Inteligência Naturalista (entender os seres vivos e a natureza).

A Teoria das Inteligências Múltiplas de Gardner. TODOS DIFERENTES. TODOS ESPECIAIS. 

Com a chegada do verão e das férias grandes, apetece aproveitar ao máximo o ar livre, a praia, relaxar à sombra de uma árvore, passear no campo, etc.

Por essas e tantas outras razões, esta é uma excelente altura para falar sobre a Inteligência Naturalista, sobre as suas características e afinar estratégias para potenciar este tipo de inteligência nas crianças.

A Inteligência Naturalista não fazia parte do estudo original de Inteligências Múltiplas, onde Howard Gardner identificava apenas 8 tipos de inteligência.

Em 1995, depois de observar atenta e profundamente as características do mundo em que vivia, Gardner considerou a consciência naturalista essencial para a sobrevivência do ser humano e de outras espécies no planeta Terra.

A Inteligência Naturalista

A Inteligência Naturalista ativa o lóbulo occipital, que está localizado na parte póstero-inferior do cérebro. Esta área, também designada por córtex visual, recebe e processa os estímulos visuais. Esta é a responsável pela interpretação do mundo visual e pela transformação da experiência visual para a fala. É aqui que o nosso cérebro transforma estímulos visuais em palavras. 

Também conhecida como Inteligência Biológica ou Ecológica, a Inteligência Naturalista traduz-se na capacidade de compreender o mundo natural, de identificar e distinguir diferentes tipos de plantas, animais e formações climáticas. Com uma grande sensibilidade relativa à protecção e à manutenção responsável dos recursos naturais, a inteligência naturalista detecta, diferencia e categoriza as questões relacionadas com a natureza. Por exemplo, espécies animais e vegetais ou fenómenos relacionados com o clima, a geografia ou os fenómenos naturais.

Quem tem este tipo de inteligência mais desenvolvido aprende através do contato com a natureza.

“A inteligência é uma espécie de paladar que nos dá a capacidade de saborear ideias.” – Susan Sontag

Principais características das crianças que possuem a Inteligência Naturalista mais desenvolvida:

  • Têm sentimentos muito fortes por tudo o que está interligado com a Natureza;
  • Sentem-se atraídos pelo mundo natural e têm uma grande sensibilidade relativamente aos fenómenos naturais;
  • Interessam-se profundamente por assuntos relacionados com a cultura, a ciência e com o ambiente;
  • Sentem uma grande conexão com os elementos da natureza e detectam facilmente os padrões existentes;
  • Sentem interesse pelo comportamento humano e/ou animal;
  • Conhecem diferentes espécies de plantas e de animais, e também as suas características;
  • Interessam-se por ciências naturais como a geologia, a astronomia, a paleontologia, a biologia, etc.

Geralmente, estes interesses aparecem muito cedo na vida da pessoa e permanecem ao longo dos anos.

Especialistas destacam 4 sinais de crianças com esta inteligência mais desenvolvida:

  • Maior percepção do meio ambiente;
  • Têm especial interesse pela exploração;
  • Sentem necessidade de passar muito tempo na natureza;
  • Demonstram grande preocupação com o meio ambiente.

Devido à sua enorme capacidade para detectar padrões na natureza, as crianças com uma inteligência naturalista mais desenvolvida tendem a ser mais conscientes do ambiente que as rodeia tal como das mudanças que ocorrem nele.

  • Em geral, estas crianças preferem aprender na prática, “sujar as mãos”, mais do que ficar sentadas a estudar.
  • Estas crianças adoram observar insectos e descobrir tudo sobre eles, subir às árvores, saltar nas poças, desenhar plantas, animais ou paisagens e podem ficar horas a observar os fenómenos da natureza (ex. carreiros de formigas, joaninhas a voar, etc.).

O contacto frequente com a natureza é fundamental para estas crianças. É aqui que recarregam energias e que se sentem felizes. Caso isso não aconteça regularmente, a tendência é para se sentirem tristes e apáticas.

