A mãe fica meu amor

Há catorze meses que este bebé está comigo. Nove meses na minha barriga, cinco no meu colo. Nunca me separei dele por períodos maiores que meia-dúzia de horas. Todas as manhãs o vi acordar. A maior parte dos meus dias é passada com ele no colo e, em dias mais difíceis, ando com ele na mochila para conseguir despachar as tarefas domésticas enquanto lhe vou cantando que “a barata diz que tem…”.

Conheço todas as expressões deste bebé.

Sei onde lhe tocar para o fazer rir. Sei o que lhe dizer para o acalmar. O cheiro dele é o mais perfeito dos cheiros mesmo quando se bolça e aquele travo azedo se cola na roupa. Os olhos dele são grandes, a pele absurdamente branca e o sorriso pura magia.

Sei que no momento do parto o corte do cordão umbilical separa o bebé da mãe e, em termos puramente físicos, essa é uma verdade indiscutível. Mas, para mim, o verdadeiro corte, aquele em que experimentamos pela primeira vez a angústia da separação, acontece no dia do nosso regresso ao trabalho.

É verdade que viver quase exclusivamente para um bebé é desgastante.

Mas isso não impede que o regresso à vida laboral seja de uma violência atroz. O coração de mãe aperta-se na hora do voltar à antiga rotina e a ansiedade transforma-se numa companhia permanente. Dói quase fisicamente termos que nos separar do nosso bebé, do nosso pequenino, daquele ser que é quase uma extensão natural de nós próprias.

O meu regresso ao trabalho está a chegar.

E a mãe que sou tem medo de não estar preparada. Tem vontade de bater o pé e dizer que não volta. Tem vontade de encher este filho de beijos. De o apertar nos braços e de lhe dizer ao ouvido “a mãe fica meu amor”. 

Quem me dera poder ficar.

Nunca gostei da expressão “mãe a tempo inteiro”.

Por um lado parece-me que subestima as mães que não trabalham fora de casa que, de repente, mais não são que os corpos que deambulam sem vontade própria de divisão em divisão da casa com biberões em punho e crianças ao colo.

Por outro lado fico sempre com a sensação de que as mães que trabalham fora de casa são como que excluídas da maternidade incondicional, quase como se fossem um bocadinho menos mães que as outras. Ora mãe é mãe. Sempre. Longe ou perto.

A trabalhar ou em casa.

Não se deixa de ser mãe quando se fecha a porta de casa.

E nessa medida somos todas “mãe a tempo inteiro”. Porque tempo nem sempre significa presença.

Durante os últimos cinco anos tive a sorte de não estar nem num extremo nem no outro no que à definição de “mãe a tempo inteiro” diz respeito. Sempre trabalhei mas com horário flexíveis que sempre me permitiram ir buscar os meus filhos à escola, almoçar com eles, acompanhá-los quando doentes, convidar amigos lá para casa ou vê-los partir na camioneta nos passeios escolares.

Ao mesmo tempo, tive tempo e oportunidade para continuar a explorar as minhas outras facetas e papéis sociais. Cresci muito profissionalmente. Ser mãe ajudou-me até a agarrar novos desafios e a desenvolver novas ideias.

Na mesma medida em que ser mãe me ajudou a ser melhor profissional. Ter um desafio profissional ajudou-me a ser uma mãe mais feliz. Um equilíbrio perto do perfeito (perto porque a vida não é, e ainda bem, perfeita).

Em Portugal são muito poucas as mulheres que têm esta possibilidade.

É o regime do “sim ou sopas”: ou trabalhas e definem-te como um bocadinho pior mãe que mal vês os filhos durante a semana, ou não trabalhas e levas com o rótulo da mulher pouco interessante que se refugiu na maternidade.

São muitos os bons os exemplos vindos dos países nórdicos onde as mulheres são chamadas ao mercado de trabalho sem que isso estrangule a vida familiar. E que bom seria que os pudéssemos replicar  no nosso país sem olhares reprovadores.

Estou certa de que não estou sozinha nesta vontade.

