O stress matinal está a prejudicar os momentos em família?

Oito e meia da manhã, o relógio a dar horas, o pequeno-almoço por tomar, a roupa por vestir, gritos, choro, birras, “não posso mais com isto!”, “despacha-te!”, “anda lá!”. Um stress. Cenário comum e que se repete em dezenas de lares portugueses. Rotina que se repete dia após dia. Será que passa com os anos? Será que os miúdos melhoram com a idade? Dúvidas, irritabilidade, culpa… E assim está montado o cenário perfeito para que a família comece a sentir que está a viver em stress constante.

Para os pais, há ainda o acumular das tarefas profissionais e de manutenção da casa. Para os miúdos, o acumular dos conflitos na escola, da dificuldade em algo que está a ser ensinado e dos trabalhos para casa.

Mas será que de alguma forma os comportamentos de cada membro da família acabam por alimentar o stress familiar?

Sim e com certeza!

Os filhos frequentemente testam os pais para verem até onde podem ir, e frequentemente exigem atenção através de coisas que irritam profundamente os pais. Por sua vez, os pais que se sentem soterrados em obrigações, frequentemente dão uma ordem acabando por contraria-la, ou seja, pedem para os filhos que executem determinada tarefa, e acabam por fazê-la.

Anda lá! Calça as sapatilhas! Temos que ir!” E… dois segundos depois está o pai ou a mãe em stress a calçar os miúdos.

Como estas situações alimentam o stress familiar?

Simples, os pais, enquanto adultos, passam num simples comportamento a mensagem de que ela não tem capacidade de se calçar sozinha, que receberá muita atenção se fizer fitas a vestir-se, e que tampouco precisa de obedecer porque, a tarefa vai aparecer feita na mesma. E assim a mesma cena perpetua-se manhã após manhã.

Mas, como resolver essa situação?

Com treino. Treino dos pais e treino dos miúdos. Num dia calmo em que não tenham horários a cumprir (como um fim de semana, por exemplo), tenha uma conversa honesta com os pequenos e proponha uma competição contra o relógio “tive uma ideia para que nós não tenhamos que discutir pela manhã!”, por exemplo: “Vou colocar aqui o alarme e quando tocar tens que estar já vestido(a) e com as sapatilhas calçadas. Se conseguires terminar antes do alarme, vais ganhar um prémio!”. Para tal, coloque um tempo no alarme que saiba que será viável para o seu filho realizar a tarefa com sucesso (5 min a 8 min). O que queremos aqui é que ele se sinta capaz de executá-la. Ah! Mais importante ainda, não ajude! Deixe que ele faça sozinho, incentivando-o a cada etapa concluída com sucesso “Boa! estás mesmo rápido, já conseguiste vestir a camisola! Fixe!! Agora já calcaste as meias!!”.

O prémio a ser dado, nesse caso, pode ser algo tão pequeno como um autocolante ou carimbos numa folha. Depois, podem ser estabelecidas metas para a semana juntamente com os miúdos (a começar por metas mais fáceis). Se os pequenos conseguirem vencer o alarme três vezes na semana ganham três autocolantes e esta soma de conquistas pode ser trocada por um prémio maior (um kinder surpresa, a escolha da sobremesa para o jantar, um jogo mais barato que queiram, enfim, algo que não tenha um valor elevado mas que seja do interesse deles). Esses pequenos prémios vão promovendo motivação para a realização de tarefas e o desafio deve ser aumentado a cada conquista. Após duas semanas, conseguindo vestir-se sozinhos e vencendo a meta de três vezes na semana, pode aumentar-se o desafio para conseguir fazê-lo os cinco dias da semana.

Este tipo de intervenção pode ser feita também para tomarem o pequeno-almoço ou para realizar qualquer outra tarefa, incentivando-os sempre com algum prémio pelo sucesso na execução e claro, com muita atenção!

A verdade é que as birras e a postura opositiva não passam com os anos, nem com a idade. Muito pelo contrário, a tendência é piorar se não for tomada nenhuma atitude pró-ativa por parte de quem cuida. O que faz os comportamentos mudarem são 4 coisas:

  • Treino, consistência por parte dos pais, regras e ordem.

Nesse sentido, os pais tem de ter atenção para não transmitirem exatamente aquilo que não pretendem.

Há pais que gritam frequentemente com os filhos pedindo para que estes não gritem.

