Não tenhas medo | De Marta Coelho | Ilustrações Ana Rita Malveiro | Editora Máquina de voar | Uma parceria Up To Kids

 

Não tenhas medo é um dos primeiros dois álbuns ilustrados que nascem de uma parceria da Up To Kids com a editora Máquina de voar Editora.

 

SINOPSE

Não tenhas medo ilumina os possíveis obstáculos no caminho que, com os pais eternamente por perto, serão sempre ultrapassados. Palavras doces sobre auto descoberta e confiança nas características que nos tornam únicos, palavras que mesmo depois de lidas ficarão para sempre no subconsciente do amor.

FICHA TÉCNICA

Marta Coelho e aRita
32 páginas . 200 x 230 mm
ISBN: 9789899970661
PVP: 10,60 €
Preço site: 9,54 €

QUERO ENCOMENDAR

 

 

 

A timidez nas crianças

Encontramos muitos pais que se questionam e preocupam com a timidez dos seus filhos. Dizem que os filhos não conseguem olhar nos olhos, que qualquer palavra só tirada a ferros. Que estão muito metidos consigo próprios. Que não conseguem falar com estranhos, nem mesmo num café para simplesmente pedirem a sua torrada… Um conjunto infindável de pequenas grandes coisas que vão condicionando a vida dessas crianças e preocupando os seus pais.

O que afinal a timidez?

A timidez pode ser definida como um desconforto ou inibição em situações de interação pessoal, que interferem na concretização de objetivos pessoais, profissionais ou sociais.

Pode comprometer de forma significativa a realização pessoal. Constitui-se num fator de empobrecimento da qualidade de vida, mas, por si mesma, não é considerada como uma perturbação.

Passa a ser problemática quando inviabiliza o normal funcionamento da pessoa, das suas atividades, compromete relações pessoais e diminui a qualidade de vida.

O que está na base da timidez é que pode ser problemático ou indiciar questões que precisam ser resolvidas, nomeadamente:

  • Medo de falar;
  • Medo do desconhecido;
  • Falta de autoestima;
  • Dificuldade em fazer e manter amizades;
  • Dificuldade nos relacionamentos sociais;
  • Ou qualquer situação traumática que pode não ser consciente….

Num grau moderado, todos os seres humanos são, em algum momento de suas vidas, afetados pela timidez. Esta funciona como uma espécie de regulador social, inibidor dos excessos. A timidez funciona também como um mecanismo de defesa que permite à pessoa avaliar situações novas através de uma atitude de cautela e buscar a resposta adequada para a situação.

Fisiologicamente parece estar ligada à amígdala (responsável pelas emoções ligadas ao medo e à ansiedade) e ao hipocampo que fazem com que as pessoas se sintam constantemente ameaçadas e de forma mais intensa do que outras pessoas com um nível de atividade regular destas zonas cerebrais.

É muito importante que os pais procurem ajuda no momento em que reconhecem que esta característica já está a comprometer a qualidade de vida dos filhos.

E mais importante ainda é que diariamente incentivem as crianças a vencer esse medo e a entrar em relação.

Seja com os senhores do supermercado, seja com os do café que a família frequenta, tudo são boas ocasiões para lhes pedir que paguem a conta, peçam a fruta, etc. Que desmistifiquem esse movimento de se dirigirem aos outros, para que seguidamente possam ir estando mais preparados para o fazer com os colegas da escola e com os professores.

Uma criança excessivamente tímida vai ficar bloqueada nas suas competências de relacionamento interpessoal. Isso vai ser prejudicial ao seu desenvolvimento.

Precisamos de os apoiar e ensinar como fizemos para eles começaram a andar ou a falar. Isto para que não fiquem isolados e sem vida social. Convidar amigos para programas de fim de tarde ou fim-de-semana, conhecer os pais dos seus amigos de escola, providenciar atividades “sociais” para as nossas crianças é tão importante como tudo o resto. É nessa interação “supervisionada” que muitas vezes encontramos as palavras certas. Os conselhos sábios e a intervenção imediata correta para ir ensinando os nossos pequenos como é este mundo das relações!

Nem sempre nascemos com essa competência inata…

image@kidoz.in

Socorro, a mãe está doente. E agora?

“O cancro não passa despercebido. É muito importante ir preparando as crianças para as várias etapas, desde a quimioterapia, à perda de cabelo e à cirurgia.”

O diagnóstico de cancro chegou depois de umas longas semanas de angústia no corre corre de exames e mais exames para finalmente receber o pior dos diagnósticos! E agora? Porquê eu? O que é que eu fiz de errado para merecer isto?

