Principais sinais de alerta para a PHDA de acordo com diferentes idades

É difícil de detetar e fácil de confundir.

Sim, é uma alteração neurológica cada vez mais comum mas, ao contrário do que possa parecer, nem sempre é simples identificar os sintomas da Hiperatividade com Défice de Atenção (PHDA).

Não pense que esta perturbação é provocada por falta de empenho ou de dedicação e até de uma eventual má educação dada pelos pais em casa. Não! Se o seu filho tem este problema é porque se verificam fragilidades nas ligações neuronais em determinadas áreas cerebrais, normalmente mais pequenas se comparadas com as de outras crianças.

O que é a PHDA

A PHDA é uma condição física crónica que se caracteriza pelo subdesenvolvimento e disfunção de algumas partes do sistema nervoso central.  Manifesta-se, regra geral, por volta dos 3 anos e, quase sempre, antes de atingir os 7.

Consiste numa perturbação do desenvolvimento neurológico que provoca um excesso de atividade motora, baixo controlo da impulsividade e/ou dificuldades de concentração. Estas crianças têm dificuldade em selecionar informação e em prestar atenção a dois estímulos em simultâneo.

Surge, geralmente na primeira infância, com diversos sinais de alerta, que variam consoante o género e a idade. Podem prejudicar ou ter impacto na aprendizagem e no desenvolvimento social.  Estima-se que afete entre 5 a 7 por cento das crianças em idade escolar e cerca de 4 por cento dos adultos.

Os especialistas não têm dúvidas, as crianças com hiperatividade não tratadas a tempo terão mais dificuldades na adolescência, tanto ao nível do aproveitamento escolar, como, também, da socialização. A falta de intervenção adequada pode ter um efeito devastador ao longo da vida.

Para que não persistam dúvidas: regra geral, as crianças e os adultos com hiperatividade têm uma inteligência acima da média e podem vir a aproveitar o seu potencial, caso sejam bem acompanhadas à medida que vão crescendo.

Não existe, todavia, uma intervenção que suprima esta condição neurológica, mas quanto mais cedo o diagnóstico melhor.

A equipa do SEI tem vasta experiência em lidar com esta perturbação, nomeadamente ao nível da deteção precoce e da implementação de estratégias psico-educacionais capazes de minimizar o problema, melhorando o desempenho escolar ou profissional e as relações interpessoais.

Dentro da PHDA há diferentes níveis de intensidade, ou seja, os sintomas vão variando de pessoa para pessoa, do mais ligeiro ao mais grave.

Neste artigo pretendemos assinalar os principais sinais de alerta de acordo com a idade da criança. Consulte a lista e observe o seu filho por um período de tempo, nos diversos contextos do seu dia-a-dia, e verifique se apresenta alguns dos sinais de alerta.

Lembre-se que, ocasionalmente, todas as crianças manifestam comportamentos mais impulsivos, agitados ou desatentos. É necessário saber distinguir os diferentes comportamentos de acordo com os contextos.

Se suspeitar que o seu filho possa ter uma PHDA consulte um profissional e solicite uma avaliação especializada.

Principais sinais de alerta para a PHDA

Idades compreendidas entre os 3 anos e os 7 anos

  • Apresenta dificuldades em iniciar tarefas e/ou rotinas diárias, como vestir ou arrumar os brinquedos;
  • Frequentemente, ignora ou cumpre tardiamente as instruções/indicações/pedidos que lhe são dados;
  • Apresenta/Manifesta dificuldade em manter-se sentada durante as refeições ou na realização de atividades de grupo comparativamente com as crianças da mesma idade;
  • Levanta-se, mexe-se ou conversa em situações onde é pedido/suposto ficar sossegada ou em silêncio;
  • Apresenta dificuldades em terminar uma atividade para iniciar outra;
  • Esforça-se para fazer as atividades/tarefas com cuidado;
  • Necessita de ser relembrada, frequentemente, para parar ou ouvir;
  • Tem dificuldade em prestar/manter a atenção comparativamente com as crianças da sua idade;
  • Vai buscar coisas/materiais sem permissão;
  • É incapaz de esperar pelas instruções/indicações da tarefa antes de a iniciar;
  • Demora bastante tempo e/ou necessita de encorajamento para realizar as suas rotinas diárias;
  • Apresenta dificuldade em relembrar-se das indicações/pedidos;
  • Apresenta dificuldade em lembrar-se/recordar-se de factos que aprendeu recentemente;
  • Tende a ficar aborrecida ou irritada (frustrada) em situações de menor importância;

Idades compreendidas entre os 8 anos e os 12 anos

  • Apresenta dificuldades em iniciar tarefas/atividades, principalmente/especialmente quando a tarefa/atividade apresenta mais do que um passo;
  • Frequentemente, é inquieta/irrequieta;
  • Frequentemente, é irrequieta, conversadora em situações onde é pedido/suposto ficar sossegada ou em silêncio;
  • Tende a esquecer-se do que acabou de ouvir ou ler, a não ser que seja algo do seu interesse;
  • Frequentemente, realiza as tarefas/atividades de forma apressada e/ou descuidada;
  • No quotidiano não é capaz de demonstrar todas as suas capacidades/competências, na escola ou na realização dos trabalhos de casa;
  • Desconcentra-se, e/ou fica “no mundo da lua”, frequentemente;
  • Frequentemente, muda de tarefa/atividade sem terminar as anteriores;
  • Apresenta dificuldades em lembrar-se do que fez no seu dia-a-dia;
  • Tende a esquecer-se de entregar/fazer recados e/ou os trabalhos de casa;
  • Esforça-se para não perder as suas coisas;
  • Apresenta dificuldades em esperar pela sua vez, para se juntar numa conversa ou atividade;
  • Preocupa-se, que se vá esquecer do que quer dizer, a menos que o diga imediatamente;
  • Apresenta dificuldades em pensar nas consequências das suas ações;
  • Frequentemente, fala ou faz coisas sem pensar nas consequências;
  • Trabalha devagar;
  • Apresenta dificuldade em terminar tarefas/atividades dentro de um período de tempo razoável;

