O mimo não estraga as crianças. A falta de limites, sim.

Ser criança é muitas vezes concebido como um pano de fundo em que tudo parece perfeito, ou pelo menos, quase perfeito… Mas, Ser criança, não é sempre um arco-íris, cheio de cor, de vida e bem- estar, às vezes, ser criança é cinzento, umas vezes mais claro, outras cinzento escuro, quase negro, sem pontos de luz… Mas, afinal, que bicho papão é esse que parece tirar a cor à infância? Que bicho papão é esse que, às vezes, se torna tão grande dentro de cada criança que parece contamina-la em todas as áreas?

Quais os ingredientes para uma criança feliz?

A criança nasce e precisa de protecção, que cuidem dela e garantam o seu correcto desenvolvimento, é dependente! Mas se cuidarmos fisicamente do bebé, e depois nos esquecermos de lhe dar amor, a criança entra naquilo a que os técnicos de saúde mental chamam de ‘depressão analítica’, um estado que reflecte a não satisfação da necessidade de um amor seguro e incondicional.

O coração de mãe e também o coração de pai (sim, porque não nos podemos esquecer que o pai pode ter um coração tão grande como o da mãe, temos de deixar de o subestimar!) sabe bem no seu intimo que o principal ingrediente para uma criança feliz é o Amor. O amor seguro e incondicional, o afeto e o mimo – como só os pais de alma e corpo cheio sabem dar!

O mimo não estraga as crianças. A falta de limites, sim.

O mimo não estraga as crianças. Nunca uma criança ficou estragada por ter mimo a mais, ou amor a mais! O mimo e o amor funcionam como o combustível que nos faz mover, não só em criança, mas ao longo de toda a nossa vida. É o amor que nos prende à vida e só quando o amor nos segura podemos alcançar a felicidade.

Mas, então, o que é isso de “ele é mimado, ninguém faz nada dele”?, que ‘mimo mau’ é esse que afecta tantas das nossas crianças?

É a falta de limites.

Os Pais são capazes de sentir no seu intimo que só com limites claros a criança cresce segura de si! Quase todos os pais conseguem senti-lo, mas só os Pais conscientes, os que estão seguros de si, de alma e corpo cheio conseguem fazê-lo; só esses pais conseguem estabelecer as balizas sem resvalar para um lado de ‘general autoritário’, sem parecerem mais assustadores do que seguros.

A criança precisa de limites

Os limites – embora na fase inicial uma criança os rejeite – atribuem-lhe segurança e robustez. É como se o pai e a mãe lhe dissessem ao coração: “avança, que nós estamos aqui para garantir que tens o caminho seguro. Aconteça o que acontecer, nós não te vamos deixar cair”.

Uma criança sem limites é uma criança em auto-gestão que, mesmo que sinta com o coração todo, ainda não sabe onde pode pisar ou não, explorando, aos poucos, o mundo de forma assustada, sempre com a ideia que um dia, se for preciso, pode ninguém estar lá para a proteger.

Uma criança sem amor ou sem limites será sempre um adulto em apuros. Se queremos crianças felizes, precisamos de uma boa dose de amor em equilíbrio com uma boa dose de limites. Assim, de falha em falha, como só os bons pais se permitem a falhar, subtraímos birras, multiplicamos sorrisos e somamos felicidade em cada criança, em cada família.

Por Cátia Lopo e Sara Almeida Psicólogas Clínicas

A meditação na escola é cada vez mais uma prática corrente nos Estados Unidos, Canadá, Bélgica e Suécia que são países vistos como referência nesta prática e está a dar os primeiros passos em Portugal. Os estudos já são inúmeros e as vantagens também já são visíveis.

Fique a saber mais sobre esta prática e conheça as escolas portuguesas que já o praticam!

Em que consiste a meditação?

É uma prática maioritariamente associada ao yoga ou budismo, mas é na verdade comum a várias religiões. No entanto a sua prática não tem de estar, necessariamente, associada a nenhuma delas.

O seu objetivo é treinar corpo e mente a viver no momento presente para que possamos apreciar cada momento em pleno.

Quais os benefícios de meditar?

