Todos os pais querem proteger seus filhos dos predadores. Mas como manter os seus filhos seguros se não sabe identificar o perigo? Qualquer pessoa pode ser um pedófilo. A maioria dos pedófilos inicialmente conquista a confiança das crianças que sofrem o abuso.

Saiba quais os comportamentos e características a que deve prestar atenção, as situações que deve evitar e como impedir que os seus filhos sejam alvos.

Lembre-se: nem todos os pedófilos são molestadores de crianças. Fantasiar com crianças não é o mesmo que agir contra elas. Além do mais, alguém que costuma interagir melhor com crianças do que com adultos não tem, necessariamente, uma tendência à pedofilia. Acusar alguém erroneamente de pedofilia pode causar depressão e problemas sociais gravíssimos.

Perceber que qualquer adulto pode ser um pedófilo.

Não há nenhuma característica física, profissão ou tipo de personalidade comum a todos os pedófilos. Podem ser de qualquer género, raça e religião. A profissão ou hobbies dessas pessoas podem ser os mais diversos possíveis. Um pedófilo pode ser charmoso, carinhoso e parecer uma pessoa boa enquanto tem pensamentos predatórios. Isto significa que os pais nunca devem descartar a ideia de que alguém possa ser pedófilo.

Muitos pedófilos são conhecidos das crianças que abusam.

30% das crianças que sofreram abuso sexual foram abusadas por um membro da família; 60% por um adulto que conheciam e que não era um membro da família. Os dados indicam que apenas 10% das crianças abusadas foram abordadas por um estranho.

  • Na maioria dos casos, o pedófilo é algum conhecido da criança. Por ser da escola da escola ou de outra atividade. Pode ser um vizinho, um professor, um membro da igreja, um instrutor de música ou uma babysitter.
  • Também podem ser predadores sexuais membros da família, tais como pais, mães, padrastos, madrastas, avôs e avós, etc.

Características comuns de um pedófilo.

  • Maioritariamente do sexo masculino, quer sejam as suas vítimas meninos ou meninas.
  • Muitos têm algum histórico de abuso no passado, seja físico ou sexual.
  • Alguns também têm problemas mentais, como um distúrbio de humor ou personalidade.
  • Os homens heterossexuais ou homossexuais podem ser pedófilos. A ideia de que os homossexuais têm mais tendência à pedofilia é um mito.
  • As mulheres pedófilas têm uma tendência maior de abusarem de meninos do que meninas.

Comportamentos comuns demonstrados pelos pedófilos.

  • Normalmente, não demonstram tanto interesse por adultos como por crianças.
  • Costumam ter muitos empregos que permitem o contato com crianças de determinada faixa etária ou planeiam outras formas para que possam passar algum tempo com elas, actuando como professores ou babysitters.
  • Os pedófilos tendem a falar sobre crianças como se estivessem a falar sobre adultos. Fazem referência a uma criança como fariam a um amigo adulto ou companheiro.
  • Normalmente dizem que amam todas as crianças e sentem-se como se ainda fossem uma.

O pedófilo normalmente passa por um processo de conquista da confiança da criança, e por vezes até a dos pais.

Preste atenção a esse detalhe. Durante meses ou até anos, um pedófilo pode tornar-se um amigo confiável da família e pode oferecer-se para cuidar da criança, levá-la ao shopping, para passear ou passar algum tempo com ela de outras formas. Muitos pedófilos não começam a abusar da criança antes de conquistarem a sua confiança.

  • Os pedófilos procuram por crianças que são vulneráveis às suas táticas. Ou seja, eles procuram alvos que tenham pouco apoio emocional ou que não têm atenção suficiente em casa. O pedófilo tentará representar para a criança uma figura paterna.
  • Alguns pedófilos procuram crianças de pais solteiros que não conseguem dar muita atenção aos filhos.
  • Um molestador de crianças normalmente usará vários jogos, truques, atividades e linguagens para ganhar a confiança e/ou enganar a criança. Entre essas táticas estão: guardar segredos (os segredos são muito valiosos para a maioria das crianças, que sentem-se “adultas” e poderosas), jogos sexuais explícitos, carícias, beijos, toques, comportamentos sexualmente sugestivos, exposição da criança a materiais pornográficos, coerção, suborno, bajulação, e – o pior de todos – afeição e amor. Saiba que essas táticas são usadas basicamente para isolar e confundir a criança.

 

 

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Comunicar eficazmente com os filhos sem ferir a sua autoestima

Como transmitir ordens sem ferir a sua autoestima

Uma boa comunicação está na base de uma relação equilibrada e saudável, sendo ainda de maior relevância quando falamos na relação entre Pais e Filhos. É através dela que expressamos aos outros o que queremos, o que sentimos, o que não gostamos, do que precisamos e é graças a ela que podemos atingir a sensação de que somos realmente compreendidos e respeitados.

