Brincar ao Faz de Conta

O faz de conta permite à criança resolver problemas presentes, mas também passados.

Servir chá às bonecas, brincar aos polícias e ladrões e fazer teatro de fan.oches.

Conversar com o amigo imaginário, trocar de papéis com os pais, fingir ser a personagem de desenhos animados que adoramos, cozinhar com lama,…

Quem nunca? Quem já não observou os mais pequenos a fazê-lo?

Embora manifestando-se de forma diferente, o faz de conta está presente nas crianças de todas as idades. E ainda bem! De facto, ele é fundamental para o crescimento e desenvolvimento da criança aos níveis intelectual, social e motor.

Ao recriar o “mundo real” no seu mundo imaginário, a criança está a compreendê-lo e a assimilá-lo da forma como o apreende. Ao simular situações, está a desenvolver a imaginação, a fantasia, a criatividade.

Ao imitar o polícia, o bombeiro ou outra qualquer profissão, está a assimilar os valores que lhes estão subjacentes e a criar o seu próprio “quadro ético”.

O faz de conta permite à criança resolver problemas presentes, mas também passados. Isto contribui para a aprendizagem da tomada de decisões, reforçando a sua autonomia e sem medo das imposições dos adultos.

A capacidade de planeamento é também reforçada, bem como a assimilação de regras sociais, familiares e/ou escolares que lhe são impostas.

Mesmo a simulação de lutas de faz de conta é muito importante para o desenvolvimento das crianças.

Canaliza a agressividade natural para uma experiência lúdica. E observar uma criança a brincar ao faz de conta é muito enriquecedor. Permite não só conhecê-la melhor, mas perceber como ela interpreta o mundo que a rodeia. Não raramente, permite também tomarmos consciência de como ela nos vê e aos nossos comportamentos.

Todos os pais e educadores deveriam facilitar e incentivar actividades de faz de conta.

Algumas brincadeiras estruturadas são muito importantes, mas fundamental mesmo é deixar a criança brincar livre e naturalmente, participando quando a tal é convidado.

 

 

Desde sempre que o processo de aquisição e desenvolvimento da linguagem tem sido alvo de inúmeros estudos, não fosse a linguagem vista por muitos como “a janela do conhecimento humano”. Muitos foram os que a consideraram como uma capacidade inata. No entanto, actualmente sabe-se que o seu desenvolvimento depende de questões neurobiológicas e sociais, isto é, da interacção entre as características neurobiológicas de cada criança e a qualidade dos estímulos do meio em que está inserida (Mouzinho et al, 2008).

É incrível a capacidade do ser humano de, sem esforço e em apenas 40 meses, evoluir de um simples choro (como forma de comunicar que tem fome) para a frase “Gostava tanto de comer um gelado!”, provida de sofisticação gramatical e pragmática. Embora rápido, é um processo dotado de grande complexidade (Sim-Sim, 1998). Mas afinal, o que é isto da linguagem? Entende-se por linguagem “um sistema complexo e dinâmico de símbolos convencionados, usado em modalidades diversas para [o homem] comunicar e pensar”(A.S.H.A., 1983). Se pensarmos bem, falar implica uma vasta diversidade de processos. Necessitamos de ouvir, processar o que ouvimos, pensar, recorrer a símbolos para expressar o nosso pensamento, escolher as palavras adequadas, construir frases, utilizar de forma correcta os músculos para articular as palavras e ainda regular a capacidade respiratória… E tudo isto numa fracção de segundos.

À semelhança do que sucede no desenvolvimento das outras áreas, também na linguagem o desenvolvimento é gradual e o ritmo não é o mesmo em todas as crianças. No entanto, existem alguns marcos deste processo. Assim:

  • 1/4 meses
    Começa a palrar, produzindo vogais e posteriormente algumas consoantes como p, b, k, g. Reage aos sons e dirige o olhar e/ou cabeça na direcção dos mesmos;
  • 4/6 meses
    Começa a reconhecer o próprio nome e entende quando está a ser chamado. Começa a distinguir os rostos conhecidos dos rostos estranhos. Responde com tons emotivos à voz materna e inicia a fase do balbucio. Produz uma maior variedade de vogais e consoantes, produzindo sílabas do tipo consoante-vogal sem mudar a consoante (por ex: “dudadá”);
  • 6/8 meses
    Começa a fazer jogo vocal, aumenta o reportório de sons e experimenta diferentes combinações de sílabas (por ex: “pabada”);
  • 8/12 meses
    Começa a tentar repetir e imitar tudo o que ouve, desenvolve a sua intenção comunicativa e começa a utilizar um discurso aproximado do real, usando a entoação e um conjunto de sílabas com diferentes funções comunicativas (chamar a atenção, questionar e protestar) e já reconhece algumas palavras do seu quotidiano (por ex: bola; carro; rua; não);
  • 12/18 meses
    Uso repetido do mesmo som para um determinado significado, produz as primeiras palavras, reconhece o nome de pessoas próximas, objectos e partes do corpo, compreende ordens simples (por ex: diz adeus; dá o carro). No final desta etapa, a criança já imita palavras e os sons de objectos e animais e utiliza cerca de 8/10 palavras relacionadas com o seu dia-a-dia;
  • 18/24 meses
    Utiliza uma linguagem simples e directamente ligada às descobertas sensório-motoras, começa a utilizar algumas regras de comunicação (entoação e turnos de comunicação) e recorre a diferentes formas de comunicação não verbal para chamar a atenção (apontar, olhar e tocar). Utiliza a linguagem enquanto brinca, frequentemente fazendo monólogos com uma linguagem própria e de difícil compreensão. Compreende e responde a perguntas simples (por exe: tens fome?; o que é aquilo?), faz pedidos e o seu vocabulário aumenta de forma explosiva.No final desta etapa, surgem as primeiras combinações de palavras, dando origem a um discurso telegráfico (por ex: “João rua”; “João dá”);
  • 24/36 meses
    Compreende cerca de 300 palavras e a cada dia que passa o seu vocabulário aumenta, começa a adquirir regras e padrões básicos da organização da estrutura frásica da linguagem, utiliza frases de duas ou três palavras e começa a generalizar enunciados de três palavras, formando frases na ordem correcta (sujeito/verbo/objecto), como por exemplo “Maria quer água” ou “mãe dá colo”;
  • 3/4 anos
    Utiliza frases mais complexas com 3 ou mais palavras, adquire regras de concordância (número e género), começa a questionar tudo (idade dos “porquê’s”);
  • 4/5 anos
    Expressa-se bem através de um discurso mais complexo, utilizando frases mais elaboradas. A articulação verbal pode ainda não ser totalmente correcta.Embora todo este processo de aquisição e desenvolvimento da linguagem seja natural, podemos e devemos estimulá-lo.
    Como? Proporcionando experiências interactivas mais ricas.
    Eis algumas ideias:

    • Falar e associar alguns gestos do quotidiano (por ex: olá; adeus; vem cá; ali; em cima);
    • Dizer o nome do que está à vossa volta, para que serve e alguma característica observável (por ex.
      cor, tamanho);
    • Descrever as actividades do dia-a-dia, diversificando e adequando o vocabulário;
    • Ler livros e contar histórias;
    • Incentivar o brincar e o cantar;
    • Ir ao teatro ou ao cinema e depois discutir a história.Em síntese: Fale! Fale muito com a sua criança!Se identificar uma criança cujo desenvolvimento da linguagem não esteja de acordo com a sua idade, deverá recomendar uma avaliação em terapia da fala.

 

Por Joana Firmino, Terapeuta da Fala, para Up To Kids®
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Como estimular a organização nas crianças na escola?

Organização e Planeamento é mais uma das competências que consideramos importantes desenvolver desde cedo.

E porquê que é importante organizar e planear? Horários, prazos e obrigações. Se administrar as atividades diárias já não é fácil para os adultos, imagine para as crianças! É a escola, os trabalhos de casa, estudar para os testes, as atividades extra-curriculares, o tempo para brincar…tudo isto vai surgindo na vida das crianças, o que faz com que seja importante organizar e planear!

E mais importante ainda é a colaboração dos pais! A ideia não é que os pais organizem e planeiem pelas crianças. A ideia é ajudar as crianças! É essencial para o seu desenvolvimento, que estas aprendam a lidar com as suas próprias questões pessoais e, assim, construam os seus próprios horários.

