“Se usada com bom senso a tecnologia pode ser uma ótima ferramenta… A negociação, mais do que a exigência unilateral, deve existir. O uso de tecnologias na cama é um enorme problema (presente na casa de muitas das crianças que acompanho). Pelo impacto negativo que tem no sono da criança/adolescente. “

Comecemos por refletir sobre quando deve a tecnologia ser apresentada aos mais pequenos e sob que forma…

Crianças pequenas, particularmente nos primeiros dois / três anos de vida, necessitam da exploração do mundo com as suas mãos. Necessitam da interacção social com cuidadores da sua confiança para o seu desenvolvimento cognitivo, motor, social e emocional. O seu cérebro é ainda muito imaturo, com competências limitadas quanto ao pensamento simbólico e à capacidade de concentração. Sendo os aparelhos digitais um fraco veículo de aprendizagens, quando comparados com as interacções com outros significativos. Nesse sentido, a exposição em idades precoces a aparelhos tecnológicos não acrescenta qualquer valor.

O contacto com os aparelhos tecnológicos deve depois ir sendo guiado, com bom senso, pelos pais e cuidadores. Evitando recorrer às tecnologias como amas tecnológicas, para manter as crianças quietas.

A melhor forma de pais e educadores conhecerem, controlarem e perceberem a adequação dos conteúdos é sentarem-se junto do filho e acompanharem o visionamento do vídeo, programa ou jogo, de modo a inclusivamente poderem dar resposta a questões que possam surgir. No caso da televisão pode ser útil limitar o acesso da criança apenas a canais cujo conteúdo seja conhecido e, à partida, ajustado ao nível de desenvolvimento da criança. No caso de sites a estratégia pode ser semelhante. Os videojogos, em princípio, serão mais fáceis de controlar dado que ou são os pais a comprar. Caso sejam oferecidos, antes de luz verde para serem usados, os pais poderão fazer uma pesquisa sobre os mesmos.

É possível que a criança não fique obcecada com a tecnologia?

Se uma criança for, desde pequena, educada no sentido diversificar os seus interesses e os seus passatempos e se a televisão e videojogos não tiverem sido usados como “amas tecnológicas” não é expectável que haja, à partida, um uso abusivo da televisão/computador/outras tecnologias. Também é importante o adulto recordar-se que é um modelo. Pelo que o uso que ele faz das tecnologias servirá de modelo à criança/adolescente. De que serve pedir que largue o telemóvel ou desligue a televisão se os pais estão “constantemente” dependentes dos mesmos?

Tecnologia no quarto? Talvez seja melhor não…

Mas tudo depende do uso que lhe é dado. Se uma televisão ou consola funcionar como uma ama tecnológica, para entreter a criança, para não incomodar os pais enquanto os pais fazem qualquer outra coisa, isso é errado. Se a criança na ausência da consola ou da TV não sabe como se entreter e fica com alterações bruscas e intensas de humor é porque algo de errado aconteceu no decorrer no processo de “apresentação” das tecnologias às crianças.

O uso ou presença de tecnologias no momento de fazer TPC é um grande problema.  

Dificultando a capacidade de concentração e diminuindo a motivação e eficácia do estudo.

O uso de tecnologias na cama é um enorme problema (presente na casa de muitas das crianças que acompanho). Pelo impacto negativo que tem no sono da criança/adolescente. Atrasa o momento de ir dormir e a luz, especialmente a radiação azul emitida pelos ecrãs, diminui a produção de melatonina, a hormona que induz o sono, controlando o ciclo sono-vígilia, dificultando o adormecer. Adicionalmente, o sono pode ser interrompido por alarmes de mensagens, por exemplo. Ora uma criança que não dorme o número de horas adequado à sua idade, ou que não descansa de forma conveniente, é uma criança com maior dificuldade em regular o seu comportamento e as suas emoções. Com maior dificuldade em concentrar-se e, consequentemente, poderá começar a manifestar dificuldades de aprendizagem.

Mas é possível haver negociações?

Se usada com bom senso a tecnologia pode ser uma ótima ferramenta. Contudo, dado que as crianças têm maior dificuldade em gerir o seu tempo e em regular os seus comportamentos é mesmo fundamental que o adulto ajude a gerir o uso das tecnologias de forma consciente e ajustada às necessidades e idade da criança. A negociação, mais do que a exigência unilateral, deve existir. A criança acaba por se sentir envolvida e mais responsável no uso das tecnologias. Havendo flexibilidade no momento de definir regras razoáveis do uso das tecnologias evita-se cair em “o fruto proibido é o mais apetecido”.