Um dos principais motivos que leva os Pais a frequentarem os Workshops de Parentalidade Positiva prende-se com as dificuldades em chegar aos filhos através das palavras.
Porque é que ele não me ouve?” ou “Não liga nada ao que eu lhe digo!” são frases recorrentes e que surgem nas sessões quase como desabafo, sejam os filhos crianças ou adolescentes.

Como mudar a forma como comunicamos?

Se pretende mudar o seu estilo comunicacional e falar ao seu/sua filho(a) de forma a que ele/ela o/a oiça, sugiro que comece por uma coisa muito simples – escute-se a si próprio com muita atenção. Nas próximas 24 horas esteja especialmente atento(a) ao que diz ao seu filho e à forma como o diz. Tome pequenas notas das conversas que mantém com eles e do que sentiu nessas trocas de palavras.

É comum os Pais, após a realização do exercício de tomarem pequenas notas das conversas que tiveram com os seus filhos nas últimas 24 horas, constatarem que dizem muitas coisas que não gostariam de dizer às suas crianças e adolescentes, ouvindo tantas outras com as quais também não se sentem nada satisfeitos. Também é recorrente os Pais se queixarem que, não poucas vezes, as conversas facilmente se transformam em discussões e que os seus filhos não lhes contam as coisas. 

Na verdade ouvirem-se a si próprios já representa um progresso. É o primeiro passo para a mudança. Uma vez que qualquer processo de mudança não é possível sem esforço e determinação, comece por pequenas alterações:

1.º Ouça com muita atenção e de forma empática.

Quando a criança estiver a falar consigo deixe o que está a fazer, olhe para ela e não se limite a anuir. É muito mais fácil contar os problemas a um Pai que está realmente a ouvir. Nem precisa de dizer nada. Muitas vezes, um silêncio complacente é só o que a criança precisa.

2.º Em vez de fazer perguntas e dar conselhos sobre o que a criança lhe está a transmitir, demonstre que está a ouvir.

É difícil para uma criança pensar com clareza ou construtivamente quando está a ser interrogada, acusada ou aconselhada. Um simples “Oh…”, “Hum…” ou “Estou a ver” por si só pode ser uma grande ajuda. Palavras deste tipo acompanhadas de uma atitude preocupada convidam a criança a explorar o que pensa e o que sente, e talvez a arranjar sozinha uma solução para o seu problema sem a intervenção dos pais.

3.º Não negue ou contrarie o que o/a seu/sua filho/a sente.

Uma das questões mais importantes e desafiantes na relação comunicacional Pais – Filhos, prende-se com a expressão das emoções.Imagine a seguinte situação: O seu filho, por motivos de saúde, tem que levar uma injeção todas as semanas durante um mês. Apesar de saber que o pequeno tem pavor de agulhas, também sabe que a maior parte das vezes as injeções só doem um segundo. Hoje, depois de saírem do consultório, o seu filho queixa-se amargamente. Sabendo que a cena se repetirá durante as próximas semanas, você quer acabar rapidamente com aquilo e tenta minimizar a situação dizendo coisas do género:
  • Não chores. Também não dói assim tanto.” ;
  • “Estás a fazer disto um bicho de sete cabeças” ;
  • “O teu irmão nunca se queixa quando leva injeções.”
  • “Estás a portar-te como um bebé.”
A intenção que está por trás destas observações é boa, é certo, contudo, ela só piora a situação pois, além da criança não se sentir melhor com as palavras da mãe ela fica irritada por esta não reconhecer a sua dor. Quando compreendemos o que a criança sente, ajudamo-la imenso. Fazemo-la lidar com a sua realidade interior. E quando ela percebe essa realidade, arranja força para a suportar.


As suas palavras devem demonstrar que está mesmo a ouvir e que aceita o que a criança sente.
Por exemplo:

  • ”Isso deve ter doído” ;
  • “Hum, foi mesmo mau.” ;
  • “É daquelas dores que só desejas ao teu pior inimigo” ;
  • “Não é fácil levar estas injeções todas as semanas.
  • “Aposto que vais ficar todo contente quando acabarem.

As crianças não precisam que concordem com o que elas sentem; precisam que compreendam o que elas sentem.

Um dos muitos desafios inerentes à paternidade é a luta (quase) diária para que as crianças compreendam que nem sempre podem ter tudo o que desejam, no momento em que desejam. Fazer-lhes entender e aceitar a realidade é muitas vezes fonte de conflito, conflito esse causador de troca de palavras menos agradáveis e geradoras de mau estar na relação. Se por vezes não se consegue evitar discussões desgastantes para os Pais e também os filhos, outras ocasiões ocorrem em que, com imaginação e boa vontade as mesmas podem ser contornadas. Assim, segue mais uma estratégia comunicacional que os Pais podem usar na sua relação com as crianças:


4.º Satisfaça o desejo da criança em fantasia

Quando as crianças querem algo que não lhes podemos dar, geralmente reagimos com explicações lógicas sobre o motivo pelo qual não lhes podemos dar o que elas pedem. E estamos a falar de coisas tão díspares como o brinquedo que os amiguinhos já têm, ir brincar no parque à noite ou os seus cereais preferidos. Mas, o que acontece muito frequentemente é que quanto mais explicamos mais elas argumentam e protestam. Fazendo assim os Pais perder a paciência e irritarem-se.