Como estimular a organização nas crianças na escola?

O objetivo é, por um lado, consciencializar as crianças para a importância da organização do trabalho e dar-lhes ferramentas simples que possam utilizar, não só na escola mas também, no seu dia-a-dia e assim desenvolver esse hábito.
Estimular a organização e planeamento desde cedo pode ajudar no futuro das crianças. Vai fazer com que eles prossigam os seus sonhos e que os projectos tanto pessoais como profissionais não falhem por falta de organização.
Existem centenas ou milhares de modelos de organização do trabalho ou de planeamento. Não pretendemos que as crianças aprendam a desenvolver planos de negócios. Não queremos isso para as crianças de 30 anos, menos ainda para as de 10.
A melhor forma de desenvolver esta competência nas crianças é desafiá-las a pensar em projetos que gostariam de realizar. Esse projeto pode ser tão simples como criar um sistema de reciclagem em casa, ou mais complexo, como organizar um espectáculo de dança na escola, e que, seja qual for a dimensão desse projecto, a sua concretização será muito mais fácil se o conseguirmos organizar. Organizar um projecto é sobretudo dividi-lo. A divisão é o pó mágico da arte da organização. Sugerimos dividir o projecto, em áreas, dividi-lo por responsáveis, separar os materiais e recursos que vamos precisar e dividi-los em parceiros que poderão ser úteis para a realização do projecto. Depois é só definir uma linha de tempo e prazos para que todas as tarefas estejam concluídas a tempo da realização do projecto. Depois de bem organizado e planeado, é só colocar o projecto em ação.

É, portanto, importante criar hábitos de planeamento para que organizar projectos seja cada vez menos um bicho-de-sete-cabeças. É muito importante ensinar à criança esta competência de organizar as ideias e planear de que forma pode colocá-las em prática. Ser organizado e saber planear não basta para resolver os problemas, mas já ajuda a chegarmos a uma solução mais rapidamente.

Agora deve estar a pensar que isto é difícil, e que organizar e planear é muito complicado e dá muito trabalho!

Não é muito difícil desenvolver e trabalhar esta competência. Basta dar uma tarefa à criança, como arrumar o quarto ou fazer os trabalhos de casa e incentive-a a fazer um plano e a organizar-se antes de partir para a acção. Arranje formas divertidas de o fazer, assim será mais fácil a criança aprender esta competência.

Para empreender eu organizo o meu trabalho!

Por Miriam Silva, para Up To  Kids®
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E porque hoje, é o dia Europeu do Terapeuta da Fala, publicamos um vídeo que tão bem retrata o trabalho diário deste profissional de saúde

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=0onES_nhu-A]
Este vídeo foi elaborado pela nossa associação – APTF e, retrata muito bem o trabalho do TF em todas as suas áreas de intervenção.

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imagem de capa@glbing

As crianças começam a aprender a comunicar desde o nascimento, numa variedade de atitudes, tais como, olhares, gestos e vocalizações. É cada vez mais relevante que pais, professores e educadores estejam atentos ao desenvolvimento da fala e da linguagem, e à sua relação com as dificuldades na aprendizagem. Assim, é muito importante saber como identificar sinais de alerta que poderão ajudar a entender qual a altura certa para fazer o despiste, permitindo assim detetar e agir precocemente em casos que necessitem de intervenção, evitando dificuldades no rendimento escolar e no desenvolvimento psicoafectivo da criança.

O Terapeuta da Fala é o profissional que o pode ajudar no caso de detetar algum destes sinais de alerta e que pode acompanhar os pacientes de todas as idades, que apresentem dificuldades no desenvolvimento da fala e da linguagem. Mas é essencialmente durante a infância e adolescência que a intervenção é necessária. Uma parte muito importante desta intervenção inclui a preparação dos pais para o estímulo das capacidades de comunicação da criança e fundamenta-se no desenvolvimento de atividades no âmbito da prevenção, avaliação e tratamento das perturbações da comunicação humana, abrangendo funções associadas à compreensão/expressão da linguagem oral e escrita e comunicação não verbal.

É importante mencionar que a intervenção apresentará um prognóstico mais favorável quanto mais precocemente for iniciado. Assim, se os seus filhos/educandos/alunos apresentarem um ou mais destes sinais de alerta não hesite em contatar um terapeuta da fala para avaliação.

