Quero comprar sacos de gomas, tropeçar nos atacadores e jogar ao ‘lá vai ai’.
Eu quero rebobinar a cassete dos Onda Choc e esperar pelo segundo toque para saber se o professor faltará à aula.
Quero ter um relógio com ponteiros que não mexem e comer batatas fritas para ganhar pega-monstros.
Ver o final do Roque Santeiro e não perder os Jogos sem Fronteiras.
Eu quero voltar a ter rodinhas na bicicleta e aprender – de uma vez por todas – a andar de patins.
Ir ao pão com vinte escudos e comer cigarros de chocolate.
Quero comprar revistas da Turma da Mônica e ir ao clube de vídeo escolher um filme.
Quero jantar em casa da vizinha, mostrar-lhe os meus sapatos novos e sentar-me à porta nas noites de calor.
Calçar as minhas colibri e cantar ao espelho as músicas do festival da canção.
Quero fazer coleção de blocos e borrachas coloridas.
Eu quero jogar ao STOP, ao macaquinho do chinês e tomar decisões difíceis com um-dó-li-tá.
Quero ir a festas de anos com tortas Dan Cake e rebuçados diamante e quero contar todos os meus segredos a um diário.
Ter uma bota botilde, saltar ao elástico a tarde inteira, voltar a pedir “mamã dá licença” e esmerar-me nos passos à gigante.
Quero escrever “Queres namorar comigo?”, fazer um quadrado para o Sim e para o Não e ficar a aguardar a pueril resposta que, com sorte, tem o desenho de um coração.
Eu adoro o presente – que é de facto, um presente!!
Mas só graças a um passado feliz, hoje vivo grata e a acreditar que o melhor está sempre por vir!
Por Filipa Salgueiro, enviado para publicação para Up To Kids®
Andava há alguns dias a adiar a tarefa de guardar a roupa de Verão dos miúdos, mas as notícias da vaga de frio polar que se aproxima fizeram-me parar de procrastinar e avançar para as gavetas. E caramba, que difícil foi…
Tantas e tantas memórias que passaram por mim naquela hora em que carinhosamente guardei fofos, calções, e babygrows de Verão… Se a roupa do Pedro foi menos difícil de guardar porque sei que ainda verá a luz do dia no corpo do João, já a roupa do mais pequeno foi embalada com lágrimas, sorrisos e com um coração apertado.
Sei que não voltarei a ter bebés cá por casa. Estas duas gravidezes, tão difíceis e tão próximas deixaram marcas, e não pretendo voltar a colocar-me numa posição tão frágil novamente. Pelos meus filhos e por mim. E é por isso que embalar a roupinha do João é uma espécie de despedida. A partir de agora não haverá mais recém-nascidos, mais mãozinhas minúsculas e fraldinhas de pano. A partir de agora o tempo começa a sua contagem impiedosa e os meus bebés passarão a meninos e, depois disso, a homens.
Eu sei que agora ainda estão aqui comigo, que precisam muito de mim, mas já temo pelo dia em que o meu colo ficar vazio.
Quem me dera que houvesse um comando para controlar o tempo. Era hoje, agora, neste momento, que carregaria no botão de pausa e aqui permaneceria. Sem medo que tudo fosse demasiado rápido.
Sem medo que as gargalhadas felizes que ouço agora se perdessem. Sem medo que este cheirinho a bebé não fosse mais do que uma lembrança de dias felizes.
Nunca fui de viver agarrada ao passado; sei que a vida ainda tem muito para nos dar mas quem me dera que o tempo andasse mais devagar, quem me dera ter todo o tempo do mundo para eternizar estes instantes.
Será assim tão estranho já sentir saudades do momento presente?
De repente cresceste. Tanto que me disseram que o tempo passa rápido, que passou mesmo. E de repente, estás um crescido.
Aproveitei cada minuto e cada segundo. Nunca te neguei mimo ou colo, e fiz tudo para estar cada minuto possível contigo, mas mesmo assim, o tempo passou rápido e tu cresceste.
