D. (psiquiatra integrativa, especialista nos efeitos dos ecrãs no desenvolvimento do sistema nervoso e autora do livro “Reinicia o Cérebro do teu Filho”) fala em 6 mecanismos fisiológicos que explicam porque os aparelhos electrónicos geram distúrbios de estado de espírito e alterações comportamentais.

Nos últimos anos têm aparecido vários estudos que alertam sobre o efeito dos gadgets no nosso cérebro e no nosso corpo, com especial nota para o caso das crianças. Os especialistas avisam que os altos níveis de excitação afetam a memória e o relacionamento, o que dá origem à dificuldades escolares e sociais em consequência.

  1. Os gadgets perturbam o sono e dessincronizam o relógio biológico

A luz dos ecrãs imita a luz do dia, o que determina o nosso corpo a suprimir a produção de melatonina, hormona que regula o nosso sono e que o nosso corpo produz na presença do escuro. Apenas alguns minutos de estimulação de um ecrã pode retardar a produção de melatonina por algumas horas e dessincronizar o relógio biológico da criança. Isso desencadeia outras relações dentro do corpo, como o desequilíbrio hormonal, uma vez que a excitação não permite ao corpo mergulhar no sono profundo e reparador que precisa para recarregar energias.

  1. Os ecrãs viciam o cérebro 

Muitas crianças ficam viciadas nos electrónicos. O acto de jogar nestes aparelhos liberta tanta dopamina (o neurotransmissor do “bem-estar” que o nosso corpo produz) que ao realizarmos uma imagem do nosso cérebro naquele momento, ela é muito semelhante a um cérebro sob efeito da cocaína. À semelhança do que acontece com os outros vícios, quando o cérebro recebe dopamina em excesso, os seus receptores tornam-se cada vez menos sensíveis e é necessário um estímulo mais intenso para sentir o mesmo nível de prazer.

No entanto, uma vez que a dopamina é fundamental para o nosso foco e motivação, é totalmente compreensível que qualquer pequena alteração na sensibilidade à esta hormona pode alterar profundamente a forma como a criança se sente e funciona.

  1. O ecrã expõe o corpo à luz durante a noite

A luz produzida pelos electrónicos tem sido associada com estados depressivos em inúmeros estudos, que demonstraram que a exposição à este tipo de luz antes ou durante o sono causa depressão, mesmo quando não se está a olhar diretamente para o ecrã.

Por vezes, os pais estão relutantes ao restringirem o uso dos electrónicos, cedendo às insistências dos seus filhos e deixando-os usarem os eletrónicos no quarto ou em qualquer lado a toda a hora. O que é um facto é que remover o acesso à esta luz especialmente no final do dia e de noite é algo que os protege de várias formas a longo prazo.

  1. Os ecrãs induzem reações de stress

Tanto o stress agudo (reações do tipo luta ou foge) como o stress crónico produzem alterações na química cerebral e geram hormonas que aumentam a irritabilidade. A produção de cortisol, a hormona do stress crónico, aparenta ser a causa e o efeito da depressão, criando um ciclo vicioso. Adicionalmente, tanto a excitação aguda e o vício suprimem o funcionamento normal do lobo frontal, a área do cérebro onde é realizada a regulação do nosso estado de espírito.

  1. Os ecrãs sobrecarregam o sistema sensorial, quebrando a atenção e gastando as reservas mentais

Os especialistas dizem que o que está frequentemente na origem de um comportamento explosivo e agressivo é a falta de concentração. Quando a atenção sofre, sofre também a habilidade de processar o que acontece interna e externamente, pelo que, as pequenas solicitações tornam-se tarefas enormes. Desgastando a energia mental com estímulos visuais e cognitivos, os ecrãs contribuem para a redução das reservas mentais. Uma forma de as aumentar temporariamente é tornando-nos agressivos, pelo que as birras são de facto um mecanismo de lidar com esta escassez.

