Muito se tem falado e escrito sobre a relação pais-filhos, no entanto, pouco ainda se sabe e se estudou, até ao momento, sobre as relações entre irmãos e nomeadamente sobre a influência dos mais velhos no crescimento e desenvolvimento físico e psíquico dos mais novos.

Será que existe uma influência? Qual será o papel dos irmãos mais velhos no crescimento dos irmãos mais novos? Em que se manifesta esta influência? É uma influência positiva ou negativa?

As relações dos irmãos são marcadas por vínculos e emoções fortes, como a amizade, a cumplicidade e/ou zangas e rivalidades. Estas relações são marcadas por diferenças individuais de personalidade e pela diferença de idades. Sendo reguladas e mediadas pelos pais, principais modelos de referência e a quem cabe o importante papel da educação, as relações entre irmãos, parecem constituir um lugar protegido e seguro, para aprender a interagir com outras crianças, aprender formas construtivas de resolver desacordos e problemas e a regular emoções positivas e negativas.

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Os irmãos mais velhos, são muitas vezes cuidadores, figuras de suporte e amigos e as relações que estabelecem com os irmãos mais novos, são mediadas pela socialização, por comportamentos de ajuda em diferentes tipos de tarefas, por actividades de cooperação e por brincadeiras e desafios que proporcionam o desenvolvimento cognitivo, social, emocional e físico.

Assim, embora muitas vezes estas relações, sejam verdadeiros desafios e por vezes, verdadeiros testes à paciência dos pais, estes devem proporcionar, desde o início, uma relação favorável entre irmãos, devendo estimular a relação, o respeito mútuo, a cooperação e a habilidade para resolver problemas.

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Termino, com o testemunho de 3 mães e também irmãs:

Carolina, 32 anos. | Irmã de dois rapazes  | Mãe de uma rapariga e de dois rapazes
“Os irmãos mais velhos “puxam” pelos mais novos. São modelos, são heróis, são mais fortes e mais capazes aos olhos dos mais novos.
Os mais novos seguem os mais velhos, vão atrás deles para brincar, seguem-nos com o olhar e correm para os apanhar, mas também lhes “roubam” os brinquedos e destroem as construções de legos.
Os irmãos são companheiros inseparáveis mas por vezes querem mesmo estar separados:)
A Leonor que é a mais velha diz muitas vezes que não quer os rapazes no quarto dela porque desarrumam tudo, mas outras vezes quer partilhar brincadeiras com o mais novo e tem paciência para emprestar brinquedos e dar-lhe sugestões de brincadeiras: “Olha leva os copinhos da Nô e faz um chá…”.
E também pede ao do meio para brincar com ela. Nesta fase em que estamos, a Leonor e o Miguel brincam mais juntos e o Francisco assalta as brincadeiras deles ou vai andando pela casa atrás da mãe:)
Os mais velhos podem ajudar os mais novos a superar dificuldades ou a desmistificar algum medo”.

Sofia, 30 anos. | Irmã de duas gémeas. | Mãe de três raparigas.
“Ter irmãos é o melhor do mundo! Crescer numa casa cheia ajuda-nos a aprender a viver com pessoas com feitios diferentes e até gostos! Há sempre alguém para brincar, para partilhar, para aprender ou ensinar, para emprestar coisas, para ajudar, para embirrar, para defender, para chatear, para dormir agarradinhos, para cantar em coro, para ter cumplicidades imensas… Ter segredos que os pais não podem saber! Ter irmãos é partilhar uma vida, uma casa e dividir as melhores memórias da infância!”

Margarida, 33 anos. | Irmã de dois rapazes. | Mãe de um rapaz e duas raparigas.
“Ter irmãos-mais-velhos…
Para além de ser o melhor presente que os Pais podem dar aos seus filhos, ter irmãos (ou irmãs) mais velhos é ter sempre, e para sempre, com quem partilhar – alegrias e tristezas, brincadeiras e birras, saltos na cama e quedas de bicicleta, bolachas e brócolos! Contas feitas, os nossos irmãos (mais velhos ou mais novos) são os nosso primeiros melhores-amigos e aqueles que nos ensinam o que é o Amor”.

Afinal como diz o filósofo Agostinho da Silva:

Ninguém reprovará o seu irmão por ele ser o que é; mas com paciência e persistência, com inteligência e com amor; procurará levá-lo ao nível mais alto”

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A importância de ter irmãos mais velhos! ? #uptohappykids www.uptokids.pt

Um vídeo publicado por Up to Kids (@uptokids) a

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Num ensaio geral antevemos tudo ao pormenor para que nada falhe. Temos ainda a possibilidade de corrigir o que achamos que podia ser melhor. Se estivermos num palco a contracenar com outras personagens sabemos de antemão o que nos vão dizer, como vão reagir, o que vai acontecer. Se a cena for romântica, sabemos se somos ou não correspondidos, não vão surgir surpresas de maior, não vamos perder o controlo sobre o desenrolar dos acontecimentos e apenas temos que ser exigentes ao nível da atuação, da representação que se pretende que seja o mais realista possível.

Se a cena for dramática, sabemos exatamente se teremos que rir ou chorar, se teremos que gritar ou mostrar raiva ou angústia. O ensaio geral serve também para controlar os tempos de reação, de resposta, serve para dar ritmo ao discurso e ao curso dos acontecimentos e das cenas. Serve para testar o som, a luz e a posição de cada ator em palco.

