Às vezes as palavras são só palavras. Mas outras vezes tornam-se na nossa voz interior, num pilar imutável da nossa personalidade.

A linguagem é algo fascinante. Enquanto bebés, absorvemos os sons e tentamos audazmente reproduzir o que ouvimos da boca dos nossos pais, dos nossos cuidadores ou dos bonecos animados. E, um dia, aplicamos essas palavras e conseguimos exercer o seu gigantesco poder. A linguagem pode trazer alegria, pode pôr uma pessoa a rir e pode transformar uma sala silenciosa numa conversa animada. Mas, como todos sabemos, a linguagem tem, também, o poder de causar um impacto muito diferente. Pode provocar dor. Provocar lágrimas. Pode criar uma rutura entre duas pessoas que outrora se amaram. A linguagem é, na sua essência, uma arma poderosa.

Não me lembro da primeira vez que um dos meus filhos me disse “Eu odeio-te!” Posso dizer que, de vez em quando, ainda dizem e não me incomoda. Como pai, parte da minha função é fazer e dizer coisas que os meus filhos não gostam. Eu mando-os fazer os TPC antes de brincarem. Eu não os deixo comer doces antes de irem para a cama. Se eles me odeiam uma vez por outra, eu sei que estou a fazer um bom trabalho.

“Eu odeio-te, pai!” Eu consigo entender, esta é a única defesa deles quando estão irritados. Descarregam em mim e eu não me importo.

No entanto não é esta a expressão proibida cá em casa. Na semana passada o meu filho mais velho andava a trabalhar num avião de papel criado por ele. A brincar, atirou-o sem querer contra a parede, e o avião separou-se em duas partes e ficou irremediavelmente estragado. Vi-lhe os olhos a encherem-se de lágrimas.

EU ODEIO-ME!

Esta expressão arrepiou-me. Porque não foi a primeira vez que ele a disse. Preocupou-me porque a estava a usar com frequência. Como um vício linguístico mas que, pela frequência com que a repetia, corria o risco de começar a acreditar nisso.

Ajoelhei-me ao seu lado, olhei-o nos olhos e disse-lhe que nunca mais queria ouvir aquelas palavras, que não pode ser tão exigente consigo e que precisa de se respeitar. Eu duvido que ele tenha retido toda a mensagem, mas uma coisa é certa, aquela frase não seria mais tolerada.

A diferença entre o teu filho dizer que te odeia e dizer que se odeia a ele mesmo é que passados 5 minutos ele já se esqueceu de que te odeia. O ódio a si mesmo é potencialmente venenoso e pode ter efeitos secundários que permanecem até à adolescência ou à idade adulta. E isso não afeta apenas o próprio. O “auto-ódio” provoca impacto em todos os que o rodeiam porque produz um forte efeito de bola de neve.

Quando os miúdos começam a acreditar que se odeiam subestimam o seu próprio valor. Umas vezes entram em lutas para fazer novas amizades. Outras vezes não têm a confiança necessária para levantar o dedo nas aulas, mesmo que saibam a resposta. Em adolescentes evitam falar com os pares acabando por perder a hipótese de se conectarem afetivamente, porque assumem que irão ser rejeitados. E em adultos podem optar por não se candidatar a um emprego de sonho porque assumem que não são suficientemente bons para o cargo.

Eu sei que tudo isto pode e irá acontecer, porque esta é a minha história. Eu nunca fui uma criança confiante. Por isso acabei por me debater com os meus problemas de baixa autoestima em várias áreas: socialmente, academicamente e emocionalmente. Sempre evitei ser o centro das atenções, mesmo que fosse por um bom motivo, porque nunca tive a confiança necessária para lidar com isso. Hoje em dia, em adulto, quase expludo cada vez que penso no que eu era capaz de ter feito se tivesse acreditado em mim, em vez de dar ouvidos à voz interior que me dizia que eu não era suficientemente bom.

Eu não aguento ver os meus filhos sofrerem do mesmo mal. E eu acredito que não estou a fazer um bom trabalho enquanto pai se não conseguir evitar que os meus filhos cometam os mesmos erros que eu.

Às vezes as palavras são só palavras. Mas outras vezes tornam-se na nossa voz interior, num pilar imutável da nossa personalidade. Eu sei que para muitos pais o seu pior pesadelo é que os filhos os ouçam a dizer “palavrões” e os comecem a aplicar no seu discurso. Claro que eu não adoro a ideia de algum dos meus filhos largar um F%$#&% durante o jantar, do alto dos seus 7 anos, mas o meu grande medo não é o calão, a gíria, nem mesmo os palavrões, mas sim a linguagem de impacto negativo e duradouro que pode mudá-los enquanto pessoas.