Adolescência

  • Apresenta dificuldades em organizar-se ou estabelecer prioridades;
  • Apresenta dificuldades em iniciar os trabalhos de casa e/ou uma tarefa/atividade proposta/atribuída;
  • “Desliga”/Desconcentra-se quando está a ouvir alguém ou a ler;
  • Frequentemente, necessita de reler as informações dadas ou de pedir às pessoas que repitam o que disseram porque não se lembra;
  • Apresenta dificuldade em manter-se focada;
  • Frequentemente, se desconcentra da tarefa/atividade, a menos que a mesma seja do seu interesse;
  • Frequentemente, realiza as tarefas/atividades de forma rápida e desconcentrada/desorganizada, originando erros;
  • No quotidiano, não é capaz de demonstrar todas as suas capacidades/competências, na escola ou na realização dos trabalhos de casa;
  • Apresenta dificuldade em recordar-se/lembrar-se das informações quando necessário;
  • Esforça-se, na realização dos testes, para se recordar/relembrar o que estudou e/ou sabia na véspera;
  • Apresenta dificuldades em lembrar-se do que fez no seu dia-a-dia;
  • Frequentemente, esquece-se de escrever o que tem de fazer e de as fazer;
  • Frequentemente, age de maneira impulsiva;
  • Fala ou faz coisas sem pensar no que pode resultar;
  • Frequentemente, trabalha devagar;
  • Apresenta dificuldade em cumprir prazos e/ou em finalizar os testes dentro do tempo atribuído;
  • É inquieto/irrequieto frequentemente;
  • Frequentemente, não consegue parar de falar ou de mexer nos objetos com a mão.

Quase nunca me sinto cansado.

O mundo é um sítio enorme, cheio de coisas para descobrir, mas… tenho de ir para o colégio. Lá, tenho de fazer coisas que, às vezes, não me apetece nada.

Prefiro mil vezes brincar no recreio.

Eu sei que custa a acreditar, mas eu bem que quero e tento passar a matéria do quadro, só que é sempre nessa altura que tudo acontece. O meu colega do lado começa a conversar comigo, lá fora um carro apitou, ouço o Manel a falar baixinho lá atrás, um lápis caiu no chão, eu distraio-me e… Pronto! Quando volto a olhar para o quadro, já não sei onde é que eu ia. Fico baralhado e demoro a achar em que parte fiquei. Entretanto, já todos acabaram de passar a matéria, menos eu. Fico chateado…

A professora costuma dizer: – João, já acabaste de passar a matéria? Preciso de apagar o quadro!

Custa-me prestar atenção à aula e ao que a professora diz.

Ela pede-me para eu ser mais organizado com o material, mais atento à explicação da matéria, mas… Uma coisa é certa: concordo que me mexo muito, levanto-me da cadeira várias vezes, faço barulho com o lápis, falo muito e atrapalho a aula.

Acontecem-me quase sempre duas coisas: ou faço as coisas mal feitas porque quero fazê-las o mais depressa possível para ser o primeiro a acabar, ou então até quero fazer tudo bem feitinho e até ao fim, mas… não consigo! Começam os comentários: “preguiçoso”, “não te esforças”… Às vezes parece que ninguém me entende.

Por mais que eu tente, não consigo prestar atenção e terminar as tarefas tão bem como os outros. Como eu gostaria… A sério!

Quando estou com os meus amigos e vem à baila a matéria da aula, começam a rir. Às vezes até me chamam “totó”. Todos acham imensa graça… menos eu!

Quando estou na sala, sentado sozinho na mesa, sem perceber nada do que a professora está a dizer, começo a roer o lápis, a desmontar as canetas, a fazer desenhinhos no livro, a dobrar as pontas das folhas do caderno e a mexer com os pés sem parar.

Acho que preciso de estar em movimento para me sentir melhor.

A professora até diz que parece que tenho um tal de “bicho carpinteiro” no corpo. Às vezes também pergunta se a cadeira tem formigas porque não paro sossegado. Já reparei que quando a professora me faz uma pergunta eu respondo imediatamente. Na verdade, às vezes até respondo antes de ouvir a pergunta até ao fim. E só quando estou a responder é que reparo que não era nada daquilo…

E quando é para escrever? É complicado… Eu bem que gostaria de não ter de escrever aquilo tudo. Custa tanto!

Vou confessar um segredo: acho muito mais interessante ver o que se está a passar fora da sala de aula. Pela janela, vejo as folhas das árvores a balançarem, as nuvens a andar e o passarinho a voar. Pela porta, vejo quem está a passar no corredor.

Fico triste, irritado e confuso porque sei que as pessoas às vezes ficam cansadas de mim.

A minha professora já escreveu vários recados na agenda para a minha mãe: “ O João não fez os trabalhos de casa!”, “O João não trouxe o material”, “O João…”. Diz que sou distraído, que quando vou no corredor não olho por onde ando, que deixo cair as coisas das mãos, que vivo “no mundo da lua”. Fico triste. Às vezes tento disfarçar, finjo que não ligo… mas não é verdade!

Um dia, gostaria que todos dissessem: “- Olha, o João foi top! “ – Ah, como eu gostaria de ser top a fazer uma tarefa da escola. Lá em casa não é muito diferente da escola. Quando alguém faz alguma coisa de errado… “Foi o João!” E na verdade fui mesmo. Sei que não sou tão cuidadoso como deveria ser. Quando dou por mim… já fiz! E quando chega a hora de fazer os trabalhos de casa? É mau. A minha mãe começa a dizer para eu ir fazer os trabalhos de casa, eu enrolo, digo que vou já fazer, enrolo mais um bocadinho, digo que vou agora, ainda consigo arranjar mais uma desculpa, até ao ponto de ela ficar irritada e perder a paciência. Uma vez até fez o trabalho por mim… mas a professora percebeu logo!

Chegou um dia que a professora chamou os meus pais à escola e aconselhou-os a levar-me a um psicólogo porque ele poderia ajudar-me. Claro que disse logo que não. Fiquei com medo que os meus colegas inventassem mais um apelido. Mas… não tive saída. Lá fui, e até gostei, senti-me mais tranquilo! Conversou comigo e pediu-me para fazer umas coisas.

Então, num outro dia, o psicólogo chamou os meus pais e recomendou que eu fosse a um médico.

