Meditação para grávidas e bebés com 3 meses de colo

A Meditação para grávidas e bebés com 3 meses de colo, conhecida por Baby Meditation surge como uma forma de cuidado com a mãe, o pai e o bebé.

No ventre materno ou em pós-parto nestas aulas, o bebé pode experimentar o bem estar físico e emocional da família.

Através da música e dos exercícios respiratórios vamos recriar o ambiente do ventre materno. Recriamos momentos de paz e qualidade, ensinando aos pais como se faz e quais os resultados. Se o bebe já nasceu, ele vai lembrar-se e ter uma boa reação, se está no ventre materno há um reconhecimento e momentos de felicidade.

Esta técnica reforça o vínculo materno. Vai proporcionar momentos de aprendizagem, paz, serenidade, autocontrole, diversão e descontração. Estes momentos serão essenciais durante a gravidez, no dia do parto e na recuperação pôs parto.

Mães mais serenas, trazem a casa um ambiente tranquilo e amoroso logo o bebe sente e responde na mesma medida. Toda a família ganha com esta técnica e com os seus resultados.

Após o parto há tendência, porque a grávida tem muito a que dar atenção, a desunião afetiva do casal. Esta situação poderá prejudicar enquadramento do recém-chegado. Com esta aprendizagem, a mãe percebe que há tempo útil para garantir tudo de maneira eficaz, organizada e com sucesso emocional.

O retorno à vida social depois do parto, os dias de afeto e aprendizagem com o bebe e a relação matrimonial, a regularização do peso e das horas de descanso entre outros tópicos são temas de importância e interesse para a mãe. As atividades e o apoio que o pai pode prestar na vida familiar e do bebe são aprendizagens importantes.

Detestei amamentar. Começo assim o texto para não o lerem ao engano.

Nunca pensei que a amamentação fosse um momento mágico em que ouvimos música celestial, enquanto as pequenas crias sugam o leite das nossas mamas e que o vínculo entre mães e filhos só se desse assim, ou que fosse imprescindível para as defesas dos nossos filhos, ou que todas as coisas que nos tentam enfiar na cabeça fossem a preto e branco, mas imbuída do espírito de sacrifício que toda a mãe deve ter, amamentei (ou tentei amamentar) os meus filhos.

Tive duas experiências diferentes e detestei cada uma delas.

Com a Mariana foi tudo difícil, ela nasceu antes das 38 semanas, era minúscula e fazia da mama uma chucha. Eu não o percebi e os enfermeiros que chamei trezentas vezes, enquanto estive na maternidade também não. O primeiro que me viu quando fomos para o quarto parecia uma criança maravilhada com um brinquedo novo, juro, mexeu-me nas mamas, espremeu os mamilos, eu tinha imenso leite disse-me radiante. Fiquei estupidamente contagiada com tanto entusiamo, só podia correr bem. Não correu. A Mariana passava horas na mama e quando eu os chamava todos me diziam o mesmo, que eu tinha muito leite, para experimentar dar mama deitada para um lado, depois para o outro, depois com a cabeça dela numa almofada, depois sentada no cadeirão, depois em pé, depois a fazer o pino e nada. Ralharam comigo, exigiram-me paciência. E eu tive. Eram eles que me davam as drogas para as dores e eu obedecia. Passava horas sentada num cadeirão e a minha filha passava horas irritada a tentar mamar e não se ouvia música celestial em lado nenhum. Piorou no dia em que devíamos ter alta. A pediatra informou-me que ela tinha perdido muito peso e que estava desidratada. O mundo desabou na minha cabeça. Vi-me inundada em culpa. A miúda só tem quatro dias e eu já estou a fazer tudo mal. Ainda na maternidade dávamos Leite Adaptado para ela ganhar peso e insistíamos na mama, mas a mama era o nosso momento de irritação, de frustração e de culpa. Continuava a não mamar e eu acabava por lhe enfiar um biberão cheio de LA goela abaixo. Ela ficava feliz e eu também.

Quando ela fez um mês desisti e passou exclusivamente a LA.

Com o Tiago foi tudo fácil. No recobro, assim que a enfermeira o meteu na minha mama, eu senti sem qualquer dúvida que ele estava a mamar. Aliás, aposto que se eu deixasse ele ainda hoje mamava. O meu filho nasceu de 41 semanas e três dias, era grande, e eu tal como da primeira vez, tinha muito leite e o meu pequeno bezerrito mamava de duas em duas horas. Era mamar, arrotar, mudar a fralda, mamar, arrotar, mudar a fralda, mas apesar da aparente facilidade, continuei a detestar com todas as minhas forças. Amamentar é muito doloroso, eu sei que depois melhora um pouco, mas enquanto não melhora dói, os mamilos estão gretados, sensíveis, as mamas estão sempre inchadas. Eu tinha leite para alimentar uma ninhada de gatos. Não havia discos de amamentação que aguentassem. Acordava sempre com o pijama molhado, cheguei a tomar banho durante a noite, nos intervalos em que ele me largava as mamas. Que era pouco tempo, porque acordava quatro e cinco vezes para mamar durante a noite. Era desconfortável. Sempre detestei amamentar fora de casa, sentia-me sem privacidade. E era uma prisão. A primeira vez que tirei leite com a bomba para poder sair, fui com o meu marido a um concerto, passei o concerto com as mamas a rebentar e quando cheguei a casa estavam cheias de caroços e eu chorei de dor. Eu detestava, mas o miúdo gostava e crescia e eu aceitei as condições. A única vantagem era ser grátis.

