Não compres guerras desnecessárias só para provares que tens razão.

Não deixes que o teu filho sinta que pode fazer tudo só porque erraste.

Não ameaces que vais gostar menos só porque o teu filho fez algo que não devia.

Não o faças sentir que gostas tanto dele só porque corresponde exactamente às tuas expectativas.

Não uses o teu filho como uma arma, não o manipules para ser dependente de ti, para te preferir aos outros.

Não autorizes que se torne um ditador por saber aproveitar as vulnerabilidades do ambiente que o rodeia.

Não deixes que os teus medos façam com que o teu filho seja menos do que possa ser.

Não deixes de seguir o teu instinto, mesmo que isso te traga alguns amargos de boca.

Não o impeças de estar com quem gosta, com quem gosta dele, por causa de conflitos que lhe são alheios.

Não lhe desculpes tudo porque o teu amor por ele é maior que tudo.

Não lhe peças tudo porque queres que esse amor seja retribuído de igual forma.

Não o defendas nas suas asneiras quando o que precisa é de ser orientado para que não as volte a repetir.

Não o acuses quando os seus erros são algo que escapa ao seu entendimento.

Não ponhas as culpas nos outros para aliviar a culpa do teu filho.

Não culpes o teu filho só para te sentires um bom disciplinador.

Não o pressiones a responder aos teus padrões quando claramente ele tem os seus próprios.

Não deixes o teu filho mandar em casa e impor as suas vontades só porque tem de ter liberdade de pensamento e acção.

Não grites com o teu filho quando o teu dia correu mal apenas porque ele tem de te ouvir e não pode ir a lugar algum.

Não permitas que use a sua frustração para te tratar mal.

Não aches que sabes tudo e permite-te aprender com ele.

Não lhe passes a sensação de que sabe tudo e que é mais que os outros.

Não o deixes comer tudo o que quer só porque assim é mais feliz.

Não o deixes deixar de comer o que precisa porque assim é mais feliz.

Não permitas que a televisão e os gadgets te substituam porque assim tens menos trabalho.

Não permitas que o teu filho use a televisão e os gadgets como substitutos dos outros com quem pode e deve relacionar-se.

Não obrigues o teu filho a falar do que o deixa desconfortável só porque és pai dele e tens de saber.

Não sejas tão ausente na tua vida do teu filho que o faças sentir que mais vale falar do que sente com os outros.

Não te deixes enredar pela falta de tempo, de paciência, pelo amor em excesso, pela culpa por não estares tão presente, por teres sonhado algo diferente para a tua prole.

Aconteça o que acontecer, não sejas esse tipo de pai. Procura o meio-termo. Por mais difícil que seja.

 

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Carta de uma mãe aos filhos

Um dia vão perceber o porque desta minha luta contra o tempo…
Crescem de dia para dia sem o meu consentimento.
Assim como vos crescem os pés e os sapatos deixam de servir, cresce o meu amor por vocês, amor desmedido, ilimitado…
Sou egoísta… que egoísmo o meu querer-vos só para mim.
Pergunto-me se estou a fazer um bom trabalho.
Procuro sempre ser melhor – fazer melhor é o maior desafio da minha vida.

Preparar-vos para o mundo.

Dei-vos asas mas estou aqui para vos ensinar a voar, para vou amparar as quedas e serei sempre o ninho onde podem pousar.
Pulem, corram, sonhem, fantasiem, desenhem, pintem, cantem, gritem, brinquem! Brinquem muito, brinquem tanto, tenham uma infância cheia de brincadeiras e aventuras para sempre a recordarem.
Cresçam ao vosso tempo, sem saltar nenhuma fase.
Falem, desabafem comigo. Tentarei dar-vos os melhores conselhos.
Não tenham medo de errar.
Sigam os vossos instintos, mas pensem duas vezes antes de agir. Por vezes é bom agir de impulso mas pode ter consequências, percebem nesta pequena frase a dualidade da vida? O quanto por vezes pode ser complicada? Ter duas escolhas? Que podemos seguir dois caminhos? Espero conseguir ensinar-vos qual o vosso caminho.
Não tenham medo de arriscar, façam o que gostam, escolham o que gostam, descubram a vossa vocação e tenham a profissão dos vossos sonhos, experimentem coisas novas, sempre aprendendo, vivendo, ampliando os vossos limites, transformando o vosso mundo.

Rir é bom, mas chorar por vezes também é.

Não faz mal chorar, não tenham vergonha de chorar, não se fechem em vocês próprios.
Faz mal esconder o que sentimos.
Sorriam muito por favor.
Não posso impedir que tenham problemas, tristezas e decepções, mas desejo que saibam vencê-las para depois valorizar os momentos bons.
Sejam responsáveis, pacientes, bondosos, generosos, sinceros, humildes.
Peçam desculpa se errarem – pedir desculpas e perdoar os outros, às vezes, é difícil, eu sei.
Preservem os bons amigos, não se deixem levar pelos outros – pensem por vocês.
Se caírem, levantem-se e comecem de novo, façam as vossas escolhas e quando elas não forem bem feitas, sejam resilientes e aprendam com os vossos erros.

Confiem em vocês, não desistam. Sejam persistentes.

