A minha filha tem um abraço que podia evitar guerras.
Um abraço puro, sem segundas intenções.
Ela abraça porque quer mimo – dar e receber.
Estende os braços, apoia a cabeça no nosso ombro e sorri.
Nos dias menos bons (desde que fui mãe não tenho dias maus, basta existir a Mariana para nada nem ninguém ter o poder de me estragar o dia), aquele abraço cura tudo.
Se pudesse reproduzir a receita do seu abraço mandava embalar e distribuía pelo mundo.
Já disse que a minha filha tem um abraço que podia evitar guerras?
É um abraço tão fofo que mesmo as pessoas que normalmente não exteriorizam carinho não conseguem resistir-lhe.
Os bonecos têm a sorte de ser abraçados põe ela. Alguns também levam umas trincas, mas é a lei da compensação.
Ela abraça a prima com tanta força que a põe a dizer “ai, assim não, Mariana!” – e depois a prima mostra-lhe como se faz com suavidade. Vai aprendendo aos poucos até ao abraço perfeito.

Felizmente, deixa-se abraçar.

Acha graça quando ponho os bonecos a abraçar-se uns aos outros.

Abraça-me quando está contente.
Abraça-me quando está com medo.
Abraça-me quando está feliz por me ver.
Abraça-me quando a faço rir.
Abraça-me quando se assusta ou magoa.
Abraça-me quando lhe limpo as lágrimas.
Dá os melhores abraços do mundo ao pai.
A minha filha tem mesmo um abraço que podia evitar guerras.

Nós, os adultos, perdemos aos poucos o hábito de abraçar. Temos demasiado pudor, demasiada pressa.
Conversamos menos do que podíamos, ouvimo-nos menos do que devíamos.

Reparo que até aos filhos os pais deixam de abraçar. Quando é que deixámos de dar valor ao amor que sentimos? Quando é que passámos a acreditar que não faz falta?

Faz falta. Faz demasiada falta. Mesmo que os miúdos sejam quase homens e tenham vergonha. Um abraço cura tudo. Um abraço lembra que estamos lá. Às vezes só precisamos mesmo de um abraço.

Já deu um abraço hoje? Não deixe para amanhã!

 

Por Marta Coelho, para Up To Kids®
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Os primeiros meses de um filho com os pais são de um enamoramento constante, é a criação do ninho, estabelecimento de laços, de sentimentos, de um amor que vai crescendo dia apos dia. Para a mãe são 4 ou 5 meses de puro namoro diário com o seu filho. Mas estes meses passam a voar, e de repente, estamos de volta ao trabalho. Infelizmente são poucos meses que podemos estar a usufruir do maior amor que a vida nos dá a tempo inteiro…injusto não é?

Deixar o bebé em casa, ou na creche, na ama ou com os avos, seja qual for a situação, deixar um filho e ter de ir trabalhar custa sempre.

No meu caso, estive sem as minhas filhas 109 dias, pois estiveram internadas nos cuidados intensivos neonatais a sobreviver à grande aventura que é a prematuridade e a delas foi de 25 semanas com pouco mais de 600gr. Durante esse tempo estive de baixa por assistência à família, posso dizer que foram os 4 meses mais longos da minha vida. O tempo parece que dói a passar, ia para casa com o maior vazio do mundo, mas quando elas foram para casa a felicidade chegou. Estive de licença 6 meses e mais um de férias. Depois ainda consegui pôr licença de maternidade prolongada por mais três meses. Ainda assim soube a pouco! Esses sim foram os meses mais felizes, mas mais intensos e trabalhosos também.

Estive bastante tempo com elas em casa, foram dias e dias só para elas. E confesso que no final já precisava de sair, de ir trabalhar. Foram muitos meses fechadas em casa, dado que, pela prematuridade, não podíamos ter muitas visitas nem sair muito de casa. Trabalhar não era assim tão assustador mas e ao mesmo tempo sentia que ia fazer-me bem. Mas… um mês antes de voltar ao trabalho a ansiedade chegou, não me conseguia imaginar a sair de casa e estar sem elas. Passava o dia a imaginar como iria ser, e a fazer questões a mim própria, será que vão sentir a minha falta? Será que eu vou conseguir? Será que vou passar o dia a olhar para o telemóvel, ou ligar de 10 em 10 minutos para saber se estão bem? Como é que vou ter energia para trabalhar sem dormir “quase nada” (elas sempre deram más noites), como vou gerir a casa, o trabalho e cuidar delas???… Tantas e tantas questões que me passavam pela cabeça.