Principais sinais de alerta

INFÂNCIA

  • Aos 2 anos ainda não falar, produzir frases com duas palavras ou apresentar menos de 50 palavras;
  • Aos 3 anos não produzir frases ou possuir um vocabulário reduzido;
  • Não compreender ordens simples;
  • Omitir/substituir alguns sons da língua portuguesa;
  • Apresentar linguagem muito imatura;
  • Não se mostrar interessado em comunicar com as pessoas;
  • Repetir enunciados sem prosódia imediatamente após ouvir ou algum tempo depois;
  • Falar pelo nariz;
  • Ter mais de 4 anos e gaguejar;
  • Não manter contato ocular;
  • Dificuldades em memorizar canções infantis;
  • Dificuldades em controlar a baba e em deglutir (engolir) alimentos;

IDADE ESCOLAR

  • Omitir/substituir sons ao falar, ler e/ou escrever;
  • Apresentar dificuldades ao ler e escrever;
  • Usar frases incompletas ou com erros gramaticais;
  • Ter dificuldades em compreender/executar ordens simples e/ou complexas;
  • Dificuldades em comunicar com as pessoas;
  • Gritar muito ficando rouco com frequência;
  • Gaguejar por um período superior a 4-6 meses;

Por Ana Dias, Terapeuta da Fala do Crescer com Afecto – Saúde Pais e filhos,
Para Up to Lisbon Kids®

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Tem circulado pela Internet um texto sobre as 11 regras de vida proferidas por Bill Gates num discurso numa escola secundária nos EUA. Diz-se que chegou de Helicóptero entrou na sala, e em menos de 5 minutos, leu as onze notas que teria escrito no seu notebook A plateia teria aplaudido de pé ao longo de 10 minutos sem parar. Bill Gates teria agradecido e abandonado a sala.

Na verdade, essas regras foram escritas por Charles Sykes, autor do livro “50 Rules – Kids Won’t Learn in School”, um educador preocupado em preparar os nossos filhos para um futuro real. Charles Skyes defende que a proteção excessiva das crianças e o ensino politicamente correto normalmente aplicado nas escolas, tem criado uma geração de crianças sem noção da realidade e acredita que devemos prepará-los-los para o fracasso no mundo real.

Transcrevemos aqui as 11 regras de vida (das 50 regras) que Charles Sykes recomenda que ensinemos aos nossos filhos:

  1. A vida não é justa, habitua-te…
  2. O mundo não está preocupado com a tua auto-estima. O mundo espera que alcances objetivos independentemente de te sentires bem ou não contigo próprio.
  3. Não vais ganhar 40 mil €/ano quando acabares o curso. E não vais ser vice-presidente de uma empresa e ter carro de serviço, a não ser que trabalhes para os merecer.
  4. Se achas que o teu professor é mau, espera até teres um chefe. Este sim, não terá pena de ti.
  5. Virar frangos ou hamburgueres nas férias não é nenhuma vergonha. Os teus avós chamavam a esses part-times oportunidades!
  6. Se fizeres asneira e fracassares em qualquer objetivo da tua vida, os teus pais não têm a culpa. Não te queixes dos teus erros, assume-os e aprende com eles.
  7. Antes de nasceres, os teus pais não eram tão chatos como agora. Eles só ficaram assim depois de terem contas por pagar, depois de terem de arrumar o teu quarto e ouvir-te dizer o quão idealista és. Antes de tentares salvar a floresta virgem, experimenta arrumar primeiro o teu quarto.
  8. Na faculdade tentam minimizar as diferenças entre vencedores e perdedores, mas na vida real não é bem assim. Na faculdade dão-te o máximo de oportunidades até conseguires a resposta certa, a nota positiva, o passar de ano. Podes até ter de repetir um ano. Na vida real, se errares és despedido.
  9. A vida não é dividida em semestres. Não terás sempre os Verões livres, e muito poucos (ou nenhuns) empregadores estarão interessados em ajudar-te a “encontrares-te”. Faz isso na idade certa.
  10. O que vês na televisão é completamente diferente daquilo que acontece na vida real. Na vida real, as pessoas têm que sair do café e ir trabalhar.
  11. Sê simpático com os Nerds. Há uma grande hipótese de vires a trabalhar para um deles.

