Para enfrentarmos alguma coisa, precisamos de saber o que ela é. De a conhecer e a encarar de frente.

O bullying tem várias características próprias, como a repetição do comportamento abusivo, um claro desequilíbrio entre o agressor e a vítima, e uma intenção do agressor em prejudicar a sua vítima. É algo dirigido, e não aleatório. É continuado no tempo e tem uma vítima sem a mesma capacidade de resposta que o agressor, que exerce o seu poder sobre ela.

O que podemos fazer para tirar poder ao bullying?

É muito importante cultivar um canal de comunicação com os nossos filhos deste cedo, para que eles sintam que nos podem contar as coisas mais pequenas e as maiores. Que somos um porto seguro, e um dos seus adultos de confiança a quem se podem dirigir sempre que precisarem. Para isso, nota como recebes alguma coisa que o teu filho te vai contar, especialmente quando fez uma asneira. Eu penso sempre na coragem que ele teve em ser verdadeiro comigo, por isso a primeira coisa que lhe digo sempre é  “Obrigada por me teres contado”.

Funciona como uma pausa interior minha de micro segundos, que me ajuda a alinhar tudo o que vou fazer e dizer à minha intenção como mãe. Ajuda-me a valorizar o facto de ele sentir que pode falar comigo, algo essencial para a nossa relação, e para os desafios que ele vai enfrentar no seu crescimento.

O Bullying não é simples.

Tem muitos fios enrolados, muita dor envolvida, muitas pessoas que acabam por ter um papel ativo sem terem noção disso. Ser espectador também fomenta o bullying. Ele existe alimentado pela audiência que tem. Não ser plateia, ajuda a diminuir o seu poder.

Trabalhar desde cedo a empatia nos nossos filhos é para mim uma das mais poderosas aliadas anti-bullying. Deve estar lá desde sempre. Tal como lhes ensinamos a ler e escrever, deviam aprender a ler emoções, a colocar-se no lugar do outro a perceber o impacto das suas ações, a trabalhar o seu lado humano.

Como é silencioso, temos de ter atenção às pistas.

No caso da vítima, os sinais de alerta são, por exemplo:

  • desaparecerem com frequência as suas coisas na escola;
  • aparecerem com marcas ou nódoas negras regularmente;
  • evitarem os recreios;
  • não serem convidados para as festas de aniversário;
  • apresentarem resistência constante em ir para a escola.

No caso dos agressores:

  • aparecem com objetos ou dinheiro extra regularmente;
  • são pouco empáticos perante a situação dos colegas;
  • desvalorizam a escola;
  • são desafiadores da autoridade;
  • respondem com uma atitude provocadora;
  • gozam com a situação das vítimas;
  • nunca aceitam as suas responsabilidades culpando os outros;
  • demonstram agressividade nos jogos e situações de desafio.

O bullying já não tem limites físicos. Com a evolução das redes sociais já salta os portões da escola. Acompanha a vítima de uma forma silenciosa mesmo quando está em casa. Persegue-a e aumenta em número e impacto a sua audiência.

Para prevenir o cyberbullying para além de trabalhar a empatia, essencial para perceberem o impacto das suas ações nos outros, devemos mostrar aos nossos filhos como utilizar de uma forma equilibrada as redes sociais. De uma forma humana e consciente. Nas redes sociais, como não vemos a cara, não vemos a reação do outro. Uma sequência de emojis e fotografias retocadas, de cenários fabricados, de vidas “perfeitas” onde a desumanização dá por vezes origem a situações de grave violência psicológica.

Mesmo que o bullying não aconteça ao teu filho, não é por isso que possa ser ignorado.

É como um vírus, espalha-se. Contamina quem o faz, quem dele sofre e quem assiste. Não pode ser trabalhado isoladamente, mas todos devemos intervir, participar, prevenir, denunciar, tomar um papel ativo nas escolas e na vida para que o bullying diminua.

O bullying afecta TODA a escola. Por isso, todos temos de ter um papel.

Tudo está a mudar muito depressa. Perdemos o pé, o foco, ficamos enrolados e não notamos o que se está a passar mesmo à nossa frente. Temos muito tempo para fazer, temos pouco tempo para ser.

Os nossos filhos precisam da nossa ajuda para navegarem neste intenso novo mundo. Nós também precisamos de ajuda…

O bullying precisa de ser resolvido por todos, em conjunto, em comunidade para que nenhuma criança se sinta sozinha. Nem nenhum pai.

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17 coisas que me dizem… sobre as minhas filhas com autismo

… e que eu – e, provavelmente, outras mães – dispenso bem de ouvir.

Vamos por partes. Ter um (ou mais) filhos diferentes não significa que estejamos predispostas a ouvir tudo o que nos têm para dizer, até porque, na grande maioria das vezes, o que nos dizem… bem… não interessa.

É essa a verdade.

Pessoalmente, e desde que o autismo nos entrou porta dentro sob a forma de diagnóstico, que temos vindo a reforçar o que já fazíamos antes. Evitamos confusões, recusamos convites que impliquem grandes concentrações de pessoas, deixámos de fazer/adiámos alguns planos. Não encaro isto como um fardo ou algo que seja extremamente penoso, um sacrifício.

Todas as mães/pais se sacrificam pelos filhos, ou não?

Não me arrependo das decisões tomadas em prol das minhas filhas. Elas precisam de mim e aquilo que eu queria fazer pode perfeitamente surgir por daqui por mais uns anos. Eu ganho em termos familiares.

Então, vamos lá.

1.  O olhar clínico

Ah, mas elas não parecem ter nada”, “ninguém diria”, “elas são tão bonitas.”

Vamos a ver se nos entendemos.

Existem vários tipos de deficiência: algumas são visíveis, outras não.

