No caminho para creche da minha filha passo por um sem número de tipos de mães.

A stressada, que anda a mil à hora e quase arrasta os filhos pelo passeio fora, a delicada, que sussurra palavras doces enquanto os diabretes trepam às árvores, a carinhosa (não deviam ser todas?) que ajeita o laço no cabelo da filha enquanto ela saltita na passadeira, a despachada, que leva dois filhos ao colo e dá indicações ao terceiro para que não se afaste.
Não sei que tipo me atribuem, até porque acho que somos muito mais que um simples rótulo, mas para muita gente sou a chamada “chata”.

  1. Não pego na minha filha ao colo de cada vez que chora
    Ela chora porque quer atenção, porque se saímos da sala sente que ficou sozinha no mundo e chora muito sentida. Está nessa fase e tento não resolver a situação pegando-lhe imediatamente ao colo. Falo com ela, canto, distraio com brinquedos. E às vezes pego-lhe ao colo. Há guerras desnecessárias que não vale a pena comprar.
  2. Não deixo a minha filha comer de tudo
    Não é por mera embirração, simplesmente ela – aos nove meses – ainda não pode comer de tudo, por mais que as pessoas tendam a não conseguir aceitar isso. Não, ela não vai pegar nessa batatinha frita cheia de óleo e sal, comê-la e lambuzar-se.
    Não, ela não precisa de uma pitadinha de sal na sopa nem de uma colher de açúcar no iogurte natural. Está a conhecer os sabores das coisas, aqueles sabores que acabámos por nos esquecer, de tantos aditivos que acrescentamos. Está a deliciar-se com a simplicidade e a complexidade natural da comida. E acredito que o bem que lhe faz compensa os comentários que às vezes ouvimos.
  3. Não deixo a minha filha meter na boca tudo o que apanha
    Agora que começou a gatinhar encontra de tudo um pouco pelo caminho, mesmo quando temos a certeza de que os objectos estão todos arrumados ou bem escondidos. E sim, não a deixo brincar com esferográficas, nem com o carregador do telemóvel ou as chaves de casa – avisei que sou chata, não avisei?
  4. Não dou à minha filha tudo de bandeja
    Sou chatinha e deixo os brinquedos mais longe, para que ela os venha buscar. Se lhe der tudo sem estimular vai ficar uma panhonha. E provavelmente começar a andar só quando entrar para a faculdade.
  5. Ando com uma muda de roupa extra na mala
    Foi um bebé bolsão, ainda o é um bocadinho e não há roupa que resista às bolachas Maria. Quando acaba de comer uma, coisa que demora quase meio século, é como se tivesse enfiado a cara no prato da papa. A cara, as pernas, as mãos… Por isso, sim, gosto de a limpar e de lhe trocar a roupa quando é caso para isso. Nos outros dias ando simplesmente carregada demais.
  6. Ponho-lhe protector solar todos os dias
    Mesmo sendo o maior desafio das nossas manhãs, em que ela vira o demónio da Tazmânia assim que vê a embalagem de protector solar (e percebe que não serve só para morder). Ela tem a pele escura, mas a pele escura apanha sol como as outras. Pode não ser tão sensível, mas a radiação quando nasce é para todos. Mais tarde, quando tiver uma pele saudável e sem rugas espero que me agradeça.
  7. Encho a minha filha de beijos e abraços em demasia
    Esse podia ser outro rótulo para mim, para além de chata. Beijoqueira. Muito beijoqueira. Aperto-a com todas as minhas forças. Inspiro o seu cheiro como se o mundo acabasse em três segundos e precisasse de levar comigo algo muito precioso. Faço cócegas e aperto-lhe a barriga para se rir. Canto-lhe a toda a hora. Explico-lhe coisas que ela não compreende. Aponto-lhe pormenores de coisas que ela não vê. Conto histórias de pessoas que não conhece. Peço-lhe para ser boa com ela, com os outros. Para crescer saudável, mesmo que isso não dependa dela. Para se respeitar. Para ser educada. Para ser feliz. Peço mas tento dar em dobro. Não coisas, mas pequenos gestos que espero que a acompanhem sempre. Cumprimentar as pessoas quando chegamos a algum lado. Agradecer quando nos seguram a porta ou nos deixam passar na passadeira. Reparar quando são simpáticos connosco e desejar termos melhor feitio que algumas pessoas que de manhã já estão muito contrariadas.

Sorrir quando vemos um livro que gostamos de “ler” as duas, dizer em voz alta o nome das pessoas para ela se habituar a eles. Dar bom dia ao sol que nos entra pelo quarto de manhã, todos os dias, independentemente do tempo que está. Pequenos gestos, grandes pegadas. Para que ela se torne uma pessoa decente, que tenha orgulho em quem é, de onde vem, de como cresceu.