Se não nos empurrarmos, se não nos boicotarmos umas às outras – ora porque estas mães que não trabalham acham que tenho a vida delas e que posso preparar bolos caseiros para o lanche para os miúdos, ora porque aquelas mães priorizam o trabalho e mal conhecem a professora dos filhos – podemos ser todas mães na nossa mais incondicional forma de o ser. Longe ou perto. Porque lá está: mãe é mãe. Sempre. Eu diria mesmo: a tempo inteiro.

A culpa e a insegurança maternas

Observando os primeiros dias de aulas numa instituição de Educação da Infância, percebemos a postura das mães em relação aos pequenos. Demonstram insegurança, receio, apego excessivo e até mesmo uma espécie de ciúme velado (ou explícito) em relação à professora. Tudo isto é muito natural, se passar nas primeiras semanas de aulas, quando os diferentes intervenientes deste processo já se encontram adaptados.

Acontece, no entanto, que algumas mães continuam a apresentar dificuldades em deixar a criança na escola com tranquilidade. Este é um dos muitos exemplos através dos quais podemos analisar a figura da mãe, com processos psicológicos de culpa e insegurança…

Análise histórica

Remontando a questões históricas, a 2ª guerra mundial levou homens para campos de batalha e mulheres para fábricas. A guerra acabou, os homens voltaram para as fábricas, mas as mulheres não quiseram voltar para os fogões. Sentiram-se capazes de trabalhar fora e, ao mesmo tempo, gerir a criação dos filhos. De serem esposas, sem abrir mão de serem profissionais.

Embora a conquista desse espaço tenha sido justa, gerou impactos na estrutura social da família, cujas filhos precisavam de ficar num ambiente substituto. Então, ao mesmo tempo que as mulheres se rejubilavam com as conquistas profissionais, começaram a sofrer as consequências da sua ausência em casa.

Na verdade, está implícito na culpa uma condição histórica da mulher que “só” ficava com os filhos. É raro vermos homens que se sentem culpados por trabalhar 8 horas por dia, pois já estava “estabelecido” que o homem trabalha fora, e não tem a responsabilidade de estar perto dos filhos o tempo todo.

A mulher é biologicamente condicionada a ficar em casa quando sua criança nasce. Deve parar de trabalhar. O recém-nascido precisa do seu corpo para viver. O vínculo de afeto estabelecido entre mãe e filho alimenta a criança.

Mas… Tudo na vida são fases, casulos, pupas e borboletas… Com o passar do tempo, mudam as necessidades da criança. E do adulto também!

A evolução

E esta mãe, que sentia dificuldades em deixar a sua criança na escola, que fará ela quando o seu filho crescer e for trilhar os caminhos da própria vida? O que vai acontecer a esta aquela mãe culpada, quando encarar de frente o ninho vazio? Deixou as autorrealizações de lado para se dedicar única e exclusivamente aos filhos? Desistiu do casamento? Da carreira? De si mesma?

Estas reflexões são necessárias. Dolorosas, mas necessárias. A culpa e a insegurança maternas, na primeira infância, podem moldar um futuro caráter inseguro e egoísta nas crianças, mas sobretudo, fazer com que a própria mulher perca a identidade e o autoconceito, perdendo-se a si mesma.

A realidade é dura e crua, ninguém quer contratar Mães Trabalhadoras.