De repente, já não eras um recém-nascido, tão pequenino, tão frágil e tão dependente de mim.
Já comias sólidos, atiravas a comida ao chão e sujavas tudo à tua volta.
De repente já escolhes o que queres comer, o que gostas e o que não gostas, e não há quem te demova dos teus gostos.
De repente sentaste-te e bateste palminhas… Gatinhavas e eu corria pela casa atrás de ti…
De repente já andas, corres e exploras o mundo, e deslumbras-te com tudo o que vês.
De repente trepas tudo, cais e esfolas os joelhos. De seguida levantas-te, sacudes as mãos e continuas a correr…
De repente disseste mãe, e de repente já dizes um monte de coisas …
De repente começaste a expressar-te. Tornaste-te consciente das tuas emoções, que são tantas e tão intensas e expressas o que sentes da forma que sabes.
De repente concentras-te. Sabes o que queres fazer, e sabes focar-te na tua tarefa abstraindo-te de tudo o resto.
De repente folheias um livro e rabiscas um papel, ou uma parede do teu quarto.
De repente adoras carros, bolas, adoras marcar golos e dizer os sons dos animais.
De repente fazes birras quando não tens o que queres. Gritas, choras, e empurras-nos para demonstrar o teu desagrado.
De repente dás-me um abraço só porque sim, ou empurras-me para que continues a brincar sem que os meus beijos te atrapalhem.
De repente já não és um bebé. De repente cresceste. O tempo passou e por mais que eu queira fazer o tempo parar, não posso. E tu vais continuar a crescer, a aprender, e definir quem és! De repente deixarás de ser o meu bebé pequenino porque de repente és um rapazinho.
E eu estou tão orgulhosa de ti! E eu gosto tanto, mas tanto de ti, mesmo que de repente… tenhas crescido!
E por gostarmos tanto, sempre que vamos de férias, levamos as máquinas todas atrás. Acabamos por tirar milhares e milhares de fotografias, tentando registar todos os momentos vividos.
Mas hoje, aconteceu algo de diferente. Um momento único. Ao final do dia, no quintal, durante o por do sol, com uma aragem morna e muito agradável, depois de uma tarde de banhos de mangueira, todos relaxados, a ouvir música, elas começaram a dançar. Algo muito normal, elas adoram dançar e aproveitam todos os momentos de música para o fazer. No entanto, de repente, a Matilde vem ter connosco, abraça-nos, e puxa a irmã para junto de nós. Um abraço entre todos, bem apertado. Um momento único que não consigo simplesmente descrever por palavras.
Em seguida, elas voltaram a dançar, mas na minha cabeça, parecia que o faziam em câmara lenta, e em silêncio.
De repente apercebi-me de que tinha vivido toda a minha vida para este momento. Um momento único, simples, genuíno, carregado de tudo aquilo que tem verdadeiramente importância. Caramba, como gostava de poder carregar no botão de pausa no filme da nossa vida, e ficar a comtempla-lo, tempos e tempos!
Dei por mim, mais tarde, a pensar em como não senti necessidade de fotografar este momento. Percebi que, por vezes, acontecem momento tão intensos, únicos e especiais, que a única forma de usufruirmos verdadeiramente deles, é, tão simplesmente, vivê-los!
Sem distrações!
E sem outros registos, senão aqueles que ficam gravados na nossa memória.
Dizem-nos, ao longo da vida, que para sermos felizes devemos olhar em frente. Projectar no futuro, planear e trabalhar no sentido de alcançar aquilo a que nos propomos.
Não tenho nada contra essa máxima, mas tenho uma característica, talvez se possa tratar mesmo de um defeito, de olhar bastante para trás. Ajuda-me a ver de onde parti, o que vivi, o que aprendi e sem essa espreitadela metódica que vou fazendo aqui e ali parece-me difícil programar o que está por vir.
Lembro com muito carinho, e bastante saudade, a minha infância. Tenho memórias tão boas que gostaria que pudessem ser revividas hoje, sempre que eu quisesse. De certa forma é isso que faço quando as revisito.