 

“Por mais que tentes, não há nada que te possa preparar para o que vais sentir quando tiveres a tua filha nos braços. Será como se tivesses esperado toda a tua vida por esse momento, em que o vosso coração bate em uníssono, em que a mãozinha pequena dela agarra o teu dedo com força e confia que vais cuidar dela.”

As mães são uma classe muito sensível.

Habituam-se a ser mulheres, amigas, conselheiras, orientadores de uma casa que transformaram em lar, confidentes, apaziguadoras, juízes e principalmente mães, e  talvez por isso sejam campeãs a atirar outras mães para o banco das rés no tribunal da maternidade. Porque a mãe é que sabe mas cada uma à sua maneira.

Esta geração de mães, na qual a minha mulher está inserida, é a mais irritante, competitiva e opinativa de todos os tempos. Hoje em dia, quando o tema são os filhos ou maternidade, a margem para fazer conversa sem que alguém se sinta ofendida é muito curta. Tem de se escolher muito bem as palavras usadas e com a quantidade de informação acessível na net (nem sempre fidedigna) e a troca de ideias nas redes sociais e fora delas, não há mãe que resista a não dar palpites sobre educação, maternidade ou amamentação a qualquer mamífero com uma cria ao colo.

Obviamente que não estou a dar novidade nenhuma quando vos digo que num grupo de mães não se pode sugerir que alguém está a fazer algo errado, ou não se pode insinuar que ser mãe a tempo inteiro não é um emprego a sério, nem que o leite adaptado é pior/melhor que leite materno. Não se pode sugerir que ter dois filhos é mais fácil que ter apenas um, e nem pensar em dizer que usar sling é melhor/pior que usar carrinho.

Algumas mães defendem-se com unhas e dentes, outras apenas se manifestam corporalmente – um suspiro mais prolongado, um revirar de olhos ou até um levantar de sobrancelhas. Nem on-line podemos fazer um comentário sem que tenhamos dezenas de mães assustadoras de olhos postos no post (ou comentários menos próprios…)! O melhor mesmo é abstermo-nos de comentar.

Infelizmente, quando também somos pais, é quase impossível não falar sobre o tema, e não estamos, obviamente, imunes a meter o pé pela argola.

A pensar nisto fiz uma pequena lista das coisas que se pode dizer a qualquer mãe sem gerar “fricção”:

  1. Bom dia
  2. São tão giros!
  3. Sim
  4. Deixa estar que eu agarro a porta
  5. Estão tão crescidos!
  6. Estás ótima!
  7. Como é que consegues fazer tudo?
  8. Como achares melhor.
  9. Grátis
  10. Mais vinho?

E é, basicamente, isto. Porque as mães são uma chatas. E ter filhos é uma chatice. O que não quer dizer que não valha a pena.

Aliás, os miúdos são fantásticos. Bem… os meus são fantásticos! Os teus são irritantes e indisciplinados e não sabes educa-los.

Desculpa,

Quero dizer “Estão tão crescidos”
[youtube https://www.youtube.com/watch?v=Me9yrREXOj4]

 

Baseado e adaptado por Up To Lisbon Kids®
do original 
The Only 8 Things You Can Safely Say to Parents, publicado no Scary Mommy

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Meu amor,

Não sabes que és fruto de um amor com mais de uma década, que começou com dois miúdos (um de dezanove e uma de dezassete anos) que não sabiam nada da vida mas sabiam que queriam ficar juntos – sim, esses miúdos com quem vives agora.

Não sabes como os astros tiveram de se alinhar e o pai e a mãe tiveram de crescer para estarem prontos para te receber – e ainda crescem todos os dias, contigo.

Não sabes como foste desejada e planeada, como a nossa vida recomeçou depois de teres nascido – um dia quente, uma noite mal dormida, poucas dores e depois tu no meu peito.

Não sabes que eras um bebé pequenino, sem espaço na barriga da mãe, e que tivemos medo porque ganhavas pouco peso de cada vez – e hoje és robusta, cresceste cá fora e que bom que é respirar de alívio.

Não sabes como era mágico ver-te dançar dentro da minha barriga, mesmo estando tão apertada – ninguém acreditava que com dezasseis semanas eu já te sentia, mas comunicámos sempre muito, só tu e eu.

Não sabes como és parecida com o pai e que já nas ecografias se adivinhava que eras a cara dele – se tiveres também o seu bom coração, o sentido de humor e optimismo então tens meio caminho andado para seres feliz.

Não sabes que a música que sempre te cantei quando estavas na barriga, que agora te faz sorrir instantaneamente é a música que cantava com o avô e que tem o mesmo efeito em mim – é uma das nossas coisas, só nossas.

