É tão Bom Fazer Amigos | Arteplural Edições | Livros Ludodidáticos | Crescer com Pinta | Oficina de Psicologia

“É tão bom fazer amigos” foi uma daquelas compras imprevistas numa feira do livro da escolinha dos meus filhos. Não conhecia a coleção, nem sequer a Oficina de Psicologia. Até foi a Mafalda, de 7 anos, que escolheu aquele livro, entre outros. Meses depois, na hora de substituir o livro de cabeceira da Mafalda, este veio agarrado às minhas mãos. Era setembro, dias rentrée escolar. Pareceu-me bem. Foi maravilhoso! O exemplo do António, um menino que também sentia borboletas na barriga e tinha medo de não ser capaz de fazer amigos, soou tão bem à Mafalda. E o “plano para fazer amigos” que a D. Lúcia, a mãe do António, ajudou a elaborar foi tão especial para mim. A conversa que tivemos no final do livro foi tão intensa e construtiva. Um momento que guardarei para sempre. Penso que a Mafalda também. Porque, volta e meia, este livro aparece espalhado pela casa.
Recomendo sem reservas a coleção Crescer com Pinta
Filomena Costa

SINOPSE
O António é um miúdo divertido, mas na escola tem alguma dificuldade em conviver com as outras crianças, a ponto de ficar nervoso quando chega a hora de ir para o recreio. A mãe do António, ao se aperceber desta situação, lembra-se de fazer uma lista com o filho… e vão ser os tópicos desta lista que irão ajudar o António a fazer amigos. A coleção Crescer com Pinta é um conjunto de livros escritos por Psicólogos da Equipa Mindkiddo, o ramo especializado da Oficina de Psicologia nos temas infanto-juvenis, e que visa criar resiliência e capacidade de superação em relação a dificuldades frequentes nas crianças. Os livros estão desenhados para que crianças, a partir dos 5 anos, possam partilhar, juntamente com os adultos que as acompanham, momentos de descoberta, reflexão e aprendizagem, de uma forma natural e adequada ao seu contexto de desenvolvimento. Na coleção Crescer com Pinta, conhecerão um grupo de amigos que, em cada volume, se deparará com uma situação desafiante do ponto de vista emocional e social. Com a orientação de um adulto significativo (pais, professor, psicólogo…) a criança, que lê a história, explorará diversos recursos, importantes para o seu harmonioso desenvolvimento cognitivo, emocional e social, o que lhe permitirá criar competências específicas e fundamentais para o seu bem-estar.
FICHA TÉCNICA
Crescer com Pinta – É tão Bom Fazer Amigos de Rita Castanheira Alves , Inês Afonso Marques

Ano de edição ou reimpressão:2014
Editor: Arte Plural Edições
Dimensões: 200 x 200 mm
Encadernação: Capa dura
Páginas: 32
Classificação: Livros Ludodidáticos

A grande  maioria das pessoas, consciente ou inconscientemente, procura um par, um grande amor para passar o resto  da vida e para eternizar o seu amor através dos filhos. Não sabendo se a relação será ou não eterna, as pessoas investem de corpo e alma nessa procura, porque é da natureza humana querer ser feliz, e por um motivo ou outro, acreditamos que isso passa por ter filhos.

Depois desse investimento, quando já encontrámos a pessoa que acreditamos que nos completa, há ali uma fase, a que chamo o lusco-fusco da maternidade, em que o casal, ainda, tem total controlo da sua vida, mas já está mortinho para pôr a corda ao pescoço se juntar a esta maravilhosa classe – os Pais. (Não fazendo puto de ideia do que os espera)

Nesta altura, o casal não se apercebe do pequenos privilégios dos quais todos já gozamos, e abdicamos da vida sem filhos tais como:

  • Deitar-se tarde ao fim de semana e acordar tarde no dia a seguir;
  • Demorar o tempo que quiser no banho e quando se termina ter o resto da casa intacta, sem haver feridos nem incêndios
  • Ir sozinhos à casa de banho;
  • Conseguir falar ao telefone sem parecer que sofremos de Taurette;
  • Conseguir comer uma bolacha sem ter SEMPRE de deixar todos darem uma dentada
  • Encontrar as coisas onde as deixamos;
  • Controlar realmente os controlos remotos  das TVs
  • Limpar apenas o nosso próprio rabo, e o mais importante que tudo: o silencio.