Se transpusermos isto para a vida real, não controlamos quase nada!

Não conseguimos antever a resposta face a uma frase nossa, não sabemos como é que a pessoa que está à nossa frente vai reagir. Se vai rir, se vai chorar, se vai virar costas, se nos vai abraçar; não como num ensaio geral.

A luz também vai variar com o tempo lá fora, que não controlamos.

O som vai chegar de onde menos esperamos, ou o silêncio que nem sempre gerimos bem.

Muitas vezes vivemos a tentar fazer dos dias um ensaio geral.

Tentamos controlar tudo e não arriscamos para além daquilo que é previsível.

Adiamos vontades arranjando desculpas sem fim, só para termos a certeza de que tudo vai acontecer como achamos que deve ser.

Invariavelmente apontamos o dedo a quem “sai” deste ensaio, a quem se atreve, a quem arrisca. No fundo guardamos um sentimento de inveja secreto e inquieto, pois também nós gostaríamos de arriscar e de sair da nossa zona de conforto.

Nas relações amorosas observamos quem vive e quem sobrevive – em cima de um palco estável mas pouco estimulante.

A vida é o aqui e o agora, segundos que quando lemos já passaram e que não voltam.

Se quisermos tirar partido da vida temos que ultrapassar-nos a nós próprios. Temos que nos permitir “voar”, fazer o impensável, entregar-nos ao que chega, sempre que se mostrar positivo e bom. Temos que sair do sofá, sair de casa, sentir, ouvir e olhar com todos os sentidos em alerta e acreditarmos que a vida é rara!

A vida não é, definitivamente um ensaio geral.

LER TAMBÉM…

Nunca te culpes por fazeres a escolha certa

Respira fundo, tu consegues

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Os Direitos dos Casais. De Todos os casais

Todos os casais têm direito a se apaixonarem. Pelo menos, uma vez por semana com direito a borboletas na barriga e olhares cruzados;

Os casais têm direito a se desapaixonarem. Porque o amor segura e ampara no colo a desilusão de não ser o que estávamos à espera;

Os casais têm direito a dormir em conchinha. A tomar banho de espuma e a ousar fazer cafuné sem competir quem fez pela última vez;

Os casais têm direito ao sofá de domingo à tarde (ou à noite quando os filhos têm direito ao sofá da tarde) e a ver filmes com pipocas doces e salgadas porque normalmente todos os elementos de todos os casais têm direito a gostar de sabores diferentes nas pipocas;

Os casais têm direito à lua, ao pôr-do-sol, à estrela mais brilhante e ao “amo-te” mais profundo e genuíno;

Todos os casais têm direito à crise. Porque a crise traz mudança e porque a mudança é terapêutica e os casais têm direito à terapia se apoiar na mudança e se devolver aos casais os seus direitos;

Os casais têm direito aos abraços. Daqueles tão íntimos que, pele com pele, se tornam em amaços e se prolongarem mais um bocadinho se transformam naquela doce e terna energia que nos devolve a esperança;

Os casais têm direito a serem damas e vagabundos, todos os casais têm direito à sua própria música e ao nome gravado na árvore do parque (ou na carteira da escola…);

Todos os casais têm direito a serem os melhores amigos, daqueles que têm privilégios mas que nos momentos mais difíceis estão presentes, incondicionalmente, sem atrasos, patrões ou trânsito na 2ª circular;

Os casais têm direito a ficar juntos, se essa soma contribuir para a felicidade das partes. Se não, todos os casais têm o direito de se respeitarem nas decisões das partes para que o todo seja feliz;

Os casais têm direito a uma dança;

Todos os casais têm direito a uma contra-dança;

Os casais têm direito ao euromilhões afetivo. A ganhar jackpots de beijos e a serem milionários do amor. Porque os casais têm direito a todos os dias lutarem para que os seus direitos sejam libertados em balões vermelhos sob forma de coração. Porque no final das contas, todos os casais têm direito a apontar direito para o coração.

 

Por Dr.ª Lúcia Paço, Psicóloga e Terapeuta Familiar e de Casal

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Mensagem que deixei ao meu filho adolescente na noite de Natal:

Querido filho:

Os preparativos para o natal tornaram mais claro e difícil que alguma coisa não anda bem entre nós. Fica descansado, hoje não vou falar das notas, da tua preguiça para levantar, nem do quarto desarrumado. Posso bem com a tua oposição às minhas reclamações, e até já aprendi a divertir-me com as tuas respostas em forma de suspiro controlado.

É mais grave.

Estamos distantes como nunca, e por mais que tente, parece que não consigo ligar-me a ti como dantes. Tu sabes que é verdade.

Quando te contar como tentei resolver isto na minha cabeça, vais odiar-me: ando tão preocupada, que pedi ajuda a literalmente todas as pessoas com filhos da tua idade que conheço. Sim, a alguns pais dos teus amigos, já deves estar a imaginar quem são.