Não sabes que o pai e a mãe são os melhores amigos um do outro e que isso faz toda a diferença porque nos conhecemos como ninguém – e um dia, se tiveres sorte, vais encontrar alguém assim.

Não sabes que todos os dias ultrapassas pequenos obstáculos, te desafias e que estás quase a gatinhar – é tão bom ver que não desistes.

Não sabes que essa impressão que sentes na boca é o teu primeiro dente a nascer e vais ficar abismada quando daqui a uns anos ele cair – e vais ficar linda desdentada.

Não sabes que o facto de acordares sempre a sorrir é um prenúncio de muitos acordares felizes que te esperam – espero que nunca mudes.

Não sabes que quando te mando ao ar e ris, nervosa, não te vou deixar cair – mas acreditas, confias.

Não sabes que há um mundo complicado e cheio de problemas lá fora – e ainda bem que és alheia a isso.

Não sabes que te vais apaixonar muitas vezes, ter a certeza de tudo, achar-te muito crescida e que nós não sabemos nada – todos nós o fizemos e, se calhar, vais ter de nos lembrar disso mesmo.

Não sabes o quanto vais errar – e só assim aprender.

Não sabes que vais sofrer por amor – e como depois tudo isso passa.

Não sabes como te vai custar perder amigos que achavas que eram para sempre – mas os que ficam vão fazer tudo valer a pena.

Não sabes como vai ser bom quando uma música ou um cheiro te fizerem viajar no tempo – viagens boas, viagens más, viagens…

Não sabes como é possível falar sem palavras – apesar de o fazeres todos os dias.

Não sabes o valor do perdão – e de como a vida é muito mais fácil quando deixamos o que não importa lá atrás.

Não sabes como é bom comer um gelado numa tarde de verão – mas pela maneira como comes a tua fruta adivinha-se que vais adorar.

Não sabes que vais amar muitas pessoas de formas muito diferentes – e que vai haver sempre espaço para todas.

Não sabes que vais sentir saudades e algumas vezes chorar por sentir falta de alguém – e que isso significa que esse alguém é ou foi muito importante para ti.

Não sabes como estarmos perto pode tranquilizar o dia mais agitado – o mais parecido é o que sentes quando choras e nos vês chegar ao pé de ti.

Ainda não sabes como o simples facto de existires torna o dia de tantos de nós mais feliz – pais, avós, tios, padrinhos, é só escolheres.
Não sabes como esperei toda a minha vida por ti.
Mas vais saber. A mãe encarrega-se disso.
Por Marta Coelho,
para Up To Lisbon Kids®

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DSC06662Ser mãe de uma rapariga é mais do que esperar ganchos com borboletas, purpurinas, saias rodadas e personagens da Disney a ocupar o sistema de som do carro.

Ainda que se advogue o contrário, a verdade é que os pais têm tendência para educar as raparigas e os rapazes de forma diferente. Pode ser de forma mais ou menos intencional, mas a verdade é que a diferença existe: nas tarefas atribuídas, na postura esperada, mais tarde nas permissões dadas nas saídas com os amigos, na tolerância em relação ao número de namorados. É um sem fim de diferenças. Os rapazes e as raparigas não são iguais, é um facto. E a procura pela igualdade de direitos muitas vezes confunde os deveres de cada um.

Ainda assim, há desafios que se colocam diariamente. Quando estamos grávidas e ainda não sabemos o sexo do bebé é quase impossível comprar roupa. As únicas cores disponíveis são azul-bebé e cor-de-rosa. Só para idades mais avançadas começam a haver outras cores. Há dias em que as pessoas têm de olhar com muita força para a minha filha para perceberem que é uma menina. “É uma menina?”, perguntam a medo. “Ah, pois, a mantinha é cor-de-rosa”. Porque se não fosse talvez se tornasse impossível perceber. E há ainda uma censura muito grande, pessoas que mordem a língua para não criticarem o facto de vestirmos um bebé com cor de laranja, ou por estar sempre de calças quando é uma rapariga. As críticas vão existir sempre. E as crianças, ainda mais ou menos alheias às críticas dos adultos, vão ser criticadas pelos seus pares. Sempre foi assim, sempre será. Se não for por usarem óculos é por serem baixinhos, altos, gordinhos, terem sardas, serem ruivos, terem voz fininha, não usarem ténis de marca. Todos passámos por isso, mas a sociedade evoluiu de tal forma que a pressão em cima das raparigas é enorme.

Esta geração preocupa-se com celulite (onde é que eu com onze anos sabia sequer o que era celulite?), maquilhagem (essa coisa longínqua que existia apenas na casa da minha avó materna e que usávamos para brincar), roupas e mais roupas (por mais que quiséssemos as roupas não eram tão acessíveis quanto são hoje).