Era tão fácil nessa altura. É tão fácil ter uma vida controlada, e julgar os outros pelos comportamentos inadequados dos seus filhos, por estarem sempre atrasados, sempre cansados, por não terem paciência para sair até às tantas da noite, por terem descuidado a sua imagem mais do que aquilo que alguma vez imaginaríamos, por tudo e um par de botas.

É verdade… há uma altura da nossa vida, quando os filhos são muito pequenos, que sentimos que perdemos o controle. As pessoas sem filhos julgam-nos, porque pensam que sabem tudo mas, na verdade, nem sequer imaginam!

Neste vídeo, o Humorista Michael McIntyre satiriza esta diferença: pessoas sem filhos e pessoas com filhos.
Eu já conhecia, mas ao rever fui às lágrimas!


*Clicar nos campos juntos a “you tube” para acionar as legendas

Por Up To Kids®
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– Porque é que estou estranha? “Estranha”, como? Estás a falar do meu “despenteado” e dos meus gritinhos nervosos quando me rio, ou de andar mais distraída, e da minha futura ulcera?”

Adorava ter um bocadinho, vá, um niquinho, da descontração natural de tantas Mães que conheço. Que deixam os filhos de 13 anos irem sozinhos para a praia e que confiam imenso neles, mesmo sabendo que fazem asneiras tipo mergulhar de 15 metros de altura do bendito “Santuário da Guia” … Sim, existe! E eles vão lá para saltar mesmo correndo o risco de se esborracharem nas rochas durante a escalada de não sei quantos metros até ao topo.

MAS PORQUE É QUE ME CONTAM ESTAS COISAS?! Preocupo-me em demasia porque faço sempre aquela previsão estúpida da desgraça atípica – Lembro-me da Ally McBeal quando imaginava o que gostava mesmo de fazer em vez de agir de forma “politicamente correcta”. Pensamentos que tenho quase vergonha de assumir (há uma hipótese de haver pensamentos que nunca assumirei. Tipo aquela mulher que tinha os filhos em cativeiro…UPS! Já disse…): *Vou enfiá-lo numa bola gigante inquebrável sempre que sair de casa sem mim; *Telefona-me de 5 em 5 minutos; *Levas aqui uma lista com 20 páginas A4 das coisas que não podes mesmo fazer; *Podes ir mas tens que cá estar daqui a 5 minutos. Estas e outras assombram-me as férias… deles! Ando numa luta contra mim e… tenho tido bons resultados! Principalmente junto de Mães como eu. HISTÉRICAS! Já oiço coisas como: “Tu estás doida?”, “Porque é que o deixaste ir?” ou “Não achas que aquilo é perigoso para o miúdo?”. Quando oiço estas e outras sinto um misto de “estou no bom caminho” e “estou a abusar na dose”, ou não andasse eu numa luta interna! Sinto-me numa batalha onde o “inimigo” é o meu melhor, fiel e mais querido amigo. No final, todos seremos vencedores e derrotados… e isto, a mim, diz-me que tenho de ceder em coisas que outrora (outrora dá-lhe uma conotação distante – não foi assim há tanto tempo) critiquei nos outros. PIMBAS! IN YOUR FACE! Ser Mãe é entrar de olhos vedados numa casa e tentar encontrar a porta. Bater várias vezes contra as paredes e perceber que a saída é só uma… pela porta! Aceitar todas as cabeçadas que damos e deixar que os nossos filhos as deem também, tendo como alento que as mensagens que lhes passamos através da educação serviram para alguma coisa. Ser Mãe é perceber que os filhos não são só nossos e não ficar insana com isso… Ser Mãe é saber que se continuarmos neste registo vamos ser umas cabras de umas sogras! No fim, ser Mãe é… ser LOUCA! Hoje desabafo convosco na esperança de vos ouvir dizer “Ohhh Inês… Sou igual!”