O autismo faz parte das deficiências invisíveis porque é algo que afeta a parte intelectual e neurológica, sem alterações físicas. Portanto, o autismo não se vê. Mas a epilepsia, a diabetes, alguns cancros, a infertilidade, a endometriose, etc etc etc também não se vêem! Por isso, qual é o espanto quando se sabe que uma criança tem autismo? Porquê a associação da deficiência à beleza/fealdade? E, já agora, desde quando é que quem diz estas coisas é médico? Nem estes, muitas vezes, sabem como chegar a um diagnóstico!

Sugiro tento na língua e algum discernimento antes de abrir a boca.

2.  A descrença

“ah, para mim não têm nada!”

Ok.

Por muito que nos doa e nos mate por dentro, há uma coisa que toda a gente deve fazer quando lidamos com um diagnostico – principalmente com um diagnóstico de autismo: todos devemos falar a mesma língua. Ou seja, somos uma equipa (pais, professores/educadores, terapeutas, técnicos, médicos) e todos devemos trabalhar com o tal.

Para isso, é necessário que se encarem os factos e que se faça um esforço para cumprir o que nos é pedido, para que a criança beneficie de uma harmonia e coerência entre todos.

Quando nos dizem na cara que não acreditam e recusam a aceitar o que quer que seja, o ideal é o afastamento. Nada do que possamos dizer ou fazer alterará aquela forma de pensar e, no final, pagam os nossos filhos essa fatura.

3.  O cepticismo

“Nem sei como consegues”, “se fosse comigo, já tinha ________________ (preencher a gosto)”

O que raio quer isto dizer?

Alguma criança vem com livro de instruções? Não. Alguma criança tem botões on/off e reguladores de som? Não. Alguém nasceu ensinado? Não. Então? Isto quer dizer que a maternidade é um ato condenado ao fracasso e à desistência?

Não esquecer algo muito importante: somos animais. Sim, animais. E, como tal, temos instintos e temos intuições. E temos algo que ainda nos corre no ADN e que foi deixado lá pelos nossos antepassados das cavernas.

Alguém lhes disse a eles como lidar com crianças – normais ou com deficiências? Não me parece. Não há nada que saber: é agir como mãe, é dedicarmo-nos às nossas crias, é ouvir os nossos instintos e intuições (existem, estão lá, só não conseguimos torná-las palpáveis), é estudar, é ir à luta. Por qualquer filho, não apenas por um filho com necessidades especiais.

E, eu tenho duas boas razões para me levantar todos os dias: as minhas filhas.

4. Do 8 ao 80

“O meu filho também não gosta de usar esse tipo de roupas”, “O meu também escolhe a comida e nunca come as ervilhas” –> “se calhar é autista”

Errado.

Eu detesto sentir etiquetas nas roupas (mesmo que sejam de marcas xpto) e arranco-as todas. Há miúdos que não gostam de ervilhas. Isso não é sinal de autismo. Para se chegar a um diagnóstico, é como montar um puzzle. Há uma série de sinais e sintomas a ter em conta. E três grandes áreas devem estar afetadas:

  • comunicação (a questão da fala e da iniciativa comunicativa);
  • a interação (o estar com outros, o lidar com regras de jogos etc);
  • desenvolvimento (e que, invariavelmente acaba por abarcar o comportamento).

E é um médico especialista quem avalia e dá, eventualmente, um diagnostico que nunca deve ser estanque. Não é a professora ou a educadora, a vizinha do lado ou a sogra.

5.  A comparação

Oh, o meu faz o mesmo e não tem autismo”.

Certo.

Há muitas coisas comuns a todas as crianças, com e sem deficiências, por exemplo, respirar, cortar o cabelo ou a unhas, fazer chichi ou cocó, tomar banho. É óbvio que há muitas coisas que crianças com autismo fazem igual mas uma imensidão de outras que ou não fazem ou fazem de modo diferente, com graus e intensidades variáveis.

As birras (que, na realidade são meltdowns), a reação a estímulos, a incapacidade de gerir a ansiedade, a reduzida capacidade de atenção/concentração, a comunicação, etc. Se as crianças neurotípicas também fazem isto por que não têm um diagnóstico? Ou não tomam medicação? Ou não têm terapias? Porque NÃO têm autismo.

6. Os veterinários de serviço

“Devias arranjar um cão da raça ____ (preencher a gosto)”, “cuidado com os gatos”, “por que não peixes”.

Eu sugiro um tubarão ou um urso pardo ou um pterodáctilo.

Como todas as crianças, algumas reagem e interagem melhor do que outras com animais, umas gostam e outras não. Com crianças com autismo é igual. E eu sei do que falo porque já experimentei e vi o que deu resultado ou não. Ninguém questiona os benefícios de um animal de estimação para uma criança. Mas não preciso de opiniões de terceiros, a menos que as peça, como já fiz. Se correr bem, ótimo; se correr mal, cá estarei para arcar com as consequências. Como sempre fiz.

7.  A culpa

“Está tudo na tua cabeça”, “Tu é que as pões autistas” ou a pérola “A culpa do autismo delas é toda vossa“.

E a culpa do buraco na camada de ozono também, e do acidente em Chernobyl também e da 2ª Guerra Mundial também, .. espera, nessa altura os meus pais ainda nem tinham nascido.

A nossa vida já é demasiado complicada e dolorosa para que nos atribuam (ainda) mais culpas. Inconsciente e involuntariamente, a culpa paira sempre sob as nossas cabeças ou porque há casos na família ou porque foi uma gravidez terrivelmente complicada ou porque deveríamos ter feito assim e não assado. A cabeça não pára. Sabemos, racionalmente, que não há nada a fazer para evitar o autismo mas não conseguimos evitar de pensar nos “e se…”.

Ouvir isto da boca de alguém – e, em 95% das vezes é de alguém familiar muito próximo -, é do mais doloroso que existe. E é aqui que entra o nosso ditado popular “o silêncio vale ouro”.

8.  A fé

Tens de ter muita fé”, “Acredita que isso vai passar”, “Por que não as batizas?”, “Deus só te dá aquilo que consegues aguentar”

Não falo de religião com ninguém.

