Quem tem filhos que passam horas a frente dos aparelhos electrónicos e se deu ao trabalho de observar o comportamento deles quando se “desconectam”, notou com certeza certas alterações. As crianças que veem televisão ou estão a jogar nas consolas ou nos tablets durante algum tempo seguido, sem interrupção, estão mais cansadas e mal-humoradas, respondem torto e de forma tendencialmente agressiva, e estão num estado contraditório de alta agitação e exaustão difícil de gerir.
A Victoria L. Dunckley, M.D. (psiquiatra integrativa, especialista nos efeitos dos ecrãs no desenvolvimento do sistema nervoso e autora do livro “Reinicia o Cérebro do teu Filho”) fala em 6 mecanismos fisiológicos que explicam porque os aparelhos electrónicos geram distúrbios de estado de espírito e alterações comportamentais.

Nos últimos anos têm aparecido vários estudos que alertam sobre o efeito dos gadgets no nosso cérebro e no nosso corpo, com especial nota para o caso das crianças. Os especialistas avisam que os altos níveis de excitação afetam a memória e o relacionamento, o que dá origem à dificuldades escolares e sociais em consequência.

  1. Os gadgets perturbam o sono e dessincronizam o relógio biológico

A luz dos ecrãs imita a luz do dia, o que determina o nosso corpo a suprimir a produção de melatonina, hormona que regula o nosso sono e que o nosso corpo produz na presença do escuro. Apenas alguns minutos de estimulação de um ecrã pode retardar a produção de melatonina por algumas horas e dessincronizar o relógio biológico da criança. Isso desencadeia outras relações dentro do corpo, como o desequilíbrio hormonal, uma vez que a excitação não permite ao corpo mergulhar no sono profundo e reparador que precisa para recarregar energias.

  1. Os ecrãs viciam o cérebro 

Muitas crianças ficam viciadas nos electrónicos. O acto de jogar nestes aparelhos liberta tanta dopamina (o neurotransmissor do “bem-estar” que o nosso corpo produz) que ao realizarmos uma imagem do nosso cérebro naquele momento, ela é muito semelhante a um cérebro sob efeito da cocaína. À semelhança do que acontece com os outros vícios, quando o cérebro recebe dopamina em excesso, os seus receptores tornam-se cada vez menos sensíveis e é necessário um estímulo mais intenso para sentir o mesmo nível de prazer.

No entanto, uma vez que a dopamina é fundamental para o nosso foco e motivação, é totalmente compreensível que qualquer pequena alteração na sensibilidade à esta hormona pode alterar profundamente a forma como a criança se sente e funciona.

  1. O ecrã expõe o corpo à luz durante a noite

A luz produzida pelos electrónicos tem sido associada com estados depressivos em inúmeros estudos, que demonstraram que a exposição à este tipo de luz antes ou durante o sono causa depressão, mesmo quando não se está a olhar diretamente para o ecrã.

Por vezes, os pais estão relutantes ao restringirem o uso dos electrónicos, cedendo às insistências dos seus filhos e deixando-os usarem os eletrónicos no quarto ou em qualquer lado a toda a hora. O que é um facto é que remover o acesso à esta luz especialmente no final do dia e de noite é algo que os protege de várias formas a longo prazo.

  1. Os ecrãs induzem reações de stress

Tanto o stress agudo (reações do tipo luta ou foge) como o stress crónico produzem alterações na química cerebral e geram hormonas que aumentam a irritabilidade. A produção de cortisol, a hormona do stress crónico, aparenta ser a causa e o efeito da depressão, criando um ciclo vicioso. Adicionalmente, tanto a excitação aguda e o vício suprimem o funcionamento normal do lobo frontal, a área do cérebro onde é realizada a regulação do nosso estado de espírito.

  1. Os ecrãs sobrecarregam o sistema sensorial, quebrando a atenção e gastando as reservas mentais

Os especialistas dizem que o que está frequentemente na origem de um comportamento explosivo e agressivo é a falta de concentração. Quando a atenção sofre, sofre também a habilidade de processar o que acontece interna e externamente, pelo que, as pequenas solicitações tornam-se tarefas enormes. Desgastando a energia mental com estímulos visuais e cognitivos, os ecrãs contribuem para a redução das reservas mentais. Uma forma de as aumentar temporariamente é tornando-nos agressivos, pelo que as birras são de facto um mecanismo de lidar com esta escassez.