Façam por serem respeitados e respeitem os outros.
Defendam aquilo que acreditam.
Aprendam a ouvir pontos de vista diferentes.
Observem à vossa voltam.
Valorizem aquilo que têm.
Olhem para as pessoas sempre do mesmo modo, independentemente do sexo, raça, classe ou religião.
Não guardem rancor nem deixem nada por dizer – Atenção, sinceridade e frontalidade é diferente de arrogância e prepotência.
Orgulhem-se dos pequenos feitos que forem conquistando pelo vosso esforço.
Aproveitem a vida, aproveitem tudo o que a vida vos proporciona, mesmo as coisas que são (quase) um dado adquirido, as coisas simples, as coisas pequenas da vida.
Nunca se esqueçam de, primeiro, amar a vocês mesmos.
Sejam amigos um do outro.
Sejam felizes!
Estarei aqui sempre por vocês e para vocês.
Com amor
Mãe

 

Por Vanessa Muchagata, originalmente postado em Crónicas de Uma Grávida acamada,
adaptado por Up To Lisbon Kids®
Todos os direitos reservados

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Há um fenómeno conhecido por gravidez histérica, ou psicológica, em que os sintomas da gravidez se manifestam numa pessoa não grávida. É mais comum em animais como cães ou ratos, mas também ocorre em mulheres e homens.

Eu não tive uma gravidez histérica. Espero eu, até porque passei nove meses a beber álcool pelos dois, o que faria de mim uma péssima grávida histérica. Mas, em retrospectiva, é bem possível que tenha tido uma ligeira depressão pós-parto histérica. Mesmo sem que a minha mulher tenha tido depressão pós-parto. É que é difícil explicar algumas atitudes que tive naqueles meses iniciais.

A verdade é que, durante os primeiros meses de vida do meu filho, esta casa não foi só pós-grávidas emotivas, mamilos em sangue e um bebé que dormia mal. Também havie eu. Um tipo cujas faculdades de bom senso se desvaneceram no ar. Sim, esse tipo era eu, e estas são as seis maneiras em que, tenho de admitir, me comportei como um atrasado mental nessa altura:

#1 – Anunciar que não queria ter mais filhos

Não há nada de chocante em alguém dizer que só quer ter um filho. A não ser que sejamos extremamente católicos, ou extremamente patrióticos, mas, nos tempos que correm, numa perspectiva pró-natalista, ter só um filho ainda é melhor do que não ter nenhum.

Sempre que era obrigado a ter a conversa dos filhos, eu concordava que, se fosse para ter, preferia ter mais do que um. Sempre se entretém um ao outro. Mas é possível que essa opinião se tenha alterado temporariamente passadas umas semanas depois de ser pai. E que essa opinião tenha sido transmitida à minha mulher, com ar de lunático e certeza maníaca, em palavras não muito distantes de É QUE NEM PENSAR QUE VAMOS TER MAIS FILHOS NÓS NÃO VAMOS CONSEGUIR PASSAR OUTRA VEZ POR ESTES TORMENTOS E ANSIEDADES CONSTANTES  É IMPOSSÍVEL E A RESPONSABILIDADE? IMPOSSÍVEL! OUVISTE? IMPOSSÍVEL!

E também é possível que esta demonstração de profundo terror pela ideia da paternidade não fosse a coisa mais inteligente, sensível e humana de transmitir a alguém que estava a viver a maternidade de forma apaixonada e natural (e que não sabia ter casado com um lunático).

#2 – Ser irritante com a desarrumação da casa

O regresso ao trabalho depois do primeiro mês não foi fácil. Ter de passar a maior parte do dia longe do filho e da mulher, depois de quatro semanas em que se começa a criar a primeira ideia de uma família maior que dois, é duro.

O que também não foi fácil foi ter sido precisamente nesse fase de transição que o meu eu obcecado por limpezas (um indíviduo que nunca tinha tido o prazer de conhecer) fizesse questão de aparecer. Aparentemente, o choque de voltar a trabalhar, chegar a casa cansado, e deparar-me com um cenário apocalíptico de roupa, fraldas e toalhitas, sujas ou não sujas, e outros objectos espalhados por cadeiras, móveis e sofás, provocou em mim um trauma de alguma severidade. Como naqueles filmes toscos dos anos 80 em que alguém batia com a cabeça e mudava de personalidade, fez surgir em mim um obsessivo compulsivo que, sempre que chegava a casa, fazia questão de passar a primeira hora a apontar objectos e coisas fora de sítio.

Este tipo obcecado nem me deixa perceber que o melhor era deixar-me de merdas, e entender que estar sozinho em casa com um bebé um dia inteiro é um actividade esgotante e que o tinha de fazer era aproveitar aqueles momentos para estar em paz e sossego com a sua família. Ainda que fosse no meio da porcaria.

#3 – Pensar que o bebé veio matar todos os sonhos que nunca tive

A crer pelos argumentos de alguns filmes e pela conversa de bêbado de alguns amigos meus, há muitas pessoas que casam com  a sensação de não terem aproveitado a vida ao máximo, de terem ainda coisas para viver e experienciar, sonhos e projectos incompatíveis responsabilidades e compromissos duradouros.

Não tive nenhuma dessas sensações quando casei, mas como o cérebro é um crápula que nos ataca sem aviso essas sensações apareceram logo na altura da paternidade. E como aos 33 anos já não tinha idade para poder sonhar com uma carreira de sucesso como desportista, músico ou youtuber juvenil, o meu cérebro decidiu lamentar coisas bizarras, como já não poder viajar como um nómada pelo mundo inteiro, coleccionando experiências de vida e tendo pensamentos profundos.

E este é o mesmo cérebro que, nas vezes em que cheguei a viajar sozinho, se entretinha a passar os dias a encher-me a cabeça de estupidezes a tal ponto que voltava dessas viagens sempre farto de mim. Isto para não referir que discutíamos sempre ao jantar, eu e o meu cérebro, nestas viagens solitárias (hoje em dia, com smartphones, a coisa fica mais fácil).

#4 – Achar que tinha direito a dormir noites inteiras

O acordar durante a noite nunca foi uma questão muito relevante dado o facto do Mexicano a) ser amamentado, b) ter completo e total desprezo pelos padrões naturais de sono, e  c) ter completo e total desprezo  pelos padrões naturais de sono dos pais. Isto implicava que a mãe tivesse de estar muito mais atenta ao choro nocturno, excepto se fosse claro e necessário que o problema implicasse uma mudança de fralda ou outra coisa que não fossem seios lactantes.

