Não há palavra mais na moda: resiliência.

Também eu a tento compreender e explicar; tento que adultos se tornem agora resilientes quando talvez não o tenham sido durante toda a vida. Não fujo a estes jargões profissionais que vão e vêm ao sabor das teorias. Mas, como todos sabemos e experienciamos, a vida é quem mais nos ensina. E eu aprendi uma enorme lição: se há ser humano resiliente, só pode ser uma criança. Resilientes só os miúdos.

As crianças caem (literalmente e no sentido figurado). Caem e magoam-se (também literalmente e no sentido figurado). As crianças sofrem e vivem o sofrimento e depois levantam-se com um encantamento e uma genuinidade de que só elas são capazes. Sacodem as dores e seguem o seu caminho.

Mesmo quando os nossos piores anseios nos dizem que elas não vão ser capazes, as crianças surpreendem-nos com uma lição de resiliência verdadeira e única. E essa resiliência está ancorada numa capacidade de gestão emocional quem nem 500 horas de formação intensiva alguma vez trarão a um adulto.

Por isso, devemos fazer um esforço, devemos procurar a melhoria, devemos cair e levantar, sabendo que nunca o faremos como uma criança.

Mais importante, talvez possamos com elas aprender que a vida é feita de grandes trambolhões, mas a felicidade está mesmo nas pequenas coisas. E quando conseguirmos fazer tudo isto, olhando para os nossos miúdos com admiração e humildade, daremos mais um passo no nosso desenvolvimento pessoal.

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Nós somos as mães dos homens de amanhã: educar para a igualdade de género

Criamos hoje os homens de amanhã. É uma realidade. Será que estamos a criar os homens de amanhã na igualdade de género? Fica a reflexão e algumas notas de ação.

Em primeiro lugar, é necessário compreender que o maior princípio de igualdade é que se trata de forma igual o que é igual e diferente o que é diferente. Pode parecer óbvio mas nem sempre é claro na educação das nossas crianças.

As diferenças de género são inquestionavelmente saudáveis e naturais. Não podem é ser motivo de discriminação. Ora o combate à discriminação de género começa em nossa casa:

Exemplo

Se o pai nunca lava a louça e mãe nunca leva o carro à oficina, é difícil induzir atitudes de igualdade. O exemplo familiar é que mais influência tem na aprendizagem das crianças. Por isso, não adianta falar se não se praticar.

 

Tarefas iguais para meninos e meninas

  • É simples: meninos e meninas ajudam na cozinha; meninos e meninas jogam futebol.

Libertar as brincadeiras

  • Não é por uma menina brincar com carros que vai diminuir a sua feminilidade! Não é porque o menino gosta de brincar na casinha que vai diminuir a sua masculinidade!

Combater o preconceito

  • O combate ao preconceito e ao estereótipo tem que ser feito no momento: é o azul para o menino e o rosa para a menina. É a boneca e a bola. É o carro e a cozinha. Porque não verde, amarelo e laranja para todos? E bonecas, bolas, cozinhas, carros, camiões, legos, bicicletas!

imagem@twitter

Crianças tolerantes são filhos de famílias tolerantes. A educação para a tolerância, no espaço mais lato da educação para a cidadania, é fundamental para a construção de uma geração diferente.

Princípios para educadores tolerantes:

– Promover o respeito pelos colegas na escola, compreendendo as diferenças.

– Explicar as formas de discriminação (idade, género, raça, cultura, religião, entre outras).

– Explicar os acontecimentos históricos reveladores de princípios de intolerância e suas consequências.

– Praticar a empatia: saber colocar-se no lugar do outro.

Em casa:

– Estabelecer limites.

– Desenvolver espírito crítico fundamentado em fatos e não em estereótipos.

Não recear questões.

– Dividir tarefas igualmente (ensinar fazendo).

– Explicar as notícias que passam nos meios de comunicação social, relativas a todas as formas de discriminação.

– Utilizar os livros, o cinema, os brinquedos, como forma de interiorização dos conceitos fundamentais de igualdade.

– Promover a convivência intergeracional natural.

– Respeitar as diferenças, sempre e sem exceção.

Sugestão de leitura:

Guião de Educação Cidadania e Género 1º Ciclo, Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género (CIG), 2011, disponível em http://www.cig.gov.pt/wp-content/uploads/2013/12/guiao_educa_1ciclo.pdf

 

Por Patrícia Ervilha, para Up To Kids®
Todos os direitos reservados

Porque gerem os miúdos tão bem as emoções? Ou de como o coração de mãe dramatiza!