O excesso de horas de ligação à tecnologia interfere significativamente na vida dos mais novos…

Saliento três pontos:

1 – o uso abusivo, pode conduzir ao isolamento social e ao sedentarismo, com impacto na saúde física e emocional;

2 –  o uso em momentos desajustados. Como durante períodos de estudo ou na cama antes de se ir dormir, conduz a dificuldades como as anteriormente descritas;

3 – a exposição a conteúdos desadequados para o nível de desenvolvimento. Não conseguindo a criança elaborar/compreender os mesmos, pode gerar confusões, dúvidas e receios.

Com limites razoáveis e alguma flexibilidade a relação das crianças e jovens com a tecnologia não tem de ser difícil.

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imagem@the educator

Respira, Marta, tu consegues manter a calma.

“Mas, mãe, eles disseram que a minha mochila não é de menina”. Eu ouvi, filha, simplesmente não queria acreditar porque sinceramente há dias em que simplesmente não há paciência. Mas tem de haver. Porque “eles” são crianças. Porque a minha filha é criança e porque é agora que se determina em grande parte o adulto que ela vai ser, assim como os seus pares.

Em relação aos filhos dos outros não há muito que possa fazer, mas é minha missão como mãe orientar a minha filha e por isso respiro fundo.

Contextualizando: a mochila em causa tem quatro cores, amarelo, laranja, vermelho e  azul claro. Tem o desenho do Pateta, Pato Donald, a Margarida, o Mickey e a Minnie sorridentes. Foi escolhida precisamente por não ser apenas cor de rosa com a Minnie, a Elsa ou a Ana, a Doutora Brinquedos ou qualquer uma das figuras associadas normalmente a raparigas. E teve esta reacção, o que é mais que justo, ainda que para mim um pouco inacreditável.

Quando comprei esta mochila para a praia tive em mente os seguintes critérios: cabe tudo o que é preciso lá dentro e não é pouco (protector, água, muda de roupa, saco das cuecas, toalha), a minha filha consegue aguentar com o seu peso nas costas e o desenho.

O desenho está em último, mas é importante, daí eu ter-me dado ao trabalho. Porquê?

Porque tento educar a minha filha liberta de preconceitos sociais para que ela possa descobrir por si quem é e do que gosta, sem que os pais a condicionem mais do que o inevitável.

Se lhe tivesse levado uma mochila da Elsa era capaz de dormir inclusivamente agarrada a ela, de tanto que ia adorar. Mas tento que ela abra os horizontes, porque se tem tantas outras coisas da Ela pode perfeitamente ter algumas menos cor de rosa, cheias de outras cores vivas com bonecos de que gosta.

Perguntei-lhe se gostava da mochila. Ela adorou e preparámos juntas tudo para o primeiro dia de praia. Note-se que este incidente aconteceu a três dias do final da praia com a escola, o que me faz lembrar os noticiários em férias em que muitas vezes passam notícias que não são propriamente notícias, mas à falta de melhor…

Depois deste episódio voltei a perguntar se ela gostava da mochila e ela disse-me que sim. E eu disse que era isso que importava.

Depois quis saber por que é que ela achava que os amigos tinham dito aquilo e ela disse que é porque tem aqueles bonecos e não é cor de rosa. E eu expliquei que as crianças, ela e os amigos, podem gostar dos bonecos que quiserem. SE o amigo X gostar de vestir cor de rosa, então que vista. Se gostar da Elsa ou de bonecas, então que goste e possa brincar com elas. Se a Y gostar de carros, bolas e super heróis então que brinque com eles.

Esta é a tua mochila e quando olho para ela penso sempre que vai contigo para a praia e guarda lá dentro as tuas coisas. E é tão gira, precisamente por causa destes bonecos e destas cores. E tu disseste-me que gostavas dela, por isso ainda bem. Quando olho para ela não vejo uma mochila de menino nem de menina, vejo a TUA mochila. Entendeste, filha?”.

Ela concordou com a cabeça e quando lhe perguntei de que era aquela mochila, ela respondeu “da Mariana”. Abracei-a e disse-lhe que às vezes as pessoas pensam de maneira diferente de nós e devemos ouvi-las para percebermos se achamos o mesmo ou não. Mas que não há mal em pensarmos de forma diferente mas não devemos mudar com medo do que os outros vão achar de nós.

É muito para absorver numa idade especialmente difícil.

Quis também dizer-lhe que nunca devia deixar que ninguém lhe dissesse que não pode ter, gostar ou ser uma coisa só porque é menina.

Vai demorar a interiorizar, mas este discurso tem de existir. Tem de fazer parte. As crianças têm de se sentir livres para gostar de coisas tão simples como uma mochila, caramba. Que futuro nos espera se estiverem sempre à espera de agradar a toda a gente?

Serão infelizes e inseguros.