O dia chegou, acordei mais cedo que o normal, tomei o pequeno almoço, fiz questão de lhes dar os leitinhos e de lhes dar um grande beijinho e dizer “a mamã vai trabalhar e daqui a pouco  chega a casa para brincar muito com vocês”. Sorri para elas e la fui eu, fecho a porta e cai a primeira lagrima…ia com o coração nas mãos mas feliz por regressar ao trabalho. Apenas liguei uma vez, e quando cheguei a casa vinha ainda com mais vontade de brincar com elas. Posso ter menos tempo, mas é tempo de qualidade só para elas e para elas com muita brincadeira, muitos abraços, sorrisos, passeios, muitos sorrisos e muito amor. O tempo é uma das melhores prendas que podemos dar a um filho.

Já passaram 3 meses desde que regressei ao trabalho, e não posso negar, tenho muitas saudades de passar os dias inteiros com elas, tenho saudades desse tempo maravilhoso. Durmo menos, tenho menos tempo para mim, ando sempre a correr, mas o tempo que estou com elas e com o meu marido é de qualidade! Mas sim, é muito cansativo, e o cansaço é diário. Faço questão de quando chego a casa, esse tempo ser para brincar com elas até a hora do jantar, depois quando adormecem (nem sempre é fácil adormece-las) é quando eu e o meu marido tentamos fazer o jantar e almoço para o outro dia, arrumar a casa e tentar dormir (se elas deixarem).

É difícil conciliar o trabalho, casa, os filhos, marido e ainda ter tempo para nós, mas acabamos por conseguir sempre, as mulheres são sem dúvida seres com super poderes, então quando viram mães são capazes de tudo, porque amam mais e quando há amor tudo se faz e tudo se consegue.

 

Dicas para quem esta prestes a terminar a licença de maternidade e regressar ao trabalho:

– Não ligar mais do que 1 ou 2 vezes para quem esta a cuidar do seu filho;

– Quando estiver muito cansada lembre-se que vai chegar o fim-de-semana;

– Divida as tarefas com o seu marido;

– Rotinas são importantes, organização de tarefas, e refeições com antecedência são fundamentais;

– Quando esta no trabalho envolva-se no que esta a fazer;

– Quando regressa do trabalho dedique-se a 95% aos seus filhos e marido, os outros 5% são para se dedicar a si própria, para ter tempo para si!

– As saudades são normais, mas tente ver isso como uma coisa boa;

– Lembre-se que quando terminar o trabalho vai encontrar o melhor sorriso e abraço do mundo!!!

 

Por Débora Barroso, para Up To Kids®

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A grande  maioria das pessoas, consciente ou inconscientemente, procura um par, um grande amor para passar o resto  da vida e para eternizar o seu amor através dos filhos. Não sabendo se a relação será ou não eterna, as pessoas investem de corpo e alma nessa procura, porque é da natureza humana querer ser feliz, e por um motivo ou outro, acreditamos que isso passa por ter filhos.

Depois desse investimento, quando já encontrámos a pessoa que acreditamos que nos completa, há ali uma fase, a que chamo o lusco-fusco da maternidade, em que o casal, ainda, tem total controlo da sua vida, mas já está mortinho para pôr a corda ao pescoço se juntar a esta maravilhosa classe – os Pais. (Não fazendo puto de ideia do que os espera)

Nesta altura, o casal não se apercebe do pequenos privilégios dos quais todos já gozamos, e abdicamos da vida sem filhos tais como:

  • Deitar-se tarde ao fim de semana e acordar tarde no dia a seguir;
  • Demorar o tempo que quiser no banho e quando se termina ter o resto da casa intacta, sem haver feridos nem incêndios
  • Ir sozinhos à casa de banho;
  • Conseguir falar ao telefone sem parecer que sofremos de Taurette;
  • Conseguir comer uma bolacha sem ter SEMPRE de deixar todos darem uma dentada
  • Encontrar as coisas onde as deixamos;
  • Controlar realmente os controlos remotos  das TVs
  • Limpar apenas o nosso próprio rabo, e o mais importante que tudo: o silencio.

Era tão fácil nessa altura. É tão fácil ter uma vida controlada, e julgar os outros pelos comportamentos inadequados dos seus filhos, por estarem sempre atrasados, sempre cansados, por não terem paciência para sair até às tantas da noite, por terem descuidado a sua imagem mais do que aquilo que alguma vez imaginaríamos, por tudo e um par de botas.