Como ajudar estas crianças?

Se for professor e tiver em sala de aula uma ou mais crianças com este tipo de inteligência mais desenvolvida é importante que desenvolva diversas atividades ao ar livre e que fomente uma aprendizagem mais prática. De forma a estimular o principal canal de aprendizagem destas crianças, organize atividades como:

  • Fazer caminhadas na natureza – todos os temas curriculares podem ser trabalhados na natureza;
  • Viajar para conhecer os diferentes ecossistemas;
  • Plantar, colher e produzir alimentos;
  • Cuidar de animais;
  • Consumir produtos biológicos, ecológicos ou orgânicos;
  • Pesquisar e preparar receitas naturalistas;
  • Visitar parques botânicos ou o jardim zoológico;
  • Sensibilizar para a protecção do meio ambiente;
  • Ter um animal de estimação na sala de aula – fomenta a conexão com o mundo animal e possibilita ao aluno de orientação naturalista um lugar seguro, onde pode relacionar-se com o mundo natural e cuidar de seres da natureza;
  • Construir um herbário, onde podem observar e classificar diversos tipos de plantas;
  • Observar o crescimento de uma planta e/ou de um animal;
  • Fazer experiências em sala, empregando o método científico.

Para potenciar a Inteligência Naturalista nos alunos que não têm este tipo de inteligência tão desenvolvido, nada como organizar passeios na natureza;

  • Levar a aprendizagem para fora das 4 paredes;
  • fazer jogos de imitação dos sons dos animais;
  • observar animais no seu meio ambiente;
  • ir ao jardim zoológico e falar sobre as diferentes espécies animais;
  • criar uma horta pedagógica, onde as crianças são responsáveis por tratar da terra e dos alimentos nela semeados;
  • falar sobre as diferentes estações do ano, observando na prática as características de cada uma delas;
  • fomentar o desenvolvimento de projetos escolares sobre o meio ambiente;
  • fazer muitas experiências científicas;
  • estudar as disciplinas de ciências no exterior (estudo do meio, ciências da natureza, biologia, físico-química, etc.);
  • implementar na escola o dia do animal de estimação, onde todos os alunos são convidados a levar para a sala de aula os seus amiguinhos animais; etc.

Em família, pode fomentar a inteligência naturalista nos seus filhos, quer a tenham mais ou menos desenvolvida, das seguintes formas:

  • Organizar atividades ao ar livre;
  • Disfrutar de piqueniques no campo;
  • Ajudá-los a escolher um animal de estimação e encorajá-los a ser responsáveis por tudo o que o animal necessita;
  • Coleccionar e observar folhas, pedras, conchas, etc.;
  • Observar a fauna e a flora, enquanto visitam parques naturais;
  • Visitar frequentemente jardins botânicos e observar todas as espécies vegetais, animais e minerais que este contém;
  • Se os seus filhos gostam de cadernetas de cromos, escolham as de animais e aproveitem para descobrir todas as curiosidades sobre cada espécie;
  • Ensine-os a respeitar e a amar a natureza e o meio ambiente, explicando-lhes a sua importância para a vida no planeta Terra;
  • Organize caças ao tesouro utilizando percursos de geocaching;
  • Façam passeios de bicicleta em família;
  • Plantem juntos uma (ou várias…) árvore(s);
  • Explique e fomente a reciclagem do lixo doméstico; etc.

Exemplos de profissões de pessoas com a inteligência Naturalista desenvolvida

Botânicos, ecologistas, ambientalistas, geólogos, zoólogos, biólogos, ornitólogos, paisagistas, veterinários, guardas florestais, jardineiros são alguns exemplos de profissões que possuem este tipo de inteligência mais desenvolvida.

Charles Darwin ou Jaques Costeau são alguns nomes conhecidos, que mostraram ao mundo como a inteligência naturalista pode ser posta em prática.

Qual o tipo de inteligência do meu filho?