  1. Os ecrãs reduzem os níveis de atividade física e a exposição à natureza

As investigações mostram que o tempo passado ao ar livre, especialmente em contacto com a natureza, restaura naturalmente a atenção, diminui o stress e reduz a agressão. O tempo passado à frente dos electrónicos reduz assim a exposição aos elementos que naturalmente aumentam o bem estar e o estado de espírito da criança.

No mundo de hoje, pode parecer estranho restringir o acesso aos electrónicos. As crianças estão claramente atraídas pela interatividade, pelas cores, pelo entretenimento ininterrupto. E os pais conseguem ganhar alguns minutos de sossego e descanso.

Mas quando se nota claramente que as crianças estão a manifestar comportamentos de falta de atenção e concentração, agressividade, depressão, mau-humor, não lhes fazemos nenhum favor deixando os electrónicos à mão e esperar que se acalmem usando-os com moderação.

Não funciona, mesmo!

Pelo contrário, permitindo que o seu sistema nervoso regresse a um estado mais natural, com uma abstinência completa de ecrãs, podemos dar o primeiro passo em ajudar os nossos filhos a tornarem-se mais calmos, fortes e felizes.

 

 

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Quando os pais discordam sobre a forma de educar


5 estratégias para encontrarem um caminho comum

“Há uns anos atrás, a Ana e o Miguel casaram-se e passado pouco tempo decidiram ter o primeiro filho. Como a maioria dos pais, nunca falaram sobre como gostariam de educar os seus filhos, partindo do pressuposto que eles também foram educados pelos próprios pais e correu tudo bem. “Os meus pais educaram-me assim e resultou comigo. Vou fazer igual com os meus filhos.” dizia o Miguel, por um lado, e a Ana pelo outro.

Quando o filho tinha cerca de dois anos, os problemas começaram a aparecer, quando as diferenças entre os dois tornaram-se evidentes – a Ana tinha sido educada num meio mais autoritário, o Miguel num meio mais permissivo. A Ana tentava ser rigorosa, enquanto o Miguel tentava ser indulgente, à semelhança dos seus pais. E cada vez que o Miguel era mais indulgente, a Ana tornava-se ainda mais estrita. Ela chateava-se que o Miguel era brando demais e o Miguel chateava-se que a Ana era demasiado severa. Com o tempo, à medida que o filho crescia, cada um tornou-se mais agarrado ao seu estilo até que desenvolveram um conflito constante sobre a educação, sobre a parentalidade, que afetou a relação deles e o crescimento do filho, preso no meio deste campo de batalha.”

O que pode ser feito quando a Mãe e o Pai discordam sobre a forma de educar os filhos? Como se alinham pensamentos, comportamentos e ações neste sentido?
Felizmente, existem algumas estratégias que podem ser aplicadas para juntar os esforços de ambos em promover uma educação equilibrada e consciente para o bem-estar de todos os membros da família:A parentalidade já é desafiante por si mesma, e quando a Mãe e o Pai se encontram divididos acerca dela, acabam todos por perder a curto e longo prazo.

