O uso das novas tecnologias para entreter as crianças

As crianças não vêm com um manual de instruções. No entanto os pais muitas vezes conhecem um botão para desligar a tomada dos seus próprios filhos.

Há dias fui jantar fora e deparei-me com uma situação um pouco caricata e cada vez mais usual: na mesa ao meu lado estava um casal com dois filhos, com cerca de três e cinco anos. Os pais jantavam sossegados. As crianças não se ouviam. Ora numa mesa onde existem crianças há sempre alguma gargalhada, alguma algazarra. Nesta não havia. Foi isso que me chamou a atenção. Cada uma das crianças estava hipnotizada pelo seu tablet. Completamente compenetrados.

Estiveram assim durante todo o jantar.

Quando lhes puseram o prato à frente, foi mecânico, pousaram as tablets e jantaram. Quando terminaram de comer, retomaram aos tablets. Esta, era uma atitude de rotina, mecanizada. Não foi a excepção. Aqui estávamos perante a regra.

Fiquei espantada. Não houve diálogo entre os pais e filhos.

Sabemos que é comum os pais emprestarem aparelhos tecnológicos aos filhos para os entreter e sossegar. O problema é que isto começa a acontecer cada vez mais cedo e os pais desconhecem ou ignoram os riscos.

Deveria existir um limitador de tempo para o uso das novas tecnologias: um tempo máximo para cada criança brincar com o gadget. Um tempo mínimo para que cada pai consiga ter momentos de sossego. O uso das novas tecnologias têm benefícios na criança mas não nos esqueçamos dos seus malefícios.

O uso excessivo das novas tecnologias é nocivo ao crescimento e desenvolvimento de uma criança pois limita o seu comportamento social e cognitivo. Uma criança que usa excessivamente o recurso às novas tecnologias terá dificuldades em integrar-se socialmente, incentivando a solidão, introspecção, e o sedentarismo. O uso excessivo das novas tecnologias poderá ainda desenvolver nas crianças um vício infantil.

As novas tecnologias só trazem benefícios se forem utilizadas moderadamente e em períodos de tempo adaptados para cada idade, e não devem funcionar como primeiro recurso para sossegar uma criança.

Uma criança precisa de ter contacto real com o mundo real. O contacto com a terra, natureza, com brinquedos reais e com animais é o maior presente que pode dar aos seus filhos.

As crianças têm de se aborrecer para se tornarem criativas. Um criança sem acesso às novas tecnologias nunca chega ao ponto do “Não tenho nada para fazer”, porque se habituou a brincar livremente. A inventar brincadeiras. A transformar uma vassoura num cavalo de corrida, e um monte de terra em papas para as bonecas. Assim se estimula a imaginação e a criatividade, e se desenvolvem um conjunto de competências chave para o desenvolvimento saudável da criança.

As crianças devem ser preparadas para um mundo real onde, cada vez mais, as tecnologias têm um papel preponderante, mas por enquanto ainda não nos dominam.

Os pais não devem ser tão permissivos no que diz respeito ao uso abusivo das novas tecnologias, e devem vigiar e moderar o seu uso para que não prejudiquem os próprios filhos.

Igualmente preocupante são os sites/apps que as crianças acedem. É necessário controlar os conteúdos que os nossos filhos visitam. Crianças de 5 anos já sabem fazer o download de apps, o que lhes dá acesso a jogos e vídeos desadequados para a idade. Neste caso, será necessário a utilização de medidas de controlo parental tais como o bloqueio da rede com códigos de acesso ou filtros de conteúdos.

As novas tecnologias devem ser usadas moderadamente, em curtos períodos de tempo, e sempre sob a vigilância de um adulto!

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Geocaching: uma caça ao tesouro ao ar livre!

Em plena febre de Pokémon Go, apetece-me relembrar que há uma alternativa com já alguma idade, mas nem por isso menos divertida: o Geocaching!

O Geocaching é uma caça ao tesouro realizada ao ar livre e “no mundo real”: tendo também por base a utilização de um receptor GPS (há diversas aplicações para smartphones), o objectivo é encontrar pequenos recipientes (geocaches) colocados um pouco por todo o planeta, partilhando depois a experiência na internet (www.geocaching.com). Na sua forma mais simples, a geocache contém apenas um bloco de notas para o registo da visita, mas também pode conter itens de troca.

A actividade tem já muitos milhares de seguidores espalhados por todo o mundo e é perfeita para todo o tipo de adeptos: aventureiros ou avessos ao risco, solitários ou em família, todos poderão encontrar geocaches com grau de dificuldade a si adaptado.

E a minha sugestão é exactamente fazer passeios em família tendo por base a caça ao tesouro com o Geocaching:

  • Envolva as crianças na preparação. O seu entusiasmo e expectativas serão contagiantes!
  • Seleccione no site oficial as geocaches que pretendem encontrar, com terreno e dificuldade adequados a todos os elementos da família, e carregue as respectivas coordenadas no GPS.
  • Prepare água e comida para um piquenique.
  • Partam à aventura, tendo sempre presente que as geocaches estão escondidas em sítios visíveis e, embora possam estar camufladas, nunca estão enterradas.
  • Quando encontrarem uma geocache, assinem o livro de registos e deixem-na como a encontraram.
  • Partilhem a vossa história e fotos com a comunidade.

Um último conselho: tenham o meio ambiente em consideração e pratiquem o Cache In Trash Out, um esforço mundial de limpeza em que os praticantes de Geocaching vão recolhendo lixo que encontram em locais onde este não deveria existir.

Boas Brincadeiras!

