E assim estamos de novo no regresso às aulas. Entre testes, estações do ano, notas, estudo, apontamentos, visitas e reuniões de pais voltámos a Setembro!

É tempo de decisões, opções e preocupações. Renovar matrículas, mudar de escola, estudar os conteúdos programáticos, conhecer as professoras, comprar e forrar os livros e escolher o material escolar.

Diariamente somos bombardeados com promoções, descontos e ofertas. Mais uma altura do ano aproveitada ao máximo pelo princípio capitalista do consumismo. Mas o regresso às aulas é muito mais do que isto. É a altura em que os mais novos se sentem postos à prova, é tempo de retomar as rotinas e horários e para algumas mães é altura de se despedirem da licença de maternidade e entregarem os bebés ao cuidado de alguém estranho.

É ainda período de definição de metas pessoais, pedagógicas e profissionais.

Tempo de repensar prioridades e estabelecer medidas de organização familiar. A educação é, cada vez mais, parte crucial de quem somos e de quem queremos que os nossos filhos sejam. É selecionador de oportunidades e define competências e preferências. O regresso às aulas deixou de ser apenas período de reencontrar os amigos e professores. Ganhou uma importância acrescida de responsabilidade futura. Não basta ser razoável. Nos dias competitivos de hoje, há que ser mais e melhor. Superar e superarmo-nos diariamente.

É, ainda tempo de reencontrar ou criar novos afectos. Numa era de independência feminina, a figura de educadores e professores assume também um carácter afectivo de peso, pois substitui a presença paternal imediata. As crianças passam cada vez mais tempo na instituição escolar pelo que a transmissão de valores e princípios deixa de ser uma tarefa única e exclusiva da família.

Por isso, talvez mais do que nunca, as escolas e instituições, sejam curriculares ou extracurriculares, ganham agora um perfil mais carinhoso, mais caloroso e mais afetivo.

 

Por Mariana Torres, para Up To Kids®
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“livros, cadernos, TPC’s, agitação e stress, queixas da professora”

Será assim que muitos pais definem o início do ano escolar. Entre os horários dos pais, os trabalhos de casa, as actividades extra-curriculares e as rotinas diárias, as famílias acabam por ter pouco tempo para interagirem com qualidade, ao contrário do que acontece nas férias.

Mas, não tem de ser assim. As seguintes estratégias podem ajudar a contrariar a correria, trazendo alguma qualidade de vida para o seu dia-a-dia:

– reveja a sua hora de dormir e a dos seus filhos: dormir bem e descansar é fundamental para que, no dia seguinte, acorde com mais energia e mais confortável. Ir um pouco mais cedo para a cama, vai permitir que se levante mais cedo e com uma maior sensação de bem-estar;

– em vez do velho despertador ou do apito do telemóvel, experimente acordar ao som da(s) música(s) que mais gosta e, de preferência, aquelas que lhe dão vontade de pular e dançar. O seu cérebro irá libertar substâncias que lhe darão mais bem-estar e o dia começa bem melhor;

– se o seu filho(a) tem um despertar “difícil” nos dias de escola (e ao fim de semana acorda incrivelmente às 7h da manhã!), provavelmente não estará a descansar ou suficiente ou alguma situação relacionada com a escola o estará a deixar desconfortável. Pode experimentar a estratégia anterior e, simultaneamente (mas noutra altura do dia), falar com ele no sentido de perceber se algo se passa;

– evite o stress ao pequeno-almoço. A primeira refeição deve ser feita calmamente e sem pressas. Se o dia começa apressado é provável que o seu filho permaneça agitado ao longo do dia, chegando ao fim bastante mais cansado e rabugento;

– durante o jantar (ou preferencialmente após a refeição), procure conversar sobre o dia na escola e partilhe, também, o seu. É provável que a criança ofereça alguma resistência na fase inicial, mas não desista e continue a partilhar os seus momentos. Um dia ela começa, espontaneamente, a partilhar também os seus. E acima de tudo não traga os “ralhetes” da professora para a hora das refeições;

– quando a criança vem da escola, permita que brinque um pouco antes de fazer os trabalhos de casa. Podem criar em conjunto um quadro de horários /actividades diárias, colocando-o num local acessível e visível para todos. E cumpra o que estabeleceu. Se um dia deixa brincar e no outro não (por exemplo, porque está atrasada/o), a criança deixa de saber com o que conta e vai tentar brincar fora do período acordado.