Hoje deixo uma recente história familiar.

A nossa família não é a mais dada a animais. Admito. Mas tínhamos um canário magnífico que, sobretudo eu e o meu filho adorávamos. Cantava lindamente e fazia parte das nossas preocupações diárias, especialmente do M., que tanto zelava pelo bicho.
Bom, a gaiola caiu, o pássaro voou… enfim, ficámos sem canário. Pânico.
Sabendo a elevada estima que M. tinha pelo pássaro, procurei por todo o lado e encontrei o que não queria ver. O que fazer agora?
Finalmente reunida a família, decidimos que teríamos que comunicar o seu desaparecimento à criança. E assim, à saída da escola lá estava eu, preparada para o meu melhor discurso sobre a perda e certa de que a sua reação seria radical pois nunca passara nada de semelhante.

Assim fiz.

Preparei o M., provavelmente da pior forma, engendrei um conjunto de frases às quais ele me respondeu: “É assim tão grave”? Percebi que estava a assustá-lo ainda mais e contei de uma vez … Silêncio. Ainda acrescentei: “podes ficar triste” ao que me responde “mas eu estou triste”. Ponto.

Queres ir escolher outro canário?”  – “Claro que sim! Vamos!”

Rei morto rei posto ou gestão das emoções, sem dramas.
Hoje temos outro canário maravilhoso a cantar de satisfação.
O mundo voltou ao normal e o coração de mãe sobreviveu.

Por Patrícia Ervilha,
para Up To Lisbon Kids®

Todos os direitos reservados

imagem capa@ultimosegundo

Quando o Outono chegar vou apanhar folhas vermelhas e douradas e deixá-las sossegadas num livro a descansar.

Quando o Outono chegar vou cheirar o aroma quente das castanhas assadas e com ele vou lembrar tantos outros Outonos que passaram.

Vou por um gorro e um cachecol, vou chutar as folhas amontoadas no parque, vou sentir o calor do sol da tarde e o frio da noite longa.

Quando o Outono chegar vou para a janela ver a chuva, vou aquecer-me à lareira, vou enrolar-me na manta mais quente.

Quando o Outono chegar, vai passar.

Por isso, este Outono, vou apreciar com mais atenção. Comer romãs e dióspiros. Tangerinas e nozes. Compotas com requeijão.

Quem sabe, este Outono, vou encontrar uma abóbora gigante, esvazio-a, faço-lhe uma carantonha e coloco uma vela lá dentro e, bem à noitinha, ponho-a na varanda e faço a minha noite das bruxas.

Quando o Outono chegar vai estar quase a acabar, por isso, temos que o aproveitar!

Excelente Outono!

Por Patrícia Ervilha, para Up To Lisbon Kids®

Ai que já é final de Agosto!

Nós sabemos que o tempo passa muito rápido.

Sabemo-lo ainda melhor depois de sermos mães: nascem hoje e amanhã já têm 18 anos. É de facto uma correria. É uma correria tal que só nos apercebemos de ano a ano, na melhor das hipóteses.

Até há pouco tempo atrás ainda pensava aquelas coisas do tipo “nunca mais …”. Agora parei!

Percebi que o tempo não pode ser mais acelerado do que já é.

Percebi que o “nunca mais” chega tão rápido.

Percebi que é melhor viver o hoje. Só o hoje mesmo e o amanhã logo se vê.

Percebi que é tudo demasiado incerto e a única grande certeza que temos é o afecto, é o amor, são os laços. Com filhos, sem filhos, são os afectos que temos que cultivar, dia a dia. Com a família de sangue, com os amigos feitos família.

Sabem aquela amiga que mora a 2 km de nós e não vemos há 3 meses? Como? Porquê? Não faz qualquer sentido.

Sabem aquele almoço que adiamos sempre porque temos que trabalhar porque temos que ir às compras porque … Como o ginásio ou porque chove ou porque faz muito calor ou porque não temos horário.

Sabem que já é quase final de Agosto e em Setembro recomeça a escola, a rotina, os trabalhos. Depois chega o Outono e a chuva e os dias pequenos e outras coisas boas, como a lareira e as castanhas.

Antes que o Outono nos apanhe na curva, vamos aproveitar que ainda é Agosto.

É a minha sugestão. E é o que vou tentar fazer!

Prometo.

Ou muito me engano ou ando assim em volta destes pensamentos porque em Setembro faço 40 anos.

E não tenho qualquer pressa!