Quando ele fez cinco meses precisei de começar a tomar uma medicação e não pensei duas vezes, comecei imediatamente a dar LA em exclusivo. Como castigo, o meu filho não me deixa dormir bem até hoje.

Das duas vezes tomei a decisão de deixar de amamentar de forma consciente e sem culpa, sabendo que não estava a prejudicar os meus filhos. A amamentação está sobrevalorizada. Amamentar é alimentar e não tem que ser necessariamente com as nossas mamas. Este é um tema que gera muita discussão, não raras vezes acéfala, acusadora e fundamentalista. Existe muita pressão dos médicos, dos enfermeiros, da família e dos amigos, para que a mãe amamente, chega a ser terrorismo psicológico e pode ser demolidor para quem não souber lidar com isso. Como toda a gente sabe, ser mãe é uma condição cheia de sacrifício e se tu não sacrificas as tuas mamas pelos teus filhos, não podes ser boa mãe.

Detestei amamentar e esta é a minha experiência, não é um manifesto contra a amamentação, o que desejo é que cada mãe possa ter a sua experiência, fazendo as suas escolhas, sem culpa, sabendo que não é a amamentação que a define enquanto mãe.

A maternidade é como a idade – bonito é fingir que não passamos por ela

Recordo-me perfeitamente de estar no final da gravidez da nossa filha – inchada, com asma resultante da gravidez, um refluxo que só me permitia dormir sentada, pés que pareciam batatas – e de repente aparecer na televisão a Kate Middleton, poucas horas depois de dar à luz pela segunda vez, em pé, na rua, com o recém-nascido ao colo, num maravilhoso vestido amarelo, com ar sereno de quem não tinha feito nada de especial nas últimas horas.

Senti de imediato a pressão para ter um pós-parto igual, até me senti uma drama queen por estar estatelada no sofá a respirar com dificuldade, quando aquela mulher depois de um parto estava ali firme e hirta, penteada e maquilhada.

Quando a nossa filha nasceu voltei a sentir que era menos capaz do que a Kate – no dia seguinte ainda precisava de uns bons 10 minutos para me levantar, arrastava-me pelo quarto, usava uma mola que mal prendia o cabelo, estava pálida e olheirenta e o único vestido que me apetecia usar era o vestido de noite largo e manchado de leite da noite anterior. Estava exausta, não queria tirar fotos nem esboçar sorrisos forçados, apenas permanecer encostada à nossa filha, a apreciá-la, com direito a dormitar pelo meio.

Estive rodeada de pessoas fabulosas, mas com o regresso a casa começaram os zumbidos de “agora tens de recuperar a tua forma“, “em breve a tua vida vai voltar à normalidade“, “tens de voltar a cuidar de ti como antes”.

Por que é que temos de fingir que não mudámos, que não nos tornámos mães? Por que é que temos de “voltar à normalidade” como se nada tivesse acontecido? A que se deve tanta pressa?

A maternidade e o pós-parto tornaram-se uma espécie de capítulo curto na vida das mulheres que deve ser rapidamente lido e encerrado, sem tempo nem espaço para o viver. É como se existisse uma competição subtilmente incutida de “ganha quem recuperar mais rápido a forma, retomar a sua rotina e transparecer não ter sido mãe!”.

Ser mãe não é um capítulo, é a própria história, um aspecto que estará presente em nós pela vida fora, diria até uma característica. Não é uma fase passageira, é um modo de vida, uma escolha que fizemos e que merece ser plenamente experienciada. Ser mãe é uma eclosão! Como qualquer mudança de vida significativa, exige tempo para lidarmos com todas as transformações inerentes, emoções mais e menos positivas, certezas e dúvidas, derrotas e vitórias. Por que nos levam a pensar que devemos passar por cima disto todas apressadas? Desde quando uma mudança tão importante deve ser vivida com ligeireza?

Sou mãe, jamais serei a mesma, não me peçam para fingir que nada mudou! O meu corpo ganhou um novo formato, aquele que permite à nossa filha encaixar-se perfeitamente nele, a minha vida ganhou outras prioridades, o meu coração cresceu desmedidamente, o meu pensamento foca-se em fazer a nossa filha feliz pois essa é para mim uma fonte de satisfação.

Claro que aos poucos me vou recuperando enquanto mulher, ganhei vagar e motivação para cuidar mais de mim, para esporadicamente sair a dois. Ainda assim, nada será igual, não é suposto ser! A nossa filha existe e faz parte de nós SEMPRE, mesmo quando não está presente.

Sou uma menina-mulher que se tornou mãe e que dois anos depois continua a aprender a desempenhar este papel. Estou em constante reconstrução, ganhei responsabilidades e a bênção de criar uma família.

Onde quer que me vejam, irão ver uma mulher que nunca mais descansou o mesmo, que se questiona sobre as suas práticas parentais, que cuida menos de si, mas que transporta nos seus olhos o brilho próprio de quem reconhece o valor da honra de ser mãe – não nos tentem tirar isto!