  1. Os ecrãs reduzem os níveis de atividade física e a exposição à natureza

As investigações mostram que o tempo passado ao ar livre, especialmente em contacto com a natureza, restaura naturalmente a atenção, diminui o stress e reduz a agressão. O tempo passado à frente dos electrónicos reduz assim a exposição aos elementos que naturalmente aumentam o bem estar e o estado de espírito da criança.

No mundo de hoje, pode parecer estranho restringir o acesso aos electrónicos. As crianças estão claramente atraídas pela interatividade, pelas cores, pelo entretenimento ininterrupto. E os pais conseguem ganhar alguns minutos de sossego e descanso.

Mas quando se nota claramente que as crianças estão a manifestar comportamentos de falta de atenção e concentração, agressividade, depressão, mau-humor, não lhes fazemos nenhum favor deixando os electrónicos à mão e esperar que se acalmem usando-os com moderação.

Não funciona, mesmo!

Pelo contrário, permitindo que o seu sistema nervoso regresse a um estado mais natural, com uma abstinência completa de ecrãs, podemos dar o primeiro passo em ajudar os nossos filhos a tornarem-se mais calmos, fortes e felizes.

 

 

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Crianças, pais e cama própria é um assunto tantas vezes abordado, mas sempre com questões intermináveis para os pais. Há mesmo quem afirme que os seus filhos não são capazes de dormir / adormecer sozinhos “eu sei que outros conseguem, mas o(a) meu (minha) não dá… já tentei e não funciona.”.

Todas as crianças conseguem adormecer sozinhas! Precisam de treino, de ser ensinadas – umas demoram mais tempo; outras demoram menos, mas todas são capazes. Muitas das vezes a dificuldade está nos pais. É aos pais a quem mais custa deixar os seus filhos sozinhos no quarto até adormecerem ou mesmo a dormir sozinhos. Quer por pensarem que os filhos podem não estar bem, sem companhia; quer por os próprios pais (entenda-se os dois ou só a mãe ou só o pai) não quererem estar sem a companhia da criança.

A questão principal deve centrar-se em “é importante a criança ter o seu próprio quarto / cama para dormir?”; “é importante a criança adormecer sozinha ou posso fazer-lhe companhia até adormecer?”.

As respostas: As crianças devem ter o seu próprio quarto, cama própria e adormecer sozinhas. É importante e saudável que assim seja. Naturalmente que poderão reclamar a presença dos pais; reagir por não quererem estar sozinhas; chorar, chamar… Os pais devem ir, apoiar, mostrar que estão presentes e atentos, mas voltar a sair até que a criança consiga adaptar-se ao seu quarto e ao facto de adormecer sem companhia. Os pais devem “aguentar” este choro / chamamento / reclamação sem cederem a passa-los para a cama dos pais ou a ficarem junto da criança até que esta adormeça.

O “contacto” com os seus medos, com o desconforto que poderá provocar a noite e o estar sozinha, proporciona à criança a possibilidade de poder confrontar-se com isso mesmo, aprendendo a geri-los interiormente e ultrapassá-los. Esta conquista favorece a sua autonomia emocional, o que é de extrema relevância no desenvolvimento emocional infantil. Isto proporciona à criança perceber que é capaz; que consegue transpor barreiras (neste caso as do medo, por exemplo) e a sentir-se segura, sem precisar para tal da presença constante do adulto. Isto é, neste confronto entre os seus receios, o estar sozinha num espaço e perceber que a presença do adulto é uma certeza – ainda que sem contacto visual – a criança cresce de forma mais autónoma e, portanto, necessariamente mais saudável. Este poderá ser entendido como um dos caminhos pelo qual os pais dão aos seus filhos ferramentas para se alicerçarem numa confiança e segurança evolutivas que vem de dentro, ao invés de crescerem a pensar que precisam sempre de um apoio; de uma bengala exterior (os pais, por exemplo), tal como acontecia quando nasceram.

 

“Para compreender o coração e a mente de uma pessoa, não olhes ao que ela já alcançou mas sim àquilo a que aspira.” Kahlil Gibran

Sim, as crianças que conheço não têm tempo para sonhar! Faz-lhes falta tempo para “não darem pelo tempo passar”. Falta-lhes tempo para percorrerem os castelos da sua imaginação.

