Desafio: 31 dias/31 atividades rápidas para fazer com os filhos

Ser mãe não é fácil.
Agora que regressamos às rotinas do ano letivo, percebemos que afinal aquele “tempo todo” que estivemos com os nossos filhos nas férias não foi suficiente.
Os dias passam num estalar de dedos e com a rotina instalou-se o Stress. Os TPCs, as lancheiras, os cestos, os casacos que se perdem diariamente na escola, os perdidos e achados que só “acham” coisas dos outros. Os horários, o sono logo de manhã, os miúdos que calçam três vezes a mesma meia com o calcanhar para a frente, os sapatos que já estão apertados, o material escolar que ainda falta mas já tínhamos mandado para a escola. A correria ao longo do dia para conseguir ir buscar as crianças cedo e o tempo que teima em voar. No fim de semana, as festas de anos. Quando nos apercebemos já entramos naquele ritmo frenético de cumprir tarefas, obrigações, horários e afins. E nisto onde fica o nosso tempo entre pais e filhos? E a nossa cumplicidade, os nossos pequenos momentos que são tão importantes para eles como para nós?

Vamos lançar um desafio: 31 dias/31 atividades rápidas para fazer com os filhos

Não precisa de ser por esta ordem, mas no fim (ou a meio) conte-nos o resultado!
E divirtam-se.

  1. Inventar um aperto de mão secreto
  2. Respirar fundo em conjunto e contar até 5
  3. Fazer uma corrida em câmara lenta até à porta de casa
  4. Dar um ou vários abraços
  5. Fazer vozes engraçadas
  6. Partilhar uma guloseima às escondidas do mundo
  7. Inventar um assobio só vosso
  8. Contar histórias engraçadas de quando eram mais pequenos
  9. Ver fotografias das férias no telemóvel
  10. Cantar e dançar no carro com direito a playback e coreografia
  11. Contar uma ou mais piadas “O que é que o tubarão diz à mulher?” – “TU BARALHAS-ME!” 
  12. Criar um código de símbolos e deixar mensagens encriptadas pela casa
  13. Sentar-se em cima dos filhos no sofá (sem fazer peso) e dizer “A mãe quer colo“! – Surpreenda-se com a reação deles.
  14. Dar beijinhos à esquimó
  15. Fazer um pacto com os dedos mindinhos
  16. Fazer sombras chinesas com as mãos
  17. Tirar uma selfie (ou uma dúzia delas)
  18. Fazer um “Pote da Calma
  19. Jogar ao “Rei manda”
  20. Começar uma luta de cócegas
  21. Olhar nos olhos e acenar com a cabeça quando falam contigo, até se desmancharem a rir
  22. Fazer um concurso para ver quem abre mais as narinas! Perde quem rir primeiro!
  23. Ensinar a falar a “língua dos Pês”
  24. Jogar ao sério
  25. Coçar-lhes as costas
  26. Fazer uma luta de polegares
  27. Fazer uma bebida especial para a refeição
  28. Fazer um concurso de caretas
  29. Contar um segredo teu
  30. Partilharem o melhor e o pior do seu dia à hora do jantar
  31. Dizer que os ADORAS até ao infinito e mais além. Muito mais além!

No fim do mês tente perceber o que lhes ficou na memória e verá que grande parte destes pequenos momentos estarão entre os Top 10 deles, e que coisas como o aperto de mão secreto ou o assobio só vosso, possivelmente, nunca serão esquecidos!

 


10. Cantar e dançar no carro com direito a playback e coreografia

Imagem@youtube | Teigan and mom singing open doors

A minha maternidade não é igual à tua, nem igual à de ninguém.

A minha maternidade é uma maternidade simples, não vivo obcecada com a opção pela amamentação em exclusivo ou pela opção pelo LA, não defende o uso de fraldas descartáveis ou fraldas orgânicas, não alimenta a polémica da pratica ou não do co-slepping.

A minha maternidade adapta-se às necessidades e gostos de cada filho.

A minha Maternidade não são só alegrias nem só tristezas, não é um sentimento único e imutável. É indescritível. Tento ser e fazer o melhor que consigo e não julgar os que fazem ou sentem diferente.