Amamentar é daquelas coisas que tem tanto de simples como de complicado. Se por um lado dispomos de equipamento para o efeito – leia-se mamas – por outro trata-se de uma actividade nova para as partes envolvidas – a mãe nunca usou as suas mamas como fonte de alimento, o bebé nunca precisou de fazer nada para se alimentar, limitava-se a receber o alimento necessário através do cordão umbilical.

No nosso caso, foi complicado. A Letícia nasceu quase prematura, tinha os valores da glicémia baixos (esteve quase a ir para a incubadora) e por isso, depois de ter mamado o meu leite, bebeu leite artificial (LA). Mais, tinha imensa dificuldade em permanecer acordada para mamar e em fazer a pega (colocava o lábio inferior para dentro). No hospital (privado) foram incansáveis, apareciam constantemente no quarto para assegurar que a pega estava a ser bem feita, para vigiar se o leite já tinha subido/descido (ao início produzes colostro, um líquido amarelado ou transparente) e para me motivarem.

Embora no hospital tenha dado sempre leite materno (LM) e de seguida LA, em casa decidi investir mais no primeiro. Dava LM, ela adormecia, acordava pouco tempo depois a querer mamar; na altura diziam-me que devia fazer intervalos, criar horários – tudo errado!

Na primeira consulta de pediatria a nossa filha tinha perdido peso, o que para um bebé que desde o nascimento se enquadrava no percentil 15 era péssimo. Chorei muito, senti-me a pior mãe do mundo por ter insistido no LM; a pediatra deu-nos duas alternativas: abandonar o LM ou continuar a dar entre o LA. Nos dias seguintes, com o aumento de consumo do LA, notava-se um desinteresse cada vez maior pelo LM, como resultado eu produzia cada vez menos; sentia-me triste porque adorava dar de mamar (aquele momento só nosso de pele com pele) e por acreditar que o meu leite era o alimento ideal para a nossa filha. Estava prestes a desistir quando recebi uma mensagem no facebook de uma prima do meu primo (daquelas pessoas simpáticas com quem raramente nos cruzamos) que dizia algo deste género: “Olá, Tânia! Espero que tudo esteja a correr bem. Não sei se sabes que me tornei conselheira de aleitamento materno, se precisares de alguma coisa, avisa“. Lembro-me de ter chorado de tão feliz que fiquei, aquela pessoa surgia no meu caminho na hora exacta.

A primeira sessão com a Cristina (a tal prima) foi fantástica – ouviu-me, acarinhou-me, sugeriu e deixou-me escolher o caminho que iríamos seguir. Contrariamente ao que me diziam, a Cristina explicou-me e provou-me (enviou material de apoio) as vantagens de amamentar em livre demanda (sempre que o bebé quer); tal também faria com que a minha produção aumentasse. Confesso-vos que as primeiras noites foram terríveis, enquanto com o LA ela mamava e dormia várias horas seguidas, com o LM tinha de acordar constantemente para dar de mamar (no início chegou a ser de 30 em 30 minutos). Gradualmente a produção foi aumentando, passei a ter de acordar menos vezes e a dar menos LA.

Contra todas as expectativas, a nossa filha mamou até aos 12 meses, altura em que, com muita pena minha, fez o desmame natural.

Dar de mamar foi das experiências mais maravilhosas e duras da minha vida. Gostava de ter sido avisada sobre alguns aspectos desde o início, de dispor de várias alternativas que só mais tarde descobri. Posto isto, deixo-vos uma lista com as aprendizagens que fui fazendo (sobretudo com a ajuda da conselheira em aleitamento materno) e que poderão fazer a diferença entre uma amamentação feliz e uma amamentação abandonada precocemente.

1 -Prepara-te para que não acertar à primeira.
O bebé está programado para mamar, a tua mama está programada para dar leite, ainda assim nem tudo flui imediatamente. O bebé pode ter dificuldade em fazer a pega, pode ter tendência a adormecer assim que começa a mamar, entre outros; os teus mamilos podem ter um formato que não facilita a amamentação (com ajuda tal poderá ser contornado, evita recorrer de imediato aos bicos de silicone que tornam a sucção mais complicada e podem reter o leite), podem ter mais tendência a formar gretas, etc. Com o tempo (pode demorar!) vais dominar isto e perceber o que resulta com vocês.

2 – Dá de mamar sempre que o bebé quiser.
Não te foques em horários, em criar intervalos e rotinas, tudo isso surgirá naturalmente. O teu bebé necessita de se alimentar e, tal como todos nós, terá o seu ritmo de o fazer – há quem coma pouco em cada refeição, e por isso coma mais vezes ao dia, há quem coma mais em cada refeição, e por isso coma menos vezes ao dia. Além disso, o bebé mama de acordo com as suas necessidades em cada fase e será deste modo que as tuas mamas irão perceber a quantidade de leite que precisam de produzir.