O que lhe sugerimos é que, quando assim for possível, satisfaça o desejo da criança em fantasia. Por exemplo: o seu filho, que adora astronomia, pede-lhe incessantemente um telescópio novo. Tem um mas considera que  já está ultrapassado. Em vez de iniciarem uma discussão sobre o seu (caro) pedido demonstre-lhe que ouviu o seu desejo. Diga-lhe “Estou a ver que gostavas muito de ter um telescópio de 200 polegadas.” E continue: “Sabes do que eu gostava? Gostava de ter dinheiro para te comprar. Não, gostava de ter dinheiro para te comprar um telescópio de 400 polegadas. Mais, de 600 polegadas. E veríamos as estrelas e os planetas todas as noites. Seria mesmo divertido.

Por vezes, só o facto de a outra pessoa entender que queremos muito uma coisa torna mais fácil encarar a realidade.

5º. Dê ordens sem ofender ou humilhar a criança.

Não raras vezes, motivados pelo cansaço e saturação, ao chamarmos a atenção da criança para um determinado comportamento desadequado ou incumprimento de regra, juntamos palavras pejorativas ou críticas negativas à ordem, transformando-a num ataque à auto estima da criança.

Exemplificando: Apesar de estar estabelecido nas regras da família que os trabalhos de casa são para serem feitos antes do tempo de brincadeira e convívio familiar, o seu filho protela sistematicamente esta tarefa. Os pais, desgastados por terem que estar sempre a relembrar a criança que tem que fazer os deveres, acabam por proferir algo do género:
” Vai já fazer os trabalhos de casa. Todos os dias é a mesma coisa. És mesmo irresponsável!”
A criança, ouvindo estas palavras, vai sentir que está a ser atacada. Vai concentrar-se mais na crítica dos pais do que na tarefa que lhe dizem que tem que realizar. Aceitar ordens ditadas por quem nos está a pôr defeitos não é fácil e origina uma maior resistência à colaboração.

Comunicar eficazmente com os filhos sem ferir a sua autoestima

5 formas diferentes de chamar a atenção da criança sem a ofender ou humilhar. Desta forma fomenta-se um clima de respeito em que o espírito de cooperação pode começar a aumentar.

  • Descreva o que vê: “Não estás a fazer os TPC!”
  • Informe:Amanhã vais ter falta na escola porque não fizeste os TPC”
  • Comente com uma única palavra: “TPC”
  • Descreva o que sentiu: ” Não gosto de estar sempre a lembrar-te que tens de fazer os TPC”
  • Escreva um recado: Deixe um recado colado na TV: “Antes de me ligares pensa se já concluíste os TPC hoje!”

 

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Sir Richard Branson disse sabiamente que quando somos pais “deixamos de ser a imagem e passamos a ser a moldura”. Não porque tenhamos de ser pais perfeitos ou porque deixemos de importar. Pelo contrário.

Devemos querer, a cada dia, ser a melhor versão de nós próprios. Para que possamos ensinar aos nossos filhos a serem a melhor versão de si próprios.

Não para nos agradar, para ter a nossa aprovação ou para impressionar os outros.

Mas por eles próprios, para que, como seres independentes e livres que são, possam alcançar os seus sonhos e objectivos  – presentes e futuros – com integridade, valores, sabendo distinguir o certo do errado, o que querem e o que não querem. Essencialmente com a confiança e a segurança de que serão capazes. Porque nós lhes ensinámos isso com o nosso exemplo. E quanto mais cedo começarmos, melhor.

É fácil deixarmo-nos  levar pela rotina dos dias. E acomodarmo-nos ao que existe. Tantas vezes, sem querer. Tantas outras sem sequer darmos por isso. Simplesmente deixamo-nos levar e quando damos por nós, passaram meses, anos.

E sem querer, vemo-nos parados no meio de um trilho poeirento.

Olhamos para trás para tentar descortinar onde foi que tudo começou, onde foi que nós ficámos, onde foi que ficou a pessoa que éramos quando vimos o rosto do nosso bebé pela primeira vez, como nos tornámos as pessoas que somos hoje, os pais e as mães que somos hoje.

Mas, por alguma razão, parece que já não se consegue ver o início do caminho onde nos encontramos.

Mas consegue-se.

Volte atrás e siga estes passos. Verá como mudarão a sua vida. E a sua relação com os seus filhos.

  1. Descubra o seu propósito

Pode parecer uma tarefa árdua e trabalhosa a mudança. No entanto, desprender-se dos traços que o (a) prejudicam – a si próprio interiormente e na sua interacção com os outros –  e iniciar um caminho na direcção da pessoa que realmente quer ser, do pai ou mãe que quer ser, que sempre desejou ser, é o primeiro grande passo  para se tornar mais consciente, uma pessoa mais calma, menos afectada pelos turbilhões de estímulos e exigências exteriores que o(a) rodeiam.

