As bebidas vegetais são boa opção para crianças pequenas?

“Até aos 2 anos de idade, não se deve utilizar as bebidas vegetais como substituto de um leite animal.”

O termo leite implica sempre que a fonte de proteína seja animal. Assim, a designação de “leite” vegetal não é adequada. Deve sempre falar-se de bebidas de soja, arroz, aveia ou outras semelhantes.

Até aos 2 anos de idade, não se deve utilizar as bebidas vegetais como substituto de um leite animal.  É esta a recomendação da Sociedade Europeia de Nutrição Pediátrica. Isto não quer dizer que as crianças mais pequenas não possam contactar com estes produtos ocasionalmente. Mas sim que não devem ser usados para substituir de forma regular o leite ou seus derivados.

Porque não se deve usar bebidas vegetais como substituto do leite antes dos 2 anos?

Em primeiro lugar porque as proteínas não são exactamente iguais às fornecidas pelos produtos lácteos.  As bebidas vegetais contêm substâncias que se desconhece o verdadeiro impacto no crescimento e desenvolvimento infantil. Por exemplo,  fitosteróis nas bebidas de soja.
Para além disso, também a suplementação vitamínica é muito mais deficitária do que nos chamados leites “adaptados” (leites “de bebé”), pelo que não devem ser usados como substitutos do leite em crianças pequenas.

Sabem aquela vontade súbita que nos dá de comer pão? Foi assim que surgiu esta receita!

Ontem enquanto jantávamos, falávamos da ementa do resto da semana e do pequeno almoço do dia seguinte. Estas conversas têm de ser tidas quase em segredo porque se o Lourenço percebe que referimos pão, ovo, queijo ou outra coisa que goste muito, não se cala enquanto não comer esse alimento. Ainda há dias, a mãe disse que o pequeno almoço do dia seguinte eram ovos mexidos e ele começou logo “owo” “owo“, enquanto me arrastava para o frigorífico e já tinha tirado a frigideira do armárioTemos “chef” e de personalidade vincada!

Ah e a receita do pão… Bom, foi literalmente inventada e com o que havia na dispensa. Queríamos que tivesse polvilho, farinha teff (nunca tinha usado) e alfarroba, o resto fomos juntado até obtermos uma consistência que achávamos que funcionasse.
No final e antes de colocarmos no forno, juntámos 2 maçãs raladas para equilibrar o sabor!

O resultado foi surpreendente e delicioso! Um Pão fofo de alfarroba, sem glúten, paleo e caseiroA melhor forma de começar o dia.

Sugestão: Comemos ao pequeno almoço com manteiga clarificada e com manteiga de amendoim e banana… Já o pequeno chef preferiu com “queije”, adora “queije” o rapaz ?

Ingredientes

  • 4 ovos
  • 2 colheres de sopa de óleo de coco
  • 1 ½ chávena de bebida vegetal
  • 1 ½ chávena de água morna
  • 1 colher de sopa de vinagre de cidra
  • 1 ½ chávena de polvilho doce
  • 1 ½ chávena de farinha teff
  • ½ chávena de farinha de coco
  • 4 colheres de sopa de farinha de alfarroba (pode usar cacau cru)
  • 2 maçãs raladas
  • 1/2 colher de chá de bicarbonato de sódio
  • 1 ½ colher de chá de fermento

Passos

  1. Pré-aqueça o forno a 180ºC
  2. Numa taça comece por juntar os ovos e o óleo de coco com uma vara de arames.
  3. Junte a bebida vegetal, a água morna e o vinagre. Mexa bem.
  4. Adicione as farinhas, a maçã ralada e mexa até obter uma massa homogénea.
  5. Junte o bicarbonato e o fermento, volte a mexer e leve ao forno cerca de 35/40 minutos.
  6. Deixe arrefecer muito bem antes de partir o pão.

