A minha mãe está sempre comigo. Principalmente quando está escuro.
A minha mãe não precisa de ouro, nem de incenso. Ela precisa de saber que estou bem.
A minha mãe é um sorriso interior. É um sol pequenino. Concentrado.
A minha mãe é a lembrança de uma torrada impossível de ser replicada, de um entardecer inundado de calma e a lembrança de que todas as mães são a raiz.
A minha mãe é a culpada de tudo. Principalmente das coisas boas.
A minha mãe está nos meus melhores gestos como pai. A minha mãe é a avó mais capaz de encher um balão com surpresas. Assim, os aniversários são mais surpreendentes.
A minha mãe é férias de verão. E é o meu roer de unhas.
A minha mãe é o lugar seguro do surpreendente meu pai. Ela é o sal dele. E a maçã.
A minha mãe é a memória muscular que me faz estar em forma, porque me alimentou bem. Sempre que pôde.
A minha mãe está…longe. Há um mar no meio. Uma mar com lágrimas, como no poema. A minha mãe nem sempre tem internet onde está…A minha mãe sente a minha falta, a falta dos meus filhos, da sua nora e de alguns grandes amigos. Apenas para dar exemplos. Porque há outras pessoas a fazer ainda mais falta.
A minha mãe faz-me quebrar as réguas todos os dias. A distância não se mede assim! A minha mãe, usa métodos telepáticos mais evoluídos e capazes do que a vulgar internet.  A minha mãe faz-me incinerar a cada instante a palavra “falta”.
A minha mãe é a lembrança da minha avó. É o sorriso bom dela.
Voltando ao início, a minha mãe é vários tipos de luz. Um dia faltou a luz e vi tudo claro, porque ela está comigo. Na semana passada tive um dia tão difícil e aquela luz fez-me ficar concentrado. Amanhã se tiver medo do futuro vou ver uma luz como guia.
A minha mãe é uma luz.
A minha mãe é pessoa para ter ficado chateada quando eu disse que ela era o sal do meu pai, porque sal é que não! A saúde primeiro!
E é a luz que derrete a neve como na minha composição do primeiro ciclo. Aquela neve má que prende os movimentos, aprisiona a criança impedindo-a de ir para casa e para o colo da mãe.
A minha mãe é o meu nariz. Ou o meu nariz é da minha mãe…Mas se descobrisse que tinha sido adotado, era minha mãe na mesma. Mãe é amor.A minha mãe é o colo da minha alma.
A minha mãe é luz.
Ainda bem.
É que a criança na neve, sou eu.

Por Alfredo Leite, Mundo Brilhante, 
para Up To Lisbon Kids®

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Meu amor,

Não sabes que és fruto de um amor com mais de uma década, que começou com dois miúdos (um de dezanove e uma de dezassete anos) que não sabiam nada da vida mas sabiam que queriam ficar juntos – sim, esses miúdos com quem vives agora.

Não sabes como os astros tiveram de se alinhar e o pai e a mãe tiveram de crescer para estarem prontos para te receber – e ainda crescem todos os dias, contigo.

Não sabes como foste desejada e planeada, como a nossa vida recomeçou depois de teres nascido – um dia quente, uma noite mal dormida, poucas dores e depois tu no meu peito.

Não sabes que eras um bebé pequenino, sem espaço na barriga da mãe, e que tivemos medo porque ganhavas pouco peso de cada vez – e hoje és robusta, cresceste cá fora e que bom que é respirar de alívio.

Não sabes como era mágico ver-te dançar dentro da minha barriga, mesmo estando tão apertada – ninguém acreditava que com dezasseis semanas eu já te sentia, mas comunicámos sempre muito, só tu e eu.

Não sabes como és parecida com o pai e que já nas ecografias se adivinhava que eras a cara dele – se tiveres também o seu bom coração, o sentido de humor e optimismo então tens meio caminho andado para seres feliz.

Não sabes que a música que sempre te cantei quando estavas na barriga, que agora te faz sorrir instantaneamente é a música que cantava com o avô e que tem o mesmo efeito em mim – é uma das nossas coisas, só nossas.

Não sabes que o pai e a mãe são os melhores amigos um do outro e que isso faz toda a diferença porque nos conhecemos como ninguém – e um dia, se tiveres sorte, vais encontrar alguém assim.