A minha maternidade não é o que se vê nos filmes. A minha maternidade todos os dias me esfrega na cara que tenho que continuar haja o que houver porque isto não é um round trip ticket e por isso às vezes é assustadora mas também estimulante. E não! Não é só amor. Tento aceitar as emoções e os sentimentos sem negação, sem julgamento, sem culpa, assumindo que às vezes estou triste e cansada, que tenho medo mas que nunca vou gostar menos dos meus filhos por isso.

Na maternidade tende-se a ter medo de assumir outros sentimentos porque a sociedade nos convence que na Maternidade só o amor pode existir sem dar lugar a outros sentimentos. Mas não há nada de errado quando me irrito. Estou cansada e sem paciência mas não sou menos Mãe ou pior Mãe por isso. Não sou a Mãe das telas de cinema – eu falho, erro e fracasso, mas  tento superar os erros e falhas de forma serena, não com o objectivo da perfeição mas com o mesmo objectivo da lagarta que vira borboleta – uma metamorfose materna à procura do seu melhor.

A minha maternidade não é igual à tua, nem igual à de ninguém. Aceito a minha sem procura de modelos ou padrões. Aceita a tua sem medos.

Assumir o que somos e como somos, é o que define a nossa maternidade, é o que nos define como mães.

Os medos que transmitimos ao nossos filhos

Mãe, o mundo é mesmo assim tão assustador?

Perguntando desta forma vais dizer-me que não; que não tem nada de assustador; de que é que eu tenho medo (?); que não devo preocupar-me, etc, etc… De seguida, vais a correr para a avó / meu pai / tua melhor amiga, fazer da minha simples pergunta, a tua maior preocupação e angústia.

Não te preocupes, mãe, que eu nunca ouvi essas conversas que tens com eles… pelo menos, não sempre… nem inteiras! Mas percebo quando não estás bem e sinto quando estás preocupada.

Sabes? Na verdade, a minha pergunta é só um reflexo das tuas atitudes. Imagina que tens a minha idade, e que delegas na tua mãe (naturalmente) a tua vida e, portanto, a tua segurança.

Agora, imagina, também, que a tua mãe passa grande parte do tempo a avisar-te de coisas como:

Não saltes daí, senão cais;

– Cuidado com os degraus, caso contrário tropeças;

– Veste o casaco ou vais constipar-te;

– Bebe mais água porque o corpo precisa;

– Sai do Sol, que faz mal à cabeça;

– Baixa o som. Cuidado com os ouvidos;

– Não corras, porque escorregas…

– …

E a lista podia continuar. Ah! E aquele “eu não te avisei?! Pronto! Não chores!!!” Não te parece difícil?

Querida mãe,  para mim, cair, tropeçar, escorregar, sentir o Sol, os ouvidos invadidos pelo som e, até mesmo, constipar-me, são experiências de vida. E chorar é o culminar dessa experiência – assim à laia daquele “visto” que se coloca no fim de uma tarefa concluída, sabes? Gostava de não te sentir tão aflita com tudo!

Eu percebo que queiras proteger-me mas, se a protecção fica tão revestida de preocupação, ao ponto de quereres antecipar (para evitar) tudo o que pode acontecer, passas-me a mensagem subliminar de que o mundo – que eu quero e devo explorar e descobrir –  pode ser menos interessante, e mais perturbador.

Os teus cuidados são úteis e necessários e eu preciso deles para crescer forte e saudável. Mas, preciso também, da tua tranquilidade e descontração – para que o meu crescimento forte e saudável seja, não só em termos físicos, mas também emocionalmente. Para eu sentir a força interior (auto-confiança) de explorar o mundo sem retracções, e poder enfrentar cada mudança / cada nova etapa sem ficar assustado.

Os alertas frequentes revelam a tua insegurança no mundo exterior – ou, pelo menos, assim eu interpreto – e causam-me desconforto e desconfiança face à novidade.

Combinamos uma coisa: fazemos isto juntos! Vamos acreditar que:

– quedas, tropeções e escorregadelas são marcas de felicidade na pele;

– o choro de dor, é só para ter o teu colo e sentir o teu apoio e amparo que alivia tudo (mas não vale dizeres “não chores!” Senão, volto a sentir a tua angústia! Se me dói, por que é que não posso chorar?)

– o Sol no parque, quando estou a divertir-me tanto, significa só um acréscimo de vitamina D, boa?