Ora, quando gritas, o que estás a ensinar, é que ganha quem grita mais alto… Em vez de ensinar que com gritos não se ganha nada, ensinas que gritar é o importante. E, acredita, os miúdos vão aprender a gritar!

O que devemos fazer é exatamente o oposto: oferecer um elogio assim que a criança para de gritar “Fixe! Estou mesmo orgulhosa(o) de ti! Conseguiste acalmar-te e parar de gritar!”, assim conseguimos ensinar que gritar não serve de chamada de atenção, mas que parando de gritar se ganhar atenção e elogios dos pais!

Essas dicas funcionam muito bem quando bem executadas de forma consistente. É claro que algumas crianças são mais desafiadoras, mas há sempre maneiras de ajuda-las a compreender as regras e autoridade de forma positiva e não autoritária.

Quem poderá ajudar com mais precisão é um psicólogo especialista em atendimento infantil e de pais. Para além de promover rotinas menos conturbadas, um bom profissional ajuda na criação e manutenção de laços afetivos positivos nas famílias, mesmo perante os momentos de crise.

Se sente que sua rotina está a dar cabo do seu dia e da energia da sua família, procure ajuda. Acredite, as coisas não vão melhorar sozinhas e nem com o tempo. É necessário fazer modificações de forma organizada, consistente e coerente, e com ajuda profissional tudo fica mais claro e fácil.

imagem@trudnoca

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A ansiedade é mais comum nas pessoas do que se possa imaginar. Estas são algumas das coisas que fazes por causa da ansiedade, mas que ninguém se apercebe.

1. Negas alguns convites mesmo quando gostavas mesmo de ir

Algumas vezes a ansiedade pode ser tão debilitante, que não consegues ter energia suficiente para sair. Não importa se estavas animada para um evento, quando chega o dia, a  ansiedade entra em pleno vigor e já não vais. Como não queres ser um fardo para ninguém a melhor opção, no teu ponto de vista, é não ir.

 2. Ficas obcecada por coisas que as pessoas normalmente não pensariam duas vezes

Ficas obcecada com tudo na tua cabeça. Muito provavelmente, as coisas com as quais te preocupas nunca iriam habitar a mente de alguém que não tem ansiedade. Talvez fiques a “ruminar” uma conversa que tiveste na semana passada, ou a forma como o teu chefe te encarou no outro dia. Talvez “rumines” o facto de que teu namorado não te mandou uma mensagem num dia em que tu disseste algo que o pudesse ter chateado. Seja o que for, é difícil para as pessoas sem ansiedade entender por que tu estás tão obcecada por coisas que nem sequer são importantes para eles.

3. Acordas sempre muito cedo (mesmo quando estás cansada)

O sono é sempre um problema para ti. É difícil conseguires iniciar o sono porque tens tantas coisas para digerir e refletir sobre o dia que acabaste de ter… A tua mente nunca parece desligar e, por isso mesmo, quando acordas já tens as preocupações a pipocar. Costumas acordar mesmo cedo, as vezes, a ver se consegues fazer tudo o que tens que fazer em tempo hábil. Continuar a dormir é também, definitivamente, um desafio para ti já que não podes desligar a tua ansiedade uma vez que já estás acordada.

4. Esperas pelo pior desfecho em todas as situações

Antes daquele primeiro encontro, estás convencida de que tudo correrá terrivelmente mal. Antes de voar, imaginas tudo a cair aos pedaços. Antes de fazer uma viagem de carro, tens medo de acidentes. Quando ficas doente, tens medo de que haja algo realmente errado contigo. A lista continua e continua, e parece ridículo para os outros. Mas e para ti? São medos reais! São reais… para ti.

5. Fazes replay das conversas na tua cabeça

Tentas evitar discussões a todo custo, porque sabes que isso aumenta a tua ansiedade. Ainda assim, quando tens alguma discussão, ou até mesmo uma conversa que possa parecer agradável para a outra pessoa, continuas a pensar sobre isso depois de tudo ter sido dito e feito. Não consegues tirar isso da cabeça e sempre achas que disseste algo errado. Isso pode corroer-te por dentro e forças-te a lembrar que é só a tua ansiedade a falar, e que todo o resto é provável que esteja bem.