Não sabes que todos os dias ultrapassas pequenos obstáculos, te desafias e que estás quase a gatinhar – é tão bom ver que não desistes.

Não sabes que essa impressão que sentes na boca é o teu primeiro dente a nascer e vais ficar abismada quando daqui a uns anos ele cair – e vais ficar linda desdentada.

Não sabes que o facto de acordares sempre a sorrir é um prenúncio de muitos acordares felizes que te esperam – espero que nunca mudes.

Não sabes que quando te mando ao ar e ris, nervosa, não te vou deixar cair – mas acreditas, confias.

Não sabes que há um mundo complicado e cheio de problemas lá fora – e ainda bem que és alheia a isso.

Não sabes que te vais apaixonar muitas vezes, ter a certeza de tudo, achar-te muito crescida e que nós não sabemos nada – todos nós o fizemos e, se calhar, vais ter de nos lembrar disso mesmo.

Não sabes o quanto vais errar – e só assim aprender.

Não sabes que vais sofrer por amor – e como depois tudo isso passa.

Não sabes como te vai custar perder amigos que achavas que eram para sempre – mas os que ficam vão fazer tudo valer a pena.

Não sabes como vai ser bom quando uma música ou um cheiro te fizerem viajar no tempo – viagens boas, viagens más, viagens…

Não sabes como é possível falar sem palavras – apesar de o fazeres todos os dias.

Não sabes o valor do perdão – e de como a vida é muito mais fácil quando deixamos o que não importa lá atrás.

Não sabes como é bom comer um gelado numa tarde de verão – mas pela maneira como comes a tua fruta adivinha-se que vais adorar.

Não sabes que vais amar muitas pessoas de formas muito diferentes – e que vai haver sempre espaço para todas.

Não sabes que vais sentir saudades e algumas vezes chorar por sentir falta de alguém – e que isso significa que esse alguém é ou foi muito importante para ti.

Não sabes como estarmos perto pode tranquilizar o dia mais agitado – o mais parecido é o que sentes quando choras e nos vês chegar ao pé de ti.

Ainda não sabes como o simples facto de existires torna o dia de tantos de nós mais feliz – pais, avós, tios, padrinhos, é só escolheres.
Não sabes como esperei toda a minha vida por ti.
Mas vais saber. A mãe encarrega-se disso.
Por Marta Coelho,
para Up To Lisbon Kids®

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Num dia tão solarengo como o de hoje, uma amiga que estava grávida ergueu os olhos e declarou: “nunca mais vou estar sozinha”.

Foi um misto de conclusão assustadora com um sentimento encantador. Era verdade na altura e será sempre.DSC06311

Sei que desde que a minha filha nasceu a minha vida mudou completamente. Todas as decisões que tomo têm de ter em conta não apenas a minha vontade, mas também as consequências que trarão para a vida dela. E é, de facto, assustador. Como podemos ter a certeza de que estamos a seguir o caminho certo? Uma pequena escolha pode determinar tanta coisa… Não sabemos, nunca saberemos, mas decidimos o melhor que sabemos, que conseguimos.

Ainda estamos a crescer. Ainda temos tanto para aprender e os nossos filhos são o veículo de uma das maiores aprendizagens. Vão fazer-nos pôr em causa as certezas absolutas que temos, aquilo que pensávamos em relação ao mundo e, tantas vezes, em relação aos nossos próprios pais. Tantas vezes ouvi a minha mãe dizer “filha és, mãe serás”. Hoje percebo-a como nunca e respeito e admiro todas as decisões que os meus pais foram tomando. Melhores ou piores, na altura tinham de ser tomadas.

Vou cometer erros. Vou ter mais paciência para umas coisas do que para outras. Mas espero que o saldo seja positivo.

Li algures que nada mata tanto os sonhos de uma criança como os seus pais. Temos de saber respeitar a criança que está diante de nós, que continuará a existir dentro do adulto que os nossos filhos serão. Perder a magia, perder os sonhos, é perder o rumo. Às vezes esquecemo-nos de brincar. Somos tão sérios que quebramos a proximidade com as crianças, fazemos com que cresçam no seu mundo, com que procurem outros abrigos. E é importante sermos o abrigo principal, sermos vistos como tal – mesmo que demore, mesmo que haja alguns anos em que parece que os amigos dos nossos filhos viraram a sua verdadeira família… Ou que essa função seja desempenhada pelas namoradas! É preciso dar asas para voar, manter as portas abertas, ser tolerante e forte, porque haverá alturas em que custa, em que não é fácil não ser a primeira escolha – mas todos passámos por isso enquanto filhos e é essencial que nos lembremos disso enquanto pais.