Lembro-me de estar debaixo dos cobertores, de manhã cedo, antes de ir para a escola e beber o meu biberon com Nestum aquecido ainda de pálpebras pesadas.
De dançar com os meus pés pousados nos pés do meu avô e olhá-lo cá de baixo sem perceber como é que alguém podia ser tão alto.
De o meu outro avô me torcer a orelha para se meter comigo, sem nunca me magoar, e isso ser a coisa mais divertida de sempre.
De ver o meu pai engraxar os seus sapatos com uma dedicação incrível aos sábados à tarde enquanto dava o hóquei na dois.
De ao domingo almoçarmos bacalhau depois de ver a Fórmula 1.
De irmos andar de bicicleta ou de patins a Belém sem pressas.
De esperar que o telefone de casa tocasse a avisar que não havia escola porque estava a nevar – e esse dia nunca chegou.
Dos dias que íamos passar ao escritório dos meus avós, nas férias escolares e dos lanches que nunca me souberam igual: pão-de-leite misto com néctar de pêra.
De fingir que estava a dormir quando chegávamos de um jantar fora de casa só para me levarem ao colo.
De estar na cozinha enquanto a minha mãe cozinhava e contar-lhe todas as aventuras do dia – e acrescentar ponto atrás de ponto.
De escrever postais nas férias e muitas vezes regressar antes de estes serem entregues nas respectivas moradas.
De esperar ansiosamente pelas sextas-feiras para poder ver mais um episódio dos Ficheiros Secretos.
De encher o quarto de posters dos meus ídolos.
De gravar cassetes directamente da rádio e ouvi-las até à exaustão.
De me pintar com a minha prima e fazermos espectáculos para a minha avó com as músicas que estavam na berra na altura.
De admirar as unhas dos pés da minha outra avó, que estavam sempre impecavelmente pintadas e sonhar com o dia em que poderia fazer o mesmo.
De roer as unhas às escondidas e de as pessoas me dizerem que não se notava nada porque não tinha os dedos cabeçudos.
De perguntar “falta muito?” quando estávamos a caminho de algum lugar muito desejado.
De jogar à bola com o meu irmão no corredor. E andar de skate. E vê-lo a jogar ao guelas. E ouvi-lo reclamar porque eu perdia as vezes todas quando jogava Sega. E porque não sabia cantar em inglês as músicas que passavam no rádio e mesmo assim insistia em cantá-las.
De ver as provas de natação do meu irmão e ficar desejosa de partilhar os queques e as pipocas doces que lhe davam no final.
De ler os livros da Sophia e ficar fascinada com aquela dança de palavras, com a melodia das histórias que cresciam dentro de mim.
De ir ao circo e maravilhar-me com os trapezistas.
De subir à árvore antes da catequese e conseguir sempre não arranhar os sapatos nem estragar a roupa.
De ir à praia no Baleal e andar de bicicleta sem rodinhas.
Lembro-me destas e de tantas, tantas outras coisas.
Lembro-me também de não ver esforço nos meus pais. Não se esforçavam para termos programas, não se esforçavam para nos fazerem felizes, não se esforçavam para termos o que fazer. Simplesmente as coisas aconteciam naturalmente, sem forçar nada, só porque assim é que deve ser.
É assim que quero que a minha filha veja a sua infância. Como algo bom, positivo, que desperta saudades. Em que nada foi forçado, em que o amor existiu naturalmente.
Faz as tuas asneiras, reclama quando as coisas não te correm de feição, tenta colocar o triângulo na devida forma quantas vezes tiveres capacidade, até conseguires.
Não sabes mas a sociedade é feita de exigências. Espera-se que uma menina aja de certa forma, que um rapaz tenha determinadas atitudes. Sim, é verdade, estamos quase em 2020 mas a tua geração tem ainda um longo caminho pela frente. Depois, na escola, quando estiveres quase a entrar para a primária nem imaginas quais são os objectivos que deves cumprir.