Traduzido e adaptado por Up To Lisbon Kids®. Todos os direitos reservados

O jogo simbólico e a sua importância no Desenvolvimento Infantil

A infância tem uma característica muito forte que é marcada pelo brincar. E é pelo brincar, especialmente pelo jogo simbólico, que a criança pode reviver situações quotidianas. Isto possibilita a compreensão e a reorganização das suas estruturas mentais. Assim, o jogo simbólico é a representação corporal do imaginário. Apesar de predominar a fantasia, a atividade psicomotora exercida acaba por prender a criança à realidade. Na sua imaginação pode modificar a sua vontade usando o “ faz de conta”.

Mas quando expressa corporalmente as atividades, precisa de respeitar a realidade concreta e as relações com o mundo.

Pelo jogo simbólico a criança exercita não só a sua capacidade de pensar (representar simbolicamente as suas ações), mas também as suas habilidades motoras já que ao brincar, salta, corre, ou manipula objetos.

Concluindo, é através do jogo simbólico que a criança cria um mundo imaginário onde representa as suas preocupações e os sentimentos que a incomodam na sua vida real. Dessa forma, a criança consegue exprimir através de brincadeiras algo que não conseguiria exprimir por palavras.

As brincadeiras de faz-de-conta exercem a função de máxima importância no que diz respeito à educação infantil.

Permitem promover à criança um momento único de desenvolvimento, no qual ela exercita a sua imaginação, a capacidade de planear e de fantasiar situações lúdicas.

As crianças começam a brincar ao faz de conta desde muito cedo. Por volta dos 2 anos de idade, as crianças iniciam o seu contacto com esta experiência caracterizado pelo aparecimento da linguagem e da representação. Este é considerado como um dos grandes pilares da infância. É a partir desta idade que passam a dar mais importância aos seus pares. Este tipo de brincadeira em grupo implica existir negociação entre as crianças. Ou seja, saber brincar com os outros, brincar sobre a mesma temática, acordar papéis e ações entre eles.

Outra das características do jogo simbólico é poder alterar a sua identidade.

Poder interpretar uma personagem sendo normalmente um adulto próximo, ou uma figura de fantasia. Assim se proporcina a aquisição de novas competências. Porque ao fantasiar estas personagens a criança consegue criar situações imaginárias.

A criança tem a capacidade de a partir de vulgares objetos criar algo diferente. Por exemplo, um simples prato transforma-se num volante de um carro. Assim, a atividade de brincar pode ajudar a passar de ações concretas para ações com outros significados, avançando em direção ao pensamento abstrato.

Nas aulas de Play & Learn no Gymboree Play & Music, o brincar ao faz de conta é feito a partir dos 22 meses, quando a criança demonstra o seu interesse no jogo simbólico. Fazer atividades com temáticas específicas tais como, “um dia na quinta”, ajuda a desenvolver a sua habilidade para estabelecer relações lógicas entre ideias e as suas capacidades de raciocínio mais complexas que são necessárias para as competências de leitura, matemática e ciência. Como as aulas são em grupo, as atividades encorajaram diversos momentos de interação social e de cooperação com os pares.

Possibilita à criança aprender a estar e a lidar com os outros, sendo fundamental para fazer amizades e para um bom funcionamento futuro.

Por Susana Cardoso – Professora Gymboree
Para Up To Lisbon Kids

São inúmeros os estudos que têm sido realizados ao longo dos anos no sentido de melhor compreender a importância do brincar para o desenvolvimento global do ser humano. Será, de facto, tão fundamental a brincadeira para o crescimento adequado das nossas crianças?

Considera-se brincar toda a atividade que pressupõe divertimento e espontaneidade, realizada sem um fim intrínseco. É uma das formas mais comuns do comportamento humano, essencial para o desenvolvimento do individuo, sobretudo durante a infância.

As atividades lúdicas pressupõem a vivência do prazer de agir e de representar. Estas atividades podem ser brincadeiras livres, jogos, trabalhos manuais, atividades rítmicas, entre outras. Correspondem a momentos de encontro entre fantasia e realidade, diversão e aprendizagem. Na atividade lúdica, o que importa não é somente o produto da atividade, mas o processo experienciado, que possibilita a quem o vivencia momentos de encontro consigo e com o outro. O ato de brincar é fundamental para a formação do indivíduo.