Se usamos uma linguagem depreciativa e humilhante, quer para nós quer para os outros, causará um impacto que eu quero evitar para os meus filhos. Basicamente, eu não receio que os meus filhos usem linguagem forte. Eu receio que usem uma linguagem que os torne fracos.

Como disse a sábia escritora Peggy O’Mara ”A forma como falamos com os nossos filhos torna-se na sua voz interior (The way we talk to our children becomes their inner voice.)”

O meu objetivo é garantir que essa voz seja uma voz poderosa.

 

Por @JoeDeProspero publicado em The Huffington Post,

adapatado por Babelia Traduções para Up To Kids®

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Já não és minha amiga

Ser mãe de crianças de ambos os géneros dá-me uma visão bem diferente da forma de se estar na vida e da convivência social de cada um. Com os rapazes tudo é ou parece simples. Na grande maioria das vezes, para além da competição de macho, pouco mais existe para discutir. Nas meninas é tudo mais complicado e dramático. “Já não és minha amiga”, “já não te convido para ires à minha festa”, “já não gosto de ti”, etc e etc.

 Quem é mãe de menina já passou por isto.

De início tentamos não dar importância. Mas quando as queixas são persistentes e de forma sofrida começamos a achar que a nossa princesa possa estar em sofrimento, a ser excluída e/ou até a ser vitima de bullying. (Lembrando todos os casos expostos nos meios de comunicação social em que os pais não deram conta ou importância). Decidimos então intervir de alguma forma, normalmente pedindo ajuda a professores. Mas quando o fazemos apercebemo-nos de que tudo já foi esquecido e já estão totalmente “amiguinhas” ou “BFF” (best friend forever).

Nós, adultos, não esquecemos tão repentinamente.

Por mais que sejam coisas de miúdos, mais cedo ou mais tarde somos confrontadas com o pedido para a amiga ir brincar lá a casa. Acompanhada de uma birra ou amuo se dizemos que não, e temos de lidar com a presença de uma miúda que ainda há minutos era o foco de sofrimento e choro da nossa filha ( e o risco de voltarem a zangar-se repentinamente). É aqui que começamos a estar atentas à autoestima e capacidade de sociabilização da nossa filha! Será que devo transmitir-lhe ferramentas de defesa psicológica para que não se deixe pisar ou rebaixar? Tenho reforçado sempre a compaixão, humildade, bondade e respeito para com os outros. Na verdade, tanto é atacada e é a presa como é ela que ataca e se transforma na vilã.

Para se ser uma boa amiga precisamos de perceber e dar a entender que apesar da brincadeira, das gargalhadas, do suporte e do carinho, por vezes, podemos encontrar conflitos, mal-entendidos ou tristeza.

E que ferramentas poderão precisar, elas e nós, para contornar estas situações:

  1. Antes de ser amiga de alguém precisa de ser a melhor amiga de si própria;
  2. Ter em nós mães um bom modelo e exemplo;
  3. Conversar sobre o comportamento e características que uma amiga deve ter. Explorar o que é uma má companhia e o que faz. O que espera de uma amiga. (sou da total opinião que não devemos ser nós a dar respostas, mas ajudar a traçar o caminho da descoberta)
  4. Falar sobre as suas qualidades que a fazem especial e única.
  5. Ensinar alguns recursos para lidar com conflitos. (ex: pode fazer perguntas ou pedir explicações, às vezes o tom pode ter sido mal entendido ou as palavras terem um duplo sentido, e o que é escrito então… )
  6. E por fim, o que para mim é uma regra de ouro, tratar os outros como gostariam de ser tratadas.

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Educação Ambiental é o termo que utilizamos quando queremos transmitir às crianças as condutas adequadas na interação com o nosso Ecossistema.

Explicar a meninos e meninas pequenos comportamentos que os adultos, na maioria das vezes, não praticam no dia a dia, ainda dificulta mais a tarefa dos educadores. É certo que o nosso papel ultrapassa estes limites.

Desde um ano de idade, as crianças, vão aprendendo que existem árvores, plantas, flores, mar, animais e que todos necessitam de cuidados específicos. Aos dois anos, tudo ganha mais sentido com a observação naturalista e com a realização de experiências que vão alimentando e consolidado estes conhecimentos.

No seguimento de uma atividade realizada na nossa Creche, as crianças tiveram a oportunidade de colocar pequenos pedaços de papel e plástico dentro de um recipiente com peixes de plástico. Refletir sobre as consequências desse ato levou com que o grupo se apercebesse do impacto de tal atitude. Os peixinhos ficaram sem espaço! Eles não podem comer plástico e papel , porque podem morrer…

Sim, são muitos os golfinhos e tartarugas que ingerem sacos de plástico confundindo com alimentos e acabam por morrer.

Algumas crianças referiram que já tinham encontrado garrafas de plástico na praia. Eu encontro imenso lixo… copos, garrafas partidas, sacos, papéis e pergunto-me porque não os colocam no lixo, uma vez que existem tantos caixotes  disponíveis.