Um dia, quando a minha filha for crescida, espero que sinta que foi respeitada, ouvida, amada. Porque, mais ou menos presentes, faremos parte da vida uma da outra. Para sempre. E que bom que é.
Por Marta Coelho,
para Up To Lisbon Kids®

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Carta de uma mãe aos filhos

Um dia vão perceber o porque desta minha luta contra o tempo…
Crescem de dia para dia sem o meu consentimento.
Assim como vos crescem os pés e os sapatos deixam de servir, cresce o meu amor por vocês, amor desmedido, ilimitado…
Sou egoísta… que egoísmo o meu querer-vos só para mim.
Pergunto-me se estou a fazer um bom trabalho.
Procuro sempre ser melhor – fazer melhor é o maior desafio da minha vida.

Preparar-vos para o mundo.

Dei-vos asas mas estou aqui para vos ensinar a voar, para vou amparar as quedas e serei sempre o ninho onde podem pousar.
Pulem, corram, sonhem, fantasiem, desenhem, pintem, cantem, gritem, brinquem! Brinquem muito, brinquem tanto, tenham uma infância cheia de brincadeiras e aventuras para sempre a recordarem.
Cresçam ao vosso tempo, sem saltar nenhuma fase.
Falem, desabafem comigo. Tentarei dar-vos os melhores conselhos.
Não tenham medo de errar.
Sigam os vossos instintos, mas pensem duas vezes antes de agir. Por vezes é bom agir de impulso mas pode ter consequências, percebem nesta pequena frase a dualidade da vida? O quanto por vezes pode ser complicada? Ter duas escolhas? Que podemos seguir dois caminhos? Espero conseguir ensinar-vos qual o vosso caminho.
Não tenham medo de arriscar, façam o que gostam, escolham o que gostam, descubram a vossa vocação e tenham a profissão dos vossos sonhos, experimentem coisas novas, sempre aprendendo, vivendo, ampliando os vossos limites, transformando o vosso mundo.

Rir é bom, mas chorar por vezes também é.

Não faz mal chorar, não tenham vergonha de chorar, não se fechem em vocês próprios.
Faz mal esconder o que sentimos.
Sorriam muito por favor.
Não posso impedir que tenham problemas, tristezas e decepções, mas desejo que saibam vencê-las para depois valorizar os momentos bons.
Sejam responsáveis, pacientes, bondosos, generosos, sinceros, humildes.
Peçam desculpa se errarem – pedir desculpas e perdoar os outros, às vezes, é difícil, eu sei.
Preservem os bons amigos, não se deixem levar pelos outros – pensem por vocês.
Se caírem, levantem-se e comecem de novo, façam as vossas escolhas e quando elas não forem bem feitas, sejam resilientes e aprendam com os vossos erros.

Confiem em vocês, não desistam. Sejam persistentes.

Façam por serem respeitados e respeitem os outros.
Defendam aquilo que acreditam.
Aprendam a ouvir pontos de vista diferentes.
Observem à vossa voltam.
Valorizem aquilo que têm.
Olhem para as pessoas sempre do mesmo modo, independentemente do sexo, raça, classe ou religião.
Não guardem rancor nem deixem nada por dizer – Atenção, sinceridade e frontalidade é diferente de arrogância e prepotência.
Orgulhem-se dos pequenos feitos que forem conquistando pelo vosso esforço.
Aproveitem a vida, aproveitem tudo o que a vida vos proporciona, mesmo as coisas que são (quase) um dado adquirido, as coisas simples, as coisas pequenas da vida.
Nunca se esqueçam de, primeiro, amar a vocês mesmos.
Sejam amigos um do outro.
Sejam felizes!
Estarei aqui sempre por vocês e para vocês.
Com amor
Mãe

 

Por Vanessa Muchagata, originalmente postado em Crónicas de Uma Grávida acamada,
adaptado por Up To Lisbon Kids®
Todos os direitos reservados

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LER PRIMEIRO |  A VERDADE SOBRE TER UM TERCEIRO FILHO

A derradeira verdade sobre ter um quarto filho

Quando engravidamos do quarto filho, os mais velhos já são completamente autónomos mas o terceiro é ainda um bebé apesar dos seus quase 4 anos. Não sabemos que estamos grávidas até percebermos que aqueles 3Kg a mais não são por estar a entrar nos 40. Curiosamente sentimo-nos com a energia de uma adolescente, e aguentamos tudo com poucas horas de sono. Parece que estamos grávidas de 6 meses, no dia antes de parir. Já ultrapassamos a fase do stress, e agora adotamos uma postura zen, menos quando estamos a dormir que temos sempre um olho aberto por causa dos outros filhos.