As razões são mais que muitas:
1 – Os miúdos passam a vida com as chamadas “ites”. Ora uma otite, ora uma amigdalite, ora uma conjuntivite, ora uma faringite…guess what? As escolas não deixam entrar “ites”. Solução: Não há, as Mães transformam-se em enfermeiras e ficam por casa a tratar dos seus mais-que-tudo.
2 – Noites mal dormidas. Ai as noites mal dormidas. Suas malditas! Não há ninguém que goste de ver trabalhar Mães desgrenhadas, cheias de olheiras, com nódoas de café entornado e outras coisas mais…
3 – Idas ao pediatra, às vacinas, e a todas as rotinas de saúde dos miúdos. Pois é, ainda não abriram consultas nocturnas, e por muito que as Mães tentem ir à hora de almoço ou mesmo logo de manhã, as consultas express ainda estão por inventar…
4 – Reuniões de escola. Quantos mais filhos, mais sarilhos! Uma Mãe de 3 tem em média cerca de 9 a 12 reuniões por ano. Agora a melhor parte: quase sempre em horário de expediente. Mais uma rodada, mais uma falta no trabalho.
5 – Rachadelas de joelhos, de cabeça e afins. Quantas vezes é que as Mães recebem telefonemas com estes pequenos (grandes) acidentes? Mães de rapazes, estou solidária! O que fazemos? Saímos a correr, ainda que estejamos a meio de uma reunião, por muito importante que esta seja. Estou certa ou estou errada?
6 – Perrices matinais. Não vamos negar, Mães. Se fosse feito um estudo acerca das birras logo de manhã, com certeza que se concluiria que são responsáveis por cerca de 30 minutos de atraso de toda a família envolvida. Era bom que fosse tudo perfeito, não era? Welcome to the real world!
7 – Os famosos buscar e levar, tratar e esticar. Quem é que não se desdobra para estar em todo o lado ao mesmo tempo? As horas de almoço têm de render por 3 horas, entre supermercados, recados, e outros tantos biscates atrapalhados:
– Mãe, hoje tenho uma festa e não temos presente!
– Mãe, a professora pediu para amanhã levar lápis de cor que os meus já acabaram!
– Mãe, hoje tenho natação e o Pai esqueceu-se do saco no carro!
– Mãe, Mãe, Mãe!!!
Pois, pois, as Mães não têm tanto tempo disponível quanto isso….pensam os empregadores…mas pensam mal, digo eu…
E digo bem, salvo melhor opinião em contrário. Eis que agora vos apresento mais do que uma mão cheia de razões que rebentam a escala de todos os outros motivos aqui já ditos. Não acreditam? Então vejam só:
1 – As Mães têm uma capacidade extraordinária de lidar com situações de stress absoluto, desempenhando na perfeição o papel de árbitro em conflitos mais-que-tal.
2 – As Mães são peritas em manter a concentração e toda a linha de raciocínio em reuniões barulhentas e cheias de azáfama. Melhor do que ninguém. Tenho dito.
3 – As Mães têm uma memória fotográfica e descritiva fora do comum, conseguindo absorver cada palavra, cada frase, cada expressão que lhes é transmitida. Nem sequer precisam de bloco de notas ou dos famosos post-its (eu tenho, mas só porque gosto das cores).
4 – As Mães são as únicas que mantêm a frieza e disfarçam as emoções quando algo não corre bem. Porque será?
5 – As Mães são capazes de desempenhar ao mesmo tempo várias tarefas que, à partida, parecem impossíveis: Estar ao telefone enquanto se envia um email e se anota um recado de um Colega que lhes sussurra ao ouvido? Peanuts!
6 – As Mães são as primeiras a chegar ao escritório nas noites seguintes aos jantares de empresa. Porquê? Fácil, porque estão mais do que habituadas a dormir pouco, e mal.
7 – As Mães não perdem tempo em tomar cafés prolongados, fumar cigarros malfadados, ou em conversas paralelas que não interessam nem ao menino Jesus. Isto porque sabem que quanto mais cedo forem para casa abraçar os seus mini-eus, melhor!
Ah pois é, quem tem razão, quem é?
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imagem@betanews

A todas as Marias do mundo

Em tempos tive uma colega de trabalho que me parecia totalmente desorganizada e talvez um pouco obsessiva.

Na altura eu não tinha filhos e ela tinha dois em idade escolar.

Nunca chegava a horas. Aparecia sempre com alguns minutos de atraso, o que na minha cabeça não fazia qualquer sentido. Todos os dias havia um drama; ou eram as notas dos putos, o carro avariado, o ex-marido que não colaborava, uma consulta médica, a mãe ou a avó ou o cão ou o gato….

Hoje, por um comentário de uma colega de equipa percebi que agora sou eu a Maria.
Não chego atrasada porque felizmente tenho a ajuda do meu marido, mas nunca, nunca mais vou desvalorizar 30 segundos que seja.

