Esta manhã passei-me. Saltou-me a tampa à séria.

Depois dos miúdos estarem vestidos para a escola, de pequeno almoço tomado, dentes lavados, mochila pronta, liguei a televisão.  Eu tenho uma regra que os miúdos só podem assistir a determinados canais. Há tanta porcaria na TV – espetáculos  para adolescentes e pré-adolescentes, novelas com crianças malcriadas geralmente com comportamentos ofensivos – e sinceramente já é suficientemente complicado manter os meus filhos sob controlo sem expô-los a esses tipos de influências e modelos. Portanto, a regra é, a mãe define o canal, e ninguém muda sem permissão. A Annebelle nunca, mas nunca cumpre esta regra. Assim que olho para o lado um segundo, já está de comando na mão a fazer zapping à procura de um programa qualquer com adolescentes wannabe. Foi o que aconteceu esta manhã. 30 segundos depois de eu ter ligado a televisão, ela já estava a mudar de canal. – Larga a Tv Annebelle! – e saí da sala.
A caminho da cozinha olhei para ela e já estava de comando na mão outra vez. E passei-me.

JÁ TE DISSE 1000 VEZES PARA NÃO MUDARES DE CANAL. VAI PARA O TEU QUARTO E NÃO SAIS DE LÁ ATÉ À HORA DE IR PARA A ESCOLA – Gritei e praguejei. – JÁ!. – Annebelle ficou parada a olhar para mim. – VAI!

Os miúdos estavam boquiabertos enquanto eu a perseguia literalmente até ao quarto. Ela estava um passo à minha frente e quando lá chega bate-me com a porta na cara. BATEU-ME COM A PORTA NA CARA? – Eu vou matá-la, murmurei. – MÃE! A mãe vai mesmo matá-la? A mãe disse mesmo isso? perguntou a Daisy em pânico.

ABRE JÁ A PORTA! – Ordenei. A Annebelle abriu a porta. – NUNCA MAIS NA TUA VIDA ME BATES COM A PORTA NA CARA, PERCEBESTE?

O Mike tenta acalmar-me. – Deixa-me em paz. Eu faço tudo por vocês – incluindo por ti, e ninguém me dá valor!

Eu sei… tanta coisa por uma criança de 8 anos mudar o canal de Tv, não é? Mas é óbvio que não foi por isso. Isso foi apenas a gota de água. Foi a minha filha de 8 anos mudar de canal depois de lhe ter dito para não o fazer. Foi o Finn a fazer birra durante o pequeno-almoço inteiro, outra vez. Foi o Joey, armado em vítima, e cheio de atitude porque ontem não o deixei criar uma conta no Instagram (ele tem 10 anos, pelo-amor-da-santa). São as brigas e as disputas o tempo todo. É só eu quero, eu quero, eu quero, e não fazem nada do que lhes peço. E eu apenas peço que ponham a mesa, ou que façam as suas camas. Oh meu Deus, pensavam que lhes pedia para arrancarem as próprias unhas ou algo do género, não? Basta o meu marido estar muito tempo fora, para eu me sentir completamente sozinha e não conseguir lidar com tudo ao mesmo tempo.

Não me estou a desculpar por me ter passado esta manhã. Eu até tenho vergonha. Gostava de  me ter controlado. E antes que comece a soar como a minha mãe, que achava que as crianças eram responsáveis pela felicidade/infelicidade dela, mas o ela/o adulto não era responsável pela deles, deixem-me só dizer que eu sei que as crianças são crianças, e que o comportamento deles não revela aquilo que nos querem transmitir. A sério que sei disso.

Por vezes, a maternidade é uma grande filha da mãe! E por isso é que se diz que ser Mãe não é fácil. Não por ser intelectualmente desafiante, ou fisicamente exigente… aliás, é as duas coisas. Mas existem outras ocupações muito mais rigorosas nestas áreas. Não é por requerer uma grande dose de coragem…aliás, requer, mas não tanto como ser polícia ou ser bombeiro. Não é nada disto.

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É porque ser Mãe é emocionalmente desgastante. E porque ser Mãe é incrivelmente ingrato a maior parte do tempo. E porque eu sinto que já sacrifiquei tanto por eles e ninguém me valoriza. É porque eu faço, e faço e faço, e parece que tudo o que recebo em troca são queixas de que nunca é o suficiente – ou sou completamente ignorada. Não estou à procura de elogios, prémios ou medalhas! Nem tão pouco, à espera do Obrigada! Seria apenas bom ter alguma cooperação. Um pouco de respeito pelas regras – regras que não são onerosas ou despropositadas!

E vocês, mães, sabem como é difícil admitir estas coisas. Toda a gente fala de quão maravilhosa é a maternidade e como nos completa e preenche. Às vezes, é. Mas outras vezes, não é. Eu nem sei muito bem o que é que me deu para escrever sobre isto esta manhã. Expor-me assim às criticas e aos julgamentos alheios. A estragar a imagem de mãe perfeita. Acho que não me quero sentir sozinha, talvez.

Depois de deixar os miúdos no colégio, cheguei a casa e percebi que a Annebelle tinha deixado a lancheira em cima da mesa. Quem é que acham que voltou a enfiar o bebé e o Finn na carrinha e foi lá levar o lanche?

Porque  é o que as  mães fazem.