 

Depois de 2 dias fora, quase 800 km feitos, 12 receitas confeccionadas nos 3 showcookings realizados, que contaram num total cerca de 150 pessoas, que puderam assistir e provar os nossos pratos, estamos de volta! Cansados, mas de coração cheio por todo o carinho que recebemos na Feira do Mirtilo em Sever do Vouga e no Forum Cultural de Ermesinde, Valongo!

Esta receita de gelado de mirtilo é fantástica, é super simples, sem açúcar e dá para fazer e comer na hora, mas tem um problema… não vai conseguir parar de comer! Sem culpa, claro!

gelado de mirtilo

Dica: esta sugestão é também ótima para os mais pequenos ?

Ingredientes

  • 1 chávena mirtilos congelados
  • 2 bananas maduras congeladas (partidas em rodelas)
  • 1 iogurte grego ou iogurte natural (pode ser necessário adicionar um pouco mais)
  • ½ chávena de mirtilos frescos para topping

Sugestão: em vez do iogurte pode juntar alguns cubos de gelo (ou algumas colheres de sopa de água) e fica com um excelente sorvete.

Passos

  1. Na noite anterior, comece por congelar os mirtilos e as bananas (às rodelas).
  2. Coloque-os num robô de cozinha juntamente com o iogurte e triture bem.
  3. Junte alguns mirtilos frescos e volte a triturar.
  4. Sirva com mirtilos frescos no topo.

Dica: quem não usa robô ou não tem fruta congelada, pode fazer triturar a fruta fresca e levar ao congelador.

Salada quente de grão, abóbora e góji

No dia anterior ao nosso workshop no Armazém Integral (que foi um sucesso, adorámos e para o ano vamos voltar), fomos à loja da Erika e do Sr. Adérito a inspiração deste prato vem da salada de grão e abóbora assada que lá comemos. O pai que ainda era meio “traumatizado” com abóbora, comprovou que já é fã de abóbora!

Pensei de imediato em fazer esta receita mas com um toque agridoce com alguns toques pessoais e foi assim que surgiu esta receita!
É um prato quentecor de laranja e de conforto tal como o outono pede. Fizemos como acompanhamento a um peixe no forno, mas estava tão bom que o peixe ficou em “segundo plano”.

Para o Lourenço esta é uma salada de “tatas”… Agora o “gaiato” anda com a mania de que só quer batatas, mas aqui como é cor de laranja lá passou e papou tudo ?

INGREDIENTES

  • Grão cozido (demolhamos, cozemos e congelamos)
  • 1 abóbora manteiga pequena (partida em tiras)
  • 5 ameixas secas (hidratadas)
  • 1/2 chávena de bagas de goji (hidratadas)
  • 1 cebola roxa
  • 1 fio de molho de soja (opcional)
  • 1 fio de xarope de tâmaras (opcional)
  • oregãos
  • tomilho
  • fio de azeite

PASSOS

  1. Pré-aqueça o forno a 200ºC.
  2. Numa taça coloque as bagas de goji e as ameixas secas e cubra com água.
  3. Numa tabuleiro coloque a cebola roxa partida em meias luas e um fio de azeite. Leve ao forno cerca de 5mins.
  4. Junte a abóbora partida em cubos, o grão, as ameixas (picadas), o goji e tempere com oregãos e tomilho. Envolva bem e leve ao forno até a abóbora ficar assada.
  5. Quando estiver quase pronta, pode colocar um fio de molho de soja e um fio de xarope de tâmaras (para dar um toque agridoce).
  6. Deixe cozinhar até atingir a consistência pretendida. Sirva como prato principal ou como acompanhamento.

Frango à “brás” com esparguete de curgete

Desde pequeno sempre me “chateou” a forma como a maioria dos restaurantes serviam o Bacalhau à Brás… Mole e tudo com a mesma textura. Uns anos mais tarde e após ver alguns programas de culinária percebi o truque de juntar as batatas em palitos no final para dar crocância.