Uma birra matinal, um xixi à última da hora, um abraço mais prolongado na despedida no colégio.
E sim, eu sou a pessoa que treme quando recebe um telefonema da educadora, mesmo quando é só para dar um recado.

Sou a pessoa que todos os dias tem mil e quinhentas coisas em que pensar. Almoço, escola, férias (meu Deus as férias!) horários, roupa, calendário das festas de anos, prendas para as festas de anos…
E muitas vezes tenho de sair mais cedo – são consultas médicas, festas de fim do ano, avaliações (e o mês de Agosto!?).

Eu sou a Maria!

A que coloca os filhos em primeiro lugar. A que tinha uma carreira e agora tem um emprego. A que saía todos os fins-de-semana e tinha uma vida social preenchida e agora foi promovida a motorista em part-time.

Eu sou a Maria! A que às vezes está perfumada e maquilhada e outras usa o cabelo apanhado porque não teve tempo de se pentear.

Eu sou a Maria, a que suporta os olhares reprovadores dos colegas sem filhos ou daqueles que já não se lembram quando tiveram filhos pequenos.

A que se contenta por ter um emprego. Porque eu sei que a minha verdadeira carreira, o que faço bem e que me dá maior retorno e prazer não acontece no horário das 9:00 às 18:00.
Eu tenho duas filhas e sei que, um dia, também elas terão esta capacidade maravilhosa de serem mulheres, mães, amantes, terem um emprego (com sorte uma carreira), gerir uma casa, controlar o choro, os nervos, a vontade de gritar ou desistir…, porque todos os dias ao acordar também elas serão Marias no seu tempo, e vão poder olhar para o rosto de seres maravilhosos e pequeninos e ter um grande motivo para sorrir e viver.

 

És mãe a tempo inteiro? O que é que fazes todo o dia?

Aconteceu-me duas vezes esta semana, e nos dois casos com mulheres. Todas as pessoas deveriam valorizar mais as mães a tempo inteiro mas, especialmente as mulheres, deveriam apoiar-se e proteger-se umas às outras!

Na semana passada, eu estava na farmácia e uma conhecida cumprimentou-me:

-“Olá, Matt! Como estão os miúdos?”
-“Ótimos! Está tudo bem, obrigado.”
“Que bom. E a tua mulher? Já voltou a trabalhar?”
-“Bem, ela trabalha imenso a cuidar da casa e dos miúdos. Mas não vai voltar ao mercado de trabalho, se é isso que queres saber..
“Ahh! Que giro! Isso deve ser bom!”

“Giro? É muito trabalho e muito duro. Compensador? Sim. Giro? Nem sempre.”

Essa parte eu não disse. Só pensei num silêncio presunçoso e subversivamente condescendente.

O próximo incidente ocorreu hoje no café. Tudo começou de forma semelhante; uma conversa amigável sobre como as coisas estão, e que tal os bebés. A conversa rapidamente descarrilou quando a mulher me esmurrou com esta deixa:

“Então a tua mulher vai ficar em casa permanentemente?”
“Permanentemente? Sim…, nos próximos tempos vai ficar em casa com os miúdos, sim…”
“Pois, o meu filho tem 14 anos agora. Mas eu tive uma carreira o tempo todo, também. Eu não consigo  imaginar-me  a ser uma dona de casa. Ficava tão impaciente…. (Riu-se) O que é que uma dona de casa faz o dia todo?”
“Oh, absolutamente tudo. O que Tu fazes o dia todo?”

“… Eu? Er.. Eu trabalho!”
“A minha mulher  nunca pára de trabalhar. Estamos a meio da tarde a beber café. Tenho certeza de que ela gostaria de ter tempo para sentar e beber um chá. É bom ter uma pausa, não é?”

A conversa terminou menos amigável do que começou.

Bem, eu não vou difamar as mulheres que trabalham fora de casa.