3 – “As mamas não são armazéns, são fábricas”.
Esta frase da Cristina é mágica e libertadora! Quando começares a amamentar irás reparar que nos segundos que antecedem a mamada as tuas mamas parecem ter silicone de tão grandes e rijas que ficam; no final apenas te restarão duas uvas passa, moles e sem graça. Quando o bebé pede novamente para mamar e as tuas mamas ainda estão em modo uva passa sentirás que estás a produzir pouco, que ainda não tens leite suficiente para o alimentar, o que é altamente stressante. Eis que surge a Cristina com a explicação de que as nossas mamas não funcionam como armazéns, elas vão produzindo leite enquanto o bebé mama, pelo que uma mama aparentemente vazia não é uma mama inútil.

4 – Quanto mais os bebés mamam, mais leite produzimos.
Este princípio é básico mas menos óbvio do que se possa imaginar. Se sentes que estás a produzir pouco, permite que o bebé mame mais vezes ou, em último caso, recorre a uma bomba tira-leite (deverás ter muito cuidado para não começares a produzir demasiado leite e entrares num círculo vicioso em que por produzires demais tens de tirar com a bomba e ao tirar  vais produzir ainda mais).

5 – O vosso conforto é fundamental.
Apanha as almofadas todas que andem aí por casa e constrói um castelo de almofadas que te permitam (e ao bebé) sentir confortável enquanto amamentas – nas costas, por baixo dos braços, no colo, vale tudo.

6 – Respira, relaxa e aproveita o momento.
Enquanto a prolactina é a responsável pela produção de leite, a ocitocina, conhecida pela hormona do amor (é a que está também ligada aos orgasmos) é responsável por estimular a produção de prolactina e permitir que o tecido mamário se contraia de forma a que o leite passe pelas glândulas mamárias; traduzido por miúdos, a amamentação será mais fácil se estiveres relaxada pois a produção de ocitocina acontecerá de forma mais natural. Andares preocupada por teres “pouco leite” contribui para que tal aconteça.

7 – Não existem leites fracos, nem insuficientes, nem que alimentam pouco.
Vais ouvir esta frase várias vezes, sobretudo quando o bebé chora, mesmo que por  outro motivo. O teu leite é óptimo, tem tudo o que o teu bebé necessita, nas quantidades exactas. Como referi, existem bebés que precisam de comer mais do que outros, que querem mamar como forma de consolo, entre tantas outras opções que em nada colocam em causa a qualidade do teu leite.

8 – Inicia a mamada na mama em que terminaste.
Não me irei alargar em explicações técnicas, até porque não estou qualificada para isso, só quero transmitir a ideia de que enquanto amamentas a composição do leite vai-se alterando – inicialmente produzes um leite mais aguado, destinado a saciar a sede do bebé, ao passo que no final da mamada o leite torna-se mais rico em gordura e possui mais nutrientes e calorias. Se o bebé não esvaziar a mama e iniciar a mamada seguinte na outra mama poderá não chegar novamente à fase do leite mais rico em gordura; para evitar que tal suceda, deverás começar pela mama em que mamou da última vez.

9 – Existem dezenas de posições para dar de mamar.
Recordo-me perfeitamente do dia em que a Cristina me perguntou se já tinha experimentado dar de mamar noutras posições – “como assim, outras posições?!”, perguntei eu completamente baralhada. Sim, existe uma espécie de “mamasutra” a que podes recorrer, com posições que poderão ser mais confortáveis do que a posição tradicional que sempre nos foi imposta. No nosso caso, a Leti mamar sentada (posição cavalinho) permitia que ficasse mais desperta e bolsasse muito menos no final

10 – Cuida bem dos teus mamilos.
Dares de mamar com mamilos feridos/gretados pode tornar-se impossível. Deste modo, coloca algumas gotas do teu próprio leite ou usa um creme adequado.

11 – A amamentação nocturna é importante.
Conheço alguns casos de mães que decidiram “saltar” as mamadas da noite, dando LA, o que rapidamente condicionou a sua produção de leite. Durante a noite os níveis de prolactina atingem o seu pico, pelo que é fundamental dar de mamar neste período.

12 – Não laves as mamas antes de amamentar.
A mama tem um cheiro próprio que incentiva o bebé a mamar, retirá-lo não é proveitoso.

13 – Podes sentir o útero a contrair durante a amamentação.
Não te preocupes, é desejável que assim seja! Amamentar facilita a contracção do útero, isto é, que regresse ao seu tamanho original (já não precisas de um útero todo dilatado).

14 – “Passei o dia a dar de mamar”.
Poderão existir dias em que andarás de mamas ao léu por saberes que dentro de momentos darás de mamar de novo, em que sentirás que passaste o dia a dar de mamar, em que te questionarás se amamentar é assim tão importante – é natural, senti o mesmo. Não obstante, são momentos de cansaço que passam, contrariamente aos benefícios da amamentação que duram uma vida inteira.

15 – Pede ajuda, não serás menos mãe por isso.
Sem ajuda provavelmente a nossa aventura no mundo da amamentação teria durado menos de 1 mês. Se tens dúvidas, se notas que a amamentação poderia correr de forma diferente, procura ajuda profissional. Existem grupos no facebook dedicados ao aleitamento materno (embora alguns deles sejam compostos por pessoas fundamentalistas), a rede amamenta, as Cam’s de Portugal  e as conselheiras em aleitamento materno em carne e osso.

