Já não és minha amiga

Ser mãe de crianças de ambos os géneros dá-me uma visão bem diferente da forma de se estar na vida e da convivência social de cada um. Com os rapazes tudo é ou parece simples. Na grande maioria das vezes, para além da competição de macho, pouco mais existe para discutir. Nas meninas é tudo mais complicado e dramático. “Já não és minha amiga”, “já não te convido para ires à minha festa”, “já não gosto de ti”, etc e etc.

 Quem é mãe de menina já passou por isto.

De início tentamos não dar importância. Mas quando as queixas são persistentes e de forma sofrida começamos a achar que a nossa princesa possa estar em sofrimento, a ser excluída e/ou até a ser vitima de bullying. (Lembrando todos os casos expostos nos meios de comunicação social em que os pais não deram conta ou importância). Decidimos então intervir de alguma forma, normalmente pedindo ajuda a professores. Mas quando o fazemos apercebemo-nos de que tudo já foi esquecido e já estão totalmente “amiguinhas” ou “BFF” (best friend forever).

Nós, adultos, não esquecemos tão repentinamente.

Por mais que sejam coisas de miúdos, mais cedo ou mais tarde somos confrontadas com o pedido para a amiga ir brincar lá a casa. Acompanhada de uma birra ou amuo se dizemos que não, e temos de lidar com a presença de uma miúda que ainda há minutos era o foco de sofrimento e choro da nossa filha ( e o risco de voltarem a zangar-se repentinamente). É aqui que começamos a estar atentas à autoestima e capacidade de sociabilização da nossa filha! Será que devo transmitir-lhe ferramentas de defesa psicológica para que não se deixe pisar ou rebaixar? Tenho reforçado sempre a compaixão, humildade, bondade e respeito para com os outros. Na verdade, tanto é atacada e é a presa como é ela que ataca e se transforma na vilã.

Para se ser uma boa amiga precisamos de perceber e dar a entender que apesar da brincadeira, das gargalhadas, do suporte e do carinho, por vezes, podemos encontrar conflitos, mal-entendidos ou tristeza.

E que ferramentas poderão precisar, elas e nós, para contornar estas situações:

  1. Antes de ser amiga de alguém precisa de ser a melhor amiga de si própria;
  2. Ter em nós mães um bom modelo e exemplo;
  3. Conversar sobre o comportamento e características que uma amiga deve ter. Explorar o que é uma má companhia e o que faz. O que espera de uma amiga. (sou da total opinião que não devemos ser nós a dar respostas, mas ajudar a traçar o caminho da descoberta)
  4. Falar sobre as suas qualidades que a fazem especial e única.
  5. Ensinar alguns recursos para lidar com conflitos. (ex: pode fazer perguntas ou pedir explicações, às vezes o tom pode ter sido mal entendido ou as palavras terem um duplo sentido, e o que é escrito então… )
  6. E por fim, o que para mim é uma regra de ouro, tratar os outros como gostariam de ser tratadas.

imagem@parents.fr

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As luzes de natal das cidades já começam a acender. Os supermercados começam a estar cheios de brinquedos. Os anúncios na televisão estão intermináveis. Muitos dos centros comerciais anunciam a chegada do Pai Natal, das renas e dos duendes. A muitas famílias começaverdade? Quando ter a derradeira conversa? O que responder quando surgir a pergunta – O Pai Nata a surgir a dúvida: Será que é este ano que o meu filho deixa de acreditar? Deverei dizer a l existe?

Não há o acertado ou errado neste dilema. Sabe-se que a magia ou o pensamento mágico é um elemento importante na vida da criança. Que é importante alimentar a fantasia, a criatividade, a fantasia, a ilusão, o faz-de-conta … mas a decisão cabe aos pais e ao projecto educativo que pensaram em família.