Bem sei o impacto que os pares e o seu discurso têm nesta fase em que estão a formar os gostos e as personalidades.

Temos de acompanhar e intrometer-nos no essencial apenas.

É complicado, mas é para isso que aqui estamos. Para também gerirmos estas pequenas crises, para que venham a transformar-se em grandes crises.

É um processo de aprendizagem para pais e filhos e em cada casa se defenderá aquilo em que se acredita.

Pela nossa vamos trabalhando para criar uma criança com empatia, confiança qb, espaço para falar sobre os seus medos e expectativas, gostos e (o mais importante) uma opinião própria.

Temos tempo e amor para lá chegar. Do resto o tempo cuida.

A importância dos Avós

Quão sortudas são as crianças que podem passar tempo com os seus avós! E o contrário também se aplica. É um privilégio!

Privilégio, na medida em que existe um vínculo especial entre avós e netos. É uma relação baseada no amor e na diversão. Enfim, é pura alegria.

Tornar-se avó/avô é um momento muito especial. Os avós estão livres da paternidade do dia-a-dia, sendo capazes de proporcionar tempo de qualidade aos seus netos, onde a brincadeira é constante. Por isso mesmo são avós!

Estar perto dos avós proporciona uma importante experiência de aprendizagem.

Ao estar com os avós, as crianças aprendem a valorizar os mais velhos. Aprendem a respeitar o que estes têm para oferecer. Através dos avós, têm a capacidade de compreender a importância do amor e da família e o legado da sua própria família.

Os avós geralmente são o elo de ligação mais forte com o seu património familiar.

A estreita relação entre avós e netos é muitas vezes marcada por fortes laços familiares. Estes laços florescem apesar de avós e netos terem pouco em comum em termos de idade, nível de maturidade e hiato geracional.

A chegada dos netos é como um sopro de ar fresco para os avós e as crianças divertem-se e aprendem muito com eles. A presença dos avós nos anos de
formação das crianças ajuda fortemente na construção do seu carácter.

Apesar das relações mudarem com o passar dos anos, tal como a relação entre pais e filhos, os avós estão sempre presentes para lembrar com carinho os bons momentos que viveram, vivem e viverão juntos.

Valorizemos os nossos Avós!

Por Telma Grazina, Psicóloga

Deixem as crianças em paz

Ai, que o menino suja-se!” “Ai, que o menino cai!” “Ai, que o menino chora!” “Ai, que o menino aleija-se!” “Ai, que o menino estraga!

Ai, ai, ai que não me largam!

Deixem as crianças em paz, e deixem as mães serem mães!

Deixem-se de palpites e conselhos e avisos e histórias porque no final, todas fazemos o mesmo. Todos aprendemos as mesmas lições e lidamos com as mesmas situações.

Deixem os miúdos sujar-se, correr na lama, brincar na relva, apanhar insectos e comer areia!

Deixem-nos brincar com molas da roupa e tupperwares, ou tampas dos tachos mesmo que façam barulho. Logo se arruma!

Deixem os miúdos saltar, cair e esfolar os joelhos, arranhar as mãos e tropeçar nos próprios pés.

Deixem-nos espalhar o papel higiénico, brincar com a escova de dentes e espalhar creme no chão da sala!

Deixem que o vosso mundo se torne desarrumado, desordenado, barulhento e acima de tudo alegre e feliz!

O barulho e a desordem fazem parte da felicidade.

E se pelo caminho dermos umas quedas e esfolarmos uns joelhos. Assim seja.

Se esse é o preço a pagar pela cumplicidade de uma brincadeira entre mãe e filho, assim seja! Ficam as “marcas de guerra” mas não ficam sozinhas. Ficam gargalhadas, memórias e momentos felizes!

Deixem as crianças em paz! Deixem as crianças ser simplesmente crianças!

 

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Como impor limites com amor e firmeza

Há uns anos atrás, disciplina era sinónimo de autoridade pelo medo e de punição física.

Presentemente, em algumas situações, passamos para o outro extremo, a ausência de limites, que poderá vir a ter graves consequências não só no desenvolvimento das crianças de hoje, como nos adultos de amanhã.

Torna-se essencial rumarmos agora para encontrar o meio-termo e a melhor forma de impor limites, sem recorrer à agressão física, com os contributos científicos a que temos acesso na actualidade.

Em primeira instância, é importante ter em consideração que os pais não podem ser apenas “bons” para os filhos. Os bons pais são efectivamente bondosos, mas, por vezes, também têm de ser “maus”. É fundamental ter sempre presente, que por muito desafiadora que a criança se possa tornar, quem estabelece as regras em casa são os pais!