Fortalece a capacidade cerebral – Aumenta o foco e concentração, o que por sua vez, melhora o processamento de informação nas salas de aula e durante o estudo

Ajuda a que os jovens se conheçam melhor – Através da meditação, as crianças podes descobrir melhor os seus interesses, avaliar quais as suas prioridades e compreender melhor a vida e o que os rodeia

Desenvolve o sistema imunológico – A meditação regular protege contra doenças, diminuindo o stress e a ansiedade que afeta tantos dos nossos alunos

Beneficia as relações – Ao aprenderem a viver no momento presente e ao sentirem mais calma e segurança, as relações com a família, amigos e professores acabam por sair beneficiadas e mais fortes

Melhora os índices motivacionais – Vários estudos já comprovaram que os jovens que praticam meditação aumentam a sua autoestima e confiança, o que se traduz em alunos mais motivados e criativos

Exemplos de escolas portuguesas

Em Gondomar, o Agrupamento de Escolas de Valbom já iniciou esta iniciativa no ano de 2015 com a introdução de reiki como parte do projeto “Escola em Movimento”.

Com o objetivo de ajudar os alunos a terem um melhor desempenho na escola, os docentes verificaram também que esta prática tinha outros benefícios, entre os quais ser uma atividade onde os alunos podem falar abertamente sobre o que os preocupa, já que muitos demonstraram essa necessidade. Assim, esta experiência já foi alargada com a introdução de yoga, meditação e tai chi.

O Agrupamento de Escolas da Marinha Grande já iniciou também esta iniciativa de introduzir a meditação em ambiente escolar. Os alunos do ensino básico já estão a ficar habituados aos 60 segundos de silêncio e concentração na respiração que os professores praticam com eles todos os dias.

As melhorias já começam a ser visíveis e os níveis de concentração, autoestima e confiança já se fazem notar. Com alunos mais motivados a aprender e professores mais tranquilos, este projeto vai continuar a fazer parte do dia-a-dia escolar.

Conheça aqui a história.

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A importância do Desporto na vida das crianças

No curso prático da maternidade, a escrita é um instrumento valioso na partilha de vivências que permitem às outras mães perceber que não estão sós no mundo exigente no qual entramos quando o embrião ainda está alojado no ventre.

O crescimento dos filhos processa-se de forma acelerada e a ilusão de que com o crescimento diminuirá a preocupação que temos para com eles, aos poucos se vai desvanecendo.

Seremos sempre colo e porto de abrigo no decorrer desta viagem chamada vida!

Num pensamento fugitivo de uma mãe que escreve, tudo é motivo para desenvolver textos sobre o que me vai na alma. Alguns chegam aos teclados … outros não!

Tenho realizado algumas leituras em torno do tema Desporto, essencialmente do papel dos pais e mães na prática desportiva dos filhos.

Muitos realçam a conduta dos progenitores nos jogos, e alguns dão enfoque à aceitação do desporto como algo de base na vida dos crianças/jovens.

Desconstruindo a ideia de base, muitas crianças/ jovens não praticam uma modalidade para corresponder aos ideais dos Pais. Estes miúdos estão nas suas actividades com empenho e por conseguirem satisfazer as suas necessidades de realização pessoal, permitindo gerir o escape de emoções menos positivas, inerentes ao acto de crescer.

O desporto é essencial para desenvolver inúmeras competências físicas, sociais e académicas.

O desporto deverá ser visto como algo de positivo e não como um rebuçado que se dá e tira de acordo com o comportamento ou desempenho escolar da criança ou jovem. Não é algo que  permaneça em segundo plano. Há que aceitar que para eles é uma prioridade, constituindo a base do seu crescimento.

Não é pelo facto de se tirar os treinos, os jogos, as competições que se vão alcançar bons resultados escolares ou de comportamento. É no jogo do dá e tira, que entram em campo mais conflitos …

Há que perceber que, para os desportistas não há dias de semana e fim de semana sem luta, sem treinos e sem jogos. Não há festas de aniversário ou momentos familiares mais importantes do que o compromisso que assumem consigo e com a equipa. Continuam a gostar da família, dos amigos, da escola, do lazer, no entanto, são seres únicos capazes de se entregarem para atingir os seus objectivos de forma saudável.

O Desporto não é passatempo, é entrega, é vida e emoção!

Educar uma criança significa conduzir a criança, o que prossupõe uma relação entre um adulto, que sabe conduzir, e uma criança, que precisa de ser conduzida, de um patamar de saber insuficiente para um de conhecimento aumentado. Esta relação deve ser benéfica para a criança e não deve ser assente na crença de que o adulto conduz altivamente a criança e que esta se deixa conduzir passivamente.

Aprender tem origem na palavra apreender que implica o uso das mãos. Aprender vem de prender, isto é, de ligar, unir o que estava separado. Com as mãos se estabelece ligações afectuosas, o primeiro aprender que temos na vida veio do agarrar afectuoso das nossas mães.

As primeiras aprendizagens são feitas pelas interacções afectuosas entre a mãe e o seu bebé.