Por Inês de Santar, para Up To Kids®
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Queremos que digam de nós: “é boa mãe”.
Que não nos recordem apenas como a mãe de alguém.
Queremos ter paciência nos dias menos bons.
Energia mesmo quando as noites são más.
Um emprego estável e justamente remunerado.
Um horário que nos permita ser pais e não apenas quem dá o jantar aos miúdos antes de os ir deitar.
Ser boas profissionais, competentes e cumpridoras.
Ajudar os nossos filhos a aprender sem fazer os trabalhos de casa por eles.
Queremos ter tempo para brincar.
Ter tempo para sermos completas em todas as nossas vertentes.
Que os nossos filhos nos peçam ajuda quando precisam.
Que sejam autónomos.
Queremos estar por dentro, primeiro, dos bonecos e, mais tarde, de todos os assuntos de que eles falam.
Que o dia tenha mais quatro horas para nos podermos sentar a conversar ou a ler um livro.
Queremos fazer comida saudável e conseguir sempre variar.
Não queremos que os miúdos nos digam “outra vez” quando perguntam o que é o jantar.
Queremos ser sempre sinceras e que eles não nos mintam.
Que os nossos conselhos sejam válidos.
Que o nosso instinto esteja sempre certo.
Queremos ter jogo de cintura para quando não concordamos com os nossos filhos.
Queremos conseguir dormir mesmo quando eles saíram com os amigos e se esqueceram de enviar uma mensagem a garantir que está tudo bem.
Não queremos ter de dar ou receber más notícias – nem que o telefone toque a meio da noite, inesperadamente.
Queremos que os nossos erros não sejam irreversíveis.
Queremos não ter de levantar a voz em situação alguma.
Estar sempre disponíveis, mesmo quando a nossa agenda está um caos.
Ter sempre comida na mesa, saúde para estar por perto e, acima de tudo, respeito uns pelos outros.
Que a nossa família seja digna de uma série norte-americana, com os seus defeitos mas, no final, sempre unida.
Que os nossos filhos se orgulhem de nós.
Queremos erguer a cabeça quando alguém nos critica as escolhas relacionadas com os miúdos.
Relativizar os pequenos dramas para que não nos estraguem os dias.
Ter sempre as palavras mágicas para curar as feridas do nosso bem mais precioso.
Queremos estar na vida dos nossos filhos para sempre.
Não pedimos muito.
Queremos tudo porque damos tudo.
Sempre.

Por Marta Coelho, para Up To Kids®
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As crianças não fazem birras

A nossa cultura ensinou-nos a ver as crianças como nossas adversárias.

As crianças fazem birras, as crianças portam-se mal. As crianças só sabem chatear. Desafiam-nos, testam-nos, desarrumam tudo. Estão aí para nos levar ao desespero.

Não me parece.

Mas a verdade é que acreditamos nisto – a agimos sobre esta premissa diariamente – de tal forma que se torna mais do que óbvio – e incompreensível que haja alguém que não o faça – que tenhamos de puni-las, de afastá-las, de deixá-las sozinhas quando não correspondem aos comportamentos esperados, quando se exaltam ou perdem o controlo das suas emoções por alguma razão.

Acreditamos que estão a ser mal-educadas, que nos estão a faltar ao respeito, quando a bem da verdade, lhes estamos a passar a mensagem de que não têm direito a exprimir as suas emoções negativas. Temos de saber ensinar-lhes paciente e generosamente como exprimir essas emoções. Desde cedo. Porque essas não são para bloquear.

Da minha pesquisa e das minhas experiências pessoal e profissional, as crianças não fazem birras. As crianças não se portam mal.

As crianças são crianças. Onde é que, ao longo do caminho, nos esquecemos que fomos nós que as quisemos?

As crianças manifestam as necessidades, vontades, medos, cansaço  e sentimentos gigantes que têm da melhor forma que sabem e podem. Passam por emoções que nem imaginamos, vivem e assistem a situações que muitas vezes não sabem – nem conseguem – processar. Isso não faz delas mal comportadas, chatas, birrentas ou bebés. Faz delas pessoas (pequenas) num mundo tantas vezes assustador.

O mundo é feito de pessoas e se as pessoas que têm o privilégio de formar pessoas mais pequenas as souberem formar e educar de uma forma pacífica, gentil, ensinando desde a primeira infância os limites de forma empática, conectando-se e ligando-se às suas crianças de forma generosa, compreensiva nos momentos mais difíceis, serão adolescentes e mais tarde adultos assim que teremos.

E será esse o mundo que estaremos a criar. Quer acreditemos nisso quer não. A responsabilidade é nossa.

É uma questão cultural que tem passado de geração em geração que nos tem ensinado – e feito crer dogmaticamente – que a única forma de educar pessoas responsáveis, cumpridoras e bem sucedidas é sendo pais e professores exigentes, inflexíveis e firmes.

Como se isso fosse o mandamento mais imperativo.

Não é.

O mandamento mais imperativo a ter em atenção na formação do ser humano é a formação saudável das emoções. Dos vinte anos que trabalhei com crianças, não encontrei uma – uma única! – que conseguisse bons resultados na escola quando as suas emoções estavam desreguladas, destruídas até, em alguns casos. Muitos.

As crianças constroem a sua auto-imagem através dos inputs implementados desde o nascimento, pelos adultos.