As raparigas perguntam-se se são suficientemente bonitas, magras, se se vestem tão na moda quanto precisam para serem gostadas. Vejo isso à minha volta todos os dias. Algumas perguntam em voz alta, as restantes procuram em silêncio, com inseguranças crescentes e muitas vezes alimentadas em casa, pelos pais, em relação à imagem que passam para os outros.

Há miúdas de onze anos a maquilhar-se como adultas em dia de festa – para irem para a escola. Na televisão, nas revistas, nos filmes, a rapariga ideal é a rapariga sem defeitos físicos, é magra, sem borbulhas, está sempre a sorrir e com um cabelo impecável.

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=Ei6JvK0W60I]

Todas nós, mulheres, crescemos com esse ideal mais ou menos implementado – tanto é que são as mulheres as maiores críticas umas das outras: “já viste bem como aquela se deixou engordar depois do segundo filho?”, “A sério, mas ninguém lhe diz que aquela roupa é simplesmente horrível?”, “Ui, alguém não tem um espelho em casa, aquelas calças a marcar a gordura da cintura?”. E também há o oposto, claro. “Aquela passa tanto tempo no ginásio que já nem deve reconhecer os filhos”, “Lembras-te da nossa colega? Vi-a no outro dia e estava toda maquilhada, impecavelmente vestida… Quem é que tem tempo para isso?”. Se uma mulher é descontraída, é porque é desleixada, se usa roupa curta é porque não tem noção da idade ou do corpo e é oferecida, se se maquilha muito é porque quer chamar à atenção, se é simpática com os outros é porque é dada, se é antipática é porque tem falta de amor na vida.

Como mãe não quero que a minha filha se sinta inferior a alguém por causa do seu sexo. Não quero que sofra discriminação no trabalho. Não quero que seja rebaixada por um namorado que a faz sentir pouco merecedora de ser feliz. Não quero que duvide das suas capacidades porque a sociedade diz que o seu sonho é “coisa de homens”. Quero que perceba que foi percorrido um caminho enorme por gerações e gerações de mulheres. Quero que perceba que é uma privilegiada. Que há neste mundo raparigas e mulheres que não podem caminhar de olhar erguido, vestir umas calças de ganga, votar, estudar. Não podem dizer em voz alta aquilo em que acreditam, não lhes é permitido discordar. Há mulheres que passam uma vida inteira condicionada, mulheres cujos sonhos são automaticamente esmagados no momento do seu nascimento, por serem mulheres. Mulheres que são maltratadas, abusadas, feridas. E é neste mundo que ela vive. Um mundo onde os problemas das mulheres são vividos à escala. No nosso caso podemos considerar-nos sortudos, mas há ainda muitas conquistas a terem de ser feitas.

Não há maneira de preparamos um filho para estes desafios. Não há, é a conclusão a que eu chego. Podemos acompanhá-los, lembrá-los que o seu valor não está associado à forma como se vestem, à roupa que usam, à “beleza” que têm, àquilo a que acreditam, a quem amam, ao seu género.

Vão ter de passar por tudo isso sozinhos. Os rapazes também têm os seus dramas, é claro. Mas, por ser mulher, por se esperar de uma mulher uma perfeição que nunca existirá, sei que a minha filha tem um caminho pela frente em que terá de perceber que por mais que faça, por mais que lhe exijam, deve lutar por ser fiel a si mesma. Deve acreditar em si e não deixar que nada nem ninguém a faça duvidar daquilo que deseja. Porque ser mulher não é uma fraqueza, é uma característica. E como todas as características que temos, deve ser respeitada e abraçada. Só assim continuarão a existir no nosso mundo grandes mulheres.

 