Primeiro tem de pensar sobre o seu propósito. Precisa de descobrir qual é o seu papel, qual é o seu objectivo, a sua missão enquanto pai ou mãe. Transporte-se para aqueles momentos em que desejava ardentemente ser pai ou mãe. Recorda-se? O que planeava na altura? Que tipo de pai ou mãe dizia que seria? Qual é que acha que é a sua missão enquanto pai ou mãe? O que o(a) motivou a querer ter filhos?

  1. Defina o seu propósito

Depois de descobrir o seu propósito principal enquanto pai ou mãe, depois de encontrar as respostas que lhe fez chegar a esse lugar onde está agora, defina o seu propósito. Decida que passos quer dar a partir de agora. Decida o que quer mudar. Trace um plano.

Para definir o seu propósito, olhe para si. Bem para dentro, para que possa conectar-se totalmente com quem é, com quem quer ser.

Defina o seu propósito de forma clara e ao pormenor, pois ao definir o tipo de pai ou mãe quer ser, já está a ganhar consciência e a criar essa realidade. Uma nova realidade para si mesmo(a) e para a sua família.

Estará a redefinir – ou talvez a definir pela primeira vez – o seu objectivo e a sua missão como pai ou mãe. E, na verdade – talvez pela primeira vez – esteja a reconhecer e a constatar que tipo de relacionamento tem com os seus filhos e que relação quer ter.

Agora sabe um dos maiores segredos dos pais pacíficos.

  1. Simplesmente seja o pai ou mãe que quer ser

Todos desejamos ser a melhor versão de nós próprios. E enquanto pais, isso não poderia ser mais importante.

É importante não apenas para nós, mas porque estamos a guiar pessoas pequenas que precisam de uma liderança segura, emocionalmente estruturada, baseada na compreensão e na empatia. Na segurança emocional. No respeito e no amor.

Pesquise sobre a parentalidade pacífica. E veja como e porque é que este tipo de parentalidade funciona.

Faça seu objectivo de vida cumprir o seu propósito. Agora é o momento em que vive. Agora é o momento que pode escolher quem quer ser, o pai ou mãe que quer ser.

Sermos pais pacíficos é uma escolha diária. Uma escolha.

Seja a pessoa que quer ser. Seja o pai ou mãe que que quer ser. Livre-se das suas próprias correntes que o(a) deixam encarcerado(a) no seu passado. Ofereça aos seus filhos quem você realmente quer ser.  Ofereça-lhes o seu melhor lado. A sua essência mais sensível, a sua compreensão. A sua ajuda.

  1. Seja grato

A gratidão é um dos grandes passos da mudança. E é um dos grandes segredos dos pais pacíficos. Quando somos gratos, desapegamo-nos de sentimentos de controlo e abrimo-nos a uma serie de outros sentimentos que vivem mesmo abaixo da superfície. Sentimentos como a flexibilidade, a empatia, a aceitação. Que de alguma forma e por algum motivo que só você pode saber, não deixa que saiam cá para fora.

  1. Assine um contrato

Como uma promessa, um juramento, uma declaração solene, é de extrema importância que tenha um compromisso escrito, um contrato onde se compromete à sua finalidade, aos seus objectivos para com os seus filhos. Escrever e assinar o seu próprio contrato vai ajudá-lo(a) a manter o seu propósito e ficar focado(a) no que definiu para si e para a relação com os seus filhos. Uma promessa escrita é um voto forte, um acordo que faz consigo, onde se compromete a criar os seus filhos de uma forma calma. Positiva. Rica.

Para mudar, é fundamental que se comprometa com a mudança.
Se queremos ser pais mais calmos, mais conscientes, mais disponíveis emocionalmente, com mais paciência, darmos passos pequenos, gerirmos e transformarmos os nossos sentimentos é o caminho a seguir.

E isso passa por uma transformação interior profunda, que implica reflexão e acção. Uma transformação que vale a pena.

Este pode ser um processo curto ou longo. Depende de si e só de si. Mesmo que sinta que depende de factores exteriores. Não depende. Depende apenas de si. Agora. Pode começar agora mesmo.

E neste novo caminho, viva um dia, um momento de cada vez. Um passo de cada vez. Depois tente no dia seguinte, no momento seguinte. E depois no outro e no outro e no outro.
Eu garanto-lhe que vai conseguir.
Que todos os seus sonhos se concretizem.

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Há irmãos que fazem os pais pensar: onde é que estávamos com a cabeça? Os que deixam os pais sempre a pensar: temos mais um?

Irmãos.

Há os “olha que eu vou dizer à mãe!” e os “é um segredo só nosso!”.

Há os que são tão próximos que parecem siameses e os independentes que preferem outros companheiros de brincadeira.

Há os protectores e os que acham que os irmãos se devem fazer à vida.

Há os que levam os irmãos nas saídas à noite por imposição dos pais e os que fazem parte do grupo desde sempre.

Há os irmãos fascinados com os mais novos e os admiradores máximos dos mais velhos.