São muitas das perguntas que passam pela cabeça desta mãe que ainda está atordoada com a notícia! Logo depois vem a grande
preocupação com a família… Como é que eu vou contar aos meus filhos? Quem é que vai garantir a organização da casa e das suas vidas?

Socorro, a mãe está doente. E agora?

Triste, nervosa e cheia de medo, conversamos sobre a melhor forma de falar com os filhos, que entretanto já começavam a intuir que algo de errado se poderia estar a passar e começavam a dar sinais de algum nervosismo e mal-estar. As crianças precisam sempre de saber a verdade, que lhes deve ser contada de acordo com as suas idades, sem rodeios, mas com otimismo e força positiva.

Como é que eu vou falar como os meus filhos sem desabar a chorar em frente a eles?

Será que os pais não podem chorar em frente aos filhos?

Claro que podem… Nem seria natural que fosse de outra maneira. Quando perdemos alguém choramos em frente dos nossos filhos, quando estamos fracos ou doentes também choramos em frente aos nossos filhos, quando nos despedimos deles também choramos e em mais um cem número de situações choramos! Chorar não faz dos pais, seres fracos, nos quais os filhos
não se possam apoiar quando tudo está mais negro, chorar não implica não dar esperança…

Pelo contrário, chorar faz de nós pais, seres humanos com sentimentos e com capacidade de aceder às suas emoções. Com a normalização do sentir os pais também ensinam os filhos que podem chorar, que podem angustiar-se e não desabar! Que o dia seguinte acorda sempre mais sereno e com forças para podermos continuar…

É fundamental que os pais numa situação de doença conversem com os seus filhos, chorem com eles, mas no dia seguinte mostrem-se capazes de levantar a cabeça e continuar a lutar.

A possibilidade de perder a mãe

Para uma criança a possibilidade de perda da mãe é algo que marca profundamente. Mas que não melhora por ser deixada à parte dessa etapa dramática e dura que a família está a viver. Talvez vão amadurecer mais rápido, talvez se sintam tensos e com excesso de responsabilidade. Talvez precisem de se sentir úteis, talvez vivam angustiados. Mas nestes momentos os pais não os podem libertar de nada disso.

Por mais que queiram os filhos vão sentir, vão mudar e vão ser parte integrante da doença. Proteger os filhos nestes casos é permitir que eles participem de acordo com as suas idades. É manter a casa calma e organizada, com a ajuda de todas as pessoas que for necessário envolver. E as crianças saberem sempre quem vai garantir o seu dia-a-dia, as suas deslocações para a escola e para as atividades; É continuarem a viver um ambiente calmo e organizado; É saberem que podem colocar todas as questões, dúvidas e angustias aos pais.

A importancia do pai

Nesta situação o pai é fundamental porque talvez a mãe não esteja com tantas condições para acolher as dúvidas dos filhos e o pai
poderá ser uma peça chave nesse processo. E agarrarem-se de mão dada à esperança que tem que permanecer de “pedra e cal” com mais força do que em qualquer outro momento…

As explicações devem ser claras, objetivas mas não precisam de ser muito detalhadas, sobretudo se estivermos a falar de crianças mais pequenas. O cancro não passa despercebido. É muito importante ir preparando as crianças para as várias etapas, desde a quimioterapia, à perda de cabelo e à cirurgia.

É preciso que as crianças saibam antecipadamente, mas sem dramas, o que é que vai acontecer, sobretudo como é que a mãe vai estar. O cansaço, os enjoos, os vómitos, as diarreias… para que possam integrar que todos aqueles sintomas fazem
parte do processo e não fiquem constantemente na incerteza do que está a acontecer à sua mãe. Quando uma criança imagina, tudo é sempre mais terrível, dramático e traumatizante, do que quando sabe em primeira mão e de forma adequada à sua idade.

Falar com os filhos é fundamental em qualquer família, mas quando se trata de uma doença grave não é fundamental é imprescindível!!

Não tenhas medo…

De olhar para a barriga a crescer e de sentir que ainda não te sentes preparada. Que talvez devesses ter esperado mais tempo e que ser mãe talvez tenha sido um passo precipitado.

Não tenhas medo desabafar que o parto te assusta, que tens receio da dor e/ou da recuperação.

Não tenhas medo de admitir que não foi amor à primeira vista. Que não sentiste o que supostamente toda a gente diz sentir durante as primeiras semanas de convívio com o bebé. Que precisaste de tempo para que a relação se fosse construindo e para que o amor fosse crescendo.

De dizer que estás cansada. Que tens saudades de dormir, que te doem as mamas e as costas.

Não tenhas medo de expressar como por vezes (ou muitas vezes) te sentes só.