Uns anos mais tarde (que coincidiram) com o nascimento do blog, andava “chateado” porque gostava deste prato, mas não queria fazê-lo com batatas fritas! Nestes últimos meses, como temos andado em experiências e a tentar  “inventar” para formas divertidas de comer vegetais e ao mesmo tempo fazer os legumes a brilhar… Desta vez foi com a curgete e o resultado é delicioso!

Mas a curgete não fica mole? Se a deixarmos cozinhar muito fica, mas cá em casa preferimos adicionar a curgete já no final e deixar cozinhar os ovos… A curgete fica quase al denteExperimente e delicie-se saudavelmente com toda a família! 

Esqueci-me apenas de dizer que este prato faz-se em cerca de 10 minutos!!! É bastante simples e prático e todos adoram cá em casa!

INGREDIENTES

  • 500 gr de peito de frango picado (ou perú)
  • 2 curgetes (em esparguete)
  • 5 ovos
  • 1 cebola
  • 1 fio de azeite
  • Salsa picada
  • Flor de sal (a gosto)

Dica: em vez de frango pode usar peru, bacalhau, outro peixe, ou tofu por exemplo.

PASSOS

  1. Numa frigideira coloque um fio de azeite juntamente com a cebola picada.
  2. Adicione o peru, previamente temperado com sal e pimenta.
  3. Quando o peru estiver quase cozinhado, junte a esparguete de curgete.
  4. Adicione os ovos e vá mexendo até os ovos ficarem cozinhados.
  5. Sirva com salsa picada.

Somos muito mais do que aquilo que comemos, somos o que fazemos, mas também o que sentimos e são exatamente estes os três pilares de prevenção à obesidade: comer-fazer-sentir…

COMER / FAZER

É de pequenino que se semeiam bons hábitos alimentares capazes de garantir saúde a médio-longo-prazo. As diretrizes 5-2-1-0 recomendam que as crianças comam pelo menos 5 porções de fruta e vegetais ao longo de um dia, vejam menos de 2 horas de televisão, pratiquem 1 hora de atividade física e não consumam qualquer bebida açucarada (0).

Um estudo realizado nos Estados Unidos que analisou os hábitos alimentares e níveis de atividade física em quase 400 crianças pré-escolares revelou que uma em cada quatro crianças exibia um índice de massa corporal que a colocava na categoria de excesso de peso; 17% dos pré-escolares consumiam menos de cinco porções de fruta e vegetais ao longo de um dia; apenas 50% não consumia bebidas açucaradas e 81% via até duas horas de televisão, diariamente. Por fim, menos de 1% praticava atividade física.

As crianças em idade pré-escolar com excesso de peso (ou obesidade) têm quatro vezes mais probabilidade de se tornarem adultos obesos. Também sabemos que para uma criança se tornar obesa não precisa de ter tido excesso de peso desde sempre, pelo que é essencial combater uma vida sedentária e cultivar uma alimentação variada e equilibrada. Prevenir a obesidade é fundamental para evitar e prevenir doenças associadas, como diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares, cancro… mas igualmente problemas de auto-estima e marginalização social, que levam tantas crianças e jovens a isolar-se, ficando ainda mais inactivas e fazendo da comida o seu melhor amigo.

SENTIR

Qual a relação entre emoções e problemas de excesso de peso? Toda! Imagine que a forma como “protege” ou “desprotege” o seu filho pode mesmo ser um factor de risco. Conhecíamos já o impacto negativo das atitudes negligentes, dos comportamentos de ameaça, humilhação ou crítica do comportamento das crianças… nomeadamente na criação de vinculações inseguras, manifestadas através de ansiedade ou comportamento evitante. Posteriormente, um estudo português realizado na Faculdade de Medicina do Porto confirmou que (na ponta extrema oposta) pais superprotectores não têm necessariamente melhores resultados.

