O fabuloso menino que nunca tinha sono nos olhos

Miúdo catita, 4 anos tem pilhas duracel depois das 20h30. É só mais uma banana, ou uma compota… não, não, na verdade o que ele tem é sede. Mais um xixi ou dois.. agora caía mesmo bem um copo de leite. Remata com uma demonstração de ginástica, um pequeno verso e tarefas infindáveis porque não tem sono nos olhos. “Ó mamã deita aqui que eu tenho frio nos pés.” Ufa. “Tenho fome na barriga assim não consigo dormir.” Ufa. “ Tenho só de ir fazer ali uma coisa.” Ufa. Ufa.

Muitas vezes adormecemos ao lado dele, depois de longas, muito longas conversas. Tentamos tudo e mais alguma coisa, até que fica demasiado tarde e de manhã o menino tem sono nos olhos e nós também.

Num momento de respiração profunda, os meus pulmões estavam preparados para fazer mergulho em apneia, comecei por tentar perceber quais as são minhas necessidades que não estão a ser preenchidas e que pensamentos/crenças surgem na minha cabeça enquanto o pequeno catita não adormece. Ora bem, vamos lá. Pensamentos é o que eu mais tenho por volta da meia noite.

”Tenho tanta coisa para fazer ainda, vou deitar-me tardíssimo. Estou tão cansada.” “Ele já devia estar a dormir, já é tão tarde. Isto faz-lhe mal.” ”Ele está a gozar connosco.” “Quantos anos é que ele tem mesmo??”

Respira Catita.

Primeiro, decidi perceber o que é mais importante a cada momento; Comecei por definir as tarefas que são prioritárias e as que ficam para amanhã, assim fico bastante mais calma e presente e com menos pensamentos na cabeça. Quando fiquei mais tranquila, percebi pouco a pouco que adoro estar com ele um bocadinho antes de ele dormir. É quando conversamos mais e quando descubro sempre alguma coisa nova acerca dele. É um momento “fixe” de grande conexão em que partilhamos o quanto gostamos um do outro. Vá, é um grande momento em que eu fico toda derretida enquanto ele diz repetidamente “mãe és tão fofinha.” Eu sei, é graxa. Mas sabe mesmo bem.

Liguei novamente o detective-mamã e percebi como é importante para ele aquele momento de conexão (por isso é que ele não quer que o momento acabe) (necessidades da criança verde segundo método LASEr). Reparei também como gosta de ser ele a definir algumas das rotinas antes de dormir, ter a possibilidade de escolher que pijama veste ou por que ordem as tarefas são realizadas (necessidades da criança vermelha). Precisa de dizer a última palavra, ou neste caso pedir a última banana para comer.

21h23 depois de ter jantado como um adolescente de 18 anos… 
“- Mãeeeeee, a minha barriga tem fome preciso de comer 3 coisas. Senão não consigo dormir.

– Já percebi que ainda tens fome. Mas só tenho uma banana aqui. Mais nada. Queres agora? Ou comes amanhã de manhã?
– Tá bemmmmmmm”  Depois deste lanchinho final, adormeceu. Sentiu que tinha escolhido a forma como iria adormecer, com a barriga cheiinha e as necessidades preenchidas.

Aos poucos fui percebendo como é importante criar um ritual definido pelos dois, cheio de conexão e reconhecimento para o miúdo catita adormecer feliz e preenchido. É igualmente importante que eu lhe comunique as minhas necessidades e os meus limites através da linguagem pessoal e sem julgamentos. Ou seja, o que eu preciso e sinto.

“- Gostas muito quando me deito aqui contigo um bocadinho, não é? Eu também. Fazemos sempre muitas aventuras e aproveito para te dar muitos miminhos.

– Sim beijinhos e octonautas também.

– Sabes aquele saquinho que temos e enchemos com beijinhos todos os dias? Quando não estou ao pé de ti, podes sempre ir buscar um beijinho se precisares. 
– Sim mas temos de encher muiiito muito o saquinho.
– Pois é, vamos dar beijinhos até ficar cheio, quando estiver cheio avisas a mamã, boa?
– Sim!”

CHUAC CHUAC CHUAC CHUAC CHUAC CHUAC!

Todos os dias após uma demonstração de exercícios variados e já de barriga cheia, eu ou o pai ficamos deitados com ele na cama durante 10 minutos (há dias que precisam de mais minutos do que outros e há dias em que nada funciona, normalmente quando ele está demasiado cansado e com o sono em atraso).

Nesse tempo a dois, brincamos aos Octonautas, conversamos ou apenas enchemos o saquinho dos beijinhos. Depois disso, vou tratar de mim e das minhas coisas mas se ele precisar de mim, pode sempre chamar-me. Estou mesmo ali.