Sabendo disto, a poucos dias de regressar ao trabalho, houve um dia em que eu resolvi escalar um nível de anormalidade a tudo o que já aqui foi exposto, e anunciei solenemente à minha mulher que: “Agora que vou voltar a trabalhar, é apenas justo e natural que fiques tu e somente tu responsável por qualquer actividade que implique sair da cama à noite”. Vejam só a moral de um tipo que passa o ano a dormir uma média de 5 horas por semana para depois querer acordar às 13 horas de um Domingo, se virar para uma mulher que está a passar pelo que é provavelmente um dos meses mais exigente da sua vida, onde depois de uma sessão de tortura de oito horas que culminou com a expulsão de uma espécie da cabaça através da bacia óssea, se vê mergulhada em várias semanas de privação de sono.

#5 – Culpar a minha mulher por se sentir cansada

O facto de ser um idiota não quer dizer que não seja bem-intencionado, mas um idiota bem-intencionado não deixa de ser um idiota.

Perante a imagem de uma mulher sujeita às duras realidades da privação do sono, incapaz de dormir mais do que três (quatro numa boa noite) horas seguidas, e condicionada ao longo do dia por uma roleta russa de sestas que oscilavam entre os 15 minutos e uma hora, achei por bem partilhar – mais do que uma vez – a seguinte pérola de sabedoria: “é natural que te sintas cansada, não estás a aproveitar os momentos em que ele dorme para aproveitares para dormir também!”.

O que, no fundo, também poderia querer dizer: “além de implicar que consegues adormecer sempre que for necessário, tens de abdicar que qualquer momento que possas querer reservar para ti, seja para tomar banho ou fazer o almoço, ou consultar o facebook, e passá-lo a dormir para recuperar o tempo perdido – É LÓGICO!

#6 – Comportar-me como um vilão de telefilme de domingo à tarde

Quando estava a falar à Ana nas ideias principais deste post, entre risos (mútuos) e pedidos de desculpa reiterados (meus), ela relembrou-me um episódio de que eu tinha feito todos os possíveis para apagar da memória (não em lembrava mesmo dele), e que é bem capaz de significar o ponto alto destes processos de tumultos mentais. Eu estava no computador a tentar perceber em quantas facturas de atraso é que já ía o Meo, e a Ana pediu-me para segurar o Mexicano  com alguma urgência, porque tinha de fazer qualquer coisa, ao que eu respondi que não podia porque estava ocupado.

Perante a insistência dela e aquele tipo de pergunta meio incriminadora de ”podes por favor pegar no teu filho?”, eu terei – alegadamenteexclamado vociferado algo do género: “não, agora não posso porque o meu filho não paga contas!”.

É verdade que nunca me tinha sentido muito preparado para ser pai, mas lembro-me de ter passado os nove meses da gravidez a interiorizar que muita coisa ia mudar, que os primeiros meses iam ser terríveis, dramáticos, repletos de privação de sono e ânimos sensíveis. Mas o que acabei por subestimar foi mesmo o impacto emocional da paternidade. O peso de um amor que começa por tomar uma forma mais instintiva do que pessoal (no meu caso), e o peso de uma responsabilidade brutal que também vem amplificar angústias, medos e fragilidades do ser humano.

Eu também gostava de não pensar tanto nas coisas, mas há alturas em que é mais difícil . Só que depois o miúdo espirra, ri-se ou estende os braços na nossa direcção, e percebemos que há mais uma enorme razão no mundo para que tentemos ser o melhor de nós próprios, e é uma razão que nos enche de coragem, força e calma. E há uma pessoa ao nosso lado que nos percebe, e nos ajuda. Não tenho dúvidas de que passámos (e sobrevivemos) estes dias, que também tiveram muitos bons momentos, mais fortes, mais unidos. Como uma família

Por André Lapa, originalmente postado em à Paisana,
autorizado para publicação em Up To Lisbon Kids®

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Antes de ter filhos acreditava que quando as crianças se portavam mal, ou eram mal criados, ou faziam coisas nojentas, havia qualquer coisa em casa que não funcionava bem. Obviamente os pais não sabiam educar uma criança. (Posso voltar atrás no tempo e esbofetear-me?)

Agora eu sei que, provavelmente, eram crianças comuns e os seus pais estavam tão chocados como eu com o comportamento deles. Porque independentemente da educação que damos há coisas que as crianças fazem.