– no fim de semana retire, pelo menos, uma parte do dia em que fica totalmente disponível para as crianças e para os momentos de lazer. Brinque, jogue, dê passeios e verá renascer a sensação de quando estão em férias.

Apesar das crianças serem habitualmente enérgicas e ativas, também precisam de pausas e de momentos mais calmos.
Tenha presente que se os pais estiverem agitados é certo que os filhos também irão ficar.
Tente prevenir e evitar o mais possível as situações de stress nas actividades diárias e verá que a qualidade de vida em família melhorará, substancialmente.

Helena Coelho, para Up To Kids®
Todos os direitos reservados

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O jardim de infância é mais importante que a faculdade

Desde que nascemos, ouvimos os nossos pais a insistir que temos que estudar se queremos vir a ser alguém na vida. Eu pelo menos ouvi muito. Hoje em dia, as exigências vão para além do estudar. Mal uma criança nasce, os pais (eu e o leitor, neste caso) já estão a fazer planos para a faculdade. Sim, claro, é importante. Nós sabemos. Mas, ao mesmo tempo, o número de jovens que têm optado por caminhos profissionais que não envolvem a frequência universitária, ou que ingressam mas acabam por mudar duas e três vezes de curso, é crescente. A tal da insatisfação crónica comum da nossa época… Bem, eu não sei se o meu filho irá ou não para a faculdade. É uma incógnita se irá ser arquiteto, cineasta ou jogador de futebol. Mas de uma coisa tenho eu a certeza: ter feito um bom jardim de infância faz toda a diferença.

Os primeiros sete anos de vida são decisivos para o desenvolvimento da criança. Nestes anos as pessoas sofrem diversas transformações próprias do crescimento, entre elas, as físicas, em que o nosso corpo sofre diversas alterações e mudamos a dentição para definitiva. A nível emocional formamos, nesta idade, um sentimento básico em relação ao mundo, ou seja, aquele sentimento ou característica que nos vai  acompanhar para sempre. Pode ser o medo, a forte personalidade, o carisma, ou a insegurança. Claro que com os anos podemos trabalhar isso, mas envolverá muita terapia e dedicação. Se neste período as nossas crianças tiverem um desenvolvimento sadio, com espaço para brincar, se forem acolhidas nas suas necessidades básicas e emocionais, então, terão uma forte e estruturada base para qualquer que seja a sua escolha profissional posteriormente.

Por acaso, na minha rua havia um jardim de infância Waldorf quando meu filho era pequeno (hoje em dia há dois na mesma rua, que milagre!).

Não vou defender a pedagogia Waldorf como o único caminho para que uma criança passe bem por essa fase: ainda são poucas as escolas e custam um preço que não está ao alcance de todos. Mas, ao dar uma grande importância aos primeiros anos de desenvolvimento, a pedagogia Waldorf traz reflexões importantes para quem está à procura de um Colégio para inscrever o seu filho e, mais do que isso, para mostrar que o desenvolvimento nesta fase da vida é essencial para alicerçar a criança. É esse o tema que irei desenvolver de seguida.

O primeiro passo em direção ao mundo lá fora
Segundo a metodologia Waldorf, a criança deverá entrar no jardim de infancia a partir dos 3 anos. Nem todas as famílias têm estrutura para esperar esse tempo,  e é a vida. Mas, também, há muitas mães acham que os filhos “pedem” para ir para a escola. Podem até pedir. Mas eu gosto da explicação: é que só nessa idade é que a criança estaria preparada para interagir com o mundo que vai além do pai, da mãe, dos irmãos e da avó. Mesmo que a criança adore ir para a rua, brincar com outras crianças, lembre-se que a mãe, a avó ou, em muitos casos, a babá querida, estão por perto.