Nesta fase somos super-heroínas

Nada nos afeta, e os enjoos nem tiveram coragem de se manifestar. Não há tempo para nada e mal descansamos por isso, quando é hora de refeição é hora de refeição, e não nos privamos de comer sobremesa sempre que nos apetece. O álcool sabe-nos lindamente até descobrirmos que estamos grávidas. A partir daí voltamos a enfrascarmo-nos em baldes de leite com chocolate. Compramos vitaminas no dia em que descobrimos que estamos grávidas e tomamos religiosamente todos os dias. Tudo o que ajudar a aguentar este ritmo é bem vindo. Redefinimos o conceito de tempo. É a gravidez mais curta da história e é contada em períodos escolares e férias grandes.

Ninguém se dá ao trabalho de nos dar conselhos ou informações sobre bebés

Preocupam-se a dar conselhos sobre contraceptivos. Todos assumem que somos loucas e que só pode ter sido um acidente. As pessoas acotovelam-se a apontar para nós no meio da rua, normalmente de sorriso na cara. Fazem questão de nos contar histórias sinistras sobre o terceiro filho que deixou de falar, comer ou fazer cocó quando nasceu o quarto. E sentiu-se incompreendido toda a vida por isso nunca conseguiu ter uma relação estável. O obstetra já nos conhece de ginjeira e falamos várias vezes por whatsapp.

Como a gravidez se pega, três ou quatro amigas também estão grávidas. As restantes, batem na madeira e continuam com uma vida social agitada.

Perguntam-nos, onde quer que vamos “É o primeiro?” Quando dizemos que é o quarto, ficam com cara de Mona Lisa, e acabam por soltar uma bojarda qualquer tipo:

“- Eh lá, isso é que é! Grande coragem… tinha só rapazes, era?”

– “Não, já tínhamos dos dois sexos, por isso devemos ser mesmo estúpidos por fazer mais uma criança!”

Lemos artigos sobre maternidade nas redes sociais e nos blogues e tiramos dúvidas nos grupos de mães.

A Criança vai ficar com o nome do pai ou da mãe ou do periquito. Montamos o berço ao lado da nossa cama e esperamos que o bebe caiba lá até aos 2 anos porque não há quarto para ele.

Já não temos quase nada de enxoval, mas as coisas vão aparecendo através de amigas e familiares. Mesmo assim fazemos questão de comprar cueiros e outras peças que duram um mês, porque na verdade estamos cheias de saudades de roupa tamanho zero.  Os miúdos passam a vida a ver televisão e já mal controlamos as gravações que fazem. Já não se fala sobre pierciengs e tatuagens: eles não falam sobre isso, nós temos tanto com que nos preocupar, que se algum aparecer com um mamilo furado é um mal menor. A Dora e o Ruca já desapareceram da nossa casa, e na verdade, até preferíamos que voltassem porque, pelo andar da carruagem, este bebé vai ser fã de DragonBall e Violletas aos 18 meses.

O bebé nasce. E sentimo-lo como se fosse o primeiro filho.

Este filho vai fazer-nos perceber a quantidade de amor de que um coração humano é capaz. Vamos olhar para os mais velhos com outros olhos, e perceber o doloroso que é estar longe deles. Vamos perceber que eles continuam a precisar de nós tanto como o bebé. Vamos ter de gerir o nosso tempo, porque a capacidade de amar multiplica-se, mas o tempo não!

Vamos confirmar que temos a capacidade de amar cada um deles. E que temos a capacidade de sofrer por cada desgosto deles. E  fazêmo-lo alegremente até ao último sopro. Ao nosso último sopro, esperemos.

Quando engravidamos do nosso quarto filho, as pessoas julgam-nos e criticam-nos.