Tenho formas de interpretação diferentes das que são passadas na catequese. E o que tenho a dizer digo-o até ao padre. E estou chateada e numa relação muito complicada com Deus. E acho que, da parte de terceiros, enfiar o nome de uma qualquer divindade no meio de todas as conversas só prova que se criou algo transcendente para explicar o inexplicável. Não estou para questões metafísicas.

O autismo não é uma benção – apesar das coisas fantásticas que faz com que as piolhas façam mais à frente dos outros – e, para mim, é mais um castigo incompreensível – basta ver todos os desfasamentos do desenvolvimento delas e o sofrimento que causam os meltdowns-  tal como o são as minhas enxaquecas crónicas e a epilepsia da minha mãe ou os diabetes da minha avó. Mas tudo e qualquer coisa que me possam dizer sobre autismo e religião, soa-me a Idade Média. Poupem-me. A minha relação com Deus só a mim me diz respeito, as nossas decisões em prol das nossas filhas competem-nos a nós pais.

9. A auto-ajuda

“Tenho lá uns livros porreiros, assim, do estilo alternativo, para te emprestar se quiseres.”

Não quero. Dispenso. Não preciso.

Aliás, só de pensar nisso, lembro-me logo da louca da Solnado (o pobre do pai deve dar voltas no túmulo só com a quantidade de disparates que saem da boca dela). São a prova provada de que o lixo vende e a estupidez assiste. Como é que é possível que este povo seja ignorante ao ponto de rejeitar uma visão científica, estudada, experimentada, defendida por classes médicas e professores, investigadores e afins, para dar ouvidos a uma pseudo-hippie sem o mínimo conhecimento do que fala?

Exemplo?

Na minha opinião, a criança autista tem um laço kármico muito forte principalmente com a mãe. A criança escolheu o autismo (inconscientemente) para fugir à sua realidade. É provável que numa vida anterior, a criança tenha vivido algo muito difícil com a sua mãe actual e que seja a sua maneira de se vingar, recusando todos os alimentos e afectos que dela venham. É também uma  escusa da sua encarnação.

Se és mãe de uma criança autista e leres estas linhas, sugiro que lhe leias esta passagem em voz alta, seja qual for a sua idade, pois a alma desta criança pode compreender. A criança autista deve aceitar que se escolheu voltar a este planeta, tem seguramente experiências a viver. Teria interesse em convencer-se de que tem tudo o que é preciso para enfrentar esta vida e que só vivendo experiências poderá ultrapassar-se e evoluir. Os pais de uma criança autista não se devem culpar, mas aceitar que esta doença é escolha da criança, que faz parte das suas experiências de vida. Só ela pode decidir libertar-se um dia ou viver a experiência da fuga durante toda a vida ou aproveitar esta nova encarnação para viver várias outras experiências.”

Minha senhora, quando conhecer um caso de autismo, aí sim poderá falar do assunto. Até lá, faça-me um favor: comece a tomar chá de camomila (são umas flores parecidas com o malmequer mas mais pequenas, assim tipo boninas – não são papoilas!) e ponha tabaco nos cigarros.

Autismo NÃO é doença, NÃO é escolhido, não é porra nenhuma do que esta gaja diz. E sim, os pais DEVEM estudar e saber cada vez mais, só assim, podem e conseguem ajudar os filhos.

10.  Um, dois, experiência

Já experimentaste a terapia _______ (preencher a gosto)”, “se fosse eu, eu faria _____ (preencher a gosto)”

Ainda bem que não são eu.

Os nossos filhos não podem ser as nossas cobaias. Só experimento aquilo em que acredito – e nunca sozinha – e que me mostra resultados palpáveis, cientificamente provados e que façam falta às piolhas.

Já passei pela fase de testes e foi horrível. Os nossos filhos não merecem isso, são seres humanos, não ratos de laboratório.

Ler um artigo qualquer no jornal, sem fontes de informação ou dados; sugerir um disparate qualquer sem se colocar na pele de quem ouve não faz de ninguém um expert na matéria. Mergulho com apneia e batismos religiosos não curam autismo. Ponto. Forçar alguém a aceitar uma terapia estapafúrdia qualquer sob pena de ficarmos mal vistos ao dizer que não, é pior que chantagem. É idiotice elevada à raiz quadrada da maldade.

11.  Os intelectuais

Eu vi uma reportagem sobre autismo e percebi logo tudo”, “já sei o que é o autismo, vi um episódio do Dr. House/E.R:/ Cold Case”

Eu sou uma autism mom, o nosso médico é um especialista em autismo e não sabemos tudo, não sabemos o que é o autismo no seu todo.

Ver um filme, grandemente estereotipado e com aquilo que toda a gente conhece de autismo, não mostra todo o autismo. Além disso, se for como a bela bosta que a novela “Amor à Vida” mostra, desenganem-se. Um autista clássico nunca evolui tão rapidamente a ponto de, em pouco mais de 1 ano, poder ter um relacionamento amoroso, casamento e autonomia de vida.

Poupem-me. Aqui estamos na mistura da Idade Média com a Renascença, com a teoria de que o Homem pode tudo? O espectro é demasiado vasto e surpreendente para se poder generalizar ou saber o que se passa no caso a, b ou c. Eu trabalhei numa unidade de autismo como tarefeira e todos os casos são diferentes. Não conheço nenhum caso semelhante ao das piolhas exceto elas e, mesmo assim, até elas revelam diferenças dentro do espectro. A menos que tenham experiência de vida ou sejam pais de crianças com autismo ou adultos com autismo, um filme/série/jornal/reportagem/artigo não vos fará experts ao ponto de compreenderem o que passamos, o que passam as nossas crianças. Lamento.

12.  A vida social

Por que não sais mais?”, “Por que não deixas as miúdas com os avós e vais de férias?”

Primeiro: eu não tive filhos para os espetar em casa dos avós, eu criei uma família;

segundo: os avós devem cuidar dos netos na forma avós-netos e não na forma pais, devem complementar o ciclo, não substituí-lo. E, já agora, se tiverem dois dedos de testa, digam-me lá: se até para nós pais é complicado gerir as crises, os comportamentos dos nossos filhos e isso cansa-nos de sobremaneira, é isto que querem fazer aos avós?