São as emoções dos adultos, em primeiro lugar – os estados de espírito, as frustrações, a sua própria auto-imagem, os seus traumas, as suas crenças, – que lideram a forma como estes interagem com as crianças, a forma como lidam com elas, como as tratam.

Aprendemos que as crianças nos desafiam, que querem controlar e ter tudo à sua maneira. Nós acreditamos nisto e as nossas relações com os nossos filhos sofrem com isto. Aprendemos que temos de controlar as suas birras e que é obrigatório zangarmo-nos quando não correspondem às nossas expectativas, chegando até a magoar o seu corpo e ferir a sua alma para marcar a nossa posição de poder.

Desunimo-nos delas, desconectamo-nos nos momentos em que mais precisam que nos liguemos a elas, que as apoiemos. Isto passa-se em casa, na escola. Nos locais que deveriam ser lugares de referência, onde as crianças se devem sentir acarinhadas, respeitadas, seguras.

Aprendemos a criticar as crianças, a julga-las, a castigá-las, em vez de  escutá-las, compreendê-las  – mesmo que a situação nos desconforte –  de aceitá-las. Esquecemo-nos de que educar é passar um legado diário de amor, de compreensão, de motivação positiva, de empatia sob todas as suas formas, em todos os momentos, em especial aqueles que são mais difíceis de gerir pela criança ou pelo adolescente.

E aqui cometemos um grave engano.

Confundimos educação com imposição de autoridade, julgamos que temos de ser reis absolutistas no nosso castelo e que as crianças têm de ser submissas às nossas vontades, ordens e desejos, descurando-nos de negociar em vez de exigir aquilo que elas não nos podem dar, esquecendo-nos de ser tolerantes em vez de criticar, esquecendo-nos de ensiná-las  – liderando pelo exemplo e não pela imposição-  tendo em conta o seu funcionamento natural e orgânico, neurológico, físico e emocional.

Se esses factores não são respeitados, não é responsabilidade da criança. É de quem é responsável pelo seu percurso educativo. Seja em casa ou na escola.

Toda a aprendizagem deve ser feita de forma orgânica e natural. Não imposta. Não coerciva.

Uma família de seis filhos ou uma turma de vinte alunos, terá o número de personalidades, necessidades, carências e potencialidades em proporção ao número de crianças que aí existirem. E todas têm valor. Todas têm potencial. Cabe ao adulto estimulá-las e motivá-las de forma positiva. E não uma vez. Em todos os momentos. Um educador, seja um pai, uma mãe, um avô, uma avó, um professor, educador infantil ou auxiliar educativo, deve ser, acima de tudo, um mentor.

As crianças e os adolescentes são pequenos humanos que fazem o seu melhor com o que têm, que só querem ser amadas e respeitadas pelo que são, sentir-se seguras, protegidas, façam o que fizerem, digam o que disserem.

Quando aprendermos isto e agirmos sobre isto, deixará de haver lugar para gritos, rótulos, vergonha, castigos e todos construiremos uma relação melhor e mais forte com os nossos filhos.

Como afirma Rebecca Eanes, as crianças não são nossas adversárias. Elas são a nossa maior dádiva. Tratemo-las como tal.

 

Vou avisando já, com muita antecedência (assim o espero) que, no que toca a herança o melhor é não esperares demasiado.

Não prevejo fazer uma grande fortuna nem ir acumulando casas de praia e grandes carros. Jóias? São poucas, mas com significado, como convém. A maior parte delas do espólio das bisavós e avós, todas elas com a sua história, de que te falarei mais lá à frente.

Deixo-te, ou irei deixar-te, livros. Muitos livros. Alguns deles herdados, outros oferecidos. Juntei parte de mesadas para comprar uma série deles. Há uns quantos com a capa dobrada, à força de serem lidos com demasiada descontração, outros com as páginas amareladas pelo tempo e ainda mais outros que nunca deixaram de cheirar a novo. De alguns gostei tanto que chorei, com outros fui acumulando conhecimentos e outros só me ajudaram a passar o tempo. Se olhares para a nossa estante verás uma colecção algo esquizofrénica, com livros de muitos géneros. Não sou indecisa, gosto é de variedade. E é esta variedade que quero que chegue até ti.

Para que me procures nas mesmas linhas que um dia li, para que me encontres inesperadamente dentro delas. Para que te questiones sobre o porquê de ter sublinhado aquela passagem ou por que será que aquele livro existe em três línguas e eu os li a todos (para que a mesma mestria me tocasse com diferentes sonoridades e as palavras se eternizassem numa amálgama de memórias).