Como impor limites

A imposição de limites começa desde cedo. A um bebé que durante a amamentação tenta morder o mamilo da mãe, pode ser dito um “não” com ternura. E este trabalho, às vezes árduo, de educar e de ir “balizando” o comportamento da criança, para que ela vá adquirindo por si própria a capacidade de auto-controlo, é um trabalho contínuo que tem de ser feito pelos pais ao longo de muitos anos.

Os limites ensinam à criança até onde ela pode ir. Dão-lhe segurança e permitem que aprenda a respeitar o espaço do outro. Futuramente, permitirão que se torne num adulto que compreende que existem regras em sociedade importantes de cumprir. A ausência de limites torna as crianças ansiosas, instáveis emocionalmente, numa busca incessante pelos mesmos. Poderá levar a que estas crianças se tornem adultos que acham que podem fazer tudo. Ou pelo contrário, adultos oprimidos que acham que não podem fazer nada.

Mas, então devo passar o dia a dizer “Não” ao meu filho?

Não! Também é importante que os pais escolham as suas “batalhas” e que não utilizem constantemente a palavra “Não”. Guardá-lo para situações que envolvam perigo ou quando está em causa o bem-estar do outro é uma possibilidade. Por vezes, consegue-se ajudar a criança a sair de situações difíceis distraindo-a ou dando-lhe alternativas, privilegiando o discurso pela positiva, em vez de pela negativa, o que será também benéfico para a auto-estima da criança.

É ainda importante, que os pais se “emprestem” como modelos, como o exemplo a seguir. As crianças são “esponjas”, absorvem e imitam tudo o que veem. Para elas, a observação é a ferramenta de aprendizagem mais poderosa. Às vezes, é necessário que os pais façam uma auto-reflexão sobre o seu próprio comportamento com as crianças. Um pai que pede a um filho para não bater nos colegas da escola e ele próprio, quando perde a paciência lhe dá uma palmada, não é uma atitude congruente com o discurso.

Ao longo da vida, o seu filho irá ouvir muitas vezes o “Não”. Se lidar com o “Não” desde cedo, irá garantir que no futuro, quando o ouvir, saberá lidar com a adversidade. Manterá o equilíbrio psíquico e poderá, de uma forma mais imediata, mobilizar recursos internos no sentido de encontrar outras possíveis respostas/soluções.

 

 

A leitura recreativa é um tipo de leitura que visa o ler pelo prazer de ler, abrindo as portas da criança para a imensidão a que se pode aceder.

A toda a leitura preside, por mais inibida que seja, o prazer de ler, e pela sua própria natureza – este prazer dos alquimistas – o prazer de ler não receia qualquer imagem, mesmo a da televisão e mesmo sob a forma de avalanches quotidianas. (…) Mas é preciso saber que caminho se deve seguir para o encontrar… – Daniel Pennac

A leitura recreativa é um tipo de leitura que visa o ler pelo prazer de ler, abrindo as portas da criança para a imensidão a que se pode aceder.

Promover hábitos de leitura recreativa é um dos caminhos a seguir para alcançar uma leitura prazerosa, em família.

Com as férias de verão a chegar estão criadas condições propícias à leitura recreativa.

Os pais poderão começar por solicitar à criança que escolha um livro do seu agrado, dando-lhe a conhecer os “Direitos Inalienáveis do Leitor” (extraídos da obra de Daniel Pennac), como estratégia para a motivar para este tipo de leitura:

1. O direito de não ler.
2. O direito de saltar páginas.
3. O direito de não acabar um livro.
4. O direito de reler.
5. O direito de ler não importa o quê.
6. O direito de amar os heróis dos romances.
7. O direito de ler não importa onde.
8. O direito de saltar de livro em livro.
9. O direito de ler em voz alta.
10.O direito de não falar do que leu.

A leitura recreativa implica manusear o livro enquanto objeto, folheá-lo, observar a capa e a contracapa, ler os títulos, ver as imagens, consultar os índices.

Deve também promover a interação da criança com o texto, levando-a a imaginar o que se vai passar a seguir, a comentar o comportamento das personagens, a inventar outros fins e, sobretudo, a manifestar o seu gosto pessoal pelo livro que escolheu.

Por último, os pais, em conjunto com a criança, poderão criar a sua própria Carta de Direitos, e desfrutar de agradáveis momentos de leitura em família durante o verão!

Deixem-me chorar!

Entrei no elevador, um elevador grande, de um prédio grande, cheio de espelhos grandes.

Em cada piso, vários consultórios, muitos médicos, muitas batas e muitas coisas desconhecidas e assustadoras.

Ele não tinha mais de 5 anos, escondido atrás da mãe. Já o tinha visto antes de entrar. Reparei como estava assustado. Tinha o corpo retraído, os olhos colados no chão e o soluço preso na garganta.