Há irmãos que são tão parecidos que parecem feitos por encomenda.

Há os que só sabemos que são irmãos porque chamam pai e mãe às mesmas pessoas.

Há os que só têm um pai ou uma mãe em comum.

Há os que ligam dia sim dia não e os que ligam só no aniversário.

Há os irmãos que compram presentes em conjunto e os que dividem a conta sem saber muito bem o que vão oferecer.

Há os irmãos que morrem de saudades uns dos outros e os que preferiam ter mais oportunidades para sentir saudades.

Há os que se davam bem em pequenos e em grandes mal sabem da vida uns dos outros. Os que cresceram e mal se lembram de se ter dado mal.

Há irmãos que foram pedidos como presentes de Natal e outros que entraram na vida sem aviso.

Há irmãos que falam uma língua própria, para quem a mãe é a mulher mais bonita do mundo e o pai o companheiro mais fixe de sempre.

Há irmãos que dão “calduços” aos amigos quando estes começam a reparar na irmã mais nova.

Há irmãos que não têm oportunidade de crescer juntos.

Há os que vivem juntos e nem se apercebem da bênção que isso significa.

Há irmãos que ajudam e irmãos que culpam os outros por terem partido a jarra favorita da avó.

Há irmãos que fazem os pais pensar: onde é que estávamos com a cabeça? Os que deixam os pais sempre a pensar: temos mais um?

Há os que sentem que os outros é que são os preferidos. Há os que se aproveitam, por achar que são eles os preferidos.

Há irmãos que são tratados como se fossem de cristal enquanto aos mais velhos é dito que têm de ser mais pacientes, mais compreensivos, mais calmos.

Há irmãos que se tratam por manos.

irmãos que vivem em total harmonia.

Há irmãos que são mais que irmãos: são amigos.

Há irmãos que fazem inveja aos filhos únicos. Há os que fazem os filhos únicos sentir que ainda bem que estão sozinhos.

Há irmãos de todos os géneros, como todas as famílias, todas as dinâmicas, todas as vivências.

Eu tenho dois irmãos. Fui irmã mais nova durante treze anos e já me sentia crescida quando passei a ser irmã do meio. Acredito que sem eles seria uma pessoa completamente diferente.

Não sei se a minha filha vai ter irmãos, mas se isso acontecer tudo farei para que se sintam igualmente amados, desejados e capazes. Muitas vezes os pais falham (por não conseguirem fazer melhor, por falta de tempo, de sensibilidade, etc), cedem perante as responsabilidades, tomam más decisões, influenciam o futuro dos filhos.

Ser pai é o “trabalho” mais duro do mundo.

Mas não nos esqueçamos que é também o mais compensador.

imagemcapa@weheartit

Promessa aos meus filhos

Querido filho,

enquanto eu for viva serei sempre primeiro a tua mãe, e depois tua amiga. Eu vou andar atrás de ti, chatear-te, dar-te sermões, levar-te ao desespero e ser o teu pior pesadelo. Prometo que vou perseguir-te como cão a coelho sempre que for preciso, porque te amo.

Quando compreenderes isso, eu saberei que te tornaste num adulto responsável.

Eu vou defender-te sempre, mesmo nos momento que tenha de te defender de ti próprio.

Nunca encontrarás na tua vida ninguém que se preocupe tanto, que te ame tanto e reze tanto por ti quanto eu. Porque o amor de mãe é assim. Incondicional e eterno.

Se não me chamares, pelo menos uma vez na vida, “a pior mãe do mundo”, então eu devo estar a falhar em qualquer coisa.

Porque crescer exige saber escolher, e eu vou obrigar-te  a fazer as escolhas certas. Quer gostes, quer não gostes.

Educar exige regras e limites,  e essas regras e limites são sempre impostas por mim. Desculpa.

Eu sei que não gostas mas que um dia vais dar-me razão. Um dia quando aconchegares o teu recém-nascido ao colo e te aperceberes que é possível amar tanto ao ponto de te escorrerem lágrimas pela cara abaixo, vais dar-me razão.

E vais amar os teus filhos e persegui-los até ao teu último sopro.
Tal como eu farei.

Mãe /pai

A partir da imagem do texto

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Se os olhos são “o espelho da alma”, os braços são os seus fieis executores. Os braços recebem, contêm.  Podem apertar, aprisionar, mas também podem libertar, deixando vir e deixando ir, ao ritmo do bebé, da criança, do adulto.

Com os (a)braços abrimo-nos ao outro e aceitamos recebê-lo e acolhê-lo em nós. Com os braços dizemos coisas simples como “eu estou aqui”, “aceito-te como és” e “quando fores, levarás este sentir dentro de ti”.

É por isso que devemos abraçar os nossos filhos. É por isso que nos devemos deixar abraçar. É por isso que os abraços são uma das melhores coisas do mundo. No abraço está a sintonia, a comunhão, o corpo rendido. E é por isso que os braços, têm um especial poder mágico. Não esquecendo, porém, que também com os olhos, o sorriso e a escuta, se pode abraçar a Alma de outro alguém.