Gostava que lesses os meus livros e, a partir deles, criasses a tua biblioteca, juntando depois as tuas escolhas, provavelmente tão diferentes das minhas. Que mais tarde te venhas a sentar com os teus filhos no colo e leias com eles, como fazemos – e gostas tanto. Quem sabe se daqui a duas ou três gerações não vai haver um nosso descendente a pegar num dos meus livros e a perguntar-se quem era aquela pessoa que tinha a mania de assinar a primeira página de todos eles.

Pode não ser muito, mas é isso que te deixo – os meus companheiros de noites frias e dias quentes, de tardes de vento na praia, de viagens intermináveis e viagens que acabaram cedo de mais, porque queria mesmo terminar aquele capítulo.

São histórias que me ensinaram, que me fizeram viver vidas incríveis, que me despertaram a paixão pela escrita e me deixaram a desejar um dia conseguir escrever assim.

Mas a minha obra-prima já está escrita e és tu. E perdoa-me por só escrever, ainda que com muito amor, os primeiros capítulos da tua existência. Os restantes já são contigo. Perdoa-me, também, por não poder estar ao teu lado para sempre, mas a vida é mesmo assim.

Quando um dia já cá não estiver e sentires saudades minhas, abre um dos meus livros, meu amor. Fecha os olhos e lembra-te das minhas palavras sussurradas ao ouvido. Porque eu vou sempre estar ao teu lado. Seja nos olhos grandes dos teus filhos, seja nas músicas que um dia lhes vais cantar e que aprendeste comigo, seja nos livros que ganham pó na estante da sala.

Mas promete-me que não ficas triste e que acrescentas um ponto ao conto da tua vida. Todos os dias um bocadinho, para que a tua história seja sempre interessante, até ao último capítulo.

Por Marta Coelho, para Up To Kids®

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Eu sei que o correcto é dizer coisas que “não gostava” para a minha filha, mas como adulta sei a diferença e hoje, egoisticamente, reservo-me o direito de não querer. Nem para ela nem para os filhos de outro alguém.

Não quero que viva relações vazias de afectos
No outro dia, no Metro, entraram um rapaz e uma rapariga que, por acaso, se sentaram à minha frente. Ambos concentrados nos respectivos telemóveis, ambos alheios ao que se passava à sua volta. Só passadas cerca de cinco estações é que ela levantou o olhar e se inclinou para ele. Até ali não conseguia adivinhar que estavam juntos. Mas estavam. Quero para a minha filha uma relação em que o silêncio existe e não é constrangedor, em que significa uma cumplicidade que ultrapassa as palavras. Mas não quero que tenha uma relação em que o diálogo, o olhar nos olhos, seja substituído pelas tecnologias.

Não quero que ame coisas em vez de amar as pessoas
Quero que saiba a diferença entre querer ter e desejar, gostar de ter (a tal diferença que me gabo de já dominar). Que seja feliz com pouco, com o essencial e que os seus sonhos não sejam coisas materiais, mas sim algo que a motive a chegar mais longe, a conhecer lugares novos, novas culturas, pessoas, histórias, caminhos.

Não quero que trate os outros como se lhe fossem inferiores
Seja quem for, em que circunstância for. Não quero que sinta que pode olhar alguém de cima, que menospreze por preconceito ou ideologia. Quero que saiba respeitar as diferenças, todas elas, que possa viver em liberdade aceitando a liberdade dos outros – convivendo com ela, sem a julgar, para que receba o mesmo tratamento.

Não quero que desista à mínima contrariedade
As coisas não vão ser sempre fáceis e às vezes vai querer desistir. E muitas vezes vai fazê-lo, porque é o mais inteligente a fazer. Que nas outras vezes não se deixe vencer pelo cansaço, pela insegurança ou pelo medo. Que chegue onde pode chegar, por seu próprio mérito.

Não quero que sinta que não é importante, que não é capaz
Infeliz e invariavelmente irá confrontar-se com situações em que os outros ou as circunstâncias da vida a farão duvidar. Que ela tenha força para não se deixar abalar nas suas convicções.

Não quero que faça algo só para impressionar os outros, para se integrar
Sei que faz parte e que muitas crianças passam por isso, em maior ou menor escala, até crescerem. Mas já que me é permitido pedir, que ela não seja uma dessas crianças. Que saiba dizer “não” quando não quer alguma coisa, que não tenha de fazer algo que a deixe desconfortável só para não ser diferente.