Aos 3 anos é que aparece, pela primeira vez, aquele impulso que se faz mais forte aos 9 anos, de encarnação do EU, segundo a antroposofia, de uma certa individualidade. Não por acaso, é nessa idade que as crianças começam a dizer…eu! Antes, referem-se a si mesmas na terceira pessoa (“a Gabi quer comer”, “O Pedo quer brincar”).
Aos 3 anos o sistema nervoso está mais maduro e a criança consegue usar o “eu”, essa individualidade, como instrumento de comunicação, de crescimento. A criança, então, percebe que ela e o mundo são coisas diferentes. A mãe já não é uma extensão dos seus desejos e necessidades. E isso é lindo de se ver. Eu adoro os três anos de idade. Mas fiz aqui uma lista com algumas reflexões que consideraria importante se fosse escolher uma escola para o meu filho hoje, caso ele ainda estivesse na primeira infância.

O que explica porque coloquei mais energia nisto do que colocarei na altura em que tivermos que escolher a faculdade.

Desenvolvimento da espiritualidade
Não se trata apenas religião. As escolas que cultivam a espiritualidade trazem riqueza para a vida infantil. As festas do ano, a chegada da primavera, os pequenos rituais, como acender uma velinha na sala, ao começar o dia, uma canção de gratidão por acordar e estar disposto, a árvore de Natal enfeitada, uma lanterna para se carregar na festa de São João. São essas coisas que despertam em nós a conexão com o que é divino no mundo e com a nossa própria alma.
É aos 3 anos que nasce na criança uma admiração pelo mundo lá fora. Admiração que, se for bem cuidada, se manifesta como veneração frente aos milagres quotidianos. As flores têm sóis dentro delas, alguém pintou o céu de laranja e roxo, cai neve porque São Pedro está a sacudir o seu edredom de penas lá em cima. Nunca devemos estragar essa veneração enfiando conceitos científicos muito cedo nas cabeças dos miúdos. O melhor é deixar as fantasias fluírem e até cultivá-las. E esse é um cuidado que eu teria em atenção, caso estivesse a escolher a escola para o meu filho, mesmo que fosse por poucas horas por dia.

Fase em que se desenvolvem sentimentos para a vida
Este é o conceito que rege os primeiros sete anos da educação Waldorf (e de outras pedagogias).
Qualquer um pode trabalhar isto em casa! É extremamente importante que a criança desenvolva a sua confiança no mundo, a sua capacidade de amar, de sentir-se segura, de se adequar ao ambiente que começa perceber e diferenciar. Qualquer tipo de ensino, tanto em casa como na escola, deve ser conduzido de forma a mostrar à criança o lado positivo das coisas e o que o mundo tem de bom. Ah, claro, algumas pessoas vão já dizer que não querem que o filho cresça numa redoma. Calma, há  tempo para tudo. Quando a criança acaba de nascer, ninguém lhe põe um biberon ao lado para tomar sozinha, pois não? É por aí. Cada coisa a seu tempo. Até os 7 anos, as crianças não “aguentam” ser expostas à violência da TV ou dos jogos de computador. Não precisam de saber que a água do planeta está a acabar. Não precisam de saber que todos os dias há massacres a acontecer em vários cantos do mundo. Toda esta informação assusta qualquer alminha que,  ainda, está a tentar perceber este mundo. O mundo também é bom, meu filho. A avó gosta muito de ti. A professora gosta muito de ti. O pai gosta muito de ti, e vai sempre proteger-te. E tu mereces ser protegido daquilo que não é assim tão bom. É um cuidado, um carinho, um gesto de proteção que podemos dar aos nossos filhos, independentemente da escola e da metodologia que escolhermos.