Serás uma criança com deveres de gente grande. E a partir daí é uma bola de neve.
Na tua profissão, se tiveres sorte, poderás encontrar pessoas que são razoáveis, mas ainda existe muito a mentalidade dos pequenos poderes, das pessoas que pisam porque podem, das que não respeitam quem está abaixo de si porque se o fizerem perdem a força (tirânica) que os alimenta.
Mas nem tudo é mau, apesar de eu ter pintado um cenário um pouquinho escuro. Em abono da verdade, só queria com isto pedir-te que sejas criança enquanto és criança.
Que brinques tanto que te esqueças que, a brincar, também estás a aprender.
Tens tempo para reconhecer as cores, para saberes quanto é dois mais dois, para aprenderes a ler.
Para tudo há um tempo e o teu tempo é o de pedir colo e tê-lo. De ouvir histórias ao pé do ouvido. De cheirar as flores nos canteiros, de dançar sem qualquer vergonha quando o pai põe a tua música preferida a tocar. De cumprimentar as pessoas que não conheces quando passas por elas na rua. De reparar como as árvores são altas e as formigas parecem pontinhos que se movem. De apontar para o ouvido e depois para o céu quando identificas um avião a aproximar-se. De pedir para ficar um bocadinho mais dentro do mar. De chapinhares dentro da banheira na hora do banho. De ficares triste quando partes o teu boneco preferido. De pedir pão quando nos vês a comê-lo. De não esconderes a alegria que sentes quando reencontras alguém que já não vias há alguns dias.
Aos poucos (seria bom que não, mas é natural que sim…) irás moldar-te a ser menos espontânea, a seres mais discreta, a teres mais noção de quem está à tua volta e dos julgamentos que te dirigem.
Por isso, repito: não tenhas pressa.
Cresce ao teu ritmo, a ver o mundo com os teus olhos.
Este tempo é teu e nada nem ninguém te pode roubá-lo. Estamos aqui para garantir isso mesmo.
20 coisas que os meus filhos nunca vão perceber. Bem vindos aos anos 80/90!
Quando era mais nova lembro-me dos meus pais me contarem episódios que começavam com “No meu tempo…” Cheirava-me logo a anos 40/50, a histórias longínquas e desatualizadas, com o encanto de imaginar o meu pai com 6 anos, em África, a brincar na rua, tal como via na fotografia na sala de nossa casa. Parecia que, da infância deles à nossa, tinham ficado centenas de histórias por contar.
Hoje, dou por mim a começar frases da mesma maneira. “No meu tempo…”
Os meus filhos gostam de saber.
Com os olhos a brilhar tentam adivinhar o que vou eu contar: serão aventuras como andar de bicicleta sem que ninguém soubesse do nosso paradeiro, ou serão coisas que me passam pela cabeça como “Menina, que polos conhece? – Polo Norte, Polo Sul e Polilon!”. 1, 2, 3, diga lá outra vez: de onde vem esta famosa frase?
A pensar nestas conversas, resolvi compilar 20 coisas que os meus filhos nunca vão perceber… Bem vindos aos anos 80/90!
1.A Televisão era a preto e branco.
Só tinha dois canais, e o mais parecido com controlo remoto para os nossos pais éramos nós: “Vai lá ver o que está a dar no 2”. Não existia zapping, e se algum visionário se lembrasse de alternar entre canais fazia, quando muito, ping pong.
Mais tarde um asterisco que piscava no canto do ecrã indicava que estava a começar um programa no outro canal.
2. Fazer viagens Lisboa-Algarve pela Estrada Nacional.
Sem cintos atrás, e ficar horas no trânsito com temperaturas a roçar os 40 graus, sem ar-condicionado. A paragem obrigatória era em Canal Caveira ou Mimosa e não era para fumar um cigarro. Os cigarros fumavam-se dentro do carro, ao longo da viagem. Para os mais novos, cigarros de chocolate para agarrar entre dedos e ir comendo, powered by “próprios pais”.