Parece que te estou a ver a ler isto, e a mergulhar repentinamente a testa no travesseiro – sobreviverás. Não esperava deles uma cura milagrosa para o meu problema, contava sim com alguma sugestão que me surpreendesse, uma estratégia que tivesse resultado com eles e que eu pudesse replicar, para errar menos contigo. Mas nada, nenhum foi capaz de me ajudar na medida que eu precisava. Custa-me aceitar que os conselhos que me deram sejam tudo o que podemos fazer por nós: conformar-me  que na tua idade é assim mesmo, que te devo deixar estar alheado da tua relação comigo enquanto durar, e que por tempo indefinido possamos somente conversar de assuntos puramente funcionais – a que horas é que te vou buscar; se as calças que tu mais gostas já estão prontas; ou se tu achas que estar frente ao computador até de madrugada é normal.

Não me parece mesmo que a opção dar tempo ao tempo vá funcionar, e não é por detestar frases feitas.

Não gosto, acho perigoso ter com o meu filho uma relação de improviso, nem que seja a prazo. E porque há qualquer coisa que me diz que esperar que sejas tu a dar o primeiro passo é o mesmo que aumentar este intervalo vazio que aconteceu nas nossas vidas, pus tudo no papel, tal como fazia na escola antes dos testes, mas com muito mais cuidado. Tive mil cuidados, filho, para vermos se isto resulta melhor entre nós. Quem dera poder dizer-to, em vez de escrever, mas não consigo.

Vais pensar que não tem nada a ver, mas faço analogias muito óbvias entre ter que colocar este papel debaixo da tua almofada e a nossa vida quotidiana, porque parece que andamos mesmo a jogar às escondidas.

Sei que já não és uma criança, nem desejo que voltes a sê-lo, garanto-te. Deves pensar que o meu desejo é agarrar-te por debaixo dos braços e fazer círculos com o teu corpo pelo ar a grande velocidade, como quando eras pequeno. Nem penses, serias demasiado pesado. Mas já pensaste como estabelecemos tão pouco contacto físico? Podes abraçar-me de vez em quando, não te vou levantar a camisola da barriga e começar a fazer um alarido de sons com a minha boca, na tua pele arrepiada. Podes deitar a tua cabeça no meu colo quando estivermos no sofá, bem sei que perdi os teus caracóis de criança para a cera modeladora. Posso quando muito dar-te um beijo na testa, daqueles que já não te dou há meses, porque já nem sei como fazer para chegar a ti, sem que sintamos algum desconforto.

Agora compreendo porque cometi um erro em procurar ajuda junto dos pais dos teus amigos.

Tu não és o filho deles, tu és o meu filho, uma fusão da educação que te dei e da tua vontade. Demorei muito tempo a perceber isso porque temia a resposta, mas agora estou pronta.

Vá, podes dizer-me que começaste a caminhar com apoio nas minhas pernas. Que fui eu quem te ensinou a tomar banho sozinho e a apertar os cordões aos sapatos. Que fiz de conta que as tuas braçadeiras preferidas estavam furadas, só para que aprendesses a nadar com a minha mão insegura na tua cintura. Explica como não só não me arrependi disso, como ainda te contei que o fiz, alguns anos depois. Havemos de rir. Vais falar-me daquele aniversário em que te ofereci uma viagem a Londres para melhorares o inglês. A tua cara de alegria a rodopiar para espanto, quando eu disse que não ia contigo, porque já te achava capaz de ires sozinho, motivou a maior gargalhada familiar de que há memória.

Vais perguntar-me porquê, filho.

Porque foi que passei a vida toda a dizer que os miúdos não nos pertencem e que os geramos para oferecer ao mundo, preparados com o melhor que lhe pudermos ensinar. Porque estou  agora a reclamar daquilo que eu sempre procurei desenvolver em ti?

Eu não sabia que ia ser tão difícil, e é-me muito difícil explicar. O tempo passou depressa demais, tu cresceste com ele, e já não precisas de mim para planear as tuas conquistas. Eu sei, nada me deves, nem posso cobrar-te. Por isso, se devolveres outra vez este papel ao lugar entre o lençol e o travesseiro, prometo acreditar que não reparaste, não leste, nunca soubeste.

E continuarei a aprender o mundo sem ti, o melhor que puderes ensinar-me.

Mãe.

 

Resposta em  “Carta do meu filho adolescente em resposta à minha mensagem”

imagem@digistar

 

Não é fácil ter filhos gémeos. É muito o trabalho que dá (costumo dizer que é bem mais que o dobro de ter dois filhos), muitas noites sem dormir, pouco tempo livre, e muito, muito cansaço! Com o cansaço, a disposição mental torna-se diferente, começa a existir menos paciencia, menos discernimento, e isso aumenta a probabilidade de discussões e conflitos. Mas é possível sobreviver! Para que as coisas resultem, se mantenham saudáveis e a felicidade esteja constantemente presente, ca vao as nossas dicas:

– Criar rotinas. Costuma-se dizer que a rotina não faz bem a um casal… Mas numa vida familiar com gémeos, acho que a rotina é fundamental! So assim as Marias conseguiram ganhar bons hábitos, e ter horários que nos permitam ter tempo para nós próprios. Deitarem cedo e acordarem cedo é fundamental (se bem que fugir à rotina de vez em quando sabe taaaaao bem… 😉 )

– Organizarmo-nos muito bem! São muitas as tarefas, e é muito importante que tudo esteja bem planeado e organizado, e que cada um de nós saiba muito bem quais as suas tarefas. Poupa-se muito tempo se assim for.