De dar colo e de deixar o bebé dormir junto a ti.  De o transportar encostado ao teu corpo, de criar recordações e permitir que ele saiba que o amas.

De nem sempre acertar à primeira, de enfrentar palpites alheios e seguir o teu instinto.

Não tenhas medo de chorar e expressar o teu receio em estar a falhar. De por vezes dares por ti a sentir que não foste talhada para ser mãe, de te sentires enganada por nunca ninguém te ter falado do lado menos cor-de-rosa da maternidade. A dada altura todas sentimos o mesmo, no entanto a maior parte tem medo de falar sobre isso.

De pedir conselhos, delegar tarefas e aceitar apoio. Não és nem serás menos mãe por isso, serás sim uma mãe sensata que poupa recursos e os despende naquilo que realmente importa.

Não tenhas medo de contrariar os modelos parentais com que foste criada se pelo caminho descobrires outros que te façam mais sentido.

Não tenhas medo de constatar que não és perfeita, és apenas uma mãe real.

Não tenhas medo de dar o teu melhor. De admitir que apesar de tudo nunca foste tão feliz. De abraçar os teus filhos e de lhes dizer que os amas eternamente.

Não tenhas medo de reconhecer que és a melhor mãe que os teus filhos podiam ter, pois só tu (e o pai) os conheces e os amas como ninguém.

Acima de tudo, não tenhas medo de ser mãe e de sentir e expressar tudo o que faz parte da maior aventura da tua vida.

É sempre uma forma de violência. Um crime que merece castigo, mas que, não raras vezes, resulta impune. Não deixa de ser uma tortura, exercida por contacto interpessoal, ou através de meios mais sofisticados, como a internet. Em inglês, o termo “bullying” derivada da palavra “bully”. Significa tirano, brutal.

O cyberbullying é um tipo de bullying que tem aumentado com a expansão das tecnologias de informação. Antes da Internet, as crianças eram vítimas de violência sobretudo na rua, na escola, na paragem do autocarro, no caminho para casa, entre outros. Mas, quando chegavam a casa, normalmente, o bullying parava. Há, todavia, casos, e não são poucos, em que as crianças são, também, vítimas de bullying por parte das próprias familias.

Agora, com as novas tecnologias, o cyberbullying pode acontecer em qualquer lugar a qualquer momento. 1 em cada 10 crianças portuguesas já sofreu ofensas através da internet. O número de casos reportados cresce ano após ano. Saiba o que fazer para proteger as crianças.

O que é Cyberbullying?

O cyberbullying caracteriza-se pelo ataque através de insultos, difamação, intimidação, ameaça ou perseguição intencional e sistemática na Internet.  Não acontece apenas entre jovens. É feito com intenção de prejudicar, recorrendo a tecnologias online.

Hoje, as crianças usam as redes sociais, mensagens de texto e e-mail para conversar com os amigos. Isto significa que o cyberbullying pode acontecer facilmente. Mensagens cruéis ou fotos pouco favoráveis podem ser enviadas a uma escola inteira com apenas um clique, de casa, na rua, a qualquer hora, dia, seja fim de semana ou feriado. O agressor costuma agir na sombra, através de um perfil falso, ou uma conta fictícia de e-mail. Fique atento.

Às vezes, o cyberbullying acontece de quem menos se espera. Não escolhe rostos, nem religiões. Uma criança solitária, por exemplo, pode transformar-se num agressor ou vítima, sem que os pais em casa sequer imaginem. Mas, o cyberbullying também, pode ser exercido por um grupo de crianças que decidem publicar textos cruéis e prejudiciais sobre outras crianças.  Rapidamente, essas mensagens multiplicam-se como um vírus pelas redes sociais e, depois…já é tarde. O mal está feito e as consequências podem ser devastadoras para as vítimas, refletindo-se ao nível do desempenho escolar e, no limite, provocar depressão e até mesmo suicídio.

O cyberbullying pode acontecer de várias formas. Eis alguns exemplos:

  • Enviar emails, textos ou mensagens instantâneas.
  • Enviar mensagens neutras a alguém até ao ponto de assédio.
  • Publicar conteúdos prejudiciais sobre alguém nas redes sociais.
  • Espalhar online rumores ou falsidades sobre alguém.
  • Denegrir a imagem de alguém através de conversas online, acessíveis a várias pessoas.
  • Atacar ou matar um personagem de um jogo online, constantemente e de propósito.
  • Fingir ser outra pessoa através de um perfil online falso.
  • Ameaçar ou intimidar alguém online ou através de mensagens de texto.
  • Tirar uma foto ou vídeo embaraçoso e compartilhá-lo sem permissão.