Eu entendo que muitas são forçadas a isso porque são mães sozinhas ou porque uma só fonte de rendimento não é suficiente para dar resposta às necessidades financeiras da sua família. Ou simplesmente optaram por trabalhar porque é isso que elas querem fazer. Tudo bem. Eu também entendo que as maiorias das mulheres “no activo” não são rudes, pedantes e presunçosas como estas duas!

Mas agora não estou numa de alinhar os  chakras e fumar um cachimbo da paz. Apetece-me dar um chuto na nossa sociedade materialista e dizer: “Mete os pontos nos is!!”

Esta conversa nem sequer deveria existir.

Não é preciso explicar porque é que é acho de loucos uma pessoa – especialmente  outra mulher (?) – ser tão arrogante para as mães a tempo inteiro.

Será que somos realmente tão superficiais? Será que estamos realmente tão confusos? Será que somos realmente a primeira cultura na história da humanidade a não conseguir entender a glória e a seriedade da maternidade? Os pagãos divinizaram a Maternidade e transformaram-na em uma deusa. Nós fomos noutra direção. Tratamos a maternidade como uma doença ou um obstáculo.

As pessoas que mergulham completamente neste trabalho ingrato e cansativo, mas extremamente importante na educação dos nossos filhos, deviam ser colocadas num pedestal. Devíamos admirá-las como admiramos cientistas que constroem foguetões ou heróis de guerra.

Estas mulheres estão a fazer algo de belo e complicado, desafiador e assustador, doloroso, alegre e essencial.

O que quer que estejam a fazer, estão sempre a fazer alguma coisa, e nossa civilização depende delas para o fazerem bem. Quem mais pode dizer uma coisa dessas? Que outro trabalho acarreta tamanhas consequências?

É verdade…  ser mãe não é um emprego.

Um emprego é uma função que desempenhas numa parte do dia e quando acaba o horário paras e vais para casa.

Tens um salário. Tens sindicatos, benefícios e tempo de descanso. Eu tive muitos empregos. Não é nada de espetacular ou místico. Eu não percebo muito bem porque elevamos a “força de trabalho” a um estado sagrado. De onde veio esta ideia? Do Manifesto Comunista? Ter um emprego é necessário para alguns – é para mim – mas não é libertador nem dá poder. Seja qual for o teu trabalho. És dispensável. És um número. Um cálculo. Um servo
Podes ser substituído, e serás substituído eventualmente.

Estou a ser muito drástico? Não, estou a ser realista.

Se as mães desistissem  do papel de mãe muitas vidas ficariam viradas do avesso (incluindo a minha). Asociedade iria sentir, e muito. As consequências seriam sentidas por gerações. Se elas largassem o emprego como analistas de computador, seriam substituídas em quatro dias e ninguém se importaria. Isto é válido para mim e para ti. Temos liberdade e poder em casa, não no escritório. Mas nós somos autênticos zombies, por isso não nos apercebemos disto.

Sim, a minha mulher é SÓ uma mãe.

SÓ.
A minha mulher SÓ trouxe vidas ao universo, e SÓ forma, molda e cuida dessas vidas.
A minha mulher SÓ gere, dirige e mantém o funcionamento da casa, enquanto trata de crianças que SÓ contam com ela para tudo.
A minha mulher SÓ ensina os nossos gémeos a serem bons seres humanos e, à medida que crescem, SÓ lhes irá ensinar TUDO. Da moral aos costumes, do alfabeto à higiene, da educação à brincadeira, etc.
A minha mulher é SÓ o meu alicerce espiritual e a rocha onde a nossa família se apoia.
A minha mulher é SÓ TUDO para todos.
E a sociedade SÓ iria desmoronar-se se a minha mulher e todas as mães como ela falhassem em qualquer das tarefas que descrevi.

Sim, ela é SÓ uma mãe. O que é algo como olhar para o céu e dizer: “Ah, é SÓ o sol.”

É claro que nem todas as mulheres podem ser mães a tempo inteiro.
Uma coisa é reconhecer isso. Outra bem diferente é pintá-lo como o ideal. Chamá-lo de ideal, é alegar que o ideal seria que as crianças passassem menos tempo com suas mães. Isso é uma loucura. Pura loucura. Isso não é o ideal e nem tão pouco neutro. Quanto mais tempo uma mãe puder passar com seus filhos, melhor. É melhor para eles, melhor para suas almas, melhor para a comunidade, melhor para a humanidade. Ponto final.