Pensei: “Será que estou doente?”. Quando cheguei lá, o médico falou comigo, fez-me muitas perguntas e até me pediu para fazer umas coisas também. Bem simpático! Ele disse que eu tinha dificuldade em prestar atenção e em ficar quieto e até disse como é que isso se chamava, mas é um nome tão comprido que eu não me lembro agora. Aliás, o psicólogo e o médico disseram que eu sou um miúdo inteligente. Como eu gostaria que os meus amigos tivessem ouvido!

Às vezes fico a pensar: Mas porque é que eu não consigo prestar atenção e fazer as tarefas se sou inteligente? Porque é que eu consigo passar horas infinitas em frente à televisão? Porque é que eu consigo jogar tão bem no computador e até ganhar ao Duarte?

A verdade é que me sinto melhor desde que todos me estão a ajudar: a minha família, a minha professora, o psicólogo e o médico. E eu estou a fazer o melhor que posso: a minha letra melhorou, já consigo prestar mais atenção, agora penso mais antes de fazer alguma coisa. Às vezes relaxo um bocadinho, mas depois esforço-me e continuo. Um dia, já nem sequer irei lembrar-me da frase: “- João, já acabaste de passar a matéria? Preciso de apagar o quadro!”.

Esta história é para ti

A ti: A história do João foi escrita para ti. O João conta coisas que sabes melhor do que ninguém. Por exemplo, como é ter aquilo que tem um nome mais difícil e comprido que “otorrinolaringologista”, a “perturbaçãodehiperatividadecomdéficedeatenção”.

De certeza que já te passou pela cabeça conversar com os teus pais, com a tua professora, ou com um profissional sobre como é difícil prestar atenção ou permanecer quieto. Poderás ler a história com eles, contar-lhes no que te pareces com o João e no que és diferente dele, e fazer-lhes todas as perguntas sobre as tuas dúvidas.

A história do João poderá ajudar-te a ter essa conversa!

Photo by Eddie Kopp on Unsplash

Mitos sobre Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção

“A PHDA é uma perturbação real. Afeta na maioria das culturas cerca de 5% das crianças e 2,5% dos adultos.”

Diariamente somos assolados pelas mais diversas fontes de informação sobre crianças, desenvolvimento infantil, perturbações, temperamentos e características comportamentais dos alunos de hoje em dia.

Uma das siglas que nos invade frequentemente, tanto em slogans, outdoors publicitários, folhetos, posters farmacêuticos, como sendo parte integrante de diversos títulos de reportagens, é a sigla PHDA – Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção.

Mas, o que é afinal a Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção?

Apesar das enumeras investigações científicas na área, cada vez mais diversificada e com metodologias cuidadosas, há mitos que tendem a persistir e a perpetuar-se até à atualidade. Neste artigo, procuramos esclarecer alguns mitos e contribuir para dar resposta a questões tão prementes como a classificação da PHDA, enquanto verdadeira perturbação do desenvolvimento.

1º Mito

A PHDA não é uma perturbação médica real

Não é verdade.

A PHDA é uma perturbação do desenvolvimento. É legitimamente reconhecida pelas organizações mais distintas nas áreas da medicina, da psicologia e da educação, quer a nível nacional, quer a nível internacional. A sua classificação, descrição e respetivos critérios de diagnóstico, estão presentes no principal manual de diagnóstico e estatística das perturbações mentais, DSM-V, elaborado pela associação Americana de Psiquiatria.

A PHDA tem uma origem multifactorial. Várias investigações dão sustentação a uma base neuropsicológica, onde se assiste à conjugação de fatores biológicos com as experiências do indivíduo nos seus contextos de interação.

Alguns sinais de alerta tendem a caracterizar-se por:

  • dificuldades na manutenção da atenção,
  • impulsividade,
  • excesso de atividade motora.

Tais comportamentos têm impacto:

  • no quotidiano de crianças e jovens
  • a nível do seu desempenho escolar
  • a nível da sua interação social, com repercussões na atmosfera da família.

2º Mito

A PHDA resulta de uma má educação e de estilos educativos parentais deficitários

Não é verdade.

A PHDA é uma perturbação real. Afeta na maioria das culturas cerca de 5% das crianças e 2,5% dos adultos. A dificuldade manifesta-se no incumprimento de regras e de normas, assim como na irrequietude constante destas crianças e jovens.  Estes comportamentos não podem ser atribuídas às especificidades da educação ou do estilo educativo parental, pois ultrapassam os padrões de parentalidade, centrando-se numa fragilidade ao nível da autorregulação comportamental.

Ao contrário do pensamento vigente ou mesmo do senso comum, as crianças com PHDA não cumprem determinadas tarefas ou não acatam determinadas regras porque não queiram ou porque não saibam o que devem fazer, mas sim por causa de uma incapacidade em cumprir, apesar do esforço que muitas vezes aplicam à concretização da atividade. 

3º Mito

A PHDA é o resultado de uma ingestão exagerada de açúcar por parte das crianças

Não é verdade.

Na realidade, muito se tem falado dos efeitos da ingestão do açúcar no cérebro e das possibilidades de integração da referida ingestão em quadros de dependência ou de comportamentos mais extremados, caracterizados pela adição. As investigações conhecidas na área da PHDA não corroboram a teoria de que o açúcar possa estar na origem desta perturbação desenvolvimental.

4º Mito

A PHDA é a designação moderna para crianças mal-educadas e preguiçosas

Não é verdade.

A PHDA é uma perturbação com um quadro diagnóstico concreto e diferencia-se, em larga escala, do efeito de determinado estilo educativo parental, ou mesmo de um comportamento pautado pela falta de investimento.

Na realidade, alguns comportamentos característicos de uma criança com PHDA, quando não devidamente analisados, podem facilmente confundir-se com preguiça e má educação uma vez que sobressaem as dificuldades no cumprimento de regras e normas, a emergência de birras e a manifestação de desinteresse nas tarefas. As crianças com PHDA apresentam uma dificuldade efetiva na concretização de tarefas que exijam um longo esforço mental e na antecipação das consequências dos seus atos.

5º Mito

A PHDA afeta unicamente os rapazes

Não é verdade.