A verdade é que uma preocupação e cuidado excessivos com os mais pequenos lhes transmite uma imagem de mundo perigoso e ameaçador que, por sua vez, aumenta os níveis de ansiedade e da hormona do stress – “o-famoso-cortisol”. Nestes contextos, “comer” pode compensar vazios internos, “oferecendo” a sensação de conforto e segurança que as crianças precisam, ao invés de conseguirem fazer escolhas mais saudáveis ou mesmo procurarem conforto emocional junto de alguém. Esta “compensação” com o alimento é sobretudo observável nas raparigas (que internalizam mais as suas emoções), enquanto os rapazes tendem a exteriorizar mais as suas angústias, nomeadamente sob a forma de comportamento agressivo ou desafiante.

Em suma, a fórmula de prevenção à obesidade exige:

1) mudar os nossos padrões para uma alimentação rica e variada;

2) introduzir a prática de exercício físico regular

3) atender aos casos de “alimentação emocional”, ensinando os mais novos a saber identificar e gerir as suas emoções e lidar com o stress, mas sobretudo garantir que a relação pais/filho está saudável e equilibrada.

Encaminhar uma criança ou adolescente para um técnico de saúde mental deve fazer parte das boas práticas da consulta Pediátrica, Familiar e de Nutrição em casos de obesidade, ou excesso de peso.

imagem@kojeni

RECOMENDADOS

5 alimentos responsáveis pela obesidade infantil e os pais não fazem ideia

Alimentação Equilibrada; De pequenino se torce o Pepino!

O açúcar é a nova droga do século XXI

Ghee a gordura da moda

Ghee é a nova tendência das gorduras ou pelo menos tem tudo para ser. É uma recriação ocidental do que o Paquistão e Índia fazem à milhares de anos e tem tudo para ganhar terreno a outras gorduras.

O Ghee é basicamente manteiga clarificada, obtido por acção do calor que derrete a manteiga, permitindo que a parte líquida (água) evapore e a parte láctea caramelize e solidifique, separando-se de um líquido dourado transparente e brilhante – o Ghee.

Através deste processo bastante caseiro e simples, o ghee apresenta-se como uma alternativa sem sal, sem lactose ou outros tóxicos que possam estar presentes no leite de vaca, sem água, com maior durabilidade (sem precisar de refrigeração) e maior resistência às temperaturas.

O ponto de fumo é a temperatura a que uma determinada gordura começa a queimar-se e a produzir substância nocivas. O ponto de fumo da manteiga é cerca de 177ºC e o ponto de fumo do Ghee é de 252ºC, colocando-o junto de outras gorduras de eleição como o azeite e óleo de coco. Esta resistência às temperaturas torna-o opção ideal para salteados e fritos. Além disso, por ser um líquido gordo puro, atinge muito rapidamente temperaturas altas, reduzindo o tempo necessário de fritura dos alimentos, produzindo assim menores valores de acrilamida, um poderoso tóxico altamente cancerígeno.

Tem sido visto como uma excelente alternativa para pessoas com intolerância ou sensibilidade à lactose. Porém não é seguro afirmar que seja seguro para quem possui alergia às proteínas do leite de vaca uma vez que, dependendo da qualidade do fabrico, pode conter microtraços de caseína, proteína que está associada à Alergia às Proteínas do Leite de Vaca.

Em termos nutricionais, as diferenças entre ghee e manteiga são quase negligenciáveis. São ambas gorduras, com valores calóricos elevados e teor de saturados significativo. Numa dieta baseada numa alimentação saudável, as gorduras não devem contribuir com mais de 30-35% para o valor energético diário, e 10% no máximo de saturados. Apesar de excelente opção, mantém-se os alertas para um consumo consciente e controlado.

O Ghee tem sabor a noz ou a fruto seco mais ou menos intenso e esta característica é muitas vezes apreciada na culinária para temperar com um sabor especial e quase místico pratos simples, como por exemplo, puré de batata, vegetais cozidos, ovos ou uma simples torrada.

Existem vários vídeos na internet muito simples sobre a forma de produzir o ghee. Tenho a certeza que se experimentar, ficará rendido a esta gordura boa e saborosa. Mas como tudo na vida, com muita moderação.

ghee

LER TAMBÉM…

Alimentação Equilibrada; De pequenino se torce o Pepino!