Prós de contar que o Pai Natal não existe:

– o Pai Natal é um símbolo pagão, que fomenta o lado consumista e a sua família gosta de concentrar as tradições do Natal no lado religioso;

– as crianças precisam de perceber o trabalho e o tempo investido do pais e das outras pessoas, para aprenderem a dar valor às prendas;

– não gosta de mentir, não gosta que a criança acredite em personagens fictícias e não têm criatividade para as perguntas infindáveis e difíceis;

– a determinado momento a criança poderá ser o único ou dos poucos a acreditar, podendo facilmente cair nas malhas do gozo dos outros.

Prós de não contar (talvez pareça um pouco tendenciosa!!!):

– o Pai Natal é um símbolo que carrega uma história verídica, a de S. Nicolau;

– acreditar no Pai Natal ajuda a perpetuar a fantasia e a magia da quadra. Através do contacto com a fantasia, a criança depara-se com possibilidades, levanta hipóteses, faz suposições, aprende a pensar e questiona os limites entre a fantasia e a realidade. E é daí que surgem as perguntas;

– ajuda nos trabalhos desenvolvidos em contexto escolar, principalmente na Pré-escola;

– poder usar o Pai Natal como “arma” para chamar atenção para o comportamento das crianças, não, não é bonito, mas é eficaz!

– um pouco de imaginação ou fantasia não faz mal a ninguém e eles já acreditam em tantas outras personagens;

– quando surgirem questões difíceis a resposta deverá sempre ser “é por magia”, se se complicarem as perguntas “bata a bola para o outro lado do campo” e pergunte o que ele ou ela acha. Nunca deixe a criança sem resposta. Com certeza ela já fez alguma “investigação”, pois é exatamente essa investigação que estimula a capacidade de pensar.

Quando o seu filho tiver mais dúvidas do que certezas, aos poucos conte-lhe a verdade de acordo com que eles já sabem de antemão. Faça perguntas antes, muitas vezes eles procuram-no para terem certezas, mas já têm as respostas, estão a testar se os pais estão a ser sinceros. E lembre-se que muitas crianças mesmo sabendo a verdade gostam de manter a magia e a ilusão, não há qualquer problema em perpetuar a fantasia. As ideias que fazem parte do Natal é que são essenciais.

Viva esta quadra com tudo o que lhe é mágico, passando os valores e promovendo tradições, solidariedade, amor ao próximo e alegria … com ou sem Pai Natal.

O nome dos nossos filhos é o maior legado que lhes deixamos a par e passo com os valores.

Parece tarefa fácil.  Para alguns sim, para outros herculaniana.

Algumas pessoas têm nomes “escolhidos” desde a infância. Nomes que de alguma forma têm significado porque conheceram alguém com esse nome de quem gostavam muito. Nomes que vão passando de geração em geração, tornando o processo facilitado outras carregado de mágoa, pois gostariam de quebrar a tradição, mas para o fazerem seria à custa de dar um desgosto a alguém.

Outros adequam o momento com nomes que estão na moda, de celebridades ou dos filhos destas ou na mó de cima. Nomes que tomam como critério a religião. Nomes que carregam significados de luta de vida ou de homenagem a alguém querido. Aqui gostava somente de vos fazer ver que a escolha é dos pais e não da criança, muitas vezes os sonhos são vossos, que o novo ser não vêm colmatar nunca uma falta, portanto atenção ao que fazem alguém carregar, para que não surjam aquelas frases “dei-te o nome de alguém que me era muito querido, alguém muito bom” …tornando o legado difícil de ser equiparado, alcançado e frustrante.

O nome de alguém é algo para toda a vida. É das primeiras propriedades que é dada a um filho. Portanto devia ser mais criteriosa a escolha. Muitos acham que pode sempre ser colmatado com um nome de casa ou um diminutivo. Mas a verdade é que em determinadas situações a pessoa terá de ser chamada pelo nome que não gosta, que é estranho, difícil de explicar ou de fazer entender, podendo ser um alvo fácil para piadas inadequadas. “Os nomes não condicionam”, refere o psiquiatra Daniel Sampaio. “Mas influenciam as crianças e disso não há dúvida.” Portanto pense com carinho.