A PHDA tanto surge em rapazes como em raparigas. No entanto, é verdade que o seu diagnóstico é mais frequente no género masculino, seja em crianças ou em adultos. Nas crianças a relação é de 2 rapazes para uma 1 rapariga. Nos adultos, a relação é de 1,6 homens para 1 mulher. Os quadros sintomáticos tendem a ser diferentes ao nível do género, sendo que o feminino apresenta mais sintomas de desatenção do que o masculino.

6º Mito

Só as crianças com hiperatividade é que têm PHDA

Não é verdade.

A agitação motora faz parte de um percurso desenvolvimental saudável. Por conseguinte, só quando a agitação motora se torna exacerbada, capaz de influenciar negativamente os vários contextos de interação (casa, escola, sociedade em geral), tornando-se por si só desadaptativa e comprometendo o desenvolvimento global da criança, é que podemos estar perante um quadro de perturbação.

Por seu turno e apesar da hiperatividade se apresentar como um dos sintomas mais prementes e comuns de uma PHDA, uma criança pode ter o mesmo quadro diagnóstico mas sem a presença deste sintoma. Tal facto deve-se às vários tipologias/subtipos de PHDA.

7º Mito

As crianças que usufruem de condições especiais na escola devido à PHDA recebem injustamente vantagens educativas relativamente aos seus pares

Não é verdade. Uma criança que apresenta um diagnóstico de PHDA tem fragilidades sobretudo ao nível da manutenção da atenção e, consequentemente, apresenta dificuldades na capacidade de concentração. Pode também manifestar dificuldades ao nível da autorregulação comportamental. Ao integrar estas crianças ao abrigo de um estatuto de necessidades educativas especiais, estamos a conferir-lhes ferramentas e estratégias o mais adequadas possível ao seu perfil, para que consigam estar num nível similar ao dos seus pares, sempre numa perspetiva equitativa e inclusiva do processo de ensino-aprendizagem. Em síntese, o objetivo não é beneficiá-las, mas diminuir a sua desvantagem, à partida, relativamente aos seus pares.

8º Mito

A

Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção

passa com a idade

Não é verdade.

A PHDA tende a apresentar-se como uma condição de vida, revelando cronicidade e evolução ao longo da mesma.

Os sintomas tendem a alterar-se, verificando-se em alguns casos diminuição ao nível da agitação motora. Os sintomas inerentes às dificuldades na atenção, autorregulação comportamental e impulsividade tendem a persistir no tempo ou mesmo a agudizar-se. Quando não diagnosticada atempadamente a PHDA pode originar outras dificuldades.

9º Mito

A ritalina é a cura para a PHDA

Não é verdade.

A ritalina é considerada um psicoestimulante cujo princípio ativo é o cloridrato de metilfenidato. É o medicamento mais comumente utilizado no tratamento da Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção. Pode ajudar as crianças a melhorar a sua atenção e concentração, e a diminuir o seu comportamento impulsivo. Este fármaco é utilizado como parte integrante de um programa de tratamento, que tende a incluir terapias e estratégias cognitivo-comportamentais centradas nas áreas da psicologia, educação e na área social.

10º Mito

A toma de ritalina origina um atraso no crescimento das crianças

Não é totalmente verdade.

De acordo com algumas investigações e segundo o INFARMED, a utilização de metilfenidato por um período superior a um ano pode originar um atraso no desenvolvimento de algumas crianças. De acordo com o INFARMED este efeito secundário afecta menos de 1 em 10 crianças. Daí a necessidade premente de supervisão médica aquando da utilização do referido fármaco.

11º Mito

A PHDA não está associada a outras perturbações

Não é verdade.

A maioria das crianças com PHDA tende a apresentar outras perturbações associadas. Mais especificamente perturbações de humor, perturbações de ansiedade, perturbações da conduta e dificuldades de aprendizagem, que se manifestam isoladamente ou em conjunto.

12º Mito

Há cura para a PHDA

Não se sabe.

As várias notícias ilustradas nas mais diversas revistas, jornais e outras tipologias informativas que retratam curas milagrosas para a PHDA são divergentes da realidade cientifica, ou seja, os estudos científicos na área não comprovam as referidas metodologias, não havendo por isso ainda sustentação a este nível.

PHDA: O meu filho tem hiperatividade ou é apenas irrequieto?

“Sempre que crianças ou jovens revelem alguns dos sinais de alerta relacionados com a PHDA, pais e professores devem procurar quanto antes uma avaliação mais detalhada junto de técnicos especializados”

À medida que crescem, é expectável que as crianças vão ganhando cada vez mais controlo sobre o seu comportamento, tornando-se mais capazes de regular e controlar as suas reações ao que lhes acontece. Por exemplo: numa situação de frustração ou de zanga, a criança aprende a responder de forma menos impulsiva e/ou agressiva; num contexto em que seja necessário esperar, a criança aprende a ter mais paciência e a aguardar pela sua vez.

No entanto, esta aprendizagem não é automática.

Pelo contrário, e tal como em qualquer outro tipo de aprendizagem, a criança evolui através de tentativa e erro, isto é, cometendo erros e aprendendo com e através destes. Só assim poderá compreender profundamente aquilo que dela é esperado, e como deve comportar-se nas diversas situações. Tais erros correspondem, muitas vezes, àquilo a que tipicamente se designa por “maus comportamentos”. Crianças mais irrequietas e/ou curiosas tendem a “portar-se mal” com mais frequência, e a ter mais comportamentos desafiantes e de oposição.

Distinguir claramente estes maus comportamentos de comportamentos hiperativos nem sempre é fácil; por um lado, uma criança impulsiva que age e fala sem pensar pode ser facilmente confundida como tendo falta de disciplina na sua educação. Por outro lado, uma criança mais lenta e passiva pode ser interpretada como meramente desmotivada. De igual modo, é mais fácil reparar no comportamento disruptivo de uma criança impulsiva e/ou com hiperatividade, em comparação a uma criança que seja mais discreta e que passe muito tempo alheada de tudo, a “sonhar de olhos abertos”.

Como distinguir uma coisa da outra?

O que é a Hiperatividade?