Ler também Entre pais permissivos e pais autoritários

  1. Identificar o propósito parental e os pontos que tem em comum – comecem por definir as vossas intenções parentais, o vosso propósito e identificar os aspetos comuns em que ambos concordam. Terão muito mais hipóteses de sucesso se construírem sobre uma base comum, em que cada um pode contribuir, do que desperdiçarem tempo e energia focando-se no que não querem ou no que discordam.
  2. Identificar e procurar compreender as crenças que motivam as diferenças – as diferenças existem e esta é uma realidade. Aceitar a realidade e procurar compreende-la é fulcral – quais são estas crenças, de onde vêm, como é que elas afetam o vosso comportamento do dia-a-dia e os resultados que obtém. Não com o intuito de comparar ou decidir sobre qual a melhor, mas com o intuito de compreende-las e os seus efeitos.
    Frequentemente as diferenças estão relacionadas com a forma como os pais foram educados ou com medos pessoais, conscientes ou inconscientes. Compreender PORQUE estão a defender certas ideias ou formas de agir e porque estão a discordar de outras é um primeiro passo na elaboração de uma solução mais eficaz e respeitadora para ambos os pais e para os filhos.
  3. Começar com passos pequenos – comecem por estabelecer as regras ou os limites que estarão à base da família – aqueles que não serão tão flexíveis ou negociáveis (relacionados com segurança ou saúde, por exemplo ou com os valores familiares como respeito, liberdade, educação etc.). Procurem chegar a acordo sobre os limites e as expectativas neste aspeto e assegurem-se que estes são conhecidos e aceites por todos os membros da família, respeitados e praticados em primeiro lugar pelos pais. Dando um passo de cada vez, começa-se a construir uma base sólida.
  4. Educar é sobre os filhos, não sobre os pais – “O que é que o nosso filho precisa para se tornar um adulto equilibrado, consciente e feliz? O que é que precisa de nós? O que é melhor para ele?” são algumas das perguntas que devem ser feitas diariamente nos momentos mais desafiantes. A resposta ajuda-vos a focar no vosso propósito, na vossa intenção parental e no que é mais importante para a criança. Não se trata de ganhar ou de obrigar. Não se trata de quem é melhor ou que estilo parental é melhor. Trata-se de assegurar que ensinam ao vosso filho como pode pensar por ele mesmo para tomar as suas decisões e fazer as escolhas acertadas de acordo com a sua própria intenção.
  5. Conectar e promover o bem-estar – um do outro e juntos, como família. Apoiem-se um a outro na satisfação das próprias necessidades, apoiem os vossos filhos na satisfação das necessidades deles. Nenhuma solução irá funcionar se as necessidades emocionais e psicológicas básicas não forem preenchidas e atendidas. Sem conexão, aceitação, generosidade, amor incondicional, competência, autonomia e encorajamento saudável, nada irá resultar a longo prazo. Não se pode exigir cooperação, nem respeito, tanto das crianças como dos adultos. Estas alcançam-se, oferecendo-as.

O alinhamento entre os pais é fundamental para o desenvolvimento equilibrado dos filhos, futuros adultos. Não há nada mais importante que a vossa família – procurem o melhor apoio com qual se sintam confortáveis.

 

O João (6 anos) e o Pedro (4 anos) estavam a discutir sobre um desenho que o João fez. Numa certa altura, o Pedro pega no desenho e rasga-o, deixando o João triste e a chorar. A Mãe obriga o Pedro a pedir desculpa ao João, mas ele não quer. Após várias insistências, grita-lhe “Desculpa” e sai do quarto a correr. 

Naquele momento crítico, o corpo da criança encontra-se em modo defesa ou luta, bloqueando a sua energia e os músculos e mantendo-os preparados para este fim. Nenhum ser vivo irá aprender algo útil neste estado. Para que o processo de aprendizagem tenha lugar de forma consciente e eficaz, precisamos de estar calmos e abertos, interessados e atentos. Forçar a criança a pedir desculpa quando está transtornada não terá o efeito procurado (o de aprendizagem). Muitas vezes, o forçar de um pedido de desculpa é apenas um ato convencional que serve para que os adultos se sintam melhor, pois ele pouco faz para ajudar a criança a compreender verdadeiramente os efeitos das suas ações e a sentir de facto a necessidade de pedir desculpa.

Em vez de obrigares impacientemente o teu filho a pedir “desculpa” no momento, põe esta ideia  em pausa e quando todos estiverem mais calmos e as energias voltarem ao normal, aborda o assunto de outras formas para que os resultados sejam mais eficazes:

  • Ajuda-o a compreender as suas emoções e sentimentos.
    Em primeiro lugar, deixa a obrigação do “Desculpa” e qualquer tipo de sermão de lado. Se o teu filho ainda é pequeno, ajuda-o primeiro a esclarecer e expressar o que estava a sentir, colocando as emoções em palavras. As crianças pequenas precisam de apoio e orientação para identificar e dar nomes aos sentimentos que sentem, pois são de tal forma confusos e avassaladores que ultrapassam as suas capacidades cognitivas e geram medo.
    Se for um pouco mais crescido, faz-lhe perguntas que o ajudem a compreender as suas emoções e o resultado das suas ações. Começa por perguntar sobre: “O que estavas a sentir quando rasgaste o desenho do João? O que achas sobre o que fizeste?“. Estas perguntas ajudam a esclarecer que, enquanto é natural sentir-se chateado, frustrado ou triste,  os comportamentos escolhidos para se manifestar tiveram um resultado que não é aceitável.
    Depois, em ambos os casos promove a empatia, juntando os sentimentos à consequência que a ação teve na outra pessoa. “Como pensas que o João se sentiu quando lhe rasgaste o desenho?
  • Foca-te na solução.
    É muito fácil cair na tentativa de parar o comportamento ou resolver a situação no momento, obrigando ou castigando. Esquece o castigo e, em vez disso, foca-te nas soluções para emendar, perguntando: “O que podes fazer para emendar o que se passou?” Convida a criança a refletir, deixa-a pensar e a dar ideias sobre o que quer oferecer ou fazer. Um pedido de desculpas verbal é uma forma de começar, mas não é obrigatório que seja isto. Pode ser, por exemplo, um ato de bondade como ajudar a emendar o que ficou rasgado ou fazer um novo desenho para oferecer.
  • Ajuda-o a ensaiar melhores formas de reagir
    Dá ao teu filho uma oportunidade de tomar uma decisão melhor da próxima vez que sentir a necessidade de “rasgar um desenho”. Pergunta: “Se pudesses fazer tudo de novo, o que farias diferente?” Dá-lhe tempo para ele pensar e façam juntos uma lista de ideias construtivas para lidar com esta emoção. Ajuda-o a ensaiar, pois será muito mais provável que ele venha a usar algumas destas ideias da próxima vez, se já tiver tido a oportunidade de as praticar contigo primeiro.
  • Dá o exemplo
    O teu próprio exemplo é a lição mais eficaz e poderosa que podes dar ao teu filho. Quando fazes algo para qual precisas de lhe pedir desculpa, dá o teu melhor, faz o que gostavas que ele fizesse – olha-o nos olhos, pede desculpa com seriedade e respeito, explicando que compreendes que o teu comportamento ou as tuas ações possam ter provocado mau estar nele e oferece-te para emendares a situação. “Peço desculpa por ter gritado contigo. Foi injusto da minha parte ter reagido assim. Deves ter-te sentido assustado e triste. O que posso fazer para te sentires melhor?

Embora pode ser difícil no início, seguir estes passos, com o tempo, traz maior compreensão das próprias ações e os efeitos que tem nas outras pessoas, maior responsabilidade pelo comportamento próprio, o desenvolvimento da empatia e um pedido de desculpas muito mais sincero e sentido.

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Um dos desafios parentais mais frequentes é lidar com o tumulto emocional negativo dos filhos.

Exigências, nervos, birras, raiva, gritos são manifestações habituais que apanham os pais de surpresa e os deixam sem saber o que fazer.
Há uma forma fácil e eficaz de ensinares ao teu filho a compreender e gerir o que se passa “lá dentro” em dois passos.

1º PASSO – CHAMA A EMOÇÃO PELO NOME
Saber identificar as emoções pelo seu nome é fundamental e a criança deve conhecer o nome correto das suas emoções: medo, frustração, ira, susto, tristeza, aborrecimento, raiva. Os pais devem incentivar a criança a identificar a emoção que sente, em vez de a abafar ou esconder, e saber (lembram-se do filme Divertida-mente) qual delas está a falar naquele momento: É o Medo? É a Tristeza?

Depois da criança aprender o nome das emoções e saber identifica-las, segue o próximo passo – gerir a emoção.

Ler também Quando as emoções dos nossos filhos movem os nossos mundos

2º PASSO – TORNA O TEU PENSAMENTO VISÍVEL
A gestão das emoções é um esforço cognitivo consciente e uma criança pequena ainda não sabe fazer isso muito bem, mas pode aprender. Gerir as emoções é uma competência que se aprende e desenvolve com o tempo. E nós, os pais, somos os melhores exemplos para os nossos filhos.

