Nunca deixes de brincar!

Brinca sempre como se o tempo não contasse.

Brinca aos bombeiros, aos médicos, aos astronautas.

Brinca a coisas para as quais ainda não inventaram nomes.

Agradece quando tens amigos para partilhar as brincadeiras, mas aprende que brincar sozinho também tem as suas riquezas.

Aceita que nem sempre as tuas brincadeiras vão ter graça.

Brinca para divertires a tua irmã mais nova.

Brinca quando a tua mãe teve um dia menos bom.

Brinca para esquecer que o teste te correu mal.

Brinca para fingires que o facto do “tal” ainda não ter dito nada não tem assim tanta importância.

Brinca aos cozinheiros, às cantoras, aos cientistas.

Brinca para perceberes quem és, a liberdade que tens.

Brinca para não te sentires tão ansiosa num momento mais chato.

Brinca com o cabelo enquanto os teus pensamentos te levam para longe.

Brinca imaginando que tens um palco sob os pés quando a tua música favorita passa na rádio.

Não brinques com os sentimentos dos outros.

Brinca com as ironias da vida.

Brinca com a sorte que tens, ou com o azar que às vezes te bate à porta.

Brinca na areia até a vergonha te impedir de o fazer. (até passarem alguns anos e não te importares mais com isso).

Brinca só quando isso não incomoda os outros porque as brincadeiras só valem a pena se todos estiverem divertidos.

Brinca com as características que te afastam da tua avó, com aquelas que vos fazem parecer da mesma geração.

Brinca por nunca te esqueceres de nada ou por nunca te lembrares de coisa alguma.

Brinca aos super heróis.

Brinca a alta velocidade e aproveita e dá mais uma volta na montanha russa.

Brinca com calma e vê as nuvens no céu a arrastarem-se para longe.

Brinca quando chegar a altura de sentires saudades por não brincares há demasiado tempo.

Acima de tudo, querida filha: Nunca, mas nunca, deixes de brincar. A vida é demasiado séria para te levares sempre a sério.

 

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Um dia ensino-te…

Um dia ensino-te a importância de saber perdoar;
A assumir as tuas responsabilidades;
A pensares nos outros e não só em ti.

Um dia ensino-te que nem todo o friozinho na barriga é amor;
Que há pessoas que nunca irás esquecer, independentemente de a vida vos afastar irremediavelmente;
A rir das tuas fragilidades.

Um dia ensino-te que nem todo o ciúme é saudável;
Que a confiança se constrói pouco a pouco mas que se pode acabar num ápice;
Que por te terem magoado uma vez não significa que todas as outras pessoas o façam.

Um dia ensino-te a aproveitar os abraços que dás a quem amas;
A valorizar os raros momentos em que podes fazer exactamente aquilo que queres;
A não olhares apenas para o teu umbigo.

Um dia ensino-te que nem toda a mentira tem perna curta;

Que nem toda a verdade tem de ser dita;
Que ganhas muito mais se pensares antes de falar.

Um dia ensino-te que não tens de gostar de toda a gente, mas a todos deves respeito;
A aceitar que nem toda a gente goste de ti;
A não transformar esse facto na luz orientadora do teu caminho.

Um dia ensino-te que há amigos que se amam como a irmãos;
Que há viagens que não se repetem;
Oportunidades que não voltam.

Um dia ensino-te que há certezas que viram dúvidas;
Que não há problema em mudares de opinião;
Que não deves envergonhar-te por não pensares como a maioria.

Um dia ensino-te que a curiosidade é um dom;

Que a felicidade é, basicamente, estarmos aqui e agora;
Que o único responsável por te fazer feliz és TU!

Um dia ensino-te que mesmo quando tudo parece estar a correr-te mal o mundo não está contra ti – apenas te cabe olhar esse mundo com outros olhos para que consigas encontrar um novo rumo;
A não julgar pelas aparências, a não teres preconceitos;
Que nunca saberás tudo sobre toda a gente.

Um dia ensino-te que te vais desiludir com as pessoas mais insuspeitas – e isso faz parte;
Que o amor é uma dádiva e serás uma sortuda se o conseguires ver à tua volta;
Que todas as histórias têm duas versões e deves procurar que a tua seja a mais fidedigna.
Que não deves esperar dos outros exactamente aquilo que dás, sob pena de viveres numa insatisfação permanente.