Mas, estes mesmos braços, podem ainda viver em si fantasmas do passado e ansiedades do futuro. Só isso explica as inúmeras vezes que ainda se ouve dizer às mães: “não dês muito colo, olha que o bebé fica mal habituado” (como quem diz “cuidado com esse pequeno devorador de carinho”). Só isso explica que se guardem os abraços, “religiosamente”, para momentos específicos (casamentos, funerais, aniversários, etc), como se fosse necessário prevenir uma eventual escassez deste bem precioso. E também existem os braços que empurram, e empurram, e por mais que a criança volte (porque não é o seu tempo), os braços repetem para si mesmos “é importante autonomizar a criança”. Como se a autonomia de um Ser nascesse do desejo do outro (mãe/pai) e não de si mesmo (um contra senso).

Não deixe que os seus braços tenham medo, não deixe que os seus abraços sejam ansiosos mas, principalmente, não deixe que os seus braços estejam paralisados (por uma qualquer razão). O maior desafio não está em mudar, está em fazer escolhas. As nossas escolhas. Mas é também aí que está o maior poder. Na escolha do que queremos ser, ter e dar.  E nós pais, devemos perguntar a nós mesmos, como é que nos deixamos tocar. O que diz a nossa pele quando é tocada por outra pele? Como, e quem, é que eu abraço? Como, e por quem, me deixo abraçar?

E com as respostas a estas perguntas, podemos querer continuar, ou aprender, a fazer “magia”.

Um abraço bem apertadinho.

imagem@tavovaikas.lt

A chegada de um filho desperta dúvidas, medos e inquietações, mas também, inevitavelmente, muita felicidade e inúmeras expectativas. Todos os novos pais imaginam um futuro brilhante para a nova estrela que aí vem iluminar-lhes os dias (e agitar-lhes as noites!). Ao longo de toda a vida, os pais vão rabiscando, inventando e reinventando os sonhos que imaginaram para os seus filhos, mediante as respostas que os mais pequenos vão dando ao mundo que os rodeia…

Mas, e quando a criança não é capaz de responder com palavras? Quando essas palavras (que são a chave para as tão esperadas respostas que os pais tanto anseiam por ouvir) estão trancadas e codificadas na cabeça da criança, e por força das leis da Natureza não se escapam cá para fora? Esta é, talvez, uma das mais proeminentes frustrações do ser humano: tentar comunicar e não conseguir, ao passo que tentamos perceber e não conseguimos automaticamente compreender… Ficam por expressar dezenas de sentimentos, vontades e emoções, devido ao obstáculo natural da inexistência (temporária, ou não) da fala.

Para promover esta tão esperada comunicação, inevitável para o sucesso do relacionamento interpessoal, pois é como as pessoas se relacionam entre si (as trocas de ideias, de experiências, de sentimentos e de informações), têm sido desenvolvidos métodos de comunicação alternativa e aumentativa. Este processo realça formas opcionais e alternativas de comunicação que têm dois objetivos: desenvolver e promover a fala, e garantir uma forma de comunicação eficiente.

Pode considerar-se comunicação alternativa toda e qualquer forma de comunicação que seja diferente da fala e usada por um indivíduo em contexto de comunicação com outro, frente-a- frente. Como exemplo de meios alternativos temos os signos gestuais e gráficos, a escrita, o código morse, entre outros. Estes meios permitem (principalmente às crianças, mas também aos jovens e aos adultos) comunicar com o mundo que os rodeia quando a linguagem oral é ineficiente ou até mesmo inexistente. É um meio que é usado para comunicar com o outro que não a fala (comunicação oral).

No caso da linguagem aumentativa, visa promover e apoiar a fala, de forma a facilitar o desenvolvimento da mesma.

Estes meios alternativos e aumentativos permitem às crianças tornarem-se independentes, pois conseguem assim expressar de forma autónoma os seus interesses e as suas vontades, bem como os seus medos e receios; permite-lhes “dizer” as pequenas palavrinhas que estariam de outra forma trancadas nas suas pequenas cabecinhas.

Quando esta realidade bate à porta dos pais, a palavra de ordem passa a ser “Acreditar”, pois o caminho é longo e trabalhoso, mas sempre com uma luz de possibilidade e esperança, vinda da estrelinha que veio alegrar tanto os seus dias e agitar tanto as suas noites.

É fundamental redirecionar os sonhos e as expectativas para promover o desenvolvimento e a comunicação das crianças, tanto entre elas, como com os pais e restantes adultos presentes nas suas vidas, bem como redefinir pequenas ideias, dando-lhes assim confiança e segurança para comunicar com os seus pares e promover o bem-estar destes pequenos humanos.

Porque na diferença também há lugar para a felicidade!

Por Lídia Fernandes, para Up To Kids®
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Uma das queixas que mais ouço dos pais de adolescentes, é a de que eles não falam. Os pais tentam puxar algum assunto e nada. Muitos pais (e com toda a razão) ficam preocupados com este silêncio.