Tal como não existem duas pessoas iguais, também não existem fórmulas mágicas para trabalhar as inteligências múltiplas… Dedique algum tempo a observar os seus filhos ou os seus alunos, tente compreender aquilo que os move, como encaram a vida e de que forma dão resposta às situações do dia-a-dia.

Observar com curiosidade é meio caminho para compreender qual o tipo de inteligência predominante e como esta pode ser fomentada, provocada ou estimulada.

Não somos todos iguais! Não aprendemos todos da mesma forma! Não observamos o mundo através da mesma perspectiva! Todos fazemos parte do mesmo Todo, onde são as nossas diferenças que nos tornam únicos, especiais e essenciais! Saber que existem diferentes tipos de inteligência e que todos nós aprendemos de acordo com o nosso estilo de aprendizagem, ajuda-nos a colocar menos rótulos nos outros, a ter mais humildade e a largar a necessidade de que todos ajam, pensem ou sintam da mesma forma que eu.

“Eu acho que não há inteligência sem coração. A inteligência é um dom, é-nos concedida, mas o coração tem que a suportar humildemente…”  – Agustina Bessa-Luís

Inteligência Interpessoal. Teoria das inteligências múltiplas. Todos diferentes, todos especiais.

“O segredo para viver em paz com todos consiste na arte de compreender cada um segundo a sua individualidade”
– Federico Luis Jahn –

Todos nascemos diferentes e especiais. Todos temos dons para partilhar com o mundo. Todos temos características para aprender com os outros. Tal como Augusto Cury dizia, o sonho da igualdade só cresce no terreno do respeito pelas diferenças. Só quando aceitamos que são as diferenças que nos tornam únicos e especiais é que conseguimos integrar as especificidades de cada um como parte importante do todo.

Com interesses diferentes, motivações diferentes, formas de aprender diferentes, necessitamos de estímulos diferentes para avançar nas nossas descobertas, na forma como interpretamos o mundo, os outros e tudo o que nos rodeia. Uns são mais sensoriais, outros mais mentais. Há os que aprendem através da experiência no corpo, outros através da música. Uns aprendem através da lógica e da matemática, outros através dos mistérios da natureza… Se é verdade que não existem duas pessoas iguais, porque continuamos a insistir numa aprendizagem linear, “chapa 4” e homogénea?

Conhecer o que motiva as crianças de hoje em dia, o que as estimula, o que desperta a sua curiosidade ajuda-nos a escolher os melhores caminhos para chegar até cada uma delas. Se percorrer os mesmos caminhos nos leva sempre aos mesmos resultados*, o que nos impede de escolher um percurso alternativo?

No artigo anterior falei na Inteligência Corporal-Cinestésica, explicando que as crianças com este tipo de inteligência precisam movimentar-se, tocar e construir para conseguirem aprender, uma vez que processam o conhecimento através das sensações corporais. Hoje irei descrever a Inteligência Interpessoal e falar da empatia como força motora deste tipo de inteligência.

Inteligência Interpessoal

A Inteligência Interpessoal localiza-se no Lóbulo Frontal, que se encontra na parte da frente do cérebro e que tem grande importância em funções executoras, na flexibilidade mental, na resolução de problemas e é responsável por várias das características que definem a nossa personalidade. É neste lóbulo que acontece o planeamento das ações e dos movimentos, assim como o pensamento abstrato.

A Inteligência Interpessoal caracteriza-se por uma grande capacidade em sentir empatia com os outros, em compreender e interpretar as suas emoções, sentimentos, necessidades, intenções e motivações. É a capacidade de entender as outras pessoas e de trabalhar com elas, de relacionar-se com os outros e de fazer amigos. As pessoas que têm este tipo de inteligência mais desenvolvida são capazes de interagir e de comunicar de forma eficaz, utilizando uma comunicação verbal e não-verbal. Têm uma sensibilidade especial para compreender as expressões faciais, a voz, os gestos e a postura das outras pessoas, assim como uma grande habilidade para lhes responder de forma adequada, sem ideias pré concebidas. Muito empáticas por natureza, estas pessoas têm uma grande capacidade de identificar as qualidades das pessoas, encorajando-as e extraindo o melhor de cada uma delas.