Mas eu vejo sempre o copo meio cheio. E trazer uma vida a este mundo não é garantia de incertezas e tristezas ao longo de toda a existência. Para mim, é garantia de certezas (cada vez mais) e alegrias ao longo de toda a existência.

Eu fui mãe por amor. Amor ao meu marido, amor à nossa vida, amor ao nosso amor. Por querer estender e partilhar este amor. E sim, não planeei tudo, se querem saber… Mas isso nunca fez com que os meus filhos fossem menos desejados ou menos amados.

Se somos felizes assim?
Somos, felizes e completos.

Por Ines Pinto Correia, Todos os direitos reservados

“Mas também sou a mãe que desatou a chorar a primeira vez que o deixou de férias em casa da avó. Que dança e canta com eles como se ninguém estivesse a ver. Que lhes diz todas as noites que os adora.”

Eu sou a mãe que o pôs na creche com 3 meses.

Sou a mãe que esperava 10 segundos antes de ir a correr ver o que queriam.

A que fingia que não via quando ele caía no parque.

A que ignorava o menino que se metia com ele.

A que nunca pôs mais de 4 canais na única TV de casa.

A que não permite que o computador e o tablet sejam usados nos seus quartos.

Sou a mãe que nega prendas fora do Natal, aniversário ou dia da criança.

A que acha que a fada dos dentes só dá prenda nos 2 primeiros dentes.

A que só lhes dá doces no fim de semana e nas festas.

A que faz comidas que não gostaram antes para que se habituem aos sabores.

A que não os obriga a comer.

A que já a deixou ficar sem jantar e não lhe deu mais nada para comer até à manhã seguinte.

Sou a mãe que não carrega as mochilas deles.

A que lhes dá sacos de compras para levarem para casa.

A que não o leva à escola mesmo que esteja em casa.

A que não lhe dá beijos à porta da escola.

A que não lhe ajeita a camisola na rua.

Eu sou a mãe que não lhes faz as camas.

Que não arruma os seus quartos. Que não dobra as roupas deles nem as arruma nos armários.

Que não põe a mesa para o jantar. Que não leva o lixo à rua, mesmo que seja depois do jantar.

Sou a mãe que não pergunta se têm TPC.

Que não sabe quando têm testes.

Que não vê os TPC depois de feitos.

Que não sabe todas as notas de todos os testes.

Que o obrigou a ir às aulas extraordinárias por ter tido má nota no exame apesar de ter passado à disciplina.

Sou a mãe que insiste para que passem noites fora de casa desde bebés.

Que não telefona quando vão de férias com os avós ou para o campo de férias.

E que fica feliz muitas vezes em que não estão por perto.

Mas também sou a mãe que desatou a chorar a primeira vez que o deixou de férias em casa da avó.

Que lhes faz bolas de sabão para que rebentem.

Que lhe dá um beijo de “Boa noite” à força mesmo que ele não queira.

Que a põe a sorrir em 99% das vezes em que amua.

Que os vai buscar mais cedo à escola sempre que pode.

Que ficou com o coração nas mãos os 10 minutos que ele levou a chegar da primeira vez que andou sozinho na rua.

Que brinca com eles sem se preocupar com mais nada.

Que dança e canta com eles como se ninguém estivesse a ver.

Que lhes diz todas as noites que os adora.

E que se sente feliz por vê-los crescer independentes.

 

Há dias falei com um amigo de longa data. Daqueles que só falamos uma vez por ano, mas é como se tivéssemos falado ontem. O tempo passa e fica tudo igual. Perguntou-me pelos miúdos, e rematou com “quem diria, tu com quatro filhos”.

De facto, aparentemente ninguém diria, porque sempre que encontro alguém que não vejo desde os meus tempos de juventude “tu com quatro filhos…”. 

A verdade é que sempre quis ter muitos filhos mas nunca planeei nada. Eu sempre fui a miúda sem planos, a descomplicada deixa andar desta vida. O que tem de acontecer, acontecerá. Sem pressas.