Para uma criança estar disponível para as aprendizagem escolares e para que possa ter sucesso, os saberes básicos tem de estar consolidados. Estes saberes assentam no diferenciar entre o que é presença e o que é a ausência; entre o bem-estar e o mal-estar; entre o feio o belo; entre o bom e o mau, entre o amor e o ódio, entre construir e destruir; entre verdade e mentira; entre liberdade e opressão; entre mulher e homem; entre pais e filhos; entre gratidão e inveja; entre o que causa mal-estar e o que causa alivio, entre outros.

Os saberes básicos transformam-se em aprenderes fundadores que devem ser feitos sempre através de interacções afectuosas, pois são saberes que provocam muitas angústias e se estas não forem contidas, em vez de estimularam o crescimento paralisam-no. Em vez de termos um aprender claro que promove o crescimento saudável das crianças temos um aprender confuso que vai comprometer o crescimento e o desenvolvimento saudável da criança. Esta vai ficar presa nesse nível onde surgiu a confusão.

Quando os aprenderes da vida ou aprenderes fundadores ficam bem consolidados, a criança está preparada para os aprenderes escolares. Se houver uma falha num aprender isso implica que houve falhas anteriores nas dimensões de acolhimento, suporte, contenção, organização e estimulação no processo educativo da criança.

Não podemos esquecer que existe uma ligação entre a saúde mental e a saúde pedagógica e aceitar que para aprender bem é preciso pensar bem, e para pensar bem é preciso estarem completos os aprenderes fundadores baseados em distinções de afetos.

Quando as confusões da criança diminuem, as angústias ficam suportáveis, a tristeza atenua-se, o pensar torna-se mais claro e eficaz, os aprenderes quer escolares quer os básicos, acontecem. A criança que consegue pensar bem aprende bem e o aprender bem leva a um pensar ainda melhor.

Segundo João dos Santos a educação deve inspirar-se numa pedagogia de relação. A escola se proporcionar um ambiente de pedagogia de relação poderá criar condições para desbloquear aprenderes fundadores que ficaram bloqueados. João dos Santos e os seus educadores acreditavam que quando criavam um ambiente de acolhimento em que a criança, desvalorizada e bloqueada, sentia que existia um interesse real por ela enquanto pessoa, fazia com que a criança se valorizasse aos seus próprios olhos centrando-se nas suas habilidades e capacidades atuais, e não nas suas dificuldades, insuficiências e insucessos. Este bom acolhimento permitia retomar a aprendizagem dos aprenderes fundadores que falharam ou ficaram bloqueados.

Uma pessoa só aprende quando encontra suporte e contenção suficiente e sobretudo se se sentiu estimulado. As crianças na escola precisam de encontrar professores que lhe ofereçam suporte, contenção e estimulação.

A escola deve ser vista pela criança como um local de aventura onde o professor é o guia.

A família e a primeira responsável pela consolidação dos aprenderes fundadores quando estes falham vai ser difícil para a criança aprender os saberes escolares. Por isso família e escola devem caminhar lado a lado.

Joana Duarte, psicóloga clínica

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Sempre que o tempo assim o permite (ou seja, quando não chove) vou com a minha filha ao parque.

Nas últimas semanas tenho reparado numa tendência: somos as únicas ou há apenas mais uma criança por lá. O frio afasta os pais das actividades ao ar livre ao final do dia.

Tem andado frio, é verdade, mas não consigo deixar de pensar no bem que faz aos miúdos andarem a correr, a brincar, a divertir-se na rua. Há muitas escolas onde chegando o final do Outono as crianças deixam de ir para o recreio. Haverá milhares delas que deixam simplesmente de brincar na “rua” aos dias de semana. E está provado que lhes faz bem e, acima de tudo, falta.

Ao escrever estas linhas lembrei-me de uma publicidade recente que alegava que os prisioneiros encarcerados nas prisões passavam mais tempo fora de quatro paredes do que a média das nossas crianças, ou seja uma hora.

Cabe aos pais proporcionar este tempo, mesmo quando ele existe na escola, que é o que acontece com a minha filha. Se não chove saem para o recreio de manhã e à tarde e sei que para muitos é o único momento em que estão a correr e a sentir o vento na cara.

Alega-se que nesta época se tem de proteger as crianças, que há um aumento das complicações ao nível respiratório, mas acredito que manter as crianças num ambiente fechado durante vinte e quatro horas por dia é prejudicial para elas. E se o é no Verão, no Inverno ainda mais. Está frio, veste-se mais um casaco, um gorro e umas luvas, coloca-se creme hidratante no rosto para proteger. Porque as defesas se criam em condições “adversas”. Tem de haver contacto com o frio, tem de haver contacto com outras crianças quando está frio.