Formação dos órgãos e criatividade
Durante os primeiros sete anos, a maioria dos órgãos (ou a semente que os originará), vai formar-se. E, como sabemos, se plantarmos uma semente de macieira não vai nascer uma figueira. Por vezes, aquilo que não se vê, está lá na mesma, tal como os dentes, que se formam até os 7 ou 8 anos.
Gritos, falta de ritmo, sustos. Tudo influencia essa formação. O mesmo acontece com a criatividade. Se a criança tiver espaço (e não digo estímulos de brinquedos electrónicos ou excesso de estímulos intelectuais) e acolhimento, se tiver exemplos e inspiração, sentirá segurança para desenvolver os dons que lhe são inatos. Mais tarde, essa segurança será a base para um trabalho criativo e satisfatório.

Segunda a antroposofia, a educação é o que cura; aquilo que traz saúde. Acho que um bom jardim de infância garante boa parte dessa saúde, física e emocional, que levaremos para a vida. Então, a criança vai estar a desenvolver bases para o seu futuro, nomeadamente para a fase em que tiver de escolher o curso que irá exercer o resto da sua vida.
Boa sorte com as vossas escolhas!

 

Por Fabi Corrêa, postado no blog Antes que eles crescam
Adapatado por Up To Kids®

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Menores que procuram asilo correm mais riscos de serem explorados por traficantes para trabalho forçado, venda de droga ou prostituição, isto depois de sobreviverem a guerras e a viagens perigosas.

Uma das imagens marcantes de refugiados a chegar à Europa pode ser a de um pai sírio que chora ao sair de um barco e pôr os pés na Grécia, segurando firmemente os seus dois filhos, um em cada braço. Uma das histórias pode ser a de um bebé recém-nascido entre vários menores não acompanhados resgatados numa operação dos Médicos Sem Fronteiras no mar da Líbia. São imagens tiradas em apenas um momento de viagens que estão a demorar semanas ou meses, são histórias contadas a traços largos ouvidas quando ainda vão a meio. E cada vez mais, nestas imagens e nestas histórias de quem tenta chegar à Europa para fugir de guerras e perseguições, há crianças.

Vêem-se muitos rostos muito novos: saem dos barcos em Itália ou na Grécia entre os adultos, passam o arame farpado na Hungria, entram na linha de comboio em Calais, estão entre os mortos do camião na Áustria.

Viajaram sozinhos ou com alguém que morreu na viagem. Ou a família desdobrou-se e cada um procurou um país diferente, tentando aumentar as hipóteses de um deles conseguir asilo e os outros poderem apelar à reunificação familiar e juntarem-se todos de novo.

Mas as crianças e os menores são especialmente vulneráveis e ficam ainda mais sujeitos a perigos vários, desde problemas de saude, até morte, por falta de água ou alimentos, à exploração às mãos de redes de crime organizado, que os tentam usar para tráfico de droga ou prostituição.

Os números confirmam a impressão de que há cada vez mais menores, muitos ainda crianças, a fazer viagens perigosas para conseguirem chegar a países europeus sem terem consigo qualquer adulto encarregado por eles: segundo a organização Save the Children, nos primeiros meses do ano entre mais de 80 mil migrantes que chegaram a Itália, 6000 eram menores, dos quais 3830 chegaram sozinhos. Em 2014, o número de chegadas de menores sozinhos foi de 13.030, três vezes mais do que no ano anterior, acrescenta a organização.

Na Grécia, apenas em Junho, chegaram 4720 menores às ilhas em barcos vindos da Turquia. Destes, 86 viajavam sem um adulto responsável por si. Na Hungria, segundo o Alto-Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR), entre os pedidos de asilo feitos na Hungria este ano, 140 mil no total, havia sete mil de menores não acompanhados.

Muitos deles, no entanto, desaparecem dos centros governamentais nestes países de passagem muito rapidamente. Nunca se sabe se seguiram viagem para o destino pretendido, como Alemanha ou Suécia, ou se ficaram nas mãos de traficantes. Entre os menores que foram registados em Itália em 2014, 3707 desapareceram.

Em Dover, Inglaterra, onde querem chegar a maioria dos migrantes e refugiados acampados em Calais, os serviços dizem que o número de menores a chegar da Síria ou Iraque a precisar de protecção chegou a mais de 600, quando no ano anterior era de 238.