Qual marinheiro, faço amigos onde quer que vá, e mantenho-os por perto. Uns mais outros menos, mas no fim, estão todos à distancia de um telefonema. Ligo o skype, está a chamar…o bebé chora, vou lá ver. Ouve-se: Então? Não está ninguém?…Se calhar são os miúdos… Grito: Espera, estou a mudar uma fralda… Já vouuuuu!
Falamos para os gadgets como se as pessoas estivessem ali, do outro lado da parede. Mas estão do outro lado do computador, no outro lado do mundo. E continuam a fazer o jantar e a ver o futebol, como se fossem uma extensão da minha casa, da minha família para a deles. No fim:… tu com quatro filhos”

Eu, com quatro filhos. Todos diferentes. Eu fui feita para amar quatro filhos. Eu fui feita para amar assim. Cada um dos meus filhos me ensina coisas diferentes, e quero continuar a aprender tudo o que de maravilhoso me podem transmitir. As crianças dão-nos lições de vida.

Não tive medo de ter mais filhos, mesmo depois de descobrírmos que um tem uma doença rara. Cardíaca. A dificuldade em diagnosticar foi imensa. Ele estava doente e tudo o que lhe era prescrito pelo médico, em nada mudava a sua condição. Eu via o meu filho a piorar de dia para dia e ninguém o conseguia ajudar. O seu coração estava a falhar em silencio, e eu não sabia. O sofrimento no diagnóstico foi, também,  imenso.
O seu filho tem a Doença de Kawasaki. 3 em cada 100 mil crianças são diagnosticadas em Portugal com esta doença

Como?… o que é que me está a dizer? – Primeiro a incompreensão depois os porquês.
-Lamento, mas sabe-se pouco sobre a doença, não há uma causa, não é contagioso, não é hereditário, e não há um teste diagnóstico. Também não há prevenção.
…com um nó na garganta: tem cura?
vamos com calma, já está diagnosticado. Agora vamos ver como reage ao tratamento…
O tempo, aqui, parou, com o meu coração.

Eu fui feita para amar assim. Todos os dias sofro por pensar no que lhe pode acontecer de futuro. Antes de atender um telefonema do colégio já estou de lágrimas nos olhos: atendo.  – Houve um acidente na aula de educação física… o seu filho partiu o braço. Respiro de alivio. Sorrio.

Cada conquista deles é uma alegria infínda em mim, e por isso suporto todas as suas dores, todos os seus medos, todas as suas angustias. Os amigos que já não são amigos, os crescidos que chateiam no recreio, as meninas que arranjam outro namorado do nada, o ser gozado por ser diferente.

Eu aguento tudo.

Porque eu fui feita para amar assim. Quatro vezes.

 

Por Inês Pinto Correia, Todos os direitos reservados

Não é um post com humor. Não é um post de uma lista de coisas. 