De acordo com um estudo realizado por psicólogos da Universidade de Indiana, EUA, crianças cujos pais passam muito tempo a olhar para o telemóvel, têm tendência a não desenvolver a sua atenção, tornando-se ao logo do tempo reduzida.

A pesquisa mostra que a atenção é totalmente afetada pela interação social. “Quando os pais/educadores estão constantemente distraídos, ou cujos olhos não olham para os filhos enquanto brincam, traduz-se um impacto negativo enorme na atenção dos bebés num estágio-chave do desenvolvimento”, disse o líder do estudo, Chen Yu.  “Os bebés e crianças aprendem através da observação:  como ter uma conversa, como ler expressões faciais de outras pessoas, etc. Não havendo contacto visual, as crianças perdem marcos importantes de desenvolvimento.”

Além disso, estudos mostram que as crianças se estão a tornar obcecadas  por tecnologia, devido aos exemplos das mães e pais, e isso está a começar a afetar a saúde mental e o desempenho escolar em geral.

“Há uma tendência alarmante para os pais ignorarem os filhos de todas as idades, dando mais atenção a seus telefones e tablets do que à componente social e comunicativa.”

Consequentemente, as crianças podem sentir que não estão a receber a atenção que precisam. “As crianças têm necessidade de atenção, de capacidade de resposta dos seus pais quando estão furiosos, tristes, frustradas ou felizes, e sentem que têm de competir pela atenção,  quase como se se tratasse de uma rivalidade entre irmãos. Só que o rival é um novo dispositivo eletrónico. Esta tendência, se não for controlada, pode levar a problemas psicológicos.

Uma campanha de sensibilização lançada pelo Center for Psychological Research, em Shenyang, pretende alertar sobre os efeitos e as causas do uso da tecnologia quando se está com os filhos. “Sacar do telemóvel durante uma conversa, é como erguer uma parede entre duas pessoas

campapanha

 

 

Esta campanha foi amplamente direcionada para famílias com crianças pequenas, pois as crianças são quem mais se ressentirá a curto e longo prazo:

Details

Quem tem filhos que passam horas a frente dos aparelhos electrónicos e se deu ao trabalho de observar o comportamento deles quando se “desconectam”, notou com certeza certas alterações. As crianças que veem televisão ou estão a jogar nas consolas ou nos tablets durante algum tempo seguido, sem interrupção, estão mais cansadas e mal-humoradas, respondem torto e de forma tendencialmente agressiva, e estão num estado contraditório de alta agitação e exaustão difícil de gerir.
A Victoria L. Dunckley, M.D. (psiquiatra integrativa, especialista nos efeitos dos ecrãs no desenvolvimento do sistema nervoso e autora do livro “Reinicia o Cérebro do teu Filho”) fala em 6 mecanismos fisiológicos que explicam porque os aparelhos electrónicos geram distúrbios de estado de espírito e alterações comportamentais.

Nos últimos anos têm aparecido vários estudos que alertam sobre o efeito dos gadgets no nosso cérebro e no nosso corpo, com especial nota para o caso das crianças. Os especialistas avisam que os altos níveis de excitação afetam a memória e o relacionamento, o que dá origem à dificuldades escolares e sociais em consequência.

  1. Os gadgets perturbam o sono e dessincronizam o relógio biológico

A luz dos ecrãs imita a luz do dia, o que determina o nosso corpo a suprimir a produção de melatonina, hormona que regula o nosso sono e que o nosso corpo produz na presença do escuro. Apenas alguns minutos de estimulação de um ecrã pode retardar a produção de melatonina por algumas horas e dessincronizar o relógio biológico da criança. Isso desencadeia outras relações dentro do corpo, como o desequilíbrio hormonal, uma vez que a excitação não permite ao corpo mergulhar no sono profundo e reparador que precisa para recarregar energias.

  1. Os ecrãs viciam o cérebro 

Muitas crianças ficam viciadas nos electrónicos. O acto de jogar nestes aparelhos liberta tanta dopamina (o neurotransmissor do “bem-estar” que o nosso corpo produz) que ao realizarmos uma imagem do nosso cérebro naquele momento, ela é muito semelhante a um cérebro sob efeito da cocaína. À semelhança do que acontece com os outros vícios, quando o cérebro recebe dopamina em excesso, os seus receptores tornam-se cada vez menos sensíveis e é necessário um estímulo mais intenso para sentir o mesmo nível de prazer.

No entanto, uma vez que a dopamina é fundamental para o nosso foco e motivação, é totalmente compreensível que qualquer pequena alteração na sensibilidade à esta hormona pode alterar profundamente a forma como a criança se sente e funciona.

  1. O ecrã expõe o corpo à luz durante a noite

A luz produzida pelos electrónicos tem sido associada com estados depressivos em inúmeros estudos, que demonstraram que a exposição à este tipo de luz antes ou durante o sono causa depressão, mesmo quando não se está a olhar diretamente para o ecrã.

Por vezes, os pais estão relutantes ao restringirem o uso dos electrónicos, cedendo às insistências dos seus filhos e deixando-os usarem os eletrónicos no quarto ou em qualquer lado a toda a hora. O que é um facto é que remover o acesso à esta luz especialmente no final do dia e de noite é algo que os protege de várias formas a longo prazo.

  1. Os ecrãs induzem reações de stress

Tanto o stress agudo (reações do tipo luta ou foge) como o stress crónico produzem alterações na química cerebral e geram hormonas que aumentam a irritabilidade. A produção de cortisol, a hormona do stress crónico, aparenta ser a causa e o efeito da depressão, criando um ciclo vicioso. Adicionalmente, tanto a excitação aguda e o vício suprimem o funcionamento normal do lobo frontal, a área do cérebro onde é realizada a regulação do nosso estado de espírito.