O mais novo tinha sete anos
Num centro de dia da organização Praksis, em Atenas, passam muitos migrantes e refugiados todos os dias para usufruir dos serviços: um tecto quente ou fresco conforme seja Inverno ou Verão, lavagem de roupa, cabeleireiro, televisão, computador com Internet. Alguns são crianças. “O mais novo que tivemos a passar por aqui tinha sete anos”, contou Christos Eleftherakos, psicólogo na Praksis, numa visita do Público em Junho. A organização ajuda sem pedir documentos, por isso não há números certos que permitam dizer quantos menores passaram por aqui, mas serão muitos, diz o psicólogo. As razões são diferentes: “podem-se ter perdido da família na viagem, podem-se ter separado intencionalmente para pedir asilo em países diferentes.”

Ainda assim, é muito impressionante pensar em crianças sozinhas em viagens tão perigosas e, depois disso, à deriva em grandes cidades onde tudo é estranho, desde o sistema de transportes à língua.

[fonte] Ler artigo completo aqui no Público

Em Publico/Noticia/Cada vez há mais crianças a chegar à Europa sozinhas

imagem@publico

Cá em casa, a nossa bebé acorda várias vezes durante a noite.
Lembro-me de, nas primeiras consultas de rotina da bebé, a enfermeira perguntar com que regularidade a minha bebé mamava e se, durante a noite já fazia intervalos maiores… Respondi-lhe que sim, até porque a essa data isso era mesmo verdade! De noite, ela chegava a fazer intervalos de três ou quatro horas, mas de dia era comum mamar a cada duas horas, no máximo.
Na altura, apesar de dar de mamar em livre demanda, acreditava que era normal, ao fim de pouco tempo, todos os bebés dormirem a noite inteira. Pensava que gradualmente ela iria pedir para mamar menos durante a noite, até dormir um sono completo, e que isso aconteceria nos primeiros meses de vida.
Efetivamente, é isso que a maior parte das pessoas espera. Essa é a ideia que está instaurada nas nossas mentes, porque é isso que nos tem sido transmitido…
No meu caso concreto, conta a minha mãe que sempre dormi muito, de dia e de noite. E que, mal cheguei a casa, após uma semana na maternidade (em que os bebés ficavam no berçário durante a noite e não junto das mães), já dormia cerca de sete horas seguidas!
Com a minha bebé isso ainda nunca aconteceu…
Perto dos três meses, chegou a fazer sonos de cinco horas, mas foram a exceção à regra. A seguir, começou a reduzir a duração dos mesmos e passaram a ser mais curtos do que eram ao fim do primeiro mês. Atualmente, com sete meses e meio, o mais comum é acordar a cada duas ou três horas. Mas já teve dias em que desperta ao fim de pouco mais de uma hora…
Estarei à beira de um ataque de nervos? Não…
Acredito agora que o “normal” é os bebés acordarem frequentemente ao longo da noite. Os que não o fazem não têm nada de “anormal”, só não são a maioria, como tem sido preconizado.
Porque é que os bebés acordam?
Os motivos vão variando em função das diferentes etapas de desenvolvimento do bebé, uma vez que o sono é um processo evolutivo, que se vai alterando ao longo das nossas vidas. Contudo, fazendo uma abordagem mais geral, destacam-se a necessidade de segurança, de alimento e a adaptação às fases do sono.
Assim, um dos motivos para os seus despertares é a necessidade de saberem que quem cuida deles está por perto. Pensando na carga genética que carregamos, os sobreviventes da nossa espécie foram aqueles que conseguiram manter os seus progenitores por perto para os defender dos perigos.
Também acordam para mamar, estimulando deste modo a produção de leite, já que os níveis se prolactina (hormona responsável pela produção de leite) são mais elevados durante a noite.
Para além disso, os recém-nascidos têm apenas duas fases do sono. Acordam frequentemente na passagem de uma fase para a outra.  Entre os quatro e os sete meses, irão adquirir as cinco fases que caracterizam o sono de um adulto. Passam então por uma etapa de instabilidade, também com vários despertares. Isto explica o porquê de, a dada altura, a minha bebé ter começado a fazer novamente sonos mais curtos, como já referi.
Perguntam-me muitas vezes: “A bebé dá-vos boas noites?” Eu respondo que sim, porque é isso que sinto desde o início.
Deito-a por volta das oito e meia da noite e ela acorda definitivamente perto das nove da manhã. Durante a noite, acorda, mama e adormece. E eu acompanho o seu ritmo! Às vezes mal despertamos. Às vezes, adormeço quando ela ainda está a mamar!
O facto de ter colocado a cama dela, sem uma das grades, encostada à minha facilita muito esta dinâmica.Na maior parte das noites, não me incomoda acordar algumas vezes, nem o sinto como um fator de cansaço. Digo “a maior parte”, porque já existiram dias que em que acordei cansada e desejando poder dormir mais de doze horas seguidas!
Mas não acontece isso com toda a gente, até mesmo com quem não tem filhos?