Eu não me sentiria bem comigo mesma sobrecarregando os meus pais e a minha irmã só porque quero tirar férias! As piolhas ficam com eles quando eu vou trabalhar fora de horas ou quando nos juntamos todos, mas não porque “olha, vou de férias porque estou cansadinha“. Desculpem mas isto comigo não funciona. Deixar os netos dormirem nos avós por carolice sim, espetá-los lá como um fardo dos pais, não.

13.  A continuidade familiar

Por que não tens mais filhos?”, “Tens um filho assim e ainda quer ter mais filhos?”

Mas que raio tem esta gente que ver com o que se passa na vida íntima e familiar de uma família com crianças com necessidades especiais? É o quê?

Vontade de falar? Vontade de criticar? Vontade de mandar bitaites?

Eu acabei por desistir, não só financeiramente, mas também por medo e algum egoísmo. Se tivesse só um filho, arriscaria sem sombra de duvidas; com dois, o caso muda um pouco de figura. Só há pouco tempo é que conseguimos fazer coisas básicas que outros pais fazem com os filhos desde que eles aprenderam a andar… E nós queremos aproveitar esses momentos.

Mas a decisão de ter ou não filhos ou mais filhos, só pertence ao casal. Os outros, fora. E parar com as bocas de achar que os irmãos com necessidades serão um fardo para os mais novos e que não é justo e blá blá blá. Ora porra, para que serve uma família senão é para nos apoiarmos uns nos outros? Esta é a minha maneira de ver as coisas, desculpem.

14. As crianças especiais

“Vê/pesquisa/procura cenas sobre crianças especiais, tipo índigo e cristal

ha… sem querer ofender ninguém, os únicos cristais que tenho em casa estão encaixotados no arrumo para sua própria segurança. E índigo, só se for azul-índigo que, já agora, fica lindíssimo em latas com découpage.

Acreditar nestas cenas é quase como dar peso às teorias alucinadas de algumas auto-ajudas.

Cientificamente falando, o autismo é uma perturbação neurológica que afetam as sinapses entre neurónios, ou seja, o modo como estes processam e trocam informações entre si é feita diferentemente do que acontece em crianças neurotípicas = normais. Os poderes especiais de crianças com autismo são semelhantes aos de crianças neurotípicas: carisma, poder de argumentação, pureza de espírito, memória visual/auditiva/etc, jeito particular para desenho/línguas/computadores/etc.. Ninguém diz a uma criança neurotípica que adore computadores que ela é índigo ou cristal ou whatever.

15. O amor

O amor é o caminho para a cura”, “ama muito que vais ver que a cura aparece”

ha, wrong and wrong.

Isso é o que acontece nos filmes românticos e lamechas e nos milagres religiosos. Amo as minhas filhas mais que a própria vida, faço tudo por elas, abdiquei de tanto tanto – sem queixas – por elas and guess what? não se curaram do autismo, porque, bem, o autismo NÃO tem cura. O amor é fundamental para haver evolução, progresso, resultados, para se conseguir levar em frente uma vida bastante complicada mas não é fonte de cura per se.

Se assim fosse, as indústrias farmacêuticas estariam falidas ou, então, face às numerosas doenças que existem, não há amor no mundo e como humanos – e até os animais! – falhámos redondamente.

16. A medicação

“Elas tomam alguma coisa?” ou “Nem acredito que estás a medicá-las!” 

Medicar ou não medicar é uma decisão nossa e só nossa. Ninguém tem nada a ver com isso, nem mesmo os médicos que podem sugerir mas cuja decisão final nos cabe a nós.

A medicação não é o caminho mais fácil mas sim aquele que nos traz qualidade de vida, a pais e filhos. Já escrevi muitos posts  sobre a medicação que tomam e não vou retomar a isso. As minhas filhas andam bem com a medicação que tomam; sem ela, provavelmente não estariam numa sala de aula, usariam capacete e estariam carecas. Por isso, mind your own business. A maioria das mulheres também toma a pílula, certo? E paracetamol ou ibuprofenos, certo? E isso também tem efeitos secundários, certo? Então, deixem-me em paz com este assunto.

17. As vacinas

“Sabias que as vacinas podem causar autismo?”

Sim, as vacinas, o fluor, mulheres mais velhas, pais gordos, mães magras, comida assim e assado, noites de lua cheia, etc.

Sabem o que causa autismo? Mandar uma e engravidar. Poupem-me.

Não vou em modas de não vacinar. Qual é a lógica de trazer de volta doenças que já forma praticamente erradicadas, apenas porque alguém acha que causam autismo? E só causam autismo, não causam mais nada reparem bem! Na minha ótica, isto é voltar à Idade Média e fazer subir uma taxa de mortalidade infantil perfeitamente controlada e das mais baixas do mundo. Jamais me perdoaria se as minhas filhas tivessem meningites ou hepatites ou tétano por optar não vaciná-las quando estas doenças podem ser evitadas.

Além disso, já foi provado que não existe um elo realmente credível e forte entre autismo e vacinas. Just google it.

Não evito vacinas mas evito os efeitos dolorosos e, sempre que possível, peço ao nosso médico de família para que a admnistração das vacinas seja faseada e não levem duas e três vacinas no mesmo dia. E tem corrido bem.

Esta lista não é estanque. Provavelmente, à medida que as piolhas crescem e as suas dificuldades presentes vão transformar-se noutras ou desaparecer, irei continuar a ouvir muitas e muitas coisas. Claro que, associado a cada uma das frases, está o síndroma da coitadinhice. Somos sempre uns “coitados” façamos o que façamos. Até somos uns “coitados” porque pagamos impostos, vejam lá só.

Estaremos a preparar os filhos para a adolescência?