  1. Os ecrãs sobrecarregam o sistema sensorial, quebrando a atenção e gastando as reservas mentais

Os especialistas dizem que o que está frequentemente na origem de um comportamento explosivo e agressivo é a falta de concentração. Quando a atenção sofre, sofre também a habilidade de processar o que acontece interna e externamente, pelo que, as pequenas solicitações tornam-se tarefas enormes. Desgastando a energia mental com estímulos visuais e cognitivos, os ecrãs contribuem para a redução das reservas mentais. Uma forma de as aumentar temporariamente é tornando-nos agressivos, pelo que as birras são de facto um mecanismo de lidar com esta escassez.

  1. Os ecrãs reduzem os níveis de atividade física e a exposição à natureza

As investigações mostram que o tempo passado ao ar livre, especialmente em contacto com a natureza, restaura naturalmente a atenção, diminui o stress e reduz a agressão. O tempo passado à frente dos electrónicos reduz assim a exposição aos elementos que naturalmente aumentam o bem estar e o estado de espírito da criança.

No mundo de hoje, pode parecer estranho restringir o acesso aos electrónicos. As crianças estão claramente atraídas pela interatividade, pelas cores, pelo entretenimento ininterrupto. E os pais conseguem ganhar alguns minutos de sossego e descanso.

Mas quando se nota claramente que as crianças estão a manifestar comportamentos de falta de atenção e concentração, agressividade, depressão, mau-humor, não lhes fazemos nenhum favor deixando os electrónicos à mão e esperar que se acalmem usando-os com moderação.

Não funciona, mesmo!

Pelo contrário, permitindo que o seu sistema nervoso regresse a um estado mais natural, com uma abstinência completa de ecrãs, podemos dar o primeiro passo em ajudar os nossos filhos a tornarem-se mais calmos, fortes e felizes.

 

 

imagem@bolsademulher

Repitam comigo: “no meu tempo não era assim”. E notem que não era mesmo. Do que falo? Bom, de ter alunos em sala de aula, com nove anos, a perguntarem-me se tenho instagram. E a olhar para a minha camisola, com um passarinho azul (o Larry) e a dizer: “tens uma camisola com twiter”. Vai-se a ver e os pais deles seguem a  minha página no facebook e estão agora, do lado de lá do écran, a ler este texto.

No meu tempo não era assim. As redes sociais estão aí, fazem parte da nossa vida, miúdos e graúdos e todos nós devemos utilizá-las de forma segura e com moderação. Há professores e educadores que o fazem de forma inteligente e divertida, potenciando as boas práticas em sala de aula.

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Eu tenho por hábito fotografar sempre o quadro da sala onde trabalho. Confesso que preciso muito do quadro, durante as aulas ou as oficinas de filosofia. Quando não tenho esse recurso, uso folhas para tomar notas e registar, de certa forma, o fluxo do nosso pensamento.  E sabem como é: no final da aula há sempre alguém que pede para apagar o quadro.  Nos primeiros tempos eu tinha que pedir encarecidamente para nunca apagarem o quadro sem que eu tirasse a fotografia. Agora são eles que perguntam “já tiraste a fotografia para eu apagar o quadro?”.  O meu telefone está sempre comigo em sala de aula, no bolso das calças, em cima da mesa, ao pé do quadro. Os alunos sabem que fotografo os trabalhos do pensar – no quadro ou nos seus cadernos. Às vezes pedem-me para tirar selfies.  E perguntam-me se tenho jogos, no momento em que há tempo livre. Falam com muita naturalidade do facebook . Discutem os modelos dos smartphones com um conhecimento e propriedade tais que nesse momento eu sinto que sou a aluna.

Para esta nova geração o mundo tem tudo aquilo com o qual eu me habituei a crescer – e  écrans, de tamanhos diferentes, com possibilidades de trabalho, de brincadeira que nós nem imaginamos.

Os alunos de hoje estão a ser preparados para profissões que talvez nem existam. Falo por experiência própria: quando tinha 9 anos não tinha sequer a noção de que poderia ser professora de filosofia para crianças ou community manager (outra das minhas ocupações profissionais).

Preocupa-me sempre a utilização que possa ser feita deste mundo  à distância de um click, de um sign in, de um like, retweet ou share. E essa preocupação relaciona-se com a ilusão de proximidade que possa criar – nos miúdos e também nos graúdos. Numa conversa que tive com a escritora Alice Vieira – e que ficou registada na Revista Gerador #7 – falamos sobre “as maquinetas a que [as crianças] têm acesso” e da sensação que temos de que os vidros é que as estão a educar.

Há dias fui almoçar com um amigo num restaurante. Olhei à minha volta e o cenário era o seguinte: numa mesa, dois adultos e uma criança a comer. Os adultos conversavam e a criança olhava para uns desenhos animados, num tablet poisado de forma hipnótica à sua frente (a verdade é que a criança não conseguia não olhar para ali). Outra mesa: Dois adultos e duas crianças, sem dispositivos móveis em cima da mesa, a conversar e a almoçar, tranquilamente. E ainda uma criança e dois adultos: estes teclavam nos seus telemóveis (estariam a fazer like na fotografia que o outro publicou do almoço que estava mesmo à sua frente?) e a criança olhava para cada um deles e puxava a camisola, a chamar a atenção. E isto são coisas que me obrigam a parar para pensar, sem rotular uns ou outros de maus ou bons pais. No meu tempo eu levava livros para os restaurantes, para me entreter. Nessa altura não havia tablets ou smartphones. O resultado é que hoje vos escrevo num escritório de trabalho onde há sete armários com livros de cima a baixo. E a verdade é que, no tablet, também se podem ler livros.  AH! E também podemos partilhar os livros que estamos a ler nas redes sociais – e quem sabe se isso não é o início de uma bela conversa com a pequena Clara, que “esteve a ver-me no instagram” durante as férias da páscoa?