– e as constipações, além de não serem um mal maior, pode ser que melhorem o meu sistema imunitário (acreditemos!)

Assim, se não estiveres sempre a tentar evitar tudo, mostras-me a tua serenidade em cada novo passo meu, e eu sinto o desejo de explorar, com a auto-confiança que tu me transmites!

Do teu filho agradecido

P.S.: Tu consegues!!!

 

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Porque é que as mães dormem tão pouco

Eram 8h da noite de sábado e a minha mulher, a Mel, queixava-se de como estava cansada por ter dormido pouco na noite anterior e eu perguntei-lhe a que horas tinha  ido para a cama na véspera.

Nós temos 3 filhos mas eles dormiram a noite completa. Até porque lá em casa dividimos as noites e por isso se tivessem acordado eu teria sabido. Aliás, o Aspen, o nosso filho mais novo só acordou às 7h30, ou seja, cerca de hora e meia mais tarde do que o habitual.

Eu não consigo perceber porque é que ela não dormiu o suficiente, a não ser que se tenha deitado tarde outra vez, que foi o que provavelmente aconteceu.

“Por volta da 1h30” – respondeu-me. Estava com os olhos vermelhos e o cansaço estampado na cara.

Porque é que ficas acordada até tão tarde?” – perguntei-lhe: “Porque é que não vens deitar-te ao mesmo tempo que eu?”

Nessa noite eu fui para a cama por volta das 22h e ao sair da sala ela disse: “Ate já, vou daqui a 5 minutos. ” – Mas não foi.

Fiz-lhe a minha cara de “Temos pena”, até porque não é a primeira vez que a Mel se deita tardíssimo sem necessidade ou razão nenhuma.

Desde que temos filhos, eu comecei a deitar-me mais cedo. Aliás, dormir tornou-se na minha prioridade nº 1. Entre as noites a pé por causa dos miúdos e aguentar dois empregos durante o dia, sempre que tenho uma oportunidade para fechar os olhos não penso duas vezes. Mas a Mel não. A Mel não é assim!

Estamos casados há cerca de 12 anos, e temos filhos há nove. Desde os dois anos do nosso filho mais velho que a Mel se deita, invariavelmente, tarde. Ao longo dos anos chegamos a um ponto que nunca vamos para a cama ao mesmo tempo. Além de que tenho saudades de adormecermos juntos, o que mais me incomoda é o facto de se deitar tardíssimo a fazer sabe Deus o quê, e no dia a seguir queixa-se que está cansada.

Faz-me lembrar os adolescentes que estão diariamente a queimar a vela nas duas extremidades, sem razão aparente.

Estamos os dois a viver com uma dose diária de sono muito baixa. Acordamos os dois à noite para tratar dos miúdos. Eu trabalho durante o dia e a Mel, até há pouco tempo ainda estava a fazer um Doutoramento. Acho que nessa altura eu achava mais normal, talvez estivesse no computador a pesquisar ou a escrever a tese.  Mas hoje em dia, já nem se justifica.

A Mel não me respondeu à minha pergunta e eu assumi que nem ela sabia o porquê de ficar a pé até tão tarde. Ela ainda estava de pijama com o seu rabo-de-cavalo mal-amanhado, e os miúdos estavam a tomar o pequeno-almoço.

A Mel sentou-se no sofá, cruzou as pernas e ficou em silêncio. Sentei-me ao lado dela porque queria ver se chegávamos a uma conclusão para acabar com este cansaço.

Eu passo o dia inteiro com os miúdos. O dia inteiro. E quando eles vão dormir, eu estou contigo… o que é óptimo, mas…” Ficou em silêncio. – “Eu preciso de tempo para mim!”

Deitei-me para trás no sofá e fiquei a pensar no que ela disse. Para mim não faz muito sentido. Eu nunca precisei de tempo para mim. Preciso de dormir mas isso é outra coisa.

“O que é que queres dizer, com tempo para ti?” – Perguntei-lhe

A Mel suspirou. Não percebi se estava irritada ou se lhe seria difícil de explicar.