É curioso, quando pensamos melhor, reparamos que mesmo nós pais não nos deitamos todos os dias da mesma maneira. Uns dias precisamos de televisão, outros de um bom livro, outros só queremos cair na cama. E quando vamos para a cama sabe mesmo bem adormecer com alguém que gostamos muito, não é?

O meu filho pedir para eu ficar ao pé dele não é chato, é um grande reconhecimento da nossa relação. Ele querer só mais um bocadinho da nossa companhia não é desesperante, é fabuloso.

Sinto-me feliz e até divertida com as desculpas hilariantes que ele inventa e toda a rotina adquiriu uma maior leveza e equilíbrio para os dois.

E foi assim que devagarinho o sono foi aparecendo nos olhos do meu fabuloso menino.

 

Publicado originalmente em Mãe Catita

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Imagine que podia começar tudo de novo. Tudo. Hoje. Agora.

Imagine que arrancava de cima de si, de dentro de si, toda a informação que tem sobre as crianças. Que apagava da sua mente tudo o que leu até hoje e por onde se guiou para educar os seus filhos. Imagine que se libertava da opinião da sua mãe, da sua sogra, das suas amigas, dos seus amigos. Que se libertava dos seus próprios conceitos. Das suas próprias ideias. Imagine que se libertava de todos os ” é suposto” na sua e da sua vida.

Imagine que se libertava da sua própria infância, dos seus traumas. Dos seus medos. Dos seus piores pesadelos. Imagine ainda que se libertava dos seus problemas, das suas dores, das suas frustrações.

Imagine que se libertava do tempo que precisa para lavar a loiça, para engomar a roupa, para tratar do almoço, para tratar do jantar, do lanche, do periquito, do cão, do gato. Imagine que se libertava da ideia que tem de vestir o seu filho assim ou a sua filha assado.

Imagine que voltava ao dia em que sonhou em ter filhos. Como iria criá-los? O que iria fazer? Como iria agir?

Imagine que se libertava de todos os conceitos, pré-conceitos e mitos e que começava tudo de novo. Imagine que se libertava de todos os rótulos, categorias, prateleiras, julgamentos, discriminações, ideias preconcebidas acerca das crianças.

Imagine que se libertava de tudo isto e que se limitava a observar como as crianças interagem. Que se limitava a escutar com todo o seu ser tudo o que as crianças dizem. A sentir com toda a sua alma as reacções físicas e emocionais dos seus filhos. Que se limitava a abraçar quando os seus filhos choram, acolhendo-os no seu colo, em silêncio. A apoiar em vez de criticar ou deteriorar, mesmo que não concorde com as suas visões, opiniões ou escolhas.

Imagine que era mais companheiro do que pai ou mãe.

Imagine.

Seria maravilhoso, verdade?

Imagine que se libertava de todos os gadgets. Que se libertava de todos os compromissos. Que se libertava de todos os seus interesses próprios. Que se libertava agora da revista que está a ler. Que largava já este artigo para se atirar para cima dos seus filhos e rebolar com eles no chão só para os fazer rir.

Imagine como seria. Consegue imaginar?

Se o pode imaginar, então pode fazê-lo. Hoje. Agora. Já.

Do que é que está à espera?

 

Que todos os seus sonhos se concretizem.

Como comunicar com os filhos de forma positiva e eficaz

Uma comunicação eficaz está na base de uma relação equilibrada e saudável, revestindo-se de maior importância quando falamos da relação entre Pais e Filhos. É através da comunicação que expressamos aos outros o que queremos, o que sentimos, o que não gostamos, o que precisamos e é graças a ela que podemos atingir a sensação de que somos plenamente compreendidos e respeitados.

Porque é que ele não me ouve?”, “Não liga nada ao que eu lhe digo!” ouTenho que repetir a mesma coisa mil vezes!”, são frases que surgem recorrentemente no discurso de Pais e Mães, de crianças ou adolescentes, como reflexo da dificuldade que muitas vezes sentimos em chegar aos nossos filhos através das palavras.

Ora se os nossos filhos não nos escutam, não falam connosco ou a muito custo cumprem as ordens que lhes damos é porque algo está mal na forma como comunicamos uns com os outros. Talvez aquilo que dizemos, ou como o dizemos, não traduza correctamente o que realmente queremos expressar, resultando no incumprimento de uma regra ou ordem, ou mais grave ainda, influenciando negativamente a relação que estamos a estabelecer com os nossos filhos.