– Sermos práticos, e preocupar-nos apenas com o que verdadeiramente interessa. No nosso dia-a-dia damos atenção a muita coisa que não vale a pena, e que nos ocupa muito tempo. Com gémeas, o tempo é pouco, e começamos a tornar-nos bem mais práticos e a focar-nos apenas no essencial, no que verdadeiramente interessa.

– Cuidar de nós! Ter tempo para nós é fundamental! Se todas as dicas anteriores nos permitem ganhar um pouco de tempo, é muito importante saber onde o utilizar. Cuidar de nós é importante, mantermos aquela actividade de que tanto gostamos e que nos faz tão bem ao espírito e à mente, nem que para isso nos tenhamos que organizar muito bem e por vezes fazer algum esforço extra.

– Cuidar do outro! Se cuidar de nós é muito importante, cuidar do outro é mais importante ainda! E se gostamos de manter aquela actividade importante que gostamos, o outro também o quererá fazer, e só se ambos se esforçarem por isso será possível. Mais, é importante mimar constantemente o outro, fazer-lhe surpresas, dar-lhe mimos! Por vezes, apenas o preparar-lhe um banhinho quente e relaxante já pode fazer toda a diferença, e muitas vezes não é necessário mais que isso

– Ter tempo para namorar! Sim, este ponto é mesmo muito, muito importante! Os avós e outras ajudas são fundamentais neste ponto! Sair, namorar, passear, mimar-nos!Marias2

– Estar presente! Simplesmente isso, estar presente, com tudo o que isso significa. Estar lá para a nossa mulher e filhas, sem distrações. Ouvi-las, dar-lhes atenção, brincar, ensinar, aprender, amar!

– Ter tempo para uma filha, e ter tempo para a outra, em separado!!! A atenção que damos às nossas filhas, é uma atenção partilhada. Mas por vezes é importante estarmos apenas com uma das nossas filhas, sem a presença da outra. Assim, naquele momento, aquela filha recebe a nossa atenção a 100%, por inteiro, sem nenhum tipo de distrações! Acreditem que ela dará muito, muito valor a esses momentos!

– Amar e ter orgulho no nosso parceiro/a. A pessoa que nos acompanha nesta aventura será sempre o nosso maior apoio. Será com ela que partilharemos tudo, as coisas boas e as menos boas! Será sempre ela a nossa maior fonte de energia e inspiração. Uma vida a quatro, proporciona momentos de alegria indescritível, e proporciona um Amor e Admiração crescentes, todos os dias, cada vez mais e mais e mais!!!!!

– Amar e ter orgulho nos nossos filhos! Eles são o melhor de nós! E é tão fácil amá-los!!! Apesar do esforço e cansaço que implica ter gémeas, o Amor, a calma, a tranquilidade e a paz que nos transmitem é tão, mas tão grande! E é tão gratificante ver um sorriso deles. Todos os pais compreenderão de certeza aquilo que digo.

– Ter paciência! Em muitos momentos (quando tentamos dar-lhes comida e elas não querem, quando teimam em não dormir apesar de já serem 2 ou 3 da manhã e nós estarmos completamente esgotados, quando acordam às 4 ou 5 da manhã e não querem voltar a dormir, etc) o desespero quererá tomar conta de nós. Em todos esses momentos, a paciência é talvez a maior virtude que podemos ter.

– E finalmente, ter a noção de que, por muito que tentemos, haverá sempre momentos em que as coisas não correrão tão bem, em que o cansaço será muito, e a paciência pouca… Nesses momentos, devemos pensar em tudo o que de bom temos! A nossa família é o nosso maior tesouro! Devemos ser gratos por tudo o que a nossa família nos dá! A minha mulher e as minhas filhas são quem mais me ensina, quem mais me mima, quem mais me dá, quem mais me inspira, e acima de tudo, quem mais me obriga a ser melhor pessoa, a cada momento!

Se é cansativo ter gémeas, é, mas não o trocaria por nada deste mundo!!!!!

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Há uns dias foi aceite em Portugal a adopção por casais do mesmo sexo e, assim, o ato hoje reconhecido é uma grande vitória  da luta dos casais homossexuais pela conquista de direitos iguais. O desejo de constituir uma família é o desejo de muitas pessoas e não limitá-lo à orientação sexual é um passo em direção ao futuro.

Mas, por preconceito ou mesmo por curiosidade começam a surgir perguntas sobre o que acontece com crianças que nascem e/ou crescem em famílias de casais do mesmo sexo. A resposta não pode ser generalizada – assim como não podemos generalizar todas as outras famílias – mas existem alguns pontos que podem ajudar a elucidar a questão.

Famílias Homoafetivas – A saber: dúvidas sobre filhos de casais do mesmo sexo

1 – As crianças serão homossexuais?

É claro que não se pode afirmar com certeza, mas assim como casais héteros podem ter filhos que mais tarde se revelem homossexuais, nos casais de mesmo sexo as crianças não estão destinadas a serem gays. Aliás, estudos apontam que crianças que crescem em famílias do mesmo sexo são em sua maioria heterossexuais e tendem a ter maior tolerância e compreensão em relação às diferenças[1], fator esse positivo e preditor de inteligência emocional – essencial para dar conta das dificuldades na vida adulta.