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Sei que há crianças com maior propensão para problemas respiratórios nos meses frios e cabe aos pais conhecer os filhos e fazer o que é melhor para eles. Mas a maior parte dos miúdos beneficiaria de um final de dia, mesmo que seja só de vez em quando, quando as rotinas apertadas o permitem, lá fora, a subir ao escorrega, a andar de baloiço, jogar à bola ou à apanhada. Quando é isso ou deixar as crianças a respirar um ar que só circula dentro de casa, que é sempre o mesmo (por causa do ar condicionado, ou que tem menor qualidade por causa dos aquecedores) então eu opto por brincar na rua. Em contacto com os germes, os micróbios, a ganhar defesas. A ficar constipada, muitas vezes, é certo… Mas quanto a isso não há muito que se possa fazer, é a “fruta da época” e cá em casa a minha filha constipa-se mais porque se destapa toda durante a noite do que pelo ar frio que respira quando chega da escola.

As crianças ficam mais impacientes se fizerem um percurso casa, escola, escola, casa. E aos pais, sejamos sinceros, também faz falta estarem na rua, a verem os filhos ganharem asas, brincarem e serem felizes.

A sopa pode esperar.

A roupa pode esperar.

A casa pode esperar.

O tempo, como o coração dos pais, é elástico quando damos prioridade aos momentos que são impossíveis de recuperar.

A vida anda agitada, o tempo dá para pouco. Mas o pouco que temos devemos transformá-lo em muito.

Cabe-nos a nós.

Com frequência, os brinquedos de madeira são associados a alguma nostalgia por despertarem recordações de infância. E também é frequente encontramos quem pense que é esse regresso ao passado que a pretendemos com a actividade que desenvolvemos.

Na verdade, não é assim. Embora consideremos que, de uma forma geral, todos os brinquedos têm o seu papel e importância, consideramos que aqueles que são os fabricados em madeira apresentam enormes vantagens para as crianças.

1. Os brinquedos de madeira são de maior duração

O nosso filho de 6 anos (é o nosso director de qualidade) brinca com um comboio que tem quase 40 anos de existência! Ao longo do tempo algumas peças foram substituídas (o que faz dele, de resto, um excelente objecto de colecção), é certo, mas por se perderem e não por se danificarem. Os brinquedos de madeira são, efectivamente, menos susceptíveis de se partirem do que os seus equivalentes em plástico, sendo mais resistentes a quedas, pisadelas ou “testes de resistência”. Mesmo quando se partem, são normalmente mais fáceis de reparar. Além disso, não são tão susceptíveis à “obsolescência programada”, ou seja, não são fabricados de forma a rapidamente se tornarem tecnologicamente obsoletos.

É por isso que muitos se tornam objectos de brincadeira que passam de geração em geração, agregando valor sentimental mesmo junto dos adultos.

2. Os brinquedos de madeira são mais seguros

Sendo mais duráveis, o risco de ferimento com pequenas peças partidas é muito mais reduzido do que os equivalentes em plástico. E também não existe risco de engolir baterias, uma vez que, normalmente, não as têm.

3. Os brinquedos de madeira são mais ecológicos

Como os brinquedos de madeira tendem a durar mais do que os de plástico, o lixo que com eles é produzido é muito menor. Acresce o facto de que o plástico demora muito mais tempo a degradar-se.

Por outro lado, os brinquedos de madeira têm uma menor toxicidade química, uma vez que são produzidos com recurso a materiais essencialmente naturais. É claro que teremos de fazer uma análise crítica quando os escolhemos: há outros factores envolvidos que deverão ser tidos conta, como as tintas e vernizes, por exemplo. Esse aspecto é especialmente importante quando sabemos que o plástico é derivado do petróleo, recurso ambientalmente nocivo e não renovável. Se tivermos o cuidado de procurar brinquedos cuja madeira provenha de plantações sustentáveis, a vantagem é evidente.

Já referimos a vantagem de não funcionarem com baterias (nós costumamos dizer que funcionam a energia humana). Para além da questão da segurança, a sua não utilização reduz o impacto ambiental do fabrico e utilização.

4. Os brinquedos de madeira potenciam mais o desenvolvimento infantil

Normalmente, os brinquedos de madeira não têm um botão onde a criança carrega e se limita a ver o que o brinquedo faz. Ela tem de se envolver com ele, criando cenários e diferentes formas de interacção, desenvolvendo a imaginação e criatividade. Além disso, o único sítio onde uma criança deveria ouvir “amo-te” ou “gosto muito de ti” deveria ser no seio da sua família e não de um objecto de plástico.