3. TV a cores e Eurovisão
Assistir pela primeira vez ao festival da canção numa televisão a cores com toda a família e os amigos dos pais.
Sim, marcavam-se convívios para viver momentos especiais, e este foi um deles.
4. A mira da televisão antes de abrir a emissão
Acordar ao sábado de manhã para ver bonecos animados, e o desapontamento de ficar 1h a olhar para a mira da RTP porque a emissão ainda não tinha começado.
A excitação do início da emissão era tanta que até dançávamos ao som da orquestra de abertura (Este video é mais antigo, mas não arranjei com a mira dos anos 80, gozem só a orquestra).
Falar ao telefone sem poder sair do mesmo sítio e enrolar o dedo à volta do fio durante a conversa.
Quando a ligação não estava boa, trocávamos o telefone de orelha. Quando queríamos telefonar para casa de um amigo, tínhamos de saber falar ao telefone: cumprimentar, identificarmo-nos, e perguntar, “A Ana está?”
5. Colecionar borrachas com cheirinho, folhas queridas, caricas, berlindes, latas de bebida, ou pedras.
6. Querer telefonar para os amigos e ter um cadeado no telefone. Sim, já nos bloqueavam o teclado na altura, o método é que era um bocadinho diferente.
7. Para brincar bastava termos vontade.
Éramos pequenos Macgyver a improvisar brinquedos: fazíamos fisgas, cabanas, e arcos e flechas. Com pedras jogávamos à mosca, com um canivete (ups!) jogávamos ao mundo, com um elástico ou uma corda saltava-se. Com um fio fazíamos manobras de mãos e jogávamos ao pé de galo. Faziamos 3 covas e jogávamos Bilas ou Guelas.Só tinhamos de decidir se valia palmo e ganso ou não. Éramos incansáveis. Sabíamos que os presentes se recebiam nos anos e no natal, e vivíamos bem com isso. A moeda que a Fada dos dentes deixava dava para comprar pastilhas Gorila, e era fantástico! (Até porque, também, colecionávamos os cromos dos aviões)
8. Saber esperar
Marcar encontros no cinema ou no café sabendo que não haveria hipótese de desmarcar caso surgisse um imprevisto. Esperávamos até que o outro aparecesse. Às vezes, quando o atraso era grande, íamos a um café ligar para casa: “Quanto é que é cada impulso para chamada local?” – “Dois e quinhentos”. Nessa altura falávamos em escudos.
9. Assistir ao telejornal até ao fim, para ver as sessões de cinema que passava logo de seguida.
10. Load aspas aspas Enter.
Rezar que o jogo “entre”. Quando caía, afinava-se um parafuso no gravador e tentava-se novamente. Depois esperávamos uns 2 a 5 minutos para descarregar o jogo, numa espécie de hipnose provocada pelas riscas e sons que eram produzidos na televisão.
Poder jogar Pacman em casa… e depois Mrs. Pacman.
11. Ter uns headphones da Sony amarelos e rebobinar as cassetes com uma caneta bic para não gastar pilha.
11. Revelar fotografias
Pôr as fotografias das férias finalmente a revelar, esperar uma semana para levantar, pagar os olhos da cara, e não haver uma foto que se aproveite. O rolo tinha a “asa” errada e ficou com muita ou com pouca luz. Ou simplesmente abrimos a tampa antes de rebobinar, e ficou todo queimado!
12. Gravar musicas da rádio
Esperar ansiosamente que passe a música preferida no rádio para pôr a gravar, e alguém falar a meio. Ou estar a gravar uma música e a cassete acabar: virar rapidamente para o outro lado, pôr no Rec e apanhar a parte branca da fita até ao fim da música.
13. Linhas cruzadas
Arranjar uma extensão de telefone gigante para conseguires falar com alguma privacidade. Estar ao telefone e ouvir um “arfar” na linha. Alguém em tua casa estava a ouvir a conversa no outro telefone (Esta para eles parece muito à frente!)