Ensino-te que há memórias que te irão acompanhar para sempre, por isso procura construir mais momentos bons que maus;
Que por mais que olhes para trás não podes mudar o passado – aceita-o.
Que és a dona das tuas conquistas e dos teus erros.

Um dia ensino-te a valorizares as tuas melhores características e a não chamares a atenção dos outros para os teus defeitos.
Um dia ensino-te que o dinheiro não é tudo;
Que um verdadeiro amigo às vezes é tudo o que precisas;
Que a vida é demasiado curta para culpares os outros por algo que nunca conseguiriam fazer (ou agir) de outra forma.

Um dia ensino-te a amar os livros;
A não responderes a tudo o que te dizem – tantas vezes o melhor é deixar passar e não dar importância;
A ser boa, a não esquecer as tuas origens, a tua família.

Um dia ensino-te a não usares o poder como arma;
A amares-te;
A amares o que a vida tem de bom.

Ensino-te a aceitares todas as tuas cicatrizes;

A procurar o equilíbrio;
A não maltratar os outros, a tratá-los sempre com educação e, aos que precisam, com compaixão.

Um dia ensino-te a saltar mesmo quando sentes medo (para que possas sentir que és quem és e estás onde estás pelo que fizeste mais do que pelo que deixaste de fazer);
A filtrar tudo o que é negativo.
A não te ires abaixo quando estás “sozinha” nas tuas convicções.

Um dia ensino-te a teres orgulho em ti e nos teus.
Que é normal questionares-te.
Que podes tudo, basta trabalhares para isso.

Sei que só serei responsável por te ensinar uma pequenina parte destas lições. A vida encarregar-se-á do restante mas, mesmo assim meu amor, nunca te esqueças que os teus dias são o que fazes com eles, os problemas têm a proporção que lhes dás, que uma atitude positiva é meio caminho andado para seguires em frente.

Um dia ensino-te a voar – com um mapa desenhado nas costas com a ponta dos meus dedos, para que possas regressar sempre.

A mãe deseja-te a melhor e mais rica das viagens.

 

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Alguns aspetos a considerar sobre a Maturidade Escolar

Decidir se um filho já está pronto para ingressar no 1º ano ou se deve aguardar mais um ano para desenvolver certas capacidades/competências não é uma tarefa fácil.

Partindo do panorama geral:  na maioria dos países, a criança entra na escola por volta dos 5 e os 7 anos. No entanto, uma criança com 5 anos tem características substancialmente diferentes de uma de 6, tal como uma de 6 tem de uma de 7.  Há crianças com 5 anos que aparentemente estão “aptas” para ingressar no 1º ano, mas muitos são os casos em que os pais acabam por perceber que seria benéfico ter esperado mais um ano. A pressão escolar é muito grande e o tempo para brincar e até para dormir é mais reduzido.

Panorama geral

Em alguns países, como por exemplo na América ou nos países nórdicos como a Finlândia ou Suécia, há cada vez mais pais com filhos de 5 anos que optam por aguardar mais um ano, pois a criança de 5 será das mais novas na turma, o que traz as suas consequências negativas, enquanto que entrando com 6 ou até 7 anos faz com que esteja em pé de igualdade e seja respeitada pelas outras crianças e reconhecida pela professora, como sendo mais velha e tendo outra responsabilidade.

Tipicamente, a maturidade escolar significa que durante a pré-escola a criança já atingiu um nível de desenvolvimento que permite a sua adaptação aos desafios da escolarização formal – que é capaz de aprender. E há aspetos sociais e emocionais do desenvolvimento da criança que constituem elementos importantes de sua maturidade  escolar, assim como da sua aprendizagem e do grau de sucesso no futuro.

Nas escolas convencionais, apesar de não existir concretamente uma lista de sinais de maturidade escolar, há vários aspetos que são considerados de maneira a avaliar a maturidade da criança para a entrada na etapa escolar.

Entre os quais:

  • conhece as figuras geométricas básicas?
  • conhece as letras do abecedário?
  • é capaz de escrever com lápis?
  • sabe escrever o nome?
  • até quanto consegue contar?
  • já sabe ler?