São também brinquedos que têm, por norma, associado o desenvolvimento de diversas capacidades. Por exemplo, um puzzle ou um jogo de construção contribui para o reforço das competências lógicas, de percepção de espaço ou agilidade motora.

Os brinquedos de madeira tendem ainda a criar um ambiente mais calmo do que que os seus barulhentos e automáticos brinquedos de plástico.

Por tudo isto, não temos dúvidas: os brinquedos de madeira são melhores!

*imagem fornecida pelo autor

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“Ele tem uma maneira muito própria de falar mas quando entrar na escola vai ficar melhor… com o meu filho foi assim!”

Muitas vezes, pais, educadores e professores são capazes de detetar que uma criança apresenta uma dificuldade, ainda que ao fazer referência a esta, não consigam identificar qual a área exata onde esta dificuldade se insere.

É importante compreender que existem diferenças entre estes três conceitos, por fim a ajudar a identificar a área em questão.

Ao falar de comunicação falamos de um processo complexo onde ocorre a troca de informação que visa influenciar o comportamento do outro. Por exemplo: o bebé chora quando tem fome ou sono, ainda que inicialmente não o faça de forma intencional, os pais acabam por dar um significado àquele comportamento. A comunicação pode ser realizada de diversas formas e através de combinações verbais (uso da linguagem – oral ou escrita) e não-verbais (olhar, expressão facial, postura, gestos e linguagem corporal).

Por sua vez, exclusivamente humana, a linguagem é o instrumento de comunicação mais importante e poderoso. É através da linguagem que conseguimos desenvolver competências linguísticas de receção, transformação e transmissão de informações. Para haver receção de informação tem de se conseguir compreender a linguagem – linguagem compreensiva; e para que haja transmissão tem de ser capaz de formular a linguagem – linguagem expressiva. A linguagem diferencia-se em três componentes principais: a forma – regras que gerem os sons, bem como todas as suas possíveis combinações (fonologia), formação e estrutura interna das palavras (morfologia), e organização das palavras numa frase (sintaxe); o conteúdo – significado das palavras e interpretação das suas combinações (semântica); e o uso – adaptação e adequação da linguagem ao tipo de contexto social (pragmática).

A fala é o ato motor que permite que ocorra a transmissão de sons, de palavras e de frases, é o modo verbal oral de transmitir mensagens que envolve coordenação neuromuscular, e que permite que se realizem movimentos orais para que se produzam sons em unidades linguísticas. A fala pode ser caracterizada quanto à articulação – produção de sons realizada pelos articuladores; quanto à ressonância – equilíbrio do fluxo aéreo entre o nariz e a boca; quanto à voz – vibração produzida pelas pregas vocais na laringe; quanto à fluência – débito; e quanto à prosódia – que diz respeito à acentuação e à entoação das palavras e das frases.

Em caso de dúvida o Terapeuta da Fala é o profissional competente que o pode ajudar a compreender, e identificar qual a área onde se insere a dificuldade observada.

Quando procurar ajuda especializada?

Se na sua família, ou mesmo no seu dia-a-dia convive com uma criança que não consegue:

  • olhar na direção que é chamada;
  • manter ou iniciar um tópico de conversa;
  • fazer ou responder a perguntas;
  • estabelece relação/conversa apenas com pessoas conhecidas;
  • evita falar optando por apontar;
  • fala de maneira diferente;
  • utiliza palavras próprias;
  • escreve à sua maneira…

então é aconselhado que procure ajude especializada!

 

Por Drª Joana Lopes, Terapeuta da Fala

imagem@fototlia

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Quando falamos de desenvolvimento infantil, já deu por si a pensar no desenvolvimento dos seus filhos? Será que o meu filho já devia…? Será que ele está atrasado? Será que está tudo bem?

Pois é, é frequente o surgimento de dúvidas acerca do desenvolvimento infantil… A questão que se coloca é então: consultar ou esperar? Consultar para apaziguar as incertezas ou fundamentar a espera no ritmo incerto do desenvolvimento infantil?

De facto, o desenvolvimento infantil é pautado de alguma variabilidade tendo em conta características ambientais, genéticas e até da própria criança. Mesmo dois irmãos expostos aos mesmos estímulos podem ter ritmos desenvolvimentais diferentes. Mas, até que ponto uma alteração pode ser considerada normal ou anormal? Quando é que as famílias devem procurar ajuda junto dos especialistas ou esperar mais um pouco para ver se as crianças evoluem sozinhas? É a estas perguntas que vamos tentar dar resposta.