É importante saber que nem todos os conflitos online entre crianças são cyberbullying.

Às vezes, as crianças entram em discussões acesas nas redes sociais. A maior parte são conversas inofensivas, apenas de brincadeira, mas podem ser confundidas. Provocação e bullying são coisas diferentes.

Há maneiras de determinar se um comportamento configura um crime de bullying.  Se uma criança envia mensagens prejudiciais de propósito e de forma regular, então poderá ser considerado um ataque cibernético.

Cyberbullying e crianças com problemas de aprendizagem e atenção

Todas as crianças podem ser cibercriminadas. No entanto, crianças com problemas de aprendizagem e atenção enfrentam riscos especiais. Significa que são mais propensos a ser cibercéticos do que os seus pares.

Por exemplo, crianças que recebem apoios escolares ou estatais podem ser um alvo mais fácil, simplesmente, porque podem ser olhados de maneira diferente, quer em termos sociais como académicos.

As mensagens online podem ser complicadas para crianças com problemas de aprendizagem e atenção. A maioria das comunicações através da internet depende do texto, o que constitui uma dificuldade acrescida para alguém, por exemplo, que se debate com problemas de leitura e escrita.

Crianças com fracas aptidões sociais podem interpretar mal os e-mails ou os textos. Podem não entender o contexto de uma publicação nas redes sociais. Crianças com problemas de impulsividade ou PHDA podem reagir mal a uma mensagem.

Note que há também casos reportados de crianças com problemas de aprendizagem e atenção que, em vez de vítimas, assumem, também, o papel de vilão.

Como prevenir o ciberbullying

A melhor maneira de prevenir o ciberbullying é preparar a criança para saber interagir no mundo online. Negoceie regras de utilização da internet. Se não deixamos os nossos filhos andar sozinhos na rua, que sentido faz se os deixarmos em casa com a porta da internet escancarada, sem nenhuma proteção?  Eis algumas estratégias que podem ajudar:

  • Fale com a criança sobre o que é o ciberbullying.
  • Discuta com ela o que fazer se ela alguma vez for vítima.
  • Pratique as habilidades sociais do mundo real com a criança, verá que estará a ajudá-la online.
  • Mantenha linhas de comunicação abertas com a criança.
  • Ensine o respeito e a empatia pelos outros nas redes sociais.
  • Compreenda quais dispositivos, aplicativos e tecnologia que costuma  usar, guardando, por exemplo, as passwords de acesso às redes sociais.
  • Mantenha a tecnologia fora do quarto da criança, onde, poderá ser usada sem supervisão.
  • Use um contrato de telemóvel para ajudar a gerir o uso de tecnologia por parte da criança.
  • Mude o número de telemóvel, email, passwords, sempre que suspeitar que a criança é vítima destas situações.
  • Não partilhar informação pessoal, número de telemóvel, fotos, escola e/ou locais que frequenta.
  • Nas redes sociais, adicionar só as pessoas que conhece, ao vivo e a cores, e manter o perfil restrito.

Na semana passada o medo invadiu a nossa casa. O pequeno catita tinha medo de fazer cocó e eu tinha medo que ele não fizesse. Depois de uma semana doente, o intestino não estava a funcionar como de costume. Após uma ida à casa de banho mais difícil, o medo instalou-se para ficar.

Desde aí, por muitas explicações conscientes que desse, por mil e uma dicas médicas e outras tantas mézinhas variadas, nada funcionava. Ele não queria ir à casa de banho. Ponto.

A cada dia que passava o medo crescia dentro dele. A cada dia que passava, o medo crescia dentro de nós. Eu conseguia sentir como ele estava sempre assustado, como se sentia sempre encurralado, e isso, estava a dar cabo de mim.

Para nos ajudar neste processo, tentei descobrir mais sobre o medo. Uma das coisas que já sabia, é que deve ser ouvido e respeitado. Mesmo que nos pareça um medo idiota e sem sentido, tal como qualquer emoção, deve ter espaço para existir. É fundamental aceitar o que está a ser vivido do outro lado, ouvir sem tentar mudar nada. Dar tempo para o medo, ao seu ritmo, dar lugar à ação.

Várias vezes engoli o meu medo. Lembro-me que não tinha espaço para ele. Ficava presa nos olhos cheios de expectativas dos outros e enfrentava o que lá vinha. Mas a força motora não vinha de mim, vinha do outro. Eu não estava a utilizar os meus próprios recursos para lidar com a situação, e esta dependência externa apenas aumenta o nosso medo e o nosso sentimento de incapacidade.