Por vezes a lógica também passa por outros critérios: Um nome ou dois? Escolho quando o bebé nascer. Como é alguém que eu conheço com este nome? Parece-lhe estranho este último critério, quantas pessoas já lhe referiram após você dizer um nome de alguém, “todos os que conheço com esse nome são frescos … são uns traquinas … são difíceis de vergar … eh, são tão teimosos …

Segundo alguns estudos as meninas recebem, preferencialmente, nomes harmoniosos e do foro da fantasia (principalmente infantil). Os meninos carregam mais os nomes ligados à tradição familiar. Isto parece indicar que às mulheres, cabe o papel da atratividade, da beleza, enquanto os homens são responsabilizados pela continuidade familiar, pelos sonhos e posição de poder.

Cá por casa o critério acabou por recair em nomes tradicionalmente portugueses e grandes. E tudo pareceu minimamente fácil até à terceira gravidez … Não foi um dilema, mas já havia mais gente para dar palpites … mostrar vontade e que no fundo eu queria que participassem.

 

Regras para escolher um nome em Portugal:
O nome deve ter, no máximo, seis vocábulos (palavras) em que os dois primeiros podem corresponder ao chamado nome próprio e os restantes ao chamado apelido ou sobrenome. Os nomes próprios devem ser portugueses e admitidos pela onomástica portuguesa (catálogo de nomes próprios) ou adaptados fonética e graficamente à língua portuguesa e não devem suscitar dúvidas acerca do sexo. (Ver aqui completo)

Suicídio e o Valor da vida – Setembro Amarelo

Falar de suicídio não é simples. Criou-se a ideia errada de que discutir o tema poderia desencadear o desejo do acto. Até porque, por não se falar do assunto não significa que não seja uma prática comum e não o torna inexistente.

Não existem muitos dados concretos sobre o número exacto de pessoas que cometem suicídio. É ainda um assunto “tabu”, por existirem religiões que se recusam a enterrar os suicidas, por seguradoras se recusarem a pagar os seguros e por a família se envergonhar ou não ser capaz de fugir da culpa …

Em vários países este mês é dedicado à consciencialização sobre a prevenção do suicídio, por isso se fala de Setembro Amarelo.

O dia 10 de Setembro é o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio.

Estatisticamente sabe-se que para cada caso de suicídio há pelo menos 20 tentativas fracassadas.

Vamos falar de como nos podemos preparar para prevenir. Quais os sinais de alerta que nos podem deixar vigilantes? Falemos sobre o valor da vida. Suicídio é um fenómeno complexo, responsável por mais mortes que muitas guerras. Para entender este tema deve-se, antes de tudo, destruir preconceitos e permitir-se a experimentar e entender o sofrimento do outro.

Sinais no quotidiano podem mostrar à família ou a amigos que a pessoa está com pensamentos suicidas, ou seja está a planear a possibilidade de suicídio. A grande maioria das pessoas com ideias de morte comunicam os seus pensamentos e intenções. Dão sinais especialmente através de comentários tais como “quero morrer”, “não valho nada” “não faço falta”, ou podem ter comportamentos de despedida, como desfazendo-se de certos pertences.

Entre nós em conversas, mesmo detetando determinados sinais, interpretamos muitas vezes como chamadas à atenção, vitimizações, mas mesmo que o sejam é porque algo não está correcto, está a ferir, está a doer.

Ridicularizamos quem quer morrer e esquecemo-nos que quem quer morrer já têm uma auto-estima bastante fragilizada. Gozar ou ridicularizar só torna alguém mais vulnerável. Algumas pessoas vêm sem as carapaças necessárias para sobreviver à indiferença, alheamento e à frieza do mundo.

Gostava de fazer-vos ver que o suicídio não é apenas motivado por um episódio da vida, mas por um conjunto de situações, que trazem sofrimento. Muitos gritam por socorro! E nem todos mostram sofrer de depressão ou forte tristeza.