É verdade… há uma altura da nossa vida, quando os filhos são muito pequenos, que sentimos que perdemos o controle. As pessoas sem filhos julgam-nos, porque pensam que sabem tudo mas, na verdade, nem sequer imaginam!

Neste vídeo, o Humorista Michael McIntyre satiriza esta diferença: pessoas sem filhos e pessoas com filhos.
Eu já conhecia, mas ao rever fui às lágrimas!


*Clicar nos campos juntos a “you tube” para acionar as legendas

Por Up To Kids®
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– Porque é que estou estranha? “Estranha”, como? Estás a falar do meu “despenteado” e dos meus gritinhos nervosos quando me rio, ou de andar mais distraída, e da minha futura ulcera?”

Adorava ter um bocadinho, vá, um niquinho, da descontração natural de tantas Mães que conheço. Que deixam os filhos de 13 anos irem sozinhos para a praia e que confiam imenso neles, mesmo sabendo que fazem asneiras tipo mergulhar de 15 metros de altura do bendito “Santuário da Guia” … Sim, existe! E eles vão lá para saltar mesmo correndo o risco de se esborracharem nas rochas durante a escalada de não sei quantos metros até ao topo.

MAS PORQUE É QUE ME CONTAM ESTAS COISAS?! Preocupo-me em demasia porque faço sempre aquela previsão estúpida da desgraça atípica – Lembro-me da Ally McBeal quando imaginava o que gostava mesmo de fazer em vez de agir de forma “politicamente correcta”. Pensamentos que tenho quase vergonha de assumir (há uma hipótese de haver pensamentos que nunca assumirei. Tipo aquela mulher que tinha os filhos em cativeiro…UPS! Já disse…): *Vou enfiá-lo numa bola gigante inquebrável sempre que sair de casa sem mim; *Telefona-me de 5 em 5 minutos; *Levas aqui uma lista com 20 páginas A4 das coisas que não podes mesmo fazer; *Podes ir mas tens que cá estar daqui a 5 minutos. Estas e outras assombram-me as férias… deles! Ando numa luta contra mim e… tenho tido bons resultados! Principalmente junto de Mães como eu. HISTÉRICAS! Já oiço coisas como: “Tu estás doida?”, “Porque é que o deixaste ir?” ou “Não achas que aquilo é perigoso para o miúdo?”. Quando oiço estas e outras sinto um misto de “estou no bom caminho” e “estou a abusar na dose”, ou não andasse eu numa luta interna! Sinto-me numa batalha onde o “inimigo” é o meu melhor, fiel e mais querido amigo. No final, todos seremos vencedores e derrotados… e isto, a mim, diz-me que tenho de ceder em coisas que outrora (outrora dá-lhe uma conotação distante – não foi assim há tanto tempo) critiquei nos outros. PIMBAS! IN YOUR FACE! Ser Mãe é entrar de olhos vedados numa casa e tentar encontrar a porta. Bater várias vezes contra as paredes e perceber que a saída é só uma… pela porta! Aceitar todas as cabeçadas que damos e deixar que os nossos filhos as deem também, tendo como alento que as mensagens que lhes passamos através da educação serviram para alguma coisa. Ser Mãe é perceber que os filhos não são só nossos e não ficar insana com isso… Ser Mãe é saber que se continuarmos neste registo vamos ser umas cabras de umas sogras! No fim, ser Mãe é… ser LOUCA! Hoje desabafo convosco na esperança de vos ouvir dizer “Ohhh Inês… Sou igual!”

Por Inês de Santar, para Up To Kids®
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O número de casais portugueses que anualmente se separam tem vindo a aumentar sistematicamente. No meio de conflitos que não terminam após a separação, encontram-se crianças e adolescentes que passam por grandes alterações de rotinas. Paralelamente não podemos deixar de referir que emocionalmente existem variações que podem comprometer o seu bem-estar.

Os pais muitas vezes perdidos e desgastados pelos seus próprios conflitos, deixam ficar para segundo plano as necessidades afetivas dos filhos que, sem culpa ou envolvimento direto na situação, se vêem como elementos extremamente frágeis e que precisam de se reorganizar para se adaptar à nova realidade.