Pensando nesta viagem entre o planeamento do nascimento (quando o há)  até à vida adulta dos nossos filhos…

Já pensaram nesta questão em voz alta? Ou mesmo em silêncio?

Acredito que a maternidade e paternidade são muito mais do que dois cromossomas unidos e sobre isso já teci várias considerações .

A primeira infância

A primeira infância passa a correr. Entre mudas de fraldas, as primeiras colheres de sopa, algumas quedas e visitas frequentes ao centro de sáude. As febres, viroses e afins, as birras e as noites sem dormir. Passa a correr. E quando finalmente desacelaramos, a criança atingiu os dois primeiros anos de vida. Se o trabalho de casa foi bem feito (e deve ter sido), ela tem em si muitas ferramentas que facilitarão a etapa seguinte. Estou, evidentemente, a falar da estimulação do desenvolvimento global do bebé, que é crucial para o desenvolvimento futuro.

Apercebi-me, há alguns dias, que está novamente em desuso contar histórias em ambiente familiar, falar com a criança ou cantar. Permitir a brincadeira ao ar livre, as quedas, o sujar e o brincar…

Isto preocupa-me.

Entrada para a escola e 1º ciclo

Numa segunda fase, a criança transita entre o pré escolar e o primeiro ciclo e inicia-se a fase das aquisições consideradas importantes. A educação do currículo evedencia-se em detrimento das artes. Pintar, desenhar, dançar ou cantar são atividades de preenchimento de horários. Com sorte, terão pais e mães atentos que lhes permitirão trabalhar estas áreas de expressão em casa ou noutros contextos.

Surgem as atividades extra-curriculares que dão aso à liberdade da criança quando estas têm a possibilidade de as escolher por iniciativa própria e não por imposição de elites sociais, caindo no erro de não contribuírem efetivamente para as necessidades da criança.

A adolescência

O tempo passa a correr e logo o segundo e terceiro ciclo chegam e o bebé, é de repente, adolescente. E agora?
Foram criados os laços afetivos necessários na infância?
O jovem adolescente  sente a sua casa como um lar onde poderá partir e voltar, sendo acolhido nas suas escolhas?
Poderá partilhar as suas ansiedades, dúvidas e questões?
Irão respeitar o seu espaço, a sua integridade física e moral? Os seus silêncios…

Às vezes sim , outras não…E assim vamos modelando adultos que nunca ouviram um Acredito em ti , És capaz, Estou aqui se não der certo, Tenho orgulho em ti, Gosto de ti, Apesar do teu comportamento estou aqui contigo!

O verbo amar nem sempre se resuma a: tens fome, tens sede, tens escola, tens roupa, tens dinheiro…

O tic tac do relógio está a contar, já pensou neste caminho?

É igual ao seu? Talvez sim, talvez não!

Ensinar os filhos a esperar

Atualmente, parece que tudo é difícil de aguentar, sob todas as perspetivas.

Os filhos passam por circunstâncias sobre as quais manifestam dificuldades em gerir. No outro ângulo, encontram-se os pais que ficam tão ou mais aflitos quando sentem as crias em apuros. E se o instinto natural impele a ajudar, é isso mesmo que deve ser feito. Já resolver tudo, de modo imediato, independentemente da idade, (e, por vezes até, oferecendo soluções antes de o problema ser manifestado), é ação merecedora de ocorrência no registo criminal da parentalidade.

Cultura do instantâneo

Nascemos todos sob o princípio do prazer, isto é, “tenho fome, alimenta-me já!”; “quero água, como é que ainda não está aqui?”; “a fralda está suja: a troca é para hoje ou amanhã?”. E, sem o domínio da comunicação verbal, o choro serve de alerta para todos os sinais que queremos dar.

Pressupõe-se que, com o desenvolvimento, entre outros aspetos, se desenvolva a capacidade de esperar. Ou seja, de conseguir aguentar os diversos desconfortos que vamos sentindo na vivência diária, sem almejar soluções instantâneas. No entanto, para alcançar esta capacidade de forma ajustada, requer-se que os cuidadores (pais, avós, tios, etc) possuam também esta capacidade. A de aguentar as manifestações de desconforto, por parte de quem cuidam, sem o impulso de querer solucionar, prontamente tudo.

Exemplos disto, relativos a uma fase mais inicial da vida, são a chucha que aparece rapidamente ao primeiro choro, e os avós que surgem como recurso imediato quando os pequenotes demonstram resistência em ir à escola.

Dar tempo para aprender a esperar

A questão fulcral reside no facto da reação-resposta não dar tempo para aprender a esperar. Não dar tempo para reconhecer o sentir, confrontando-o e suportando-o até passar ou ser resolvido. Ter a capacidade de parar para pensar o sentimento é imprescindível a um desenvolvimento mais harmonioso e equilibrado, mas não “nasce” sem treino.

Não pensar no que se sente, privilegia a fuga.

O evitamento; a incapacidade de olhar para dentro, pelo receio daquilo que possa encontrar-se. E, não conseguir olhar para dentro, é como estar na selva, em frente ao Cuquedo, a anunciar-lhe que ele – Cuquedo – é muito assustador, muito embora, na verdade, ele seja o oposto do susto (sendo que só assusta porque existe essa expectativa sobre ele). Isto é, pode avolumar-se como um perigo.

A verdade é que, não obstante as boas intenções dos cuidadores, um tempo de latência na resposta aos pedidos dos pequenotes (e mesmo dos “crescidotes”), só traz benefícios. Se, por um lado, os ensina a saber esperar; por outro, transmite-lhes a mensagem que quem os cuida está tranquilo. Que não se deixa abalar com o mal estar dos filhos, sendo, por isso, sentidos como uma fonte de apoio muito mais securizante. (É natural que os cuidadores se preocupem. Devem, no entanto, de forma verbal e não verbal, passar a mensagem contrária, para que possam ser vivenciados como porto de abrigo).