Porque a forma como falamos é tão ou mais importante como o que falamos, seguem-se algumas estratégias facilitadoras de uma comunicação mais positiva e eficaz entre Pais/Filhos:

Diga o que quer que o seu filho faça e não o que não quer

Sempre que a criança adoptar um comportamento desadequado, pense num comportamento alternativo desejável e formule estão a frase.

Em vez de dizer “Não faças tanto barulho.”, diga “Estás a incomodar-me com os teus gritos. Brinca sem fazeres tanto barulho.”

Em vez de dizer “Não deixes os teus brinquedos desarrumados.”, diga “ Gostava que arrumasses os teus brinquedos.”

– Não diga tantas vezes NÃO

O não talvez seja a palavra que mais usamos quando falamos com os nossos filhos. O não e o despacha-te.

Para dizermos mais vezes sim temos que ser mais flexíveis, estarmos abertos à negociação e, acima de tudo, sermos mais criativos para podermos dar alternativas ou escolhas aos nossos filhos. Como? Assim:

Em vez de dizer “Já te disse que hoje não há gelado para a sobremesa.”, diga “Hoje temos fruta para a sobremesa. Melancia ou pêssego. Tu escolhes.

Em vez de dizer “Agora não podes jogar no telemóvel.”, diga “Podemos fazer juntos um puzzle ou um desenho. O que preferes?”

– Reduza o número de ordens

Está provado que filhos de pais que recorrem excessivamente às ordens desenvolvem mais problemas de comportamento.

Para aumentar a colaboração e empatia dos nossos filhos para connosco é importante darmos alguma liberdade para que as crianças possam decidir certo tipo de coisas sozinhas, diminuído, ao mesmo tempo, o número de ordens que damos lá por casa.

Evite dar ordens relativamente a aspectos que considere que não são assim tão importantes, como por exemplo, qual a t-shirt que a criança deve vestir, com que jogo deve brincar, que desenho deve fazer, etc.

Não repita uma ordem quando o seu filho já a está a cumprir, como dizer “Veste-te.”, quando a criança já se está a vestir ou “Come.”, quando o seu filho já está a comer.

– Avise previamente que vai chegar o momento de cumprir uma acção

Porque a concepção temporal das crianças em muito difere da dos adultos, sendo muito fácil elas se perderem no tempo, sempre que possível prepare-as para a transição de uma acção, avisando-as previamente de que algo vai acontecer a seguir, principalmente se elas estiverem a fazer algo de que gostam.

Assim, alerte-as para que “Daqui a 5 minutos temos que ir tomar banho.” ou “Tens mais 10 minutos para brincar, porque depois temos que ir jantar.”, e não exija obediência imediata.

Quando o fizer, opte por estar junto da criança, evitando gritar a ordem numa outra divisão da casa, certificando-se assim de que a criança ouviu e entendeu o que lhe está a dizer.

– Dê ordens sem se zangar e sem ofender nem humilhar a criança

Mais vezes do que com certeza gostaríamos, porque estamos cansados, fartos ou irritados, acontece que ao chamarmos à atenção aos nossos filhos fazemos uso da crítica negativa, transformando um simples comentário num verdadeiro ataque à criança, resultando em frases do género “És mesmo irresponsável! Todos os dias tenho que te mandar fazer os TPCs” quando um simples “Não te vejo a fazer os TPCs.” bastaria.

Se desejamos comunicar positiva e eficazmente com os nossos filhos, é fundamental que estejamos muito atentos à forma como os chamamos à atenção para algo que está menos bem ou quando lhe damos uma ordem, sem ofender ou humilhar, expressando-nos de forma educada e respeitosa.

Boas Comunicações

 

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Slow Parenting | Pais sem pressa

Sais do colégio direta para a natação, da natação direta para o balet, do balet, música, pintura, inglês, etc. Chegas ao fim de semana e andas de festa de anos em festa de anos. A agenda dos teus filhos está a levar-te  à loucura. Sentes que precisas de acalmar. Já ouviste falar em “Slow Parenting”?

O movimento “Slow Parenting”, em Português “Pais Sem Pressa”, começou nos Estados Unidos e, muito resumidamente, significa desacelerar a rotina dos pais para desacelerar a dos filhos.

Vivemos num mundo tão apressado que muitas vezes sentimos ansiedade para estimular e preparar os nossos filhos para serem os melhores em tudo. E há ainda a corrida materna (de loucos!) que somos diariamente bombardeadas com perguntas de outras mães como: “O teu filho ainda não anda? Ahh não? O meu com essa idade já corria!”. Mas qual é a vantagem disso? Para quê acelerar o desenvolvimento dos nossos filhos? Será que eles estão felizes?