Cada criança/adolescente sente o mundo à sua volta de forma diferente e o divórcio dos pais não tem necessariamente de ser vivido de uma forma traumática. Existem crianças/adolescentes que, apesar da separação dos pais, permanecem felizes. Os vínculos sociais sólidos possibilitam o diálogo sobre o que se está a passar, permitindo à criança satisfazer as suas necessidades, encarar a situação de forma responsável e apoiá-la quaisquer que sejam as circunstâncias.

Por isso, perante uma separação há sempre comportamentos que os pais podem e devem fazer no sentido de diminuir o impacto da separação. Neste sentido vamos destacar os seguintes aspetos:

  • Não expor os filhos aos conflitos entre o casal, mas explicar de forma clara e de acordo com a faixa etária que a separação vai ocorrer;
  • Não envolver os filhos nas disputas entre pai e mãe;
  • Não culpabilizar os filhos por decisões que são inteiramente da responsabilidade dos adultos;
  • Proteger os filhos do envolvimento jurídico e de questões ligadas a acordos de regulação paternal ou de regime de visitas;
  • Não fazer dos filhos substitutos emocionais do pai ou da mãe ausente:
  • Não denegrir a imagem do pai ou da mãe;
  • Não excluir ativamente ou deliberadamente o outro progenitor do contacto regular com os filhos, excepto se devidamente provadas situações de risco daí resultantes;
  • Não conflitualizar sobre a possibilidade de uma nova relação de qualquer um dos pais:
  • Manter uma boa disponibilidade emocional para acompanhar os filhos numa fase de dificuldade emocional acrescida.

Infelizmente nem sempre é possível atuar de acordo com o desejável, e por isso existe uma grande percentagem de casos em que a separação representa uma fonte de mal-estar e sofrimento para os filhos. Os recursos psíquicos variam conforme a idade, desenvolvimento emocional e cognitivo, predisposição genética e fatores ambientais. Esses recursos por vezes revelam-se insuficientes para conter, elaborar e ultrapassar uma situação de especial fragilidade ou tensão como é o caso de uma separação.

É importante manter a atenção redobrada e saber valorizar sinais e sintomas na vida emocional das crianças e adolescentes, para que se possa intervir o mais precocemente possível evitando danos futuros.

Para finalizar deixamos alguns sinais de alerta para os quais pais, professores, educadores e outros adultos devem ficar atentos:

  • Tristeza constante
  • Alterações do sono
  • Regressão no controlo dos esfíncteres
  • Aparecimento ou agravamento de medos ou fobias
  • Silêncio e isolamento
  • Agressividade
  • Baixo rendimento escolar
  • Consumos exagerados de substâncias aditivas como álcool, drogas, etc.

 

Soraia Francisco, Psicóloga Clínica OPP nº 2024, para Up To Kids®

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Ao pai dos meus filhos, um estranho na pele de família: eu não estou zangada contigo. Estou triste por ti. Estás a perder tudo.

Olhei para ti quando, de coração nas mãos, te entreguei os miúdos que não vias há mais de um mês, e lembrei-me de como tu és. Olhei para ti, e vi o vazio nos teus olhos. O mesmo vazio que sempre vi, e tentei preencher comigo, com o meu amor, com os nossos filhos.

Percebi pela rouquidão da tua voz a quantidade de cigarros que deves ter fumado na noite anterior. Percebi que te sentias mal, que tinhas passado o dia a dormir e que estavas para morrer. Percebi que não era boa ideia cumprires a tua obrigação de passar o fim de semana com os miúdos. Cheiravas a álcool, a ressaca, e só me lembrava de te ver assim todos os fins de semana durante anos.

Senti o coração no estômago por deixares que os miúdos te vejam assim, e por ter de deixa-los contigo nesse estado. A memoria trouxe tudo ao de cima.

Sorri-te  como se estivesse tudo bem, e fingi não perceber o que se passava. Perguntei se estava tudo bem. Disseste que sim, mas eu sabia perfeitamente… Não estava nada bem.

E estás a perder tudo.

Era suposto seres o homem. O homem que eles admiram. O homem que eles querem ser quando crescerem. O homem que os ensina a ser um homem. O homem em quem eles podem confiar. Mas não és.

Sim, eles adoram-te. E neste momento eles até olham para ti. Mas não estás a ser um exemplo, e de certeza que não podem confiar em ti.

Mandaste-me uma mensagem nessa noite, apenas algumas horas depois de eu ter saído. E eu sabia aquilo que te recusaste a admitir.