Quer seja pelos seus pesados horários escolares, com pouco tempo de actividade nos recreios, quer seja pelos horários de trabalho dos pais, com avós que (ainda) trabalham, as crianças acabam por ficar muitas horas em contexto escolar. E na escola, os currículos para cumprir, e as metas para atingir, parecem fazer com que se esqueça a importância das horas do recreio. É nos recreios que as crianças mais sonham! E mais crescem. Em tamanho, físico mas também emocional e social, e em sonhos! Sem dúvida, num recreio a criança cresce de forma completa e plena, nas suas dimensões cognitiva, emocional, social e física.

As agendas das crianças, entre escola e actividades estruturadas, é tão ou mais preenchidas que a dos seus pais. E onde fica a mais importante – o brincar? Onde fica a possibilidade da criança se deitar no chão do seu quarto a rebolar ao sabor da imaginação? Onde fica o tempo para acriança se deitar na relva do jardim e olhar para o céu a sonhar? Onde fica o tempo para as cócegas, as lutas de almofadas e os colos e festinhas na cabeça?

Aprende-se a fazer escolhas. Leio um livro ou faço um desenho? Brinco sózinho ou procuro companhia?

Usa-se a criatividade. Como me vou entreter? Vou transformar esta caixa em quê? Como finjo ser um urso? E onde arranjo um chapéu de bombeiro?

Desenvolve-se a capacidade de raciocínio. Explora-se o mundo e o espaço. Observa-se o eu e a sua relação com os outros.

O tempo de sonhar é o tempo que gera os porquês. É o tempo das perguntas e das respostas.

O tempo de sonhar é o tempo dos sorrisos. O tempo de sonhar é o tempo da brincadeira.

Que nunca lhes falte tempo para sonhar!

Quando uma criança faz uma birra, enquanto uns se apressam a rotular a criança de teimosa, e imediatamente surge um familiar com quem a identificam, outros preocupam-se com a forma como podem lidar com a situação.

“Serão normais estas birras?”, “Por que é que acontecem?”, ou “Como devo reagir?”, são algumas das questões que surgem com frequência.

Mas afinal, qual o segredo das birras?

As birras são muito comuns na fase dos 2/3 anos de idade e são até saudáveis, isto é, são comuns a todas as crianças dessa faixa etária (ou espera-se que sejam) e são consideradas saudáveis porque acabam por passar uma aprendizagem à criança, se o adulto/cuidador reagir adequadamente à situação.

Antes de começar a caminhar, a falar e a conseguir o controlo dos esfíncteres, a criança é muito dependente dos cuidadores. É a partir do momento que começa a poder deslocar-se – com a aquisição da marcha; a começar a falar – aquisição da linguagem, e a controlar os esfíncteres que consegue sentir-se mais autónoma; mais independente. Ora a autonomia permite-lhe a possibilidade de opor-se aos outros e dá-lhe uma maior sensação de poder: “posso ir para onde quero; posso dizer “NÃO” e decidir onde e quando saem os meus cócós e xixis”. Esta “força” que sente vai tentar aplicar a todas as circunstâncias em que a vida não lhe corra como mais deseja. E usa o espernear, gritar, pontapear e atiradas para o chão como argumentos de peso.

Ler também As Crianças não fazem birras

Como ser intuitivo e muito perspicaz que é (todas as crianças o são), lança os ditos argumentos de peso e aguarda pela reação dos cuidadores para perceber:

  1. Se assentem ao desejo, validando o argumento – que passa de negado, em primeiro plano, a consentido, logo a seguir;
  2. Ou, então, os cuidadores suportam a birra; não a valorizam e esperam calmamente que a criança consiga tranquilizar-se

É nesta reação dos adultos que pode residir a chave para que as birras sejam uma mera fase do desenvolvimento emocional infantil, considerada por si só como transitória, ou assumam contornos de comportamento característico da criança.

Os cuidadores devem esperar que a criança se tranquilize sem ceder ao que originou a birra, quer este comportamento seja em casa, num ambiente mais privado, quer seja fora, num espaço público. Os desejos concedidos durante uma birra promovem o continuar deste comportamento porque a criança percebe “isto funciona”.

A capacidade dos cuidadores suportarem/aguentarem o momento da birra, proporciona à criança:

  1. A possibilidade de aprender a tolerar a frustração. Efetivamente, nem tudo o que se deseja pode ser alcançado e é desde pequeninos que essa aprendizagem é feita, através destas pequenas frustrações.
  2. A sensação de limites que conduz a criança a sentir-se mais segura, mais apoiada, vivenciando os cuidadores como fontes de suporte.