Ao brincar, a criança, de forma lúdica, vai-se apropriando da realidade, estabelecendo as suas relações sociais e utilizando toda a sua corporeidade, nas suas dimensões motora, cognitiva e afetiva.

Experimenta, assim, novas situações, desafios e aventuras. No espaço lúdico formam-se conhecimentos, adquirem-se valores, aprendem-se limites, testam-se capacidades físicas, superam-se medos, adquire-se confiança, ganha-se resistência à frustração, desenvolve-se a autoestima, aperfeiçoa-se a linguagem não-verbal e verbal.

Brincando, aprende-se a conviver, a partilhar, a cooperar, a competir, a liderar, a ganhar ou a perder.

Brincar não é apenas uma dinâmica interna da criança, mas uma atividade dotada de um significado social que necessita de aprendizagem. É através do brincar que a criança consegue adquirir conhecimentos, superar limitações e desenvolver-se como indivíduo. As atividades como os jogos são cada vez mais consideradas estratégias didáticas, facilitadoras da aprendizagem, sendo frequentemente planeadas e orientadas por profissionais ou adultos. As atividades lúdicas que visam a aprendizagem proporcionam à criança a construção de algum tipo de conhecimento ou o desenvolvimento de alguma habilidade. O lúdico enquanto recurso na aprendizagem deve ser encarado de forma séria, competente e responsável. É importante que o adulto brinque com a criança, a fim de a conduzir a um maior número de aprendizagens, quer cognitivas, quer psicomotoras. Estes momentos são também ocasiões privilegiadas de interação entre pais e filhos, em que de forma descontraída e prazerosa são estreitados laços.

Considerando-se a sua importância na aprendizagem, brincar favorece o pleno desenvolvimento das potencialidades criativas das crianças, a partir das suas formas próprias de sentir, pensar e agir. Consequentemente, revela-se primordial estabelecer uma aliança entre o brincar e o processo interativo de aprendizagem, tornando a criança mais ativa e participativa neste processo. Os tipos e formas de brincadeira deverão estar direcionados para a idade, etapa de desenvolvimento e necessidades de cada criança. Brincar é uma atividade fundamental para o desenvolvimento da identidade e da autonomia da criança.

No Gymboree utiliza-se a brincadeira como forma de aprendizagem lúdica e criativa, adaptada à idade e interesses da criança, proporcionando-lhe a possibilidade de desenvolver amplamente as suas potencialidades motoras, sócio-emocionais e cognitivas.

Por Francisca Diogo, Gymboree Play & Music Carnaxide
para Up To Lisbon Kids

Muitas das crianças hoje em dia têm dificuldades em puxar pela criatividade e encontrar temas sobre os quais brincar, escrever, desenhar ou falar. Noto isso diariamente, seja em crianças que frequentam o 1º e 2º Ciclo, ou até adolescentes.

Isto pode dever-se ao excesso de estímulo visual dos jogos, da televisão, e até dos próprios brinquedos. Os brinquedos actuais não dão grande margem para imaginar para além do que ali está.

Antigamente pegávamos num ramo de uma árvore e construíamos uma fisga, ou uma varinha mágica, ou construíamos uma casa em lego e imaginávamos as diferentes divisões, onde seria a cama, a mesa, e até as portas.

Hoje em dia os brinquedos já vêm com todas estas partes incluídas, que nos dão espaço para a construção, mas pouco para a imaginação do contexto e do brinquedo em si.

As bonecas e todos os brinquedos são incontáveis, com vestidos elaborados, pormenores físicos em detalhe e todos os acessórios necessários à disposição.

Quem é que ainda faz vestidos para as suas bonecas?

Quem é que ainda faz casinhas com paus ou ramos, ou panos a fingir de tendas para brincar aos índios?

Quem é que ainda recorta caixas de cartão, usa revistas velhas ou faz uma papa de terra e folhinhas para fingir que é uma bela sopa?

Quem é que prefere inventar estas brincadeiras em vez de brincar com os brinquedos que já estão feitos?