  1. BIRRAS
    O que é que me fez pensar que é possível calar uma criança a meio de uma birra? É como tentar parar um comboio. Um comboio barulhento. Um comboio barulhento, descontrolado e desenfreado que vem na nossa direção, e tudo o que podemos fazer é atirar-nos para os trilhos para o tentar parar. Podes tentar falar calmamente, devagar, mas… é um comboio descontrolado! Boa sorte!
  2. LAMENTAR-SE
    Eu já disse aos meus filhos 5.387 827 vezes “Eu não percebo nada quando falas assim” mas eles continuam. A sério, as crianças não falam assim porque resulta. Eles falam assim porque gostam do som da sua voz a lamentar-se. E por causa do Ruca.
  3. NÃO RESPONDER
    Não dar resposta, pura e simplesmente, quando alguém fala com eles. Dois dos meus filhos não respondiam às pessoas, apesar das inúmeras conversas que tive com eles sobre o facto de isso ser falta de educação (consideração, respeito etc) Um deles responde na própria cabeça e nem sequer se apercebe que não o disse em voz alta. O outro não responde se não tem nada a dizer. A timidez é difícil de superar.
  4. NÃO DORMIR A HORAS
    O meu filho mais novo é uma coruja. Ele chega a ficar 2h30 às escuras no quarto e não dorme. A sério, 150 minutos é muito tempo. Ele fala sozinho, canta, e ocasionalmente chama-nos para dizer que não está a dormir (como se não tivéssemos percebido) É indiferente se tivemos um dia muito agitado ou não. Por mais calmas e relaxantes que sejam as rotinas de ir para a cama, ele simplesmente não adormece. É dele.
  5. FALAR ALTO
    Algumas crianças não têm controlo do volume. É sempre no máximo. Não precisam de estar a gritar ou a berrar. A voz delas é assim, fura o ar! Até a sussurrar é num tom muito alto. E não há nada que se possa fazer quanto a isso, senão amordaça-las.
  6. MENTIR
    Um dos meus filhos é naturalmente honesto. Eu também era assim em criança, lembro-me de mentir à minha mãe uma vez e ainda me sinto mal por isso. Mas os outros dois já brilharam no palco dos miúdos aldrabões, apesar de falarmos com eles e lhe tentarmos ensinar a importância de ser honesto desde muito cedo.
    Eu nem queria acreditar a primeira vez que um dos meus filhos me mentiu descaradamente. Como é que ele pode? Dizem que é sinal de inteligência! Claro, vamos entrar na onda. Sempre é melhor do que o pensamento “O meu filho é um sociopata”
  7. TIRAR MACACOS DO NARIZ
    Todos os miúdos que conheço o fazem. Em casa ou em público. Normalmente passará com a idade, mas até lá é uma batalha diária, que por vezes dura meses.  Às vezes vejo-os ali sentados simplesmente com o dedo enfiado pelo nariz adentro. Nem sequer o mexem. É nojento.
  8. NÃO LAVAR AOS MÃOS DEPOIS DE IR À CASA DE BANHO
    Lavar as mãos fazia parte da rotina de treino para tirar fralda: íamos à casa de banho, cantávamos o abc, falávamos sobre germes e lavávamos as mãos.
    E mesmo assim, levou uns seis ou sete anos até que se habituassem a lavar as mãos quando começaram a ir sozinhos à casa de banho. E eu tornei-me numa mestra em cheirar mãos de crianças!
  9. MASTIGAR COM A BOCA ABERTA

CHOMP. CHOMP. CHOMP.

-Mastiga com a boca fechada, sff

10 segundos depois.

CHOMP. CHOMP. CHOMP.

-Querida, mastiga com a boca fechada, sff.

10 segundos depois.

CHOMP. CHOMP. CHOMP.

-Princesa, não comas de boca aberta!

10 segundos depois.

CHOMP. CHOMP. CHOMP.

-A sério, já te pedi para não mastigares de boca aberta. E se vais a casa de alguém, mastigas assim?

-Eu não como assim na casa das outras pessoas.

(Olhar vazio)

-Bem, então também não comes assim cá em casa, entendido?

10 segundos depois.

CHOMP. CHOMP. CHOMP.

É como falar para uma parede.

        10. TODA AS OUTRAS COISAS NOJENTAS

Estávamos em casa de uns amigos no outro dia, e encontrei em cima do balcão da cozinha as meias sujas do meu filho. Meias sujas do MEU filho. No balcão de cozinha. Na casa dos meus amigos. Não era do meu filho mais novo, mas sim do meu mais-de-dez-anos-e-que-já-deveria-ter-juízo filho. Eu nem sabia o que fazer com aquilo.

Imaginem um miúdo de uma família super simpática, com uns pais ótimos a fazer xixi na escova de dentes do irmão. Sim, isso aconteceu mesmo.

O nosso filho de 5 anos, no ano passado, basicamente lambeu a Disney world de uma ponta à outra. Tive de lhe dizer repetidamente para tirar a boca de todos os corrimãos que passávamos. Eu nem sequer sou germafóbica, mas juro que cheguei a ficar mal disposta com aquilo.

Tantas. Coisas. Nojentas.

Ensinamos aos nossos filhos estas coisas? Não. Eles aprendem com outras pessoas? Talvez. Nós damos o tudo-por-tudo para ensiná-los bem? Sim! Será que resulta sempre? Claro que não.

Há uma razão para se demorar 18 anos (ou mais) a criar seres humanos responsáveis, sociavelmente adaptados e 100% asseados.

Vamos cruzar os dedos!

Por Annier Reneau para Scary Mommy,
traduzido e adaptado por Up To Lisbon Kids®

Todos os direitos reservados

Nota: Todos os textos traduzidos, adaptados e publicados pela Up To Lisbon Kids® têm a a autorização do autor e/ou foram comprados os direitos dos mesmos.

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LER PRIMEIRO |  A VERDADE SOBRE TER UM TERCEIRO FILHO

A derradeira verdade sobre ter um quarto filho

Quando engravidamos do quarto filho, os mais velhos já são completamente autónomos mas o terceiro é ainda um bebé apesar dos seus quase 4 anos. Não sabemos que estamos grávidas até percebermos que aqueles 3Kg a mais não são por estar a entrar nos 40. Curiosamente sentimo-nos com a energia de uma adolescente, e aguentamos tudo com poucas horas de sono. Parece que estamos grávidas de 6 meses, no dia antes de parir. Já ultrapassamos a fase do stress, e agora adotamos uma postura zen, menos quando estamos a dormir que temos sempre um olho aberto por causa dos outros filhos.

Nesta fase somos super-heroínas

Nada nos afeta, e os enjoos nem tiveram coragem de se manifestar. Não há tempo para nada e mal descansamos por isso, quando é hora de refeição é hora de refeição, e não nos privamos de comer sobremesa sempre que nos apetece. O álcool sabe-nos lindamente até descobrirmos que estamos grávidas. A partir daí voltamos a enfrascarmo-nos em baldes de leite com chocolate. Compramos vitaminas no dia em que descobrimos que estamos grávidas e tomamos religiosamente todos os dias. Tudo o que ajudar a aguentar este ritmo é bem vindo. Redefinimos o conceito de tempo. É a gravidez mais curta da história e é contada em períodos escolares e férias grandes.