Não quero que a minha filha seja infeliz. Que tenha problemas de dinheiro. Não quero que tenha problemas de saúde. Que tenha azar ao amor. Que tenha de viver num ambiente de violência. Não quero que seja maltratada nem maltrate os outros. Não quero que seja tão desprendida que não dê valor à família e aos amigos. Não quero que seja preguiçosa, na escola nem na vida. Não quero que seja amarga nem que afaste os outros por ter um coração de pedra.

Não quero.

Não gostava.

E sei muito bem que nem tudo será como eu gostaria.

Estou aqui para ir aprendendo com ela as muitas lições que ainda me esperam. Para lhe ir iluminando os passos que me forem possíveis. Para lhe responder a algumas perguntas e para a deixar encontrar respostas para muitas outras. Para, por vezes, não a compreender. Para que ela, algumas vezes, também não me compreenda. Para respeitar o seu tempo, as suas ausências, o seu percurso. Para às vezes ter de me retrair para não a proteger em demasia. Para outras vezes me martirizar porque a deveria ter protegido mais.

Há muita coisa que não quero para a minha filha.
Mas há muito mais que quero, na positiva. Porque é assim que a vejo, sempre com um sorriso nos lábios, mesmo quando deveria estar a fazer beicinho.
Porque é essa a vida que quero para ela, cheia de coisas boas, bons sentimentos, boas escolhas.
Para que quando as coisas não correrem exactamente como ela desejaria haja um equilíbrio saudável que faça a sua vida valer a pena ser vivida. Todos os dias.

Por Marta Coelho,
para Up To Lisbon Kids®

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Também prometo falhar…

Quando soubemos que vinhas a caminho,  tivemos muitas decisões para tomar.

Primeiro decidimos que queríamos que viesses e que fizesses parte das nossas vidas.
Decidimos e escolhemos, que íamos mudar a nossa vida, por ti. Porque queríamos que existisse uma maior parte de nós, e essa parte serás tu!
Decidi que teria que me alimentar melhor e com mais cuidado, porque afinal, agora também te alimento a ti. E tu és mais importante! Quero que cresças forte e saudável, e não deixo que te falte nada!

Eu e o pai, escolhemos uma boa médica para acompanhar o teu crescimento e para te trazer ao mundo.
Escolhemos e decidimos onde é que irás nascer.
Decidimos fazer a recolha de células estaminais e esperamos que nunca tenhas de saber o que isso significa. Talvez quando o pensares em faze-lo para os teus filhos, mas até lá, esquece isso, são coisas parvas…
Decidimos de que cor pintar o teu quarto, de que cor seria a tua cama.
Decidimos que roupas te iríamos comprar, e que sapatos te ficariam bem.

Decidimos quanto tempo vais ficar em casa comigo (e eu contigo), e em que escola te vamos confiar.

Decidimos onde é que íamos ver aqueles vídeos que nos mostram como estás a crescer dentro da barriga da mãe. E gostamos tanto de te ver. O pai adora ouvir o teu coração. Diz que é o seu motor. E neste momento é o que nos move.

Queríamos que tivesses um nome importante, bonito, doce mas forte. Decidimos qual seria o teu nome.

Escolhemos que não te vamos forçar nenhuma religião. Decidimos dar-te o espaço para definires quem és e no que acreditas. Quando decidires faremos como quiseres, és livre para acreditar e dedicar-te ao que quiseres e nós apoiamos-te.
Decidimos aquilo que te queremos ensinar, e o que queremos que aprendas sozinho.
Escolhemos e decidimos milhares de coisas, e estamos constantemente a decidir e a escolher.
Esperemos que estejas de acordo com pelo menos algumas das nossas escolhas. Todas elas foram pensadas no acreditamos ser o melhor para ti.
Quero que saibas, que nada é imutável, e estaremos sempre dispostos a mudar o que decidimos sempre que o queiras.

Porque eu e o pai estamos mais perdidos que nunca. Tentamos, e vamos sempre tentar mas não fazemos ideia se estamos a tomar boas decisões. Não sabemos se vais gostar ou querer assim. Não sabemos se estamos a falhar. Mas prometo-te, estamos a tentar! Estamos perdidos na maior aventura das nossas vidas e um dia, também tu, irás perceber.
Há vários meses que decido tudo a pensar em ti.
Prometo falhar, mas prometo nunca deixar de tentar.

Ao pai dos meus filhos, um estranho na pele de família: eu não estou zangada contigo. Estou triste por ti. Estás a perder tudo.