2 – Essas crianças sofrerão bullying?

O bullying homofóbico é uma realidade em Portugal [2] e é provável que essas crianças sofram preconceito de alguma forma. Mas isso não as torna diferentes das outras crianças. Vale lembrar que os filhos de casais héteros também sofrem bullying. As crianças podem ser cruéis ao julgar e ridicularizar os colegas pelo cabelo, pelo peso, pela roupa, pelas sapatilhas, pelos óculos e, também, nesse caso, pela família. Cabe aos casais homossexuais orientar os filhos no sentido de que se protejam contra essas agressões, assim como cabe aos casais heterossexuais orientar seus filhos em relação a qualquer preconceito que venham a sofrer dos seus pares. Ainda, é preciso, independente da configuração familiar, trabalhar no sentido de orientar as crianças a aceitar as diferenças e tolerá-las. Somente esse movimento fará com que as agressões e as consequências emocionais geradas diminuam de forma considerável.

3 – Como identificam quem é o pai e quem é a mãe?

Nesse sentido entra outra questão importante: Não ter um pai ou não ter uma mãe é grave? Não, não é grave. Uma criança criada por um casal homossexual terá dois pais ou duas mães, mas isso não é um problema do ponto de vista psicológico. Afinal, há uma série de configurações familiares diferentes por aí – de mães solteiras, de avós a criar netos, de pai viúvo, etc – e não necessariamente a criança terá um prejuízo qualquer. É importante que a criança tenha contacto com pessoas dos dois sexos, mas ela naturalmente escolhe uma referencia de modelo para cada género e essa escolha é inconsciente.

4 – Como falar sobre a homossexualidade com meus filhos?

Com o aumento das diferentes configurações familiares esse tem sido um assunto enfrentado cada vez mais com naturalidade pelas crianças. Por isso, responder as dúvidas que possam aparecer é essencial. Para isso, responda apenas o que a criança perguntar e tente ser o mais simples e breve possível, sem reprimir ou julgar as suas dúvidas. É isso que fará com que seu filho confie e se volte para si quando tiver mais questões.

Por Letícia Machado, coach pessoal e profissional e psicóloga especialista em psicologia hospitalar, com ampla experiência no atendimento à crianças e adolescentes. Atualmente realiza atendimentos na YellowRoad através do coaching infantil e do treino de pais

 

[1] The National Lesbian Family Study: 4. Interviews With the 10-Year-Old Children. Gartrell, Nanette; Deck, Amalia; Rodas, Carla; Peyser, Heidi; Banks, AmyAmerican Journal of Orthopsychiatry, Vol 75(4), Oct 2005, 518-524.

[2] António, Raquel, Pinto, Tiago, Pereira, Catarina, Farcas, Diana, & Moleiro, Carla. (2012). Bullying homofóbico no contexto escolar em Portugal. Psicologia, 26(1), 17-32. Recuperado em 20 de novembro de 2015, de

 

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Divorciados mas não separados

De facto deixámos de viver na mesma casa. Não partilhamos a nossa vida pessoal um com o outro desde que tomámos a decisão de nos divorciarmos.

Nunca poderemos dizer que da nossa relação restou pouco já que ela durou uma grande parte das nossas vidas, do nosso crescimento, das nossas experiências.

Para além disso, o mais importante – dos dias melhores da nossa vida nasceram os nossos filhos.

Além da existência real destes, ainda pequenos seres, ficará para sempre a memória conjunta do dia em que soubemos que iam nascer. Dos momentos em que festejámos e partilhámos com os mais próximos o grande mistério das suas vidas.

Eles não nos permitem uma separação efectiva, nem forçada nem imaginada, menos ainda desejada.

Contrariar ou negar um tempo passado com esta qualidade é o mesmo que fugir de si próprio. Fugir da sua própria vida, passado, presente e obviamente futuro…

Quando tomámos a decisão de nos divorciarmos, toda a dor sentida nos fez, eventualmente, rever os momentos maravilhosos que vivemos.  E também pôr em questão tudo o que aparentemente desaprendemos ao longo do tempo. Em vez de um rumo naturalmente esperado de evolução como um todo, sentimos que deixámos de controlar o que juntos planeámos.

Por muita dor, mágoa e arrependimento que possam ficar, ainda nos resta a possibilidade de seguirmos o rumo da parentalidade que ambos sonhámos viver. É verdade que com algumas diferenças substanciais do modelo que tínhamos interiorizado, mas a possibilidade existe!

O caminho não será tão linear, não será tão amparado; mas com amor, equilíbrio, respeito e altruísmo é um caminho possível e com tendência a evidenciar-se como positivo.

O que é ser pai hoje? Qual é o papel da mãe nos dias que correm?

E ser filho? O que é ser filho neste mundo louco em que corremos atrás da felicidade e da perfeição!?

Conseguir olhar para um filho como aquele ser que nos é colocado no trajeto de vida para encaminharmos, protegermos e prepararmos para um caminho que será só seu.

Olharmos para um filho com a responsabilidade de o vermos como um ser independente de nós. Um ser que sente por si, que vive uma experiência de vida que não deve ser a nossa, mas sim a dele.