Ninguém se dá ao trabalho de nos dar conselhos ou informações sobre bebés

Preocupam-se a dar conselhos sobre contraceptivos. Todos assumem que somos loucas e que só pode ter sido um acidente. As pessoas acotovelam-se a apontar para nós no meio da rua, normalmente de sorriso na cara. Fazem questão de nos contar histórias sinistras sobre o terceiro filho que deixou de falar, comer ou fazer cocó quando nasceu o quarto. E sentiu-se incompreendido toda a vida por isso nunca conseguiu ter uma relação estável. O obstetra já nos conhece de ginjeira e falamos várias vezes por whatsapp.

Como a gravidez se pega, três ou quatro amigas também estão grávidas. As restantes, batem na madeira e continuam com uma vida social agitada.

Perguntam-nos, onde quer que vamos “É o primeiro?” Quando dizemos que é o quarto, ficam com cara de Mona Lisa, e acabam por soltar uma bojarda qualquer tipo:

“- Eh lá, isso é que é! Grande coragem… tinha só rapazes, era?”

– “Não, já tínhamos dos dois sexos, por isso devemos ser mesmo estúpidos por fazer mais uma criança!”

Lemos artigos sobre maternidade nas redes sociais e nos blogues e tiramos dúvidas nos grupos de mães.

A Criança vai ficar com o nome do pai ou da mãe ou do periquito. Montamos o berço ao lado da nossa cama e esperamos que o bebe caiba lá até aos 2 anos porque não há quarto para ele.

Já não temos quase nada de enxoval, mas as coisas vão aparecendo através de amigas e familiares. Mesmo assim fazemos questão de comprar cueiros e outras peças que duram um mês, porque na verdade estamos cheias de saudades de roupa tamanho zero.  Os miúdos passam a vida a ver televisão e já mal controlamos as gravações que fazem. Já não se fala sobre pierciengs e tatuagens: eles não falam sobre isso, nós temos tanto com que nos preocupar, que se algum aparecer com um mamilo furado é um mal menor. A Dora e o Ruca já desapareceram da nossa casa, e na verdade, até preferíamos que voltassem porque, pelo andar da carruagem, este bebé vai ser fã de DragonBall e Violletas aos 18 meses.

O bebé nasce. E sentimo-lo como se fosse o primeiro filho.

Este filho vai fazer-nos perceber a quantidade de amor de que um coração humano é capaz. Vamos olhar para os mais velhos com outros olhos, e perceber o doloroso que é estar longe deles. Vamos perceber que eles continuam a precisar de nós tanto como o bebé. Vamos ter de gerir o nosso tempo, porque a capacidade de amar multiplica-se, mas o tempo não!

Vamos confirmar que temos a capacidade de amar cada um deles. E que temos a capacidade de sofrer por cada desgosto deles. E  fazêmo-lo alegremente até ao último sopro. Ao nosso último sopro, esperemos.

Quando engravidamos do nosso quarto filho, as pessoas julgam-nos e criticam-nos.

Mas eu vejo sempre o copo meio cheio. E trazer uma vida a este mundo não é garantia de incertezas e tristezas ao longo de toda a existência. Para mim, é garantia de certezas (cada vez mais) e alegrias ao longo de toda a existência.

Eu fui mãe por amor. Amor ao meu marido, amor à nossa vida, amor ao nosso amor. Por querer estender e partilhar este amor. E sim, não planeei tudo, se querem saber… Mas isso nunca fez com que os meus filhos fossem menos desejados ou menos amados.

Se somos felizes assim?
Somos, felizes e completos.

Por Ines Pinto Correia, Todos os direitos reservados

Depois que virei mãe, passei a conviver diariamente com medos até então desconhecidos ou nunca antes pensados.

Lembro-me como se tivesse sido ontem da primeira vez que senti medo. Foi no dia em que descobri que estava grávida. Quis comprar umas botinhas de bebê para contar para Saulo a novidade e como a loja era perto eu fui andando. Como tinha pressa decidi começar a correr, mas o corpo não obedeceu. Parei e notei que estava com medo. Medo de ir correndo tropeçar e cair no medo da estrada e ser atropelada! Vejam que exagero, mas esse exagero todo era porque eu estava com medo de perder o meu bebê. Naquele momento quase me achei louca e até ri de mim mesma, mas respeitei meu medo e fui andando calmamente. Mal sabia eu que aquele era o começo da minha relação intensa com um sem numero de “medos”.

Matheus nasceu e com ele nasceu um mundo de medos.

Um dos primeiros foi o medo de morrer… não por mim, não pela dor física da morte, mas pela dor de deixar meu filho… de não o ver crescer. Nunca até então tinha tido medo de verdade de morrer, hoje eu tenho pânico.

E o medo de perder? Esse então me aterroriza. Não consigo me imaginar perdendo meu filho  e queria que nunca ninguém tivesse que conviver com essa dor. E por causa do medo da perda, aparecem os  “mini medos”.

Quem nunca no pós-parto teve medo até de uma escada quando estava com o bebê nos braços? Eu tenho medo de descer uma escada com Matheus nos braços até hoje, e tenho mais medos desse tipo, mas com o tempo aprendemos a controla-los e a não pensar tanto neles.

Sabe outro medo que apareceu logo depois que Matheus nasceu? O medo de dirigir. Vocês não imaginam como eu tremi quando me vi pela primeira vez sozinha com Matheus dentro de um carro. Eu tremi na base, mas após alguns “passeios” eu aprendi a conviver com esse medo e hoje lido bem com ele. Ele ainda existe, eu o respeito, mas faço que não o vejo.

Matheus foi crescendo e com ele os medos continuaram aparecendo.