Muitas vezes, também nós temos problemas em gerir as emoções. Algo que pode ter sido causado pelo facto que, na nossa infância, nunca fomos ensinados, não fomos deixados ou não fomos encorajados a expressar os nossos sentimentos.

Qual a razão pela qual muitos adultos não conseguem hoje gerir o seu tempo ou resolver os seus conflitos internos? Uma das razões é que este tipo de coisas não se conseguem ver. No momento em que, numa situação crítica, uma pessoa se mantém calma e todos, mesmo tu, entram em pânico, parece difícil compreender como é que ela consegue manter a “cabeça fria”. Ou quando alguém consegue sempre realizar as suas tarefas e ter êxito, questionas-te qual será o segredo.

Este tipo de habilidades não são visíveis, por isso é que é difícil para os outros compreenderem o mecanismo que levou a pessoa ao sucesso. Passa-se o mesmo com os nossos filhos. Eles não entendem como tu consegues ter certos resultados ou fazer certas coisas. E no caso da gestão emocional, estas ações devem ser faladas em voz alta para que possam ser entendidas. Torna o teu pensamento “visível”!

objetivo da gestão emocional não é de ignorar que a emoção existe ou de a fazer desaparecer, escondendo-a o mais rapidamente possível. O objetivo é de lidar com ela de forma aberta, eficaz, construtiva, para conseguirmos ultrapassar o momento sem sofrimento.

Em vez de guardarmos tudo lá dentro, vamos mostrar o que sentimos e como procedemos. E explicar isso à criança. Por exemplo, imagina que estás no carro com o teu filho e um outro condutor faz um desvio perigoso à tua frente para avançar na fila. Enervas-te e queres verbalizar isso, mas apercebes-te que a criança está atrás e não queres que ela oiça aquelas palavras. Por isso, guardas para ti. Mas os nervos já estão instalados e mesmo que pareças calmo à frente da criança, a situação continua a chatear-te. Ao guardares tudo lá dentro, o mais provável, é que estes nervos sairão mais tarde à superfície. Talvez logo à noite, quando estás cansado(a) e outra coisa te provoca. E a criança não irá compreender e não saberá qual foi, de facto, a fonte da tua frustração.

E então, o que pode ser feito?

Em vez de guardares tudo lá dentro, partilha com a criança. Diz-lhe que aquela pessoa fez algo perigoso e isto chateou-te um pouco. Isto é suficiente. Não tens que continuar a alimentar mais esta emoção negativa ou continuar a falar sobre isso, porque, de qualquer forma, o condutor já se foi embora e não podes alterar nada do que se passou. Por isso, de seguida, acendes a rádio e começas a cantar em voz alta. Se tiveres algum humor, e como Mãe ou Pai tens que ter algum, começas a brincar com a canção que ouves e nalguns minutos ficas a rir-te, e todo aquele incidente vai passar sem deixar marcas.

O MAIS IMPORTANTE: a criança vai perceber e registar o evento para, mais tarde, recordar: “Aha! Em vez de se chatear, a Mãe/o Pai, disse o que a/o incomodou e depois mudou de assunto. Focou-se noutra coisa mais divertida. E ficou tudo bem.

Assim, a criança entende que está tudo bem se tiver uma emoção negativa, desde que a gere adequadamente, sem se deixar afetada por muito tempo. Porque gerir as emoções é uma escolha de cada um, e pode escolher ficar calma e fazer algo melhor.

Ensinares o teu filho identificar as suas emoções e demonstrares o que sentes e como geres o que sentes, ajuda-o e orienta-o no seu próprio comportamento e ensina-o como pode gerir melhor as suas próprias emoções.

Fala-me sobre como gerem as emoções lá em casa. O que costumas fazer? O que mostras e o que dizes aos teus filhos? Gostava de ouvir a tua experiência!