As principais características de uma criança com Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA) – falta de atenção, hiperatividade e impulsividade – aparecem cedo na sua vida. Dado que muitas crianças podem também, ocasionalmente, apresentar estes sintomas, cuja origem pode também estar noutras causas – como a depressão e a ansiedade – o diagnóstico da PHDA não é fácil de fazer.

Para ser diagnosticada com PHDA, a criança tem de apresentar, simultaneamente, as seguintes características:

1) Irrequietude motora;

2) Reduzido controle sobre a sua impulsividade;

3) Comportamento de oposição;

4) Dificuldades de atenção e concentração.

Alguns dos sinais de alerta mais importantes são:

  • Dificuldade de concentração;
  • Dificuldade em prestar atenção a detalhes;
  • Dificuldade em prestar atenção ao que lhe é dito;
  • Dificuldade em cumprir regras e seguir instruções;
  • Tendência para desviar a sua atenção para outras atividades diferentes da que está a realizar;
  • Tendência para não concluir as diferentes tarefas/atividades que inicia;
  • Tendência para ser desorganizado;
  • Tendência para evitar atividades que exijam da sua parte um esforço cognitivo continuado e persistente;
  • Tendência para distrair-se frequentemente com coisas alheias àquilo que está a fazer;
  • Tendência para esquecer-se de compromissos e tarefas previamente estabelecidos;
  • Tendência para esquecer-se e aborrecer-se facilmente com tarefas que considera demasiado complexas;
  • Tendência para apresentar agitação motora (por exemplo, mexer os pés e/ou as mãos), mesmo quando se encontra sentado;
  • Dificuldades em ficar sentado por períodos de tempo mais longos;
  • Tendência para mexer-se demasiado em situações inapropriadas (por exemplo, na sala de aula, à mesa das refeições, entre outros);
  • Sensação interna de inquietude;
  • Tendência para ser demasiado barulhento em atividades de lazer;
  • Tendência para ser excessivamente agitado;
  • Tendência para falar em excesso e para não pensar antes de falar;
  • Tendência para responder a perguntas antes de as ter escutado até ao fim;
  • Dificuldades em ser paciente e esperar pela sua vez;
  • Tendência para interromper as pessoas, e intrometer-se em conversas alheias ou jogos nos quais não está a participar.

Para ser considerada PHDA, estes sintomas têm de verificar-se de forma consistente, isto é, em todos os contextos da vida da criança – em casa, na escola, a brincar com os amigos, em contextos familiares, etc. – e não apenas de forma esporádica, despoletada por fatores ou situações específicas.

O que fazer se o meu filho apresentar sinais de alerta de hiperatividade (PHDA)?

Sempre que crianças ou jovens revelem alguns dos sinais de alerta relacionados com a PHDA, pais e professores devem procurar quanto antes uma avaliação mais detalhada junto de técnicos especializados, dado que o sucesso da intervenção será tanto maior quanto mais cedo forem detetadas e intervencionadas estas situações. O diagnóstico e a intervenção na PHDA são realizados por psicólogos clínicos, psicopedagogos, psicólogos educacionais e neuropediatras. A avaliação consiste geralmente numa entrevista inicial aos pais, seguida de três sessões com a criança e de uma entrevista aos seus professores. Nesta fase de decisão é fundamental ter-se em conta os diferentes fatores que estão a provocar o comportamento inerente ao quadro de PHDA para posteriormente se decidir pela intervenção terapêutica mais adequada às necessidades de cada criança.

Estratégias para o seu filho se concentrar nas aulas

Ponto prévio:

A incapacidade de manter a atenção pode ter origem em motivos diversos, desde a ansiedade, a depressão e até a Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA).

Crianças com problemas de aprendizagem, por exemplo, facilmente se distraem. Regra geral, sentem maiores dificuldades em iniciar projetos, dividir tarefas e assumir responsabilidades, prejudicando assim a vida académica e social.

Se for o caso do seu filho, procure descobrir o que mais o perturba. Estará a ajudá-lo a dar o primeiro passo para superar as dificuldades. Nem sempre é fácil abordar o assunto de forma positiva e construtiva mas a comunicação é fundamental.

Crie algumas estratégias para o manter focado e se concentrar nas aulas:

1 – Organize uma lista com os livros, cadernos e outros materiais utilizados durante o ano letivo. Essa lista servirá, diariamente, para que o seu filho se certifique que transporta sempre, de casa para escola e da escola para casa, tudo o que realmente precisa.

2 – Procure que fique sentado junto a um colega que seja um bom modelo a seguir. Quanto menos barulho na sala maior a capacidade de concentração.

3 – Ensine-o a descobrir e sistematizar a informação. A probabilidade de manter a atenção aumenta substancialmente quando há organização. Incentive-o, por exemplo, a fazer resumos, ou tópicos, sobre a material lecionada.

4 – Mantenha as rotinas. É fundamental estabelecer hora e local para todas as atividades. Alterações, não programadas, podem potenciar as dificuldades de concentração.

5 – Simplifique a agenda. Crianças sobrecarregadas com atividades tendem a ser mais distraídas.

6 – Crie um local de estudo, arrumado e sem ruído. Quanto menos distrações, melhor. Televisões e telefones não são bons aliados.

7- Incentive-o a privilegiar as atividades ao ar livre. Controle o tempo que o seu filho passa a ver televisão e a jogar em computadores e tablets. Atividades desportivas e o contato descontraído com outras crianças são de extrema importância.

8 – Celebre as conquistas. O excesso de críticas é prejudicial. Olhe para o elogio como um bom aliado e mostre satisfação sempre que o seu filho apresente bons resultados.

O psicólogo e especialista em terapia para crianças, o norte-americano Jeffrey Bernstein, deixa-lhe outras dicas importantes para ajudar uma criança distraída.