Qual mãe não conheceu o medo de falhar? Comigo não foi diferente. Sempre, desde o dia que ele nasceu que me cobro. Queria conseguir ser perfeita, mas descobri que nunca vou sê-lo e quando passei a saber lidar com a imperfeição, comecei a ter medo das consequências dos meus erros causados por ela.

Como educar é difícil… Você fica o tempo todo se questionando, perguntando se a educação que você está dando é a melhor, se a forma como está educando é a certa… Duvidas, e mais duvidas, e todas elas são culpa do medo de falhar.

Como é complexo viver quando se é mãe. É como se fossem dois seres vivendo num só.

Você quer voltar a ser você, mas o instinto materno fala mais alto, e voltar a ser você pode provavelmente te fazer errar mais, e com o medo de errar, você vice com medo de tudo, porque tudo na vida é feito de momentos onde tentamos acertar e frequentemente erramos.

Ser mãe é ter o curriculum cheio de medos… não tenho dúvida, mas também não podemos deixar de viver porque eles existem…

Medos nos desafiam, mas eles nos fazem chegar muita além do que a nossa mente se julga capaz.

E você? Já aprendeu a conviver com os medos?

 

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 (…ou um arrojado Guia em 12 Passos Para uma Relação Feliz e Sem Medo dos Lugares Comuns)

Minha namorada, minha mulher, minha querida,

As mulheres são assim. Conseguem ser espaço e floco de neve. És mãe, e ao mesmo tempo, és linda na forma como cortas o tomate para a salada.

1) Diga ao seu parceiro quais os pormenores que o fascinam. Faça-o já. Pode ser por SMS. Seja descritivo. E verdadeiro. Não invente um pormenor à pressa. E se for preciso, pense um pouco no assunto para ir ao fundo  do coração. Não tem parceiro? Exercite o seu músculo emocional e faça o mesmo, mas para um amigo.

No outro dia gabaram o meu cozinhado. Sabes porque saiu bem? Porque fiz a pensar em ti. Na verdade penso muitas vezes em ti. E tento mostrar-te, com uma sobremesa, ou uma história.

2) Pense no outro, mas mostre que pensa. Como o tem feito? Como materializou esse pensamento?

Vou tentar dizer mais vezes “vou lá fora por o lixo e no sítio certo para não haver multa”. Vou tentar ser menos impulsivo na resposta “está bem” e usar mais o “mas diz lá de novo para ver se entendi”.

3) Cumprir as promessas (fundamental) começa no cuidado usado na hora de prometer. Cuidado com o que sai da boca para fora. É o velho “pense antes de falar”.

Sei que há vários modelos de relação. Claro que há solteiros felizes e casados tristes. E o contrário. Mas também sei que sou apaixonado pela nossa paixão. Se não te conhecesse ia já á tua procura!

4) Menos sofá, mais relação. Mais amor e mais desamor. Menos “casas dos segredos”. Menos redes sociais. Coragem. Vida real. Negas. Entrega. Tentar. Não ter medo de ficar só. Não há pior solidão do que estar mal acompanhado. Há poucas coisas capazes de amargar mais as pessoas, do que partilhar a vida com alguém que apenas toleram.

Sabes que nem sempre os meus horários são fáceis. Mas amar-te dá-me energia!

5) Amar dá energia! Ame. Não se deixe vencer pelo cansaço.

Não tenho medo dos lugares comuns. São rosas, perfumes, postais…são pormenores. Faz parte. Não sou perfeito. Mas tento melhorar. E o nosso ritual meio secreto… Sabes? Esse é fundamental!

6) Pelo menos uma vez por ano, uma tarde num cobertor jogado na relva. Ou uma foto debaixo da lua cheia. Ou o nascer do sol. Piroso? Quem diz é quem é…

Os nossos filhos são lindos! Como esta carta é só para ti, posso dizê-lo sem falsas modéstias. Desde cedo foram imbuídos na dinâmica da nossa relação. Como sabemos que mais tarde ou mais cedo vamos concretizar a saída só a dois, não desesperamos quando ela não se concretiza, porque calhou não termos ninguém para ficar com eles. Amanhã os avós vão poder, ou os tios, ou os padrinhos…não desesperamos.

7) As crianças nunca podem ser culpadas do fim de uma relação. É o casal que tem que fazer por estar bem. Ser Egoísta e colocar os miúdos no meio de relações falsas, é dos piores atos de quem se diz evoluído. Essa cobardia de agir sem pensar a sério nos miúdos, é própria de personalidades pouco desenvolvidas. Não culpe as crianças dos vossos problemas.

Adoro que saibas falar também dos “grandes temas”. A velhice, a solidariedade, política…educação… Viver contigo não é só partilhar uma série em silêncio (o que também é bom) nem rir de parvoíces (igualmente bom) .

8) Saiba quais são os grandes temas que motivam o seu parceiro. Agite-o. Provoque-o .
Dentro de nós “há uma energia que nos motiva a procurar contato, ternura, intimidade…”. Viver essa energia é ser saudável.

9) Lembre-se do muito que ainda têm para fazer juntos. Se estiver sem parceiro ou parceira vá sozinho.
Ainda temos que aprender uma dança juntos. Zumba? Ou inventarmos uma. Por exemplo kizumba…mistura de…dá para entender. Ou frequentarmos um Workshop a dois.

10) Fuja das sombras. Ainda mais se foram cinquenta. Procure a luz dessa energia. Reencontre-se. Reinvente-se. Beije. Com todo o corpo, com toda a alma. Com todos os segundos. Isso é ser saudável! E ser cidadão ativo. Porque estando mais saudável, produz mais, adoece menos, melhora o país.