Questão bastante fracturante entre pais e filhos e até entre pais e pais são os tablets e os smartphones: Devemos dar um tablet ou um smartphone a uma criança? E a partir de que idade?

Há uma coisa que não podemos fazer, que é meter travões no mundo e fazê-lo regressar àquele tempo em que se jogava à bola na rua. Até porque, mesmo que eliminássemos a tecnologia, não podíamos ir brincar como dantes para a rua, pois hoje em dia passam 90 carros por minuto a 90 km/h. Por outro lado, também podemos perder um rim com a brincadeira, às mãos de uma rede internacional de não sei o quê.

Temos de tomar consciência de que as coisas mudaram. Bastante. E com o aparador da sala até podemos ser um bocado vintage, mas com os nossos filhos as coisas já são diferentes. É um esforço inglório querer fazer dos “meninos” vintages. Ninguém pense que eles vão chegar à faculdade com uma lente no olho e um relógio de bolso. Esqueçam. Vão de iPhone. Façam o que lhes fizerem na adolescência.

Sou, portanto, da opinião que devemos introduzir a tecnologia na vida das crianças. Mas isto não significa meter-lhes um tablet na mão e deixá-los a jogar durante 18 anos. Introduzir a tecnologia não significa apenas dar as coisas. Também ninguém dá uma bicicleta a um filho e diz “agora boa sorte”. Ensinamos sempre a andar.

O mesmo se passa com a tecnologia e particularmente com tablets e smartphones. É preciso explicar-lhes para que serve e como se usa. Um tablet não é só para jogar jogos estúpidos. Dá para desenhar. Dá para aprender. É um relógio. É um mapa. É um livro. É um filme. É um quadro. É uma câmara fotográfica. É uma máquina de filmar. É imensa coisa boa. Muito mais coisas boas do que más.

Sem dúvida, o avanço tecnológico é irreversível e não queremos crianças obsoletas, anacrónicas, agarradas pelos papás às memórias da sua infância dourada. Assim como não queremos crianças agarradas a uma máquina com a qual só sabem jogar e ver vídeos, pois não as ensinámos a fazer mais nada com aquele aparelho que sempre rejeitámos, embora raramente levantemos a cabeça dele.

A verdade é que não devem ser as crianças a adaptar-se à nossa infância, mas nós à infância deles. E a deles tem digital. Tem tablets e smartphones, com os quais podem fazer coisas úteis.

Não podem estar sempre agarrados àquilo? Claro que não. Mas nós também não. Nesse aspecto, nós somos piores do que as crianças, pois a elas, de repente, ainda lhes dá para correr um bocado sem razão alguma. Já nós, nem isso. Até já vamos correr só para postar no facebook a nossa maratona.

Definitivamente, não vale a pena contrariar o avanço tecnológico nem querer manter as crianças longe disso, como se fossem gomas. As gomas sim, não servem para rigorosamente nada. E o “é só de vez em quando” é vezes demais. Em matéria de tecnologia, podemos e devemos ensinar as crianças a brincar no seu novo mundo e não no nosso velho.
Sobre a idade certa para ter um tablet, para mim é aquela em que já se sabe que o tablet não pode ir para o banho. E se quiserem ter no seu tablet os seus desenhos animados, os seus jogos, os seus desenhos, o seu relógio, o seu mapa, o seu planetário, não tenho nada contra. Não podem estar sempre naquilo, pois não. Mas nem a estudar se deve estar tempo demais. A responsabilidade de criar outros interesses é que também é nossa. Não é prendendo os “meninos” nos anos 70 e 80 que os mantemos longe das ameaças do futuro.

imagem@passandodefase

Há hoje uma geração de crianças que desde muito tenra idade está habituada e (não raras vezes) viciada na utilização de tablets. Os pais, eles próprios cada vez mais dependentes de tecnologia, estimulam o uso destes dispositivos, que agora estão já a entrar na cama dos mais novos, apesar de todos os alertas, revelou um estudo da britânica Childwise que acompanhou os hábitos de 1034 pais de crianças com idades entre os seis meses e os quatro anos.

O Monitor Pre-School Report, citado pelo Daily Mail, concluiu que uma em cada 10 crianças com menos de quatro anos fica ‘colada’ ao monitor de um tablet a ver programas infantis na cama, apesar de as recomendações dos especialistas serem claras: a cama das crianças deve ser totalmente livre de qualquer dispositivo electrónico. Aliás, nas horas anteriores ao momento de deitar deve mesmo evitar-se ao máximo o uso de aparelhos electrónicos, nunca esquecendo que crianças até aos dois anos não devem de todo ver televisão nem usar tablets.

Conclui ainda o mesmo estudo que cada vez mais crianças em idade pré-escolar [3-5 anos] usam os telefones dos pais para aceder a aplicações e muitos deles têm mesmo o seu próprio tablet ou consola de videojogos.

Com o acesso a programas e jogos infantis cada vez mais facilitados na televisão e tablets, muitos pais recorrem-lhes para ajudar os filhos a adormecer. Mas a preocupação de adição a estes dispositivos é cada vez maior para os especialistas.

O estudo concluiu que nunca os bebés viram tanta televisão como agora, estando já numa média de 2.6 horas por dia, um aumento que se deveu nos últimos anos também à possibilidade de escolher na televisão os programas que se quer ver.