Criámos um ciclo vicioso onde transmitimos que o lixo deverá ser colocado no respetivo recipiente e diariamente, na prática, damos o exemplo contrário. Torna-se, então, importante transmitir que os adultos, às vezes, também fazem asneiras e que as crianças deverão relembra-los da atitude correta a tomar.

O planeta precisa de ajuda e só será possível com os Super Heróis e Super Heroínas do futuro!

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As últimas décadas têm sido testemunhas de uma crescente tendência em quase todo o mundo: o crescimento precoce das crianças. É comum ver pais que se sentam ao lado do berço do bebé e lhe falam sobre a importância de chorar em certos momentos e noutros não. “Precisam de aprender desde pequenos”, dizem.

Desde o início, procuram educar estas crianças para uma coisa que parece uma espécie de autonomia inflexível. Querem que os seus filhos os perturbem o mínimo possível: que aprendam a levantarem-se e a deitarem-se sozinhos; que cumpram as suas tarefas escolares sem que ninguém os supervisione; que esperem “tranquilos” em casa até os seus pais chegarem do trabalho. Por outras palavras: que se comportem como pequenos adultos.

“A infância tem as suas próprias formas de ver, pensar e sentir; não há nada mais insensato que pretender substituí-las pelas nossas.” –Jean Jacques Rousseau

Esta atitude não deixa de provocar um certo sentimento de culpa nos pais. O lado mau é que procuram diluir essa culpa com presentes caros ou cuidados extremos sobre certos aspetos da vida. Talvez telefonem para os filhos a cada 2 horas “para saber como estão”. Ou aproveitem as férias para ir com eles até ao outro lado do mundo para, supostamente, reparar um pouco as ausências.

Pais esgotados e crianças insatisfeitas

A solidão das crianças é uma verdadeira epidemia, provocada pelo clima destes tempos onde parece que os momentos para os abraços, os beijos e a conversa tranquila já não existem. Em vez disso, só existe tempo para o trabalho: gente esgotada e rostos cansados. Pais que chegam tarde e estão sempre cansados e alterados.

A UNICEF realizou uma pesquisa sobre o que significa qualidade de vida para as crianças, e pôde assim comprovar que o seu ponto de vista é muito diferente do dos adultos. Crianças de todo o mundo, entre os 8 e os 14 anos, deram uma lista do que consideram ser “viver bem”. Não incluem brinquedos caros, nem presentes ultra especiais, mas coisas muito simples:

  • Que os pais gritem menos e dialoguem mais
  • Que desliguem os seus telemóveis
  • Que os abracem mais
  • Que os coloquem menos tempo trancados nas escolas e mais tempo em atividades físicas com eles
  • Que as pessoas sorriam mais
  • Que não mudem de casa

As crianças tornaram-se silenciosas e tristes

Agora é mais comum do que nunca ver crianças com expressão triste ou distante. As crianças de hoje em dia sentem-se muito sozinhas e isso transforma-as em pessoas silenciosas. Não sabem como expressar o que sentem, porque este tema nunca é abordado. E não saber perceber o seu mundo interior aumenta a sua solidão.

Também são mais irritáveis, intolerantes e exigentes. Não conseguem organizar as suas emoções de forma coerente. Muitas têm dificuldade em ser espontâneas e são extremamente vulneráveis à opinião dos outros.

A solidão imposta nunca é boa, porque afunda quem a sofre num tipo de lama emocional, especialmente se for uma criança. Ela sente-se sem apoio, sem chão. Vivencia o medo e por isso pode desenvolver uma personalidade defensiva e com sinais de fobia, o que na sua vida adulta lhe trará grandes dificuldades no relacionamento saudável com os outros.

O que fazer perante a imensa solidão das crianças?

Certamente muitos pais já se deram conta de que os seus filhos estão muito sozinhos, mas sentem-se perante uma terrível encruzilhada: ou trabalham para sustentar financeiramente o lar ou passam privações junto com os seus filhos. Contudo, alguma coisa, ou muita coisa, pode ser feita a este respeito. Estas são algumas possíveis atitudes:

  • É importante procurar negociar no trabalho algum tipo de flexibilidade de horários em função do cuidado das crianças. Pode ser pelo menos uma hora por semana para se dedicar aos seus filhos.
  • Combinar com o companheiro, ou com outros adultos, a distribuição do tempo, para que as crianças permaneçam o mínimo tempo possível sem um adulto de confiança ao seu lado. Isto para os períodos em que não estão na escola.
  • Destinar um tempo dedicado exclusivamente às crianças. Se dedica pelo menos 30 minutos por dia, para abraçar o seu filho, contar-lhe em linhas gerais como foi o seu dia e perguntar-lhe como foi o dele, com o telemóvel desligado e sem pensar em nada, certamente estará a dar uma grande contribuição. Se não pode dedicar 30 minutos, dedique pelo menos 15 minutos todos os dias.
  • Brinque pelo menos uma vez por semana com a criança. Este tempo é muito precioso: passa muito rápido e quando passa, não volta. Se brinca com o seu filho não precisa de dizer que o ama: ele irá saber e vai sentir-se valorizado.