Agora que escrevo tenho vontade de te tocar. Uma festinha na cara. Um entrelaçar de mãos…

11) Leia sobre endorfinas. Sobre abraços. Torne-se especialista em abraços. E leia sobre ocitocina.
Partilhar contigo novas experiência é um dos meus objetivos. Obrigado por me teres entusiasmado. Obrigado pela pele de galinha. Obrigado pelo coração a bater. E pelo coração desenhado no vidro da casa de banho

12) Desenhe um coração na casa de banho. Também pode ser metafórico.


Por Alfredo Leite, Mundo Brilhante, 
para Up To Kids®

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Esta manhã passei-me. Saltou-me a tampa à séria.

Depois dos miúdos estarem vestidos para a escola, de pequeno almoço tomado, dentes lavados, mochila pronta, liguei a televisão.  Eu tenho uma regra que os miúdos só podem assistir a determinados canais. Há tanta porcaria na TV – espetáculos  para adolescentes e pré-adolescentes, novelas com crianças malcriadas geralmente com comportamentos ofensivos – e sinceramente já é suficientemente complicado manter os meus filhos sob controlo sem expô-los a esses tipos de influências e modelos. Portanto, a regra é, a mãe define o canal, e ninguém muda sem permissão. A Annebelle nunca, mas nunca cumpre esta regra. Assim que olho para o lado um segundo, já está de comando na mão a fazer zapping à procura de um programa qualquer com adolescentes wannabe. Foi o que aconteceu esta manhã. 30 segundos depois de eu ter ligado a televisão, ela já estava a mudar de canal. – Larga a Tv Annebelle! – e saí da sala.
A caminho da cozinha olhei para ela e já estava de comando na mão outra vez. E passei-me.

JÁ TE DISSE 1000 VEZES PARA NÃO MUDARES DE CANAL. VAI PARA O TEU QUARTO E NÃO SAIS DE LÁ ATÉ À HORA DE IR PARA A ESCOLA – Gritei e praguejei. – JÁ!. – Annebelle ficou parada a olhar para mim. – VAI!

Os miúdos estavam boquiabertos enquanto eu a perseguia literalmente até ao quarto. Ela estava um passo à minha frente e quando lá chega bate-me com a porta na cara. BATEU-ME COM A PORTA NA CARA? – Eu vou matá-la, murmurei. – MÃE! A mãe vai mesmo matá-la? A mãe disse mesmo isso? perguntou a Daisy em pânico.

ABRE JÁ A PORTA! – Ordenei. A Annebelle abriu a porta. – NUNCA MAIS NA TUA VIDA ME BATES COM A PORTA NA CARA, PERCEBESTE?

O Mike tenta acalmar-me. – Deixa-me em paz. Eu faço tudo por vocês – incluindo por ti, e ninguém me dá valor!

Eu sei… tanta coisa por uma criança de 8 anos mudar o canal de Tv, não é? Mas é óbvio que não foi por isso. Isso foi apenas a gota de água. Foi a minha filha de 8 anos mudar de canal depois de lhe ter dito para não o fazer. Foi o Finn a fazer birra durante o pequeno-almoço inteiro, outra vez. Foi o Joey, armado em vítima, e cheio de atitude porque ontem não o deixei criar uma conta no Instagram (ele tem 10 anos, pelo-amor-da-santa). São as brigas e as disputas o tempo todo. É só eu quero, eu quero, eu quero, e não fazem nada do que lhes peço. E eu apenas peço que ponham a mesa, ou que façam as suas camas. Oh meu Deus, pensavam que lhes pedia para arrancarem as próprias unhas ou algo do género, não? Basta o meu marido estar muito tempo fora, para eu me sentir completamente sozinha e não conseguir lidar com tudo ao mesmo tempo.

Não me estou a desculpar por me ter passado esta manhã. Eu até tenho vergonha. Gostava de  me ter controlado. E antes que comece a soar como a minha mãe, que achava que as crianças eram responsáveis pela felicidade/infelicidade dela, mas o ela/o adulto não era responsável pela deles, deixem-me só dizer que eu sei que as crianças são crianças, e que o comportamento deles não revela aquilo que nos querem transmitir. A sério que sei disso.

Por vezes, a maternidade é uma grande filha da mãe! E por isso é que se diz que ser Mãe não é fácil. Não por ser intelectualmente desafiante, ou fisicamente exigente… aliás, é as duas coisas. Mas existem outras ocupações muito mais rigorosas nestas áreas. Não é por requerer uma grande dose de coragem…aliás, requer, mas não tanto como ser polícia ou ser bombeiro. Não é nada disto.

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É porque ser Mãe é emocionalmente desgastante. E porque ser Mãe é incrivelmente ingrato a maior parte do tempo. E porque eu sinto que já sacrifiquei tanto por eles e ninguém me valoriza. É porque eu faço, e faço e faço, e parece que tudo o que recebo em troca são queixas de que nunca é o suficiente – ou sou completamente ignorada. Não estou à procura de elogios, prémios ou medalhas! Nem tão pouco, à espera do Obrigada! Seria apenas bom ter alguma cooperação. Um pouco de respeito pelas regras – regras que não são onerosas ou despropositadas!

E vocês, mães, sabem como é difícil admitir estas coisas. Toda a gente fala de quão maravilhosa é a maternidade e como nos completa e preenche. Às vezes, é. Mas outras vezes, não é. Eu nem sei muito bem o que é que me deu para escrever sobre isto esta manhã. Expor-me assim às criticas e aos julgamentos alheios. A estragar a imagem de mãe perfeita. Acho que não me quero sentir sozinha, talvez.

Depois de deixar os miúdos no colégio, cheguei a casa e percebi que a Annebelle tinha deixado a lancheira em cima da mesa. Quem é que acham que voltou a enfiar o bebé e o Finn na carrinha e foi lá levar o lanche?

Porque  é o que as  mães fazem.

Por Lisa Morgess, para Scary Mommy,
traduzido e adaptado por Up To Kids®

Nota: Todos os textos traduzidos, adaptados e publicados pela Up To  Kids® têm a a autorização do autor e/ou foram comprados os direitos dos mesmos.