Espera-se que a atitude dos cuidadores seja consistente no tempo, permitindo à criança espaço para compreender que os pais estão seguros de si e têm regras bem definidas, o que se traduz em conforto e segurança para a mesma. Desta forma, conseguirá sentir os pais como os pilares fortes que precisa para crescer confiante.

Muito embora as já referidas birras sejam comuns no processo de desenvolvimento emocional, é importante ter em atenção a idade da criança para poder definir o comportamento como ajustado (ou não).

Se persistirem dúvidas, não hesite em contactar-nos.

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Em busca do puzzle esquecido!

Quem já não brincou com puzzles? Mais ou menos complexos, com mais ou menos peças, de madeira ou de cartão,… as alternativas são imensas e intemporais. E para todas as idades!

Mas montar um puzzle é mais do que uma boa forma de passar o tempo. As competências necessárias para o fazer envolvem aspectos importantíssimos para o desenvolvimento de uma criança:

  1. Ajudam a aumentar o conhecimento do mundo em redor
    Os motivos de um puzzle podem ser tantos e tão diferentes que, frequentemente, o único critério de escolha dos pais é o seu grau de complexidade. No entanto, o tema deveria ser escolhido tendo em atenção que pode (e deve) ser um veículo de transmissão de conhecimento. Uma paisagem, uma profissão, um cenário do dia-a-dia, um animal, uma obra de arte, o abecedário,… todas as imagens podem ser utilizadas como pretexto para explicar e ensinar a uma criança aspectos do mundo que nos rodeia.Puzzles
  2. Melhoram as capacidades cognitivas
    Os puzzles ajudam a desenvolver e a melhorar o raciocínio. É uma excelente forma de descobrir relações e de perceber o espaço, aumentando percepção visual e espacial.
  3. Permitem o desenvolvimento de capacidades motoras finas
    Ao brincar com um puzzle, uma criança está, de forma divertida, a aperfeiçoar suas capacidades motoras finas, pois a tarefa implica pegar, apertar, agarrar, mover e manipular peças de diferentes formas. Estes são aspectos que assumem uma importância acrescida na fase em que a criança aprende a escrever, em que necessita de conseguir pegar correctamente num lápis.
  4. Desenvolvem a capacidade de resolver problemas
    Mesmo o puzzle mais simples implica trabalhar para atingir um objectivo: pensar, desenvolver uma estratégia mais ou menos complexa, tentar, falhar, ter sucesso são aspectos presentes na brincadeira e que estão envolvidos em operações de resolução de problemas. As capacidades assim desenvolvidas pela criança podem ser transferidas para a sua rotina diária.
  5. Melhoram as competências de “coordenação olho-mão”
    Os processos de tentativa-erro presentes na brincadeira com puzzles envolvem a necessidade de coordenar a visão com a mão. É com base no que vê que a criança irá tentar encaixar cada uma das peças.
  6. Desenvolvem capacidades sociais
    Os puzzles podem ser uma excelente ferramenta para melhorar e promover o jogo cooperativo. Ao brincar em conjunto para completar um puzzle, as crianças discutirão sobre o local certo para colocar uma peça, decidem sobre quem a colocará, partilham victórias e apoiam-se mutuamente em situações onde surge a frustração.
  7. Aumentam a auto-estima
    O acto de alcançar um objectivo com a resolução de um puzzle traz satisfação à criança. As sensações de realização e orgulho fornecem um impulso para a sua confiança e auto-estima, preparando-a para outros desafios.

Por isso, vão lá tirar o pó aos puzzles talvez já esquecidos! Façam-no em família e divirtam-se!

Boas Brincadeiras!

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Como é que se explica a Páscoa a crianças? Parece complicado, mas deve ser um processo natural. Tal como o Natal, a Páscoa é um feriado cristão, uma festa pagã.

Obviamente que parece mais fácil explicar o Natal: celebra-se o nascimento do Menino Jesus, os presentes aparecem dos 3 Reis que seguiram a estrela para conhecer o Menino. Celebra-se o amor. E, inicialmente, é o suficiente. Com o crescimento e maior entendimento da vida, torna-se mais fácil acrescentar informação de valor a esta história.

Agora a Páscoa… Como se explica a ressurreição de Cristo? Como se explica a morte de “Menino” Jesus?  E, sendo filho de Deus, como deixa Deus morrer o seu filho? Onde entra o Coelho?