Sejam quais forem as condições, vale a pena pensar na forma de dedicar mais tempo às crianças. Elas merecem. Estão numa etapa da vida onde todas as experiências marcam. Talvez isso signifique, para os pais, algum sacrifício, mas certamente valerá a pena.

Lembre-se de que para elas existem coisas que são muito importantes!

 

Artigo publicado em A mente é maravilhosa, adapatado por Babelia Traduções para Up To Kids®

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“A primeira tarefa da educação é agitar a vida, mas deixando-a livre para que se desenvolva”, afirmou Maria Montessori há mais de um século. Hoje, o triângulo educacional no qual se baseiam a sua pedagogia e os seus princípios fundamentais estão a ser objeto de estudo por parte da neurociência.

Steve Hughes, neuropsicólogo e pediatra, tem, por outro lado, a firme convicção de que, após anos de experiências, o Método Montessori potencia certas funções cerebrais que ajudam a expandir o desenvolvimento cognitivo. O neuropsicólogo deu inclusive a este método o nome de “sistema original de aprendizagem baseado no cérebro”.

O desenvolvimento neurológico é potencializado pela aprendizagem através da metodologia Montessori. Esta afirmação baseia-se não apenas nas centenas de casos de desenvolvimento de sucesso desde a sua fundação, mas também nas diferentes descobertas que a neurociência atual tem realizado. Vejamos 5 delas:

1. As mãos são o instrumento do cérebro

“Com as mãos o ser humano cria o que está à sua volta. Elas são as ferramentas executoras da inteligência. As mãos são criativas, podem produzir coisas. Os órgãos sensoriais e a capacidade de coordenação desenvolvem-se através das atividades manuais”, afirmou Maria Montessori.

Hoje em dia sabemos que os recursos que o cérebro usa para processar os estímulos sensoriais que percebe através das mãos são sensivelmente superiores a outras partes do corpo. Poderíamos assim dizer que vivenciar o mundo através das mãos equivale a entrar pela grande porta do nosso próprio cérebro e, por isso, é necessário que elas tenham um papel fundamental na aprendizagem.

2. A vivência natural potencializa as capacidades e as competências da criança

“A educação é um processo natural realizado pela criança e não se adquire ouvindo palavras, mas sim mediante as experiências de uma criança no seu meio”, afirmou Maria Montessori.

Favorecer a vivência livre e natural significa encorajar as crianças e bebés a movimentarem-se e a comunicarem com o seu meio. As crianças que aprendem através da pedagogia Montessori passam mais tempo em movimento do que nas escolas tradicionais; isto é, potencia-se uma relação ativa com o meio, o que promove um maior domínio das capacidades motoras, sensoriais, emocionais e cognitivas.

Assim, o benefício da promoção de uma atitude ativa em relação ao meio torna os bebés e as crianças mais competentes no momento de reconhecerem as intenções alheias. Esta descoberta está apoiada em diferentes pesquisas sobre os benefícios do jogo como alicerce para provocar uma ação intencional. Em resumo, promover a ação nas crianças ajuda-as a aprender mais rápido comparativamente com a mera observação.

3. As funções executoras e Montessori

As funções executoras são aquelas capacidades cognitivas que nos permitem manipular ideias mentalmente. Estas capacidades mentais promovem a resolução consciente, ativa, voluntária e eficaz dos problemas que se apresentam na vida quotidiana.

Aprender a ser flexível e a aceitar as mudanças do meio, concentrar-se numa tarefa, continuá-la com um objetivo, resistir aos próprios impulsos e reter a informação na mente para com ela operar são capacidades indispensáveis para um correto desenvolvimento.

O termo “funções executoras” classifica estas capacidades em três categorias: inibição, memória de trabalho e flexibilidade cognitiva. Se estas funções não forem bem desenvolvidas podem ser erradamente diagnosticados transtornos como TDAH ou outras dificuldades de aprendizagem.

A partir da pedagogia Montessori, desenvolvida numa altura em que o tema era ainda desconhecido, podemos desenvolver estas funções com diferentes atividades como, por exemplo, a espera, a procura de material ultrapassando um labirinto formado pelos colegas, realizando outras atividades, etc. As pesquisas comprovam que as crianças que frequentaram centros pré-escolares Montessori mostram uma melhor execução nesta família de processos mentais.