Olhei para ti quando, de coração nas mãos, te entreguei os miúdos que não vias há mais de um mês, e lembrei-me de como tu és. Olhei para ti, e vi o vazio nos teus olhos. O mesmo vazio que sempre vi, e tentei preencher comigo, com o meu amor, com os nossos filhos.

Percebi pela rouquidão da tua voz a quantidade de cigarros que deves ter fumado na noite anterior. Percebi que te sentias mal, que tinhas passado o dia a dormir e que estavas para morrer. Percebi que não era boa ideia cumprires a tua obrigação de passar o fim de semana com os miúdos. Cheiravas a álcool, a ressaca, e só me lembrava de te ver assim todos os fins de semana durante anos.

Senti o coração no estômago por deixares que os miúdos te vejam assim, e por ter de deixa-los contigo nesse estado. A memoria trouxe tudo ao de cima.

Sorri-te  como se estivesse tudo bem, e fingi não perceber o que se passava. Perguntei se estava tudo bem. Disseste que sim, mas eu sabia perfeitamente… Não estava nada bem.

E estás a perder tudo.

Era suposto seres o homem. O homem que eles admiram. O homem que eles querem ser quando crescerem. O homem que os ensina a ser um homem. O homem em quem eles podem confiar. Mas não és.

Sim, eles adoram-te. E neste momento eles até olham para ti. Mas não estás a ser um exemplo, e de certeza que não podem confiar em ti.

Mandaste-me uma mensagem nessa noite, apenas algumas horas depois de eu ter saído. E eu sabia aquilo que te recusaste a admitir.

“Eu sei que não vais querer saber, e que provavelmente irás usar esta mensagem contra mim de alguma forma, mas estou farto de vomitar e de suar. É um bocado assustador, e não, não estive a beber”

Eu sei que estavas mal e a ressacar. Tinha percebido horas antes. Não foi a primeira vez e não será a última. Na verdade até fiquei aliviada por teres mandado mensagem. Mesmo que não tenhas admitido a verdade sobre a tua “má disposição”, eu fiquei contente por ir buscar os meus filhos e leva-los para casa. O meu instinto materno dizia-me que eles estavam a precisar da mãe, e que tu não estavas em condições de passar o dia com eles. Por isso obrigada por teres assumido que não conseguias aguentar até à hora de jantar. Mesmo que não admitas qual o verdadeiro motivo.

Eu já não estou zangada contigo. Pelo menos como costumava estar. Agora é a desilusão que me assola cada vez que estou contigo.

Eu sinto pena por ti, e pelas pessoas que acreditam nas tuas mentiras.

Adorava que fosse diferente. Mas já desliguei.

Não queria que te afastasses dos rapazes, mas a verdade é que já o fizeste.

Enquanto passas o tempo, que deverias estar com eles, a beber, eu aproveito  e desfruto cada minuto das suas companhias. Enquanto destróis tudo à tua volta, eu ensino-os a consertar e construir coisas.

Enquanto dormes a aconchegar a tua ressaca, eu aconchego os nossos filhos.

Enquanto sais com outras pessoas, eu também saio. Com três outras pessoas, para ser mais precisa. A diferença é que eu estou nestas relações para toda a vida, e as tuas duram uma noite.

Enquanto inventas desculpas, eu estou a criar memórias.

Estás a perder tudo.

Quando estás com eles, perdes tempo a mandar-me sms a contar as suas piadas e saídas humorísticas, e esqueces-te que eu estou com eles todos os dias.

Eu sei que eles são espetaculares.

Ficas surpreendido com coisas que eles dizem e fazem e contas-me como se fosse novidade para nós os dois. Eu sei que eles são espertos. Eu é que lhe ensino as coisas que eles sabem.

Ficas surpreendido quando os vês abraçados um ao outro muita cumplices. Eu sei que eles são carinhosos. Eles aprenderam a gostar intensamente, comigo.

Enquanto vives de volta do teu umbigo, perdido nesta vida que tanto dizes adorar, estás a perder tudo.

Não sabes que o Ethan gosta de ser empurrado muito alto no baloiço, mas que tenho de fazê-lo de frente para que consiga sempre ver a minha cara.

Não sabes que o Connor também gosta que o empurre, mas só devagarinho, porque alto é assustador para ele.

Não sabes que eles já se vestem sozinhos, mas que o Ethan veste primeiro os braços e depois a cabeça, e o Connor faz exatamente ao contrário.

Não sabes qual a refeição preferida deles, ou a música preferida ou o jogo preferido. Não sabes que eles os três adoram dançar. Não sabes que o Luke tem tanto de selvagem e forte como de doce.