Enfim, é provável que as mães a tempo inteiro tenham algum tempo livre.

Mas as pessoas que trabalham fora de casa também têm tempos mortos e livres. Na verdade, há muitos trabalhos que consistem principalmente de tempo de ocio, com pequenas empreitadas de atividade aqui ou ali. De qualquer forma eu não quero entrar  numa discussão sobre quem é “mais ocupado”.

Parece que valorizamos o nosso tempo tão pouco que quantificamos o nosso valor com base no pouco tempo temos. Ou seja, temos idolatrado o “estar ocupado”, e confundindo-o com o que realmente é “importante”.

Podemos estar ocupados sem ser importantes, assim como podemos ser importantes mas não estar ocupados. Eu não sei quem anda mais ocupado e nem me interessa. Não importa! Acho que posso dizer que nenhum de nós é tão ocupado quanto pensamos que somos. De qualquer forma , por mais ocupados que estejamos, será sempre mais do que aquilo que deveríamos estar..

Recebemos um monte de informações equivocadas na nossa cultura. Mas, quando tudo estiver dito e feito, e nossa civilização se desfizer em cinzas, o que mais nos lamentaremos é a forma como tratámos as mães e crianças.

 

Em The Matt Walsh Blog, Twitter: @MattWalshRadio
traduzido e adaptado por Up To Kids®

imagem@joeyfullystated

Era domingo de manhã, eu tinha uma reunião importante no escritório na segunda-feira, e minhas unhas estavam um lixo. Eu não havia conseguido tempo para ir à manicure desde a semana anterior, enrolada entre trabalho, e vida de mãe/esposa/dona de casa. No sábado preferi passar o dia me divertindo com o meu filhote e o maridão.

Arrisquei, então, telefonar para o salão no domingo mesmo, quem sabe estaria aberto… Para minha surpresa, atenderam! Marquei um horário com minha manicure de sempre.
Chegando lá, perguntei a ela:

– O salão fecha amanhã (segunda-feira)?
– Não, abre todos os dias.
– E que dia você tira folga?
– Nenhum. Trabalho todos os dias.
– Mas você não tem uma filhinha de 2 aninhos? Você nunca fica com ela?
– Não, ela fica com minha mãe enquanto trabalho.
– Você está endividada?
– Nada, moro com minha mãe, mas quando saio para o serviço, e quando chego, minha bebê está dormindo.
– Você está juntando dinheiro para comprar carro ou a casa própria? (insisto, tentando decifrá-la, com a esperança de não ouvir o que vinha a seguir…)
– Não… É que prefiro mesmo trabalhar do que ficar com a minha filha, não levo muito jeito com criança e não tenho muita paciência.

Choquei. Nem sei que cara eu fiz, tentando disfarçar o quão desconsertada fiquei. Não sei bem explicar se o que me chocou mais foi a sinceridade da moça ou o fato de ela realmente não querer ficar com a filha, seja por amor, por culpa ou por responsabilidade/consciência da importância que a presença dela tem para a vida da criança.

Tentei ser generosa com a manicure e justificar tudo isso pela sua idade/imaturidade. Afinal, ela tem apenas 21 anos, não deve ter planejado a gravidez e nem viveu plenamente toda a sua juventude…

Ok, ela nem é tão novinha. Mas, ainda assim, em vez de julgá-la, parei para refletir e me dei conta que, quer saber, ela não é a única. Lembrei de uma colega de trabalho, muito menos sincera (ou menos sem noção) do que minha manicure, que vive se sentindo culpada durante a semana porque passa pouco tempo com a filha de 3 anos, mas todo sábado à tarde ela começa a disparar mensagens desesperadas reclamando: “minha filha tá impossível hoje, vou surtar, o que você está fazendo? Vamos combinar algo? Não aguento mais ficar sozinha com ela!”.