6. Preocupas-te contigo própria quando os outros estão preocupados contigo

Se as pessoas perguntam se estás bem enquanto estás a ter um ataque de ansiedade, ou se as pessoas falam para ti quando estás imersa em pensamentos negativos, faz com que a tua ansiedade piore. Claro que eles falam com boas intenções, mas se os outros se preocupam contigo, isso faz com que penses – “Se eles estão preocupados, então eu deveria preocupar-me ainda mais comigo mesma!”

7. Pensas que a culpa é tua quando alguém não te responde imediatamente

Não importa se é o teu namorado, tua melhor amiga ou a tua irmã, ficas sempre abalada quando não te respondem. As pessoas sem ansiedade, geralmente, não prestariam atenção à demora na resposta, mas para ti isso é realmente um sinal de alerta. Normalmente, quando as pessoas não respondem uma mensagem tua, sentes-te culpada porque achas que fizeste algo de errado, quando muito provavelmente, eles são apenas terrível em se comunicarem.

8. As vezes sentes que estás a ter um colapso nervoso quando falam sobre o futuro

O futuro é um grande gatilho para a tua ansiedade, por isso costumas detestar quando te perguntam quais são os teus planos para os próximos cinco anos. Terminar a secundária e a faculdade para a maioria das pessoas é incrível, mas para ti pode ser extremamente difícil e assustador. Não gostas que os outros falem sobre os seus próprios planos para o futuro porque isso faz com que sintas que não és boa o suficiente.

9. Comparas constantemente o teu sucesso com o de outras pessoas que tem a mesma idade que tu

Tu vês constantemente no teu Facebook que as pessoas da tua idade estão a conseguir empregos de sonho e isso faz a tua cabeça querer explodir. Não tens intenção de te comparar aos outros, mas, por vezes, a tua ansiedade ganha e tu não consegues evitar. Preocupas-te se algum dia chegarás à altura deles e se os teus objetivos algum dia se tornarão realidade.

10. Fazes replay sobre cada erro que cometes e sentes culpa por isso

Especialmente se cometeres um erro no trabalho, isso consome os teus pensamentos e pode arruinar o teu dia, ou mesmo algumas das tuas semanas. Constantemente fazes um esforço para dar o melhor de ti, mas quando acidentalmente envias algo que não era suposto, ou quando fazes algo que não deverias fazer, ficas extremamente desapontada contigo própria. A ansiedade pode realmente ser a tua pior inimiga.

11. Há dias que estás demasiado exausta física e mentalmente – até para sair da cama

Há dias que a tua ansiedade pode ser tão forte, que tu realmente sentes-te incapaz de fazer qualquer coisa, a não ser ficar deitada na cama. Às vezes, o mundo pode parecer demasiado complexo para tua mente, e precisas de alguns dias de folga para descansar. A ansiedade pode ter um enorme efeito sobre a nossa saúde, e não pode ser “varrida para debaixo do tapete”. Ela pode ser verdadeiramente prejudicial, e muitas pessoas não compreendem os efeitos que ela pode ter sobre um indivíduo.

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Como criar os filhos para serem felizes?

Durante a minha experiência profissional vi muitos pais sentarem-se à minha frente e falarem sobre as preocupações que têm em relação ao futuro dos filhos. Posso generalizar e dizer que em todos eles a preocupação essencial era se os filhos viriam a ser adultos felizes. Ou, ainda, se as lembranças de infância seriam felizes. Assim como esses pais que pude ajudar de forma mais individual e objetiva, imagino que outros tenham as mesmas preocupações. Por isso, resolvi dividir alguns segredos da psicologia em relação a isso.

O que é a felicidade?

A felicidade não é uma constante na vida, visto ser cheia de situações inesperadas. Porém, a forma com que percebemos os desafios impostos , é o gerador de emoções “positivas” ou “negativas”. Isto é que determina as nossas ações. Podemos dizer que o segredo para se ser mais feliz está em ter a capacidade de se adaptar à adversidade. E a isso em psicologia chamamos de resiliência.

Para aumentar a capacidade de resiliência nas crianças há uma série de ações que os pais podem tomar desde cedo! Vamos ver algumas delas:

  1. Mostrar consistência

    As crianças tem necessidade de saber o que esperar dos pais e o que esperam dela. Ser consistente entre o que diz e o que faz traz confiança aos pequenos e reduz as chances de produzir stress e falsas expectativas.
    Isso é possível através da criação de rotinas. Com horários específicos para as refeições, para dormir, para realizar as tarefas de casa e para passar tempo em família. E através da criação de regras consistentes, para que os pequenos também percebam que devem seguir algumas normas e que o não cumprimento dessas implica consequências previamente combinada com os pais (aqui é importante sempre manter as combinações).