O medo é uma antecipação negativa de alguma coisa, só o próprio a pode transformar numa antecipação positiva. Só o próprio pode dar o primeiro passo, de dentro para fora.

Tinha de ser o pequeno catita a decidir que estava preparado e munido dos recursos necessários para enfrentar o que o assustava.

Muitas pessoas encaram o medo como algo muito negativo, mas ter medo é saudável e natural. Coloca o nosso corpo em alerta para quando temos de dar uma resposta rápida a nível físico e mental. Também existem os outros medos que nos limitam, congelam e aterrorizam. Estes devem ser igualmente respeitados, e devem ser olhados como mensagens ou pedidos de ajuda dos nossos filhos.

Segundo a Isabelle Filliozat, é importante dar as informações necessárias à criança sobre o que se está a passar. No meu caso, expliquei ao pequeno catita o processo digestivo de uma forma simples e divertida. Mostrei-lhe como funcionavam todos estes “canos” dentro de nós. Também lhe perguntei o que poderíamos fazer para ele se sentir mais seguro na ida à casa de banho.  Do que é que ele precisava? Surgiu uma lista de coisas: os vários octonautas na beira da banheira a olhar para ele, a música do Despacito a tocar em loope um banquinho colorido para ele colocar os pés enquanto estava sentado na sanita. Segundo ele, este era um “plano perfeito”.

Por vezes, quando confrontado com a iminência de ter de ir à casa de banho a raiva subia-lhe à ponta do nariz. Eu ficava lá, com ele. Presente. O medo e a raiva andam muitas vezes de mão dada. O medo engolido gera raiva. Para transformar o medo, a raiva tem de conseguir vir cá para fora e tem de ter espaço para o fazer.

Filliozat refere algumas das fases fundamentais nesta viagem através do medo onde devemos respeitar sempre o ritmo dos nossos filhos (e o nosso); Primeiro, é essencial aceitar o medo. O que é, como é, sem tentar mudá-lo. Apenas compreender e receber o medo que o nosso filho tem.

Depois, ajudar a criança a aceder aos seus recursos internos. Para isso, contei-lhe de outras vezes em que ele tinha ido à casa de banho, uma delas até tinha sido num avião em pleno voo! Juntos tivemos a tentar adivinhar quantas vezes fez cocó desde que nasceu e descobrimos que, na verdade, ele era um grande especialista no assunto. Relembrámos também outras situações em que ele também teve medo, as ferramentas que usou na altura, e como se sentiu orgulhoso no final com a sua conquista.

Mais tarde, falei de mim. Das coisas que me assustaram e principalmente das vitórias e aprendizagens a que estas deram origem. A nossa experiência com o medo acolhe a deles. Inspira-os e ajuda-os a não se sentirem sozinhos ou tontos com as suas inseguranças. Somos todos iguais. Temos TODOS medo de alguma coisa.

A regra mais importante? Não devemos insistir. A não ser que seja uma situação de vida ou de morte. E não era. Ele tinha de decidir fazê-lo por ele, e não para me fazer a vontade. Ele tinha de se sentir livre para fazer essa escolha. Aí está o poder. Aí reside a nossa força. Aí o medo que inibe transforma-se no medo que estimula à ação.

Um dia, estava na sala e comecei a ouvi-lo cantarolar o Despacito. A música vinha da casa de banho. Alguns minutos mais tarde chamou-me. Quando cheguei estava sentado, olhou-me determinado e disse “Mãe quero tentar. Vou confiar em mim e em ti e vou fazer força.” Estava pronto. Era agora.

Alguns segundos depois, puxávamos o autoclismo em tom de celebração. Se eu tivesse “confetti” tinha feito um pequeno carnaval naquele instante. É muito importante que a criança sinta orgulho na sua vitória de forma a fortalecer e consolidar a sua confiança na vida, e em si mesmo.

E foi assim… tal como apareceu, o medo do meu pequeno catita desapareceu pelo cano.

 

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No rescaldo do incêndio de Pedrógão Grande, é importante dosear a informação transmitida a crianças e adolescentes, explica o psiquiatra Pedro Pires

Ninguém está preparado para lidar com uma tragédia brutal, num contexto e com uma dimensão completamente inesperadas, como o grave incêndio que espalhou a morte em redor de Pedrógão Grande (norte do distrito de Leiria). E mais complicado parece explicá-lo a crianças e adolescente. A prioridade deve ser transmitir-lhes segurança, explica, ao DN, o psiquiatra da infância e adolescência Pedro Pires, colaborador do Programa Nacional para a Saúde Mental nessas áreas.