4. Os períodos sensíveis ou janelas de oportunidades na infância

Maria Montessori observou que na infância aconteciam períodos sensíveis para a aprendizagem. Nestes momentos evolutivos reside um grande potencial neuro-emocional e, por isso, a educação é primordial. Na verdade, é fundamental que no período entre os 0 e 11 anos as crianças explorem o seu mundo da forma mais autónoma possível.

Podemos assim falar, de um modo geral, da criação do microcosmo ou micromundos Montessori. Isto é, a criação de um meio puramente infantil: móveis do tamanho das crianças, brinquedos que potencializam a exploração e a flexibilidade cognitiva, etc. A neurociência identificou estas etapas onde o cérebro precisa de uma certa estimulação para se desenvolver.

5. Os neurónios-espelho como base da aprendizagem

A pedagogia Montessori defende que, na sua base, que as crianças devem ver e experimentar o mundo. Os neurónios-espelho, localizados no lóbulo frontal, ajudam a absorver a informação do meio através dos sentidos. Este fato foi descoberto por Maria Montessori por meio da observação, e posteriormente confirmado pelas descobertas destes neurónios especializados na imitação.

Constatamos que o Método Montessori tem vindo a obter uma grande comprovação científica e deverá continuar a ser pesquisado de forma exaustiva, já que garante a criação de um universo baseado no afeto e no respeito dos ritmos individuais de cada criança e do seu meio.

 

Artigo publicado em A mente é maravilhosa, adaptado por Babelia Traduções para Up To Kids®

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Querida filha:

Ontem zangámo-nos a sério.

Mantive a calma, coisa que nem sempre consigo fazer quando começas a espernear e a gritar à saída da escola, incapaz de ouvires o que te estou a dizer. Tentei acalmar-te, tentei fazer-te ouvir a razão, tentei distrair-te, tentei até ignorar os gritos que davas na esperança que chegando a casa te acalmasses.

Custa muito, deixa-me que te diga, que algumas vezes o simples facto de eu estar ali, a falar contigo, não seja suficiente para te acalmares. Sei que estavas cansada (apesar da boa sesta), porque brincaste muito, e sei que a certa altura entras numa espécie de transe em que não ouves nada, a não ser o que o teu cérebro te grita e que mimetizas reproduzindo esses gritos terríveis que não te assentam nada bem.

Depois de resolvermos o assunto, já em casa e depois de me ter zangado muito a sério, sentei-me no sofá. Sentei-te ao meu colo. Ficaste encostadinha a mim, a ouvir o meu coração, em silêncio, enquanto te limpava as lágrimas.

Perguntei-te se querias ir brincar com as tuas coisas ou ficar ali e quiseste ficar. Ao meu colo. E assim ficámos mais de meia hora, num silêncio em que as tuas lágrimas já limpas puxavam as minhas e eu me esforçava para que não caíssem.

Há dias em que nada resulta, em que me esforço ao máximo por não atribuir culpas – nem a ti, nem a mim – em que só quero que se vire a página para conversarmos. E conversámos, e ficou tudo bem.

Ontem zanguei-me a sério contigo porque sabes que as birras não funcionam e, mesmo assim, de vez em quando insistes em tentar. Porque sabes que não negoceio, que quando já disse que uma coisa tem de ser feita de uma maneira, ela vai ser feita assim – porque, acredita, se te digo que tens de vestir o casaco quando estão oito graus e o sol começa a esconder-se, então é porque é o melhor para ti. Mesmo que não fosse, não está aberto a discussão (já sabes responder quando te pergunto: “Mariana, quem é que manda?”, dizes “o pai e a mãe”), quanto muito está aberto a conversa – e noutras alturas, já começaste a perceber que se conversares e te explicares eu oiço-te. Oiço-te sempre. Só tens dois anos e meio e nem sempre consegues expressar-te. E os gritos custam, mas sei que no fundo não gostas mais deles do que eu. Ninguém prefere estar desconfortável, completamente sem chão e sem controlar o que sente.

Por isso, prometo-te mais uma vez que vou estar sempre aqui. Mesmo que me afastes e mandes embora, que me grites porque não estou a fazer o que gostavas. Irei fazer-te chegar à razão, demore o tempo que demorar. E vai custar não te ter calma sempre, mas a vida já me ensinou há muito tempo que nem tudo é como queremos nem quando queremos. Um dia chegarás lá.

Ontem zangámo-nos a sério, mas fizemos as pazes. Ajudaste-me a fazer “arroz amarelo” para o teu jantar, misturaste o açafrão e sorriste quando viste o branco dar lugar a uma nova cor. Ficaste contente quando acertei nas perguntas que fizeste na hora da história (“boa, mãe!”). Quiseste ajudar-me a lavar os dentes enquanto te ajudava a lavar os teus.

Hoje vai ser um dia bom.