  • Tenha consciência
    Lembre-se que estas crianças muitas vezes se sentem diferentes das outras e precisam por isso de maiores incentivos.
  • Evite gritar
    Ao gritar só o confunde ainda mais, tornando-o mais propício à desconcentração.
  • Mantenha-se calmo, firme e não seja controlador
    Esteja tranquilo, não crie expectativas inalcançáveis e tente não dar demasiadas ordens.
  • Seja pro-activo e comunicativo com os professores
    As crianças desatentas desistem rapidamente quando têm de enfrentar obstáculos. Mantenha-se envolvido na vida escolar do seu filho para que o possa ajudar a superar eventuais dificuldades.
  • Incentive o seu filho
    Ensine-o a tornar as tarefas complexas noutras mais pequenas e viáveis. As crianças sentem-se mais motivadas ao alcançar pequenas vitórias.
  • Faça listas
    É estimulante para uma criança ‘riscar’ as tarefas já cumpridas.
  • Ajude, mas não faça por ele
    Ajudar demasiado uma criança a concluir um problema difícil pode fazê-la sentir-se bem momentaneamente, mas não estará a ajudá-la verdadeiramente.
  • Promova a auto-estima do seu filho
    A maioria das crianças desatentas sente-se inferior aos outros. Demonstre ao seu filho não só que gosta, mas que também acredita nele.

PHDA: e se os pais não quiserem medicar?

A PHDA  – Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção é uma perturbação ao nível do neuro-desenvolvimento e é considerado um dos transtornos mentais mais comum em idades pediátricas.

Esta perturbação caracteriza-se por alterações nas funções executivas e no córtex pré-frontal, sendo reconhecida pelos níveis deficitários de atenção, pela forte impulsividade e em alguns casos pela persistente inquietude motora. Tem um impacto negativo na qualidade de vida das crianças/adolescentes, afetando o desempenho escolar, o funcionamento social, as relações interpessoais e, consequentemente, a sua auto-estima e o seu auto-conceito. Estas crianças têm uma enorme dificuldade na regulação emocional, agem antes de pensar e isso tem implicações na sua vida e no seu desempenho diário.

É muito comum os pais tentarem encontrar uma causa que justifique esta perturbação e a sentirem-se culpados, pois tendem a acreditar que é fruto dos seus erros na educação do seu filho. É necessário informar e tranquilizar estes pais, pois não existe uma causa única que condicione o aparecimento desta perturbação. Existe uma predisposição genética por parte da criança, que em determinados contextos de vida e sob a influência de determinados padrões relacionais e ambientais pode vir a despoletar esta dificuldade de se concentrar e de se auto regular. Desta forma podemos dizer que a PHDA tem uma causa multifatorial, ou seja, biopsicossocial.

Tratamento farmacológico

O tratamento desta perturbação é fortemente baseado em intervenções farmacológicas com psico-estimulantes, que atuam diretamente na diminuição dos sintomas centrais da PHDA, como a desatenção e a impulsividade, mas não há ainda evidências suficientes que nos indiquem melhorias ao nível dos relacionamentos estabelecidos com os pares e com a família, que são muitas vezes as grandes dificuldades dos indivíduos com PHDA. Por outro lado, ainda se desconhece, em grande parte, os impactos que futuramente a medicação poderá ter. Então, apesar de a eficácia da medicação ser reconhecida, deve existir espaço para uma intervenção que incida não apenas nos sintomas centrais, mas também nos comportamentos sociais e emocionais, até porque normalmente existem comorbilidades que devem ser tidas em linha de conta e devem ser intervencionadas.

O que diz a ciência?

Vários estudos têm revelado a eficácia do treino cognitivo e existe atualmente, evidência científica que nos aponta para resultados bastante positivos e melhorias significativas num curto espaço de tempo. O treino cognitivo tem como principal objetivo otimizar os níveis de habilidade da atenção, promovendo a melhoria no desempenho das atividades diárias no geral.

As intervenções psicossociais, que incluem o treino cognitivo e técnicas para promoção de aprendizagem e alterações comportamentais, são as mais abrangentes e têm contribuído para a um melhor desempenho das funções cognitivas e de autorregulação, com bom resultados tanto ao nível académico como nas relações interpessoais, contribuindo para dinâmicas familiares mais positivas.

Não chega intervir na atenção! O treino de competências sociais e emocionais, o treino comportamental e em algumas situações o treino parental, pode tornar a vida destas crianças e das suas famílias muito mais simples e feliz!

Teoria das inteligências múltiplas. Todos diferentes, todos especiais. Inteligência Corporal-Cinestésica

Acabo todas as minhas aulas com a frase “Eu sou única(o). Eu sou especial!” Porquê? Porque as crianças precisam de repetir várias vezes esta frase, para nunca esquecerem o quão valiosas são, tal como são! Nascemos únicos e especiais, com todas as nossas virtudes e, também, com todos os nossos desafios. Somos perfeitos na nossa imperfeição.

Hoje em dia fala-se muito em rankings escolares, em testes de aptidão, em quoeficiente de inteligência, em ter bons resultados escolares para se ser alguém na vida, alimentando a competição e a comparação… Mas, no fundo, o que isso significa?

Seremos todos iguais, ao ponto de sermos medidos e analisados através de testes, exames e afins, que nada mais medem senão o nosso lado racional? Não haverá vida para além do intelecto? Faz sentido haver apenas um tipo de inteligência?

Se somos todos diferentes fará sentido aprendermos todos da mesma forma?

Estas mesmas inquietações levaram o psicólogo Howard Gardner, juntamente com uma equipe de investigadores da Universidade de Harvard, a analisar e a descrever melhor o que é a inteligência. Partindo do pressuposto que a vida humana requer o desenvolvimento de vários tipos de inteligências, Gardner desenvolveu a Teoria das Inteligências Múltiplas, onde identificou e definiu mais sete tipos de inteligência, para além da lógico-matemática, que é amplamente estudada e analisada nos testes de QI.

Pela primeira vez, ouvimos falar de Inteligências Corporal-Cinestésica, Linguística, Musical, Espacial, Interpessoal, Intrapessoal e Naturalista.

“Somos todos geniais. Mas, se julgarmos um peixe pela sua capacidade de subir uma árvore, ele vai passar toda a sua vida a acreditar que é estúpido.”  Albert Einstein

A Teoria das Inteligências Múltiplas reforça a ideia de que todas as pessoas nascem com o potencial dos oito tipos de inteligência. No entanto, o ambiente onde crescem (família, amigos, escola, cidade, país…) e as experiências que vivem estimulam mais um ou dois tipos de inteligência em detrimento dos outros. Por exemplo, na maioria das escolas, as inteligências linguística e lógico-matemática são mais valorizadas do que as restantes. Convém relembrar que os oito tipos têm a mesma importância e que não há uma inteligência mais valiosa. Todas são importantes e todas nos ajudam no dia-a-dia. Interessante será identificar o nosso tipo dominante de inteligência e procurar estratégias que nos ajudem a desenvolver.