Muita gente acredita que o suicídio é um acto de extremo egoísmo pois quem deseja matar-se não leva em conta a perda que a família e amigos irão sofrer. É importante ressaltar que o suicida não tem interesse em magoar. Simplesmente quer livrar-se de uma dor que para ele é intolerável.

Em suma:

  • O suicídio não é uma decisão livre de razões.
  • O suicídio não é uma forma da pessoa querer dar nas vistas.
  • Tome atenção e tente manter-se a par dos jogos dos adolescentes. Não enterre a cabeça e fale abertamente com filhos, amigos de filhos, adolescentes (por serem a faixa etária mais suscetível). Discutam os temas e comportamentos de risco … sem ridicularizar e evite ser demasiado critico … não se arme em sabichão!!!
  • As pessoas que sentem vontade de se matar, em geral, não querem dar fim a vida, mas ao sofrimento que estão a sentir logo não devem ser julgadas ou tratadas como se nada estivesse a acontecer.
    O Suicídio é um processo final de um sofrimento.

Como ajudar:

A nossa acção não deve pautar-se unicamente por evitar a morte, mas promover a ampliação de situações nas quais a pessoa possa sentir-se viva e ouvida. Muitos de nós deveríamos aproveitar para pôr em prática valores que nos foram transmitidos: desenvolver amor, piedade, partilha e compreensão que pode ter de transcender as nossas crenças, realidades, ideais e verdades nas quais acreditamos.

Porque “Viver é a melhor opção. Sempre”

viver
Mês Mundial da Prevenção do Suicídio

Quando começa a adolescência?

A adolescência é uma fase que me assusta. Espero não ter de me reinventar como mãe! Receio não estar preparada para todos as mudanças de humor, preocupações e principalmente para os ver voar.

Sempre disse que durante a infância plantamos sementes e na adolescência normalmente faz-se a primeira colheita … mas agora pergunto-me se terei dado o melhor de mim, se os meus filhos irão reconhecer a nossa casa como o seu porto seguro, se irão continuar a gostar de mim e a ouvir-me, se farei parte das pessoas que procurarão quando têm dúvidas ou preocupações, como tem sido até aqui …

Não acho que deva ser a melhor amiga dos meus filhos pelo simples facto de que, para mim, sou algo absolutamente maior, sou amor de mãe e neste amor tem de entrar a educação e o Não. Como chamar a atenção, proibir ou impor limites se formos compinchas? … Mas não é preciso colocarmo-nos do outro lado da barricada … não pretendo passar a ser vista como o inimigo… a bruxa má das histórias que lhes contei!

Fala-se tanto da fase do gavetão, da fase do armário … mas a fase da adolescência começa realmente quando?

A Organização Mundial da Saúde define que a fase dura dos 10 aos 20 anos.

Socorro! Então, a adolescência cá em casa entrou de mansinho e eu não dei por ela, não se fez anunciar. Mas agora que penso e revejo, algumas atitudes há muito que se modificaram. Realmente as amizades passaram a ser um factor primordial – é verdade que já não querem andar tanto connosco, o tempo passado em casa muitas vezes é de phones nos ouvidos, já procuram outro género de roupa (igual à multidão), e não gostam de sobressair … E já ouvi um “não percebes disto!” Estava à espera das mudanças físicas, mas as emocionais e psicológicas afinal começam antes … a adolescência não se faz anunciar!

Será que na hora da verdade estarei à altura? Conseguirei ter a mesma postura para ele e para ela? Muitas pessoas aconselham para que não forcemos a nossa presença, não sejamos invasivos, respeitemos o espaço e estejamos abertos ao diálogo… agora estes conselhos espalho-os pela casa para que eles os interiorizem…? ou sento-me e espero que me procurem, no momento em que se sentirem preparados?

E estarei eu preparada? Não sei … vou dar o meu melhor, no meu caso triplamente … no fim, com amor e paciência espero que consigamos sair “vivos”, felizes e com muito respeito e carinho mutuo.