14. Trabalhos escolares (Calma, os TPC já existiam, só davam um bocadinho mais de trabalho a realizar)
Fazer um trabalho de pesquisa, para a escola, na biblioteca. Ter de consultar vários livros, e criar a apresentação em acetatos! (Graças a Deus já existia o retro-projetor!)
15. Videoclubes sem ser on-line
Esperar meses para que aquele filme que perdemos no cinema chegasse ao clube de vídeo. Conseguir alugá-lo ao fim de duas semanas esgotado, chegar a casa ansioso para ver, e a fita não estar rebobinada! Ou gravar um filme no vídeo, e no dia que vamos ver… alguém gravou outro programa por cima.
16. Passar bilhetinhos nas salas de aula.
17. A primeira ligação à internet.
Aproveitar a extensão do cabo de telefone para fazer a ligação à internet no computador. O som que a internet fazia a ligar. O tempo que a internet demorava a ligar. A meio alguém resolvia fazer um telefonema, e adeus internet.
18. Ver a astrologia e os jogos no teletexto. (Isto já foi muito recente)
Lembra-se de todas estas coisas? De longe e de olhos vendados? Então vamos lá experimentar, feche os olhos e descubra de que são os 8 sons que estão na seguinte gravação! A seguir, faça o mesmo exercício com os seus filhos.
Veja quantos destes sons eles reconhecem!
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Pontuação Filhos: Até 2 respostas certas | Fantástico – Já andaste a ver vídeos no youtube sobre o século passado…! 2 a 4 | Afinal quantos anos tens? 4 a 6 | Uaaaauuuuu! Com esta pontuação também te deves lembrar da “Amiga Olga”, não? 6 a 8 | Agora a sério. Pontuação dos FILHOS! Não é a dos pais. Mas boa tentativa.
Sabemo-lo ainda melhor depois de sermos mães: nascem hoje e amanhã já têm 18 anos. É de facto uma correria. É uma correria tal que só nos apercebemos de ano a ano, na melhor das hipóteses.
Até há pouco tempo atrás ainda pensava aquelas coisas do tipo “nunca mais …”. Agora parei!
Percebi que o tempo não pode ser mais acelerado do que já é.
Percebi que o “nunca mais” chega tão rápido.
Percebi que é melhor viver o hoje. Só o hoje mesmo e o amanhã logo se vê.
Percebi que é tudo demasiado incerto e a única grande certeza que temos é o afecto, é o amor, são os laços. Com filhos, sem filhos, são os afectos que temos que cultivar, dia a dia. Com a família de sangue, com os amigos feitos família.
Sabem aquela amiga que mora a 2 km de nós e não vemos há 3 meses? Como? Porquê? Não faz qualquer sentido.
Sabem aquele almoço que adiamos sempre porque temos que trabalhar porque temos que ir às compras porque … Como o ginásio ou porque chove ou porque faz muito calor ou porque não temos horário.
Sabem que já é quase final de Agosto e em Setembro recomeça a escola, a rotina, os trabalhos. Depois chega o Outono e a chuva e os dias pequenos e outras coisas boas, como a lareira e as castanhas.
Antes que o Outono nos apanhe na curva, vamos aproveitar que ainda é Agosto.
É a minha sugestão. E é o que vou tentar fazer!
Prometo.
Ou muito me engano ou ando assim em volta destes pensamentos porque em Setembro faço 40 anos.
Tenho saudades daquela altura da minha vida em que podia fazer tudo sem quaisquer preocupações, responsabilidades ou consequências!
Lembram-se desse tempo?
Da altura em partíamos cabeças porque caiamos das árvore enquanto nos escondíamos para pregar uma partida? Do tempo em que andávamos tanto de bicicleta que chegávamos a ter de trocar os pneus por ficarem carecas! Sim, isto foi no tempo em que uma bicicleta durava uma vida!
Quando os pais só ralhavam se chegávamos depois de anoitecer porque o combinado era voltar sempre antes do sol se pôr!
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