Por Marta Coelho,
para Up To Lisbon Kids®

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O despertador toca. Sou profissional liberal, não há horários viro-me para o lado descansada. Estava a sonhar, adormeci e já estou atrasada.  Levanto-me mal disposta, com sono, remelenta e descabelada. Já estou mesmo atrasada… só há tempo para um duche rápido. Já não consigo lavar o cabelo, nada de caracóis definidos ou um cabelo impecavelmente esticado, carrapito no alto da cabeça e está óptimo. Visto-me, tento disfarçar as olheiras e sigo para a cozinha para preparar biberons, almoços e lanches e pelo meio tomo o pequeno almoço a prestações. Vou acordá-lo: também está mal disposto. Digo-lhe para despachar um que eu despacho outro, vira-se para o lado e diz que também tem que ter tempo para se arranjar. Vou tentar dar conta do recado sozinha. Acordo a mais velha. Dou-lhe o leite, mudo a fralda, visto-a e instala-se uma birra gigante porque não se quer despir, igual todos os dias.  Acordo o bebé, dou-lhe o leite e visto-o. O barulho que vem da sala é idêntico a uma martelo pneumático a partir a parede, deixo o bebé. na sala na espreguiçadeira ao lado de um sem fim de brinquedos espalhados por todo o lado. O pai,  entretanto aparece impecável, todo cheiroso, com o cabelo perfeitamente penteado, discussão matinal porque devia ter-se levantado para me ajudar, calço-me, olho-me ao espelho e nem estou assim tão mal, estes sapatos de salto alto ficam mesmo bem neste vestido, lembro-me das escadas da escola, tiro os saltos altos, calço umas sabrinas, deixo os sacos de cada um à porta, distribuo 3 beijos, ele bolsa-me o vestido, passo um Toalhete não há tempo para mais e sigo para o trabalho. Não há transito. Acordada há duas horas e já atrasada, encontro lugar para estacionar, fila para o elevador, carrego no 11º piso, fila para picar o ponto, já passa das 9h00. Finalmente sento-me à secretária, um sem fim de emails, um telefone que não pára, um devedor que é uma soda, prazos a expirar e julgamentos sem fim, almoço a correr para ter um bocadinho de tempo para mim, vou pintar as unhas, dou atenção a este meu filho, vou fazer umas compras para o jantar e algumas coisas que faltam para eles. Felizmente que trabalho por cima de um centro comercial, já vou outra vez a correr para cima, 1 hora não dá para nada, vou à casa de banho, olho para o relógio para confirmar as horas, são 14h00, a cara do espelho apresenta no mínimo umas 22h00, a tarde passa num ápice queria despachar hoje o prazo de amanhã para estar mais desafogada mas já não consigo por causa da reunião de última hora, os objectivos não estão a ser cumpridos, tenho que pressionar se não quero ser pressionada. 18h00 está na hora de sair, às 18h30 pico o ponto, a escola fecha às 19h00 vou a voar 2ª circular fora, está calor, está frio, está a chover, está a nevar, raios partam que qualquer que seja o motivo há sempre trânsito. Chego à escola faltam 5 minutos para as 19h00. Ela abraça-me feliz de me ver, ele sorri-me e estica os braços, ele de um lado dentro do sling, ela do outro porque insiste que também quer colo – benditas sabrinas para conseguir descer as escadas com dois ao colo. Chegamos a casa, tropeço nos brinquedos espalhados, ai se eu tivesse com os saltos altos, banhos, despacho-a a ela e ele fica na espreguiçadeira a ver televisão. Ela chora porque não quer sair do banho. O pai chega e vai preparando os jantares, e depois dá jantar à M.. Eu dou banho ao bebé e ela chora porque quer que seja eu a dar a sopa, trocamos as posições. O bebé também já está a jantar, tentamos dar-lhes alguma atenção antes de irem para a cama, jogar um jogo, cantar uma canção, ela não quer que ele brinque com os seus brinquedos, ele puxa-lhe os cabelos, eu encho-os de beijos e abraços, eles vão para a cama depois de chorarem porque não queriam ir. Ainda não jantamos, discutimos outra vez à hora de jantar por qualquer coisa banal e sem importância, arrumo a cozinha, ele pede-me desculpa. Já está a saltar o verniz das unhas pintadas à hora de almoço, estendo roupa, passo roupa, eu dou-lhe um beijo e um abraço também em jeito de desculpa. Preparo o dia seguinte, roupas e comidas, sopa para os miúdos, a bimby não descasca legumes, é meia noite está na hora de dormir, passo pelo sofá como quem passa na casa de partida do monopólio sem receber os 2 contos, ronda aos quartos para vê-los, beijo ao pai de noite feliz, passado duas horas a M. chora perdeu a chucha, ele encosta-se a mim e põe-me o braço na cintura, passado uma hora o bebé quer leite, agora vais lá tu, não eu fui há um bocado é a tua vez, eu afasto-me dele, passado duas horas a M. também quer leite, foi uma noite difícil a dormir mal e pouco, o despertador toca, acordo mal disposta …

Por Vanessa Muchagata, originalmente postado em Crónicas de Uma Grávida acamada,
adaptado por Up To Lisbon Kids®

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Carta de uma mãe aos filhos

Um dia vão perceber o porque desta minha luta contra o tempo…
Crescem de dia para dia sem o meu consentimento.
Assim como vos crescem os pés e os sapatos deixam de servir, cresce o meu amor por vocês, amor desmedido, ilimitado…
Sou egoísta… que egoísmo o meu querer-vos só para mim.
Pergunto-me se estou a fazer um bom trabalho.
Procuro sempre ser melhor – fazer melhor é o maior desafio da minha vida.