Aos dois anos, a maioria das crianças já está a usar tecnologia, sendo que quase todas aos quatro anos têm acesso total”, lê-se no relatório.

Um especialista em saúde infantil da britânica Royal Society of Medicine, Aric Sigman, apelou aos pais que “parem de estar constantemente a verificar os e-mails nos telemóveis em frente das crianças para tentar travar esta obsessão com tecnologia.

 

Notícia publicada no Sol, a 18.09.15

20 coisas que os meus filhos nunca vão perceber. Bem vindos aos anos 80/90!

Quando era mais nova lembro-me dos meus pais me contarem episódios que começavam com “No meu tempo…” Cheirava-me logo a anos 40/50, a histórias longínquas e desatualizadas, com o encanto de imaginar o meu pai com 6 anos, em África, a brincar na rua, tal como via na fotografia na sala de nossa casa. Parecia que, da infância deles à nossa, tinham ficado centenas de histórias por contar.

Hoje, dou por mim a começar frases da mesma maneira. “No meu tempo…”

Os meus filhos gostam de saber.

Com os olhos a brilhar tentam adivinhar o que vou eu contar: serão aventuras como andar de bicicleta sem que ninguém soubesse do nosso paradeiro, ou serão coisas que me passam pela cabeça como “Menina, que polos conhece? – Polo Norte, Polo Sul e Polilon!”. 1, 2, 3, diga lá outra vez: de onde vem esta famosa frase?

 

A pensar nestas conversas, resolvi compilar 20 coisas que os meus filhos nunca vão perceber… Bem vindos aos anos 80/90!

 

1.A Televisão era a preto e branco.

Só tinha dois canais, e o mais parecido com controlo remoto para os nossos pais éramos nós: “Vai lá ver o que está a dar no 2”. Não existia zapping, e se algum visionário se lembrasse de alternar entre canais fazia, quando muito, ping pong.
tv2

Mais tarde um asterisco que piscava no canto do ecrã indicava que estava a começar um programa no outro canal.

2. Fazer viagens Lisboa-Algarve pela Estrada Nacional.

Sem cintos atrás, e ficar horas no trânsito com temperaturas a roçar os 40 graus, sem ar-condicionado. A paragem obrigatória era em Canal Caveira ou Mimosa e não era para fumar um cigarro. Os cigarros fumavam-se dentro do carro, ao longo da viagem. Para os mais novos, cigarros de chocolate para agarrar entre dedos e ir comendo, powered by “próprios pais”.

3. TV a cores e Eurovisão

Assistir pela primeira vez ao festival da canção numa televisão a cores com toda a família e os amigos dos pais.

Sim, marcavam-se convívios para viver momentos especiais, e este foi um deles.

4. A mira da televisão antes de abrir a emissão

Acordar ao sábado de manhã para ver bonecos animados, e o desapontamento de ficar 1h a olhar para a mira da RTP porque a emissão ainda não tinha começado.

mira

A excitação do início da emissão era tanta que até dançávamos ao som da orquestra de abertura (Este video é mais antigo, mas não arranjei com a mira dos anos 80, gozem só a orquestra).

 

Falar ao telefone sem poder sair do mesmo sítio e enrolar o dedo à volta do fio durante a conversa.

Quando a ligação não estava boa, trocávamos o telefone de orelha. Quando queríamos telefonar para casa de um amigo, tínhamos de saber falar ao telefone: cumprimentar, identificarmo-nos, e perguntar, “A Ana está?”

5. Colecionar borrachas com cheirinho, folhas queridas, caricas, berlindes, latas de bebida, ou pedras.

vorrachas6. Querer telefonar para os amigos e ter um cadeado no telefone. Sim, já nos bloqueavam o teclado na altura, o método é que era um bocadinho diferente.cadeado

7. Para brincar bastava termos vontade.

Éramos pequenos Macgyver a improvisar brinquedos: fazíamos fisgas, cabanas, e arcos e flechas. Com pedras jogávamos à mosca, com um canivete (ups!) jogávamos ao mundo, com um elástico ou uma corda saltava-se. Com um fio fazíamos manobras de mãos e jogávamos ao pé de galo. Faziamos 3 covas e jogávamos Bilas ou Guelas.Só tinhamos de decidir se valia palmo e ganso ou não. Éramos incansáveis.  Sabíamos que os presentes se recebiam nos anos e no natal, e vivíamos bem com isso. A moeda que a Fada dos dentes deixava dava para comprar pastilhas Gorila, e era fantástico! (Até porque, também, colecionávamos os cromos dos aviões)
gorila

8. Saber esperar

Marcar encontros no cinema ou no café sabendo que não haveria hipótese de desmarcar caso surgisse um imprevisto. Esperávamos até que o outro aparecesse. Às vezes, quando o atraso era grande, íamos a um café ligar para casa:  “Quanto é que é cada impulso para chamada local?” – “Dois e quinhentos”. Nessa altura falávamos em escudos.

9. Assistir ao telejornal até ao fim, para ver as sessões de cinema que passava logo de seguida.

10. Load aspas aspas Enter.

Rezar que o jogo “entre”. Quando caía, afinava-se um parafuso no gravador e tentava-se novamente. Depois esperávamos uns 2 a 5 minutos para descarregar o jogo, numa espécie de hipnose provocada pelas riscas e sons que eram produzidos na televisão.


Poder jogar Pacman em casa… e depois Mrs. Pacman.