E se não for, vamos encontrar novas estratégias para comunicarmos cada vez melhor.

Porque não gosto de me zangar.

Porque prefiro o teu sorriso e as tuas gargalhadas, os teus dedinhos a apontar o gafanhoto que invariavelmente encontramos no caminho.

Vamos tentar ser melhores? As duas?

Vamos!

E vamos conseguir!

A música e as emoções

Se por um lado a interação com os outros e com o que nos rodeia envolve emoções, por outro lado, as nossas emoções são o reflexo dessa interação. Todas as experiências nos provocam uma determinada emoção, que vai condicionar essa mesma experiência.

O nosso estado emocional determina a nossa qualidade de vida. Influencia a forma como agimos e as decisões que tomamos. Podemos então dizer que o comportamento é impulsionado pela emoção.

As emoções fazem parte da nossa vida, sendo fundamental perceber o que estamos a sentir e porque o estamos a sentir.

Não devemos evitá-las, mas sim entende-las e aprender a viver com elas. Sendo todas necessárias, algumas têm um papel muito importante na nossa proteção. Por exemplo, sentir medo protege-nos de ameaças e prepara o nosso corpo para reagir e se não sentíssemos medo, provavelmente, atravessaríamos a estrada sem olhar, porque não temíamos ser atropelados. Todas as emoções são essenciais e estão associadas à nossa vivência.

O nosso corpo é o palco de atuação das nossas emoções e, por isso, as reações fisiológicas são uma das formas de percebermos como nos sentimos, é o nosso “termómetro de sentimentos”.

Não há emoções positivas ou negativas, devemos qualifica-las como agradáveis ou desagradáveis, como algo que faz de nós a pessoa que somos…

A música e as emoções

Se pedissem para me definir emocionalmente em apenas duas palavras, diria que sou uma Pauta Musical, onde as notas se podem organizar e fazer fluir o som e o ritmo, como expressão das minhas emoções.

Determinadas por um espaço e por um tempo, as emoções surgem como notas que se unem para dar corpo a uma música, pronta a ser tocada por um qualquer instrumento.

Se estou triste, sou pauta pronta para que uma guitarra me toque e faça gemer nas suas cordas um fado nostálgico e por vezes angustiado.

Quando me surpreendem, o compasso é perfeito para que os pistões do saxofone façam soltar num sopro, um jazz maravilhoso.

Se a irritação me assola, aí sou metálica, música pesada e pronta para os break`s de um qualquer baterista audacioso.

Mas se o stress me invade, o ritmo acelera, como se semicolcheias se organizassem freneticamente sob a forma de Jive.

Em momentos de paz, as notas desfilam suavemente e das teclas de um piano pode surgir uma rumba.

Se me apetece estar só, a observar o mar… podem ouvir-se violinos a tocar “We are free now” (Enya)

Mas por vezes o ritmo aquece, a sedução abraça-me e a paixão pode ser refletida num tango.

Também são muitos os momentos de festa e alegria, nesses instantes eu sou samba!

Mas se a felicidade me absorve, deixo de ser uma simples pauta e passo a ser partitura. Onde as notas se estruturam para que vários instrumentos de uma orquestra toquem em sintonia numa harmonia absoluta. E é nessa altura que percebemos que o todo é muito mais que a soma das partes.

Afinal, sou uma pauta onde as notas se organizam. Onde os ritmos e os compassos se alteram em conformidade com as emoções que sinto e faço sentir. Porque eu não sou apenas eu, sou também o reflexo do que o que me rodeia me faz sentir.

 

A mente que se abre a uma nova ideia jamais regressa ao seu tamanho original.

Se há seres que vêm para nos transformar, para expandir a nossa percepção, são as crianças. As crianças como um todo. E cada uma delas. Individualmente.

Se conseguimos entender, se estamos dispostos a aceitar que assim é, isso já é um desfio diferente. No entanto isso não anula esta verdade. As crianças são catalisadores de expansão. Todas elas e cada uma individualmente.

Mas para que possam fazer bem o seu trabalho, precisam de ter ao seu lado adultos conscientes, que os aceitem. Que os respeitem. Que mesmo que não consigam entender na totalidade a forma como se expressam, a forma como sentem ou vivem, consigam nutrir e acompanhar partindo do ponto mais importante. Da raiz fundamental.

Ficamos frustrados quando não conseguimos compreender os nossos filhos.

“Mas eu quero a minha chávena amarela com riscas azuis!”… “Não quero ir à escola hoje. Não vou!”… “Não me lavaste as calças e hoje tenho treino de ginástica, tiro ao alvo e salto à vara!”

Só conseguimos ver o que está à superfície. Então o nosso piloto automático fica no comando. Reagimos. Recorremos àquilo que aprendemos ao longo do nosso próprio crescimento. Às nossas referências.