Falar é fundamental. Queremos estar inteirados das suas desventuras, dos seus sonhos, mas também sabemos que falar desenvolve a consciência.

Aqui vão dez pistas para colocar os adolescentes a falar.

1 – Lembre-se, a adolescência é uma fase difícil…
Pelo simples facto de estar preocupado com o seu adolescente, isso já é positivo. Por outro lado, não leve demasiado a peito este comportamento dele, provavelmente não está a falhar como pai ou como professor.

2 – Procure falar de si, para poder ouvi-lo falar dele.
Demasiadas vezes começamos as frases com “Conta-me o teu dia…” ou “Fala-me dos teus amigos…”. É importante o esforço de iniciar as frases por “eu”. Fale dos seus problemas, fale do seu dia, fale dos seus amigos e dê o exemplo. Claro que não é desejável que se transforme num adulto “secante”, capaz de falar do passado durante horas. No entanto, se oferecer um bom assunto, pode ser que receba na mesma moeda.

3 – Enfrente as suas vulnerabilidades sempre que desejar comunicar com um adolescente.
Ao contar episódios onde mostra algum erro ou alguma fraqueza, passa a ideia de que é humano e isso é positivo. Há quanto tempo não partilha um erro?

4 – Seja curioso.
Qual é a série que o adolescente costuma assistir?
Como se chama o pai do cantor preferido dele?
Descubra isto ainda hoje e tenha um tema de conversa.

5 – Evite ser demasiado crítico em relação aos gostos do adolescente.
Não será necessário invocarmos (até porque é polémica) a expressão “gostos não se discutem”, mas se for demasiado crítico, só irá afastar o adolescente.

6 – Faça perguntas. “O quarto está desarrumado” vs “O que podes fazer para melhorar o aspeto do teu quarto?” ou “As notas estão uma tristeza” vs “ Como te posso ajudar a estudar melhor?’”. As perguntas abrem pontes. As perguntas levam as soluções.

7 –  O adolescente não é o que fez, o adolescente não é uma ação.
Aprenda a distinguir “o que ele fez”, daquilo que “ele é”. Lembre-se: quanto melhor fizer esta distinção, mais hipótese está a dar ao adolescente de se desenvolver de forma saudável.

8 – Tenha os seus valores bem claros.
Se puder, escreva-os. Um adulto com valores (definidos e escritos) consegue educar melhor.
Um adolescente com valores, estará mais apto a comunicar.

9 – Se tiver demasiados constrangimentos, defina alguém de confiança para o ajudar a abordar as questões da sexualidade com o adolescente. Entendas as razões profundas das suas limitações sobre este tema. Se fizer esta reflexão, vai ficar um pouco mais apto para falar.

10 – Reescreva “O Principezinho” mas desta feita com um adolescente em vez de uma criança.

Leram o artigo que publicamos ontem, e agora pensavam que não havia nada para os pais? Se sim, estavam certos, por isso, hoje a nossa redação apressou-se a fazer esta lista para os nossos “PAItásticos”. Espero que gostem.

  1. PAIsana
    É aquele pai separa a vida profissional da pessoal de tal maneira que, no escritório, ninguém sabe que tem filhos. É workaholic e no fim do dia tem sempre tempo para um copo com os clientes como se não tivesse ninguém à espera em casa. É o mestre dos disfarces no que toca a parentalidade.
  2. aPAIxonado
    É aquele pai babado que quando está com os filhos não os larga: ora são umas cócegas, ou uns beijos bem aviados nas bochechas ou umas festas calorosas pelo cabelo. Quando está sem os miúdos, não há tema senão os filhos dele!
  3. aPAIziguador
    É o pai que desculpa tudo. Sempre que os miúdos fazem asneira ele está lá para meter a água na fervura! Releva tudo! Parece que tem a idade dos filhos e faz caixinha com eles para apaziguar as asneiradas!
  4. PAIteta
    Não sabe fazer nada sozinho. Não sabe das fraldas, não sabe dos biberons, não sabe preparar o leite, não sabe as medidas, não sabe da água, não sabe nada. Precisa de ajuda da mãe para tudo. E quando tem todo o material à mão para mudar uma fralda pergunta “Já que estás aqui não queres mudar tu, que fica melhor?” Pedir já sabe, não é?
  5. ComPAInheiro
    Acompanha os filhos a todo o lado. É o pai companheirão quer-queiras-quer-não. Vai com os filhos à explicação e espera lá fora, assiste a todas as aulas de natação e judo, senta-se no banco de trás nas aulas de conduçã, e só não vai aos jantares com as namoradas, porque há limites! (mesmo para o Compainheiro!)
  6. DesesPAIrado
    Este pai apercebeu-se que está casado há 10 anos e está desesperado por se sentir um jovem outra vez. Está desesperado por sair à noite, desesperado por beber uns copos, desesperado para não ter horários, nem crianças para levar à escola, desesperado por uma vida que não é a dele!
  7. PAIcifico
    Este é o aquele pai tranquilo, zen. Leva os filhos para todo o lado, andam descalços sempre que podem, acampam na praia e comem o que houver, desde que seja biológico! Tudo é tranquilo, e faz questão da passar esse estilo de vida aos filhos.
  8. DePAIprado
    Está sempre de rastos. Trabalha imenso é mal pago e chega tarde a casa. Às vezes pensa em atirar tudo para trás das costas, mas quando olha para os filhos lembra-se do motivo pelo qual engole sapos todos os dias! E então faz tudo sentido!
  9. PAItinho
    Acredita em tudo o que os filhos lhe dizem. Vai ser sempre enganado na quantidade de gomas comidas, nas notas dos testes, e nas horas a que chegaram a casa na noite anterior. Mas é feliz porque nem sequer desconfia.! (Coitado…)
  10. CamPAIão
    Este pai é o melhor em tudo. Tem tempo para tudo. Trabalha, brinca com os miúdos, ensina-os a andar de bicicleta, leva-os ao cinema e adora fazer programas e lutas de almofadas. Nos momentos mortos dá banho a toda a gente, veste-lhes os pijamas entre cantorias e brincadeiras, É o Herói lá de casa. Até mesmo aos olhos da vizinhança!!