Na certeza que a vida não acontece ao sabor do tempo e vontade de cada um. É importante preparar para o desenvolvimento de recursos internos que permitam aguentar mais os “mal-estar” do quotidiano. Na tentativa de evitar que, mais tarde, perante as adversidades da vida, se manifeste a sensação de perda de controlo e, (por norma) consequentes, crises de ansiedade.

O meu filho está doente

Já passa da meia-noite. Deitado ao meu lado o Pedro vai descansando num sono leve e constantemente interrompido por gemidos. As bochechas absurdamente rosadas não enganam: a febre disparou outra vez.

Estamos há mais de vinte e quatro horas nesta dança onde volto a vestir a farda com que trabalho todos os dias. A questão é que no hospital sou “só” enfermeira e aqui, no nosso quarto, a sentir o calor exagerado que emana do corpo do meu pequenino, sou uma mãe que, por acaso, também é enfermeira lá fora.

Aqui, com o meu filho, o meu discernimento perde-se um bocadinho e esqueço-me que a febre significa que o sistema imunitário dele está a funcionar e que até às 72h não são necessárias preocupações. Aqui não quero saber de fisiologia, normas hospitalares ou protocolos de actuação. Aqui tenho o coração mais pequeno que uma noz. Aqui só quero que a doença vá embora e deixe o meu menino em paz.

Há meia-dúzia de meses, à porta da Unidade de Cuidados Intensivos onde trabalho, uma mãe desesperada dizia-me entre lágrimas engolidas que dava tudo para poder trocar de lugar com o filho. Nessa tarde eu dei-lhe a mão e disse-lhe que a compreendia. E a verdade é que a cada dia que passa a compreendo um bocadinho mais.

Somos mães.

Somos mães, não estamos preparadas para ver os nossos filhos sofrer. Se for preciso lutar contra moinhos de vento para os termos felizes nós lutamos, se for preciso ir à lua nós vamos, se for preciso dar a nossa vida nós damos. De boa vontade. Sem pensar duas vezes.

Hoje a minha casa permaneceu arrumada, houve pouco barulho e o sofá chegou ao fim do dia sem migalhas. E eu tive saudades da gritaria, dos constantes pedidos de pão e das peças de Lego espalhadas.

Os olhos do meu filho que costumam ser brilhantes de felicidade hoje estiveram brilhantes por culpa da febre.

Quem me dera ser eu no lugar dele.

Hoje o meu filho está doente. E o meu coração também.

image@gettyimages

 

A febre no bebé e na criança é um sintoma extremamente comum e o principal motivo de consultas médicas de urgência em Pediatria. Por ser tão frequente, é importante perceber porque surge e quando é realmente preocupante.

Febre no bebé e na criança – o que fazer?

O primeiro conceito a reter é que a febre não é uma doença. É um sintoma, que geralmente surge associado a algum tipo de “agressão” externa, mais frequentemente uma infecção. A definição de febre depende do local onde a temperatura é medida, podendo ser utilizados os seguintes valores:

  • rectal (medida no rabinho) – acima de 38 graus
  • timpânica (medida no ouvido) – acima de 37,6 graus
  • axilar (medida debaixo do braço) – acima de 37,5 graus
Trata-se de um mecanismo de defesa do organismo, que serve essencialmente para ajudar a combater essa “agressão”, através dos seguintes mecanismos:
– melhoria da capacidade de resposta do organismo. Alguns dos nossos mecanismos de defesa ficam optimizados com a subida ligeira da temperatura corporal
– inactivação de alguns microrganismos. A elevação da temperatura faz com que alguns microrganismos percam agressividade, ajudando assim a combatê-los

Assim, é fácil perceber que, apesar de causar muitas preocupações aos pais, a febre em si pode até ser benéfica. Por esse motivo, há até quem defenda que não precisa de ser tratada, caso a criança esteja bem disposta. Na verdade, não se deve tratar a febre em si, mas sim o desconforto que esta provoca. A temperatura corporal não sobe indefinidamente e, mesmo sem tratamento, acaba por voltar a descer.

Quando se dá algum tipo de medicamento nessas situações, é importante realçar alguns aspectos:

  • o tempo médio para começarem a actuar é de 30 minutos a 1 hora, pelo que não é esperado que haja uma resposta imediata
  • a resposta esperada é que a temperatura desça 1-1,5 graus, pelo que não é suposto que desça sempre para os 37 graus

Relativamente aos tradicionais banhos de água tépida e outras medidas de arrefecimento corporal:

– Convém reforçar a ideia de que nem sempre são boa opção.
– Só devem ser utilizados quando a temperatura já está a baixar, o que geralmente se percebe porque a criança fica com a pele mais vermelha, quente e transpirada.
– Devem ser evitados quando a temperatura está a subir, ou seja, quando a criança está com as mãos frias, a pele mais pálida, os lábios arroxeados e com tremores

5 Estratégias para promover a autoconfiaça do seu filho

Vivemos numa sociedade competitiva e em constante mudança.

Estar preparado para responder e ultrapassar desafios diários é crucial desde a infância. Urge, por isso, ajudar as crianças a desenvolver a sua autoconfiança.

A autoconfiança é um ingrediente fundamental para que se sintam confortáveis consigo mesmos ou com os outros e consigam ultrapassar os desafios sociais e relacionais que vão surgindo ao longo da sua vida.

Podemos, então, pensar na autoconfiança como um motor que nos impele a agir e nos ajuda a ter respeito por nós próprios. Necessitamos dele para nos sentirmos confortáveis no nosso quotidiano e em todas as situações com que nos deparamos.

E quando a criança tem pouca autoconfiança?

 As crianças com pouca autoconfiança tendem a isolar-se e a refugiarem-se na leitura ou nos jogos eletrónicos. Muitas vezes os adultos sentem-se confortáveis com estas atitudes porque geralmente são crianças que fogem aos problemas ou os conflitos. Mas na realidade é a falta de confiança que está a servir de travão às suas ações. Isto poderá vir a ter repercussões na sua capacidade de socialização, no seu sucesso e na sua capacidade na resolução de problemas ou gestão de conflitos.