  1. Conversar sobre as emoções

    Falar sobre as emoções é essencial para fortificar a relação entre pais e filhos. Além de promover nas crianças as habilidades de reconhecer as suas próprias emoções e a dos outros. Aqui também é importante para os pais dividirem como se sentem e como fazem para resolver a situação que causa aquele sentimento. Dar espaço para a criança falar sobre como se sente também faz todo o sentido.Tão importante quanto falar sobre as emoções é falar sobre como geri-las! E isso pode ser feito através de histórias (inventadas ou sobre experiências de vida dos pais, por exemplo). Ou através de jogos, onde os pais criam uma situação hipotética – com personagens que a criança goste, por exemplo – e ela pode encontrar maneiras alternativas para lidar com aquele sentimento e situação que a personagem está a enfrentar.

  1. Incentive o desenvolvimento mental e social

    Envolva-se na vida escolar dos seus filhos. Incentive a leitura e a criatividade deles através de jogos diferentes e brincadeiras em família. Através da leitura de livros interessantes que envolvam o que eles tem estudado na escola e também outras coisas que sejam do interesse familiar.
    Brincar com o som das palavras, com as rimas, e com exercícios de lógica também impulsiona o desenvolvimento cognitivo e as habilidades de comunicação. Estes estão fortemente associados ao sucesso académico e interpessoal no futuro.

Lá está, três pequenas dicas que podem melhorar a qualidade de relacionamento entre pais e filhos e ainda melhorar a capacidade de resiliência dos pequenos. Criar filhos felizes a 100% do tempo é impossível. Mas prepara-los para a vida e ajuda-los a adaptarem-se às adversidades fará com que eles, com certeza, tenham uma melhor qualidade de vida agora e no futuro!

E talvez isso seja mesmo o mais próximo da felicidade plena.

imagem@fabricadementes

O filhos deviam trazer um manual de instruções” é uma frase que escuto com certa frequência.

A verdade é que não há manual de instruções e ser pai e mãe, ao contrário do que dizem por aí, não é instinto e nem nasce com a pessoa. É uma tarefa difícil, que exige aprendizado e, verdade seja dita, muita preparação emocional. Não há manual, mas já há treino de pais!

A ciência aponta que a fórmula criada entre a estrutura familiar, o comportamento dos pais e a personalidade das crianças faz com que os filhos apresentem mais ou menos problemas comportamentais e emocionais no seu desenvolvimento. Ser competente enquanto pai ou mãe implica acompanhar o desenvolvimento dos filhos dentro e fora de casa e prepará-los para os desafios sociais, académicos e profissionais que virão. É importante salientar que grande parte daquilo que as crianças aprendem é por observação do comportamento dos adultos, por isso não adianta dizer ao meu filho que está a agir mal quando grita ou bate em coisas, enquanto eu, adulta, sempre que algo não sai como planeei fico com raiva de tudo, e discuto com alguém na primeira oportunidade que tenho. Os comportamentos produzidos neste caso são diferentes, mas a maneira de lidar com a raiva é a mesma: pôr para fora, descontar em pessoas ou coisas externas a mim. Assim, o meu filho acaba por aprender muito mais pela maneira como faço as coisas do que pelo que digo sobre elas. Nesse contexto, “faça o que eu digo, não faça o que eu faço” não funciona, definitivamente.

Neste sentido, a psicologia, através do treino de pais, vem a contribuir para instrumentar os pais durante os programas de treino com algumas estratégias de comportamento que promovam um desenvolvimento adaptativo dos filhos. O objetivo do treino de pais não é dizer-lhes o que fazem bem ou mal, mas orientá-los no sentido de fortificar as habilidades que já têm de forma a utilizá-las com mais frequência e de forma mais assertiva.

A verdade é que essa intervenção tem apresentado resultados positivos nos casos em que as crianças apresentam comportamentos agressivos, birras, comportamentos de oposição, mentiras excessivas, baixo rendimento escolar, entre outros comportamentos menos adaptados. A partir da queixa inicial, o psicólogo define o objetivo geral do programa e elabora, juntamente com os pais, cada etapa para superar a dificuldade apresentada.