A Teoria das Inteligências Múltiplas de Gardner:

inteligências múltiplas

Inteligência Corporal-Cinestésica

Numa altura em que se fala tanto em crianças hiperactivas e em excesso de energia, decidi explorar com mais detalhe a Inteligência Corporal-Cinestésica. 

Como se expressa no corpo, como ajudar crianças com este tipo de inteligência e como  potenciá-la naquelas que não a têm desenvolvida.

A Inteligência Corporal-Cinestésica localiza-se no hemisfério esquerdo do cérebro e define-se como a capacidade para realizar actividades ou resolver problemas utilizando todo o corpo, com grande precisão. É a habilidade para usar a coordenação grossa ou fina em desportos, artes cénicas ou plásticas, no controlo dos movimentos do corpo e na manipulação de objectos com destreza. A capacidade intuitiva da inteligência corporal é utilizada para expressar sentimentos através do corpo.

Crianças deste tipo de inteligência precisam movimentar-se, tocar e construir para aprenderem, pois processam o conhecimento através das sensações corporais. Conseguem comunicar muito bem através de gestos e da linguagem corporal.

Muitas crianças com este tipo de inteligência são sinalizadas como crianças com PHDA, pelas dificuldades em ficar sentadas durante muito tempo, sossegadas e atentas…

Como ajudar estas crianças?

Potenciando a aprendizagem através de jogos cooperativos, de actividades manuais e artesanais, educação física, de experiências e de materiais tácteis. Precisam de respostas corporais, da dança, do teatro, de visitas de estudo, etc. Estas crianças precisam de todas as actividades onde o corpo possa expressar-se sem tensões nem resistências.

Como estimular a inteligência corporal-cinestésica em crianças onde este tipo de inteligência não está tão desenvolvida?

Encorajando-as a praticar desportos que ampliem a sua consciência corporal; a participar em jogos mais físicos; a fazer atividades manuais como lego, plasticina, barro, etc.; a praticar natação, dança, teatro, yoga, meditação mindfulness, artes marciais

Desportistas, ginastas, bailarinos, atores, carpinteiros, artesãos, costureiros, maquinistas, cirurgiões, etc. Estes são exemplos de profissões que possuem este tipo de inteligência, porque todos precisam usar racionalmente as suas capacidades físicas.

“Podemos ignorar as diferenças e supor que todas as nossas mentes são iguais. Ou podemos aproveitar essas diferenças.”
– Howard Gardner –

Qual será a sua escolha, sabendo que todos somos diferentes e especiais?

Crianças Especiais Propostas Inovadoras | Terapia de Biofeedback na PHDA

“A mente que se abre a uma nova ideia, jamais voltará ao seu tamanho original” – Albert Einstein

Atualmente existe mais consciência das perturbações que afetam crianças e adolescentes, o que nos permite identificar e intervir precocemente, mas também infelizmente sobrediagnosticar e agir depressa demais. Vivemos numa cultura do imediato! Pais, profissionais e escolas precisam de resolver as situações para ontem.

Já ninguém aguenta a frustração, a incerteza, o andar passo a passo e por vezes precipitamos diagnósticos que ficam como “rótulos” para a vida e que trazem poucos benefícios a quem carrega com o peso desse fardo. É neste caminho de procura de diagnósticos e intervenções rápidas que muitas crianças se vêm medicadas em função de sintomas que nem sempre falam sobre o que se passa verdadeiramente.

Aditi Shankardass, Neurocientista, defende que muitas perturbações do desenvolvimento e da aprendizagem estão insuficientemente ou erradamente diagnosticadas, com base exclusivamente numa perspetiva comportamental e é pioneira na utilização da tecnologia de EEG (permite observar o funcionamento do cérebro) no diagnóstico correto de perturbações que estão relacionados com alterações no funcionamento do cérebro.

Sabemos que muitas vezes a base não está nesses transtornos do funcionamento do cérebro, mas em questões sociais, culturais e emocionais que foram pano de fundo das alterações neurofisiológicas e de maturação de determinadas áreas cerebrais. Precisamos olhar/avaliar o seu funcionamento para não precipitarmos “sentenças” e tratamentos que podem não ser os mais indicados.

É sem dúvida o caso da Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção, que tem vindo a ser excessivamente diagnosticada, com base apenas na observação ou relato comportamental, mesmo sabendo-se que um diagnóstico correto implica que exista uma alteração no funcionamento da Dopamina e/ou da Noradrenalina na área pré-frontal do cérebro. À pergunta, como é que o seu filho foi diagnosticado, a resposta é invariavelmente, pelo comportamento. Insuficiente!

Era preciso encontrar algo que nos permitisse com eficiência observar os parâmetros alterados nestes diagnósticos e intervir de forma diferenciada.

É cada vez mais urgente trabalhar em parceria, de forma multidisciplinar, com mais olhos, ouvidos e várias especialidades, para podermos abarcar a infinidade de situações de cariz físico, emocional, social e cultural que apresentam.

Na consulta de Desenvolvimento e Aprendizagem conjugamos duas especialidades terapêuticas: a Medicina Quântica (Sistema de Biofeedback e Neurofeedback) e a Psicoterapia Corporal. É uma conjugação moderna e eficiente onde a área tecnológica e científica se junta à Psicologia, exponenciando o sucesso clínico na resolução destas problemáticas.

A tecnologia da Medicina Quântica (Sistema de Biofeedback e Neurofeedback) é uma tecnologia inovadora, que trabalha através de frequências eletromagnéticas, que permitem a avaliação e estimulação de órgãos, glândulas, ondas cerebrais, hormonas e neurotransmissores, entre outros, cujas alterações estão na base dos sintomas e patologias apresentadas. Permite observar as alterações que corroboram determinados diagnósticos, bem como atuar diretamente nas dissonâncias que apresentam.