Por Lisa Morgess, para Scary Mommy,
traduzido e adaptado por Up To Kids®

Nota: Todos os textos traduzidos, adaptados e publicados pela Up To  Kids® têm a a autorização do autor e/ou foram comprados os direitos dos mesmos.

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10 Replies to “Maternidade – a grande filha da mãe

  • Nataxxa Rome
    Nataxxa Rome
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    Acho que é quase impossível ser mãe e não passar por isto. O pior de tudo é que nós é que ficamos com remorsos, é que ficamos mal psicologica e, às vezes, fisicamente e eles passo um bocado já estão na boa, como se nada tivesse acontecido.
    E depois há aquele misto de frustração e alívio quando chega o pai e diz para eles fazerem e eles nem piam e obdecem como carneirinhos. Porque é que obedecem a eles sem ser preciso eles passarem-se (e não me venham com a tanga de não gritar porque por vezes é impossível)? E porque é que nós acabamos por ficar aliviadas quando eles acatam as ordens deles e as nossas não? Porque o cansaço vence o orgulho.

  • CATARINA BRANCO
    CATARINA BRANCO
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    Sozinha não está…. pelo menos somos duas… Tenho dois filhotes de 5 e sete anos, e por muito que os ame e adore, incondicionalmente, as guerrinhas entre os dois, a personalidade desafiante da minha de 5 e a reguilice do meu de 7… é difícil, sozinha então… muito duro, mas não há nada mais duro no mundo que não termos essa dureza no dia a dia… e eles sabem disso!

  • Tânia Morais
    Tânia Morais
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    Passei exatamente por isto ontem à noite. E teve também a ver com a televisão, com os trabalhos de casa que estavam atrasados e com a vontade do meu filho teve, literalmente, em desafiar-me, rir na minha cara. Mas ele tem 7 anos. E a verdade é que eu ultrapassei em muito, o limite do aceitável, em termos de reação. Pelo menos aquilo que eu considero os meus limites. Acabei por gritar demais, enervar-me demais… É verdade que ele depois fez o que lhe pedi. E que até me pediu desculpas no fim. E acabámos os 2 a chorar. Se calhar vão todas dizer-me que isso é algo que não se deve fazer à frente dos nossos filhos, ainda por cima depois de nos termos zangado a sério com eles. Mas eu desabei, literalmente. Cansei-me de gritar, de chamar a atenção dele para tudo e mais alguma coisa. E depois veio a culpa, o grande “bicho papão” que não nos deixa descansar em paz. E que nos faz pensar se será necessário todo este alarido, toda esta pressão em seres que estão a aprender qual o seu lugar no mundo. A questão que eu coloco, no meio disto tudo, é que parece que eles ficam na boa. Mas não ficam. Todas estas situações ficam gravadas na sua memória. E mais tarde as coisas podem não correr bem por estes e outros episódios parecidos. Falo por experiência própria e por saber o que determinadas conversas podem fazer na nossa infância. Ser mãe é lindo. Mas há dias em que ser mãe pode transformar-nos em pessoas muito tristes, com culpas na consciência e cheias de dúvidas quanto ao melhor comportamento a tomar. Não é fácil. Nada fácil.

  • Filipa
    Filipa
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    Como eu a compreendo….Somos mães mas também somos humanas….e por vezes não é fácil conseguir controlarmo-nos.
    Beijinho grande para si!

  • Ana Oliveira
    Ana Oliveira
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    Ser mãe é maravilhoso, mas é de facto solitário. Pq recai quase tudo sobre nós. Mas ao ler o seu texto e os comentários fico contente (desculpem a franqueza…) mas eu pensava que a dificuldade a este ponto era só minha, ou seja, era um problema mesmo meu, do meu feitio, afinal eles são as crianças, mas ao menos percebi que há mais/muitas mães com a mesma dificuldade. Sem duvida que são comportamentos por vezes errados. mas os nossos pais eram muito mais severos e exigentes connosco do que nós agora somos com os nossos filhos e cá estamos nós hoje a andar para a frente. Claro que por vezes há coisas que nos marcaram, mas acho impossível evitar a 100% que isso aconteça com eles tb, porque simplesmente a vida é assim. Força a todas as mães!

  • patricia
    patricia
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    Acho um bocado estranho sobrar tempo de manhã para ver televisão antes de ir para a escola, sobretudo com um bebé, num total de 4 crianças. Não ser preciso começar a gritar mais cedo, para eles se despacharem, já é uma grande coisa.

  • jaquim
    jaquim
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    Imaginem pelo que passam os professores com uma sala cheia, cada vez mais cheia, destas pestinhas durante horas.

  • carlaangerino
    carlaangerino
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    Reblogged this on carlagerardo14.

  • Aida Ribeiro
    Aida Ribeiro
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    Ai é tão dificil, não é ?…a mim tb me apetece matá los e enche los de beijos com diferença de poucos segundos…mas acho q é mesmo assim…bipolaridade permitida maternal!!! LOL

  • Liliana
    Liliana
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    Ainda bem que ha Maes que nao teem vergonha de passar sua experiencia materna menos boa. Sim, muitas de nos passamos por esses momentos diariamente. Admiti-lo e partilha-lo é de louvar! Ate porque ha Maes que gostam de pintar tudo muito rosa.Ser Mae e desafiante, poe-nos à prova todos os dias. Obrigada pela sinceridade.

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