Claro que achamos que devemos estimulá-los, mas tudo deve ser feito com peso e medida. Sem querer antecipar fases e, acima de tudo, sem os pressionar desnecessariamente. Há que respeitar o tempo de cada criança, encontrar o equilíbrio entre as atividades e o que realmente faz com que os nossos filhos sejam crianças felizes.  E é exatamente isso que o movimento “Slow Parenting” defende. Por uma melhor qualidade de vida.

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Os direitos das crianças

Às vezes esquecemos que as crianças não são mini adultos. São seres humanos “em construção”, é certo, mas a infância passa rápido e temos tendência a exigir, a demandar, a lembrar os deveres. Hoje é dia de lembrar os direitos – e não só os que estão contemplados na Declaração dos Direitos das Crianças.

As crianças têm direito a sonhar.

A serem amadas.

De brincar livremente.

De se expressar.

A terem professores competentes, pacientes, interessados e justos.

De usar a sua imaginação.

De fazer perguntas, por mais estranhas e “descabidas” que possam parecer.

De não compreender tudo.

De errar.

De serem chamados pelo seu nome – e não pelos comuns “feio” ou “mau” quando fazem algo que desagrada aos adultos.

De não serem insultados (este direito complementa o anterior) – é urgente deixar de dizer às crianças coisas que, de tanto ouvirem, se tornarão a sua realidade. “Preguiçoso”, “burro”, “porco”, e por aí fora.

De serem livres.

À identidade de género.

À sua orientação sexual.

À sua individualidade.

De serem respeitadas.

De serem orientadas.

De fazerem amigos com facilidade, com dificuldade, ou de não fazerem amigos de todo.

À curiosidade.

De testar os limites.

De descobrir o mundo ao seu ritmo.

De não serem comparadas a toda a hora.

A boas rotinas de sono, de segurança rodoviária, de alimentação.

De serem ouvidas.

De não carregarem o peso da crise às costas – a informação está em todo o lado, não precisam de ter medo a toda a hora, de se preocupar com a comida que há-de ser posta na mesa, nas contas que há para pagar… mesmo que haja essa dificuldade, que as crianças não sofram em demasia com a antecipação de algo que não podem mudar. Nós, os pais, temos o dever de usar a imaginação, aquela que sempre esteve connosco desde que somos crianças, para evitar sofrimento desnecessário. E isto vale para tudo na vida dos nossos filhos.

A ter um tecto, comida, educação, acesso à saúde.

De não viverem num ambiente hostil.

À liberdade.

À paz.

Acima de tudo, as crianças têm direito a ser crianças.

Nascer, hoje, em Portugal, é muito diferente de nascer em qualquer outro lugar do mundo. Existem países em que as crianças são respeitadas, mas existem também países em que a infância simplesmente não existe. Temos o privilégio, dentro das nossas limitações, de ser um país sem guerra, sem violência extrema. As nossas crianças têm o direito a usufruir daquilo que as torna crianças – também em respeito àquelas que não têm essa oportunidade. Para que se tornem nos adultos que podem vir a mudar o mundo, com pequenos ou grandes gestos. Para que cada vez menos crianças tenham medo do futuro.

Semear hoje para colher amanhã.

Uma das forças maiores na nossa mentalidade, que tem viajado ao longo dos tempos é de que os filhos devem obediência aos pais. Mas queremos que eles nos obedeçam ou que nos respeitem? É que existe uma linha que separa a obediência do respeito. E cada uma delas assenta em dois pilares diferentes. Pilares que não se complementam e que muitas vezes se confundem entre si. O pilar da obediência assenta no medo. Se fizeres isto, acontece-te aquilo. Se não fizeres o que te digo, acaba-se logo a brincadeira. De generoso  – e de ensinamento  –  isto tem muito pouco. De que forma aprendemos? Como é que enraizamos conhecimento? Pensemos um pouco sobre isto. O que é que nos leva a agir como agimos com os nossos filhos? Será que agimos de certa maneira por causa deles? Ou será por causa de nós? Aprendemos quando alguém nos repreende ou quando alguém nos apoia? Quando alguém nos grita ou quando nos faz pensar? Aprendemos mais com alguém de quem temos medo ou com quem nos inspira? E isto aplica-se às mais pequenas coisas. E às maiores também. Há várias formas de fazer a mesma coisa. E é importante lembrarmos que as palavras que usamos, a forma como falamos tem um impacto profundo em quem recebe a nossa mensagem. E nós não queremos que os nossos filhos tenham medo de nós. Se tiverem medo, ao contrário do que possamos pensar, não irão confiar em nós. O pilar do respeito assenta no amor. A obediência diz: Não penses. Faz. O respeito diz: As razões pelas quais é importante fazeres são… Obedecer é fazer o que o outro diz sem questionar. Ter de obedecer é ser coagido a aceitar as coisas sem ter a possibilidade de entendê-las, de questioná-las, de conhecer as suas causas, as suas razões. Obedecer é uma acção passiva. Obedecer implica subordinação da vontade, obriga ao cumprimento de um pedido ou de uma ordem de forma cega e imponderada. E nós queremos que os nossos filhos aprendam a pensar pela sua própria cabeça. Só assim conseguirão ser completamente autónomos.