11. Ter uns headphones da Sony amarelos e rebobinar as cassetes com uma caneta bic para não gastar pilha.sony-walkman

11. Revelar fotografias

Pôr as fotografias das férias finalmente a revelar, esperar uma semana para levantar, pagar os olhos da cara, e não haver uma foto que se aproveite. O rolo tinha a “asa” errada e ficou com muita ou com pouca luz. Ou simplesmente abrimos a tampa antes de rebobinar, e ficou todo queimado!kodak

12. Gravar musicas da rádio

Esperar ansiosamente que passe a música preferida no rádio para pôr a gravar, e alguém falar a meio. Ou estar a gravar uma música e a cassete acabar: virar rapidamente para o outro lado, pôr no Rec e apanhar a parte branca da fita até ao fim da música.rec

13. Linhas cruzadas

Arranjar uma extensão de telefone gigante para conseguires falar com alguma privacidade. Estar ao telefone e ouvir um “arfar” na linha. Alguém em tua casa estava a ouvir a conversa no outro telefone (Esta para eles parece muito à frente!)

14. Trabalhos escolares (Calma, os TPC já existiam, só davam um bocadinho mais de trabalho a realizar)

Fazer um trabalho de pesquisa, para a escola, na biblioteca. Ter de consultar vários livros, e criar a apresentação em acetatos! (Graças a Deus já existia o retro-projetor!)retroprojetor

15. Videoclubes sem ser on-line

Esperar meses para que aquele filme que perdemos no cinema chegasse ao clube de vídeo. Conseguir alugá-lo ao fim de duas semanas esgotado, chegar a casa ansioso para ver, e a fita não estar rebobinada!
vhsOu gravar um filme no vídeo, e no dia que vamos ver… alguém gravou outro programa por cima.

16. Passar bilhetinhos nas salas de aula.

17. A primeira ligação à internet.

Aproveitar a extensão do cabo de telefone para fazer a ligação à internet no computador. O som que a internet fazia a ligar. O tempo que a internet demorava a ligar. A meio alguém resolvia fazer um telefonema, e adeus internet.

18. Ver a astrologia e os jogos no teletexto. (Isto já foi muito recente)teletexto

Lembra-se de todas estas coisas? De longe e de olhos vendados? Então vamos lá experimentar, feche os olhos e descubra de que são os 8 sons que estão na seguinte gravação! A seguir, faça o mesmo exercício com os seus filhos.

Veja quantos destes sons eles reconhecem!
Deixe o seu comentário!

Pontuação Filhos:
Até 2 respostas certas | Fantástico – Já andaste a ver vídeos no youtube sobre o século passado…!
2 a 4 | Afinal quantos anos tens?
4 a 6 | Uaaaauuuuu! Com esta pontuação também te deves lembrar da “Amiga Olga”, não?
6 a 8 | Agora a sério. Pontuação dos FILHOS! Não é a dos pais. Mas boa tentativa.

 

Por Up To Kids®
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Apesar de me sobrar pouco tempo para me dedicar a uma boa conversa com amigos, dessas sem horários e sem pressas, ainda que seja ao telefone, arrisquei a meia hora que me sobrou do almoço, subtraindo o tempo que dedico com grande prazer ao meu diário e viciante périplo pela internet.
Agarrei no meu apêndice electrónico, um smartphone de última geração ligado pela veia safena ao meu escritório, limpei-o cuidadosamente à camisola, e cliquei na tecla de marcação rápida: amiga de infância.
A chamada arriscada é uma de entre as mil que faço diariamente por motivos profissionais, e é bem capaz de ser interrompida, mas cuido que a amiga de infância compreenda os motivos (todos de força muito maior, claro) e se a conversa ficar a meio, conto resolver a coisa de forma natural com um ‘mando-te uma mensagem pelo facebook e combinamos um café’.
– Então miúda, estás boazinha?
– Não te sei dizer, mas qualquer dia levanto-me da secretária onde tenho o computador, e trago a cadeira agarrada ao rabo!
– LOL!

Este LOL não foi escrito em parte alguma, pois que falávamos ao telefone, este LOL dito pela minha amiga como se fosse a coisa mais natural desta vida, é a prova, se é que alguém precisa de provas, de que a dependência crescente e alarmante que todos temos das novas tecnologias, contaminou definitiva e irremediavelmente a forma como nos relacionamos.
A minha amiga de infância sonegou à sua personalidade a sonora e agradável gargalhada, imagem de marca desde que nos conhecemos há mais de 20 anos, para a substituir por um termo informático grosseiro.
Sem a risota do costume, a conversa tornou-se rapidamente monocórdica e sem interesse.
Ela já sabia da nossa viagem ao Porto, viu ‘as fotografias no Facebook, e a miúda está enorme!’, já sabia a minha opinião sobre os acontecimentos de Paris, o que penso sobre a mortandade dos rinocerontes em África, tudo por um punhado de queratina que vale 75 mil euros o quilo, e até sabia que na terça-feira não me senti muito bem por razões de um desarranjo intestinal qualquer, desses que nos trazem uns vírus aborrecidos, mas menos perigosos que os informáticos.
Hoje em dia dar uma novidade a alguém é uma verdadeira aventura, senão uma impossibilidade.
Com cada vez mais gente ligada mais tempo, com acesso a tudo o que é notícias, novidades, acontecimentos e descobertas, o mundo tornou-se num ovo e as boas-novas dão-se no mural, no post de segunda-feira, e até o parto do primogénito, coisa intima e de recato, é escarrapachado num vídeo onde os amigos e conhecidos se deleitam com gostos virtuais e comentários de grande profundidade, tais como: ‘credo, isso ficou feio’ ou ‘a minha costura foi mais atrás, mas agora quase não se nota’.
A dependência da Internet é generalizada e as camadas mais jovens são as que estão mais expostas ao problema.