Assim, vale muito a pena observar com dedicação/atenção a criança que ponderamos se é a altura certa de a levar para a escola.

Existem mais aspetos que nos podem ajudar a perceber se chegou a hora da criança ingressar no 1º ano:

1. A mudança da silhueta

  • os braços e as pernas estão alongados, cada vez menos arredondados
  • a barriguinha, outrora redonda, retrai-se
  • a cintura fica mais definida (evidenciada entre tórax e abdómen)
  • o ângulo das costelas sobre o estômago é agudo
  • a silhueta começa a ganhar as proporções de um adulto

2. Troca dos dentes

  • Aparece o primeiro molar permanente ou ocorre a troca de um dos incisivos

3. Pensamento abstrato

  • ânsia de aprender
  • voluntariamente consegue dirigir as lembranças, sem que estas sejam fruto de imitação ou de hábito/ritmo (por exemplo, pode recontar uma história que dias antes foi narrada no jardim-de-infância)

4. Maturidade social

  • capacidade de integração numa turma/grupo (com a ajuda da educadora, é capaz de aprender a harmonizar os seus interesses com os dos demais)
  • consegue sossegar as pernas e os braços voluntariamente para ouvir, sem ser por mera imitação do adulto.

A maturidade social, porém, é gradualmente conquistada na transição para o 2º ano escolar.

 

ARTIGO RELACIONADO
ENTRADA PARA O 1º CICLO | RETENÇÕES NO PRÉ-ESCOLAR

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O meu filho mordeu o amigo!

Chegar à creche e ouvir a educadora dizer que o filho foi mordido ou mordeu um amigo é algo constrangedor que deixa qualquer pai/mãe assustado e sem compreender muito bem o que se está a passar, ou como lidar com a situação.

É importante perceber que este tipo de comportamento é considerado absolutamente normal até cerca dos 2/3 anos, no sentido em que a criança ainda explora o meio ambiente com a boca, desaparecendo à medida que a criança vai amadurecendo.

Por outro lado, morder, bater, ou puxar os cabelos são formas que a criança utiliza para comunicar. Tendo em conta que nesta fase a aquisição da fala ainda está em progresso, a interação com os demais será mais física e, nesse sentido, a mordidela pode ser um dos meios utilizados pela criança para revelar o que está a sentir ou, simplesmente, para chamar à atenção.

“Vou-te morder o pé!”

As mordidelas ou os comportamentos agressivos nem sempre são uma demonstração de emoções negativas. Quantas vezes os pais durante o banho ou no ato de trocar a fralda brincam com os seus bebés e dizem: “Vou comer o teu pé… ou a tua bochecha”? Então para os bebés/crianças a mordidela meiga que os pais deram durante um momento carinhoso e divertido, pode tornar-se uma forma de exprimir um sentimento divertido e de boa disposição, logo, durante uma brincadeira com os amigos poderá também morder sem a intenção de magoar.

Noutras situações, o mesmo comportamento pode ter o objetivo concreto de conseguir o brinquedo que o amigo tem, o que normalmente funciona, porque a criança que é vítima sente dor e larga de imediato o brinquedo. Nestas situações o papel do adulto não deve ser de repreensão, explicando que a atitude não é correta porque magoa o outro. Se não houver uma intervenção nesse sentido a criança vai continuar a utilizar o seu método que parece ser eficaz e prova o seu poder perante o outro, ou seja, a criança vai utilizando a mordidela ou outro comportamento agressivo e vai avaliando as consequências do mesmo. Se ele conseguir os seus objetivos e não for repreendido, continuará a repetir o mesmo.

Regras e limites

Nesta fase do desenvolvimento, as regras e os limites são de extrema importância, muitas vezes os pais pensam que os seus filhos são demasiado novos para compreender o NÃO, mas pelo contrário, esta é a altura em que o “Não” é essencial e ajuda a crescer emocionalmente saudável. O adulto deve explicar que existem outros meios para expressar o que pretendem e que atitudes agressivas não devem ser utilizadas como meio para alcançarem os seus objetivos. Se pretende um brinquedo que o amigo tem, terá que pedi-lo emprestado, ou se pretende dizer alguma coisa ao adulto, tem que saber esperar pelo momento em que ele esteja disponível para falar e que não adianta beliscar ou bater para ter a atenção no imediato. Se perceber que assim resulta irá continuar a utilizar comportamentos desadequados para chamar a atenção.