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A maioria dos pais querem o melhor para seus filhos. Mas, quando se trata de disciplina, alguns equivocamente usam a força física para punir ou intimidar. Sejamos honestos: nada justifica bater e magoar desnecessariamente as crianças e nem sequer é aceitável.

O governo australiano ratificou a Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança (1989). Ou seja, a Austrália coloca as crianças como pessoas com direitos. Chegou a vez do governo Australiano juntar-se outros 33 países “esclarecidos” do mundo, e banir o castigo físico de crianças em todas as suas formas.

A proibição bem sucedida na punição física das crianças deve ser acompanhada de uma campanha de sensibilização para apoiar e educar os pais que batem nos filhos a mudar a atitude ultrapassada da “palmada”.

Os malefícios do castigo físico

O castigo físico, mesmo quando é chamado de “disciplina” ou “palmadas”, pode causar danos a curto e longo prazo nas crianças. Hoje em dia sabemos, com base em investigações rigorosas, que a punição física e a adoção de comportamentos agressivos e violentos está directamente relacionada com alterações comportamentais e de saúde mental das crianças.

Sabemos também, intuitivamente, que bater e ferir pessoas desnecessariamente afeta o relacionamento social e a autoconfiança de um indivíduo. As nossas crianças são os adultos do futuro. A forma como tratamos os nossos filhos agora, irá afetar a sua saúde, autoestima e noção de bem-estar futuramente.

Mudar o comportamento

A Austrália tem estado na vanguarda de muitas reformas da saúde e segurança pública, tais como o uso dos cintos de segurança nos carros, o controlo do tabagismo e uso de preservativo, mas falta dar um safanão no que toca à punição física.

Mas o que fazer para que os pais mudem o seu comportamento – ou seja, parar de dar “palmadas” nos filhos?

Campanhas recentes e alternativas, tais como o grande sucesso animado educativo “Maneiras idiotas de morrer”, é um bom exemplo de como uma campanha de sensibilização pode ajudar a mudar mentalidades, atitudes ultrapassadas e comportamentos de risco. Neste caso, o vídeo promove a segurança ferroviária para os jovens através de anúncios em jornais, rádio, outdoors, redes sociais, etc. A campanha visa “envolver um público que não quer ouvir qualquer tipo de mensagem de segurança”.

Uma campanha de educação deste género, com apoios e incentivos para encorajar os pais a adotar métodos disciplinares positivos, poderia ser o suficiente para mudar comportamentos de risco na educação infantil.

Esta campanha poderia ser tanto contundente quanto inspiradora; retratando os impactos imediatos e possíveis do castigo físico através de palavras e imagens. Fornecer informações importantes sobre o desenvolvimento da infância e maneiras positivas de interagir e estabelecer limites razoáveis ​​para as crianças poderia ser um caminho.

Na Suécia, os castigos corporais e outras formas de tratamento humilhante a crianças foram proibidos em 1979, e foram distribuídos flyers informativos a todas as famílias e colocada a informação relevante nos pacotes de leite incentivando o diálogo entre pais e filhos.
Conclusão? A maior parte das famílias suecas praticam disciplina positiva, sem violência. As crianças são respeitadas, e os pais são valorizados e apoiados no seu importante papel como modelos para os seus filhos.

Alterar a lei

Alguns adultos responsáveis ​​irão voluntariamente modificar as suas atitudes e comportamentos à luz da evidência que os motiva. Mas a mudança comportamental, por vezes, só ocorre em resposta a legislação ou reforma da mesma.

Criar legislação pertinente em cada um dos estados e territórios da Austrália pode ser um caminho para remover explicitamente a “correção legal” e enviar uma mensagem clara aos pais de que o castigo físico já não é uma forma justificável de disciplina ou controle das crianças. As crianças terão a mesma proteção contra a agressão que os adultos.

Esta lei, exceptuando trivialidades, pretende proteger contra a criminalização dos pais que, ocasionalmente, dão uma palmada nos filhos, mas a punição física será fortemente desencorajada.