 

Imagem capa @obvious

Eu só tenho um filho e agora?

Hoje escrevo num tom mais pessoal do que é habitual.

Sou mãe de um rapaz de 7 anos e não terei mais nenhum filho.

Sou irmã, por isso, conheço o contrário de ser filho único.

Socialmente pergunta-se demais e quer saber-se tudo: quando casas, com quem casas, quando tens o primeiro filho, quando tens o segundo e porque não o terceiro? Socialmente é duro lidarmos com a pressão para tudo. Para ser super mãe, super mulher, super amante, super filha, super profissional … manter a casa em ordem, enfim, são tantas as exigências que ou nos colocamos um pouco à margem, fechamos os ouvidos e fazemos o que o nosso coração e razão nos dizem ou então vivemos em permanente sofrimento.

Eu não sou mãe perfeita mas sou certamente a melhor mãe que o meu filho espera. Não lhe vou dar um irmão, o que parece criminoso hoje em dia. Respeito quem tem 2, 3, 4 filhos e espero respeito quando opto por ter 1.

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Tempos houve em que os filhos “morgados” eram bons partidos. Vamos à história e encontramos imensos relatos e ainda hoje ouvimos pessoas, sobretudo mulheres, dizerem, “o meu marido era morgado, por isso, casei bem”. Os morgados eram herdeiros únicos.

Hoje, na ditadura da perfeição, não cabem os filhos únicos.

Pois eu, hoje mesmo, quero aqui afirmar que a decisão do número de filhos que se traz ao mundo cabe ao casal e apenas ao casal. Que nem sempre as decisões são controladas porque a biologia conta muito. Que os filhos únicos não estão condenados ao egoísmo selvagem nem à solidão ou a um qualquer karma. Os filhos únicos têm o mesmo futuro que os outros e o futuro é incerto para todos.

Haja amor, atenção e respeito e todos serão bons filhos se nós formos bons pais.

Sem culpas, sem ressentimentos, sem aflições.

Somos como somos e temos os filhos que temos.

Imagem@Flema

A Primavera que ansiávamos chegou! Assim parece, pelo menos! Precisamos todos de arejar: as casas, os miúdos, nós próprios!

Na Primavera os dias são muito próximos dos dias ideais: calor suficiente mas não em demasia, já anoitece mais tarde, roupas leves, o sol abraça-nos o rosto e, como as flores, apetece-nos desabrochar.

E agora, o que fazer? Está na moda, é económico, muito enriquecedor e relaxante e até pode facilitar o orçamento familiar: vamos jardinar!

Não vale a pena pensar que não tem jardim porque a nossa capacidade de adaptação é cada vez maior! Se tiver jardim, melhor ainda!

Como a Primavera desperta a natureza em todo o seu esplendor, é uma excelente altura para ensinarmos aos mais novos algumas coisas sobre a natureza: flores, árvores, frutos, aromáticas, é só escolher!

As opções são várias:

  • um viveiro de plantas nesta altura é excelente e pode passar lá uma tarde à vontade;
  • uma visita a um jardim botânico é maravilhoso;
  • o Jardim Tropical na Ajuda é fantástico;
  • um qualquer jardim municipal que esteja bem recheado de flores;
  • uma horta comunitária (são cada vez mais);
  • o horto municipal.

Vá e explore! Aprenda e ensine!

Se a opção for colocar algumas coisas lá em casa, mesmo não havendo espaço, hoje é possível produzir jardins em quaisquer 20 centímetros. Basta procurar na internet e encontra imensas sugestões e dicas do estilo: “cultive os seus legumes”, “plante um jardim na vertical”, “crie as suas ervas aromáticas”…

De facto, não é preciso muito espaço nem grande investimento. Basta pensar nas garrafas e garrafões de água transformados em vaso. Qual é a grande vantagem? Para além de conseguir realmente produzir algumas das coisas que consome em casa, os mais novos tiram daqui várias lições, sem necessitarem de muitas explicações.

Jardim-vertical-garrafa-pet
Jardim Verical com Garrafas | @giulianaflores

 

Percebem que a natureza exige tempo e calma: nada nasce e cresce de um dia para o outro.
Aprendem o processo do semear ao colher.
Percebem que as plantas precisam de atenção e cuidado.
Percebem o ciclo da vida.
Valorizam o que semearam.
Grande vantagem final: jardinar é para toda a família, dos avós, aos tios, aos pais, aos netos!

Vamos a isso? Eu já comecei! Um vaso cheio de alfazemas que já espreitam para fora da terra porque o sol a esta a chamar!

