Questão bastante fracturante entre pais e filhos e até entre pais e pais são os tablets e os smartphones: Devemos dar um tablet ou um smartphone a uma criança? E a partir de que idade?
Há uma coisa que não podemos fazer, que é meter travões no mundo e fazê-lo regressar àquele tempo em que se jogava à bola na rua. Até porque, mesmo que eliminássemos a tecnologia, não podíamos ir brincar como dantes para a rua, pois hoje em dia passam 90 carros por minuto a 90 km/h. Por outro lado, também podemos perder um rim com a brincadeira, às mãos de uma rede internacional de não sei o quê.
Temos de tomar consciência de que as coisas mudaram. Bastante. E com o aparador da sala até podemos ser um bocado vintage, mas com os nossos filhos as coisas já são diferentes. É um esforço inglório querer fazer dos “meninos” vintages. Ninguém pense que eles vão chegar à faculdade com uma lente no olho e um relógio de bolso. Esqueçam. Vão de iPhone. Façam o que lhes fizerem na adolescência.
Sou, portanto, da opinião que devemos introduzir a tecnologia na vida das crianças. Mas isto não significa meter-lhes um tablet na mão e deixá-los a jogar durante 18 anos. Introduzir a tecnologia não significa apenas dar as coisas. Também ninguém dá uma bicicleta a um filho e diz “agora boa sorte”. Ensinamos sempre a andar.
O mesmo se passa com a tecnologia e particularmente com tablets e smartphones. É preciso explicar-lhes para que serve e como se usa. Um tablet não é só para jogar jogos estúpidos. Dá para desenhar. Dá para aprender. É um relógio. É um mapa. É um livro. É um filme. É um quadro. É uma câmara fotográfica. É uma máquina de filmar. É imensa coisa boa. Muito mais coisas boas do que más.
Sem dúvida, o avanço tecnológico é irreversível e não queremos crianças obsoletas, anacrónicas, agarradas pelos papás às memórias da sua infância dourada. Assim como não queremos crianças agarradas a uma máquina com a qual só sabem jogar e ver vídeos, pois não as ensinámos a fazer mais nada com aquele aparelho que sempre rejeitámos, embora raramente levantemos a cabeça dele.
A verdade é que não devem ser as crianças a adaptar-se à nossa infância, mas nós à infância deles. E a deles tem digital. Tem tablets e smartphones, com os quais podem fazer coisas úteis.
Não podem estar sempre agarrados àquilo? Claro que não. Mas nós também não. Nesse aspecto, nós somos piores do que as crianças, pois a elas, de repente, ainda lhes dá para correr um bocado sem razão alguma. Já nós, nem isso. Até já vamos correr só para postar no facebook a nossa maratona.
Definitivamente, não vale a pena contrariar o avanço tecnológico nem querer manter as crianças longe disso, como se fossem gomas. As gomas sim, não servem para rigorosamente nada. E o “é só de vez em quando” é vezes demais. Em matéria de tecnologia, podemos e devemos ensinar as crianças a brincar no seu novo mundo e não no nosso velho.
Sobre a idade certa para ter um tablet, para mim é aquela em que já se sabe que o tablet não pode ir para o banho. E se quiserem ter no seu tablet os seus desenhos animados, os seus jogos, os seus desenhos, o seu relógio, o seu mapa, o seu planetário, não tenho nada contra. Não podem estar sempre naquilo, pois não. Mas nem a estudar se deve estar tempo demais. A responsabilidade de criar outros interesses é que também é nossa. Não é prendendo os “meninos” nos anos 70 e 80 que os mantemos longe das ameaças do futuro.
imagem@passandodefase
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