Nutrição e amamentação: Factos e mitos

A importância de fazer refeições em família

Ingredientes

– 4 rodelas de banana

– 1 chávena de mirtilos

– 1 chávena de iogurte de baunilha (de coco)

– 1 chávena de morangos

– palitos para gelado

Preparação

  1. Coloque uma rodela de banana em cada taça e crave um palito para gelado em cada uma.
  2. Triture os mirtilos e ponha uma camada deste creme sobre a banana. Reserve no congelador.
  3. Retire as taças do congelador e adicione uma camada uniforme do iogurte de baunilha. Leve novamente ao congelador.
  4. Triture os morangos e, tal como anteriormente, adicione uma camada do creme de morangos sobre a camada de iogurte em cada taça.
  5. Finalmente, leve ao congelador durante 2h para solidificar e quando retirar pode virar a taça ao contrário e passar por água quente, para retirar o gelado.

Nota: A imagem é uma ilustração e não corresponde ao resultado da receita feita

imagem@shutterstock

É urgente falar das lembranças das festas de aniversário das crianças

Bem sei que “urgente” pode ser algo excessivo, mas tem vindo a ser uma preocupação constante e crescente.

Na sala da creche da minha filha, que tem dois anos e oito meses, há mais dezoito crianças. Há semanas em que um dos amigos faz anos, já houve outras em que festejaram dois aniversários no espaço de três dias.

São dias diferentes e apesar das minhas preocupações com a alimentação o mais saudável possível, sei que estes dias existem e sou tolerante para o facto de haver bolo e sumos. A escola pede para serem bolos caseiros em vez dos de compra e há pais que têm essa preocupação. Muitos outros não têm.

Mas não é dos bolos, que são o centro da festa, que vou aqui falar.

É das lembranças que desde que me lembro, ainda criança, passou a ser moda oferecer. Um miminho para que os colegas e amigos possa recordar a festa que partilharam.

A ideia devia ser esta, mas não é, porque a maior parte das crianças (ou melhor, os pais das crianças) o que partilha são gomas, rebuçados, chupas e chocolates.

Entendo que é uma coisa que todos ou praticamente todos os miúdos gostam, e que acham que é dia de festa e por isso não faz mal. Entendo, mas não concordo e sou obrigada a lidar com esta situação mais vezes do que gostaria.

Nos primeiros dois aniversários desta creche fui agradavelmente surpreendida por lembranças didáticas. Uns fantoches de dedo e umas bolas saltitonas. Tão simples quanto isso.

Aplaudi, achei que é algo que fica, com que eles podem brincar, que os vai fazer recordar a dita festa em vez de engolirem em três tempos as cinco doses de açúcar que deviam consumir nos próximos dois meses.

Mas depois vieram as outras festas. Chocolates miniatura. Gomas açucaradas, gomas brilhantes, chupa chupas ácidos e por aí fora.

Podem chamar-me má mãe mas a Mariana nunca comeu nenhum deles. Minto, uma vez dei-lhe um rebuçado porque os amigos estavam todos a ver o que estava dentro do saco da Patrulha Pata e achei que podia ceder, mesmo sem ser preciso ela ficar triste.

A questão económica é óbvia, sai mais baratos comprar dois ou três pacotes de guloseimas no supermercado e dividir pelos saquinhos e nunca mais pensar nisso. Respeito. Mas custa-me. Porque vai contra os meus princípios, acho preferível não se dar nada (porque não tem de se dar!), a dar algo que não lhes faz bem.

Há lembranças que se podem fazer em casa, coisas mais ou menos criativas, mas não há tempo, não há pachorra, e afinal qual é o mal das crianças comerem um doce?

Gosto de dizer que não imponho o meu estilo de vida aos filhos dos outros e, por isso, também gosto que não imponham o estilo de vida dos deles aos meus, mas na verdade isso é impossível. Porque está presente em todas as nossas escolhas, no modo como orientamos as nossas crianças.