Normalmente estes comportamentos são passageiros e deixam de ser utilizados quando lhes é explicado que a ação não está correta. No entanto, em alguns casos estas atitudes podem ser reflexo de um problema de ordem emocional e, se forem recorrentes e prolongadas no tempo, poderão estar associadas à expressão de sentimentos de rejeição ou a ansiedade. Para que se possa entender a causa poderá ser necessário a ajuda de um psicólogo que intervenha de forma a ajudar a criança e os seus pais.

LER TAMBÉM…

Querida mãe: sobre AQUELA criança;

Brincar, porquê? O papel da brincadeira no desenvolvimento da criança.

Estudo confirma que as crianças portam-se pior na presença das mães

“Para compreender o coração e a mente de uma pessoa, não olhes ao que ela já alcançou mas sim àquilo a que aspira.” Kahlil Gibran

Sim, as crianças que conheço não têm tempo para sonhar! Faz-lhes falta tempo para “não darem pelo tempo passar”. Falta-lhes tempo para percorrerem os castelos da sua imaginação.

Quer seja pelos seus pesados horários escolares, com pouco tempo de actividade nos recreios, quer seja pelos horários de trabalho dos pais, com avós que (ainda) trabalham, as crianças acabam por ficar muitas horas em contexto escolar. E na escola, os currículos para cumprir, e as metas para atingir, parecem fazer com que se esqueça a importância das horas do recreio. É nos recreios que as crianças mais sonham! E mais crescem. Em tamanho, físico mas também emocional e social, e em sonhos! Sem dúvida, num recreio a criança cresce de forma completa e plena, nas suas dimensões cognitiva, emocional, social e física.

As agendas das crianças, entre escola e actividades estruturadas, é tão ou mais preenchidas que a dos seus pais. E onde fica a mais importante – o brincar? Onde fica a possibilidade da criança se deitar no chão do seu quarto a rebolar ao sabor da imaginação? Onde fica o tempo para acriança se deitar na relva do jardim e olhar para o céu a sonhar? Onde fica o tempo para as cócegas, as lutas de almofadas e os colos e festinhas na cabeça?

Aprende-se a fazer escolhas. Leio um livro ou faço um desenho? Brinco sózinho ou procuro companhia?

Usa-se a criatividade. Como me vou entreter? Vou transformar esta caixa em quê? Como finjo ser um urso? E onde arranjo um chapéu de bombeiro?

Desenvolve-se a capacidade de raciocínio. Explora-se o mundo e o espaço. Observa-se o eu e a sua relação com os outros.

O tempo de sonhar é o tempo que gera os porquês. É o tempo das perguntas e das respostas.

O tempo de sonhar é o tempo dos sorrisos. O tempo de sonhar é o tempo da brincadeira.

Que nunca lhes falte tempo para sonhar!

A importância de fazer programas adaptados às idades e gostos dos miúdos, passa não só pelo seu desenvolvimento e aprendizagem, mas também pela saúde mental dos pais. Passo a explicar: os filhos são criaturas muito persuasivas, e normalmente pouco pacientes. Se andam constantemente agregados aos programas de adultos dos pais, acabam por se tornar maçadores, embirrentos, cansativos e muitas vezes insolentes, pela falta de convivência com crianças fora do âmbito escolar.

Aos fins-de-semana, é uma óptima opção para a família. Já que eles acordam (muito) cedo, não restando grandes hipóteses de descanso, mais vale sair de casa e participar numa atividade infantil. Não como obrigação ou por regra, mas por opção.

Normalmente as oficinas são de curta duração, cerca de 1h, e muitas realizam-se de manhã, não ficando a família  todo o dia a “reboque” da própria oficina/atelier.

QUAIS AS MAIS VALIAS PARA AS CRIANÇAS?
As actividades estão maioritariamente ligados ao uso das mãos e do tacto, ajudando a desenvolver em primeira análise a expressão plástica manual e as motricidades finas e grossas em idades do pré-escolar.