O resultado, em geral, são pais mais satisfeitos e seguros na relação com os filhos e crianças mais saudáveis mentalmente e mais preparadas para os desafios da vida. Ao traduzir em números, o investimento na saúde emocional dos filhos vem a ser muito inferior aos custos de um cuidado de saúde mental com uma doença já instaurada no futuro. E, cá entre nós, não há nada melhor do que uma casa com pais e crianças a viver com mais harmonia.

 

Ilustração de Eduardo SouzaCampus

O mundo assiste perplexo aos atentados ocorridos em Paris no último dia 13. Muitos adultos não entendem o que se passou e temem que a ameaça se aproxime de si e dos seus. Entretanto, a televisão mostra imagens do terror de forma repetida, as pessoas falam sobre isso nas ruas e as crianças começam a fazer-nos perguntas.  Como respondê-las é a grande questão. Veja algumas dicas a seguir.

1- Não demonstre medo.

As crianças aprendem respostas de comportamento com os adultos e são altamente influenciáveis. Assim, antes de falar sobre qualquer assunto importante, os adultos devem aprender a controlar suas próprias respostas emocionais e falar de uma forma neutra sobre o tema.

2- Responda as perguntas dos miúdos.

As crianças vão perguntar sobre o que mais lhes preocupa em relação ao que aconteceu. Responda da forma mais simples que conseguir, sem dramatizar os factos e sem fugir às respostas. A não-resposta gera ainda mais curiosidade e dá espaço para muitas fantasias no imaginário infantil, o que, mais tarde, pode levantar questões ainda mais graves.

Também não é indicado responder para além do que a pergunta quer saber, muitas vezes repostas breves a uma pergunta sobre o que aconteceu pode ser, por exemplo algo como: “Ocorreu um ataque em Paris e os polícias já estão a investigar quem foi”.

Se as crianças ouvirem algo na escola, por exemplo, e ficarem preocupadas ou com dúvidas, as perguntas vão surgir. Quando surgirem, responda com honestidade e da forma mais simples que conseguir.

3- Se não souber como responder, diga.

Outra dica importante é: se não souber como responder, seja honesto. “Não sei responder essa pergunta, mas posso pesquisar”. E pesquise. Essa resposta pode ser também uma maneira de ganhar tempo para formular suas respostas da forma mais adequada.

4-Evite mostrar as imagens de violência

Apesar das notícias mostrarem repetidamente as imagens gravadas durante o atentado, o ideal é que as crianças não sejam expostas em demasiado a isto, devido as fantasias que podem depois criar-se. Expor os miúdos em demasiado às imagens de violência não é saudável e há estudos psicológicos importantes que demonstram isso. Por isso, tenha atenção a isso. Se for inevitável a televisão estar ligada, encontre maneiras de distrair os miúdos para que sua atenção não fique concentrada nas notícias.

Por Letícia Machado, coach pessoal e profissional e psicóloga especialista em psicologia hospitalar, com ampla experiência no atendimento à crianças e adolescentes. Atualmente realiza atendimentos na YellowRoad através do coaching infantil e do treino de pais

imagens@bolaseletras.blog

Há uns dias foi aceite em Portugal a adopção por casais do mesmo sexo e, assim, o ato hoje reconhecido é uma grande vitória  da luta dos casais homossexuais pela conquista de direitos iguais. O desejo de constituir uma família é o desejo de muitas pessoas e não limitá-lo à orientação sexual é um passo em direção ao futuro.

Mas, por preconceito ou mesmo por curiosidade começam a surgir perguntas sobre o que acontece com crianças que nascem e/ou crescem em famílias de casais do mesmo sexo. A resposta não pode ser generalizada – assim como não podemos generalizar todas as outras famílias – mas existem alguns pontos que podem ajudar a elucidar a questão.

Famílias Homoafetivas – A saber: dúvidas sobre filhos de casais do mesmo sexo

1 – As crianças serão homossexuais?

É claro que não se pode afirmar com certeza, mas assim como casais héteros podem ter filhos que mais tarde se revelem homossexuais, nos casais de mesmo sexo as crianças não estão destinadas a serem gays. Aliás, estudos apontam que crianças que crescem em famílias do mesmo sexo são em sua maioria heterossexuais e tendem a ter maior tolerância e compreensão em relação às diferenças[1], fator esse positivo e preditor de inteligência emocional – essencial para dar conta das dificuldades na vida adulta.