Dar voz às crianças

Bater e desnecessariamente e magoar as crianças degrada-as. Foi-lhes dada a oportunidade de comentar sobre a punição física, e as crianças dizem que dói fisicamente e emocionalmente.

Ao mesmo tempo, as crianças simpatizam com os pais que estão cansados ​​e stressados e que perdem o controle. Aceitam, mas questionam  a crença dos pais de que bater-lhes ensina-lhes lições positivas.

Muitos pais têm manifestado arrependimento por terem batido nos seus filhos – eles preferiam ter apicado meios alternativos de disciplina que não se transformam em raiva, lágrimas e ressentimento. Em casos extremos, o arrependimento dos pais é inútil, quando seus filhos ficam gravemente feridos – e alguns terminam com a morte da criança – porque um ensinamento não correu bem.

Recolhemos alguns comentários das crianças sobre o assunto que se revelaram muito esclarecedores. “Como os adultos são mais velhos, eles pensam que sabem mais coisas, mas às vezes não… Às vezes eles estão enganados” – 8 anos. Outra criança sugeriu que os adultos não “têm que bater, porque têm opção de escolha”.

Incentivar as crianças a falar sobre estas questões e ouvir o que têm a dizer, deve levar-nos a questionar as nossas perspectivas. Podemos até aceitar o que disse uma criança de 12 anos: “Não se devia bater nas crianças porque há uma maneira melhor…do que magoar alguém”

O castigo físico de crianças continuará a ser tolerado até que adultos esclarecidos reconheçam que as crianças não são menos dignas que os adultos.

As crianças têm direitos humanos relativamente à dignidade e ao respeito iguais aos de qualquer adulto, e merecem, no mínimo proteção igual ou até maior à agressão.

 

Em MedicalExpress, traduzido e adaptado por Up To Kids®, Todos os direitos reservados

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Como criar os filhos para serem felizes?

Durante a minha experiência profissional vi muitos pais sentarem-se à minha frente e falarem sobre as preocupações que têm em relação ao futuro dos filhos. Posso generalizar e dizer que em todos eles a preocupação essencial era se os filhos viriam a ser adultos felizes. Ou, ainda, se as lembranças de infância seriam felizes. Assim como esses pais que pude ajudar de forma mais individual e objetiva, imagino que outros tenham as mesmas preocupações. Por isso, resolvi dividir alguns segredos da psicologia em relação a isso.

O que é a felicidade?

A felicidade não é uma constante na vida, visto ser cheia de situações inesperadas. Porém, a forma com que percebemos os desafios impostos , é o gerador de emoções “positivas” ou “negativas”. Isto é que determina as nossas ações. Podemos dizer que o segredo para se ser mais feliz está em ter a capacidade de se adaptar à adversidade. E a isso em psicologia chamamos de resiliência.

Para aumentar a capacidade de resiliência nas crianças há uma série de ações que os pais podem tomar desde cedo! Vamos ver algumas delas:

  1. Mostrar consistência

    As crianças tem necessidade de saber o que esperar dos pais e o que esperam dela. Ser consistente entre o que diz e o que faz traz confiança aos pequenos e reduz as chances de produzir stress e falsas expectativas.
    Isso é possível através da criação de rotinas. Com horários específicos para as refeições, para dormir, para realizar as tarefas de casa e para passar tempo em família. E através da criação de regras consistentes, para que os pequenos também percebam que devem seguir algumas normas e que o não cumprimento dessas implica consequências previamente combinada com os pais (aqui é importante sempre manter as combinações).

  1. Conversar sobre as emoções

    Falar sobre as emoções é essencial para fortificar a relação entre pais e filhos. Além de promover nas crianças as habilidades de reconhecer as suas próprias emoções e a dos outros. Aqui também é importante para os pais dividirem como se sentem e como fazem para resolver a situação que causa aquele sentimento. Dar espaço para a criança falar sobre como se sente também faz todo o sentido.Tão importante quanto falar sobre as emoções é falar sobre como geri-las! E isso pode ser feito através de histórias (inventadas ou sobre experiências de vida dos pais, por exemplo). Ou através de jogos, onde os pais criam uma situação hipotética – com personagens que a criança goste, por exemplo – e ela pode encontrar maneiras alternativas para lidar com aquele sentimento e situação que a personagem está a enfrentar.

  1. Incentive o desenvolvimento mental e social

    Envolva-se na vida escolar dos seus filhos. Incentive a leitura e a criatividade deles através de jogos diferentes e brincadeiras em família. Através da leitura de livros interessantes que envolvam o que eles tem estudado na escola e também outras coisas que sejam do interesse familiar.
    Brincar com o som das palavras, com as rimas, e com exercícios de lógica também impulsiona o desenvolvimento cognitivo e as habilidades de comunicação. Estes estão fortemente associados ao sucesso académico e interpessoal no futuro.