Principais características das crianças que possuem a Inteligência Interpessoal mais desenvolvida:

  • Têm grandes capacidades de liderança;
  • Trabalham melhor em equipa, do que individualmente;
  • São bons comunicadores (comunicação verbal e não-verbal);
  • Bons mediadores de conflitos;
  • Criativos;
  • Gostam de cooperar;
  • Têm muitos amigos;
  • Interpretam bem as situações do dia-a-dia;
  • Preferem atividades em grupo;
  • Relacionam-se bem com os outros;
  • Conseguem “ler” bem os outros (as suas intenções, necessidades, desafios).

Como ajudar estas crianças?

Se for professor e tiver em sala uma ou mais crianças com este tipo de inteligência mais desenvolvida é importante que desenvolva dentro da sala de aula o trabalho cooperativo, em grupo, onde a criatividade e a aprendizagem ativa e divertida tenham espaço.

Estas crianças gostam de ajudar os outros.  

Assim podem ser tutores ou orientadores, ensinando os colegas mais novos ou aqueles com mais dificuldades. Se quiser trabalhar a confiança dos seus alunos fomente o trabalho em equipa: estas crianças têm grandes capacidades de liderança. Conseguem identificar e valorizar as mais-valias de cada colega. Desta forma estará também a fomentar uma auto-estima saudável nos seus alunos.

Muito empáticas e boas comunicadoras, estas crianças são boas a mediar conflitos entre os colegas. Esta capacidade em compreender o outro permite-lhes entender as diferentes posições, realçar os aspectos positivos e os mais desafiantes de cada perspectiva e comunicar de forma eficaz com cada parte envolvida no conflito. Se a sua intenção é ajudar estas crianças, coloque-as como responsáveis pela gestão dos conflitos da sala de aula. Elas irão sentir-se compreendidas, valorizadas e reconhecidas.

Para potenciar a Inteligência Interpessoal nos seus alunos aposte numa aprendizagem ativa, participativa, cooperativa e divertida, baseada em jogos. Aposte nas apresentações de grupo, pesquisas ativas, clubes académicos de discussão de ideias, reuniões sociais e partilhas criativas.

Em casa, pode ajudar as suas crianças a desenvolver este tipo de inteligência incentivando atividades com os restantes membros da família e da comunidade, tais como festas de aniversário, participação nas tarefas domésticas, em grupos juvenis, em trabalho voluntário, em festas da comunidade, grupos de escuteiros, etc.

“Diga-me e esquecerei.
Mostre-me e talvez eu me lembrarei.
Envolva-me e eu então compreenderei”
– Confúcio, 450 A.C  –

Como estimular a inteligência interpessoal em crianças onde este tipo de inteligência não está tão desenvolvido?

  • Fomentar a participação em atividades de grupo, principalmente aquelas que incentivam a cooperação como o desporto e o trabalho voluntário;
  • Incentivar a prática da escuta ativa (escutar para compreender, em vez de escutar para responder);
  • Participar em atividades que possibilitam o contato com outras pessoas como a dança, o teatro, terapia de grupo ou musicoterapia.

Professores, terapeutas, atores, médicos, vendedores e políticos são alguns exemplos de profissões que possuem este tipo de inteligência mais desenvolvida.

Acredito que é importante olhar para estas características com a intenção de potenciar mais-valias, ajudar nos desafios e integrar no todo. Todos somos necessários, todos contribuímos de forma única para a nossa realidade. Ter a capacidade de olhar para um grupo de crianças (e não só…), identificar as suas características fundamentais, e o centro de inteligência predominante (mental, emocional ou físico) ajuda-nos a conectar com cada uma delas em especial e com o grupo em geral.

*Insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes
– Albert Einstein –

imagem@storyfox

Teoria das inteligências múltiplas. Todos diferentes, todos especiais. Inteligência Corporal-Cinestésica

Acabo todas as minhas aulas com a frase “Eu sou única(o). Eu sou especial!” Porquê? Porque as crianças precisam de repetir várias vezes esta frase, para nunca esquecerem o quão valiosas são, tal como são! Nascemos únicos e especiais, com todas as nossas virtudes e, também, com todos os nossos desafios. Somos perfeitos na nossa imperfeição.

Hoje em dia fala-se muito em rankings escolares, em testes de aptidão, em quoeficiente de inteligência, em ter bons resultados escolares para se ser alguém na vida, alimentando a competição e a comparação… Mas, no fundo, o que isso significa?

Seremos todos iguais, ao ponto de sermos medidos e analisados através de testes, exames e afins, que nada mais medem senão o nosso lado racional? Não haverá vida para além do intelecto? Faz sentido haver apenas um tipo de inteligência?

Se somos todos diferentes fará sentido aprendermos todos da mesma forma?

Estas mesmas inquietações levaram o psicólogo Howard Gardner, juntamente com uma equipe de investigadores da Universidade de Harvard, a analisar e a descrever melhor o que é a inteligência. Partindo do pressuposto que a vida humana requer o desenvolvimento de vários tipos de inteligências, Gardner desenvolveu a Teoria das Inteligências Múltiplas, onde identificou e definiu mais sete tipos de inteligência, para além da lógico-matemática, que é amplamente estudada e analisada nos testes de QI.

Pela primeira vez, ouvimos falar de Inteligências Corporal-Cinestésica, Linguística, Musical, Espacial, Interpessoal, Intrapessoal e Naturalista.

“Somos todos geniais. Mas, se julgarmos um peixe pela sua capacidade de subir uma árvore, ele vai passar toda a sua vida a acreditar que é estúpido.”  Albert Einstein

A Teoria das Inteligências Múltiplas reforça a ideia de que todas as pessoas nascem com o potencial dos oito tipos de inteligência. No entanto, o ambiente onde crescem (família, amigos, escola, cidade, país…) e as experiências que vivem estimulam mais um ou dois tipos de inteligência em detrimento dos outros. Por exemplo, na maioria das escolas, as inteligências linguística e lógico-matemática são mais valorizadas do que as restantes. Convém relembrar que os oito tipos têm a mesma importância e que não há uma inteligência mais valiosa. Todas são importantes e todas nos ajudam no dia-a-dia. Interessante será identificar o nosso tipo dominante de inteligência e procurar estratégias que nos ajudem a desenvolver.

A Teoria das Inteligências Múltiplas de Gardner:

inteligências múltiplas

Inteligência Corporal-Cinestésica

Numa altura em que se fala tanto em crianças hiperactivas e em excesso de energia, decidi explorar com mais detalhe a Inteligência Corporal-Cinestésica. 

Como se expressa no corpo, como ajudar crianças com este tipo de inteligência e como  potenciá-la naquelas que não a têm desenvolvida.

A Inteligência Corporal-Cinestésica localiza-se no hemisfério esquerdo do cérebro e define-se como a capacidade para realizar actividades ou resolver problemas utilizando todo o corpo, com grande precisão. É a habilidade para usar a coordenação grossa ou fina em desportos, artes cénicas ou plásticas, no controlo dos movimentos do corpo e na manipulação de objectos com destreza. A capacidade intuitiva da inteligência corporal é utilizada para expressar sentimentos através do corpo.

Crianças deste tipo de inteligência precisam movimentar-se, tocar e construir para aprenderem, pois processam o conhecimento através das sensações corporais. Conseguem comunicar muito bem através de gestos e da linguagem corporal.

Muitas crianças com este tipo de inteligência são sinalizadas como crianças com PHDA, pelas dificuldades em ficar sentadas durante muito tempo, sossegadas e atentas…

Como ajudar estas crianças?