Tudo isto é muito complicado na cabeça de uma criança. Tal como uma história, onde podemos acrescentar pormenores, aqui devemos ir por partes. Não vale a pena explicar tudo de uma vez. Uma criança muito pequena não terá capacidade de compreender Cristo a ser crucificado. Mas se for uma criança habituada a ir à missa, de certeza que já começou a apanhar alguma parte da história, nem que seja pelas imagens e estatuárias. Agora, trata-se de unir os pontos. Assim, deixamos algumas dicas

Para explicar a morte de Cristo, escolha um momento em que tenha tempo para contar uma história. Sim, deve começar como se se tratasse de uma história infantil. Não é preciso entrar em grandes pormenores. Cristo era muito bom e ajudou muita gente. Na sua época conseguiu mudar muita coisa, e por isso apareceram alguns inimigos, que acabaram por pendurá-lo na Cruz.

Logo de seguida, pode passar à parte em que Cristo ressuscitou. E foram apenas três dias depois. É isso que celebramos, a ressurreição de Cristo.

Aqui chegamos aos ovos da Páscoa: os ovos representam o renascimento. Inicialmente eram pintados à mão com cores vivas e motivos florais, para representar a Primavera. Ah, porque a Páscoa celebra-se no solstício de Primavera! O que nos leva ao Coelho da Páscoa: que animal poderia representar melhor a fertilidade e a primavera?

Deixamos um vídeo que pode mostrar aos seus filhos. Quem poderá explicar melhor a Páscoa às crianças, do que as próprias crianças?

E lembre-se, o mais importante a explicar não é a morte e a ressurreição de Cristo, mas sim aquilo que todos aprendemos com isso.

 

Quando Procurar um terapeuta da fala?

Ao contrário do que muitas vezes é sugerido podemos recorrer a um terapeuta da fala, mesmo quando ainda não sabemos falar. Por diversas vezes ouvimos como é prematuro iniciar terapia da fala antes dos 3 anos de idade, mas a idade não é o factor determinante para procurar ou não a opinião de um Terapeuta da Fala, mas sim as dificuldades que a criança poderá apresentar. A intervenção precoce ajuda a prevenir problemas que podem comprometer uma aprendizagem saudável e um normal desenvolvimento.

Sempre que se verifiquem alterações no domínio da comunicação, linguagem (oral ou escrita), articulação, fluência, voz, audição, motricidade orofacial, sucção, mastigação e deglutição, deve-se recorrer à avaliação de um especialista.

É importante que os pais estejam atentos a variados sinais de alerta ao longo do crescimento da criança, permitindo diagnosticar precocemente possíveis patologias e intervir adequadamente.

 

Sinais de alerta no desenvolvimento da comunicação e linguagem*

Idade

Sinais de alerta

0-2 m

– Não reage aos sons e ao meio.- É demasiado irritável e sonolento

2-4 m

– Não sorri- Não discrimina vozes familiares- Chora ou grita sempre que se lhe toca

4-6 m

– Tem falta de interesse pelas pessoas e pelos objectos- Não localiza ou deteta um som- Não vocaliza ou deixa de emitir sons

6-8 m

– Não faz trocas de diálogos, conversas- Não faz balbucio ou vocaliza de modo monótono- Não faz ou não mantém contacto ocular

8-12 m

– Apenas compreende linguagem acompanhada de gestos- Não entende “adeus” para ir embora- Não responde ao nome

– Não olha para a mãe ou pai em resposta a um pedido

– Não imita acções e sons familiares

– Vocaliza pouco e não faz um pedido de forma clara

12-18 m

– Compreende poucas palavras ou frases- Não usa palavras ou deixou de usar- Não imita e não balbucia

– Não aponta

– Não olha quando o chamam

18-24 m

– Não sabe o nome de objectos familiares- Não responde a ordens simples- Não faz pedidos

– Tem vocabulário reduzido

– produz poucas consoantes

2-3 anos

– Não responde a perguntas fechadas (“sim” e “não”)- Não aponta para partes do corpo a pedido- Só usa palavras simples e não combina duas palavras

– Não tem intenção de comunicar

– Repete o que os outros dizem, mas não responde ou interage com o outro.