Antes do piso 1, começou a chorar. Era um choro encolhido, sem espaço, que não libertava todo o turbilhão interior. A mãe começou a pedir para ele parar. Schhhh! Schhhh! Como se o choro fosse uma falta de educação. Algo não permitido e incomodo. O rapazinho tentava engolir o próximo soluço, mas todo o corpo pedia um choro profundo. Todo o corpo pedia uma forma saudável de expressar o que ia dentro dele.

Sem aviso, a mãe virou-se para mim e pediu desculpa. Pediu-me desculpa por o filho estar assustado, e a chorar. Hã???

Nunca ninguém me pediu desculpa por ter a música alta demais, por atirarem um papel pela janela do carro, ou por passarem à frente só porque lhes apeteceu. Coisas que para mim fariam algum sentido serem seguidas de um “Desculpe”. Mas ali… fiquei atónita. Quando voltei a ter reação disse “Não tem de pedir desculpa, chorar faz bem. Todos precisamos de chorar.” Desta vez, foi ela que ficou atónita.

Para grande alívio da senhora, chegaram ao seu destino, não fosse eu desatar a chorar no elevador. Pisquei o olho ao rapazinho, continuei o meu caminho mas o episódio ficou comigo. Fiquei a pensar na forma como lidamos com o “CHORAR”.

Quando vem do bebé, encaramos como uma forma de comunicação, um pedido de ajuda, algo que devemos amparar emocional e fisicamente. No entanto, parece que com sorte só podemos chorar no máximo até aos 6 anos…

Quando o meu filho entrou para a primária, de um dia para o outro, o cenário mudou.

Logo nos primeiros dias de aulas, no meio das suas intermináveis corridas, espatifou-se no recreio. Quando o fui buscar, estava arranhado de cima a baixo. Claro que quando me viu, apesar do episódio ter acontecido algumas horas antes, voltou a chorar. Uma descarga emocional natural perante um adulto de referência.

A auxiliar veio logo explicar com ternura “Já lhe disse que não é preciso chorar, que ele agora está na primária e já é crescido.” Hã??? “Curioso, eu tenho quase 40 anos e choro sempre que preciso. Já não chora?” perguntei com um sorriso. Auxiliar atónita do outro lado.

Não percebo porque há tamanha diferença na aceitação do riso e do choro. São os dois fundamentais para digerir emoções e expressar sentimentos. Os dois estão ligados como o sol e a chuva. Cada um com funções distintas mas igualmente importantes. A sua dança alternada cria o equilíbrio e, como o arco-íris, podem aparecer juntos no maravilhoso chorar a rir.

O choro acompanhado (quando a criança está a chorar mas sente-se totalmente apoiada) é profundamente curativo, ajuda a libertar tensão, medo, frustração, raiva, tristeza. A criança sabe que está segura para entrar em contacto com essa parte mais escura e lamacenta, que nós estamos ali, mesmo à mão. Essa segurança permite-lhe lidar com emoções peludas e crescer emocionalmente.

Não chorar não significa que está tudo bem. Significa que há um mar de lágrimas preso numa barragem que vai enchendo em vez de a água ir fluindo para onde precisa. Nunca peças desculpa por chorar. É esta água salgada e doce que nos faz ser humanos.

 

“Do not apologize for crying. Without this emotion, we are only robots.” Elizabeth Gilbert

image@mãecatita

 

Inteligência Naturalista (entender os seres vivos e a natureza).

A Teoria das Inteligências Múltiplas de Gardner. TODOS DIFERENTES. TODOS ESPECIAIS. 

Com a chegada do verão e das férias grandes, apetece aproveitar ao máximo o ar livre, a praia, relaxar à sombra de uma árvore, passear no campo, etc.

Por essas e tantas outras razões, esta é uma excelente altura para falar sobre a Inteligência Naturalista, sobre as suas características e afinar estratégias para potenciar este tipo de inteligência nas crianças.

A Inteligência Naturalista não fazia parte do estudo original de Inteligências Múltiplas, onde Howard Gardner identificava apenas 8 tipos de inteligência.

Em 1995, depois de observar atenta e profundamente as características do mundo em que vivia, Gardner considerou a consciência naturalista essencial para a sobrevivência do ser humano e de outras espécies no planeta Terra.

A Inteligência Naturalista

A Inteligência Naturalista ativa o lóbulo occipital, que está localizado na parte póstero-inferior do cérebro. Esta área, também designada por córtex visual, recebe e processa os estímulos visuais. Esta é a responsável pela interpretação do mundo visual e pela transformação da experiência visual para a fala. É aqui que o nosso cérebro transforma estímulos visuais em palavras. 