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mãecoração

Eu hei de ser grande um dia. E fazer essas coisas esquisitas que as pessoas fazem quando crescem: Preocupar-me à toa. Adormecer a meio de um filme. Usar guarda-chuva. Comer verduras sem ser obrigado. Passar um Sábado de sol a limpar a casa. Resistir a um frasco de nutella. Achar a água da praia fria demais para entrar nela. Ir para uma fila de espera e ainda pagar no fim. Passar o dia a sonhar com a cama. Ou a semana a sonhar com o fim de semana. Dizer que não gosto de fazer anos. Nem do Natal. Nem do Carnaval. Meter-me no carro para ficar parado no trânsito. Engomar. Fazer dieta…

Sim, eu sei que um dia hei de fazer coisas esquisitas tal como todas as pessoas grandes, umas mais outras menos, acabam por fazer. Mas até lá deixem-me ser criança: Ser pago por uma fada sempre que me cai um dente. Saltar da cama às 7 da manhã aos Domingos. Inventar coreografias ao espelho. Decorar as letras das músicas dos desenhos animados. Disfarçar-me de um animal qualquer. Pode ser de ovelha. Fazer caretas enquanto como sopa. Imaginar que sou o Homem-Aranha. Ou a Rapunzel. Brincar no parque até ficar com terra nos bolsos. Observar insetos. E répteis. Levar os meus brinquedos para o banho. Jogar videojogos. Fazer desenhos na areia. Andar de bicicleta. Andar de carrossel. Fazer bolinhas de sabão. Acreditar no Pai Natal. Andar de gatas pela casa a ladrar. Ou a miar. Calçar os sapatos do papá. Desenhar um bigode na cara. Trazer amigos para passar a tarde. Rasgar as calças nos joelhos. Fazer um piquenique. Rebolar com um cão pelo chão. Fazer uma festa com um pacote de gomas. Ficar feliz só por vestir um casaco do Faísca McQueen. Imitar um palhaço. Rir de patetices. Acampar mesmo que seja dentro de casa. Pedir um desejo a uma estrela. Esconder-me debaixo da cama. Fazer malabarismo com duas laranjas.

Eu hei de ser grande um dia. Até lá deixem-me seraquilo que sou: uma criança. Uma GRANDE CRIANÇA!

* Texto escrito durante uma longa viagem noturna com a ajuda de três pequenos colaboradores com hábitos nada esquisitos.

Há dias falei com um amigo de longa data. Daqueles que só falamos uma vez por ano, mas é como se tivéssemos falado ontem. O tempo passa e fica tudo igual. Perguntou-me pelos miúdos, e rematou com “quem diria, tu com quatro filhos”.

De facto, aparentemente ninguém diria, porque sempre que encontro alguém que não vejo desde os meus tempos de juventude “tu com quatro filhos…”. 

A verdade é que sempre quis ter muitos filhos mas nunca planeei nada. Eu sempre fui a miúda sem planos, a descomplicada deixa andar desta vida. O que tem de acontecer, acontecerá. Sem pressas.

Qual marinheiro, faço amigos onde quer que vá, e mantenho-os por perto. Uns mais outros menos, mas no fim, estão todos à distancia de um telefonema. Ligo o skype, está a chamar…o bebé chora, vou lá ver. Ouve-se: Então? Não está ninguém?…Se calhar são os miúdos… Grito: Espera, estou a mudar uma fralda… Já vouuuuu!
Falamos para os gadgets como se as pessoas estivessem ali, do outro lado da parede. Mas estão do outro lado do computador, no outro lado do mundo. E continuam a fazer o jantar e a ver o futebol, como se fossem uma extensão da minha casa, da minha família para a deles. No fim:… tu com quatro filhos”

Eu, com quatro filhos. Todos diferentes. Eu fui feita para amar quatro filhos. Eu fui feita para amar assim. Cada um dos meus filhos me ensina coisas diferentes, e quero continuar a aprender tudo o que de maravilhoso me podem transmitir. As crianças dão-nos lições de vida.

Não tive medo de ter mais filhos, mesmo depois de descobrírmos que um tem uma doença rara. Cardíaca. A dificuldade em diagnosticar foi imensa. Ele estava doente e tudo o que lhe era prescrito pelo médico, em nada mudava a sua condição. Eu via o meu filho a piorar de dia para dia e ninguém o conseguia ajudar. O seu coração estava a falhar em silencio, e eu não sabia. O sofrimento no diagnóstico foi, também,  imenso.
O seu filho tem a Doença de Kawasaki. 3 em cada 100 mil crianças são diagnosticadas em Portugal com esta doença

Como?… o que é que me está a dizer? – Primeiro a incompreensão depois os porquês.
-Lamento, mas sabe-se pouco sobre a doença, não há uma causa, não é contagioso, não é hereditário, e não há um teste diagnóstico. Também não há prevenção.
…com um nó na garganta: tem cura?
vamos com calma, já está diagnosticado. Agora vamos ver como reage ao tratamento…
O tempo, aqui, parou, com o meu coração.

Eu fui feita para amar assim. Todos os dias sofro por pensar no que lhe pode acontecer de futuro. Antes de atender um telefonema do colégio já estou de lágrimas nos olhos: atendo.  – Houve um acidente na aula de educação física… o seu filho partiu o braço. Respiro de alivio. Sorrio.

Cada conquista deles é uma alegria infínda em mim, e por isso suporto todas as suas dores, todos os seus medos, todas as suas angustias. Os amigos que já não são amigos, os crescidos que chateiam no recreio, as meninas que arranjam outro namorado do nada, o ser gozado por ser diferente.

Eu aguento tudo.

Porque eu fui feita para amar assim. Quatro vezes.

 

Por Inês Pinto Correia, Todos os direitos reservados