Estas actividades pedagógicas são o reforço do desenvolvimento intelectual e experimental da criança, principalmente, na fase pré-escolar.Realizar actividades/oficinas fora do ambiente rotineiro  das crianças (casa e escola), favorecem:

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  • A DISCIPLINA
    As actividades não lectivas, proporcionam à aprendizagem conjunta e cooperação interdisciplinar, estimulando competências sociais e organizativas, nomeadamente a interacção/trabalho em equipe, a partilha, a comunicação oral, a comunicação plástica e a concentração. Isto só é possível através da Disciplina. As crianças, têm efectivamente necessidade da disciplina, e respondem bem aos estímulos quando se sentem orientadas em grupo.

 

 

  • AUTO-ESTIMA
    Reforçam a auto-estima e o auto-conhecimento, e desenvolvem os meios de adaptabilidade da criança em relação a grupos e espaços desconhecidos. Ao frequentar estes ateliers acompanhadas pelos pais, as crianças sentem-se seguras e criam hábitos de estabelecer relações sociais com outras crianças e adultos. A criança explora os seus receios e as suas capacidades num meio seguro, embora desconhecido, reforçando assim a sua auto-estima.
  • MOTIVAÇÃO
    Proporcionam ao alargamento de diferentes interesses, aguçam a curiosidade e desenvolvem a motivação, e a capacidade de iniciativa na realização de tarefas.

    Uma criança disciplinada é uma criança motivada. Estes ateliers têm um nº máximo de participantes, o que permite que o orientador consiga interagir com cada criança e com todas, ou seja, cada uma terá a atenção e o acompanhamento devido de acordo com o que deu a conhecer até então. Por vezes são distribuídas tarefas de acordo com o interesse de cada criança para se sentirem mais motivadas.

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As crianças reagem bem aos ateliers e workshops, se forem ensinadas a encará-los como uma extensão da brincadeira, sendo também uma extensão da sua educação.

Mesmo as crianças menos manuais, gostam de explorar novos materiais, e adoram descobrir o que podem fazer com eles. Ficam felizes por criar objetos diferentes, e desenvolvem questionários gigantes sobre as suas obras criadas.

É um desafio à criatividade e à própria curiosidade!

 

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Lembro-me como se tivesse sido, efectivamente, ontem os primeiros passos da minha irmã. Deu-os comigo, numas férias de Verão passadas em Espanha. Recordo com a mesma intensidade as tardes passadas a brincar no quarto, a dançar em cima da cama, a apanhar ondas na praia, o choro dela quando no final do fim-de-semana me ia embora. Temos treze anos de diferença e já se passaram mais que esses anos desde que ela nasceu.

No outro dia ela deitou a cabeça no meu colo, no mesmo colo onde cabia inteira e agora já não consigo recebê-la. E concluí: o tempo voa. Somos hoje duas mulheres, mais maduras e com mais certezas, certamente com mais dúvidas. Somos hoje mais do que éramos há mais de uma década. Porque o tempo voa mas aprendemos a voar com ele.

De nada adianta ficar a olhar para trás e a pensar como ele passou, correndo o risco de ganhar um torcicolo e deixar passar o que está a acontecer agora. Do mesmo modo, ficar em aflição porque o tempo corre em inversa proporção ao que necessitávamos, nada nos traz. Minto, pode trazer-nos, mais do que essa aflição, um nível de stress desnecessário, porque acelerar o nosso ritmo para não perder pitada, para tentarmos ultrapassar um tempo que não pára para o recebermos de frente faz-nos viver no futuro. E o presente está mesmo aqui. A pedir para ser vivido.

O tempo pode voar, mas nós voamos com ele. Já o disse? Reitero, porque não somos o que éramos ontem e ainda estamos longe de atingirmos o que seremos amanhã.

Os nossos filhos saboreiam o tempo de uma maneira muito menos racional e muito mais real. Não se preocupam com o facto de ele estar a escapar-se por entre os dedos, aproveitam-no. Sabem que algures no dia lhes vão dizer para lavar as mãos, tomar banho, vestir o pijama, ver os trabalhos de casa, jantar, lavar os dentes. Mas o que os separa do momento em que estão do que vai acontecer é o agora. E eles sabem vivê-lo.