É um post que, para ler, requer coração. Amor. E, acima de tudo, compreensão. 
É normal nem tudo ser normal. 
Não amei a minha filha assim que a vi e quero que outras mulheres se sintam normais comigo e com elas. 
Depois de 9 meses contigo a crescer dentro de mim, sonhei em ter-te nua nos meus braços.
Já gostava de ti quando ainda eras só o bebé.
Antes mesmo de ter a certeza de que já estavas em mim, já te amava.
Quando decidimos ter-te, já estava apaixonada por ti.
Quando ouvi o teu coração bater pela primeira vez, chorei e apercebi-me que ias mudar a minha vida para sempre e para melhor.
Quanto te vi pela primeira vez,  prometi que te ia dar tudo, tudo o que tinha e não tinha, para sempre.
Quando te senti pela primeira vez, chamei-te filhota. Foi a primeira vez que comunicaste comigo.
Comecei a construir o teu quarto. A coreografar toda uma divisão com coisinhas para que te sentisses tão bem quanto possível, apesar de fora da minha barriga. Lavei toda a roupa que os avós te tinham comprado, estendi e passei.
Preparei o mundo cá fora para ser o melhor possível para ti. Só pensei em ti, a todas as horas nesses 9 meses.
Chegaram as contracções. Dor. Ansiedade. Medo, mas menos do que pensava, por saber que te ia conhecer.
Fui a sorrir para o bloco, apesar de ter dois caminhos de água salgada já seca até às bochechas.
Tinha o meu maior amor ao meu lado, na poltrona e o meu amor por conhecer, na minha barriga, pronto para sair.
Passado um dia, passadas dezenas de epidurais (ou lá o que eram), horas em “jejum”, uma infecção, uma ventosa… existes!
Existes e paraste de chorar. Deixaste de respirar. Respiraste outra vez. Foste para a incubadora, por estar mais quentinho.
Senti que queria ter mais um bebé, mas não me apercebi que estavas ali. O meu coração parou e, apesar de manter todos os meus outros sentidos, o sentimento não estava.
Tive noção de que algo não estava bem. Não senti. Não senti o que todas as mães dizem sentir:
“Fiz mal em ter engravidado?” “Não mereço ser mãe?” “E agora?” “Por que é que não estou a chorar de felicidade?” “O que se passa comigo?” “Estou doente?” “Sou doente?” “Não sinto nada”
Senti amor, sim, mas pelo pai quando te pegou ao colo.
“Por que é que o meu corpo está a torná-la invisível?” “Não vou poder falar sobre isto com ninguém, que vergonha” “Já sou má mãe e ainda nem acabaram de me coser”
Fui para o quarto, lá em cima. O pai foi mandado embora. E, sem me poder mexer, estando ainda o meu corpo a repetir todas as dores que senti ao longo das últimas 24 horas, sabia que estavas ao meu lado.
Além de não conseguir ir ter contigo, ou mexer-te, estava escuro. Mal te via. As outras mães estavam a descansar. Por que é que eu não te queria ter perto de mim? Por que é que nem pensei nisso? Tinhamos acabado de ser separadas e por que é que eu não sentia nada? 
Sentia-me apenas sozinha por não ter ali o teu pai. Além de ter ficado sem o bebé que amava (foi como se tivesse desaparecido), não tinha ali o meu melhor amigo.
Na segunda noite, não pudeste ficar comigo. Tiveste de ir com os enfermeiros. Não me fez confusão. E odiei-me por isso. Tive vergonha de não sentir nada. Tanto que me levantei para ir perguntar por ti, mas apenas para ninguém desconfiar que não sentia nada. Fui por obrigação. Por responsabilidade e não por amor.
Afinal não é sempre verdade o que as outras mães dizem.
Estava assustada. Insegura. Choravas e eu não sabia porquê. No dia seguinte já era para vir para casa e eu não queria, porque começava a ser mãe e não sentia nada.
Viemos.
Coxeava contigo de um lado para o outro, tinha-te ao meu colo, adormecias com a mama na boca, mas não conseguia falar contigo. Estava em piloto automático. 
Até que. Até que me apaixonei por ti…
ou…
… até que voltei a mim. 
Fui amando-te mais e mais todos os dias. Não me imaginava um único segundo sem ti. Tinha de estar sempre a olhar para ti. Não me conseguia mexer quando adormecias em cima de mim só para ter o privilégio de ouvir a tua respiração. Tinha todo o cuidado do mundo a mexer-te, não te fosses partir. Durante a noite sonhava que estavas no meu peito.
Sou Mãe. 
E, afinal, amo-te. Amo-te tanto quanto as outras mães que dizem que sentiram tudo de uma só vez.
Afinal não estou estragada e vou conseguir dar-te todo o amor que mereces e ainda mais.
Tenho saudades tuas e estás a dormir ali.
Choro agora de alívio, não estou estragada.
Vais ter a Mãe que mereces.

 

Às vezes choro por ti, meu querido.

Choro porque o mundo é tão grande e tu és tão pequeno que fico preocupada. Sim…, como eu me preocupo com a tua pequenez neste mundo imenso.

Choro porque és tão grande e eu sou tão pequena e quanto maior te tornas para mim, mais pequena eu me torno para ti e fico preocupada. Oh meu Deus, como eu me preocupo com a minha pequenez no teu mundo imenso.

Às vezes choro porque este amor é tão grande e o meu coração tão pequeno. E um coração repleto de amor, estranhamente, sofre  como um coração partido.

Às vezes choro porque fico emocionada com a tua beleza. Choro porque fico emocionada com a tua força.

Às vezes choro porque desde que tu existes eu desisti de uma parte de mim e embora, mesmo que pudesse eu não mudasse nada, às vezes sinto-me completamente perdida.

Choro porque a tua pele é tão macia e os teus olhos tão brilhantes e a tua alma é tão nova e o teu coração é tão aberto e eu sinto-me triste. Sinto-me triste porque eu sei que a essa inocência vai desaparecer de dia para dia enquanto cresces e passas por episódios estúpidos e desnecessários que eu não posso prevenir, porque és dolorosamente humano, como todos nós.

Às vezes choro porque precisas de ajuda e não há nada ao meu alcance que possa fazer.