Falamos informaticamente todos os dias, ou pelo menos vamos sabendo uns dos outros pelas redes sociais, e isso parece bastar-nos para preencher a lacuna social sonegada pela falta de tempo e pela primazia da vida profissional sobre a vida pessoal, ou antes, serve-nos para apagar uma certa culpa que é nossa, de paulatinamente preferirmos estar em casa, agarrados ao computador, em vez de sair para encontrar as pessoas que outrora fizeram parte da nossa vida real.
Enquanto eu, menina e miúda, corria para a rua, para a discoteca ou para o café, os nossos filhos correm para casa, para os seus quartos, para se ligarem ao skype, e lá permanecem horas e horas, muitas vezes madrugadas adentro.
Muitos deles baseiam a relação com os colegas e com os amigos apenas na condição virtual que conseguem desenvolver em casa, muito por culpa (não se sabe bem de quem), de que os meninos na rua, correm um grave perigo de vida.
´Putos que crescem sem se ver, basta pô-los em frente à televisão’… é assim, agora mais do que nunca.

Quantos casos de adolescentes conhecemos que deixaram para trás um percurso académico de bom nível para se fecharem no quarto a jogar computador dia e noite?
Vários estudos elaborados por terras lusas dão conta da existência de quase três quartos (73,3%) de jovens viciados na Internet, sendo que destes, há 13% que exibem níveis severos de dependência. Níveis severos de dependência, miúdos de 13 anos internados em clínicas de recuperação, com depressões profundas provocadas pela abstinência. E aumenta a cada dia…
É um número assustador se pensarmos que todos estes miúdos vão ter um grau absolutamente pavoroso de inadaptação ao meio profissional onde se trabalhe por exemplo em equipa, ou sem recurso a novas tecnologias (trabalhos indiferenciados) e onde vão sofrer na pele a total inadequação ao meio social, que não adquiriram por força do isolamento.
Na fase das entrevistas de emprego o desastre é total. A perda de lugares profissionais [emprego jovem] é também um sinal de que muitos jovens são totalmente inaptos para transmitir ao seu empregador/entrevistador  as suas capacidades (muitas das vezes sublimes), gorando muito por culpa do acanhamento e do parco vocabulário verbal, as expectativas de uma vida.
E já nem falo dos problemas que isso traz a todos nós enquanto sociedade.
O meu exemplo é flagrante. Sou cada vez mais dependente, muito embora consiga escamotear a dependência porque sou um adulto consciente, e do passado trago ainda as melhores recordações da minha vida com os outros, que perpétuo o mais que posso e sempre que posso, tendo ainda enraizada uma infância e juventude muito longa, sem internet e sem prisões domiciliárias, onde adquiri as ferramentas que hoje me ajudam na relação com os outros-de-carne-e-osso.
Não direi pois, que me encontre já catatónica, em estado avançado de demência tecnológica, mas a verdade é que não consigo distanciar-me muito da internet e das minhas redes sociais, e do telemóvel nunca me separo.
Exacerba esta dependência o meu trabalho (8 a 12 horas diárias), todo ele feito com apoio tecnológico, e até a minha escrita, aquela que passa na frente dos olhos de tanta gente, toda ela baseada em pesquisas e leituras que faço na internet e que partilho na internet.
Não tenho forma de me afastar do vício.
Sou dependente, mas tenho consciência de como aqui cheguei.
Tenho um computador desde os 15 anos. Telemóvel desde os 19.
Se o meu caso é grave, imagino os que começam na 1ª infância a ter contacto com as novas tecnologias numa base diária e sem restrições.

A minha filha usa a tecnologia, muito por minha culpa, desde os 5/6 anos (e a luta foi renhida), altura em que começou a perceber que a interação que obtinha com o computador da mãe era muito mais interessante do que a televisão ou do que os brinquedos cor-de-rosa que abundam no quartinho.
Entornámos o caldo demasiado cedo.
A minha luta é tentar ao máximo que a minha filha de 8 anos não se isole ou não crie comportamentos antissociais que lhe vão ser imensamente prejudiciais na vida adulta, mas a verdade é que eu estou aqui a escrever isto, é domingo, e ela está agarrada ao tablet (que eu comprei) interessadíssima num boneco [Pou] que faz cocós roxos, e às vezes verdes.

Eu, enquanto escrevo este texto, medito sobre o que vou lendo sobre o tema: ‘noutros países, estão a ser dados passos na farmacologia, no sentido de desenvolver novas drogas que atuem sobre estes casos específicos’, ‘em Portugal, o Plano Nacional dos Comportamentos Aditivos e das Dependências 2013-2020, aprovado na semana passada pelo Conselho de Ministros, prevê o alargamento da área de intervenção do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD) às dependências sem substância como a Internet’, ‘por cá ainda não há nenhuma iniciativa do género, para a prevenção dos comportamentos aditivos relacionados com a internet’.

Resulta-me claro que a única forma de evitar a dependência não é retirando radicalmente a internet aos miúdos, isso seria privá-los de uma evolução que está aí e da qual (já) não podemos prescindir, mas antes atrasar ao máximo a entrada das novas tecnologias em casa, de forma sistemática.
Uma criança de 3,4, 5 anos, não precisa de um telemóvel ou de um tablet para brincar.
Uma criança de 3,4, 5 anos não precisa de um quarto cheio de brinquedos electrónicos que brincam sozinhos e que não preenchem a sua natureza primordial que é a de desenvolver a imaginação.
Os livros, muitos livros, as histórias no fim do dia, jogos simples, objetos simples, a música, as pinturas, a plasticina, tudo isto dá alegria e profundidade mental às crianças.
A iniciação mais tardia de uma criança na lides da internet não vai fazer com que ela perca o comboio da tecnologia ou que seja menos feliz (e mais inadaptada) na sua idade adulta.
O cérebro de uma criança é uma esponja voraz. Não tem qualquer necessidade de ser programador informático aos 14 anos e nem de ser o feliz vencedor dos 234 jogos que joga on-line com amigos virtuais.