Na Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção existe uma irregularidade nos níveis de atividade de ondas cerebrais alfa, beta, teta, ou delta, entre outras, presentes no EEG. Verifica-se uma presença aumentada das oscilações de lenta frequência (teta) e a presença diminuída das oscilações de rápida frequência (beta). Um dos tratamentos mais utilizados e investigados neste campo consiste em aumentar a produção da atividade beta (16-20Hz) e suprimir a produção de atividade das frequências teta (4-8Hz). Já existem estudos que comprovam que a terapia por biofeedback/neurofeedback pode provocar o efeito estimulante que o corpo precisa, em alternativa à medicação química (ritalina, concerta ou rubifen), capaz de minorar os sintomas que intervêm negativamente no desenvolvimento e aprendizagem.

A terapia quântica permite não só a estimulação frequêncial necessária, avaliando e impulsionando a atividade cerebral, bem como a análise e tratamento de sintomas complementares, que muitas vezes estão associados aos transtornos apresentados.

Por Ana Galhardo Simões / Margarida Garcia

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Por motivos de investigação, foi-me pedido que realizasse um levantamento da literatura científica que existia sobre a parentalidade na PHDA (perturbação da hiperatividade e défice de atenção). Muito obediente, lá fui aos motores de busca académicos mais conhecidos e comecei a ler o que já existia sobre este tema. Aos poucos fui ficando cada vez mais decepcionada: apenas informações sobre como os pais e mães não lidavam com a hiperatividade. Erros, erros e mais erros. Tudo sobre como a parentalidade era mal exercida. Tudo como estes pais colocavam ainda mais em risco crianças, que por si só, apresentam já um desafio. Procurei em diversas línguas e encontrei apenas mais do mesmo: autores de renome, de faculdades conhecidas, a apontar problemas que todos sabemos que são conhecidos. De positivo, nada.

Nada sobre como estes pais são guerreiros ao enfrentarem uma escola estandardizada não preparada para comportamentos desviantes, sobretudo quando aparentemente tudo está bem. Nada sobre como estes pais são fortes ao enfrentarem uma sociedade que ainda encara esta dificuldade como um problema menor e de educação, sem apresentar soluções viáveis. Nada sobre como estes pais são faróis, para crianças que procuram respostas, onde os pais ainda encontram dúvidas. Nada sobre como estes pais são mudança, quando discutem com médicos e questionam os caminhos que são mostrados.

Vivemos numa sociedade onde a palavra hiperatividade tem vindo a ser de mais em mais banalizada, como corrente no nosso quotidiano, mas onde ainda poucos sentem o seu peso. Vivemos numa sociedade em que a educação ainda está assente no passado, mas acontece na velocidade de um futuro. Vivemos numa sociedade em mudança, com novos desafios, mas onde ninguém guia estes pais num caminho claro e longe da culpa.

Desta forma, mesmo quem estuda estas famílias e quem deveria aproximar-se para dar a mão, aponta antes o dedo para os erros, mas sem apresentar soluções.

Porque se é verdade que quando entramos na perturbação da hiperatividade e défice de atenção, entramos também em terreno pantanoso onde ainda temos muito que cimentar, é também verdade que não é apontando dedos entre adultos que se chega a quem mais precisa: a criança.

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A ritalina é conhecida nas escolas como “comprimido da inteligência”

Psiquiatras e psicólogos criticam banalização do uso do medicamento para tratar a hiperactividade e défice de atenção.

As vendas do medicamento habitualmente utilizado para tratar perturbações de hiperactividade e défice de atenção (PHDA), o metilfenidato, cuja designação comercial é ritalina, duplicaram entre 2010 e 2016. Segundo o Jornal de Notícias deste domingo, em 2010 venderam-se 133 mil embalagens daquele que é conhecido como “comprimido da inteligência”, porque ajuda as crianças a concentrarem-se e a melhorarem os seus resultados escolares. Um número que mais que duplicou em 2016, quando as vendas rondaram as 270 mil embalagens.

Ainda assim, o diário, que cita dados fornecidos pela consultora QuintilesIMS e pelo Infarmed (a autoridade que regula e supervisiona o mercado dos medicamentos) nota que em 2016 houve uma descida de vendas face a 2015, quando o número de embalagens vendidas atingiu as 283 mil. No entanto, o JN também nota que surgiu no mercado uma nova molécula para tratar as mesmas perturbações, a atomoxetina, cujas vendas mais que duplicaram de quatro mil embalagens em 2015 para nove mil em 2016.

“São muitas as crianças medicadas porque foram consideradas desatentas e problemáticas. O que era excepção tornou-se habitual”, declarou o presidente da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos de Escolas Públicas, Filinto Lima, considerando que se trata de “um exagero”.

“Só em casos extremos se deveria recorrer a fármacos”, disse ao JN o bastonário da Ordem dos Psicológos, Francisco Miranda Rodrigues. O especialista defende que o efeito da medicação “não proporciona uma mudança de comportamento” e sustenta que a intervenção psicológica nas crianças poderia corrigir grande parte dos problemas.

O responsável pelo Programa Nacional para a Saúde Mental, Álvaro Carvalho, adiantou que o tema é motivo de preocupação e adiantou que há muitos pais que se queixam aos médicos que os filhos são hiperactivos, instáveis ou irrequietos. Mas o psiquiatra frisou que “o sofrimento mental na criança é muito inespecífico” e que estas podem apresentar “os mesmos sintomas para uma grande variedade de situações”, pelo que não significa forçosamente que tenham PHDA.

O responsável pela consulta de hiperactividade no Centro de Desenvolvimento em Coimbra, José Boavida Fernandes, defende que o metilfenidato pode ser um protector social da criança ao evitar outros comportamentos problemáticos. Se a perturbação existe e afecta a vida da criança por um longo período de tempo, o melhor é medicar, mas é preciso fazer um bom diagnóstico e evitar os “maus usos da medicação”, alerta.

O pediatra também assegura que “o metilfenidato tem um padrão de segurança e eficácia enorme” e que “não há um único estudo científico que alerte para efeitos negativos e já lá vão mais de 50 anos de uso”.

Notícia publicada no Público a 19.0.2017

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