Esta historia só a poderei contar daqui a uns bons anos, se não enlouquecer até lá … desejem-me sorte!!!

Vamo-nos deixando levar por modas, mas os super-heróis passam de geração em geração como um legado precioso que se imprime na memória. Foram histórias de BD que se transformaram num reino maravilhoso cheio de poderes e influência.

Muitos de nós, como pais educadores, temos receio que este mundo imaginário confira imitação de comportamentos e condutas, trazendo um grau exagerado de agressividade aos nossos filhos (normalmente as meninas mesmo com super-poderes não deixam de ter um toque feminino e de certa delicadeza).

Ter a capacidade de voar, saltar bem alto, esmagar e no final vencer o mal é um feito imenso e dominador. A criança identifica-se com um dos heróis, toma para si os seus poderes e imita na vida real o mundo fantástico que criou internamente.

Os super-heróis são instrutivos e as suas histórias têm intenção de fazer valer a natureza moralista da sociedade. Mas para além de fazerem uso de superpoderes, estes heróis têm uma influência positiva pois ensinam a importância da autodisciplina, do auto sacrifício e de nos dedicarmos a algo bom, nobre e importante, ensinam que a ética é preciosa, a justiça funciona, os valores morais são benéficos. E quando lidam com os medos humanos e dilemas do dia-a-dia, os super-heróis são inspiradores e corajosos, e os aspectos vistos como positivos da personagem são imitados, numa tentativa de internalizar o poder e vencer. Que é o que todos queremos no final do dia … conseguir lutar e vencer as injustiças.

A maioria dos super-heróis tem uma origem humana e humilde, o que permite elevar o sonho de que é possível alguém se tornar extraordinário, mas outros traços que advém da construção das personagens são também muito positivos:

– Os heróis são, normalmente, pessoas com a intenção de ajudar os outros, proteger a cidade, vencer os inimigos;

– Os super-heróis ensinam que não devemos baixar os braços e desistir, mesmo que o mundo esteja contra nós. Inspiram as crianças a serem mais corajosas face aos desafios.

– Antes de aprenderem a ser humildes, os heróis são orgulhosos, pensam que podem tudo sozinhos e que tudo depende deles. Permite ensinar que pedir ajuda sempre que tiverem um problema ou desafio é algo muito bom;

– Quase todos os heróis gostam de ciências e enfatizam a importância de estudar, que não basta a força ou rapidez é necessário pensar antes de executar. É necessário raciocínio lógico e estratégias;

– A existência de vilões valoriza o herói, é importante para que a criança perceba que o mal exista e num conflito é possível ser ético.

– Demonstram a importância da família, respeitam qualquer modelo de família, o valor da mulher e da inclusão e o trabalho em equipa. A protecção dos mais fracos e a combater o inaceitável.

– Ensinam que falhar não significa incompetência e os erros acontecem.

Os superpoderes vão além da imaginação, plantam sementes de valores. E tal como tia May  transmitiu ao Homem Aranha, ensine aos seus filhos:

“Quanto maior o poder, maior é a responsabilidade.” 

Todas as fadas têm tarefas especiais. Mas há umas fadas mais famosas do que outras. Na linha da frente do imaginário infantil, graças à Disney, temos a Sininho, seguida pela Fada dos Dentes pelo seu papel fundamental na desmistificação da perca dos dentes de leite. As crianças têm receio de perder as coisas e tem medo de sentir dor. A lenda da Fada dos Dentes conseguiu que essa fase fosse celebrada, passando a ser menos angustiante.

Quando o primeiro dente começa a abanar, muita coisa começa a modificar-se e alterar-se, mesmo para nós pais … a nossa criança está a crescer. Para trás ficam as coisas de bebé, mais uns meses e possivelmente até entrará para a escola primária. Mas o dente que cai é para dar origem a um novo e a nossa princesa ou pirata continua igual e a precisar de nós (e nós deles.)