Preparar-vos para o mundo.

Dei-vos asas mas estou aqui para vos ensinar a voar, para vou amparar as quedas e serei sempre o ninho onde podem pousar.
Pulem, corram, sonhem, fantasiem, desenhem, pintem, cantem, gritem, brinquem! Brinquem muito, brinquem tanto, tenham uma infância cheia de brincadeiras e aventuras para sempre a recordarem.
Cresçam ao vosso tempo, sem saltar nenhuma fase.
Falem, desabafem comigo. Tentarei dar-vos os melhores conselhos.
Não tenham medo de errar.
Sigam os vossos instintos, mas pensem duas vezes antes de agir. Por vezes é bom agir de impulso mas pode ter consequências, percebem nesta pequena frase a dualidade da vida? O quanto por vezes pode ser complicada? Ter duas escolhas? Que podemos seguir dois caminhos? Espero conseguir ensinar-vos qual o vosso caminho.
Não tenham medo de arriscar, façam o que gostam, escolham o que gostam, descubram a vossa vocação e tenham a profissão dos vossos sonhos, experimentem coisas novas, sempre aprendendo, vivendo, ampliando os vossos limites, transformando o vosso mundo.

Rir é bom, mas chorar por vezes também é.

Não faz mal chorar, não tenham vergonha de chorar, não se fechem em vocês próprios.
Faz mal esconder o que sentimos.
Sorriam muito por favor.
Não posso impedir que tenham problemas, tristezas e decepções, mas desejo que saibam vencê-las para depois valorizar os momentos bons.
Sejam responsáveis, pacientes, bondosos, generosos, sinceros, humildes.
Peçam desculpa se errarem – pedir desculpas e perdoar os outros, às vezes, é difícil, eu sei.
Preservem os bons amigos, não se deixem levar pelos outros – pensem por vocês.
Se caírem, levantem-se e comecem de novo, façam as vossas escolhas e quando elas não forem bem feitas, sejam resilientes e aprendam com os vossos erros.

Confiem em vocês, não desistam. Sejam persistentes.

Façam por serem respeitados e respeitem os outros.
Defendam aquilo que acreditam.
Aprendam a ouvir pontos de vista diferentes.
Observem à vossa voltam.
Valorizem aquilo que têm.
Olhem para as pessoas sempre do mesmo modo, independentemente do sexo, raça, classe ou religião.
Não guardem rancor nem deixem nada por dizer – Atenção, sinceridade e frontalidade é diferente de arrogância e prepotência.
Orgulhem-se dos pequenos feitos que forem conquistando pelo vosso esforço.
Aproveitem a vida, aproveitem tudo o que a vida vos proporciona, mesmo as coisas que são (quase) um dado adquirido, as coisas simples, as coisas pequenas da vida.
Nunca se esqueçam de, primeiro, amar a vocês mesmos.
Sejam amigos um do outro.
Sejam felizes!
Estarei aqui sempre por vocês e para vocês.
Com amor
Mãe

 

Por Vanessa Muchagata, originalmente postado em Crónicas de Uma Grávida acamada,
adaptado por Up To Lisbon Kids®
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imagem de capa@shopfast_Supermom

Sinto que cheguei verdadeiramente à idade dos porquês. Vejo-te a dormir no berço e sei que não tenho todas as respostas para as perguntas que um dia me farás. O sentimento é estranho porque com os meus pais nunca tive dúvidas, eles sabiam tudo! Podia até perguntar por que é que a água do mar nunca acabava que o avô respondia com o seu ar de entendido e bom humor na ponta da língua e acalmava as minhas inquietações. A avó tentava perceber de onde surgiam as minhas perguntas e fazia-me sentir tão crescida… Contigo não sei se vou estar à altura. É um dos muitos medos que me assolam. Sei algumas coisas, mas mal arranho na matemática, que dirá na física quântica.

Esse sentimento do quanto somos pequenos nunca é tão grande como quando nos tornamos pais. Ali temos uma criatura indefesa, completamente dependente de nós e temos de estar à altura. Sei, no fundo, que as perguntas mais importantes não vão ser por que é que o céu é azul ou por que é que quando faz frio deitamos fumo pela boca. Mas, se insistires muito, peço-te que perguntes ao pai, ele é que é o sabido cá de casa. A minha ciência é a do coração e é com ela que te falo desde que nasceste. E, desde que nasceste, vejo-me a fazer tantas outras perguntas que acho que nem os avós me conseguem ajudar:

Por que é que as pessoas continuam a ter filhos, mesmo com a crise instalada e a guerra em tantos países do mundo?

Por que é que há crianças que nascem em famílias que não as desejaram quando tantas outras passam anos a fio a tentá-lo, sem o conseguirem?