3-4 a

– Tem uma compreensão fraca e não executa ordens de duas ideias- Não responde ou não faz perguntas- Tem dificiculdade em exprimir-se e fá-lo essencialmente por gestos

– Usa apenas frases simples e curtas

– O discurso é imperceptível para estranhos

4-5 a

– Não diz o nome das cores primárias- Não responde a perguntas: “O que é?”, “Porquê?”, “Como?” e “Quanto?”- Não usa a linguagem socialmente

– Não faz diálogos

5-6 a

– Pronuncia mal as palavras- Não conta o seu dia a dia, nem histórias- Não usa Frases complexas e não compreende noções de tempo e espaço

– Não usa pronomes possessivos

>6 anos

– Não mantém o tópico de uma conversa ou responde fora do contexto- Precisa de repetição constante quando se pede algo- Tem dificuldades na rima e nos sons das palavras

*Adaptado de: “O gato comeu-te a língua?” de Joana Rombert

 

Para além destes sinais de alerta é de ter em atenção também se a criança:

não faz sucção; tem dificuldades em engolir e/ou engasga-se com muita frequência; baba-se muito e tal não é justificado pelo surgir da dentição; não mastiga, prefere tudo passado a sólidos; gagueja há 6 meses de modo persistente ou cada vez de modo mais acentuado.

Se observar alguns destes sinais de alerta existem razões para pedir uma avaliação ao Pediatra ou Terapeuta da Fala. É importante detectar alguma alteração no desenvolvimento da criança o mais cedo possível , uma vez que a intervenção terapêutica apresenta um prognóstico tanto mais favorável quando mais precocemente for iniciada.

No entanto, a deteção mais tardia das dificuldades não impede uma intervenção bem sucedida. Esta poderá ser mais demorada, uma vez que a criança terá que reaprender novos comportamentos linguísticos, comunicativos e/ou musculares, tendo que substituí-los pelos padrões que entretanto foi automatizando.

 

Marta Nunes, Terapeuta da Fala na Psicomindcare

para Up To Kids®

Todos os direitos reservados

A importância de fazer programas adaptados às idades e gostos dos miúdos, passa não só pelo seu desenvolvimento e aprendizagem, mas também pela saúde mental dos pais. Passo a explicar: os filhos são criaturas muito persuasivas, e normalmente pouco pacientes. Se andam constantemente agregados aos programas de adultos dos pais, acabam por se tornar maçadores, embirrentos, cansativos e muitas vezes insolentes, pela falta de convivência com crianças fora do âmbito escolar.

Aos fins-de-semana, é uma óptima opção para a família. Já que eles acordam (muito) cedo, não restando grandes hipóteses de descanso, mais vale sair de casa e participar numa atividade infantil. Não como obrigação ou por regra, mas por opção.

Normalmente as oficinas são de curta duração, cerca de 1h, e muitas realizam-se de manhã, não ficando a família  todo o dia a “reboque” da própria oficina/atelier.

QUAIS AS MAIS VALIAS PARA AS CRIANÇAS?
As actividades estão maioritariamente ligados ao uso das mãos e do tacto, ajudando a desenvolver em primeira análise a expressão plástica manual e as motricidades finas e grossas em idades do pré-escolar.

Estas actividades pedagógicas são o reforço do desenvolvimento intelectual e experimental da criança, principalmente, na fase pré-escolar.Realizar actividades/oficinas fora do ambiente rotineiro  das crianças (casa e escola), favorecem:

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  • A DISCIPLINA
    As actividades não lectivas, proporcionam à aprendizagem conjunta e cooperação interdisciplinar, estimulando competências sociais e organizativas, nomeadamente a interacção/trabalho em equipe, a partilha, a comunicação oral, a comunicação plástica e a concentração. Isto só é possível através da Disciplina. As crianças, têm efectivamente necessidade da disciplina, e respondem bem aos estímulos quando se sentem orientadas em grupo.

 

 

  • AUTO-ESTIMA
    Reforçam a auto-estima e o auto-conhecimento, e desenvolvem os meios de adaptabilidade da criança em relação a grupos e espaços desconhecidos. Ao frequentar estes ateliers acompanhadas pelos pais, as crianças sentem-se seguras e criam hábitos de estabelecer relações sociais com outras crianças e adultos. A criança explora os seus receios e as suas capacidades num meio seguro, embora desconhecido, reforçando assim a sua auto-estima.
  • MOTIVAÇÃO
    Proporcionam ao alargamento de diferentes interesses, aguçam a curiosidade e desenvolvem a motivação, e a capacidade de iniciativa na realização de tarefas.