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Noite de sexta-feira, por volta das 21h30. Antes de ir para a cama, a pequena de 5 anos avisa-me solenemente: “Mãe, amanhã quero acordar muito cedo.

Sabendo que não havia nenhuma razão de força maior para acordar muito cedo num Sábado de manhã (não íamos para lado nenhum), perguntei: “Porque, filha?

E a resposta veio com ainda mais seriedade: “Porque não quero chegar atrasada!“.

Não consegui esconder o sorriso. Pensei… isto dava mais jeito se fosse nos dias da semana (nem que de propósito, pois tínhamos passado os dias da semana atrás dela para se despachar a horas com estratégias de todos os tipos, sem grandes sucessos).

Mas explicou-me com muita responsabilidade, que ela não queria chegar atrasada para um encontro com uma amiguinha que vai ter no próximo dia a tarde e para qual estava muito ansiosa. D’ai ter que acordar bem cedo para estar pronta.

E percebi que, afinal, as estratégias tinham, de facto, resultado.
Quando parece que não resulta, resulta

Ela sabe que deve acordar mais cedo se quer chegar a horas. E aplica quando ela considera melhor. Não quando eu quero.

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No meio das pressões e preocupações diárias de “adulto” com a saúde, a economia, o trabalho, com o parceiro, com as consultas para quais estás atrasado, com as coisas que te esqueceste de fazer, com aquelas emergências que têm que ser feitas “ontem”,… aparece de repente o teu filho.

Perdeu um sapato, não quer vestir aquele casaco, quer outro, precisa de um caderno novo para a escola hoje e só se lembrou antes de sair de casa, briga com o mais novo por causa de um brinquedo ou simplesmente não quer fazer o que lhe pedes. Esta intromissão “inoportuna” na tua lista interminável de afazeres salta para a frente do teu carro na autoestrada do pensamento, enquanto ias a 200 à hora. E aí, acontece o inevitável: perdes o controlo.

Sabes perfeitamente que, num estado de calma em que tudo está a decorrer sem imprevistos, consegues lidar com qualquer desafio parental. Umas vezes com mais humor, outras vezes com mais seriedade, mas consegues responder com respeito, falar calmamente, explicar, ensinar e até brincar. Mas quando acontece esta quebra inesperada no filme que se desenrola na tua cabeça (“Tenho que fazer aquilo e depois aquilo e ainda estou atrasado para …”), desnorteia-te e sentes-te como que no direito de estar zangado. “Como é que o meu filho pode ser tão irresponsável/ despreocupado/mal agradecido? Não percebe que estou tão ocupado(a) a fazer coisas para ele??”

A verdade é que, por muito grave que consideras o seu comportamento, esse não é a causa do teu pensamento e da tua resposta irritada.

O que acontece por trás da tua resposta é um processo muito mais complexo e profundo.

O mecanismo automático da reação
Os teus sensores recebem o sinal (“Perdeu o sapato!”), captam a mensagem e transmitem-na ao cérebro. O cérebro reconhece o padrão e encaminha o pensamento (“Outra vez!” Vou chegar atrasada(o)!”), que desencadeia outros pensamentos semelhantes (“Estou a falhar nas minha tarefas!” ou “Falhei como mãe/pai!” que trazem o Medo ou a Culpa. E o cérebro decide defender-se dando o comando: “Reage. Luta. Defende-te”).

Este encadeamento de pensamentos é instantâneo e acontece de forma automática. E, num segundo, o teu carrinhosolta-se numa montanha russa das emoções, provocando um turbilhão interior para onde és sugado de repente. É tão rápido, que nem tens tempo de conscientizar ou pará-lo. Bum! Já foste!

E lanças-te enfurecido a atacar a quem percepcionas como tendo sido os causadores desta viagem desenfreada – os teus filhos.

No entanto… embora pode ter sido o comportamento dele que parece ter iniciado este processo, não é ele a verdadeira causa da tua reação. Qualquer questão que te leva a reagir desta forma vem de dentro de ti e muitas vezes tem raízes profundas, que vão até à tua própria infância.