“O importante é transmitir segurança. O principal medo da criança é pensar que isso lhe pode acontecer. É preciso tranquilizá-la, explicando que é uma experiência isolada e que a criança, no mundo onde vive, está em segurança”, aponta o psiquiatra.

Depois, o grau de profundidade da explicação de uma tragédia como o incêndio de Pedrógão Grande deve variar consoante a idade. “Numa criança pequena, em idades mais precoces, antes da adolescência, é evitável dar explicações detalhadas: até pode ser negativo dar detalhes e mostrar a crueza da realidade, porque a criança não tem – de modo geral – capacidade psíquica e cognitiva de compreensão da totalidade da situação. Já num adolescente é importante abordar este assunto. A conversa deve ser mais detalhada e é importante falar e esclarecer as dúvidas”, descreve Pedro Pires.

De resto, a exposição aos conteúdos mediáticos, como imagens televisivas e partilhas de redes sociais, também deve doseada e intermediada, para não afetar espetadores com idades mais sensíveis. “Não é demais repetir o controlo que deve existir nos media, principalmente quanto à imagem. É um conteúdo traumático sobre o qual criança não tem capacidade de elaborar [raciocínios]. Pela idade, não tem capacidade para aguentar a exposição ao sofrimento. E os pais devem procurar, no que for possível, que crianças pequenas não visualizem essas imagens”, conclui o colaborador para a infância e adolescência do Programa Nacional para a Saúde Mental.

Fonte DN, Sociedade, 18 Junho 2017

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Coragem é a capacidade (muitas vezes tida como virtude) de agir apesar do medo, do temor e da intimidação. Deve-se notar que coragem não significa a ausência do medo, e sim a ação apesar deste.” – in wikipédia

As Mães “fingem” ser super mulheres, super profissionais, super tudo. Fingem ter super poderes, ter sete vidas, ter energia inesgotável e tudo isto porque as mães também têm medo.

Uma mãe tem medo de tudo e de nada: medo de errar, de falhar na educação de um filho, de mimar de mais, de o proteger em excesso.
Tem medo de perder um filho, de não ser o exemplo. Tem medo de não lhe dar asas e de não ser as suas raízes. Tem medo de não perceber o filho. Tem medo da distância. Tem medo que um filho faça disparates e que se magoe.
Uma mãe tem medo de não conseguir fazer tudo bem,  de não ter força e coragem, de não passar tempo suficiente com o filho, de não brincar o suficiente, de perder aquele momento especial.
Tem medo de sentir culpa.
Tem medo de não saber ser mãe.
De falhar.
Tem medo de envelhecer, de se sentir impotente e de ser negligente. Tem medo de gritar.
Uma mãe tem medo.
Da doença, de ter um filho doente, de ficar doente e não poder cuidar de um filho.

Tem medo de perder as estribeiras e a cabeça.

As mães também têm medo.

Mas uma mãe é um bombeiro que combate o perigo, é um polícia que protege, é um médico que cuida,  é um militar que defende.
Uma mãe é o tudo e o nada.
Uma mãe nunca desiste, nunca baixa os braços, nunca perde a fé.

Uma mãe é capaz de mover montanhas com o seu amor infinito, com a sua obstinação, com a sua coragem, porque uma mãe é sempre a melhor mãe que sabe, que pode e que consegue ser.

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Depois que virei mãe, passei a conviver diariamente com medos até então desconhecidos ou nunca antes pensados.

Lembro-me como se tivesse sido ontem da primeira vez que senti medo. Foi no dia em que descobri que estava grávida. Quis comprar umas botinhas de bebê para contar para Saulo a novidade e como a loja era perto eu fui andando. Como tinha pressa decidi começar a correr, mas o corpo não obedeceu. Parei e notei que estava com medo. Medo de ir correndo tropeçar e cair no medo da estrada e ser atropelada! Vejam que exagero, mas esse exagero todo era porque eu estava com medo de perder o meu bebê. Naquele momento quase me achei louca e até ri de mim mesma, mas respeitei meu medo e fui andando calmamente. Mal sabia eu que aquele era o começo da minha relação intensa com um sem numero de “medos”.

Matheus nasceu e com ele nasceu um mundo de medos.

Um dos primeiros foi o medo de morrer… não por mim, não pela dor física da morte, mas pela dor de deixar meu filho… de não o ver crescer. Nunca até então tinha tido medo de verdade de morrer, hoje eu tenho pânico.

E o medo de perder? Esse então me aterroriza. Não consigo me imaginar perdendo meu filho  e queria que nunca ninguém tivesse que conviver com essa dor. E por causa do medo da perda, aparecem os  “mini medos”.