16 – Amamentar deverá ser prazeroso para ambos.
Não o será todos os dias, em todos os momentos, pelo menos convém que seja na sua maioria. Se chegaste a um ponto em que já tentaste de tudo, em que sentes que realmente não está a ser proveitoso nem para ti nem para o bebé, tens direito a não querer prosseguir (na verdade tens direito logo desde o início). O LM é fundamental para o bebé, mas a felicidade e o bem-estar da mãe são mais.

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Recém mamã, tu aí.

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Sim, tu aí, tu a minha barriga, ficas a saber que não gosto de ti! Pronto, já disse!

Há muito quem aceite a barriga, quem diga que carrega a marca de um amor maior, quem diga te chame genética ou metabolismo, ou o almoço de há bocado.

Eu, pura e simplesmente não gosto de ti! Desiludiste-me! 


Nunca foste modelo de revista, eu sei… Sempre gostaste de te acumular mais um bocadinho aqui e outro ali. Nunca exibiste uns abdominais exemplares, ou uma total ausência dos doces que como.

Mas eu não fui assim tão má para ti. Nunca abusei assim tanto da alimentação, besuntei-te sempre de cremes e coisas dessas. Tentei deixar-te sempre nutrida e saudável.

Portaste-te lindamente quando carregaste o meu bebé! Agradeço o teu esforço. Esticaste até mais não e nunca cedeste. Mas lamento, não gosto de ti! Não gosto do que te tornaste!

Desiludiste-me porque demoras a voltar ao que eras, se é que algum dia vais voltar. Não gosto de ti, porque vais-me obrigar a esconder-te no verão, e escondo-te porque, lamento dizer-te: És feia!

Não gosto de ti, porque apesar de não me definires de forma alguma, fazes parte de mim, e eu não consigo mudar-te.
Não sejas presunçosa, porque não és a marca de um amor maior. Sim, carregaste o meu filho, mas qNão gosto de tiuem o ama é o coração, não tu! Tu foste uma mera ferramenta, e como estou danada contigo, vou-te chamar obsoleta!

Há quem aceite e diga que se sentem bem com o corpo que têm. Pois eu não. Não me sinto bem, não gosto de ti, e não te acho de forma alguma bonita.

A vantagem no meio disto tudo, é que não mandas em mim.  
Vou-te odiar enquanto te mantiveres assim, e vou-te deixar bem escondida.

Porque não és tu que vais definir quem sou. Não és tu que me dás alegrias, e não és tu que me vais fazer feliz. 

Sabes, no final de contas, és só uma barriga, e eu vou continuar a esconder-te e a ser feliz, longe da tua vista!

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O leite materno é o alimento mais adequado ao seu bebé, pois é o mais adaptado às necessidades do pequeno corpo que está em desenvolvimento.

É o único alimento que foi naturalmente criado para responder às suas necessidades. Contém os nutrientes que o bebé precisa, nas quantidades adequadas sendo de fácil absorção. A sua composição varia à medida que o bebé cresce.

As vantagens do leite materno são essencialmente nutricionais, anti-infecciosas, cognitivas e imunológicas.

A sua composição proteica é adaptada à imaturidade renal e digestiva do recém-nascido. Contém menor conteúdo proteico que os outros leites e os aminoácidos contêm a proporção ideal para as diferentes fases de crescimento. A quantidade de caseína é menor, logo torna-se mais fácil de digerir.

A amamentação ajuda a proteger o seu bebé das infecções, pois os anticorpos passam para o leite. No leite materno existem proteínas que tem uma função anti-infecciosa principalmente a IgA secretora, lisozima, alfa lactoglobulina e lactoferrina. O principal hidrato de carbono no leite materno é a lactose que se encontra numa quantidade duas vezes maior que no leite de vaca. A lactose é fundamental na absorção do cálcio e para o crescimento dos lactobacilos.

O seu bebé será menos vulnerável a doenças do que os que são alimentados com leite artificial. Assim as propriedades do leite materno reduzem a incidência de otite média aguda, bronquiolite, gastroenterites agudas, infecções respiratórias baixas, infecções urinárias.

Os bebés amamentados têm menos probabilidades de ter alergias, pois o leite materno não contém proteínas alergénicas.

Também foi estudado que o aleitamento materno tem um papel fundamental no desenvolvimento da linguagem devido à estimulação da musculatura orofacial.

Para a mãe amamentar faz com que haja uma maior quantidade de ocitocina em circulação, prevenindo uma hemorragia pós-parto e uma rápida involução do útero. Verificou-se também uma recuperação mais rápida do peso anterior à gravidez e o aparecimento mais tardio da ovulação que leva a uma menor probabilidade de uma nova gravidez.

Amamentar proporciona grandes benefícios de ordem social e económica através da melhoria do estado de saúde. Os custos são menores e contribui para a protecção do planeta em termos ecológicos pela menor quantidade de produtos não biodegradáveis que posteriormente vão deixar de ser utilizados.

Por Ana Filipa Ferreira, Enfermeira Especialista em Saúde Materna e Obstétrica

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Todos os pais sabem que as 24 horas do dia parecem sempre insuficientes quando temos que tomar conta dos nossos filhos, com as várias tarefas associadas a eles, em especial quando são bebés. Ao mesmo tempo, precisamos de zelar pela saúde. Fazer exercício físico diariamente – entre as outras 827 tarefas diárias. Uff…e tempo para isso tudo?