    Uma criança disciplinada é uma criança motivada. Estes ateliers têm um nº máximo de participantes, o que permite que o orientador consiga interagir com cada criança e com todas, ou seja, cada uma terá a atenção e o acompanhamento devido de acordo com o que deu a conhecer até então. Por vezes são distribuídas tarefas de acordo com o interesse de cada criança para se sentirem mais motivadas.

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As crianças reagem bem aos ateliers e workshops, se forem ensinadas a encará-los como uma extensão da brincadeira, sendo também uma extensão da sua educação.

Mesmo as crianças menos manuais, gostam de explorar novos materiais, e adoram descobrir o que podem fazer com eles. Ficam felizes por criar objetos diferentes, e desenvolvem questionários gigantes sobre as suas obras criadas.

É um desafio à criatividade e à própria curiosidade!

 

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Perde tudo… Não ouve o que lhe digo… Não pára quieto… Tem pilhas que não acabam… Está sempre a mudar de brincadeira… É desorganizado… É muito desatento aos detalhes… Não fica sentado… Parece que não está cá… Está sempre a mexer em qualquer coisa… Só podem ser “bichinhos carpinteiros”!

Reconhece estas características nalgum dos seus pequenotes?

Há quem lhe chame um nome mais pomposo. Eu gosto de lhe chamar “bichinhos carpinteiros”. Quando estes bichinhos “atacam,” as crianças têm dificuldade em focar e manter a atenção, distraíndo-se com muita facilidade. Isto torna difícil dizer que a criança está envolvida na tarefa, seja ela ouvir o professor ou terminar um recado.

Os bichinhos carpinteiros podem deixar as crianças distraídas.

Os bichinhos carpinteiros dificultam tantas vezes a capacidade da criança prestar atenção. E por isso parecem ter dificuldade em seguir direcções, terminar tarefas ou controlar os seus pertences. Parecem “sonhar acordadas” e frequentemente cometem erros por descuido. Muitas vezes, na sequência destas dificuldades, a criança tende a evitar actividades que requerem longos períodos de concentração ou que considere aborrecidas.

Os bichinhos carpinteiros não deixam as crianças ficarem sossegadas.

A criança poderá passar muito tempo a correr e a trepar, mesmo dentro de casa. Quando sentada tende a contorcer-se e a saltitar. Algumas crianças falam muito e rapidamente e consideram difícil brincar em silêncio.

Os bichinhos carpinteiros deixam as crianças sempre com muita pressa, sem conseguirem esperar.

A criança interrompe os outros, fala atabalhoadamente e responde abruptamente antes de ouvir as questões até ao fim. Esta impulsividade interfere negativamente na capacidade da criança esperar a sua vez e de pensar antes de agir.

Mas os bichinhos carpinteiros afectam o desenvolvimento socio-emocional e o desempenho social e académico da criança? Depende da criança, depende da Família, depende da Escola. E, por isso mesmo, chame por socorro apenas se a dose de bichinhos carpinteiros for demasiada, ao ponto de interferir e prejudicar o dia a dia da criança nos seus diferentes contextos.

Por tudo isto, e antes de ser necessário gritar por socorro, há algumas estratégias que ajudam a crianças e a família a não deixar os bichinhos carpinteiros crescerem em demasia. Tanto em casa como na escola, o desenvolvimento de actividades lúdicas que promovam o auto-controlo, estratégias para lidar com a frustração, o desenvolvimento de uma auto-imagem positiva e a capacidade de planeamento podem revestir-se de grande utilidade. E o melhor de tudo: são actividades divertidas e em família!

Do 5 para o 0. Para controlar a impulsividade, poderá ser proposto à criança um jogo em que antes de falar, responder ou agir deverá contar de 5 para 0 e só depois responder ou agir. Poderá usar-se a dinâmica do jogo “O rei manda”, em que a criança só poderá executar a ordem depois de contar de 5 para 0. Caso contar em sentido inverso se revele demasiado exigente para o nível de desenvolvimento da criança, nas crianças mais novas, a contagem poderá ser feita do 0 para 5, de forma pausada.

Jogo do SIM, NÃO, JÁ. De modo a treinar o auto-controlo, o adulto faz perguntas à criança e esta deverá responder sem usar as palavras Sim, Não e Já. Depois, poderá ser a criança a fazer perguntas ao adulto, treinando a atenção na busca das “falhas” do adulto.