Percebermos a importância de partilhar decisões com a pessoa com quem decidimos gerar esta vida. Trabalharmos diariamente as competências pessoais que nos permitam não nos separarmos de quem connosco partilha um papel, um lugar, uma missão que o coloca no mesmo lugar do pódio.

Partilhar para sempre o 1º prémio, sem lugar a disputas, a bem daqueles de quem nunca nos divorciaremos – os filhos!

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Residência Alternada – A instabilidade pré-concebida ou o Altruísmo equilibrado?

Pedem-me com cada vez maior frequência que me pronuncie sobre o Regime de Residência Alternada.

Que explique porque é que agora parece estar “na moda”. Porque é que de repente tem tantos defensores e parece ser um modelo ideal após a decisão de separação por parte dos progenitores.

A Residência Alternada pressupõe que após a separação dos pais, os menores estejam com ambos por períodos de tempo equiparados.

Não falamos de apenas “dar” o mesmo tempo ao pai e à mãe.

Mas falamos idealmente de uma rotina em que os menores convivam com o pai e com a mãe. Possibilitando ambos os progenitores estarem envolvidos no seu dia-a-dia, como alegadamente acontecia enquanto eram casados.

Pressupõe que as crianças vivam por períodos de tempo iguais e alternados em casa da mãe e em casa do pai.

Se à partida este cenário parece ser o ideal?

– Sim, sem dúvida – diremos todos.

Mas fora idealismos cabe-nos a consciência da realidade. Aquela que cada uma das nossas crianças vive no seu dia-a-dia, de facto.

Da experiência no trabalho diário com crianças e com os pais observo grandes dificuldades de manutenção de rotinas adequadas e equilibradas em famílias ditas “estruturadas”…

Observo muitas dificuldades de comunicação nos casais cuja missão de educar se torna cada vez mais complexa com as exigências profissionais e com a multiplicidade de tarefas que a sociedade “impõe” a cada elemento da família desde os mais novos aos mais velhos…

Observo cada vez mais a fragilidade emocional dos pais. Pais que confrontados com a necessidade de darem resposta a todas as áreas da vida pessoal, familiar e profissional delegam para ultimo plano, de forma inconsciente, aquilo que de mais relevante se apresenta para o pleno desenvolvimento das crianças – a estabilidade relacional e emocional familiar.

Ora, perante a separação/divórcio, toda a dinâmica se torna ainda mais complexa. Quando sou questionada acerca da Residência Alternada, invariavelmente caio do pedestal do ideal para a dura realidade do concreto.

Defendo que a Residência Alternada tem que ser uma opção e um ponto de partida sempre que os adultos envolvidos se dediquem a um permanente exercício de altruísmo,. Onde deixam de parte as “raivas” e se predispõem a educar em “equipa”. Deixa de haver espaço à tradicional educação em casal mas mantém-se a necessidade de um trabalho coordenado com o outro progenitor. A bem dos filhos, a bem da sua estabilidade.

Exige que ambos acordem em rotinas diárias semelhantes e que ambos comuniquem entre si de forma assertiva; exige que consigam estabelecer e manter com os seus filhos uma relação de confiança e segurança que os conduza de forma estável.

O que cria instabilidade não é o facto de passarem a viver alternadamente em duas casas, estou convicta.

O que desestabiliza é a alternância de rotinas e de expectativas; é a oscilação entre ambientes securizantes e outros desorganizados ou confusos.

Com isto, quero apenas concluir que na minha perspectiva a Residência Alternada pode e deve ser um ponto de partida. Muito mais exigente do ponto de vista da organização e da disponibilidade dos progenitores.

Será sempre bom partirmos do princípio que as crianças se adaptam bem a novas dinâmicas familiares e a novas rotinas. Sempre que os adultos estejam bem seguros dos seus papéis, e não podemos defender um modelo único para todas as Famílias, pois cada uma delas é singular.

O pai e a mãe separam-se e para agravar tudo atribuíamos um papel de pouca competência à figura paterna. Como se o pai tivesse perdido a capacidade de o ser, só porque deixou de viver na mesma casa que a mãe…

Agora que estão separados, ambos têm que proporcionar aos filhos o seu pleno direito a manterem os laços. A sentirem-se acompanhados por ambos, pai e mãe, independentemente das exigências que as novas rotinas possam trazer. Cabe aos pais definirem em conjunto em que condições.

A casa da mãe e a casa do pai podem muito bem ser o equilíbrio que antes nenhum dos elementos da família conhecia; mas para que este modelo funcione é preciso que seja desejado por ambos, pai e mãe. E da experiência que tenho é quase que obrigatório que esta adaptação se faça com acompanhamento especializado. Acompanhamento que oriente e guie os pais neste novo desafio.

Sempre que não haja a capacidade de cumprir estas regras básicas a opção pelo modelo de Residência Alternada fica comprometida. E com ela toda a possibilidade de êxito no pleno desenvolvimento dos menores.

 

Por Maria Portugal, Divórcio.com.pt

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Comunicar eficazmente com os filhos sem ferir a sua autoestima

Como transmitir ordens sem ferir a sua autoestima

Uma boa comunicação está na base de uma relação equilibrada e saudável, sendo ainda de maior relevância quando falamos na relação entre Pais e Filhos. É através dela que expressamos aos outros o que queremos, o que sentimos, o que não gostamos, do que precisamos e é graças a ela que podemos atingir a sensação de que somos realmente compreendidos e respeitados.