Muitos pais já perceberam que juntar desporto e filhos é uma solução. Fazer exercício com os mais pequenos, e nem precisa de sair de casa. A ideia de «incorporar» os filhos no exercício físico tem ganho peso nas redes sociais e, por consequência, nas nossas vidas.

Um enorme aliado neste desafio é um porta-bebés. Existe, inclusivamente, o termo técnico: “babywearing workout”. Nada mais é do que carregar o seu bebé de forma segura, num porta-bebés (pela saúde do seu bebé, opte por um ergonómico!) enquanto faz os seus exercícios. E tanto serve para mães como pais.

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 As vantagens são várias, como por exemplo:

– (a mais óbvia) ter tempo útil com os seus filhos enquanto faz desporto

– os pequenos adoram andar como coalas às costas dos pais, quais pesos humanos para desenvolver os músculos dos papás

– optando por um porta-bebés, fica na mesma com as mãos livres

– num porta-bebés ergonómico (por exemplo, as mochilas, como Boba, Ergobaby, Manduca) o bebé fica numa posição confortável, e tem menos cólicas

– o bebé sente-se seguro, chora menos, e dorme mais

– ao carregar o seu bebé, para além de favorecer o desenvolvimento motor/físico, favorece o desenvolvimento emocional e neurológico da criança

– incentiva as crianças ao movimento – haverá algo mais representativo do que é ser criança do que o movimento?

– mesmo que não faça exercícios específicos, só o facto de ter o bebé como «peso» é meio caminho andado para queimar muitas calorias!
Veja os vídeos disponíveis na internet sobre aulas de dança com pais e mães com os seus bebés nas mochilas ergonómicas, além de vários sets de exercícios exequíveis em casa ou no jardim, e  experimente lá em casa.

Resumindo e concluindo: quem precisa de ginásio quando se tem filhos?  Experimente. Aproveitem para passar o próximo Dia do Pai no parque, a fazer desporto da forma mais divertida.

Ponha o seu pequeno “personal trainer” às costas e…que comecem os push-ups!

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Vê todos felizes à sua volta, o bebé está bem, mas você não consegue sentir-se satisfeita e pensa que o seu estado não é normal? A família não entende e o marido ou companheiro não sabe o que fazer?

O nascimento de um bebé pode ser um desafio para a mãe, tanto física como emocionalmente, mesmo nos melhores momentos. A perfeição é um mito, pelo que o que se pode chegar a verificar é: a melhor gravidez possível, o melhor nascimento possível, o melhor bebé possível, os melhores pais possíveis. E tanto melhor quanto o suporte familiar for efectivo, pois também pode ajudar a mãe recente na recuperação e a desfrutar do tempo com a família.

É comum e poder-se-á admitir mesmo como natural, que tanto a mãe como o pai experienciem alterações de humor com a chegada de um filho. Quem já não sentiu ou testemunhou, nesta fase, um momento de alegria enorme logo seguido de uma angústia capaz de colocar tudo em causa?

Estes sentimentos de angústia e de tristeza sentidos nos primeiros dias após o parto são geralmente designados como “Baby Blues”. Trata-se de uma fase passageira, comum, causada apenas pelas alterações hormonais bruscas que a mulher sofre no pós-parto. Em regra, nem necessita de tratamento e os sinais costumam desaparecer, naturalmente, ao fim de 15 a 20 dias depois do parto.

Todavia, algumas mães recentes podem vivenciar uma fase mais duradoura do que o Baby Blues, com sintomas que podem ter iniciado ainda na gravidez, ou decorrem há vários meses desde que o bebé nasceu ou então surgiram até um ano após o nascimento da criança. Aí, estaremos perante “Depressão Pós Parto”.

Neste caso sente-se ansiedade, choro fácil, tristeza e irritação, exaustão, maior dificuldade em concentrar-se e em motivar-se, culpa por não estar a conseguir usufruir do bebé, alterações no apetite e no sono, inadequada para tomar conta do filho recém-nascido, falta de interesse no bebé, chega a pensar em agredi-lo ou em agredir-se a si própria, ou pensa recorrentemente em morte ou suicídio…

Embora a Depressão Pós Parto afecte mais as mães, pode também incidir sobre os pais recentes, biológicos ou adoptantes. Não é causada pela gravidez ou pelo nascimento do bebé (embora possa surgir nestas fases), nem se baseia num único antecedente mas num conjunto de factores anteriores: históricos, biológicos, de personalidade, de experiências de vida, contextuais. Contudo, contam-se como factores de risco, já se ter passado por uma Depressão antes da gravidez ou por uma Depressão Pós Parto anterior, por existir história familiar de Depressão, por se verificar suporte familiar ou social frágil, por dificuldades financeiras, stress, antecedentes traumáticos, estrutura emocional fragilizada.

Alguns designam este estado como mais uma doença da civilização moderna e do estilo de vida. Por exemplo, numa cultura onde se exige à nova mãe um regresso, o mais imediato possível ao trabalho, a pressão também tende a aumentar. Ou quando a mulher percepciona a expectativa social relativamente à felicidade da mãe perante o seu bebé.