Também conhecida como Inteligência Biológica ou Ecológica, a Inteligência Naturalista traduz-se na capacidade de compreender o mundo natural, de identificar e distinguir diferentes tipos de plantas, animais e formações climáticas. Com uma grande sensibilidade relativa à protecção e à manutenção responsável dos recursos naturais, a inteligência naturalista detecta, diferencia e categoriza as questões relacionadas com a natureza. Por exemplo, espécies animais e vegetais ou fenómenos relacionados com o clima, a geografia ou os fenómenos naturais.

Quem tem este tipo de inteligência mais desenvolvido aprende através do contato com a natureza.

“A inteligência é uma espécie de paladar que nos dá a capacidade de saborear ideias.” – Susan Sontag

Principais características das crianças que possuem a Inteligência Naturalista mais desenvolvida:

  • Têm sentimentos muito fortes por tudo o que está interligado com a Natureza;
  • Sentem-se atraídos pelo mundo natural e têm uma grande sensibilidade relativamente aos fenómenos naturais;
  • Interessam-se profundamente por assuntos relacionados com a cultura, a ciência e com o ambiente;
  • Sentem uma grande conexão com os elementos da natureza e detectam facilmente os padrões existentes;
  • Sentem interesse pelo comportamento humano e/ou animal;
  • Conhecem diferentes espécies de plantas e de animais, e também as suas características;
  • Interessam-se por ciências naturais como a geologia, a astronomia, a paleontologia, a biologia, etc.

Geralmente, estes interesses aparecem muito cedo na vida da pessoa e permanecem ao longo dos anos.

Especialistas destacam 4 sinais de crianças com esta inteligência mais desenvolvida:

  • Maior percepção do meio ambiente;
  • Têm especial interesse pela exploração;
  • Sentem necessidade de passar muito tempo na natureza;
  • Demonstram grande preocupação com o meio ambiente.

Devido à sua enorme capacidade para detectar padrões na natureza, as crianças com uma inteligência naturalista mais desenvolvida tendem a ser mais conscientes do ambiente que as rodeia tal como das mudanças que ocorrem nele.

  • Em geral, estas crianças preferem aprender na prática, “sujar as mãos”, mais do que ficar sentadas a estudar.
  • Estas crianças adoram observar insectos e descobrir tudo sobre eles, subir às árvores, saltar nas poças, desenhar plantas, animais ou paisagens e podem ficar horas a observar os fenómenos da natureza (ex. carreiros de formigas, joaninhas a voar, etc.).

O contacto frequente com a natureza é fundamental para estas crianças. É aqui que recarregam energias e que se sentem felizes. Caso isso não aconteça regularmente, a tendência é para se sentirem tristes e apáticas.

Como ajudar estas crianças?

Se for professor e tiver em sala de aula uma ou mais crianças com este tipo de inteligência mais desenvolvida é importante que desenvolva diversas atividades ao ar livre e que fomente uma aprendizagem mais prática. De forma a estimular o principal canal de aprendizagem destas crianças, organize atividades como:

  • Fazer caminhadas na natureza – todos os temas curriculares podem ser trabalhados na natureza;
  • Viajar para conhecer os diferentes ecossistemas;
  • Plantar, colher e produzir alimentos;
  • Cuidar de animais;
  • Consumir produtos biológicos, ecológicos ou orgânicos;
  • Pesquisar e preparar receitas naturalistas;
  • Visitar parques botânicos ou o jardim zoológico;
  • Sensibilizar para a protecção do meio ambiente;
  • Ter um animal de estimação na sala de aula – fomenta a conexão com o mundo animal e possibilita ao aluno de orientação naturalista um lugar seguro, onde pode relacionar-se com o mundo natural e cuidar de seres da natureza;
  • Construir um herbário, onde podem observar e classificar diversos tipos de plantas;
  • Observar o crescimento de uma planta e/ou de um animal;
  • Fazer experiências em sala, empregando o método científico.

Para potenciar a Inteligência Naturalista nos alunos que não têm este tipo de inteligência tão desenvolvido, nada como organizar passeios na natureza;

  • Levar a aprendizagem para fora das 4 paredes;
  • fazer jogos de imitação dos sons dos animais;
  • observar animais no seu meio ambiente;
  • ir ao jardim zoológico e falar sobre as diferentes espécies animais;
  • criar uma horta pedagógica, onde as crianças são responsáveis por tratar da terra e dos alimentos nela semeados;
  • falar sobre as diferentes estações do ano, observando na prática as características de cada uma delas;
  • fomentar o desenvolvimento de projetos escolares sobre o meio ambiente;
  • fazer muitas experiências científicas;
  • estudar as disciplinas de ciências no exterior (estudo do meio, ciências da natureza, biologia, físico-química, etc.);
  • implementar na escola o dia do animal de estimação, onde todos os alunos são convidados a levar para a sala de aula os seus amiguinhos animais; etc.