O sentimento de impotência nos pais, é pior do que uma tortura, um pesadelo interminável ou o pior filme de terror de sempre.

Às vezes choro porque tenho de vestir a pele de adulta todos os dias. Porque a mãe, agora sou eu. E ser adulta e lidar com o sentimento de impotência ao mesmo tempo não é nada confortável!

Às vezes choro porque me sinto tão estupidamente cansada, não é com sono, mas sim cansada, que não consigo fazer nada. Nem sequer dormir.

Às vezes eu choro, porque sinto Deus sempre que te ouço a rir.

Choro porque o simples facto de existires é tão maravilhosamente bom, que não há risos nem gargalhadas que expressem a felicidade que sinto.

Às vezes choro porque todas estas coisas – as preocupações, as tristezas, a beleza, o ser adulta e tudo o resto, por vezes, é areia a mais para a minha camioneta. É muito mais do que eu consigo lidar. E tem de transbordar por algum lado.

Então, às vezes choro por ti. E por mim. E por este mundo imenso. E por milhares de outras terríveis e maravilhosas razões que não irás perceber até teres filhos. E te tornares um Pai.

Às vezes choro por ti, meu querido.

Mãe

 

Por Annie Reneau para Scary Mommytraduzido e adaptado por Up To Kids®

 

Todos os direitos reservados.

Nota:

Todos os textos traduzidos, adaptados e publicados pela UptoKids® obtiveram a autorização prévia do autor e/ou foram comprados os direitos dos mesmos.

Sabes que és uma mãe quando…

Foi perguntado às mãe no wemotherso que significa ser mãe. O que caracteriza este grupo tão heterogéneo, e que faz com que seja tão consistente. Foram milhares as respostas nos comentários. Ficam as melhores.

Sabes que és uma mãe quando fazes mais em sete minutos do que a maioria das pessoas ao longo do dia .

Quando horas felizes são aqueles 60 minutos entre o momento em que os miúdos adormeceram e a hora que vais para a cama

Quando uma noite de bebedeira requer maior recuperação do que uma operação cirúrgica menor.

Sabes que és uma mãe quando um copo de vinho, por vezes, conta como uma peça de fruta.

Quando fazes mini sessões de terapia ao longo do dia com qualquer pessoa que te dê conversa.

Quando ir ao supermercado sozinha é como ir de férias.

Sabes perfeitamente o que é estar no céu e no inferno ao mesmo tempo

Sabes que és uma mãe quando medes a dor física em três níveis, mínima, média e pisar um lego.

Tens a capacidade de ouvir um espirro através de portas fechadas no meio da noite, a dois quartos de distância, mesmo com um ronco tipo caldeira partida ao teu lado.

Preferes ter 40 graus de febre do que ver como qualquer um dos teus filhos sofrem com ela.

Quando preferes dormir do que fazer sexo.

Sabes que és uma mãe quando um banho de 15 minutos com a porta fechada é equivalente a um dia no spa .

Quando fazer xixi em público faz parte da rotina diária.

Quando usas toalhetes para limpar qualquer nódoa e painel de instrumentos.

Trancas-te na casa de banho e finges uma diarreia só para ter um momento de sossego.

Sabes que és uma mãe quando pertences a vários grupos de mães no FB e estás constantemente a dizer que tens de saír de lá.

Quando tens um esconderijo para os teus chocolates, porque na verdade não te apetece partilha-los com ninguém

Quando ficas três dias a lavar a mesma roupa porque te esqueceste de as pôr a secar.

Sabes que és uma mãe quando percebes que estás a ver desenhos animados sozinha, e os teus filhos estão na cama há meia hora.

Quando consegues fazer o jantar, amamentar, falar ao telefone e gritar com as crianças, tudo sem perder o ritmo ou deixar escapar qualquer programa de TV que estás a seguir.

Quando ficas mais entusiasmada com o novo catálogo de roupa infantil, do que com o de adulto.

Sabes que és uma mãe quando decides que vais ficar com o teu carro por mais uma década, porque:
a) não te podes dar ao luxo de mudar
b) Não encontraste um sítio que te saibam limpar manchas de vomitado e leite dos estofos do carro

Sabes que és uma mãe quando no fim do dia, escovar os dentes é uma grande conquista.

 

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Texto publicado em Huffingtonpost, Traduzido e adapatdo por Up To Kids®

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