A Depressão Pós Parto requer tratamento. Não fique sozinha nesta luta! Com ajuda profissional poderá normalizar o seu estado emocional.

No âmbito do acompanhamento psicológico, a terapia cognitivo-comportamental é indicada em sintomatologia leve a moderada. Através desta psicoterapia, consegue-se alterar pensamentos disfuncionais e, consequentemente, trabalham-se sentimentos e comportamentos, além de com ela se poder praticar alguns exercícios de relaxamento.

Simultaneamente, o investimento nas relações sociais é importante para a partilha de experiências, para aprendizagem sobre a forma mais adequada, para si, de se ajustar à nova situação, para se perceber que não é caso único e que outros já passaram ou estão a passar pelo mesmo, ainda que cada progenitor ou cada criança sejam únicos e incomparáveis.

A introdução de medicação antidepressiva servirá para os estados mais severos da doença (tendo em atenção eventual influência na amamentação), a par da psicoterapia para efeito duradouro, pois uma terapia unicamente baseada em psicofarmacos não chega para travar o “alimento” da Depressão, que são as nossas cognições e crenças disfuncionais.

O apoio e cuidado por parte de quem está próximo são também relevantes.  Para isso, ajuda que as expectativas dos cuidadores sobre a evolução do estado depressivo da mãe / parturiente sejam realistas, que demonstrem disponibilidade para ajudar a cuidar do bebé (inclusivamente, promovendo os períodos necessários de descanso para a mãe), que a sua ajuda permita a concretização de objectivos diários por parte da mãe / dos pais do recém-nascido.

Com suporte e com tratamento a Depressão Pós Parto da mãe não acompanhará o crescimento da nova criança.

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A depressão pós-parto não é banal

Muitas vezes vemos posts, cartoons, textos e desabafos acerca de uma mãe extremamente cansada e esgotada, quando percorremos as redes sociais.

Efetivamente, a maternidade exige uma grande mudança, implicando uma alteração ao estilo de vida, diminuindo a disponibilidade para outras tarefas e mudando a identidade da mulher. No entanto, não podemos confundir estas alterações normais e saudáveis com uma depressão pós-parto. É negligente desvalorizar sentimentos tão fortes e intensos que constituem uma patologia bem descrita e conhecida.

Banalizar o sofrimento não acaba com ele e pode levar a que uma mulher deprimida não peça ajuda, podendo pensar que é normal que se sinta assim tão em baixo. Na realidade, não é normal estar deprimido em nenhuma fase da vida, incluindo no puerpério e, mais à frente, no decorrer da infância da criança.

A depressão é uma doença e pode ser tratada com a ajuda certa. A psicoterapia torna-se uma ferramenta fundamental para ultrapassar esta patologia e para evitar futuras recaídas, a par com a avaliação do médico para eventual intervenção psicofarmacológica. Uma depressão pós-parto que não é tratada, pode perdurar anos e não é raro receber pacientes em consulta com queixas depressivas que, ao procurarmos o início dos sintomas, vamos encontrar o nascimento de um filho que pode até já ser adolescente.

Diferente do blues pós-parto, em que existe uma perturbação breve e moderada do humor, num número muito elevado de mulheres, e também diferente da psicose puerperal, que atinge um número reduzido de mulheres e que se trata de uma perturbação psicopatológica grave, a depressão pós-parto surge por volta do 2.º ou 3.º mês após o nascimento do bebé. Os sintomas podem ser menosprezados porque estão associados ao cansaço e ao desgaste provocados pela acumulação dos cuidados a prestar ao bebé. No entanto, importa perceber se estes sintomas são intensos e permanecem no tempo: tristeza, perda de interesse, alterações no apetite, perturbações do sono, perda de energia, pessimismo ou culpabilidade, ideação suicida. Paralelamente, na depressão pós-parto os sintomas físicos costumam estar mais exacerbados: cefaleias, cansaço extremo, choro fácil, etc.. De acordo com a literatura, existem poucas evidências de que a depressão pós-parto esteja associada apenas a mecanismos biológicos (alterações hormonais e metabólicas). Neste sentido, muitos autores têm evidenciado a importância dos fatores biológicos, obstétricos, sociais e psicológicos como causas conjuntas para a depressão pós-parto.

O suporte social é fundamental na prevenção da depressão pós-parto, com o cônjuge e a família como prestadores principais da mulher.

Uma gravidez não desejada, as dificuldades na amamentação ou um parto difícil, podem ser o rastilho para o declínio do bem estar psicológico da mãe.

Importa aqui salientar que uma mãe deprimida está em sofrimento e precisa de ajuda. A culpabilidade característica da doença, juntamente com a conivência do exterior, pode levar esta mãe a não pedir ajuda, afetando a evolução dos sintomas, a relação conjugal e a relação mãe-bebé. A mãe deprimida pode sentir-se menos competente, menos ligada emocionalmente ao bebé, mais dependente de terceiros e mais isolada socialmente. E assim chegamos de um extremo a outro: num lado temos a “super-mãe”, fiel aos seus instintos, capaz de tudo, cuidadora incansável e ultra-resistente à frustração; do outro lado temos uma mãe que luta contra todas as dificuldades, internas, físicas e do exterior e que acaba o dia desesperada, mas que recebe uma certa confirmação do senso comum de que é normal sentir-se assim.