Em família, pode fomentar a inteligência naturalista nos seus filhos, quer a tenham mais ou menos desenvolvida, das seguintes formas:

  • Organizar atividades ao ar livre;
  • Disfrutar de piqueniques no campo;
  • Ajudá-los a escolher um animal de estimação e encorajá-los a ser responsáveis por tudo o que o animal necessita;
  • Coleccionar e observar folhas, pedras, conchas, etc.;
  • Observar a fauna e a flora, enquanto visitam parques naturais;
  • Visitar frequentemente jardins botânicos e observar todas as espécies vegetais, animais e minerais que este contém;
  • Se os seus filhos gostam de cadernetas de cromos, escolham as de animais e aproveitem para descobrir todas as curiosidades sobre cada espécie;
  • Ensine-os a respeitar e a amar a natureza e o meio ambiente, explicando-lhes a sua importância para a vida no planeta Terra;
  • Organize caças ao tesouro utilizando percursos de geocaching;
  • Façam passeios de bicicleta em família;
  • Plantem juntos uma (ou várias…) árvore(s);
  • Explique e fomente a reciclagem do lixo doméstico; etc.

Exemplos de profissões de pessoas com a inteligência Naturalista desenvolvida

Botânicos, ecologistas, ambientalistas, geólogos, zoólogos, biólogos, ornitólogos, paisagistas, veterinários, guardas florestais, jardineiros são alguns exemplos de profissões que possuem este tipo de inteligência mais desenvolvida.

Charles Darwin ou Jaques Costeau são alguns nomes conhecidos, que mostraram ao mundo como a inteligência naturalista pode ser posta em prática.

Qual o tipo de inteligência do meu filho?

Tal como não existem duas pessoas iguais, também não existem fórmulas mágicas para trabalhar as inteligências múltiplas… Dedique algum tempo a observar os seus filhos ou os seus alunos, tente compreender aquilo que os move, como encaram a vida e de que forma dão resposta às situações do dia-a-dia.

Observar com curiosidade é meio caminho para compreender qual o tipo de inteligência predominante e como esta pode ser fomentada, provocada ou estimulada.

Não somos todos iguais! Não aprendemos todos da mesma forma! Não observamos o mundo através da mesma perspectiva! Todos fazemos parte do mesmo Todo, onde são as nossas diferenças que nos tornam únicos, especiais e essenciais! Saber que existem diferentes tipos de inteligência e que todos nós aprendemos de acordo com o nosso estilo de aprendizagem, ajuda-nos a colocar menos rótulos nos outros, a ter mais humildade e a largar a necessidade de que todos ajam, pensem ou sintam da mesma forma que eu.

“Eu acho que não há inteligência sem coração. A inteligência é um dom, é-nos concedida, mas o coração tem que a suportar humildemente…”  – Agustina Bessa-Luís

Famílias têm de se registar online para ter manuais gratuitos

Os encarregados de educação têm de se registar numa plataforma online para pedir os manuais escolares que são gratuitos para os alunos das escolas públicas do 1.º ao 6.º ano, anunciou esta segunda-feira o Ministério da Educação.

A partir de agosto, as famílias e escolas vão poder usar a plataforma “MEGA – Manuais Escolares GrAtuitos”, que também estará disponível na aplicação móvel “Edu Rede Escolar”, refere o gabinete de comunicação do ministério.

O registo na plataforma é gratuito e necessário para quem pretenda adquirir os manuais gratuitamente. Após registo efetuado, será criado um código, associado ao número de contribuinte do encarregado de educação do aluno, que permitirá o levantamento dos manuais em qualquer uma das livrarias aderentes”, acrescenta.

Cerca de 500 mil alunos terão direito a manuais gratuitos, segundo o Ministério que lembra ainda que nos próximos quatro anos letivos o preço dos manuais escolares não irá aumentar, sendo apenas atualizado em função da taxa de inflação.

Famílias carenciadas

Já as famílias carenciadas, com direito a ação social escolar, vão continuar a ter manuais escolares gratuitos sem terem de se inscrever previamente na plataforma online “Mega”, esclareceu o Ministério da Educação.

De fora desta obrigatoriedade ficam todos os alunos com ação social escolar, que irão continuar a levantar os manuais como vinham fazendo nos anos anteriores, esclareceu à Lusa o gabinete do Ministério da Educação.

Para garantir que ninguém fica de fora, as escolas terão equipas disponíveis para ajudar as famílias que tenham mais dificuldades em utilizar a internet ou a aplicação agora criada, referiu.