Eu quero sentar-me no sofá sozinha sem ter ninguém ao colo, a chorar ou a agarrar-me. Eu quero que não me toquem durante algum tempo. Há dias, quando as crianças estão sempre em cima de mim a agarrar-me, que sinto uma sobrecarga sensorial. Quero enfiar-me numa bolha, numa redoma. E sinto falta de me sentar e ver um programa de Tv sem ser infantil ou notícias. Quero aproveitar o tempo que a casa está em silêncio para poder ler um livro em silêncio. Eu só quero um tempo para ser…” – Levantou as sobrancelhas e disse uma coisa que realmente me fez pensar.

“Eu! À noite é o único momento que tenho para me sentir “eu”. “Eu” antes de ser mãe.”

Ao longo destes anos todos nunca me passou pela cabeça que isso pudesse ser questão. Eu assumi que a Mel adorava ser mãe. Não quer dizer que nunca tenhamos falado sobre os desafios da maternidade e como a parentalidade pode ser avassaladora. Mas eu não fazia ideia de que a minha mulher precisava de tempo para se sentir uma não-mãe.

Não gostas de ser mãe” – Perguntei a medo. Nem sabia se estava nervoso porque não queria que nada mudasse – a Mel é uma mãe espectacular! –  ou se era por ter descoberto que havia uma parte da minha mulher que eu, claramente, não conhecia.

A Mel riu-se. “Eu adoro os miúdos, mas isto não tem nada a ver com gostar ou não de ser mãe. Tem apenas a ver com querer estar sozinha. Às vezes nem sequer a ti te quero por perto. Não significa que te ame menos. Nem aos miúdos. Mas eu preciso de me sentir “eu”. Não ter sempre alguém a pedir-me coisas. Não ter sempre alguém a discutir por isto ou aquilo. Não ter sempre alguém à espera e a precisar da minha atenção. Neste momento, para mim, isso é mais importante do que dormir. Faz algum sentido?”

“Nem por isso” – respondi. “Quer dizer, eu não consigo entender porque eu não sinto a mesma necessidade. Mas respeito este teu sentimento”

Abraçamo-nos e ficamos ali um bocado sem falar.

“Então, vais ficar outra vez acordada até tarde esta noite?”

Ela acenou com a cabeça.

Ok. Eu vou certificar-me de que tens esse teu tempo”

 

Por Clint Edwards, Para Scary Mommy

 

Autorizado, traduzido e adaptado por Up To Kids®

Obrigada por teres segurado a minha filha nos braços

Querida Mãe, a quem não cheguei a ter tempo de perguntar o nome, hoje quero agradecer-te convenientemente.

Obrigada por teres segurado a minha filha nos braços.

Obrigada por naquele curto intervalo de tempo teres sido tu a mãe que esteve perto dela.

Eu tenho duas filhas, a que tu seguraste e a outra a quem eu estava a dar atenção. Foram 30 segundos apenas, o suficiente para o pior acontecer.

Vê-la no teu colo foi tão frustrante como confortante. Queria ser eu a estar por perto a segurá-la nos braços e a limpar-lhes as lágrimas. A dizer-lhe “está tudo bem” e a dar-lhe o beijinho mágico que faz desaparecer a dor.

Mas no momento em que corri aflita na tua direção eu vi nos teus olhos o que sofreste por ela, como a apertaste contra o teu peito, lhe deste um beijinho e me procuraste com tal angústia que me pergunto se já conseguiste ultrapassar o susto.

As poucas palavras que trocámos foram ditas com uma voz tremida, a minha e a tua. Não te conheço mas quero dizer-te que que já foste muito importante para mim.

Deves estar a perguntar-te que raio estava eu a fazer para não estar ali com a criança? A ajudá-la a trepar e a subir em segurança… sim, onde raio estava eu….

Bem, querida mãe, eu estava no parque não muito longe dela, a socorrer a mais velha. E a sensação de impotência no momento foi tão grande que as lágrimas me caiam da cara da raiva que sentia por não ter braços elásticos, quatro olhos e pernas super  rápidas.  Mas felizmente tu estavas lá.

Sei que é impossível impedir todas as quedas no parque, todos os trambolhões na rua, a subir um espaldar ou a andar de trotineta, sei que não posso estar em todo o lado a toda a hora, mas espero que em cada queda, a cada novo erguer as minhas filhas tenham sempre uma mãe por perto.

E porque todas nós somos um bocadinho mães de todas as crianças, acho que devo tranquilizar-te. Está tudo bem. Nem eu, nem tu poderíamos impedi-la de cair. Eu prefiro que ela tenha a audácia de tentar, do que o medo de não conseguir.