O desenvolvimento harmonioso e sem perturbações é um dos grandes objetivos de uma família assim que uma criança nasce. Mesmo durante a gravidez, os seus pais já se questionam se o seu filho será saudável ou não e se terá acesso a todas as oportunidades na sua vida que lhe permitam crescer e tornar-se num adulto de sucesso. Após o nascimento e, não havendo à partida alterações genéticas, neurológicas e/ou motoras que acionem desde logo encaminhamentos para as várias áreas especializadas, a criança irá desenvolver-se fora do radar dos especialistas e conta apenas com o conhecimento da sua família e outras pessoas que interajam com esta no seu dia-a-dia (ex.: amigos dos pais, funcionários da creche/escola, etc). Nesta situação e, caso surja algum sinal de alerta, é frequente ouvir várias versões sobre a necessidade ou não de se procurar ajuda. Em última instância cabe à família filtrar essas opiniões e, junto com as suas próprias dúvidas/certezas, decidir se pede ou não ajuda.

Vários estudos científicos atestam a importância de intervir precocemente, isto é, promover e potenciar o desenvolvimento psicomotor das crianças que já possuam algum tipo de perturbação e/ou que se encontrem em situações de risco, de forma a evitar o estabelecimento de uma perturbação ou impedir que a mesma ganhe contornos mais graves. Sabe-se que o desenvolvimento das crianças pode ser modificado por influências ambientais, quer sejam positivas quer sejam negativas e que estas influências podem potenciá-lo ou dificulta-lo. Assim, quando surgem dúvidas no seio das famílias acerca de algum aspeto dos desenvolvimento do seu filho, quanto mais cedo se modificar o ambiente para um estímulo mais positivo melhores resultados se conseguirão obter. Aliado a esta questão surge a chamada “plasticidade do sistema nervoso” que nos diz que o cérebro é mais “maleável” e suscetível à aprendizagem quando a criança é mais nova. Esta plasticidade diminuí com o crescimento da criança, por isso, quanto mais cedo se atuar numa dificuldade, maior é a probabilidade de uma criança corresponder positivamente a essa estimulação. Além disso, diversas alterações no desenvolvimento que não são intervencionadas a tempo poderão, mais tarde, agravar ou potenciar o aparecimento de perturbações secundárias. Uma surdez não corrigida, por exemplo, pode dar origem a um atraso na fala e na linguagem que se pode tornar irreversível mesmo que a surdez seja corrigida mais tarde.

O desenvolvimento infantil é um tema que a maioria das famílias não dominam e é neste aspeto que se pretende dar apoio de forma a ajudá-las na sua decisão, dando a conhecer alguns sinais de alerta que facilmente podem analisar nos seus filhos.

Muitos destes aspetos surgem, por vezes, por comparação com crianças da mesma idade e é este um dos aspetos principais que os pais devem levar em conta quando analisam os seus filhos. “O meu filho não é capaz de fazer algo, e os seus pares já conseguem?”.

Terapia da fala

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Um dos grandes marcos do desenvolvimento é sem dúvida o aparecimento da linguagem e da fala que surge entre o primeiro e o segundo ano de vida e geralmente aos dois anos, uma criança deverá tentar juntar duas palavras numa frase, mesmo que as palavras ainda não sejam ditas corretamente. Depois começam-se a observar bastantes omissões ou substituições de fonemas na fala. Estas alterações são normais e fazem parte do desenvolvimento das crianças mas devem ir desaparecendo com o crescimento. Com a complexificação da linguagem e do raciocínio às vezes as crianças tendem a apresentar sintomas típicos de uma gaguez. Se, por exemplo, após os quatro anos a criança ainda apresentar várias alterações quer na percetibilidade da fala quer na fluência da mesma, estas devem de ser um dos grandes alertas para os pais procurarem ajuda.

Terapia Ocupacional

Terapia Ocupacional

Durante as aprendizagens pré-escolares as crianças são expostas a inúmeros estímulos. É aqui que quer os pais quer os educadores conseguem detetar algumas dificuldades que podem ser sugestivas da presença de uma alteração/perturbação. Aspetos como a dificuldade em correr, saltar, ou desempenhar alguns jogos típicos, a dificuldade em usar alguns dos utensílios na sala de aula (ex.: tesoura, lápis, puzzles, brinquedos) ou até dificuldades na concentração, realização dos trabalhos mais estruturados e memorização do conhecimento que lhe é transmitido. Situações como a dificuldade em realizar tarefas do dia-a-dia como o vestir/despir ou o apertar os botões do casaco e atar os atacadores devem ser tidos em conta e alertar os pais. Com a exposição à escola ou outros ambientes diferentes do contexto familiar as crianças podem demonstrar alguma dificuldade em cumprir ou a desafiar constantemente o adulto fazendo birras excessivas. Aqui os pais devem ponderar se estas são ou não fundamentadas e se as conseguem controlar, caso contrário será benéfico que consultem um especialista no sentido de aprofundar as razões da mesma e dar estratégias aos pais para ultrapassarem estas questões.