Potenciando a aprendizagem através de jogos cooperativos, de actividades manuais e artesanais, educação física, de experiências e de materiais tácteis. Precisam de respostas corporais, da dança, do teatro, de visitas de estudo, etc. Estas crianças precisam de todas as actividades onde o corpo possa expressar-se sem tensões nem resistências.

Como estimular a inteligência corporal-cinestésica em crianças onde este tipo de inteligência não está tão desenvolvida?

Encorajando-as a praticar desportos que ampliem a sua consciência corporal; a participar em jogos mais físicos; a fazer atividades manuais como lego, plasticina, barro, etc.; a praticar natação, dança, teatro, yoga, meditação mindfulness, artes marciais

Desportistas, ginastas, bailarinos, atores, carpinteiros, artesãos, costureiros, maquinistas, cirurgiões, etc. Estes são exemplos de profissões que possuem este tipo de inteligência, porque todos precisam usar racionalmente as suas capacidades físicas.

“Podemos ignorar as diferenças e supor que todas as nossas mentes são iguais. Ou podemos aproveitar essas diferenças.”
– Howard Gardner –

Qual será a sua escolha, sabendo que todos somos diferentes e especiais?

Hoje em dia a Meditação está em voga! A maioria das pessoas já sabe o que é ou, pelo menos, já tem uma noção… O stress, a ansiedade, a correria do dia-a-dia leva cada vez mais adultos a procurar actividades que os ajudem a relaxar, a parar e a desligar do frenesim diário. A Meditação, o Yoga, o Mindfulness e tantas outras actividades do género acabam, por ser a tábua de salvação de gerações que têm pautado a sua vida pelo sucesso que alcançam tanto na vida profissional, como na pessoal.

No entanto, ser O MELHOR parece já não ser suficiente…

Mas, a minha questão é a seguinte: se os adultos se sentem “perdidos” no meio de tanta agitação, como se sentirão as crianças?

No meu percurso pelas escolas, colégios e ATL’s tenho encontrado crianças desorientadas, desorganizadas, agitadas e descontroladas. Com pais mais ou menos ausentes, mais ou menos conscientes, mais ou menos atentos, as crianças de hoje em dia têm muita dificuldade em gerir as suas emoções; em respirar fundo; em compreender oque sentem, o que pensam e em medir as consequências do que fazem. Agem sem pensar e pensam sem agir… Têm medo de desiludir os pais, mas não sabem ao certo oque isso significa. Têm medo de falhar, mas não sabem bem no quê… Sabem que têm de se portar bem, sem saber ao certo o que isso é. Dizem-lhes que devem ser os melhores, para terem um bom futuro! Que têm de ter boas notas (logo no 1º ciclo…), senão não serão ninguém na vida… Todas estas questões estão a provocar ansiedade e medo nas nossas crianças! Cada vez mais, encontramos crianças perdidas, revoltadas, desafiadoras, que levam aos limites pais e professores.

Como é que a Meditação as pode ajudar?

Sendo uma técnica de relaxamento e de auto-observação, a Meditação ajuda as crianças a concentrar; a identificar e a observar os seus comportamentos; a autovalorizar-se; a conhecer o seu potencial… Quando meditam estão apenas e só no momento presente! O passado já não existe e o futuro ainda não é conhecido.

Mas meditar é muito mais do que relaxar! É ter consciência de nós próprios e dos outros; dos nossos actos; do que fazemos e do que dizemos; do respeito que devemos ter por nós próprios e pelos outros; é ter consciência do que sentimos e conseguir partilhá-lo com os outros, da melhor forma possível.

Com maior ou menor estranheza, as crianças apercebem-se que o que lhes é pedido nesta actividade não é só estar sentado em silêncio… É-lhes pedido para partilhar o que sentem a cada momento, sem juízos de valor, sem expectativas de resposta, sem certos nem errados. É-lhes restituída a liberdade de expressão, de pensamento e de acção. No inicio ficam meio baralhados, pois estão habituados a que lhes seja dada a forma certa de fazer cada coisa. Mas depressa valorizam a liberdade que lhes é dada e aventuram-se a ser quem realmente são.