Por que é que insistimos em tentar prever o futuro (“já consigo imaginar ginasta, já viste bem como mexe aquelas perninhas rechonchudas?”) quando a única coisa que temos como certa é que não o controlamos?

Por que é que não podemos ter todo o tempo do mundo para crescermos juntas? Tu a tornar-te uma rapariguinha e eu, agora sim, uma mulher?

Por que é que o tempo, depois de sermos pais, parece correr acelerado, cheio de pressa?

Não sei. Mas sei que vou dar tudo por tudo para que encontremos as nossas respostas, mesmo as que não queremos decifrar.

Quanto às outras… Mesmo não conseguindo antecipar o futuro, imagino que me vás colocar as perguntas mais difíceis do mundo e prometo que vou tentar não te desiludir.

Para que um dia possas dizer que a tua mãe sabia tudo (e jurar que as sardas que a tia tem junto aos olhos foram lá parar quando ela estava a ser desenhada e o desenhador espirrou, espalhando pedacinhos de tinta pela carita linda dela. Porque se a tua mãe disse, então é porque é verdade).

Por Marta Coelho, 
Para Up To Lisbon Kids®

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Esta manhã passei-me. Saltou-me a tampa à séria.

Depois dos miúdos estarem vestidos para a escola, de pequeno almoço tomado, dentes lavados, mochila pronta, liguei a televisão.  Eu tenho uma regra que os miúdos só podem assistir a determinados canais. Há tanta porcaria na TV – espetáculos  para adolescentes e pré-adolescentes, novelas com crianças malcriadas geralmente com comportamentos ofensivos – e sinceramente já é suficientemente complicado manter os meus filhos sob controlo sem expô-los a esses tipos de influências e modelos. Portanto, a regra é, a mãe define o canal, e ninguém muda sem permissão. A Annebelle nunca, mas nunca cumpre esta regra. Assim que olho para o lado um segundo, já está de comando na mão a fazer zapping à procura de um programa qualquer com adolescentes wannabe. Foi o que aconteceu esta manhã. 30 segundos depois de eu ter ligado a televisão, ela já estava a mudar de canal. – Larga a Tv Annebelle! – e saí da sala.
A caminho da cozinha olhei para ela e já estava de comando na mão outra vez. E passei-me.

JÁ TE DISSE 1000 VEZES PARA NÃO MUDARES DE CANAL. VAI PARA O TEU QUARTO E NÃO SAIS DE LÁ ATÉ À HORA DE IR PARA A ESCOLA – Gritei e praguejei. – JÁ!. – Annebelle ficou parada a olhar para mim. – VAI!

Os miúdos estavam boquiabertos enquanto eu a perseguia literalmente até ao quarto. Ela estava um passo à minha frente e quando lá chega bate-me com a porta na cara. BATEU-ME COM A PORTA NA CARA? – Eu vou matá-la, murmurei. – MÃE! A mãe vai mesmo matá-la? A mãe disse mesmo isso? perguntou a Daisy em pânico.

ABRE JÁ A PORTA! – Ordenei. A Annebelle abriu a porta. – NUNCA MAIS NA TUA VIDA ME BATES COM A PORTA NA CARA, PERCEBESTE?

O Mike tenta acalmar-me. – Deixa-me em paz. Eu faço tudo por vocês – incluindo por ti, e ninguém me dá valor!

Eu sei… tanta coisa por uma criança de 8 anos mudar o canal de Tv, não é? Mas é óbvio que não foi por isso. Isso foi apenas a gota de água. Foi a minha filha de 8 anos mudar de canal depois de lhe ter dito para não o fazer. Foi o Finn a fazer birra durante o pequeno-almoço inteiro, outra vez. Foi o Joey, armado em vítima, e cheio de atitude porque ontem não o deixei criar uma conta no Instagram (ele tem 10 anos, pelo-amor-da-santa). São as brigas e as disputas o tempo todo. É só eu quero, eu quero, eu quero, e não fazem nada do que lhes peço. E eu apenas peço que ponham a mesa, ou que façam as suas camas. Oh meu Deus, pensavam que lhes pedia para arrancarem as próprias unhas ou algo do género, não? Basta o meu marido estar muito tempo fora, para eu me sentir completamente sozinha e não conseguir lidar com tudo ao mesmo tempo.

Não me estou a desculpar por me ter passado esta manhã. Eu até tenho vergonha. Gostava de  me ter controlado. E antes que comece a soar como a minha mãe, que achava que as crianças eram responsáveis pela felicidade/infelicidade dela, mas o ela/o adulto não era responsável pela deles, deixem-me só dizer que eu sei que as crianças são crianças, e que o comportamento deles não revela aquilo que nos querem transmitir. A sério que sei disso.