Querida mãe que aconchegaste a minha filha contra o teu peito,
Obrigada.

imagem@gettyimages

Mais Mulheres, Melhores Mães

A maternidade é sem dúvida um ponto de viragem na vida de uma mulher, no entanto a rota a seguir depende da bússola interna que cada uma de nós tem, ou quer ter.

Iremos traçar caminhos que não teremos tempo nem força para percorrer, mas também surgirão novos caminhos com surpresas e alegrias.

É difícil balizar a maternidade com o nosso intrínseco ímpeto feminino! É difícil para nós e também para os outros! Numa sociedade de aparências e estereótipos existem “comportamentos” proibidos para as mães!

Mas antes de sermos mães somos mulheres e como tal adoramos ter tempo para nós, jantar com os amigos, ler um livro, sentir a casa deserta e sossegada, gostamos muito de sermos a prioridade, e precisamos de o ser!

A maternidade hoje em dia está mediatizada e é alvo de criticas constantes. Temos que nos assumir, enquanto mulheres, parar de procurar a utópica perfeição, parar de agradar aos outros, porque também perdemos a cabaça, porque também somos egoístas, porque muitas vezes só queremos sossego e algum tempo para nós. E depois? em algum momento deixamos de amar os nosso filhos de forma incondicional? Obviamente que não! Este amor é recíproco e construído com respeito, autonomia e diferenças. As crises não são mais do que grandes oportunidades.

Se as criticas destrutivas escasseassem, haveria mais espaço para crescermos enquanto pessoas, seremos melhores mães quanto mais mulheres conseguirmos ser!

Quando começa a adolescência?

A adolescência é uma fase que me assusta. Espero não ter de me reinventar como mãe! Receio não estar preparada para todos as mudanças de humor, preocupações e principalmente para os ver voar.

Sempre disse que durante a infância plantamos sementes e na adolescência normalmente faz-se a primeira colheita … mas agora pergunto-me se terei dado o melhor de mim, se os meus filhos irão reconhecer a nossa casa como o seu porto seguro, se irão continuar a gostar de mim e a ouvir-me, se farei parte das pessoas que procurarão quando têm dúvidas ou preocupações, como tem sido até aqui …

Não acho que deva ser a melhor amiga dos meus filhos pelo simples facto de que, para mim, sou algo absolutamente maior, sou amor de mãe e neste amor tem de entrar a educação e o Não. Como chamar a atenção, proibir ou impor limites se formos compinchas? … Mas não é preciso colocarmo-nos do outro lado da barricada … não pretendo passar a ser vista como o inimigo… a bruxa má das histórias que lhes contei!

Fala-se tanto da fase do gavetão, da fase do armário … mas a fase da adolescência começa realmente quando?

A Organização Mundial da Saúde define que a fase dura dos 10 aos 20 anos.

Socorro! Então, a adolescência cá em casa entrou de mansinho e eu não dei por ela, não se fez anunciar. Mas agora que penso e revejo, algumas atitudes há muito que se modificaram. Realmente as amizades passaram a ser um factor primordial – é verdade que já não querem andar tanto connosco, o tempo passado em casa muitas vezes é de phones nos ouvidos, já procuram outro género de roupa (igual à multidão), e não gostam de sobressair … E já ouvi um “não percebes disto!” Estava à espera das mudanças físicas, mas as emocionais e psicológicas afinal começam antes … a adolescência não se faz anunciar!

Será que na hora da verdade estarei à altura? Conseguirei ter a mesma postura para ele e para ela? Muitas pessoas aconselham para que não forcemos a nossa presença, não sejamos invasivos, respeitemos o espaço e estejamos abertos ao diálogo… agora estes conselhos espalho-os pela casa para que eles os interiorizem…? ou sento-me e espero que me procurem, no momento em que se sentirem preparados?

E estarei eu preparada? Não sei … vou dar o meu melhor, no meu caso triplamente … no fim, com amor e paciência espero que consigamos sair “vivos”, felizes e com muito respeito e carinho mutuo.

Esta historia só a poderei contar daqui a uns bons anos, se não enlouquecer até lá … desejem-me sorte!!!