Psicologia: Sinais de alerta

Psicologia sinais de alerta

Mais tarde surge outro grande marco do desenvolvimento com a entrada para o primeiro ciclo e com a aprendizagem da leitura e da escrita. Aqui, as crianças experienciam métodos de ensino diferentes do que estavam habituados e o ambiente mais formal pode ser um obstáculo à sua aprendizagem. Crianças que não se conseguem concentrar, que apresentem dificuldades na leitura e na escrita quer sejam observadas através de erros constantes ou na caligrafia quer através de sentimentos negativos perante estas atividades devem de ser observadas por um especialista para detetar possíveis alterações atempadamente e impedir que as mesmas se instalem e sejam irreversíveis. Uma vez que nesta fase é suposto que as crianças já tenham um nível avançado de consciência das suas dificuldades/capacidades, alterações a este nível poderão afetar a criança no domínio emocional, levando por vezes a um isolamento, sentimentos de tristeza, frustração e/ou agressividade graves que podem pôr em risco todas as suas aprendizagens escolares e a relação que a criança tem com a escola e seus professores.

Em suma, é normal que as famílias tenham dúvidas acerca do desenvolvimento das crianças e que estas sigam ritmos diferentes. É preciso saber ponderar quais as implicações que as dificuldades podem trazer para o desenvolvimento e procurar a ajuda dos especialistas quando surgem incertezas pois só assim poderemos promover um desenvolvimento harmonioso das nossas crianças e saber como estimular da melhor forma em cada momento.

 

SIM-SIM, Inês. Desenvolvimento da Linguagem. Lisboa: Universidade Aberta, 1998
PENÂ-CASANOVA, J. Manual de Fonoaudiologia – 2ª edição. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997
VITTO, Márcia M. P., FÉRES, Maria C. L. C. Oral communication disturbances in children. Ribeirão Preto: Medicina, 2005; 38 (3/4): 229-234
Pimentel, Júlia V. Z. S., Intervenção Focada na Família: desejo ou realidade. Secretariado Nacional para a Reabilitação e Integração das Pessoas com Deficiência, 2005

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O meu filho é desajeitado…o que posso fazer?

Muitos são os pais que se perguntam o que fazer com o filho com dificuldades de coordenação motora. A verdade é que existem crianças que a certa fase do seu desenvolvimento começam a evidenciar algumas dificuldades. O que acontece é que muitas das vezes essas dificuldades têm um impacto nas actividades académicas (manusear o lápis, escrever, aulas de ginástica) e também nas actividades da vida diária (ex. vestir, calçar, etc) e os pais começam a ficar preocupados e sem saber muito bem o que pensar e fazer para ajudar o seu filho. E, com o passar do tempo, a criança vai crescendo e tal como as exigências funcionais em casa, na escola e na comunidade vão aumentando…também as dificuldades! Muitas vezes ouvimos expressões como “o meu filho é muito desajeitado”, “é trapalhão a vestir-se”, “parece que não consegue estar sentado à mesa sem deitar tudo ao chão” e na realidade é mesmo isso que acontece nas crianças com dificuldades na coordenação.

SINAIS

Existem alguns sinais que deve estar atento e que poderão indicar dificuldades do seu filho ao nível da coordenação:

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O que posso fazer?

1º Esteja atento

  • Observe o seu filho e tente perceber se as dificuldades motoras têm impacto em casa (actividades da vida diária);
  • Comunique com a escola e perceba se essas dificuldades também se verificam na escola e se estão a prejudicar o desempenho académico do seu filho.

2º  Brinque com o seu filho, promovendo actividades lúdicas mas com uma componente mais motora

  • Actividades de motricidade global
  1. Correr, saltar, subir e descer escadas, trepar;
  2. Atirar e receber bola com as mãos e chutar;
  3. Imitar (ex: animais -caranguejo, sapo, elefante; super heróis- homem aranha, powerranger, etc);
  • Actividades de motricidade fina
  1. Desenhar livremente, desenhar figura humana, desenhar casa;
  2. Pintar dentro de contornos;
  3. Modelar plasticina (apertar, esticar, fazer formas, esconder objetos pequenos tais comofeijões ou missangas na plasticina);
  4. Recortar (linhas, círculos, várias formas);
  5. Actividades com pinças (ex. passar berlindes de um sítio para o outro com uma pinça);
  6. Actividades com molas (ex. montar sequências de imagens colocadas em molas numa corda).