 

imagem@romanaodontomedica

10 aventuras de sonho para fugir da rotina com os miúdos

Apetece-lhe pegar nos miúdos e fugir da rotina?

Parta à aventura!

Portugal tem tanto por descobrir: pegue no mapa, escolha uma área geográfica, nem que seja a 5 minutos da sua residência, e descubra!

Preparativos:

registe-se nos mais diversos sites de alojamento e aproveite as promoções. Vai ver que existem campanhas fantásticas todos os fins-de-semana!

Não se esqueça da máquina fotográfica.

Em viagem:

Peça aos miúdos para anotarem no mapa os sítios que vão conhecendo. Para eles é sempre divertido e é pedagógico! A geografia agradece.

Desligue o telemóvel, o tablet … desligue-se e a si e aos miúdos! Todos sem tecnologia. Será que consegue? É difícil mas tente!

Escolha uma aventura:

1. Dormir num moinho!

Já experimentou? Tem que experimentar! Há moinhos por todo o país e uma noite no moinho pode ser um momento de romance a dois ou um grande divertimento em família: dos mais rústicos aos 360º, com vistas deslumbrantes, encontra de tudo! É só procurar! E com preços bem competitivos! Para os miúdos é uma experiência inesquecível.

2. Subir a serra!

Portugal tem imensas paisagens fantásticas perto de qualquer localidade. Veja qual a serra mais perto de si e subam a serra: andem, descubram a Primavera, façam os trilhos indicados, fotografem, ou então, aproveitem apenas para esvaziar os pensamentos e sentir o poder relaxante da natureza.

3. Seguir um rio!

Escolha um rio e sigam o seu trilho da nascente até à foz! Imagine o Mondego, da Serra da Estrela à Figueira da Foz, encontra a beleza da montanha, a cidade de Coimbra com a sua história, os arrozais de Verride, a praia em Buarcos… Num fim-de-semana ou num só dia, consegue fazer um percurso fantástico, com atracções para todos os gostos: da gastronomia, aos museus, passando pelo sol … Tudo aqui tão perto!

4. Visitar um Parque Temático!

São tantos e tão diferentes. Com os miúdos, a opção pelos animais é sempre certa! Lousã, Lisboa, Gaia, Alentejo… de Norte a Sul, não tem desculpa! Passe um dia no Jardim Zoológico!

5. Atirar-se à água!

A água satisfaz os mais diferentes gostos. Num parque aquático encontra a adrenalina máxima ou simplesmente relaxa junto à piscina. As opções também já são imensas por todo o país. Tenha em atenção a segurança e passe um dia extraordinário!

6. Navegar na cidade!

A pé, de bicicleta ou de transportes públicos, deixe o carro em casa e desfrute a cidade: os museus, os cinemas, os teatros, as lojas, as esplanadas, os terraços, os jardins … a cidade tem tanto prazer para lhe oferecer!

7. Apanhar o barco!

Nos rios, nas rias, nas ilhas, no mar, Portugal oferece-lhe diversas formas de embarcar, por uma tarde, um dia ou uma semana. Deixem-se embalar pelas águas e aproveite a beleza das paisagens, do Douro, ao Farol, passando por Lisboa. Já não tem desculpa! Há sempre um passeio de barco perto de si!

8. Passear na praia!

A praia não é só toalha estendida e um enorme escaldão. Vão à praia mais cedo e comecem com uma caminhada revigorante logo pela manhã. Aproveitem as horas e os minutos! Ou então, opte pelo sunset tão na moda e desfrute de um pôr do sol como só cá temos! Sintam o aroma das dunas ou da maresia. Vivam a praia com os cinco sentidos!

9. Viver outra época.

Se o cansaço tomou conta de si, procure um sítio bem recolhido, sem carros, sem barulhos, sem horas… vai ver que os encontra para todas as bolsas. Descubra um Palace Hotel e viva noutro ritmo, por uns dias! Na segurança dos muros dos jardins, deixe que os miúdos se percam e explorem todos os recantos livremente. E faça só aquilo que lhe apetecer! É um direito seu! Aproveitem ao máximo!

10. Mimar-se no SPA.

Este é o dia  só para si! Deixe os miúdos com o pai, a mãe, a tia, os avós, uns amigos e dedique um dia só a si. Pensa que é um luxo só para os outros? Desengane-se! Os Spa’s têm ofertas promocionais todos os dias. É só estar atento e aproveitar! O importante é reservar um dia só para si!