2 – Essas crianças sofrerão bullying?

O bullying homofóbico é uma realidade em Portugal [2] e é provável que essas crianças sofram preconceito de alguma forma. Mas isso não as torna diferentes das outras crianças. Vale lembrar que os filhos de casais héteros também sofrem bullying. As crianças podem ser cruéis ao julgar e ridicularizar os colegas pelo cabelo, pelo peso, pela roupa, pelas sapatilhas, pelos óculos e, também, nesse caso, pela família. Cabe aos casais homossexuais orientar os filhos no sentido de que se protejam contra essas agressões, assim como cabe aos casais heterossexuais orientar seus filhos em relação a qualquer preconceito que venham a sofrer dos seus pares. Ainda, é preciso, independente da configuração familiar, trabalhar no sentido de orientar as crianças a aceitar as diferenças e tolerá-las. Somente esse movimento fará com que as agressões e as consequências emocionais geradas diminuam de forma considerável.

3 – Como identificam quem é o pai e quem é a mãe?

Nesse sentido entra outra questão importante: Não ter um pai ou não ter uma mãe é grave? Não, não é grave. Uma criança criada por um casal homossexual terá dois pais ou duas mães, mas isso não é um problema do ponto de vista psicológico. Afinal, há uma série de configurações familiares diferentes por aí – de mães solteiras, de avós a criar netos, de pai viúvo, etc – e não necessariamente a criança terá um prejuízo qualquer. É importante que a criança tenha contacto com pessoas dos dois sexos, mas ela naturalmente escolhe uma referencia de modelo para cada género e essa escolha é inconsciente.

4 – Como falar sobre a homossexualidade com meus filhos?

Com o aumento das diferentes configurações familiares esse tem sido um assunto enfrentado cada vez mais com naturalidade pelas crianças. Por isso, responder as dúvidas que possam aparecer é essencial. Para isso, responda apenas o que a criança perguntar e tente ser o mais simples e breve possível, sem reprimir ou julgar as suas dúvidas. É isso que fará com que seu filho confie e se volte para si quando tiver mais questões.

Por Letícia Machado, coach pessoal e profissional e psicóloga especialista em psicologia hospitalar, com ampla experiência no atendimento à crianças e adolescentes. Atualmente realiza atendimentos na YellowRoad através do coaching infantil e do treino de pais

 

[1] The National Lesbian Family Study: 4. Interviews With the 10-Year-Old Children. Gartrell, Nanette; Deck, Amalia; Rodas, Carla; Peyser, Heidi; Banks, AmyAmerican Journal of Orthopsychiatry, Vol 75(4), Oct 2005, 518-524.

[2] António, Raquel, Pinto, Tiago, Pereira, Catarina, Farcas, Diana, & Moleiro, Carla. (2012). Bullying homofóbico no contexto escolar em Portugal. Psicologia, 26(1), 17-32. Recuperado em 20 de novembro de 2015, de

 

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Chega o mês de dezembro e começa-se a pensar nas prendas de Natal, em como vai ser a festa, e em que pessoas da família estarão presentes. Nos papás e mamãs surgem ainda outras questões.

No outro dia, ouvi de uma amiga minha o quão preocupada ela estava por não saber se devia contar a filha a verdade sobre o Pai Natal e, mais ainda, sobre a culpa que sentia por ter “inventado” a história toda. Com muita angústia, veio perguntar-me o que eu achava que ela deveria fazer. Eu a ouvi e expliquei exatamente o que lhes vou contar agora.

1) O Pai Natal estimula o desenvolvimento cognitivo

As brincadeiras, os jogos, as fantasias e a imaginação são essenciais para o desenvolvimento saudável das crianças e ajudam a desenvolver mentes criativas. Nesse sentido, o Pai Natal não é única personagem a fazer esse papel de estimular a imaginação, mas acaba, inevitavelmente, por ser uma das principais durante a infância.

Conforme a criança cresce ela começa a ser exposta a outros aprendizados e evidências de dados reais. Assim, aprende implicitamente que se leva muito tempo para viajar de uma cidade para outra, que entrar na casa das pessoas não é assim tão fácil e que trenós –ou carros – não voam. E, aos poucos, os elementos da realidade contradizem a fantasia. Quando começam a surgir dúvidas importantes sobre como ele consegue entregar as prendas todas em uma só noite, ou como é possível o trenó voar, é sinal de que a criança está a ter um bom desenvolvimento cognitivo, pois começa a ser capaz de separar a fantasia da realidade.