Deixar de estar constantemente a espreitar os emails, a consultar o relógio no pulso, em suma “desligar”, é essencial.

Todos os dias aprendemos com os nossos filhos.

Antes que chegue o dia em que eles próprios sintam que têm de se tornar escravos do tempo porque é isso que vêem nos adultos, cabe-nos a nós viver como eles.

Viver com eles este tempo precioso que é o agora.

Porque ele não volta.

E é responsabilidade nossa sentir que todos os “agoras” que constituem a nossa vida foram bem vividos.

Por um futuro melhor.

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A sobrecarga escolar e social das crianças é uma preocupação crescente para os pais e educadores. Dos diversos artigos de especialidade que li, a opinião da maioria dos educadores e psicólogos é unânime: as crianças precisam de menos  brinquedos e mais tempo com os pais, precisam de menos trabalhos de casa e mais tempo de brincadeira, precisam de menos individualismo e mais tempo para sociabilizar com os amigos, menos tempo entre paredes e mais tempo no exterior.

Em primeiro lugar, as crianças precisas de ser crianças.
As crianças precisam de ser felizes para poderem crescer saudáveis e terem capacidade de assimilar uma educação sólida que começa em casa, continua na escola, e passa por todos os hobbies e experiências vividas. As atividades extracurriculares, principalmente quando são escolhidas pela criança, são também extensões desta aprendizagem. Mas não nos prendamos à ideia de que as crianças têm imenso tempo de brincadeira porque têm atividades todos os dias. Essas atividades, e que considero de extrema importância para o desenvolvimento da criança (mais uma vez reforço que parto do principio que a criança gosta e quer realizar a actividade e não lhe é imposta pelos pais) fazem parte de uma rotina associada às obrigações e afazeres. O meu filho adora as suas aulas de teatro, mas quando chega a casa, antes de fazer os TPC quer brincar um bocadinho porque sente que teve o dia todo preenchido com obrigações. De seguida, as tarefas de casa a realizar antes do dia acabar: os banhos, os TPCs, o Jantar, a hora de ir para a cama que já começa a atrasar… Tudo isto causa algum stress nas crianças principalmente quando nós, pais, começamos a ver a rotina a descarrilar e, inconscientemente, pressionamos (nem sempre da melhor forma), os nossos filhos a viverem num ritmo que não é aconselhável para a idade.

Depois, quando temos tempo, muitas vezes, queremos que os miúdos se entretenham com gadgets ou televisão (porque de outra forma estão aborrecidos) para podermos, também nós, fazer qualquer coisa que andamos a adiar há tempo demais, nem que seja relaxar cinco minutos! E que exemplo transmitimos aos nossos filhos? Será que com tanta obrigação estamos a criar reféns de uma educação programada e dependente dessas rotinas? Ou saberão os nossos filhos fazer uma pausa e usufruir dos pequenos prazeres do dia a dia?

O famoso psiquiatra brasileiro Augusto Cury, que lançou recentemente uma versão do  livro Ansiedade – Como Enfrentar o Mal do Século, numa conversa sobre os desafios de se criar filhos hoje em dia, não poupou críticas à forma como a família e a escola têm educado os miúdos.

Deixo-vos os 8 pontos essenciais assinalados pelo especialista:

«Excesso de estímulos
“Estamos assistindo ao assassinato coletivo da infância das crianças e da juventude dos adolescentes no mundo todo. Nós alteramos o ritmo de construção dos pensamentos por meio do excesso de estímulos, sejam presentes a todo momento, seja acesso ilimitado a smartphones, redes sociais, jogos de videogame ou excesso de TV. Eles estão perdendo as habilidades sócio-emocionais mais importantes: se colocar no lugar do outro, pensar antes de agir, expor e não impor as ideias, aprender a arte de agradecer. É preciso ensiná-los a proteger a emoção para que fiquem livres de transtornos psíquicos. Eles necessitam gerenciar os pensamentos para prevenir a ansiedade. Ter consciência crítica e desenvolver a concentração. Aprender a não agir pela reação, no esquema ‘bateu, levou’, e a desenvolver altruísmo e generosidade.”