A autoconfiança é desenvolvida na infância e os pais podem ajudar os seus filhos a confiarem mais em si mesmos. A acreditarem que são capazes de realizar determinadas tarefas. Ajudando os filhos a crescerem mais autónomos e confiantes, contribuindo assim para que o seu desenvolvimento seja mais positivo, o que os ajudará a serem adultos emocionalmente inteligentes e felizes.

As estratégias que seguem poderão ser úteis para promover a autoconfiança do seu filho. No entanto, tenha a consciência que é na forma de se relacionar com ele que lhe mostrará como olhar o mundo e como agir perante situações desconhecidas. Os pais servem de modelo e ensinam os seus filhos na sua forma de lidar com as situações e na forma como resolvem os seus problemas.

5 Estratégias para promover a autoconfiaça do seu filho

1. Regras e rotinas

Estabelecer regras e rotinas dá-lhes uma sensação de segurança e a criança sente que controla o seu mundo. Ao sentir-se segura, consegue explorar o mundo que a rodeia e desenvolver a sua capacidade de adaptação a novas situações.

2. Limites

É nos momentos de frustração que temos oportunidades para ensinar e promover a confiança. Os “ não”, são tão importantes como o afeto.

3. Autonomia e responsabilidade

Ajudar nas tarefas diárias como arrumar brinquedos, fazer a cama, vestir-se sozinho ajuda a criança a perceber que consegue realizar tarefas sozinha. Não faça as coisas por ele. O objetivo é guiar e apoiar os seus esforços, valorizando, para que aprenda a sentir-se competente.

4. Novos desafios

Estimulem os seus filhos através de jogos ou brincadeiras em conjunto. Pelo brincar a criança aprende a resolver problemas. Desta forma desenvolve, também, a confiança em si mesma, a sua criatividade e a imaginação, para além de sentir o prazer de novas conquistas.

5. Elogiar

Elogie e mostre ao seu filho que está orgulhoso, sempre que ele consegue fazer algo novo ou que teve um comportamento adequado. Valorize e reconheça os seus esforços, mesmo que não consiga no imediato. Incentive-o a continuar a tentar, através do afeto.

As crianças aprendem a lidar com as emoções através dos seus relacionamentos.  Estão constantemente a observar os pais nas diferentes tarefas e contextos, na forma como interagem com eles e também socialmente. Tenha presente que é através de situações do dia-a-dia  que irá conseguir ajudar o seu filho a tornar-se mais confiante e feliz.

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Receitas Especiais – Jogos de Ortografia para Crianças

As “Receitas especiais” são jogos de ortografia para crianças apresentados a partir de um modelo de receita de cozinha.

Foram especialmente escritas para os que se dedicam ao 1º ciclo de ensino e para os pais, podendo facilmente ser usadas na sala de aula e em casa.

Os principais objetivos das “Receitas especiais” são:

1. Aumentar a motivação dos filhos/alunos para escrever;
2. Proporcionar momentos a pares dedicados à ortografia;
3. Reforçar e desenvolver a competência de ortografia;

DOMINÓ ORTOGRÁFICO

INGREDIENTES: sílabas e palavras.

UTENSÍLIOS: folhas de papel, tesoura e lápis/caneta.

CUSTO: baixo.

PARA: 2 jogadores.

MODO DE PREPARAÇÃO: Primeiro, selecionam-se 20 palavras de acordo com o tipo de sílaba que se pretende praticar (ex: pra, pre, pri, pro, pru). Recortam-se 20 papelinhos de igual tamanho e traça-se uma linha vertical, de alto a baixo, que os divida em duas partes iguais. Pede-se à criança que escreva cada uma das cinco sílabas numa das partes do papelinho, repetindo-as quatro vezes. Na outra parte dos papelinhos, pede-se que escreva cada uma das palavras selecionadas. Baralham-se os papelinhos e distribuem-se os 20 papelinhos pelos dois jogadores. O primeiro jogador coloca um dos seus papelinhos em jogo e o outro jogador procura nos seus uma sílaba que emparelhe com a palavra ou uma palavra que emparelhe com a sílaba, e assim sucessivamente. Ganha o jogador que terminar primeiro os seus papelinhos.

TEMPO DE PREPARAÇÃO: variável.

GRAU DE DIVERTIMENTO: elevado

JOGO DO PEIXINHO DAS REGRAS ORTOGRÁFICAS

INGREDIENTES: palavras e regras ortográficas.

UTENSÍLIOS: folhas de papel, tesoura e lápis/caneta.

CUSTO: baixo.

PARA: 2 jogadores.

MODO DE PREPARAÇÃO: Primeiro, selecionam-se 10 palavras de acordo com as regras ortográficas que se pretendem praticar. Recortam-se 20 papelinhos de igual tamanho. Pede-se à criança que escreva cada uma das palavras num papelinho e a respetiva regra noutro. Baralham-se os papelinhos com as palavras/regras escritas voltadas para baixo. Cada jogador retira dois papelinhos. O primeiro jogador pergunta ao outro se tem a palavra ou a regra que pretende fazer par. Se o outro jogador tiver o papelinho pedido, entrega, se não tiver, o primeiro jogador tem de “ir à pesca”. Se conseguir fazer o par palavra/regra diz “peixinho” e retira outros dois papelinhos, continuando a jogar. Se não conseguir fazer o par, passa a vez ao outro jogador. No fim, ganha quem tiver mais “peixinhos”.

TEMPO DE PREPARAÇÃO: variável

GRAU DE DIVERTIMENTO: elevado

JOGO DE MEMÓRIA ORTOGRÁFICO

INGREDIENTES: palavras com correspondências múltiplas.

UTENSÍLIOS: folhas de papel, tesoura e lápis/caneta.

CUSTO: baixo.

PARA: 2 jogadores.