Aprendem a respirar conscientemente e apreendem os benefícios que essa prática traz ao seu corpo e ao seu dia-a-dia. Percebem que respirar é bem mais do que apenas sobreviver. A respirar de forma consciente conseguimos acalmar o corpo, a mente e o coração. A respirar de forma consciente conseguimos energizar o corpo, a mente e o coração. Conscientes da nossa intenção somos capazes de gerir de forma inteligente e mais produtiva as nossas emoções, acções e pensamentos. Rapidamente, as crianças começam a perceber o que sentem, porque o sentem e o que podem fazer para gerir da melhor forma esse turbilhão.

Quando começam a olhar para si próprias, as crianças começam a questionar tudo. Quem sou eu? Do que gosto? Do que não gosto? O que me faz feliz? O que gosto de fazer? Quais são os meus talentos? E desafios? A pouco e pouco começam a compreender e a conquistar o seu papel num mundo que antes lhes parecia tão louco… Agora já não têm tanto medo de crescer, pois começam a ter confiança em si e nas suas forças. Deixam de resistir pela força e começam a questionar, a escutar e a dialogar. Conscientes de si, começam a olhar para os outros com outros olhos. Uns olhos mais presentes, mais atentos e tranquilos.

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Hoje decidi escrever sobre a importância da prática de Meditação para as nossas crianças. Antes de começar, dei por mim a olhar para a minha própria família e a pensar no nosso dia-a-dia.  Igual a tantos outros, o nosso dia começa… a correr!

As crianças acordam a correr, lavam-se a correr, vestem-se a correr, comem a correr e saem para a escola a correr.

Na escola aprendem a correr pois o currículo assim o obriga. Brincam a correr porque os intervalos são curtos. Fazem os deveres a correr para terem um tempo livre para eles. Almoçam a correr para terem mais tempo para brincar no intervalo grande.

Quando toca para a saída, a correria é para ir para a música, para a natação, para o karaté ou para o centro de estudos. Já estoirados e sem compreender para onde correu o dia, vão para casa a correr para tomar banho,  fazer os trabalhos de casa, jantar, correr para a cama e adormecer rapidamente, pois o dia seguinte aproxima-se a correr.

Mas, afinal, andamos a correr para onde?

Observando esta correria desenfreada, questiono-me: qual o sentido de tudo isto? Para onde corremos nós? Para quê? Para onde obrigamos as nossas crianças a correr? E com que propósito?

Se a vida é para ser desfrutada e bem vivida, porque estamos a ensinar o contrário às nossas crianças? A correr não têm tempo para sentir, nem para observar, nem para questionar ou compreender o que pensam, o que sentem ou fazem. Muitas das nossas crianças sentem-se perdidas, deslocadas, incompreendidas. Muitos pais sentem-se perdidos, confusos, sem soluções para esta correria, com a qual nem sequer concordam!

Quando falo na importância da prática de Meditação para as nossas crianças, falo na importância do tempo. Tempo para parar, para respirar, para reflectir, para sonhar, para questionar, para brincar, para interagir, para olhar para dentro e perguntar “quem sou eu”? “Como sou”? “Do que gosto?” “Como me sinto”? “O que penso sobre tudo o que me rodeia?” “Como me sinto nesta correria que define a minha vida?”

Meditar não significa só estar parado a respira.  As crianças sabem-no e gostam! A brincar mais, ou menos, as crianças sabem que a Meditação ajuda-as a acalmar e a descontrair, sem pressões para correr seja lá para onde for.
Sábias e genuínas, rapidamente reconhecem os benefícios desta modalidade e tornam-se pequenos embaixadores de práticas tão importantes como a respiração consciente ou a verbalização de afirmações positivas.
De um momento para o outro, são as crianças que convidam a família a parar de correr e a começar a viver.