Em suma, e como tudo na vida, a regra é moderar a utilização da tecnologia nos mais velhos, e atrasar o mais possível a utilização sistemática da internet aos mais novos.
Isto só é possível através de atividades atrativas, se possível em grupo.
Podem não acreditar, mas aqueles pais que exibem orgulhosos os filhos de 2 anos a tactear um ecrã com mais destreza que um adulto, é um sinal não de inteligência da criança (isso mede-se sobretudo pela sua capacidade de interagir com os outros) mas um sinal bastante claro de que o caldo já começa a entornar-se, e que muito possivelmente haverá uma tendência natural dessa criança em dar primazia a um mundo virtual, que é absolutamente apaixonante, deixando para trás a enorme alegria que é participar na diversidade da vida e da natureza e no prazer que é o convívio com os outros, presencialmente.

Por Uva Passa, Blog Uva Passa
para Up To Lisbon Kids®

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No fim de semana fui almoçar com uma amiga, e enquanto estávamos a conversar uma com a outra, olhei para um casal na mesa ao lado que se encontrava também a conversar. Mas era uma conversa muito diferente, não falavam um com o outro, mas sim com as novas tecnologias: enquanto ela estava agarrada ao tablet, ele estava agarrado ao smartphone. Não olharam um para o outro nem trocaram uma palavra durante todo o tempo que ali estiveram.

Tenho reparado, como todos nós, em situações crescentes deste género, em que as novas tecnologias se sobrepõem ao convívio e ao relacionamento saudável entre as pessoas, tanto adultos, como crianças, e sobretudo adolescentes!

Concordo que todas estas novas possibilidades de contacto com o mundo exterior nos trazem oportunidades de relacionamento com pessoas que não vemos há muito tempo, com o que se passa lá fora, com novos projectos e novidades dos nossos amigos e conhecidos. E ao mesmo tempo acompanhamos a evolução da sociedade actual.

Mas não andaremos nós demasiado presos ao que os outros fazem e a esquecermo-nos de conviver com aqueles que nos são mais próximos?

A nova tecnologia torna-nos pessoas menos sociáveis, mais isoladas, menos empáticas, menos verdadeiras, mais consumistas.

http://educ305jenmini.blogspot.pt/

 

  1. Menos sociáveis e mais isoladas, porque já não convivemos tanto como antigamente, convivemos através das novidades das redes sociais, da internet e do que os outros andam a fazer. Olhamos para o que está no ecrã à nossa frente, não ouvimos o que a outra pessoa nos diz, pois estamos mais ocupados a enviar uma mensagem ou um post do que foi o nosso almoço, ou a partilhar o nosso dia para uma máquina.
  2. Menos empáticas, porque passamos cada vez mais tempo ligados à televisão e aos jogos e tornamo-nos imunes à forma como os outros se sentem e não conseguimos empatizar com eles, piorando o comportamento e gerando comportamento antisociais. A violência dos jogos e da televisão gera a falta de empatia entre os adolescentes, que se tornam menos sensíveis relativamente aos pensamentos ou consequências que podem afectar o outro, ao mesmo tempo que condiciona a adequação no relacionamento.(Antisocial Teenagers Unable to Empathize)

  3. Phubbing-3
    Stop Phubbing



  4. Menos verdadeiras, porque temos a liberdade de nos escondermos atrás de um ecrã e de mostrarmos apenas aquilo que achamos que os outros querem de nós. Não socializamos directamente e o facto de termos um mediador, torna tudo mais fácil e “camuflado”.
  5. Mais consumistas, porque deparamo-nos com uma oferta tão grande, que não conseguimos parar para distinguir o que é realmente essencial e nos faz falta, daquilo que é apenas um capricho. A informação entra “gratuitamente” no nosso cérebro e temos vontade imediata de adquirir, de ter. É excesso de ruído, excesso de efeitos especiais, excesso de gírias, de ironia, muitas vezes excesso de bullying e excesso de publicidade. Até os próprios filmes incentivam o consumo.

E o que fazer quanto a isto?

Sei que os nossos empregos e as nossas vidas actuais não nos permitem muitas vezes que desliguemos totalmente do que se passa no mundo, mas e o “nosso mundo” em particular?

Sei que na nossa altura, quando éramos pequenos(as), também passávamos horas ao telefone com os(as) nossos(as) amigos(as) e que as contas de telefone eram gigantescas. Mas será que não convivíamos directamente um pouco mais?

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Sei que todos gostamos de nos distrair e ver um pouco de televisão, mas a oferta é tanta que a certa altura, não a deveríamos desligar, para descansar a cabeça com o excesso de informação?

Sei que gostamos de saber o que os outros estão a fazer naquele momento, mas não será muito mais interessante saber o que é que a pessoa à nossa frente, ou a nossa família, está a fazer naquele momento?

Cada um de nós pode chegar às suas próprias conclusões e arranjar a melhor forma de diminuir um pouco a carga de tecnologia e aumentar um pouco o volume do relacionamento humano na nossa vida.

Como li em algum sítio num destes dias:

Passamos nove meses agarrados ao cordão umbilical, depois passamos o resto da nossa vida agarrados ao carregador do smartphone…

Pensemos nisto!

 

imagen@CelineMahou