Sofia, do blog Cá em casa somos três, adaptado por Up To Kids®
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Porque é que ter menos brinquedos irá beneficiar o seu filho

“As potenciais possibilidades de qualquer criança, são o mais intrigante e estimulante em toda a criação” – Ray L. Wilbur

Os brinquedos não servem apenas para brincar. Os brinquedos são os alicerces na construção do futuro dos nossos filhos. Ensinam as crianças a conhecer o mundo e a conhecer-se si próprias. Enviam mensagens e comunicam valores.
Assim, os pais devem preocupar-se com o que podem os brinquedos ensinar aos seus filhos. Sendo a quantidade de brinquedos acumulada, muitas vezes absurda, ficam aqui 8 razões para se livrar do excesso de brinquedos, e como isso irá beneficiar os seus filhos a longo prazo:

1. Criatividade

Uma grande quantidade de brinquedos irá impedir que as crianças desenvolvam plenamente o seu dom da imaginação. Dois trabalhadores alemães (Strick e Schubert) realizaram uma experiencia em que convenceram uma sala de aula do jardim de infância a remover todos os seus brinquedos durante três meses. Embora, inicialmente, as crianças tenham estranhado e sentido falta dos brinquedos, rapidamente começaram a usar objetos básicos para inventar jogos revelando-se bastante criativas.

2. Capacidade de concentração e atenção direcionada.

Uma criança com acesso a muitos brinquedos ao mesmo tempo, terá a sua atenção dispersa. Uma criança dificilmente irá aprender a apreciar plenamente o brinquedo à sua frente enquanto existirem inúmeras opções que ainda permanecem na prateleira.

3. Competências sociais

As crianças com menos brinquedos aprendem a desenvolver relações interpessoais com outras crianças e adultos. Aprendem a começar e manter uma conversa. Estudos revelam que as amizades de infância contribuem para uma maior hipótese de sucesso académico e mais facilidade em lidar com situações sociais durante a idade adulta.

4. Valorizar as coisas.

Quando as crianças têm muitos brinquedos, naturalmente têm menos cuidado com eles. Não vão aprender a valorizá-los se houver sempre um substituto pronto na prateleira. Se o seu filho estraga e perde os brinquedos constantemente, experimente tirar-lhe metade dos que tem, e verá como ele passará a valorizar mais aqueles que lhe restam.

5. Gosto pela leitura, escrita e arte.

Ter menos brinquedos irá criar espaço e tempo para que a criança aprenda a apreciar a leitura, a música, o desenho e a pintura. O amor pela arte vai ajudá-los a apreciar melhor a beleza, as emoções e a comunicação

6. Habilidade e engenho

Na escola não se dão as respostas aos problemas mas sim as ferramentas para que os alunos consigam encontrar a resposta. No entretenimento e jogo, pode ser aplicado o mesmo princípio. “a necessidade aguça o engenho” – menos brinquedos faz com que as crianças se tornem engenhosas, resolvendo problemas apenas com os materiais à mão. A desenvoltura é um presente com potencial ilimitado.