Não sabes que o Connor se esconde quando está envergonhado.

Não sabes que eles querem jogar futebol e que são bons de bola. E provavelmente não vais estar lá nos treinos, nem tampouco nos jogos. Sou eu que vou estar lá a apoiá-los. É a minha cara que vão procurar no meio das bancadas. Não sabes como ensiná-los a serem cavalheiros, porque tu próprio ainda és um miúdo mimado.

Estás a perder tudo.

Quando eles nasceram o meu mundo mudou. O teu continuou igual. Perdeste a beleza do que é ter filhos e nunca compreendeste o quão importante era o teu papel. Nunca quiseste na verdade assumir esse papel. Mas quiseste ser pai, e agora estás a perder tudo.

Eu já não estou zangada contigo.

Estou triste por ti.

Porque tu estás a perder tudo.

Eu não.

Por Rachael Boley, para Scary Mommy; tradução e adaptação autorizada para Up To Kids®

A música é considerada a linguagem universal, um meio de comunicação em todo o mundo e  entre todas as pessoas. Mas nada é tão importante como o papel que desempenha no  desenvolvimento do ser humano…
Desde o nascimento, que os pais instintivamente se ligam aos filhos através da música:  adormecem e acalmam as crianças com canções de embalar, brincam e interagem com canções e rimas divertidas. No entanto, se os pais souberem o impacto da música no desenvolvimento psicológico dos seus filhos, poderão estar mais atentos e trazer mais activamente a Música para o seu dia-a-dia.
Quando é que a criança começa a ouvir?
A audição é um dos primeiros sentidos a desenvolver-se: o bebé começa a ouvir por volta dos 5 meses, na barriga da mãe. Nessa altura, a mãe poderá começar a ouvir música clássica ou relaxante e também cantar para o seu bebé, de forma a que ele reconheça a sua voz e as músicas que o vão embalar mais tarde.
Quais os benefícios da música para o desenvolvimento da criança?
Diversos cientistas, investigadores, neurologistas e psicólogos têm-se debruçado sobre o papel da música no desenvolvimento da criança a vários níveis.

Desenvolvimento Cognitivo

Inúmeras pesquisas, desenvolvidas em diferentes países e em diferentes épocas, particularmente nas décadas finais do século XX, confirmam que a influência da música no desenvolvimento da criança é incontestável. Algumas delas demonstraram que o bebé, ainda no útero materno, desenvolve reacções a estímulos sonoros.
Diversos estudos demonstram que existe uma forte correlação entre a aprendizagem da  música e o desempenho académico. Tocar um instrumento, ter aulas de música ou ainda apreciar de forma activa a música, potencia a aprendizagem cognitiva, particularmente no campo do raciocínio lógico, da memória, do espaço e do raciocínio abstrato. Ao nível cerebral e do desenvolvimento neurológico, as recentes investigações sugerem que a música expande os canais neuronais e potencia a ligação entre os dois hemisférios cerebrais.

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Desenvolvimento Sócio-Emocional
Pesquisas comprovam algo que muitos pais e educadores já imaginavam: os bebés tendem a permanecer mais calmos quando expostos a uma melodia serena e, dependendo da aceleração do andamento da música, ficam mais alertas.
Quando a criança estuda música em conjunto, torna-se mais comunicativa e convive com regras de socialização. A criança aprende a respeitar o tempo e a vontade do próximo; a criticar de forma construtiva; a ter disciplina; a ouvir e interagir com o grupo.
É através do repertório musical que a criança se inicia como membro de determinado grupo social, desenvolvendo a sua identidade cultural e o sentido das regras e valores da sua sociedade em que se insere.

Desenvolvimento Motor
Através do movimento e da dança ao som da música, assim como através da aprendizagem de um instrumento musical, a criança desenvolve a sua motricidade grossa e fina, respectivamente.
Em suma, a Música tem um papel fundamental na vida do Homem e, mais especificamente, no desenvolvimento da criança.
Incentive o gosto pela música, oiça boa música com o seu filho e tudo isto desde muito cedo, de forma informal e descontraída.
No sentido de beneficiar mais profundamente da música, em vários níveis de desenvolvimento, aconselha-se a aprendizagem mais formal da música, através de aulas e estudo de um ou vários instrumentos musicais.

Termino com uma citação de Aristótles “A música torna os corações dos homens felizes: então, e apenas com base nisso, poderíamos assumir que os mais novos deveriam ser treinados para isso.”
Sara Gonçalves, Psicóloga – Oficina de Psicologia,
para Up To Lisbon Kids®

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