No entanto, muitos pais – cada vez mais reconhecem que o seu piloto automático não se coaduna com o caminho que querem seguir na educação dos seus filhos.

É o coração a falar mais alto.

Não é por acaso que o coração é o primeiro órgão a formar-se. Já pensou porque razão não é o primeiro nas nossas decisões e escolhas?

A resposta é simples. Não aprendemos. Não sabemos. Crescemos desconectados do nosso coração. Das nossas emoções.

Passamos a vida inteira a sentir: segue o teu coração. Mas no dia-a-dia, atolado de situações e posições desafiantes e pensamos: Sim. Pois. Claro. O coração.

E, claro, depois há a nossa infância – o gigante disfarçado onde vivem todas as raízes de como pensamos e agimos.

Na infância, somos permanentemente bombardeados com frases que nunca esperámos ouvir.

Porque na infância não se vive noutra frequência senão a do coração. Que é a frequência da conexão.

Quem não ouviu frases do tipo: “Usa a cabeça. Tens de usar a cabeça.”… “Quem manda aqui sou eu.”… “Não quero saber se a Agripina se deita às 11 da noite!”

E o coração vai-se desvalorizando. Vai perdendo a força enquanto elemento fundamental na conexão entre as pessoas. De confiança. De valor.

Quando o coração é, não apenas a raiz física – fisiológica –  como também, a raiz emocional. Simbólica. De onde tudo parte.

Crescemos – e daí vivermos – de forma tão desconectada que se torna tarefa quase impossível reconectarmo-nos. Parece impossível mas não é.

No entanto, reconectarmo-nos, de forma a podermos Criar com o Coração, implica refazer ligações – novas ligações – que ficaram danificadas ao longo do nosso próprio crescimento.

Então o que é Criar Com o Coração? Começo pelo que Criar Com o Coração NÃO É. Criar Com O Coração não é uma escolha que se faz uma vez e se abandona.

Criar Com O Coração é libertar-se do controlo. É libertar-se da necessidade de poder. É libertar-se de todos os mitos, preconceitos e percepções que construiu durante o seu próprio crescimento. Das suas próprias experiências de desconexão.

É conectar-se consigo mesmo em primeiro lugar. E amar-se como um ser pleno.

Criar com o Coração é ancorar, depois, na sua forma de educar apenas em práticas e ferramentas que partem de um ponto de amor. De gratidão.

Criar Com O Coração É deitarmo-nos hoje e decidir: sou grato pelas crianças que estão na minha vida. Pode nem sempre ser fácil, mas hoje tenho CORAGEM de escolher MUDAR a maneira como ajo com os meus filhos.

É acordarmos amanhã de manhã e pensarmos que por mais difícil que seja, hoje vou ser corajoso e conseguir gerir as minhas emoções antes de falar/ de agir/ de reagir.

Hoje, em vez de ser a projecção das minhas dores ansiedades ou do meu passado, hoje vou ser quem eu SOU. Hoje vou abrir uma nova página e ser quem eu quero ser.

Quero desde já assegurar que apesar de à primeira vista isto parecer aterrador  ou mesmo até conversa fiada –  garanto-lhe que esta pequena prática vai provocar alterações significativas num processo a que vou chamar reconexão (rewiring em inglês).

Há inúmeros estudos que cobrem esta matéria. O seu cérebro vai fisicamente estabelecer novas conexões e restituir ligações que estavam quebradas.

Criar Com O Coração é um processo, uma caminhada de avanços, recuos e novos avanços. Não é um toque de varinha mágica que elimina desafios, momentos difíceis os medos ou as incertezas.

Não, não vai acordar amanhã e o mundo estar perfeito. Vai continuar a ter momentos em que vai ter vontade de trepar paredes, arrancar os cabelos ou enfiar-se num vaivém espacial e aterrar noutro planeta. E ficar lá até os seus filhos terem trinta e cinco anos.   

Mas a boa notícia é que não temos de ser perfeitos. Temos de ir caminhando. Não gostamos da maneira como agimos com os nossos filhos? Arrependemo-nos constantemente do que dizemos ou fazemos?

Esta é uma forma de o nosso coração nos confirmar que estamos  prontos para mudar. Devemos escutá-lo.

Parece ser demasiado exigente? É na verdade apenas mais consciente. E esta é uma palavra vital na interacção humana. E muito em especial na formação de crianças mentalmente saudáveis.

Não vamos acordar amanhã e estar diferentes. Não. Espere. Isso provavelmente vai acontecer. É um dos efeitos de expandir a nossa percepção e de absorver novo conhecimento.

Sei que cada adulto que implemente esta prática verá melhorias não apenas na comunicação com as crianças, nas suas manifestações verbais e não verbais, mas também melhorias na sua própria vida.

Ao ampliar a sua percepção, o seu cérebro vai fazer novas conexões.