Geração triste
“Nunca tivemos uma geração tão triste, tão depressiva. Precisamos ensinar nossas crianças a fazerem pausas e contemplar o belo. Essa geração precisa de muito para sentir prazer: viciamos nossos filhos e alunos a receber muitos estímulos para sentir migalhas de prazer. O resultado: são intolerantes e superficiais. O índice de suicídio tem aumentado. A família precisa se lembrar de que o consumo não faz ninguém feliz. Suplico aos pais: os adolescentes precisam ser estimulados a se aventurar, a ter contato com a natureza, se encantar com astronomia, com os estímulos lentos, estáveis e profundos da natureza que não são rápidos como as redes sociais.”

Dor compartilhada
“É fundamental que as crianças aprendam a elaborar as experiências. Por exemplo, diante de uma perda ou dificuldade, é necessário que tenham uma assimilação profunda do que houve e aprender com aquilo. Como ajudá-las nesse processo? Os pais precisam falar de suas lágrimas, suas dificuldades, seus fracassos. Em vez disso, pai e mãe deixam os filhos no tablet, no smartphone, e os colocam em escolas de tempo integral. Pais que só dão produtos para os seus filhos, mas são incapazes de transmitir sua história, transformam seres humanos em consumidores. É preciso sentar e conversar: ‘Filho, eu também fracassei, também passei por dores, também fui rejeitado. Houve momentos em que chorei’. Quando os pais cruzam seu mundo com os dos filhos, formam-se arquivos saudáveis poderosos em sua mente, que eu chamo de janelas light: memórias capazes de levar crianças e adolescentes a trabalhar dores perdas e frustrações.”

Intimidade
“Pais que não cruzam seu mundo com o dos filhos e só atuam como manuais de regras estão aptos a lidar com máquinas. É preciso criar uma intimidade real com os pequenos, uma empatia verdadeira. A família não pode só criticar comportamentos, apontar falhas. A emoção deve ser transmitida na relação. Os pais devem ser os melhores brinquedos dos seus filhos. A nutrição emocional é importante mesmo que não se tenha tempo, o tempo precisa ser qualitativo. Quinze minutos na semana podem valer por um ano. Pais têm que ser mestres da vida dos filhos. As escolas também precisam mudar. São muito cartesianas, ensinam raciocínio e pensamento lógico, mas se esquecem das habilidades sócio-emocionais.”

Mais brincadeira, menos informação
“Criança tem que ter infância. Precisa brincar, e não ficar com uma agenda pré-estabelecida o tempo todo, com aulas variadas. É importante que criem brincadeiras, desenvolvendo a criatividade. Hoje, uma criança de sete anos tem mais informação do que um imperador romano. São informações desacompanhadas de conhecimento. Os pais podem e devem impor limites ao tempo que os filhos passam em frente às telas. Sugiro duas horas por dia. Se você não colocar limite, eles vão desenvolver uma emoção viciante, precisando de cada vez mais para sentir cada vez menos: vão deixar de refletir, se interiorizar, brincar e contemplar o belo.”

Parabéns!
“Em vez de apontar falhas, os pais devem promover os acertos. Todos os dias, filhos e alunos têm pequenos acertos e atitudes inteligentes. Pais que só criticam e educadores que só constrangem provocam timidez, insegurança, dificuldade em empreender. Os educadores precisam ser carismáticos, promover os seus educandos. Assim, o filho e o aluno vão ter o prazer de receber o elogio. Isso não tem ocorrido. O ser humano tem apontado comportamentos errados e não promovido características saudáveis.”

Ler também O pricípio da Caneta verde

Conselho final para os pais
“Vejo pais que reclamam de tudo e de todos, não sabem ouvir não, não sabem trabalhar as perdas. São adultos, mas com idade emocional não desenvolvida. Para atuar como verdadeiros mestres, pai e mãe precisam estar equilibrados emocionalmente. Devem desligar o celular no fim de semana e ser pais. Muitos são viciados em smartphones, não conseguem se desconectar. Como vão ensinar os seus filhos e fazer pausas e contemplar a vida? Se os adultos têm o que eu chamo de síndrome do pensamento acelerado, que é viver sem conseguir aquietar e mente, como vão ajudar seus filhos a diminuírem a ansiedade?”  »- Liliane Prata, em M de Mulher – 

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Costumo dizer às crianças e jovens com quem trabalho que trabalho com perguntas. Digo muitas vezes que gosto de as colecionar, guardar, emprestar, oferecer, dar – tal como se fossem coisas físicas que podemos levar no bolso e partilhar com alguém. O meu trabalho consiste em construir e desconstruir essas perguntas, em grupo, investigando as suas possíveis respostas.