E é por isso que nos dias em que sei que vai haver aniversário levo de casa coisas que sei que a Mariana gosta de comer, porque ela é uma comilona, e antes de a ir buscar à sala tiro do saco as guloseimas que lá estão e substituo com as coisas que ela gosta (sim, também gostaria e muito de comer as batatas fritas de pacote!) para que quando ela abre o saco poder dizer: posso, mãe? E eu responder que pode, sim, à vontade. Sem dramas, sem ter de explicar que aquilo são doces e fazem mal, é só hoje e por aí fora.

Evito a situação enquanto consigo controlá-la e quando chegar a altura de ser a Mariana a soprar as velas as lembranças do seu aniversário serão isso mesmo: lembranças.

Quanto ao açúcar em doses extra, não serei eu a patrociná-lo.

Eles vão ter tanto tempo para comer todas as porcarias do mundo, com os pais longe e algum dinheiro na carteira. Todos o fizemos e sobrevivemos. Só espero que esta educação alimentar faça a minha filha fazer melhores escolhas do que eu fiz. E se não fizer, pelo menos os seus erros serão feitos na altura certa e não quando ainda nem sequer tem a dentição completa.

(Tinha um amigo que me dizia: Mas, Marta! Nós também comíamos porcarias! E os bolos com campos de futebol? Aquilo deviam ser só corantes! Está certo, tem toda a razão. Mas passaram-se quantos anos? Por que motivo devemos agir da mesma forma se há mais informação? Se estamos mais informados? Para além de que não havia festas de anos todas as semanas. Não havia tantos refrigerantes disponíveis, gomas à mão de semear, era tudo efectivamente quando o rei fazia anos. E o rei só fazia anos uma vez no ano :D.

Pais mais tradicionais, nada temam.

A Mariana é feliz, garanto-vos.

Porque a felicidade não está no tamanho da tablete de chocolate que ela come. Mas sim em quem está ao lado dela a partilhá-la.

LER TAMBÉM

O açúcar é a nova droga do século XXI

Doces e mais Doces | 5 dicas para reduzir a ingestão de açúcares nos nossos filhos

5 alimentos responsáveis pela obesidade infantil e os pais não fazem ideia

 

O meu filho recusa-se a comer

São muitos os pais que se deparam com situações problemáticas na alimentação… quando os seus filhos não querem comer ou deixam de comer determinados alimentos… A recusa continua, a situação agrava-se e a determinada altura parece não haver solução. Em muitas ocasiões pode mesmo levar ao isolamento, ao evitar de situações sociais como um jantar com família ou amigos…

Na verdade, são muitos os motivos que podem despoletar um evitamento ou recusa alimentar e por isso, esta não é uma situação em que as estratégias sejam “chapa 5” e funcionem com todas as crianças.

Primeiramente é preciso perceber o porquê (e o mais precocemente possível)! Qual a razão desta recusa alimentar?

As situações de recusa alimentar podem ter diversas origens, entre elas…

  • Situações traumáticas (ex. situações de engasgamento);
  • Alterações de processamento sensorial (ex. defensividade oral);
  • Alterações na motricidade orofacial (que podem, por exemplo, ser a causa de uma mastigação ineficaz);
  • Relações pais e filhos …

Só analisando a resposta ao “Porquê?” poderemos perceber quem serão os profissionais que o poderão ajudar e de que forma, delineando então estratégias eficazes e duradouras.

Caso se encontre numa situação em que o seu filho evita ou recusa alimentos, preencha o questionário que aqui disponibilizamos para que o possamos aconselhar da melhor forma.

 

imagemcapa@sol.no

LER TAMBÉM…

Uma alimentação vegetariana pode ser adequada para crianças?

5 alimentos responsáveis pela obesidade infantil e os pais não fazem ideia

Alimentação do bebé | 1º ano de vida