A origem da lenda e da tradição, foi ocidentalizada de várias histórias Vikings que sempre acreditaram que os dentes caídos deviam ser escondidos ou enterrados para que não pudessem cair nas mãos erradas das bruxas. Era um dever dos pais cuidar para que os dentes não fossem usados em feitiços. Dissipou-se muito da sua magia original, mas a história ainda é contada de maneira peculiar e com muita poesia.

Fazendo um percurso pelo pensamento mágico, fantástico e irreal, como imagina a fada dos dentes? Como é este ser mitológico? Existe? O que faz? O que oferece? Quantos dentes têm direito a prémio?

A Fada dos Dentes é uma pequena fada munida de umas lindas asas brilhantes, roupa de bailarina cheia de purpurinas, uma varinha de condão com um dente na ponta e um pequeno saquinho onde carrega os dentes. Dependendo do país, a fada muda ligeiramente a aparência. Em Espanha e nos países hispânicos, a história tem como personagem principal o Rato Pérez

Fada dos Dentes
Fada dos Dentes

Reza a lenda que na noite em que o dente cai deverá ser colocado debaixo da almofada da criança. A fada dos dentes, agradecida por lhe ser oferecido um bem tão precioso, deixará em troca um presente.

Ora, é exatamente aqui que começam as questões: … se a fada é pequena, como troca ela um dente por um presente enorme? Em minha casa até hoje trocou sempre por uma moeda, em que sempre chamei tostão. Gosto mais do nome … já a carochinha achou um tostão e desta forma aproveitamos e explicamos que há muitos anos usavam-se tostões e a história fica ainda mais História.

Cada família deverá encontrar o seu ritual de transição. Para mim a beleza emana na expectativa e na alegria da manhã seguinte. Para me facilitar a vida, arranjei uma bolsinha para colocar o dente: é que os miúdos mexem-se muito – há que encontrar o dente e poder trocá-lo. Retiro o dente da bolsa e deixo uma moeda de 1 ou 2 euros!

Cá em casa esta magia durou os primeiros  5 ou 6 dentes … depois eles já sabiam a verdade, mas estranhamente continuavam a perguntar se a Fada viria trazer o tostão… Queriam perpetuar a magia!

Quando ou com que idade devemos contar a verdade? Não há consenso acerca desta questão. Mas sabemos que a magia é um elemento importante na vida da criança.  Que é importante alimentar a fantasia, a criatividade … que a expectativa, curiosidade, surpresa, ilusão, são todas emoções que devem fazer sempre parte da vida emocional da criança, contudo quando começarem a procurar respostas é preciso devolver perguntas. Conte aos poucos, veja até que ponto está preparado para se desiludir.

Nota final: Existem famílias que vivem muito mais dentro da realidade e como opção educativa decidem partilhar a verdade com os filhos desde o primeiro momento. É uma escolha completamente respeitável. É somente importante que ao contem a verdade (ou quando eles descobrem), devemos sempre avisar e prevenir que não devem revelar às outras crianças esse segredo mágico.

Perturbação do Regresso | Como se embala uma família

Eu não estou igual, não sou bem a mesma”. Quando digo isto, há quem me perceba de imediato…

Em Portugal não é um tema muito falado, mas no Brasil já é assunto. O nome pode variar desde perturbação do regresso, síndrome de retorno, jet lag emocional, stress de aculturação de retorno, e até ferida do retorno. É um vazio inexplicável, sem causas aparentes, mas que afecta muitos imigrantes. E estranhamente nós somos um País de gente com alma lusa e os dois pés no Mundo.

Quando partimos, sabemos os cuidados que devemos ter.