Tenho a certeza que há muitas crianças que gostariam de o fazer, e algumas provavelmente já o fazem. No entanto, quando chega à parte da imaginação, muitas delas têm dificuldade em desenvolver um tema específico.

E isto torna-se muito evidente em contexto escolar.

Hoje proponho a realização de duas actividades muito simples, em que podemos utilizar um brinquedo ou objecto, ou simplesmente puxar pela imaginação sem nenhum suporte.

São duas actividades que estimulam a criatividade e ao mesmo tempo desviam o pensamento de pormenores que podem estar a influenciar de forma negativa o dia-a-dia, ou podem mesmo reflectir a emoção ou pensamento da criança numa determinada altura:

  1.  Pedir à criança que pense num local que seja sinónimo de tranquilidade e segurança para si. Depois pedimos para fechar os olhos e imaginar que se encontra nesse local (ex: a praia, o campo, a escola, casa, etc). O pensamento positivo pode ser explorado “até à exaustão”. Isto é, como se sente nessa altura (física e emocionalmente), o que tem vestido, com quem está, quais são os sons que ouve, as formas e cores que vê, o que sente na pele (o que consegue tocar com as mãos ou os pés, se está frio ou calor…), os cheiros à sua volta, se consegue saborear alguma coisa. O objectivo é redireccionar os cinco sentidos para um momento de relaxamento e criatividade, para que a criança perceba que pode imaginar aquilo que quiser dentro da sua cabeça, sendo o pensamento um momento só seu. Os detalhes não precisam de ser verbalizados pela criança, mas a orientação do adulto neste tipo de tarefa é importante.
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  2. De seguida podemos experimentar ir um pouco mais longe. Vamos pegar numa imagem ou objecto simples (por exemplo uma maçã, uma goma, um desenho de um animal, ou uma planta, uma paisagem, ou uma pessoa) e criar/ contar uma história a partir da mesma. As perguntas podem ser várias, sendo o objectivo, a criação de uma história original. Podemos pedir para pensar no nome da personagem ou objecto, quantos anos tem, onde vive, a quem pertence, o que gosta de fazer, o que come, o que bebe, quem são os seus amigos, se anda na escola, o que esteve a fazer antes e o que irá fazer a seguir, o que está ali a fazer, em que estação do ano está… Enfim, todas as perguntas possíveis que permitam criar um ambiente que rodeie aquela imagem ou objecto. Podemos no final sugerir um desenho que envolva a imagem/objecto, tendo em conta os pormenores que foram dados.

Ao realizar estas actividades simples, estamos a promover a criatividade na criança, a vontade e o desejo de imaginar para além do que lhe é imposto diariamente.

Este ou outro tipo de brincadeira pode ser muito útil para tarefas futuras, em que a criança deve puxar pela imaginação para escrever uma história ou simplesmente para brincar num mundo que é só seu.

Todos os pais estão convidados a experimentar fazer o mesmo para si próprios.

Todos os pais estão convidados a voltar ao seu tempo de infância, a dar largas à imaginação e a brincar com os seus filhos de forma livre e descontraída.

Vamos ver como se sentem no final.

Afinal, o exemplo é o melhor caminho para a educação!

imagem@institutoinsight

Muito se tem falado e estudado, nos anos mais recentes, sobre a estimulação precoce e sobre o desenvolvimento infantil. Contudo, será a estimulação um tema assim tão importante?

Quando falamos em estimulação falamos, sobretudo, na criação de condições facilitadoras para a aquisição de determinadas competências, de modo a evitar ou minimizar atrasos no desenvolvimento global, ou simplesmente para que a criança adquira as suas competências na sua totalidade e da forma mais plena. Por outro lado, a falta de estimulação pode ter efeitos muito nefastos para o desenvolvimento, podendo resultar até mesmo na não aquisição de competências fundamentais.

Para contextualizar, percebamos que o desenvolvimento está dependente não apenas das potencialidades, como também de processos pré-determinados, que devem ter o seu surgimento naquilo a que chamamos de “períodos críticos”. Estes referem-se ao período ideal para a aquisição de determinada competência; por exemplo, o bebé tem o instinto de sucção ao nascimento, mas apenas passa pela aquisição da marcha perto dos 12 meses de vida. Ambos os conceitos estão relacionados, pois um pode levar ao outro, isto é, as potencialidades da criança podem ser reforçadas por serem estimuladas nos seus períodos críticos, de modo a que todos os parâmetros do desenvolvimento (motor, cognitivo, afectivo, emocional, social) sejam adquiridos no período em que estas competências estão prontas a atingir o seu potencial máximo.