A verdadeira causa da tua reação
Os pais têm frequentemente a sensação que os filhos parecem saber perfeitamente quais são os seus pontos fracos. Os psicanalistas chamam este fenómeno de “fantasmas do berçário” (Selma Freiberg) – os filhos conseguem despertar nos pais conexões cerebrais e emoções intensas, de eventos e acontecimentos que foram gravados nas suas mentes quando eles próprios eram crianças.

As emoções mais fortes que sentiste em criança, criaram ligações tão profundas, “caminhos” tão marcantes no teu cérebro, que quando foram usados muitas vezes, tornaram-se “avenidas” principais. Sempre que sentes estas emoções, estes caminhos são novamente ativados.

Quando o cérebro recebe um determinado “sinal” – encaminha-o automaticamente pelo caminho mais batido, pelas avenidas mais antigas e mais marcantes que existem no teu cérebro. E na sua passagem, o impulso elétrico criado arrasta com ele outros impulsos habituais… encadeando uma rede específica de pensamentos conexos – outras conexões/caminhos pré-existentes que foram criados juntos. E torna-se tudo numa espécie de bola de neve que vai crescendo, crescendo e ganhando mais velocidade à medida que percorre a larga avenida. Até culminar com a decisão final: Luta ou Foge.

Os medos, a culpa e outras emoções semelhantes sentidas com frequência na infância, deixam marcas tão profundas e poderosas no nosso sistema, que muitas vezes dominam-nos inconscientemente em adultos. A resposta que damos perante estes sentimentos, depende das “avenidas” e dos caminhos conexos que foram marcados no nosso cérebro.

Compreender este mecanismo e o seu funcionamento, assim como refletir e escolher alternativas mais responsáveis de reação é a nossa responsabildiade. Porque, a nossa forma de (re)agir nestes momentos tem um impacto a longo prazo nos nossos próprios filhos.

Agir ou REagir
Há uma diferença entre agir e REagir. Reagir – quando respondes a um comportamento de outra pessoa, em vez de decidires por ti próprio como deves agir. Ou seja, reagir (agir novamente, da mesma forma) é algo que acontece de forma instintiva, muitas vezes involuntária e inconsciente. Agir, pelo outro lado, é quando tomas as rédeas e decides como queres que aquela situação se desenrole.

Se percepcionas o teu filho como alguém que te provoca e irrita constantemente, então ele torna-se o teu “inimigo”. Tudo que ele faz provoca-te e cada vez que faz alguma coisa vais percepciona-la como sendo negativa, ameaçadora, embora pode não a ser verdadeiramente. E isto vai despoletar uma ação ou uma reação da tua parte. A decisão de agir ou reagir pertence-te a ti e só a ti.

Sem a tua intervenção consciente, o cérebro irá escolher o caminho mais rápido para reagir. Quando existe um caminho já traçado para lidar com este sentimento e este caminho é “reagir através de uma resposta enfurecida” (porque viste isto ou aprendeste pela experiência desde cedo na tua vida), então o cérebro escolha esta via rápida para responder automaticamente.

Embora, conscientemente, saibas que não é no teu melhor interesse, nem no do teu filho. Reagir é uma resposta automática, que segue caminhos pré-existentes, e que apenas tu a podes influenciar.

O que acontece no teu filho quando reages automaticamente a gritar ou bater?
Imagina o teu parceiro a perder a cabeça e gritar contigo. Agora imagina que é três vezes maior que tu, inclinado de forma ameaçadora por cima da tua cabeça. Imagina que estás completamente dependente desta pessoa para sobreviveres – receber comida, abrigo, segurança, proteção, afeto, preparação para a vida. Agora pega neste sentimento e multiplica-o por 1000. Isto dá-te mais ou menos a ideia do que se passa na cabeça e no coração do teu filho quando te zangas com ele

Claro que por vezes pode acontecer algo que despoleta em nós sentimentos há muito guardados e vamos sentir que estamos a fervilhar. Mas é da nossa responsabilidade controlar a expressão desta fúria interior e agir de forma equilibrada e respeitadora, minimizando assim um eventual impacto negativo.