“Eu sei que não vais querer saber, e que provavelmente irás usar esta mensagem contra mim de alguma forma, mas estou farto de vomitar e de suar. É um bocado assustador, e não, não estive a beber”

Eu sei que estavas mal e a ressacar. Tinha percebido horas antes. Não foi a primeira vez e não será a última. Na verdade até fiquei aliviada por teres mandado mensagem. Mesmo que não tenhas admitido a verdade sobre a tua “má disposição”, eu fiquei contente por ir buscar os meus filhos e leva-los para casa. O meu instinto materno dizia-me que eles estavam a precisar da mãe, e que tu não estavas em condições de passar o dia com eles. Por isso obrigada por teres assumido que não conseguias aguentar até à hora de jantar. Mesmo que não admitas qual o verdadeiro motivo.

Eu já não estou zangada contigo. Pelo menos como costumava estar. Agora é a desilusão que me assola cada vez que estou contigo.

Eu sinto pena por ti, e pelas pessoas que acreditam nas tuas mentiras.

Adorava que fosse diferente. Mas já desliguei.

Não queria que te afastasses dos rapazes, mas a verdade é que já o fizeste.

Enquanto passas o tempo, que deverias estar com eles, a beber, eu aproveito  e desfruto cada minuto das suas companhias. Enquanto destróis tudo à tua volta, eu ensino-os a consertar e construir coisas.

Enquanto dormes a aconchegar a tua ressaca, eu aconchego os nossos filhos.

Enquanto sais com outras pessoas, eu também saio. Com três outras pessoas, para ser mais precisa. A diferença é que eu estou nestas relações para toda a vida, e as tuas duram uma noite.

Enquanto inventas desculpas, eu estou a criar memórias.

Estás a perder tudo.

Quando estás com eles, perdes tempo a mandar-me sms a contar as suas piadas e saídas humorísticas, e esqueces-te que eu estou com eles todos os dias.

Eu sei que eles são espetaculares.

Ficas surpreendido com coisas que eles dizem e fazem e contas-me como se fosse novidade para nós os dois. Eu sei que eles são espertos. Eu é que lhe ensino as coisas que eles sabem.

Ficas surpreendido quando os vês abraçados um ao outro muita cumplices. Eu sei que eles são carinhosos. Eles aprenderam a gostar intensamente, comigo.

Enquanto vives de volta do teu umbigo, perdido nesta vida que tanto dizes adorar, estás a perder tudo.

Não sabes que o Ethan gosta de ser empurrado muito alto no baloiço, mas que tenho de fazê-lo de frente para que consiga sempre ver a minha cara.

Não sabes que o Connor também gosta que o empurre, mas só devagarinho, porque alto é assustador para ele.

Não sabes que eles já se vestem sozinhos, mas que o Ethan veste primeiro os braços e depois a cabeça, e o Connor faz exatamente ao contrário.

Não sabes qual a refeição preferida deles, ou a música preferida ou o jogo preferido. Não sabes que eles os três adoram dançar. Não sabes que o Luke tem tanto de selvagem e forte como de doce.

Não sabes que o Connor se esconde quando está envergonhado.

Não sabes que eles querem jogar futebol e que são bons de bola. E provavelmente não vais estar lá nos treinos, nem tampouco nos jogos. Sou eu que vou estar lá a apoiá-los. É a minha cara que vão procurar no meio das bancadas. Não sabes como ensiná-los a serem cavalheiros, porque tu próprio ainda és um miúdo mimado.

Estás a perder tudo.

Quando eles nasceram o meu mundo mudou. O teu continuou igual. Perdeste a beleza do que é ter filhos e nunca compreendeste o quão importante era o teu papel. Nunca quiseste na verdade assumir esse papel. Mas quiseste ser pai, e agora estás a perder tudo.

Eu já não estou zangada contigo.

Estou triste por ti.

Porque tu estás a perder tudo.

Eu não.

Por Rachael Boley, para Scary Mommy; tradução e adaptação autorizada para Up To Kids®

Sente que a sua agressividade está mais descontrolada. É como uma chama que vive dentro do seu peito ligada a um rastilho que quando acende, dispara para todos os lados sem avaliar as consequências.

Assim é a agressividade. Não olha a meios e simplesmente bombardeia.