Assim sendo, gostaria de partilhar convosco algumas perguntas que os meus alunos partilharam. Algumas delas são fruto da troca de correspondência que tenho levado a cabo com crianças e jovens de todo o país – e não só*

Deixo-vos o desafio de pensar e de perceber se estas perguntas vos incomodam ou não. Se tiverem esse efeito, suspeito que serão perguntas importantes para vós. **

12 perguntas para 2016 (e para toda a vida?)

  1. A filosofia é um acto para saber?
  2. Por que é que nos obrigam a comer lulas?
  3. Por que é que nós, as crianças, somos obrigadas a desenhar?
  4. O que é a filosofia?
  5. Por que é que eu sou eu?
  6. É possível deixar de pensar?
  7. O que é que sentimos enquanto e depois de estarmos a morrer?
  8. Por que é que não podemos andar para trás, no tempo?
  9. Por que é que existe o mundo?
  10. Qual é o sentido da vida?
  11. Por que existe o mundo?
  12. O que é ser tratado como uma pessoa?

*Espreitem no Blog
**Escusado será dizer que aceito e agradeço perguntas que queiram partilhar comigo.
Usem e abusem do e-mail joanarssousa@gmail.com

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Hoje no jardim fui interpelada por uma senhora com alguma idade. Perguntava-me se eram gémeas. Demorei alguns segundos a perceber o que me dizia. Olhei em volta e reparei que uns passos à frente da minha filha estava outro bebé, outra menina. Este bebé era fisicamente completamente diferente da minha filha, para além de que não estávamos juntas e isso era, para bom observador, evidente. E entendi o que aquela senhora queria. Respondi-lhe. Falei-lhe de que muitas vezes nos encontramos por ali mas não somos da mesma família e que ela, a senhora, também era uma cara reconhecida. Os seus olhos brilharam. Provavelmente foi a primeira vez neste dia que alguém lhe dirigiu a palavra. Era isso que ela procurava, sentir que estava ali, sentir o reconhecimento de outra pessoa, ter uma conversa, por mais breve que fosse, com ela. Falámos mais um pouco e depois despedi-me. A minha filha fez o mesmo. Sente muita simpatia por pessoas mais velhas e tem o hábito de as cumprimentar pelo caminho, quando vamos pela rua. E sei como isso as deixa contentes. Precisamente por isso: deixam de se sentir invisíveis.

Na Índia as crianças são ensinadas desde pequenas a tocar os pés dos mais velhos como sinal de respeito pela sua idade e maturidade, e também pelo longo caminho que já percorreram. De certa forma, os mais novos agradecem a dedicação dos mais velhos e os sacrifícios que estes foram fazendo ao longo da vida para que as gerações seguintes pudessem viver dignamente. Sinto que entre nós ainda há muito pouco respeito pelos mais velhos. Muitos são deixados ao abandono pelas famílias, vivem vidas de miséria, solidão e ainda há demasiadas pessoas a sofrer maus tratos.

Nada disto aconteceria se as nossas crianças vissem nos mais velhos alguém “sagrado”. Jamais ousaria levantar a voz aos meus avós, responder-lhes ou reclamar de algo que tivessem feito. Nem aos meus avós nem aos avós de alguém, em que circunstância for. E isso vem da educação. A educação é 90% das vezes a resposta.

Nós, pais, temos o dever de ensinar as regras básicas da cidadania. Se tivermos pessoas mais velhas na família ou círculo próximo, a lição pode ser dada pelo exemplo. Para quem não tem há sempre uma situação ou outra em que nos cruzamos com alguém de idade.

Sei que há pessoas que ficaram amargas (muitas já o seriam em novas), outras sentem que a idade é posto e maltratam também elas os mais novos. A educação funciona em todos os sentidos.

Não nos esqueçamos que somos os velhos de amanhã. E serão as nossas crianças a lidar connosco.

Com amor, paciência e tolerância tudo se consegue.

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