Quem nunca no pós-parto teve medo até de uma escada quando estava com o bebê nos braços? Eu tenho medo de descer uma escada com Matheus nos braços até hoje, e tenho mais medos desse tipo, mas com o tempo aprendemos a controla-los e a não pensar tanto neles.

Sabe outro medo que apareceu logo depois que Matheus nasceu? O medo de dirigir. Vocês não imaginam como eu tremi quando me vi pela primeira vez sozinha com Matheus dentro de um carro. Eu tremi na base, mas após alguns “passeios” eu aprendi a conviver com esse medo e hoje lido bem com ele. Ele ainda existe, eu o respeito, mas faço que não o vejo.

Matheus foi crescendo e com ele os medos continuaram aparecendo.

Qual mãe não conheceu o medo de falhar? Comigo não foi diferente. Sempre, desde o dia que ele nasceu que me cobro. Queria conseguir ser perfeita, mas descobri que nunca vou sê-lo e quando passei a saber lidar com a imperfeição, comecei a ter medo das consequências dos meus erros causados por ela.

Como educar é difícil… Você fica o tempo todo se questionando, perguntando se a educação que você está dando é a melhor, se a forma como está educando é a certa… Duvidas, e mais duvidas, e todas elas são culpa do medo de falhar.

Como é complexo viver quando se é mãe. É como se fossem dois seres vivendo num só.

Você quer voltar a ser você, mas o instinto materno fala mais alto, e voltar a ser você pode provavelmente te fazer errar mais, e com o medo de errar, você vice com medo de tudo, porque tudo na vida é feito de momentos onde tentamos acertar e frequentemente erramos.

Ser mãe é ter o curriculum cheio de medos… não tenho dúvida, mas também não podemos deixar de viver porque eles existem…

Medos nos desafiam, mas eles nos fazem chegar muita além do que a nossa mente se julga capaz.

E você? Já aprendeu a conviver com os medos?

 

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O seu filho tem medo de ir dormir sozinho? 8 dicas para o ajudar

O medo de ir dormir sozinho está relacionado com os medos que a criança desenvolve sobre o mundo. Por vezes no seu imaginário, por vezes sendo medos reais.

O medo é um sentimento intrínseco ao ser humano, tal como a alegria ou a desilusão, por isso é normal todas as pessoas terem medo. Nas crianças o medo faz parte da aprendizagem, e constitui uma parte importante do seu desenvolvimento.

O medo do escuro desenvolve-se normalmente a partir dos 2 ou 3 anos. Mas antes dessa fase a criança já começou a construir o seu mundo através da exploração do imaginário, experienciando diversos sentimentos, incluindo o medo.

Durante a noite, na hora de ir para a cama, o medo apodera-se do seu filho. Primeiro porque se sente desprotegido por ter de ficar separado dos pais; 2º porque assim que as luzes se apagam tudo o que é palpável e que ele conhece desaparece, dando lugar a que criaturas estranhas saiam debaixo da cama alegremente, só para o assustar.

Ensinar o seu filho a lidar com o medo durante a infância é fundamental para prepara-lo para o futuro.

Se o seu filho tem medo de ir dormir sozinho, estas são 8 dicas simples, que são comuns à literatura especializada que foi por mim consultada:

  • Converse com o seu filho. Ouça-o e tranquilize-o.

Compreender a origem dos medos das crianças é essencial para os podermos ajudar. Desmistifique os medos reais: se o seu filho tem medo de cães, mostre-lhe na internet vídeos de cães a brincar com os seus donos. Por vezes esse medo é fruto do desconhecido e, quanto mais familiarizados com o objecto do medo, mais seguros ficam em relação ao mesmo. Tranquilize-o sempre que esteja com medo. Reforce a ideia do sentido de segurança sempre que ele precisar.
Converse com o seu filho sobre os seus medos durante o dia. Ajudá-lo a construir a sua autoconfiança à luz do dia, é meio caminho andado para fazê-lo sentir mais seguro à noite. E uma criança segura, irá tornar-se por certo mais autónoma.

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  • Seja criativo, use técnicas adaptadas à idade do seu filho.

Para combater medos imaginários, como monstros, extraterrestres e outros seres que, inexplicavelmente, teimam em habitar os quartos dos nossos filhos, seja criativo. Muitos Pais já aderiram ao “pulverizador antimonstro” por ser um sucesso para acalmar os mais pequeninos.
Os animais de estimação também são óptimos guardiões do sono e sonhos infantis. Até mesmo um aquário com peixes colocado no quarto, pode ajudar as crianças a controlar e dominar o seu espaço contra os seres imaginários.

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  • Nunca desvalorize os medos do seu filho.