Sei agora que a minha agressividade é uma forma de mostrar o meu poder aos outros, esconder a minha insegurança interna e proteger o meu lado mais frágil, mas encontrei esta forma de me defender. Quando sinto oposição, expludo ainda mais! Parece que o mundo não compreende isso e constantemente abrem campo para que o meu rastilho se acenda.

As crianças têm consciência, mas ainda assim não conseguem controlar os seus sentimentos para agir e reagir dentro de limites saudáveis.

Quando os filhos evidenciam comportamentos agressivos, a difícil tarefa de ser pai, para a qual nenhum de nós foi ensinado e que resulta de forma diferente para cada criança, torna-se ainda mais complexa e muitas vezes angustiante. Ouvimos tantas vezes os pais dizerem que parece que vivem num campo de batalha, que estão exaustos, tristes e que já não têm forças para mais.

Embora a agressividade seja algo que faz parte do ser-humano, directamente relacionada com a afirmação do EU ela também é um sinal de alerta para qualquer ameaça real ou imaginária, interna ou externa. A expressão da raiva surge sobretudo quando a criança sente que o seu bem-estar ou a sua sobrevivência podem estar ameaçados, despoletando emoções que as impedem de empreenderem os seus mecanismos de auto-regulação e adequação comportamental. A raiva alerta para o perigo e dá à criança a energia necessária para actuar e nesse sentido é positiva. No entanto ela também é uma forma de cada criança se expressar como pessoa. Qual de nós não se lembra de fases da sua vida em que a agressividade esteve mais à tona e quase sem percebermos ela se foi tornando uma forma mais habitual de agir e reagir, um círculo vicioso no qual nos sentimos incapazes de controlar os nossos impulsos agressivos, de escutar e de equilibrar as nossas necessidades com as necessidades dos outros…. É nesse momento que ela deixa de ser positiva e de cumprir a sua função.

Os pais, como educadores, precisam estabelecer limites firmes para que a criança possa continuar a desenvolver-se forte, independente mas também segura.

Ensinar uma criança a lidar com os seus sentimentos de agressividade e saber canalizar os seus impulsos para acções construtivas em vez de destrutivas é um trabalho moroso, no qual o amor, a disciplina e os limites têm que estar sempre presentes.

É fundamental que os pais compreendam e aceitem as diferenças de temperamento em cada um dos seus filhos, que os fará ter níveis de reacção diferentes, por vezes mesmo opostos, aos estímulos que o mundo lhes envia constantemente. Mas, seja qual for o temperamento deles, todos terão que aprender, com a ajuda dos pais, a identificar e nomear as suas emoções, tudo aquilo que o corpo sente, mas que ainda não tem nome. Saber que aquilo que estão a sentir é medo, raiva, alegria ou tristeza, é o primeiro passo para que se possa aprender a lidar e eventualmente controlar/adequar o comportamento, sem que sejam necessárias explosões desmedidas e por vezes descontextualizadas.

Depois da criança aprender a nomear e falar sobre o que sente, fica então preparada para começar a aprender a acalmar a intensidade e o desconforto desses sentimentos para eventualmente poder vir a compreender a sua origem.

Por Ana Galhardo Simões, Psicoterapeuta Corporal
para Up To Lisbon Kids®

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Nunca mais acordas com o despertador
O teu novo despertador, que não precisa de ser programado, acorda-te invariavelmente antes da hora. Mas não te importas porque o seu sorriso, o facto de esticar os bracinhos a pedir que lhe pegues, é um milhão de vezes melhor que qualquer melodia que tenhas escolhido para esse efeito.

Passas a ir à praia tão cedo que até as gaivotas estranham
E sais de lá à hora a que normalmente chegavas. Mas é um novo hábito saudável, porque estás ao sol na hora em que é menos prejudicial e voltas a brincar nas poças de água, constróis castelos na areia molhada e até gostas de ficar estilo croquete porque o teu rebento te enche de areia.

Tudo se transforma em música
E com a melodia do Come a Papa inventas versos conforme a necessidade. “Dá o bracinho, Mariana, dá o bracinho. Para vestir e ir embora para o jardim, embora para o jardim…”.

Podes voltar a fazer macacadas na rua sem as pessoas te olharem de lado
Com o bónus de receberes uns olhares cúmplices e sorrisos ternurentos. Voltas a ser criança, sem ligar ao que os outros pensam porque exteriorizas um estado de alma que te acompanha todos os dias: estás completo.