Nenhuma mãe é perfeita, mas é suposto que possa viver a maternidade de uma forma positiva e satisfatória.

Não isenta de frustrações, a maternidade dá à mulher uma resposta emocional sobre que filha fomos e que mãe somos agora… em que mulher nos tornámos. E é suposto que sejamos capazes de usufruir do lado positivo da maternidade, sem lentes depressivas que ofusquem essa maravilhosa experiência.

A depressão pós-parto não é banal e deve ser tratada.

Por Marta Russo, Psicóloga Clínica /Psicoterapeuta, Healthy Mommy

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Dos tempos de internamento, lembro-me de entrar nos quartos e encontrar mães com poucas horas pós-parto, na maioria das vezes doridas, cansadas, inseguras com o seu novo papel de mãe e às voltas com a amamentação, que afinal não está a ser tão fácil como tinham pintado! A juntar a este cenário lembro-me de quartos cheios de visitas (Família, amigos e lamentavelmente por vezes até conhecidos)

Por onde anda o bom senso?

Recentemente ao substituir uma colega fui “matar” saudades ao internamento de obstetrícia. E como é meu habito, lá fui eu, entrando de quarto em quarto para me apresentar e conhecer as mães que iam estar sob os meus cuidados naquela tarde. Ao entrar no 3º quarto deparei-me com uma família inteira e devia de ser, mesmo, a família toda (pois eram muitos), em cima da cama da Puérpera. O objectivo era fazer uma foto com o famoso pau da Selfie. No meio estava a recém-mãe, com o bebé nos braços, tentando sacar um sorriso das suas entranhas, um sorriso que se negava a sair. Já tinham saído bastantes coisas do seu corpo, nas últimas horas…

Ajuda, foi o pedido que vi nos olhos daquela jovem mãe! De repente senti que entrei naquele quarto para a salvar!

Visitar o bebé | Avisar que o bebé nasceu
É habitual, aconselhar nas minhas aulas, o casal, para que combinem previamente, quem vão avisar que o bebé nasceu. Há duas hipóteses: ou avisam apenas aquelas pessoas que são muito importantes (pais, irmãos e avós). Pessoas a quem a qualquer hora se pode pedir, para saírem e deixarem a mãe e o bebé sozinhos; Ou avisam todas as pessoas da lista telefónica do casal, mas são bem claros, enviem uma mensagem que informe que o bebé nasceu e que agradecem visitas só a partir do dia X.

Claro que o nascimento é um momento de alegria para a família e para os amigos! Melhor ainda é encontrar no quarto da recém-mãe o amigo que já não via há quase dois anos. E porque não colocar a conversa em dia? PORQUE NÃO!!! Porque esta recém-mãe quer é que lhe tirem as dores, que o seu bebé pegue de uma vez por todas  no mamilo sem a sensação que o vai arrancar.

Quer tomar um duche, sem o risco de alguém entrar pelo quarto a dentro e dizer – Surpresa!!!

Já tiveram filhos? Provavelmente revêm-se nestas histórias e percebem lindamente o que digo.

Se não tiveram, vou tentar explicar com as palavras da mãe que salvei da  selfie. Palavras que saíram entre soluços:

– Parir dói (nem imagino se tivesse sido cesariana)! Já não durmo há duas noites, estou cansada! Disseram-me que é importante adaptar o bebé à mama nas primeiras horas, mas se tenho meia dúzia de pessoas a olhar para mim, não consigo concentrar-me e não me sinto confortável em me expor desta maneira! Será que a “malta” não se dá conta, esta camisa é horrível, estou praticamente despida! Não paro de suar, não paro de sangrar… não quero que vejam os restos do meu parto na minha cama…

Meu Deus, só me apetece chorar. Aliás, apetece-me  gritar, amiga, tia, prima, vizinha, gosto muito de vocês, mas agora não é o momento, para falarmos sobre a vossa próxima viagem, nem para ouvir conselhos de “experts” em bebés! Agora NÃO!

Se este texto já vos chega tarde, e já fizeram a visita da “praxe” espero que:

  • Tenham colocado o telefone no modo silencio, o ideal era terem desligado, para não correrem o risco de atender alguma chamada em plena visita
  • Não tenham levado crianças (pior ainda … doentes)
  • A visita tenha sido curta, não mais do que 15m
  • Tenham saído do quarto, com as restantes visitas, quando entraram médicos ou enfermeiros. É o que se chama: Respeito!
  • Não tenham tirado fotos ao bebé ou à mãe sem consentimento, muito menos publicá-las em qualquer rede social
  • Tenham lavado as mãos antes de entrar, mesmo que não tenham tido contacto com o bebé
  • Não tenham insistido para pegar no bebé o colo.
  • Não tenham feito comentários sobre a má cara que a recém-mãe tem ou a palidez ou pior ainda sobre o tamanho da sua barriga

Para além de tudo, não façam julgamentos sobre a opção que a jovem mãe tomou em amamentar ou não o bebé. Frases do tipo: – “Acho que o bebé está com fome” ou -“provavelmente é o teu leite que é fraco” , são desnecessárias!

Continuação em Visitas a casa de um recém-nascido, não Obrigada!