Os medos de uma criança são reais, ainda que os monstros não sejam. Desacreditá-los e desvalorizá-los só implicará que os deixe de partilhar consigo. Já o mal-estar interior e a ansiedade vai reflectir-se fisicamente através de falta de atenção, tiques, mãos transpiradas, dores de cabeça ou de estômago, entre outras. As crianças precisam da protecção dos pais, para se sentirem seguras e perderem os medos. Não os deixe perder esse direito.

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  • Ajude a criar mecanismos de defesa e técnicas de relaxamento.

A coragem não é a ausência de medo: é sim saber enfrentá-lo. Partilhe episódios seus de medos que tinha quando era mais novo e como os conseguiu ultrapassar. O seu filho vai entender que, se os pais enfrentaram os seus medos e estão bem, também a eles nada lhes irá acontecer. As técnicas de relaxamento farão com que o medo não se apodere dos seus pensamentos na hora de ir dormir: por exemplo, treine-o a visualizar uma cena relaxante, como estar na praia, assistir a um pôr-do-sol ou a observar as estrelas. Isso vai ajudá-lo a ter a mente ocupada afastando os pensamentos que o inquietem. Além disso é fisicamente impossível estar relaxado e assustado ao mesmo tempo.

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  • Estabeleça limites, regras e rotinas

A coisa mais importante que podemos dar aos nossos filhos, além do amor incondicional, é a disciplina. De modo não fundamentalista, criar regras, estabelecer limites e seguir rotinas pode fomentar a criação dessa disciplina.
A rotina é essencial para que tudo aconteça de acordo com as expectativas geradas na cabeça da criança, criando a desejável habituação. Este ciclo fará com que a criança se sinta protegida, reduzindo-lhe a ansiedade e proporcionado uma hora de ir para a cama mais tranquila.

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  • Evite televisão em excesso durante o dia e mantenha-a desligada depois da hora de jantar.

Hoje em dia, os miúdos adoram passar horas em frente à televisão e a oferta de programas infantis é permanente. A todas as horas do dia há canais dirigidos ao público mais novo, fazendo com que desde muito cedo as crianças dominem os comandos da casa. A televisão estimula a criatividade e a imaginação das crianças, fazendo com que isso se possa reflectir na ansiedade gerada na hora de dormir. Aproveite os momentos antes de ir para a cama para passar tempo útil com os seus filhos. Leia uma história, façam jogos de palavras ou de tabuleiros, cantem em conjunto, ou simplesmente aproveitem para conversar.

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  • Peluches e ó-ós (bonecos de segurança)

Ajude o seu filho a ficar ligado a um boneco que lhe transmita a segurança que precisa. Normalmente as fraldas, óós e afins, aparecem e fazem parte da vida da criança desde que nasce. Se esse não é o caso do seu filho, ofereça-lhe um boneco macio de alguma personagem de que gosta muito. Fomente todas as noites a relação entre os dois, colocando esse boneco na cama do seu filho. Ele vai sentir-se mais acompanhado e relaxado e estará a pensar no boneco, desviando o pensamento dos assuntos que lhe criam ansiedade. (ler artigo sobre bonecos papa-medos)

 

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  • Luz de presença

Chega uma altura em que o seu filho lhe pede uma luz acesa. A luz é uma óptima companhia e solução para acabar com alguns dos seus medos. O facto de conseguir ver o quarto todo faz com que os monstros não consigam sair debaixo da cama e que os extra-terrestres não entrem no seu território, dando-lhe um sentimento de controlo e poder sobre o espaço que o rodeia. Isso deixa-o mais tranquilo e seguro.

Deve também deixar as portas e gavetas dos armários fechadas, para não dar azo à imaginação.
As luzes de presença, podem dar origem ao aparecimento de sombras que são tão assustadoras como a escuridão. Opte por deixar uma luz difusa, que vai tranquilizá-lo sem o prejudicar, até que seja mais velho. Um dia, há-de esquecer-se de pedir que deixe a luz, ou até dizer que já não precisa dela.Se o seu filho não tem medo do escuro e divaga pela casa a meio da noite, clique aqui

 

me·do |ê|
(latim metus, -us)
substantivo masculino
Estado emocional resultante da consciência de perigo ou de ameaça; reais, hipotéticos ou imaginários. = FOBIA, PAVOR, TERROR
[“medo”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa]

 

Bibliografia:

  1. Take Charge of Your Child’s Sleep: The All-in-One Resource for Solving Sleep Problems in Kids and Teens”.  by Judith A. Owens  and Jodi A. Mindell
  2. “O grande livro dos medos e das birras! de Mário Cordeiro
  3. outras fontes aqui e aqui