Por vezes, a maternidade é uma grande filha da mãe! E por isso é que se diz que ser Mãe não é fácil. Não por ser intelectualmente desafiante, ou fisicamente exigente… aliás, é as duas coisas. Mas existem outras ocupações muito mais rigorosas nestas áreas. Não é por requerer uma grande dose de coragem…aliás, requer, mas não tanto como ser polícia ou ser bombeiro. Não é nada disto.

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É porque ser Mãe é emocionalmente desgastante. E porque ser Mãe é incrivelmente ingrato a maior parte do tempo. E porque eu sinto que já sacrifiquei tanto por eles e ninguém me valoriza. É porque eu faço, e faço e faço, e parece que tudo o que recebo em troca são queixas de que nunca é o suficiente – ou sou completamente ignorada. Não estou à procura de elogios, prémios ou medalhas! Nem tão pouco, à espera do Obrigada! Seria apenas bom ter alguma cooperação. Um pouco de respeito pelas regras – regras que não são onerosas ou despropositadas!

E vocês, mães, sabem como é difícil admitir estas coisas. Toda a gente fala de quão maravilhosa é a maternidade e como nos completa e preenche. Às vezes, é. Mas outras vezes, não é. Eu nem sei muito bem o que é que me deu para escrever sobre isto esta manhã. Expor-me assim às criticas e aos julgamentos alheios. A estragar a imagem de mãe perfeita. Acho que não me quero sentir sozinha, talvez.

Depois de deixar os miúdos no colégio, cheguei a casa e percebi que a Annebelle tinha deixado a lancheira em cima da mesa. Quem é que acham que voltou a enfiar o bebé e o Finn na carrinha e foi lá levar o lanche?

Porque  é o que as  mães fazem.

Por Lisa Morgess, para Scary Mommy,
traduzido e adaptado por Up To Kids®

Nota: Todos os textos traduzidos, adaptados e publicados pela Up To  Kids® têm a a autorização do autor e/ou foram comprados os direitos dos mesmos.

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“Mas também sou a mãe que desatou a chorar a primeira vez que o deixou de férias em casa da avó. Que dança e canta com eles como se ninguém estivesse a ver. Que lhes diz todas as noites que os adora.”

Eu sou a mãe que o pôs na creche com 3 meses.

Sou a mãe que esperava 10 segundos antes de ir a correr ver o que queriam.

A que fingia que não via quando ele caía no parque.

A que ignorava o menino que se metia com ele.

A que nunca pôs mais de 4 canais na única TV de casa.

A que não permite que o computador e o tablet sejam usados nos seus quartos.

Sou a mãe que nega prendas fora do Natal, aniversário ou dia da criança.

A que acha que a fada dos dentes só dá prenda nos 2 primeiros dentes.

A que só lhes dá doces no fim de semana e nas festas.

A que faz comidas que não gostaram antes para que se habituem aos sabores.

A que não os obriga a comer.

A que já a deixou ficar sem jantar e não lhe deu mais nada para comer até à manhã seguinte.

Sou a mãe que não carrega as mochilas deles.

A que lhes dá sacos de compras para levarem para casa.

A que não o leva à escola mesmo que esteja em casa.

A que não lhe dá beijos à porta da escola.

A que não lhe ajeita a camisola na rua.

Eu sou a mãe que não lhes faz as camas.

Que não arruma os seus quartos. Que não dobra as roupas deles nem as arruma nos armários.

Que não põe a mesa para o jantar. Que não leva o lixo à rua, mesmo que seja depois do jantar.

Sou a mãe que não pergunta se têm TPC.

Que não sabe quando têm testes.

Que não vê os TPC depois de feitos.

Que não sabe todas as notas de todos os testes.

Que o obrigou a ir às aulas extraordinárias por ter tido má nota no exame apesar de ter passado à disciplina.

Sou a mãe que insiste para que passem noites fora de casa desde bebés.

Que não telefona quando vão de férias com os avós ou para o campo de férias.

E que fica feliz muitas vezes em que não estão por perto.

Mas também sou a mãe que desatou a chorar a primeira vez que o deixou de férias em casa da avó.

Que lhes faz bolas de sabão para que rebentem.

Que lhe dá um beijo de “Boa noite” à força mesmo que ele não queira.

Que a põe a sorrir em 99% das vezes em que amua.

Que os vai buscar mais cedo à escola sempre que pode.

Que ficou com o coração nas mãos os 10 minutos que ele levou a chegar da primeira vez que andou sozinho na rua.

Que brinca com eles sem se preocupar com mais nada.

Que dança e canta com eles como se ninguém estivesse a ver.

Que lhes diz todas as noites que os adora.

E que se sente feliz por vê-los crescer independentes.