2º Procure ajuda

  • Fale com o pediatra do seu filho explicando as dificuldades de coordenação do seu filho;
  • Procure um terapeuta Ocupacional

O que o Terapeuta Ocupacional irá fazer?

  1. Avaliar as dificuldades nas competências motoras (e outras áreas) bem como o seu impacto nas actividades académicas e nas actividades da vida diária;
  2. Desenhar um plano que pode incluir:
  • O desenvolvimento das competências motoras (e outras áreas) através de jogos/ actividades terapêuticas.
  • Treinar o desempenho das várias actividades da vida diária (autocuidados, brincar, aprendizagem);
  • Aconselhar mudanças no ambiente ou equipamento que facilitem realização das actividades;
  • Aconselhar pais e professores.

Referências bibliográficas:

  • Missiuna, C., Rivard, L. & Pollock, N. (2011). DCD – CanChild Centre for Childhood Disability Research. Canadá: McMaster University.
  • Ayres, J (2005). Sensory integration and the child: understanding hidden sensory challenges. USA: WPS
  • http://www.dyspraxiafoundation.org.uk
  • http://www.aota.org

 

Por Margarida Sabino, Terapeuta Ocupacional

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Estudo garante que focarmo-nos apenas na inteligência pode deixar as crianças desmotivadas, e ao valorizar a persistência estamos a criar empreendedores.

Existe uma tendência a associarmos, inconscientemente,o sucesso profissional e académico à inteligência de cada individuo.

Pessoas que possuem algum dom ou talento especial irão destacar-se tanto na vida académica como na profissional. Certo? Errado! A psicóloga e investigadora da Universidade de Stanford, Carol Dweck, que estuda motivação e perseverança desde os anos 60, garante que focarmo-nos apenas na inteligência e no talento pode deixar as crianças desmotivadas e com medo de aprender, enquanto que valorizar o progresso e a persistência irá produzir grandes lutadores e empreendedores.

ESTUDO:
Durante dois anos, os investigadores visitaram cinquenta e três famílias para registrar suas rotinas. As crianças tinham 2 a 3 anos de idade no início do estudo. Os investigadores, então, observaram e registaram como os diferentes pais elogiavam as suas crianças: uns enalteciam o esforço, outros os traços de caráter e outros elogiavam de forma neutra com palavras como “Que bom!”, “Uau!”, “Muito bem”.

Depois de cinco anos estas mesmas crianças foram entrevistadas, agora com 7-8 anos de idade.

CONCLUSÃO:
As crianças que tinham ouvido mais elogios pela sua persistência eram as mais interessadas em desafios. Para os perseverantes o foco do trabalho é encontrar os erros cometidos ao longo do processo e tentar corrigi-los para avançar.

Como podemos ajudar nossos filhos a desenvolver a capacidade e a vontade de se esforçarem?

  • Fique atento ao tipo de elogios que faz aos seus filhos. Em vez de enaltecer apenas os resultados, elogie o processo para chegar ao resultado. “Que bom teres tentado diferentes estratégias para conseguir resolver isso”, ” Eu vi que não desististe mesmo sendo uma tarefa tão difícil .” “Parabéns pela nota do teste, compensou o esforço!”
  • Estimule os seus filhos para a curiosidade e para o gosto em aprender – o termo em inglês usado por Dweck é “growth mindset”. Se as crianças acreditarem que o sucesso é resultado direto do quanto são (ou não) inteligentes, a motivação diminui: já que o sucesso está “predestinado” para que tentar?
  • Errar é humano e faz parte da aprendizagem. Não deixe que os seus filhos acreditem que falhar é algo horrível. Pelo contrário, mostre-lhes que o erro é apenas um desafio a ser superado. Não há razão para ter vergonha de errar ou falhar, se o erro nos fará progredir. Além disso, todos falhamos, temos dúvidas ou nos sentimos fragilizados em determinados momentos da vida – temos que ensinar os nossos filhos a ficarem tranquilos quando esses sentimentos aparecerem, para não se tornarem crianças muito vulneráveis e frágeis.
  • Conte histórias de sucesso que enfatizem trabalho duro e o desejo de aprender. Ensine-lhe que o cérebro é uma “máquina de aprendizagem” e que quanto mais a usarmos, mais forte ele fica.

Ensine aos seus filhos que eles podem ser tão inteligentes quanto queiram.

 

Por Tudo sobre a minha mãe, adaptado por Up To Kids®

 

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