Hoje em dia, já estamos longe da teoria do The Alarm Clock Theory, na qual se acreditava que nascíamos com um despertador biológico, que acordava as nossas competências no tempo certo, sem a necessidade de estimulação. Muito pelo contrário, hoje sabemos que o cérebro necessita de estímulos e que a privação desses estímulos poderá trazer dificuldades específicas em áreas fundamentais.

Competências como a motricidade fina (que permite que a criança, com o tempo, aprenda a pegar na colher para comer sozinha, e, no futuro, é esta a competência que a vai permitir pegar numa caneta da forma correcta, de modo a poder escrever, desenhar e pintar) a resolução de problemas, a aquisição da linguagem e a percepção visual (não só a própria competência visual, como também a atenção e a memória) são competências que o bebé e a criança só adquirem através da aprendizagem, que surge pela estimulação. Outro exemplo de uma competência fundamental é o gatinhar ou o arrastar-se, nos bebés antes da aquisição da marcha. Esta é uma competência fundamental do desenvolvimento motor, que, se não for atingida no seu período crítico, pode ter consequências negativas ao nível da leitura ou da visão (pois o cérebro não formou as conexões necessárias para a aquisição da competência do gatinhar, as quais são necessárias para a aquisição de outras competências futuras).

Não menos importante, é necessário levar em consideração que cada criança tem o seu próprio ritmo de desenvolvimento e que nem todas as crianças adquirem as competências com a mesma idade. Até porque, quando uma competência se está a desenvolver, por regra uma outra está “à espera da sua vez”. Seja como for, a criança desenvolve-se, na sua natureza, pelo exemplo. Ela vê e quer imitar. Para exemplificar, questione-se: seria possível uma criança aprender a falar, se nunca tivesse ouvido palavras? Provavelmente, balbuciaria sons, mas falaria com intenção?

Assim, a melhor forma de estimular o seu filho é por ser o seu melhor modelo.

Para que ele fale e converse, seja o primeiro a conversar com ele. Para que ele brinque, seja o primeiro a brincar com ele. Para que ele aja com um objectivo e intenção, mostre-lhe que também o faz intencionalmente e por um motivo. Para que ele seja equilibrado e calmo, estabeleça rotinas saudáveis.

Assim, percebemos que, quanto mais estímulos recebidos, mais sinapses o cérebro fará e, por sua vez, quanto mais sinapses, mais inteligente será o bebé, a criança e o futuro adulto. Sim: os pais podem contribuir para que os seus filhos sejam mais inteligentes.

As relações e as experiências que ocorrem nos primeiros anos de vida têm um grande impacto no futuro da criança, pois o cérebro está mais activo nos primeiros três anos, nos quais crescerá até 80% do seu tamanho adulto. É, assim, fundamental que os pais e cuidadores promovam o desenvolvimento da criança durante esta fase.

 

Por Cláudia Machado, Psicomotricista, Professora Gymboree

 

O programa de aprendizagem do Gymboree é um meio por excelência para apoiar este desenvolvimento. Com mais de 30 anos de experiência, este programa centra-se na criança como um todo, com o objectivo de as ajudar a adquirir as competências chave – capacidades motoras, sociais e de auto-estima – de que irão necessitar para se tornarem adultos confiantes, felizes e bem-sucedidos. Lembre-se: o responsável pela estimulação do seu filho é você mesmo, e é em casa que tudo começa. Brincar é a melhor forma de pesquisa e, enquanto o seu pequenote estiver motivado, ele estará a aprender.

“Never forget that when you are giving a child visual, auditory, and tactile stimulation with increased frequency, intensity, and duration that you are actually physically growing his brain.

How does the brain grow? The brain grows by use. Just like the biceps, the brain grows by use. Those who use their biceps very little have small, undeveloped, weak biceps. Those who use their biceps an extraordinary amount have extraordinary biceps. There is no other possibility. The same is true of the brain, because the brain grows by use.” [Glenn Doman]