Um dos principais motivos que leva os Pais a frequentarem os Workshops de Parentalidade Positiva prende-se com as dificuldades em chegar aos filhos através das palavras.
Porque é que ele não me ouve?” ou “Não liga nada ao que eu lhe digo!” são frases recorrentes e que surgem nas sessões quase como desabafo, sejam os filhos crianças ou adolescentes.

Como mudar a forma como comunicamos?

Se pretende mudar o seu estilo comunicacional e falar ao seu/sua filho(a) de forma a que ele/ela o/a oiça, sugiro que comece por uma coisa muito simples – escute-se a si próprio com muita atenção. Nas próximas 24 horas esteja especialmente atento(a) ao que diz ao seu filho e à forma como o diz. Tome pequenas notas das conversas que mantém com eles e do que sentiu nessas trocas de palavras.

É comum os Pais, após a realização do exercício de tomarem pequenas notas das conversas que tiveram com os seus filhos nas últimas 24 horas, constatarem que dizem muitas coisas que não gostariam de dizer às suas crianças e adolescentes, ouvindo tantas outras com as quais também não se sentem nada satisfeitos. Também é recorrente os Pais se queixarem que, não poucas vezes, as conversas facilmente se transformam em discussões e que os seus filhos não lhes contam as coisas. 

Na verdade ouvirem-se a si próprios já representa um progresso. É o primeiro passo para a mudança. Uma vez que qualquer processo de mudança não é possível sem esforço e determinação, comece por pequenas alterações:

1.º Ouça com muita atenção e de forma empática.

Quando a criança estiver a falar consigo deixe o que está a fazer, olhe para ela e não se limite a anuir. É muito mais fácil contar os problemas a um Pai que está realmente a ouvir. Nem precisa de dizer nada. Muitas vezes, um silêncio complacente é só o que a criança precisa.

2.º Em vez de fazer perguntas e dar conselhos sobre o que a criança lhe está a transmitir, demonstre que está a ouvir.

É difícil para uma criança pensar com clareza ou construtivamente quando está a ser interrogada, acusada ou aconselhada. Um simples “Oh…”, “Hum…” ou “Estou a ver” por si só pode ser uma grande ajuda. Palavras deste tipo acompanhadas de uma atitude preocupada convidam a criança a explorar o que pensa e o que sente, e talvez a arranjar sozinha uma solução para o seu problema sem a intervenção dos pais.

3.º Não negue ou contrarie o que o/a seu/sua filho/a sente.

Uma das questões mais importantes e desafiantes na relação comunicacional Pais – Filhos, prende-se com a expressão das emoções.Imagine a seguinte situação: O seu filho, por motivos de saúde, tem que levar uma injeção todas as semanas durante um mês. Apesar de saber que o pequeno tem pavor de agulhas, também sabe que a maior parte das vezes as injeções só doem um segundo. Hoje, depois de saírem do consultório, o seu filho queixa-se amargamente. Sabendo que a cena se repetirá durante as próximas semanas, você quer acabar rapidamente com aquilo e tenta minimizar a situação dizendo coisas do género:
  • Não chores. Também não dói assim tanto.” ;
  • “Estás a fazer disto um bicho de sete cabeças” ;
  • “O teu irmão nunca se queixa quando leva injeções.”
  • “Estás a portar-te como um bebé.”
A intenção que está por trás destas observações é boa, é certo, contudo, ela só piora a situação pois, além da criança não se sentir melhor com as palavras da mãe ela fica irritada por esta não reconhecer a sua dor. Quando compreendemos o que a criança sente, ajudamo-la imenso. Fazemo-la lidar com a sua realidade interior. E quando ela percebe essa realidade, arranja força para a suportar.


As suas palavras devem demonstrar que está mesmo a ouvir e que aceita o que a criança sente.
Por exemplo:

  • ”Isso deve ter doído” ;
  • “Hum, foi mesmo mau.” ;
  • “É daquelas dores que só desejas ao teu pior inimigo” ;
  • “Não é fácil levar estas injeções todas as semanas.
  • “Aposto que vais ficar todo contente quando acabarem.

As crianças não precisam que concordem com o que elas sentem; precisam que compreendam o que elas sentem.

Um dos muitos desafios inerentes à paternidade é a luta (quase) diária para que as crianças compreendam que nem sempre podem ter tudo o que desejam, no momento em que desejam. Fazer-lhes entender e aceitar a realidade é muitas vezes fonte de conflito, conflito esse causador de troca de palavras menos agradáveis e geradoras de mau estar na relação. Se por vezes não se consegue evitar discussões desgastantes para os Pais e também os filhos, outras ocasiões ocorrem em que, com imaginação e boa vontade as mesmas podem ser contornadas. Assim, segue mais uma estratégia comunicacional que os Pais podem usar na sua relação com as crianças:


4.º Satisfaça o desejo da criança em fantasia

Quando as crianças querem algo que não lhes podemos dar, geralmente reagimos com explicações lógicas sobre o motivo pelo qual não lhes podemos dar o que elas pedem. E estamos a falar de coisas tão díspares como o brinquedo que os amiguinhos já têm, ir brincar no parque à noite ou os seus cereais preferidos. Mas, o que acontece muito frequentemente é que quanto mais explicamos mais elas argumentam e protestam. Fazendo assim os Pais perder a paciência e irritarem-se.