Jogo das Estátuas
O adulto põe uma música animada. Enquanto a música dá, a criança pode dançar, saltar, mexer-se como quiser. Assim que a música pára (sempre que o adulto pretender, em intervalos de tempo irregulares e sem aviso prévio), a criança deve parar exactamente onde está, mantendo essa posição enquanto durar o silêncio. Este jogo treina a atenção e o auto-controlo.

Para crianças mais crescidas, pode propor-se um treino de respiração Mindfulness. Pode sugerir-lhe para ambos fecharem os olhos e respirarem fundo, lentamente, como se quisessem encher um balão que têm na barriga, muito devagarinho para ele não rebentar. Através desta imagem, está a ajudar a criança a conseguir concentrar-se e a mobilizar toda a atenção para a sensação da barriga. Ao longo das respirações pode introduzir o suster a respiração para o balão ficar cheio durante um bocadinho, o que vai aumentar a atenção para a sensação. É natural que a criança se distraia com os barulhos do exterior ou qualquer outra situação ou pensamento. Se isto acontecer, peça-lhe que repare melhor no que o distraiu e depois tente novamente concentrar-se em encher e esvaziar o seu balão, que está na barriga, como se isso fosse agora a única missão que tem. Faça-o de forma tranquila, sem pressas ou sem o acusar de não conseguir. Estas tentativas de mudanças dos focos de atenção permitem treinar a atenção e lidar com os diferentes tipos de acontecimentos que nos rodeiam e pelos quais passamos (pensamentos que nos distraem, sentimentos, desconforto físico).

Perde tudo… Não ouve o que lhe digo… Não pára quieto… Tem pilhas que não acabam… Está sempre a mudar de brincadeira… É desorganizado… É muito desatento aos detalhes… Não fica sentado… Parece que não está cá… Está sempre a mexer em qualquer coisa… Só podem ser “bichinhos carpinteiros”!

Ainda bem que existem bichinhos carpinteiros ao longo do crescimento. Não é isso ser criança?

imagem@flickr

A parentalidade é sem dúvida uma grande aventura…uma montanha russa de emoções, angustias, trabalho e muito retorno. Mas na maioria dos casos, quem decide “comprar o bilhete” e entrar no “carrossel” esquecesse que há riscos e principalmente que a viagem deve ser feita com segurança e muita responsabilidade.

Todos os dias somos bombardeados por notícias trágicas e infelizes que colocam em causa o desenvolvimento das nossas crianças e em última instância a sua VIDA. Eu pergunto-me, numa sociedade tão democrática e critica, será que nem vê que o problema está essencialmente nas famílias e nos pais. SIM, SER PAI/MÃE é ser responsável pelos nossos filhos. As escolas, as instituições estão e devem apoiar, não substituir o papel dos pais.

A escola pública vai aumentar o tempo não lectivo e logo se levantam vozes contra esta medida, com argumentos que os filhos devem passar mais tempo com os pais, que não é de todo uma medida em prol das famílias. DESCULPEM????? O Governo está a oferecer um serviço que actualmente só as famílias com recursos financeiros pode usufruir, colocando os seus filhos em actividades pagas no âmbito particular. Não está de todo a tornar “obrigatório” a permanência das crianças em contexto escolar. A decisão é da família, e a família é soberana. Quem quer passar tempo com os filhos, não é “beliscado” por esta medida. Haja vontade das famílias estarem com os filhos.

Nos casos, dramáticos que infelizmente surgem, discute-se a “incompetência” das Instituições que não evitaram tantas catástrofes, mas esquece-se o debate da origem. Das famílias que tem o DEVER de proteger as suas crianças e simplesmente negligenciam imensas situações. A intervenção deve começar ai, e a responsabilização também. Disponibilizam-se recursos materiais (subsídios, apoios etc)…mas não há recursos humanos que ensinem muitos pais a serem pais, que os responsabilizem e principalmente que os eduquem. Um professor, uma educadora que assiste a uma criança que não tem cuidados de higiene ou alimentares e questiona a família arrisca-se a ser insultada e mal tratada. Antes de ser dar recursos financeiros aleatoriamente, ensine-se a usá-los, a perceber que cuidar é uma função dos pais, não é da escola, não é do hospital, não é das instituições…é da FAMILIA…!

Eduquem-se os pais e responsabilizem-se, pois não há, nem nunca existirá nenhuma outra estrutura mais importante e fundamental no crescimento das crianças…só pode dar Amor quem recebeu Amor!

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