2) Os pais não são mentirosos

Alimentar a história do Natal e toda a fantasia que envolve a época é dar a possibilidade às crianças de imaginar e sonhar. Através do contacto com a fantasia, a criança vive um mundo de possiblidades e aprende a pensar! Ao dar-se conta de alguns aspetos, a criança tem o seu pensar estimulado, faz cálculos e suposições e levanta hipóteses, questiona indícios do mito e da realidade. E é daí que surgem as perguntas “Como o Pai Natal consegue carregar todas as prendas no trenó?”, “Como é que ele entra na casa se não tem chaminé?”.

Estimular a fantasia das crianças é estimular seu desenvolvimento cognitivo e criativo, dando-lhes hipóteses de aprender a classificar o que é realidade e o que é mito, a traçar estratégias de solucionar problemas ao tentar responder a suas próprias dúvidas,  e a aprender as diversas regras sociais de comportamento, por exemplo.

3) Os pais devem responder as dúvidas que surgirem

Aqui entra uma dúvida constante para os pais. Como responder sobre as perguntas em relação ao Pai Natal? Bom, o mais importante é não deixar as crianças sem resposta. Todas as perguntas que eles fizerem serão baseadas em algum tipo de investigação que eles já fizeram, por isso, esse esforço não pode ser desencorajado. É exatamente essa investigação que estimula a capacidade de pensar. Assim, para ajudar ainda mais nesse processo, os pais devem devolver as perguntas a elas e ver o que elas já sabem sobre o assunto.

Se perceber que as respostas já estão muito concretas e que a desconfiança em relação ao Pai Natal já está muito grande, conte a verdade aos poucos. Pode falar que embora a figura do Pai Natal não exista em carne e osso, ele representa a ideia de que as pessoas devem amar o próximo, devem ser solidárias e alegres. E que devem sempre acreditar no melhor. As ideias que fazem parte do Natal é que são essenciais.  É importante ficar atento porque, algumas vezes, as crianças já sabem a verdade e estão a testar se os pais estão a ser sinceros. Por isso, escute atentamente, investigue o quanto a criança já sabe e adeque suas respostas em relação a isso.

4) Se houver irmãos menores, devem fazer do filho um cúmplice

A ideia do Natal não precisa acabar quando o Pai Natal deixa de existir. Muitas vezes a criança sente-se já crescida quando divide esse segredo com os pais. Por isso, se houver irmãos mais novos, é importante conversar e explicar o quão divertido é acreditar no Pai Natal e fazer surpresas no Natal, lembrar de quanto ele(a) gostava das surpresas e o quão bom seria se os irmãos pudessem também ter isso por mais algum tempo, até serem grandes o suficiente para descobrirem. Assim eles tornam-se cúmplices da tradição – e eles normalmente adoram!

5) Com que idade é “normal” a criança descobrir a verdade?

Em geral, as crianças começam a fazer perguntas e levam muitos Natais até descobrir toda a verdade. Isso dá-se por volta dos 7 anos, podendo variar um pouco para mais ou para menos. Se a criança seguir a acreditar em Pai Natal por muito mais tempo, é importante avaliar se elas estão a ter a oportunidade de estimular esse lado criativo em outros contextos – jogos, filmes, brincadeiras – ou se estão a manter essa ideia como forma de compensar a escassez de recursos criativos em suas vidas. É importante que a criança transite entre os mundos de fantasia e realidade e os pais devem estar sempre atentos a isso. Na dúvida, procure ajuda especializada para orientação.

Perante tanta realidade cruel, poder educar crianças criativas e felizes com base numa história de amor ao próximo e solidariedade, é poder ter a chance de lembrar o que é realmente importante. Se pudermos, ao mesmo tempo, estimular seu desenvolvimento cognitivo e torna-los adultos flexíveis e com capacidade de pensar, porque deveríamos sentir-nos culpados? O Natal é mágico e traz sempre a certeza de um ano melhor – com ou sem Pai Natal.

Por Letícia Machado, coach pessoal e profissional e psicóloga especialista em psicologia hospitalar, com ampla experiência no atendimento à crianças e adolescentes. Atualmente realiza atendimentos na YellowRoad através do coaching infantil e do treino de pais

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