O que lhe sugerimos é que, quando assim for possível, satisfaça o desejo da criança em fantasia. Por exemplo: o seu filho, que adora astronomia, pede-lhe incessantemente um telescópio novo. Tem um mas considera que  já está ultrapassado. Em vez de iniciarem uma discussão sobre o seu (caro) pedido demonstre-lhe que ouviu o seu desejo. Diga-lhe “Estou a ver que gostavas muito de ter um telescópio de 200 polegadas.” E continue: “Sabes do que eu gostava? Gostava de ter dinheiro para te comprar. Não, gostava de ter dinheiro para te comprar um telescópio de 400 polegadas. Mais, de 600 polegadas. E veríamos as estrelas e os planetas todas as noites. Seria mesmo divertido.

Por vezes, só o facto de a outra pessoa entender que queremos muito uma coisa torna mais fácil encarar a realidade.

5º. Dê ordens sem ofender ou humilhar a criança.

Não raras vezes, motivados pelo cansaço e saturação, ao chamarmos a atenção da criança para um determinado comportamento desadequado ou incumprimento de regra, juntamos palavras pejorativas ou críticas negativas à ordem, transformando-a num ataque à auto estima da criança.

Exemplificando: Apesar de estar estabelecido nas regras da família que os trabalhos de casa são para serem feitos antes do tempo de brincadeira e convívio familiar, o seu filho protela sistematicamente esta tarefa. Os pais, desgastados por terem que estar sempre a relembrar a criança que tem que fazer os deveres, acabam por proferir algo do género:
” Vai já fazer os trabalhos de casa. Todos os dias é a mesma coisa. És mesmo irresponsável!”
A criança, ouvindo estas palavras, vai sentir que está a ser atacada. Vai concentrar-se mais na crítica dos pais do que na tarefa que lhe dizem que tem que realizar. Aceitar ordens ditadas por quem nos está a pôr defeitos não é fácil e origina uma maior resistência à colaboração.

Comunicar eficazmente com os filhos sem ferir a sua autoestima

5 formas diferentes de chamar a atenção da criança sem a ofender ou humilhar. Desta forma fomenta-se um clima de respeito em que o espírito de cooperação pode começar a aumentar.

  • Descreva o que vê: “Não estás a fazer os TPC!”
  • Informe:Amanhã vais ter falta na escola porque não fizeste os TPC”
  • Comente com uma única palavra: “TPC”
  • Descreva o que sentiu: ” Não gosto de estar sempre a lembrar-te que tens de fazer os TPC”
  • Escreva um recado: Deixe um recado colado na TV: “Antes de me ligares pensa se já concluíste os TPC hoje!”

 

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Há duas épocas da vida,
infância e velhice,
em que a felicidade
está numa caixa de bombons.”
– Carlos Drummond de Andrade

 

Os melhores avós do mundo nem sempre moram perto dos seus netos, mas diariamente, ao fim da tarde ou à noitinha,  encurtam a distância através de um telefonema (na esperança de ouvirem uma ou outra traquinice à qual nunca teriam achado graça nos filhos no tempo em que eles eram crianças).

Os melhores avós do mundo nem sempre podem comprar todos os brinquedos que aparecem nos anúncios de televisão – à medida que ouvem expressões de entusiasmo como “Compra! Compra! Compra!” – mas não há noite em que não sonhem com a quantidade de surpresas que fariam aos netos se lhes saísse o euro milhões.

Os melhores avós do mundo nem sempre se preocupam com a alimentação saudável dos netos. Às vezes a avó prepara uma sopa ou uma salada deliciosa (frequentemente a pedido da mãe), mas há alturas em que enche os netos de doces e mais doces porque “tu quando eras criança também gostavas” e porque dá gosto ver o sorriso lambuzado da criança (mesmo que com cáries nos dentes).

Os melhores avós do mundo nem sempre têm vontade de sorrir. Às vezes, como a toda a gente, apetece-lhes correr as cortinas e enfiar a cabeça na almofada para ali se demorarem, mas o amor que sentem pelos netos e a ideia da falta que lhes fazem quando se entregam à tristeza, dão-lhes força para se levantarem e darem as boas vindas a mais um dia.

Os melhores avós do mundo nem sempre aparecem com surpresas e brindes nos bolsos para fazerem a alegria dos netos, mas às vezes trazem um saco cheio de camisolas polares, pijamas ou pares de meias coloridas para manter as crianças bem agasalhadas quando chegar o tempo frio.

Os melhores avós do mundo nem sempre podem dedicar aos netos o tempo que gostariam, mas quando a sua presença é imprescindível, largam tudo, ligam as sirenes e acorrem a toda a velocidade aos netos, com mimo, cuidado e proteção (que só os avós têm um jeito especial de dar).

Os melhores avós do mundo nem sempre concordam com os seus filhos na educação dos netos e sentem-se livres para aconselhar, para indicar um outro caminho… Os melhores avós do mundo às vezes educam, às vezes deseducam, mas mais importante que tudo, aceitam o seu papel numa teia de laços apertados a que se chama família, dedicando sempre aos seus netos o que têm mais de precioso: todo o seu amor.

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