Lá está, três pequenas dicas que podem melhorar a qualidade de relacionamento entre pais e filhos e ainda melhorar a capacidade de resiliência dos pequenos. Criar filhos felizes a 100% do tempo é impossível. Mas prepara-los para a vida e ajuda-los a adaptarem-se às adversidades fará com que eles, com certeza, tenham uma melhor qualidade de vida agora e no futuro!

E talvez isso seja mesmo o mais próximo da felicidade plena.

imagem@fabricadementes

Hoje sou mãe. Mas na minha vida anterior trabalhei com crianças e jovens de várias idades e múltiplas realidades familiares, níveis económicos, características emocionais e questões de saúde. Trabalhei com elas, vivi-as e, em todo esse processo, estudei-as, apaixonando-me profundamente pelo desenvolvimento emocional na infância.

Hoje, como mãe e como alguém que viveu sempre as crianças e os jovens de forma intensa, que os conhece profundamente, quero partilhar com todas as mães e pais a importância de nunca baterem nos vossos filhos. De erradicarem por completo o acto. E a ameaça do acto.

Um estudo americano perguntou às crianças o que mais as preocupa. Sabe qual foi a resposta mais comum? A resposta mais comum, aquilo que mais preocupa as crianças é que os pais lhes batam. Crianças pequenas estão preocupadas que os pais lhes batam! Não estão preocupadas em não ter brinquedos.

Estão preocupadas que os pais lhes batam…

A questão é que palmadas – bater – é um factor de stress neurobiológico que provoca consequências negativas a curto e a longo prazo.

Estatisticamente, você ou a pessoa que se senta ao seu lado enquanto lê este artigo ou enquanto toma um café, foi abusado fisicamente pelos seus pais em criança. A violência doméstica em crianças é duas vezes mais alta do que a violência doméstica entre cônjuges. Há crianças que morrem fruto do abuso físico dos seus próprios pais. E fingir que isto não é um problema grave não só não o atenua, como o continua a permitir.

É em casa, em todo o mundo, que os números sobre o abuso de crianças – palmadas, ameaçar, punir – disparam? E ainda assim os números ficam aquém dos verdadeiros números que as estatísticas não cobrem.

Em todo o mundo, o abuso físico e emocional de crianças é tremendamente maior em crianças pequenas e os números mostram pais fisicamente abusivos para com crianças tão cedo quanto a partir dos seis meses de idade. Seis meses de idade! Quando somos nós, enquanto pais que devemos ser para os nossos filhos a maior representação de confiança, segurança e amor.

Confiança. Segurança. Amor. Tudo aquilo que precisamos para ter uma cabeça limpa, uma vida saudável. Tudo aquilo que precisamos para aceitarmos que merecemos ser felizes. Bater danifica o nosso equipamento cerebral regulador.

A mão que cuida não pode ser a mão que magoa. A Mão que cuida Não pode ser a mão que Fere.

O que é que acontece dentro dos sentimentos e dos pensamentos dos pais para que eles acreditem que é correcto ou sequer permitido ferir fisicamente ou emocionalmente os seus filhos? O que é que realmente dá direito a fazê-lo? O que é que, na mente destes pais, estes bebés e estas crianças fazem de tão errado? Dar uma palmada – ou até a sua ameaça – é violência. As palmadas estão na origem – são a raíz – da violência doméstica contra crianças. E não só! Estão na génese de problemas de agressividade, problemas emocionais e físicos. Não apenas na infância, mas pela vida fora.

As crianças sujeitas a violência física a partir dos primeiros anos de vida têm propensão a desenvolver problemas de saúde, tendências suicidas e tendência para o consumo de drogas. Para além de que têm propensão para perpetuar o legado para os seus filhos. E porquê? Porque a violência nos primeiros anos de vida é mais uma lesão cerebral do que uma ferida psicológica. Permanece para sempre. E uma criança exposta a violência física, o seu cérebro não consegue regular.

As crianças aprendem a auto-regular-se com a ajuda de pais calmos, que sabem auto-regular-se.

E o grande problema, a grande questão é quando nós – pais – somos a causa do stress nas crianças. E quando as crianças não têm pais calmos e que consigam regular as suas emoções, as crianças auto-regulam-se em stress. Respondem mal ou não respondem, roem as coisas, têm comportamentos que para muitos adultos são considerados maus comportamentos. Mas não são maus comportamentos. São estes comportamentos que regulam o seu cérebro.