Fonte Tvi24

Encontrar a babysitter certa pode parecer uma missão impossível!

Deixar os miúdos com uma babysitter?

É ainda, hoje em dia, algo relativamente raro em Portugal apesar de ser prática comum em outros países. Contudo, pouco a pouco, assistimos a uma quebra de alguns preconceitos e estigmas em torno do babysitting. Vamos lá, então, ver o que se passa e como podemos ultrapassar esta apreensão comum entre pais e mães.

1ª fase – Precisar de uma babysitter

Quer seja uma recém-mãe à procura da primeira babysitter de sempre ou uma mãe experiente com quatro filhos à procura da próxima, encontrar a pessoa certa pode ser uma tarefa complicada.

Quem é a babysitter? Uma amiga da família? Uma vizinha? Independentemente da resposta, deixar os filhos com uma pessoa estranha pode ser algo intimidador.

Não há dúvidas de que se irá certificar de que os números de emergência estão todos em plena vista. Relembrará a babysitter de que lhe deve telefonar se houver um problema. E mencionou que o mais pequeno deve estar na cama às 8 e meia? Será que a babysitter se vai lembrar que o mais velho tem uma alergia a amendoins? Ao sair para o compromisso para o qual a contratou  é normal que estas e outras questões lhe assaltem a mente.

Contudo, a verdade é que, se viver longe do avós e não tiver o apoio de mais ninguém, essa babysitter poderá tornar-se num recurso valioso: um dia em que o trabalho não permita sair à hora em que os seus filhos saem da escola ou do ATL, ou uma noite em que queira ir jantar fora e desfrutar da noite entre amigos sem os seus filhos, sabendo que estes ficaram bem entregues.

2ª fase – Encontrar uma babysitter

Existem, hoje em dia, diversas formas para encontrar babysitters, especialmente com a ajuda das plataformas online que ajudam famílias a entrar em contacto com babysitters nas proximidades. Essa não é a parte complicada.

A parte complicada é encontrar alguém em quem confie e que se enquadre na sua família. Isto para não mencionar o facto de várias mães e pais ficarem nervosos com a ideia de encontrar babysitters online e considerarem impossível a ideia de confiar num estranho da Internet. Por isso, para que consiga dar tranquilamente o primeiro passo porta fora, deixando o seu filho com uma babysitter que encontrou online, é preciso encontrar a pessoa certa.

E como se encontra a “pessoa certa”?

Uma poderá ter várias referências e experiência. Outra poderá cobrar um valor mais acessível, mas ter menos experiência. Uma outra poderá ainda ser perfeita, mas viver na outra ponta da cidade e não ter carta de condução, dificultando marcações de última hora. Todas têm os seus prós e contras, então como escolhemos?

3ª fase – Conhecer a babysitter

Conhecer primeiro as potenciais babysitters é uma das melhores formas de encontrar a pessoa certa para si. Aproveite esta oportunidade para discutir alguns requisitos. Se não tiver negociado isto antes de conhecer a babysitter, determine o valor a ser cobrado pela mesma. Qual é o valor por hora? Aceitará a babysitter um valor mais baixo se tudo o que tiver de fazer é sentar-se no sofá enquanto a criança dorme? Dependendo do que lhe pedir, esta poderá aceitar reduzir o valor.
Os valores são, evidentemente, importantes, mas não são a única coisa que deve ter em conta quando procura por uma babysitter.

4ª fase – Entrevistar a babysitter

Uma técnica importante para a avaliação da babysitter é fazer-lhe perguntas difíceis. Esta pessoa irá ficar a cargo dos seus filhos, por isso não tenha hesitações e não deixe nada por saber. Pergunte-lhe sobre como gere uma emergência e peça-lhe que conte a sua pior experiência de sempre como babysitter. Arme-se em Sherlock Holmes e tente ler nas entrelinhas. Não se esqueça de apresentar e explicar todas as regras, mencionando as zonas fora de limite da sua casa e o que não deverá ser feito.

5ª fase – observar a babysitter

Outra maneira de perceber se a babysitter se adequa à sua família é assistindo à interação desta com os seus filhos, à sua frente. Traga-os quando se for encontrar com a potencial babysitter e veja se existe uma ligação. Cumprimenta a criança ou apenas os pais? Sorri para as crianças, faz-lhes algumas perguntas e tem uma atitude acessível?
Saber que está a deixar os seus filhos com alguém que eles já conhecem e com quem se sentem à vontade pode tranquilizar muito o passo porta fora, em direção a uma noite relaxada e sem filhos.

Escrito em colaboração com Babysits, a comunidade de babysitting em Portugal