MODO DE PREPARAÇÃO: Primeiro, selecionam-se 10 palavras de acordo com a correspondência múltipla que se pretende praticar (ex.: s, c, ç, ss ou x). Recortam-se 20 papelinhos de igual tamanho. Pede-se à criança que escreva cada uma das palavras duas vezes, em dois papelinhos. Distribuem-se os papelinhos em 4 linhas de 5 papelinhos, com as palavras voltadas para baixo. Em cada jogada, a criança pode virar dois papelinhos: se encontrar o par joga novamente; se não encontrar o par, passa a vez ao outro jogador. No fim, ganha quem tiver mais papelinhos.

TEMPO DE PREPARAÇÃO: variável

GRAU DE DIVERTIMENTO: elevado

As “Receitas especiais” são atividades lúdicas, atrativas, simples de dinamizar e pouco dispendiosas que complementam outras estratégias, mais estruturadas, quando se pretende promover o desenvolvimento de competências de ortografia.

E SE… | Editora: Sana | De Raquel Garcez Pacheco | lustrações de Bárbara Neto |

E Se…?’ – que está entre os títulos literários mais curtos do mundo e o único atribuído a uma obra infantil portuguesa – é como uma viagem de balão pelo mundo da constante inconformidade humana. Aqui a fantasia ilustra o desejo e o sonho permanentes.

Este livro promete cativar miúdos e graúdos. Apesar de ser uma história infantil, a narrativa tem várias mensagens que se podem extrair.

Uma mensagem de motivação.

Que retrata a importância de acreditarmos que é possível realizarmos os nossos sonhos, que é importante sermos inconformados para nos permitirmos voar, sem medo, com ambição;

Uma mensagem de inspiração (nas crianças)

Pela sua curiosidade, bravura e imaginação. Tudo é possível aos olhos destemidos de uma criança. Perpetuar esta essência de criança em nós, é dar asas aos sonhos, é querer ser um herói, guerreiro e vencedor;

Uma mensagem pedagógica – ser resiliente.

Tal como no mundo real, na história narrada no livro, há tristeza, injustiça, solidão, traição, frustração, perda (morte), cabendo a cada de um nós, saber agir, enfrentar, ultrapassar;

Uma mensagem de reflexão universal – a eterna pergunta «E SE?»

Que nos faz escrever a nossa história pessoal pelas escolhas que fazemos, consequência ou não do livre-arbítrio: E se? E se eu fosse? E se eu tivesse feito de outra forma? E se tivesse escolhido aquele outro caminho? E se…?

SINOPSE

E se… um livro tivesse vida e, de repente, cansado de o ser, quisesse ser outra coisa?

E se esse desejo fosse concedido?

E se, num universo fantástico onde a imaginação é a rainha de todas as coisas, a magia transformasse o impossível em possível?

E se alguém fosse eternamente insatisfeito e desejasse ser sempre algo mais?

E se a ambição comandar o sonho?

E se eu fosse um sapato um dia, noutro dia, um banco de jardim e no dia seguinte uma nuvem?

E se…?

Este livro é como uma viagem de balão pelo mundo da constante inconformidade humana, onde a fantasia ilustra os desejos e os sonhos permanentes.

Atreves-te a vir voar?

FICHA TÉCNICA

Autor: Raquel Garcez Pacheco
Ilustrador: Bárbara Neto
Data de publicação: Outubro de 2018
Número de páginas: 40
Formato: 21X21
ISBN: 978-989-54210-0-8
Colecção: infanti

 

Colectânea As Crianças e o Mundo | Racismo e Intolerância, de Louise Spilsbury | Refugiados e Migrantes, de Ceri Roberts ! Ilustração de Hanane Kai

O preconceito ainda hoje existe na nossa sociedade e, no seu quotidiano, as crianças vivem ou assistem a diversas situações injustas, perguntando-se como agir.

«Racismo e Intolerância» e «Refugiados e Migrantes» transmitem aos mais novos uma mensagem relevante e sensível sobre a aceitação da diferença

A coleção «As Crianças e o Mundo» apresenta uma excelente ferramenta para pais e educadores ajudarem as crianças a compreender conceitos e a saberem o que fazer nestas situações.

«Racismo e Intolerância» e «Refugiados e Migrantes» são os dois primeiros livros desta pertinente coletânea. A Bertrand Editora faz chegar às livrarias portuguesas a 19 de outubro.

A linguagem simples e os desenhos apelativos destes livros proporcionam uma conversa delicada e importante, para que um adulto consiga explicar, de forma acessível, temas difíceis e, infelizmente, atuais. Permite às crianças entender o que significam conceitos como «intolerância» e «refugiado». E em especial perceber as dificuldades que as crianças deslocadas ou excluídas sentem.

«Racismo e Intolerância» e «Refugiados e Migrantes» transmitem aos mais novos uma mensagem relevante e sensível sobre a aceitação da diferença e a importância da amizade, ajudando-os a perceber como lidar com estas situações e para que saibam que podem fazer a diferença.

Sinopses

Por vezes, as crianças ouvem, nas notícias, palavras que não entendem e que as deixam preocupadas. Com ilustrações lindíssimas e uma linguagem acessível, Racismo e Intolerância e Refugiados e Migrantes procuram responder às suas perguntas e oferecer soluções encorajadoras.

«Racismo e Intolerância»

Louise Spilsbury é autora de livros infantis, com mais de 200 títulos publicados, todos na área da pedagogia e da educação. Já escreveu um pouco sobre tudo, desde ciência a geografia, passando por assuntos internacionais, problemas sociais, arte, história e literacia.

«Refugiados e Migrantes»

Ceri Roberts é jornalista, palestrante, editora e escritora freelancer que trabalha para vários meios de comunicação de destaque.

Sobre a ilustradora

Hanane Kai é ilustradora e designer. A sua aspiração é que as suas ilustrações toquem e dêem que pensar aos adultos e crianças que as vêem. Vive e trabalha no Líbano.

FICHA TÉCNICA

Género: Literatura/Infantil

Formato: 22 x 22 cm – capa dura

No de páginas: 32

Data de lançamento: 19 de outubro de 2018

PVP: 8,80 €

Tradução: Maria Rita Furtado