Está na hora de revermos e avaliarmos as nossas próprias acções, e de entendermos que nós somos responsáveis pela saúde emocional e mental dos nossos filhos.

Criar crianças e actos de violência, quaisquer que sejam, não são compatíveis. Precisamos de aprender a curar-nos, a limpar a nossa desorganização interna.

Tudo na vida depende das nossas decisões, do caminho que escolhemos seguir. Traçar. Do legado que escolhemos deixar para os nossos filhos. Para os filhos dos nossos filhos.

Devemos estar conscientes do que fazemos aos nossos filhos. Conscientes das nossas palavras. Conscientes dos nossos actos.

Precisamos de mudar as nossas percepções, os nossos sentimentos, os nossos pensamentos e as nossas acções.

As crianças são o reflexo mais puro daquilo que nós somos com eles. Nós temos a responsabilidade da sua saúde física, mental e emocional. A responsabilidade de transmitirmos segurança, dar estrutura ao longo da vida, muito em especialmente nos primeiros anos de suas vidas.

E nós podemos fazer melhor. Temos que fazer melhor. Temos esse dever para com as crianças. Nós colhemos o que semeamos. A cada momento.

E se escolhemos ser pais, se quisemos ser pais, temos de saber agora honrar esse compromisso a cada dia. A cada hora. A cada momento. Hoje. Começando agora.

Quando uma criança faz uma birra, enquanto uns se apressam a rotular a criança de teimosa, e imediatamente surge um familiar com quem a identificam, outros preocupam-se com a forma como podem lidar com a situação.

“Serão normais estas birras?”, “Por que é que acontecem?”, ou “Como devo reagir?”, são algumas das questões que surgem com frequência.

Mas afinal, qual o segredo das birras?

As birras são muito comuns na fase dos 2/3 anos de idade e são até saudáveis, isto é, são comuns a todas as crianças dessa faixa etária (ou espera-se que sejam) e são consideradas saudáveis porque acabam por passar uma aprendizagem à criança, se o adulto/cuidador reagir adequadamente à situação.

Antes de começar a caminhar, a falar e a conseguir o controlo dos esfíncteres, a criança é muito dependente dos cuidadores. É a partir do momento que começa a poder deslocar-se – com a aquisição da marcha; a começar a falar – aquisição da linguagem, e a controlar os esfíncteres que consegue sentir-se mais autónoma; mais independente. Ora a autonomia permite-lhe a possibilidade de opor-se aos outros e dá-lhe uma maior sensação de poder: “posso ir para onde quero; posso dizer “NÃO” e decidir onde e quando saem os meus cócós e xixis”. Esta “força” que sente vai tentar aplicar a todas as circunstâncias em que a vida não lhe corra como mais deseja. E usa o espernear, gritar, pontapear e atiradas para o chão como argumentos de peso.

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Como ser intuitivo e muito perspicaz que é (todas as crianças o são), lança os ditos argumentos de peso e aguarda pela reação dos cuidadores para perceber:

  1. Se assentem ao desejo, validando o argumento – que passa de negado, em primeiro plano, a consentido, logo a seguir;
  2. Ou, então, os cuidadores suportam a birra; não a valorizam e esperam calmamente que a criança consiga tranquilizar-se

É nesta reação dos adultos que pode residir a chave para que as birras sejam uma mera fase do desenvolvimento emocional infantil, considerada por si só como transitória, ou assumam contornos de comportamento característico da criança.

Os cuidadores devem esperar que a criança se tranquilize sem ceder ao que originou a birra, quer este comportamento seja em casa, num ambiente mais privado, quer seja fora, num espaço público. Os desejos concedidos durante uma birra promovem o continuar deste comportamento porque a criança percebe “isto funciona”.

A capacidade dos cuidadores suportarem/aguentarem o momento da birra, proporciona à criança:

  1. A possibilidade de aprender a tolerar a frustração. Efetivamente, nem tudo o que se deseja pode ser alcançado e é desde pequeninos que essa aprendizagem é feita, através destas pequenas frustrações.
  2. A sensação de limites que conduz a criança a sentir-se mais segura, mais apoiada, vivenciando os cuidadores como fontes de suporte.

Espera-se que a atitude dos cuidadores seja consistente no tempo, permitindo à criança espaço para compreender que os pais estão seguros de si e têm regras bem definidas, o que se traduz em conforto e segurança para a mesma. Desta forma, conseguirá sentir os pais como os pilares fortes que precisa para crescer confiante.

Muito embora as já referidas birras sejam comuns no processo de desenvolvimento emocional, é importante ter em atenção a idade da criança para poder definir o comportamento como ajustado (ou não).

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