Estudamos o País, as pessoas, fazemos perguntas, questionamos, investigamos. Inquieta-nos o que nos espera e os cuidados que deveremos ter quando chegamos ao outro país. Tentamos perceber a cultura. Nas primeiras semanas fazemos questão de sair de casa e conhecer a cidade, de nos sentirmos cidadãos da nova morada. Passamos a ouvir a música local e tentamos aprender os termos de rua para não nos sentirmos tão deslocados. No dia da partida é um nó gigantesco que fazemos com a nossa capa de super aventureiros e despedimo-nos capazes de tomar o mundo. Na mala vai sempre, seja a primeira, seja qualquer viagem, um pouco do nosso País connosco.

Quando planeamos o regresso ao nosso País de origem nem nos passa pela cabeça fazer qualquer tipo de pesquisa. E a alegria e entusiamo do regresso estranhamente e rapidamente se transformam nuns fenómenos que podem levar desde à sensação de falta de identidade até depressão. Somos invadidos por sentimentos tão díspares como a solidão, o tédio, o arrependimento, a deceção e a não pertença. Há quem fale num período de dois anos para que nos consigamos readaptar.

Os amigos começam por reclamar da nossa constante insatisfação ou do facto de falarmos tanto do País onde estivemos. Mas muitas das vezes as pessoas esquecem-se que é difícil falarmos de nós sem nos colocarmos num local, e a verdade é que o local onde tudo nos aconteceu nos últimos anos era um país diferente, onde vivemos felizes e criamos raízes.

Com a distância, perdemos não só o pé no solo do nosso país, mas também a cumplicidade e espontaneidade conquistada desde o dia que nascemos. E estranhamos… temos uma vontade inexplicável de fazer malas e ir à nossa procura. Sentimo-nos perdidos. Pensamos que voltamos para um lugar que conhecemos desde sempre, familiar, o nosso ninho, mas no fim concluímos que afinal pertencemos ao Mundo e que este canto à beira mar plantado é demasiado pequeno…

Quais as principais causas desta dificuldade de readaptação?

  • Sensação que se perdeu o barco: quando se volta, muita coisa aconteceu enquanto estivemos fora. Perdemos as novidades, as pessoas foram vivendo, foram conhecendo outras pessoas. Sobreviveram sem a nossa presença, assim como nós sobrevivemos sem a presença delas.
  • Falta de novidade: Quando estamos fora tudo é novidade, tudo é novo, estamos constantemente a aprender e a colocarmo-nos à prova. Aprendemos que somos óptimos a desenrascarmo-nos, somos aventureiros e corajosos.
  • Amigos: A falta que as pessoas nos fazem. Quando se vive longe, como não há família, passamos a contar mais uns com os outros e as relações são realmente profundas. Relações essas que no País de origem, muitas das vezes, nunca existiriam. São laços de amizade muito fortes e a sensação de que se pode nunca mais voltar a ver estas pessoas, ou que possam ter um papel menos relevante na nossa vida, aumentam a sensação de vazio do retorno, e consequentemente é uma das causas da depressão.
  • Saudades das viagens: Quando estamos longe, aproveitamos a desculpa de estar afastado para viajar. Conhecer o País para onde nos mudámos e os vizinhos. Juntando o útil ao agradável. Quando voltamos a saudade das viagens e a vontade de conhecer o mundo só aumentam.
  • A sensação de que “eu mudei”:  este sentimento é unânime: todas as pessoas voltam diferentes. Adquire-se experiências, independência, capacidade de desenrasque, vivência num novo idioma, uma infinitude de ganhos. Enquanto a pessoa criou uma bagagem cultural diferente e colecionou experiências, a sua família e amigos, mesmo que muito felizes por si, continuaram na rotina de sempre.
  • “Voltei a ser comum”: quando moramos fora somos novidade. As pessoas têm saudades nossas, querem ouvir as nossas histórias. Quando regressamos de férias todos nos querem ver. Quando passamos a viver novamente no País, vemos as pessoas com a mesma regularidade de quando estávamos fora e não mais. E as nossas histórias deixam de ser novidade e passam a ser aborrecidas

Como ultrapassar e lidar com a Perturbação do Regresso:

  • ver filmes ou ler livros, que o transporte para o local saudoso, para que possa recordar e matar saudades.
  • partilhar as suas experiências. Mas torne as suas lembranças em algo positivo, agradável e nunca sofrido. Ninguém tem pachorra para ouvi-lo a queixar-se constantemente (nem você mesmo.)
  • tornar-se turista no seu País. Parta à descoberta da sua cidade, parta à descoberta do seu País. Encontre as inúmeras surpresas agradáveis que este canto que está na moda tem para lhe contar.
  • não perder o contacto com as amizades feitas além fronteiras. Não deixe os laços de amizade esmorecerem por falta de convívio. Só estas pessoas viveram o mesmo que você. Só estas pessoas serão capazes de perceber alguns dos seus sentimentos.
  • dar tempo ao tempo. Pode demorar, mas todos acabamos por nos readaptar e por nos voltarmos a sentir em casa.
  • continuar a viajar. Uma das melhores receitas é viajar. Procure investir o seu tempo e dinheiro na procura de destinos para viajar. Nunca deixe de viajar, de crescer, de aprender, de se transformar.

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A Família é o primeiro grupo onde ser humano tem a sorte de experimentar quase todas as emoções.  É onde tudo é vivenciado normalmente pela primeira vez.

É na família que os indivíduos aprendem a viver em comunidade, onde num ambiente controlado tudo é sentido ou experimentado, muitas vezes intensamente, onde somos testados para depois podermos ser postos a voar e a viver em sociedade.

Nos últimos anos as famílias têm sofrido mudanças e transformações, por isso a ONU resolveu escolher um dia para mais do que homenagear a família, obrigar ao debate e ao pensamento.

O primeiro Dia Internacional da Família foi celebrado em 1994. O tema do Dia Internacional da Família de 2016 foi: “Famílias, vidas saudáveis e futuro sustentável”. Mas a mensagem base será sempre a importância da família como o núcleo vital da sociedade.

É no seio da família que podemos ser nós mesmos. Que podemos mostrar as nossas fraquezas, que nos podemos mostrar sem adereços, make-up ou adornos.
É onde nos zangamos mais, refilamos (por vezes vezes sem razão) pois sabemos intuitivamente que nunca deixarão de gostar de nós.
É onde não temos medo de acordar descabelados, com mau hálito ou mesmo ranhosos.
Onde nos queixamos dos outros, por sabermos que vamos receber colo ou simplesmente nos vão ouvir.
Só no seio da família é possível  ir à casa de banho de porta aberta, ouvir gritar já fiz cocó, e deixar, a determinada altura, de segurar os puns …
Só no seio de uma família é possível uma casa inteira acordar todinha numa mesma cama.

ARTIGO RELACIONADO
A FAMÍLIA

A vida também me ensinou que família vai muito para além da família nuclear, para além daqueles membros que vivem debaixo do mesmo teto e para além daqueles que partilham o nosso sangue.

Aprendemos a contar com outros que se cruzam nas nossas vidas, a quem chamamos amigos e nos momentos em que estamos tristes ou atrapalhados são os nomes que nos vêm à mente ou o número que surge no telemóvel, pois sabemos que são quem nos salva, quem nos conhece, quem nos ajuda, quem escolhemos para fazer parte da nossa família.

Estão muitas vezes mais presentes, preocupados e e disponíveis. São a nossa família de coração. Algumas vezes vamos fazendo uns ajustes, mas o núcleo é preservado por anos, mesmo com ausências, silêncios, afastamentos ou acompanhamentos diários.

Existem vários tipos de famílias e vários nomes pomposos para denominar a estrutura familiar nos dias de hoje. Por aqui por casa parece-me que na maioria dos dias, comportamo-nos como sendo “normais”. Zangamo-nos, choramos, temos ciúmes, gritamos, ralhamos, implicamos, rimo-nos, gozamos e não vivemos uns sem os outros ….

Mas somos uma família especial porque somos únicos.

Família