Quando o teu filho te deixa dormir até às oito da manhã sentes que dormiste vinte horas
Mesmo que só tenhas dormido quatro e acordado duas vezes durante a noite. O corpo habitua-se às condições de privação de sono de uma forma incrível e acordas fresca que nem uma alface (nos dias bons, pronto…).

O chão da tua casa tem sempre migalhas de pão, ou bolacha, por mais que a limpes
E fica pegajoso cinco minutos depois de passares a esfregona. E o sofá tem umas manchas que não vinham no produto original. Mas não vives num museu e a razão de teres a casa de cabeça para baixo anda a gatinhar com um sorriso desdentado na cara e sacodes as migalhas e deixas a tarefa de limpar para depois.

Relembras as músicas que estão guardadas num cantinho do teu cérebro há décadas e voltas a cantá-las.
Percebes que houve umas quantas actualizações mas, regra geral, consegues cumprir bem a tarefa. Já não se atira o pau ao gato (porque isso não se faz) mas os pobres filhos da Linda Falua ainda ficam, porque a mãe não os pode sustentar.

A tua roupa nunca mais volta a estar cem por cento impecável (nem vamos falar do cabelo…)
Entre vestires e chegares ao carro, mesmo que só tenham passado cinco minutos, é como se tivesses atravessado um tornado.

Os brincos compridos passam a ser considerados um objecto de tortura chinesa – e arrependes-te de todas as vezes por tentares mais uma vez usá-los porque pode ser que desta vez ela não repare e não os puxe com força.
E as pulseiras. E os colares. Aprendes a usar acessórios de uma forma alternativa e viras ninja para te desviares dos ataques daquelas mãos rechonchudas.

Voltas a brincar e a divertir-te imenso com isso.
A criança que há dentro de ti volta a espreitar e encontras a felicidade numa colher de pau a fazer sons num tuppeware, no simples percurso de uma bola saltitona a bater nas paredes da casa e a voltar para junto de ti.

Passas a relativizar as coisas que antes te tiravam o sono sem razão. E dás valor aos pequenos momentos.
O mar, a areia, os animais, até a forma como as pessoas falam, tudo é uma redescoberta. Passas a ver o mundo pelos olhos das tuas crianças. A questionar coisas que tinhas como adquiridas e de que já não te lembravas de perguntar por que são assim. Olhas para cima, coisa que acabaste por deixar de fazer com a pressa do dia-a-dia. Vês novamente a forma das nuvens, os frisos do último andar dos prédios, a forma como o vento faz dançar as folhas das árvores. Apontas para os bichos-de-conta e dás saltinhos para não os pisares. Observas a forma mágica como os aviões rompem o céu. Dás por ti a reparar no reflexo de uma taça com água no tecto da sala, provocado pelo sol. És feliz por todas estas pequenas coisas. Por o teu filho te adormecer no colo. Por te apertar a mão com força, por se aninhar no teu pescoço. Por sorrir quando te vê, por se mostrar contrariado quando as coisas não correm como esperava. Por não desistir quando quer uma coisa. Por estar a crescer bem, saudável. Por poderes ver isso tudo de perto.

Que privilégio.

Tudo muda, mas não trocavas nada disto pela mais descansada noite de sono.

Afinal, a vida acontece quando estamos acordados.

Por Marta Coelho,
para Up To Lisbon Kids®

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Presença é o melhor presente que podemos dar.

Somos diariamente corrompidos pela rotina, pelo tempo, pela pressa, pela exigência, pela responsabilidade. Sem nos apercebermos, desligamo-nos facilmente de nós próprios. Desligamo-nos daqueles com quem mais queremos estar. Desligamo-nos dos nossos filhos.
As múltiplas exigências da vida diária e os diferentes papéis que nós, mulheres, assumimos diariamente fazem-nos, muitas vezes, pender entre um papel e outro sem que nos enraizemos verdadeiramente em nenhum. Estamos no trabalho a pensar nos filhos, estamos com os filhos a pensar no trabalho. Corremos entre um lugar e outro a pensar no supermercado ou na roupa que temos que estender quando chegarmos a casa. Este desligamento do momento presente reflete-se em tudo o que fazemos e impede que a nossa energia seja colocada integralmente no que estamos a fazer naquele tempo e naquele espaço.
Isso afeta profundamente as nossas crianças e a relação que com elas estabelecemos.
Na correria que caracteriza toda a rotina entre a saída do trabalho, o trânsito até à escola, a ida para casa e quando aqui chegamos…os banhos, os jantares, a preparação para o dia seguinte, a qualidade do tempo que disponibilizamos às nossas crianças é muitas vezes comprometida. Esta desconexão com o Aqui e o Agora nos momentos em que estamos com os nossos filhos, é muito perspicazmente por eles captada e fá-los agir de modo a trazer-nos à nossa verdadeira e genuína Presença.