7. Harmonia e Partilha.

Isto é, um pouco, contraintuitivo. Muitos pais acreditam que havendo mais brinquedos haverão, consequentemente, menos desavenças, porque há mais opções disponíveis. No entanto, verifica-se frequentemente o oposto: os irmãos discutem constantemente por causa de brinquedos. E cada vez que “aparece” um novo brinquedo no relacionamento, damos-lhes também mais um motivo para estabelecer o seu “território”. Por outro lado, irmãos com menos brinquedos são obrigados a partilhar, colaborar e trabalhar em conjunto, reforçando a relação entre eles.

Details

No outro dia fomos a uma festa infantil num parque público. O parque era enorme, tinha areia por todo o lado, árvores, muitas sombras, alguns bancos corridos e a festa tinha pais e crianças de idades próximas.

A minha filha adorou a festa. Querem saber porquê? Brincadeiras ao ar livre. Esse é o segredo. Ela brincou muito com os outros meninos, riu com vontade, rebolou na areia vezes sem conta, deu umas quedas sem grande perigo, trouxe umas pedras dentro dos sapatos e alguma areia no corpo e na roupa, mas quem se importa com isso. Estava tão divertida a brincar que quase não ligou aos doces e aos bolos da festa. No final do dia estava boa para ser enfiada na banheira (ela e a roupa que trazia vestida) e trazia um sorriso enorme.

Notamos que ela fica verdadeiramente feliz e bem-disposta quando está a brincar assim, na rua, em contacto com a terra e com outras crianças, sem grandes barreiras de espaço ou demasiadas regras.

Claro que gosta de bonecas e brinquedos cheios de truques, mas notamos que ela não precisa disso para se sentir bem. Estar em contacto com outros miúdos, seja qual for a idade, e ter espaço para correr e dançar é suficiente para a deixar feliz.

Ela não se importa nada de ficar suja, estragar os sapatos ou desarrumar a roupa, comer uns grãos de areia cada vez que cai de boca aberta enquanto vai a correr atrás de alguma coisa, ficar com o cabelo desalinhado, molhar-se com a água das bolas de sabão. É do mais simples e despreocupado que podemos encontrar.

Agradecemos muito por ela ter este espírito livre e despreocupado. Acredito mesmo que todas as crianças necessitam destes momentos de liberdade, em contacto com a natureza e sem grandes barreiras. Acho que nós, mães, temos de perder o medo de os deixar brincar livremente, dar algumas quedas e voltar para casa com uma ferida ou outra, porque isso os deixa mais autónomos, mais confiantes e, pela experiência que vou tendo em casa, mais felizes.

 

Por Tânia Almeida para Up To Kids®
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Vivemos meses à espera das tão almejadas férias…meses de projectos, planificações, compromissos, sonhos para um período tão exímio de tempo.

Queremos fazer tudo o que nos proporciona prazer e que durante o resto de ano adiamos, pelos mais variados motivos.
As expectativas para este período do ano são enormes, mesmo para aqueles que desejam “não fazer nada”, pois é um comportamento impossível de alcançar, e vão concluir que no final das férias fizeram vastíssimas coisas.

Esperamos imenso dum período tão ínfimo, principalmente quando temos férias com os filhos…são as nossas expectativas e as vontades deles, muita logística e uma enorme capacidade de harmonização para que a gestão de conflitos seja um êxito.

Mas a alegria e o desassossego das férias sabe tão bem…aqueles planos todos, aqueles sacos e malas, toalhas e bonecos, a areia no pé, o jantar sem regras, o pôr do sol, acordar tarde, as bolas de Berlim, a água salgada, o mergulho na piscina ao final do dia, os livros para devorar, os locais paradisíacos para explorar, as brincadeiras para desfrutar, as regras para quebrar, respirar fundo e relaxar…

E o regresso, delicioso…voltar à nossa casa, à organização, à rotina… cansados e nostálgicos das férias, mas repletos de novas expectativas, sonhos e vontades para o próximo ano!