Um dia ensino-te…

Um dia ensino-te a importância de saber perdoar;
A assumir as tuas responsabilidades;
A pensares nos outros e não só em ti.

Um dia ensino-te que nem todo o friozinho na barriga é amor;
Que há pessoas que nunca irás esquecer, independentemente de a vida vos afastar irremediavelmente;
A rir das tuas fragilidades.

Um dia ensino-te que nem todo o ciúme é saudável;
Que a confiança se constrói pouco a pouco mas que se pode acabar num ápice;
Que por te terem magoado uma vez não significa que todas as outras pessoas o façam.

Um dia ensino-te a aproveitar os abraços que dás a quem amas;
A valorizar os raros momentos em que podes fazer exactamente aquilo que queres;
A não olhares apenas para o teu umbigo.

Um dia ensino-te que nem toda a mentira tem perna curta;

Que nem toda a verdade tem de ser dita;
Que ganhas muito mais se pensares antes de falar.

Um dia ensino-te que não tens de gostar de toda a gente, mas a todos deves respeito;
A aceitar que nem toda a gente goste de ti;
A não transformar esse facto na luz orientadora do teu caminho.

Um dia ensino-te que há amigos que se amam como a irmãos;
Que há viagens que não se repetem;
Oportunidades que não voltam.

Um dia ensino-te que há certezas que viram dúvidas;
Que não há problema em mudares de opinião;
Que não deves envergonhar-te por não pensares como a maioria.

Um dia ensino-te que a curiosidade é um dom;

Que a felicidade é, basicamente, estarmos aqui e agora;
Que o único responsável por te fazer feliz és TU!

Um dia ensino-te que mesmo quando tudo parece estar a correr-te mal o mundo não está contra ti – apenas te cabe olhar esse mundo com outros olhos para que consigas encontrar um novo rumo;
A não julgar pelas aparências, a não teres preconceitos;
Que nunca saberás tudo sobre toda a gente.

Um dia ensino-te que te vais desiludir com as pessoas mais insuspeitas – e isso faz parte;
Que o amor é uma dádiva e serás uma sortuda se o conseguires ver à tua volta;
Que todas as histórias têm duas versões e deves procurar que a tua seja a mais fidedigna.
Que não deves esperar dos outros exactamente aquilo que dás, sob pena de viveres numa insatisfação permanente.

Ensino-te que há memórias que te irão acompanhar para sempre, por isso procura construir mais momentos bons que maus;
Que por mais que olhes para trás não podes mudar o passado – aceita-o.
Que és a dona das tuas conquistas e dos teus erros.

Um dia ensino-te a valorizares as tuas melhores características e a não chamares a atenção dos outros para os teus defeitos.
Um dia ensino-te que o dinheiro não é tudo;
Que um verdadeiro amigo às vezes é tudo o que precisas;
Que a vida é demasiado curta para culpares os outros por algo que nunca conseguiriam fazer (ou agir) de outra forma.

Um dia ensino-te a amar os livros;
A não responderes a tudo o que te dizem – tantas vezes o melhor é deixar passar e não dar importância;
A ser boa, a não esquecer as tuas origens, a tua família.

Um dia ensino-te a não usares o poder como arma;
A amares-te;
A amares o que a vida tem de bom.

Ensino-te a aceitares todas as tuas cicatrizes;

A procurar o equilíbrio;
A não maltratar os outros, a tratá-los sempre com educação e, aos que precisam, com compaixão.

Um dia ensino-te a saltar mesmo quando sentes medo (para que possas sentir que és quem és e estás onde estás pelo que fizeste mais do que pelo que deixaste de fazer);
A filtrar tudo o que é negativo.
A não te ires abaixo quando estás “sozinha” nas tuas convicções.

Um dia ensino-te a teres orgulho em ti e nos teus.
Que é normal questionares-te.
Que podes tudo, basta trabalhares para isso.

Sei que só serei responsável por te ensinar uma pequenina parte destas lições. A vida encarregar-se-á do restante mas, mesmo assim meu amor, nunca te esqueças que os teus dias são o que fazes com eles, os problemas têm a proporção que lhes dás, que uma atitude positiva é meio caminho andado para seguires em frente.

Um dia ensino-te a voar – com um mapa desenhado nas costas com a ponta dos meus dedos, para que possas regressar sempre.

A mãe deseja-te a melhor e mais rica das viagens.