Chamar nomes, gritar ou outras formas de agressão verbal em que os pais falam de forma desrespeitadora com os filhos, tem um custo pessoal acrescido, uma vez que a criança é dependente dos pais na sua própria existência. E, está comprovado, que as crianças que sofrem de violência física, incluindo palmadas,  sentem efeitos negativos que afetam todos os cantos das suas vidas, mesmo que inconscientemente.

Se o teu filho pequeno não parece ter medo da tua raiva, é sinal que já viu/sentiu demais e tem desenvolvido defesas para ela – e para ti. O resultado incontornável destes factos é uma criança que não vai quer fazer nada que te agrade e vai estar muito mais suscetível às influências dos amigos. Isto significa que terás muito trabalho de reparação a fazer.

Quer demonstrem quer não a raiva dos adultos é assustadora para as crianças. (e quanto mais nos zangamos mais as crianças se defendem criando os seus próprios padrões de reação que irão usar mais tarde)

Como agir?
Decidir agir (em vez de apenas reagir) é a melhor forma de lidar com as tuas reações automáticas.

Tomar esta decisão implica estares ciente da sua necessidade e dos seus benefícios. Implica decidir que queres fazer diferente. Esta decisão é o teu primeiro passo. E deve ser um compromisso contigo mesmo.

  1. Torna-te consciente da forma como reages, do mecanismo que está por detrás da tua reação, da tua reação despoletada, dos eventos que te provocam e puxam os teus gatilhos.
  2. Compreende a tua raiva sempre que ela aparece, em vez de te deixares controlado por ela. Qual é a sua causa interna? O motivo que a causa é algo mesmo muito importante para ti? Ou é algo que talvez, mais tarde, já não fará sentido? Existem alternativas? Como podes prevenir estes momentos?
  3. Estabelece alternativas para lidar com as emoções negativas ANTES de elas acontecerem. Pensa na forma como gostarias de reagir quando sentes algo negativo. É mesmo necessário zangares-te? O que podes fazer para agir da forma como queres?
  4. Escreve uma lista de formas aceitáveis para lidares com a tua raiva. Podes incluir ações como: respirar fundo várias vezes, fechar os olhos e pensar em algo agradável, afastares-te para acalmar, relaxar, ignorar o assunto por uns tempos, meditar etc.
  5. ESPERA E PENSA antes de agir. Nunca tomes decisões com base na tua raiva. Quando estás num estado alterado, as decisões tomadas raramente serão sensatas e terás que voltar atrás mais tarde. Espera pelos momentos mais calmos antes de decidir.
  6. Lembra-te que “expressar” a raiva dá-lhe mais força ainda. Quando falas de forma zangada sobre o que te incomoda por mais tempo que necessário, multiplicas a energia negativa e continuas a alimentar o teu corpo com ela.
  7. Considera que fazes parte do problema e também da solução – quando algo que acontece provoca uma explosão dentro de ti, liberta uma emoção e o corpo reage. Não é o evento que causa a tua emoção, ela já lá estava. Pensa como podes alterar este encadeamento, para que os eventos externos deixam de te controlar e ditar as tuas reações. Torna-te parte da solução, agindo em vez de reagir.
  8. Se mesmo assim continuas a não conseguir controlar a tua raiva, procura apoio mais especializado, para o teu bem e o dos teus filhos.

Encontrares formas positivas para lidar com a tua raiva é um dos melhores presentes que podes dar aos teus filhos: em vez de os magoares, vais oferecer-lhes um modelo a seguir. A tua forma mais responsável e calma de lidar com aquelas situações vai ensina-los que também o podem fazer, quebrando este ciclo.

O que é que queres ensinar: Queres ensinar-lhes que a força faz a lei? Que os adultos lidam como conflito gritando ou batendo? Ou queres ensinar-lhes que a raiva faz parte do ser humano e que aprender a geri-la de forma responsável faz parte do processo de crescer e amadurecer?

imagem@tomitipi