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Por Up To Kids®, baseado no texto 10 tipos de mãegnificas
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Como mãe estou preparada, ou assim o espero, para ver a minha filha ganhar asas e voar livremente, sozinha, enquanto descobre o seu caminho por si.

Pretendo dar-lhe as ferramentas necessárias para que faça as suas escolhas, mas tenho alguns receios que acredito que são transversais à maior parte dos pais:

Não poder acompanhar o crescimento de um filho
Quero estar por perto para presenciar as conquistas, das mais pequenas às mais significativas, os erros em que todos caímos, as certezas que se irão solidificar, a pessoa em quem se vai tornar. A simples possibilidade de (uma de nós) estar ausente deixa-me um aperto no coração.

Que um filho fique verdadeiramente doente
Sempre admirei os pais que acompanham filhos doentes – seja qual for a doença – a sua devoção, fé, coragem, mesmo quando as perspectivas são más. Ninguém está preparado para não conseguir proteger um filho de algo grave, que foge ao seu controlo, ninguém ensina como se deve agir. A minha consideração é gigante e desejo do fundo do coração não ter de passar por isso e que um dia esta realidade seja uma raridade.

Ver um filho fazer (más) escolhas que lhe condicionem a vida
Os nossos filhos, por mais que sejam parte de nós e tenham o nosso sangue a correr nas veias, são (ou serão um dia) seres pensantes independentes, com as próprias dúvidas, convicções e vontades. Todos nós, mais tarde ou mais cedo, tomamos más decisões. Torço para que sejam sempre lições – para os filhos e para os pais – e que no fim haja sempre uma luz para iluminar o caminho.

Ter uma má relação com um filho
É daquelas ideias que parecem impossíveis, mas se olharmos em volta vemos todos os tipos de relações, das mais cúmplices às mais esvaziadas de sentimentos. Nenhum pai sonhou um dia não ter uma relação próxima com um filho, não ser procurado numa situação de aperto, não ser um bom ouvinte, um bom companheiro. A vida às vezes encontra maneira de dar a volta ao que tínhamos como certo e torço para que se consiga sempre dar a volta à vida e alimentar da forma mais saudável e verdadeira a relação mais importante das nossas vidas.

Ter um filho cobarde
A cobardia tem muitas faces: está na violência doméstica, está no bullying, na cumplicidade e silêncio de quem assiste a uma injustiça e nada faz, está no seguir os outros porque não temos coragem para mostrarmos quem realmente somos, etc. Espero que os princípios mais importantes fiquem sempre gravados na cabeça e no coração dos meus filhos, para que por mais que errem, nunca sejam os cobardes que infligem sofrimento propositado a quem os rodeia – e em si mesmos.

Não conseguir ajudar um filho
Seja em que situação for, por falta de dinheiro, de tempo, de sabedoria, de “ferramentas”… Que nunca falhe a um filho meu.
Não controlamos nada. Somos pais mas continuamos a ser filhos e temos uma rede de relações que se deve basear no amor. Acredito profundamente que quando há amor se encontra a força necessária para ultrapassar tudo. Os dias menos bons. Uma notícia inesperada. As saudades. Aquele telefonema que andamos para fazer há uma série de tempo. A falta de paciência nos dias longos, o cansaço nos dias mais intensos.

Tenho muitos mais medos do que os que aqui admiti, mas não deixo que estes condicionem a forma como vivo a minha vida. Quanto muito permito que me ajudem a valorizar o que tenho e a investir no que não quero perder.

Porque nenhum medo deve ter o poder de nos impedir de sermos melhores: pais, amigos, namorados, filhos, colegas, seres humanos.

Porque nenhum medo deve ser maior que a esperança.

Nenhum medo deve ser maior que o amor.

Por Marta Coelho, para Up To Kids®
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