 

imagem@weheartit

Aos olhos de uma criança todas as montanhas são alcançáveis.
Outras crianças são potenciais amigos: seja qual for a sua forma de vestir, de falar, a cor da sua pele.
Todas as poças servem de piscina.
A chuva é motivo para abrir o chapéu de chuva preferido.
A areia é a desculpa ideal para fazer castelos, pontes e túneis, croquetes humanos, para se enterrarem apenas com as cabeças de fora.
Um beijinho e um mimo curam qualquer das feridas.
As nuvens formam figuras que ajudam a contar uma história.
Todos os dias são uma folha em branco.
A sua comida preferida é razão de festa.
Um embrulho é o suficiente para as deixar entretidas: nem que seja a rasgá-lo durante alguns minutos.
As promessas dos pais valem ouro.
Os gestos dos adultos ensinam-lhes como devem agir.
Uma gargalhada é o melhor remédio para uma queda.
Quando toca no rádio do carro a sua canção preferida é altura de dançar – e todos os que estiverem por perto são obrigados a fazê-lo.
Uma bola é o equivalente a duas viagens na montanha russa, três algodões doces e um saco de pipocas.
As regras foram criadas para serem postas à prova.
Uma história às vezes conta como a volta ao mundo em trinta minutos.
Os mais velhos são como iguais, igualmente sedentos de atenção e carinho, capazes de lhes dar o mundo como a mais ninguém.
Não há incapacidades totais, sonhos impossíveis, inimigos cruéis.
Há um mundo à espera de ser descoberto, pessoas capazes de as fazerem felizes, brincadeiras infinitas, um sorriso para cada ocasião.

Falta-nos, por vezes, olhar o mundo assim.

Que nunca deixemos adormecer a criança que há dentro de nós, que consigamos fazer as nossas crianças manter um pouco desta sua pureza de espírito.

A vocês meus amores,
Gostava de explicar com palavras certas o que é, e como é o amor,
Gostava de conseguir explicar de forma exacta como se sente e como se processa,
Gostava que a vida não vos apanhasse desprevenidos quando fossem tomados por ele,
Gostava de conseguir preparar-vos para o enfrentarem,
Mas não o sei fazer, não sei explicar, não sei responder a essa pergunta – o que é o amor?
O amor é o sentimento mais importante que vão descobrir ao longo da vossa vida. Garanto-vos que nada vai ser tão importante ou mais forte do que ele, mas lidar com este sentimento é uma tarefa difícil. Mais difícil do que passar àquela disciplina que vão odiar ou mais difícil do que aquela cambalhota da aula de ginástica, mas é tão importante, tão forte, que ao contrário daquilo que não gostam não vão desistir dele.
O amor não é uma coisa que se goste ou não se goste, não é assunto que interesse só a algumas pessoas – interessa a todos – o amor está presente em toda a vossa vida, nas coisas mais simples, numa palavra, num gesto, num filme, num livro, numa música.O amor faz falta, precisamos dele para viver. É o amor que nos move mas não temos que gritar ao mundo que nos importamos com o amor. Podemos importar-nos em silêncio, porque o que importa é o que sentimos..
Estejam atentos para aprender como funciona o amor, e não, o amor não é disciplina da escola, mas o amor aprende-se. Eu não nasci ensinada a amar e ninguém me ensinou a amar. Apenas nascemos a precisar de amor. Mas não se preocupem a vida vai encarregar-se de vos ensinar tal como me ensinou a mim.
Não quero que fiquem com uma visão pessimista do amor mas não vos posso mentir, ele não traz só coisas boas. Às vezes o amor assusta-nos, prega partidas e deixa-nos com medo (mesmo muito medo) O amor nem sempre é correspondido, nem sempre resulta, nem sempre funciona. Mas existe e é possível que aparece em qualquer lado, num gesto. em qualquer pessoa, qualquer animal.
Acredito que cada pessoa construa a sua forma de amar, o seu próprio amor, pois não existem padrões existem atributos, características, requisitos, necessidades e exigências que fazem cada um feliz de acordo com suas preferências, desejos e vontades. O amor, transforma, confunde, agita, fortalece, constrói, marca, enlouquece, muda as pessoas por dentro e por fora, e faz girar o nosso mundo. Quem explica isto?
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