Birras, choros e conflitos com os irmãos são, grande parte das vezes, tentativas de trazer para o presente o nosso foco e a nossa energia total. E conseguem! Quando nos irritamos, zangamos e ralhamos estamos a fazê-lo plenamente.

Não estamos a pensar em mais nada! Estamos a viver aquele momento com eles na sua plenitude. De corpo e alma. Da pior forma, sim. Mas estamos integralmente presentes.

Absortos no Aqui e no Agora daquela situação. É só isso que eles nos pedem. E é tão fácil fazê-lo sem que eles nos peçam desta forma. Basta fechar a torneira dos múltiplos pensamentos correntes e dedicarmo-nos inteiramente ao momento com eles. Sentindo-nos, sentindo-os.

Aqui. Agora. Basta focarmo-nos e envolvermo-nos totalmente naquele momento. Basta sermos, basta estarmos. Em Presença. A presença de entrega total à partilha daquele momento, como se nada mais existisse. É só isso que eles querem. É só isso que eles precisam.

E nós também.

 

LER TAMBÉM…

Dar Qualidade à Quantidade de tempo

O melhor presente é estar presente

Tempo especial

 

P.R.O.F.E.S.S.O.R | Pessoa, resiliente, obstinada, forte, empenhada, sábia, sacrificada, orgulhosa e resistente.

É também Peça, Régua, Oráculo, Ferradura, Espelho, Sino, Saco, OVNI e Roda.

  • O Professor é a peça para completar o coração das crianças em risco de se tornarem futuras “Constanças” (de quem já muitos se esqueceram).
  • O Professor é a régua que nos vai fazer medir as palavras quando vemos agressões de polícias a pessoas inocentes, ou agressões de pessoas marginais a polícias.
  • O Professor é o oráculo que nos vai ajudar a reflectir sobre o futuro desejado para as crianças do nosso país.
  • O Professor é a ferradura. Não a da sorte. Nem a antiga, mas a ferradura inovadora. É uma ferradura de cortiça (invenção nacional), símbolo de que somos capazes de descobrir novos caminhos (novas práticas pedagógicas) e prevenir lesões (e indisciplina).
  • O Professor é o espelho do mundo, da sociedade, da participação dos pais e encarregados de educação na escola…mas às vezes é um espelho daqueles dos provadores de algumas lojas, já que tem a capacidade de alterar a imagem para melhor.
  • O Professor é o sino que alerta, acorda, inquieta, e ressoa bem no fundo da alma.
  • O Professor é saco. Saco do sport billy. Algumas vezes sem reconhecimento, tem de ter várias competências, diferentes materiais, algumas surpresas na manga,…
  • O Professor é OVNI. Poucos conseguem explicar o mistério: fazer tanto com tão pouco?
  • O Professor é roda. Por vezes está para cima, outras vezes para baixo. Em vários aspectos. Também nas suas práticas pedagógicas, tem altos e baixos. Mas o que nos dá esperança é que quer sempre melhorar.

P.A.I | Pessoa altamente importante.

É também Partícula, Ampulheta e Íman…

    • O Pai é a “partícula de Deus”. Também conhecida como bóson de Higgs, esta partícula determina as propriedades básicas da matéria. Ela é fundamental. Como também são fundamentais as regras, os afetos, a disciplina e a criatividade que os pais passam para os filhos.
    • O Pai é ampulheta. Não tanto pela grande capacidade de gerir o tempo de qualidade que passa com os filhos, mas porque já sabe que na vida as coisas são transitórias. A morte, essa inevitabilidade, leva os pais a darem o seu melhor, a passarem os melhores valores aos seus filhos e a ensinarem-lhes o valor da vida e da fé.
    • O Pai é íman. Podia ser por também ter dois pólos. Podia ser por ter o melhor e o pior. Preferimos dizer que é pelo campo magnético existente á sua volta. À volta dos pais sentimos a calma, a proteção e só vêem coisas boas. Bolachinhas, carinhos, beijinhos, miminhos, estórias de encantar,…

Por Alfredo Leite, Mundo Brilhante, 
para Up To Lisbon Kids®

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