Por Bárbara Rebelo, para Up To Kids®
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Férias são férias e as rotinas do ano podem ser quebradas. Aproveite este período para descontrair um pouco em relação às exigências diárias. Afinal, o que acontece se o seu filho não comer sempre sopa a todas as refeições, ou for para a cama um pouco mais tarde, durante as férias? Absolutamente nada…

As férias são boas, também, por permitirem que as crianças estejam de forma diferente. Verá o brilho no olhar e o seu sorriso aberto se permitir a cumplicidade, à laia de “estamos de férias e isto é uma excepção”, de umas quantas prevaricações sazonais.

Arrisque um pouco e saia da sua zona de conforto. Não faça das férias uma constante de preocupações, chatices, castigos e afins comportamentais. Fazer um pouco “ouvidos moucos” ou “fazer de conta que não vê” uma macacada, pode ser, dentro de certos limites, uma estratégia para evitar os ralhetes sistemáticos. Não se preocupe que não os “deseduca” por se soltar um pouco e possibilitar que se soltem também. As crianças facilmente aprendem que há momentos em que podem “esticar a corda”, sem perderem a noção que essa não é a regra, e sim uma forma de estar mais relaxada, para todos, durante um breve período.

Manter a mesma disciplina pode ser contraproducente e transformar as férias de todos num verdadeiro inferno. Lembre-se que o seu filho, também, precisa de um período de descontracção e de diversão. Precisa de bons momentos para recordar quando estiver sentado durante várias horas na escola. E muitos desses momentos, são guardados para toada a vida.

Quem não se recorda, com um sorriso nos lábios, das tropelias que fez nas férias? Quantas histórias recordamos e contamos aos amigos sobre as brincadeiras e “malandrices” que fizemos com amigos, primos ou outros familiares?

Descontraia e tente relaxar. Recupere a criança que está dentro de si e brinque com eles. Faça jogos, ao ar livre ou outros, passeios de bicicleta, caminhadas e deixe-se contagiar pela boa disposição e pela energia das crianças. E porque não os bons velhos jogos de tabuleiro, em particular os que apelam à imaginação e à expressão criativa? Aprecie a deliciosa sensação das genuínas gargalhadas e dos bons momentos que passam juntos.

Claro que há que manter a sensatez e há situações que, até pela delicadeza ou perigosidade, são incontornáveis, mas umas esfoladelas nos joelhos ou uns pequenos arranhões só os ajudam a crescer com mais cuidado e a entender que os alertas dos pais servem para os proteger.

 

Helena Coelho para Up To Kids®
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Crianças tolerantes são filhos de famílias tolerantes. A educação para a tolerância, no espaço mais lato da educação para a cidadania, é fundamental para a construção de uma geração diferente.

Princípios para educadores tolerantes:

– Promover o respeito pelos colegas na escola, compreendendo as diferenças.

– Explicar as formas de discriminação (idade, género, raça, cultura, religião, entre outras).

– Explicar os acontecimentos históricos reveladores de princípios de intolerância e suas consequências.

– Praticar a empatia: saber colocar-se no lugar do outro.

Em casa:

– Estabelecer limites.

– Desenvolver espírito crítico fundamentado em fatos e não em estereótipos.

Não recear questões.

– Dividir tarefas igualmente (ensinar fazendo).

– Explicar as notícias que passam nos meios de comunicação social, relativas a todas as formas de discriminação.

– Utilizar os livros, o cinema, os brinquedos, como forma de interiorização dos conceitos fundamentais de igualdade.

– Promover a convivência intergeracional natural.

– Respeitar as diferenças, sempre e sem exceção.

Sugestão de leitura:

Guião de Educação Cidadania e Género 1º Ciclo, Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género (CIG), 2011, disponível em http://www.cig.gov.pt/wp-content/uploads/2013/12/guiao_educa_1ciclo.pdf

 

Por Patrícia Ervilha, para Up To Kids®
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