A mente que se abre a uma nova ideia jamais regressa ao seu tamanho original.  Jamais. Já dizia Einstein.

 

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Hábitos dos pais positivos

 

 

“ Não trates as tuas filhas como princesas , elas precisam saber o que custa a vida”.

Se contasse pelos dedos as vezes que já ouvi esta frase ou parecida já não teria dedos suficientes! E no entanto, dizerem-me que as minhas filhas “São umas princesas”, para mim é, na verdade, um motivo de orgulho!

O Mundo precisa de mais princesas!

E eu espero que vos possa fazer entender que todas as mulheres merecem o estatuto de princesas.

Uma princesa é linda no seu interior e isso nota-se por fora.

Uma princesa tem bondade no seu coração, e isso vê-se nos seus atos.

Uma princesa tem coragem, para dizer sim e dizer não.

Uma princesa não se subjuga, defende os seus direitos, cumpre os seus deveres e luta pelo que acredita.

Uma princesa não humilha, não se deixa humilhar, não admite que humilhem os outros.

Uma princesa nunca aceita menos do que merece mas também nunca pede mais do que tem direito.

As princesas usam saltos altos e vestidos compridos com a mesma elegância com que usam os tênis e o cabelo apanhado. O segredo está em saber que uma princesa não é o que se vê, é o que se sente.

Sintam-se todos os dias como princesas, encontrem o vosso papel no mundo, lembrem-se de todas as mulheres que tiveram de lutar e honrem tudo o que elas conseguiram. Cresçam a gostar de ser mulheres, corram mais rápido, voem mais alto! Sejam tudo o que quiserem ser e não deixem que nunca ninguém vos diga que merecem menos ou que não podem ir á lua!

O mundo precisa de mais princesas,

das que lutam e acreditam que podem fazer mais e melhor,

das que sabem ser e estar ,

das que se atrevem a sonhar

das que vão á luta,

das que se atrevem a falar

das que ajudam quem precisa,

das que sabem o que valem.

O Mundo precisa de mais princesas!

 

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Lembro-me perfeitamente do momento em que a professora de inglês nos pediu para escrever uma composição sobre os nossos “role models”, as pessoas em quem nos inspirávamos, as que admirávamos, e porquê.

Lembro-me perfeitamente de a minha melhor amiga da época ter escrito sobre mim e de me ter sentido importante, no sentido em que alguém via qualidades em mim, qualidades a que eu não dava grande importância.

Hoje considero que, de facto, sou boa ouvinte, mas o resto talvez estivesse a ser empolado pelo facto de naquela idade, aos quinze anos, sentirmos tudo a mil porcento.

Pensava eu sobre isto quando me dei conta de que hoje, aos quase trinta e um, sou uma role model. E das a sério. Daquelas que deixam marcas. Das que podem influenciar o futuro. Das que podem dar confiança ou retirá-la para sempre.

Sou mãe.

E para a minha filha, não há quem a inspire mais que eu. E não há vaidade nestas palavras, simplesmente eu e o pai somos o porto mais seguro que conhece e, por isso, os seus modelos de eleição. Bem sei que as pessoas que a rodeiam têm a sua influência, mas ninguém tem a importância que nós temos.

E é aqui que me preocupa pensar o que há para a acrescentar à lista onde já está escrito “boa ouvinte”.

Porque quero que a minha filha, quando um dia fizer uma composição sobre mim (seja ela sobre as pessoas que admira ou simplesmente sobre a pessoa que a trouxe ao mundo), seja capaz de escrever pelo menos umas cinco coisas muito positivas sobre mim.

Isso quererá dizer que fiz um bom trabalho.

Sou o espelho das suas emoções, dos seus sonhos, das suas dúvidas. Sou eu quem lhe devolve a resposta a tudo. E tento que seja o mais positiva possível. O mais realista mas, ao mesmo tempo, a mais impulsionadora do verbo “sonhar”.

Hoje sou uma role model a sério e preocupo-me com o que vou pôr na mesa ao jantar.

Com os livros que lemos encostadinhas uma à outra.

Com as corridas que fazemos no corredor.

Com as flores que apontamos no jardim, com os animais que conhecemos pelo nome.

Com as músicas que ensino e as que já vou aprendendo.

Com a forma como reajo em situações de stress.

Como me dirijo aos outros.

Como respondo às perguntas que a minha filha me faz.

Como ajudo quem precisa e quem não parece precisar.

Como reparo em coisas que aparentemente não têm importância.

Porque tudo conta.

Porque tudo serão referências.

Tudo fará parte da pessoa em que em já se está a tornar.

Muita pressão?

Nem por isso, basta-me querer ser a melhor versão de mim mesma.

Sei que à minha filha isso bastará.

Isso e o amor que lhe tenho.

E que sei que será para ela um exemplo.

Sempre.

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