Claramente, minha colega não suporta ficar nem meio período do dia com a filha – apesar de dizer morrer de saudade ao longo da semana.

Diversas outras mães sentem o mesmo. Uma amiga psicóloga que faz estágio em clínica que presta atendimento gratuito para famílias humildes me contou que um problema comum por lá são mães que recorrem à ajuda profissional para se tratar porque estão com uma vontade incontrolável de abandonar o filho e até mesmo com pensamentos recorrentes de planejar o assassinato deles.

Estes podem ser casos mais graves, claro. Mas não duvido que haja diversas mães comuns por aí que preferem trabalhar ou fazer qualquer outra coisa para fugir dos pequenos. Afinal, vamos combinar que cuidar de uma criança não é nada fácil. É um dia inteiro de trabalho, requer um estoque bem grande de energia para brincar, muita criatividade para tornar todos os momentos lúdicos, jogo de cintura para lidar com imprevistos constantes, bom humor e conhecimentos de psicologia para saber lidar com as birras. Enfim, cansa. É estressante.

Às vezes muito mais estressante do que um longo dia de 12 horas em frente ao computador, escalonado por reuniões, telefonemas incessantes e pressão para entregar um documento no prazo.

Não estou defendendo mães que não assumem sua responsabilidade, estou apenas tentando desmistificar a aura de “santidade” e o romantismo que existe em torno da maternidade. Talvez resida aí – nessa visão distorcida do que é a maternidade – a origem do problema.

Ainda há uma pressão social e cultural – atualmente implícita – de que toda mulher de verdade deve querer ser mãe um dia. E a verdade é que nem todas se identificam com a função. E aí sempre tem aquela desavisada que ama seu estilo de vida solteira/alta executiva/baladeira mas resolve entrar para o irreversível mundo da maternidade. E verifica que não é para qualquer um. MESMO.

Mas, espera aí, o amor materno não é incondicional? Uma vez que o bebê nasce, as mulheres não ficam perdidamente apaixonadas por ele?

Há 30 anos já foi provado que isso é mito (vide o livro O mito do amor materno, de Elizabeth Badinter, publicado em 1985).

A mais pura verdade, e nisso não há controvérsias, é o amor incondicional que um bebê sente pela mãe (se preferir, pode chamar de necessidade incondicional). O contrário nem sempre é verdadeiro.

O filme brasileiro Que horas ela volta?, tem esse título justamente porque apresenta filhos eterna e ansiosamente à espera de suas mães.

Crianças pobres e ricas que estão sempre aos cuidados de uma terceira pessoa que não quem as pariu. Enquanto essas mães ausentes tocam suas vidas – com mais ou menos tranquilidade -, os filhos vão cultivando seus irreversíveis traumas e buracos na alma.

Esse cenário não é característico apenas da vida moderna, nem do Brasil. Mães abastadas sempre tiveram amas de leite para amamentar seus próprios rebentos. E, por mais que não trabalhassem em séculos passados, tinham escravas (ou babás, dependendo do país) que tomavam contas de seus filhos. Já as mães pobres, bem, essas sempre tiveram de trabalhar e largar seu filho com… qualquer um!

O que é, sim, característico da atualidade, é a culpa materna. A cobrança que as mães se fazem de amamentar seus bebês pelo menos durante seus seis primeiros meses de vida, e de acompanhar pessoalmente seu desenvolvimento durante a infância, surgiu com a difusão da Psicologia, que divulgou a importância do amor materno para a criação de crianças minimamente saudáveis.

Como estamos todas no mesmo barco, ninguém tem coragem de condenar mães que trabalham fora e passam um tempo ínfimo com seus pequenos.
Desde que sofram, e se sintam culpadas.
Por Bárbara Semerene, em BrasilPost
na Up To Kids®

 

Isto de ser pai ou mãe e ter de trabalhar fora de casa (especialmente quando eles são pequenos e não conseguem explicar nada do que se passou durante o dia) é mais complicado do que pode parecer. Ser mãe a tempo inteiro é um trabalho árduo, mas ter de os deixar com outras pessoas, quando ainda são bem pequenos, e ir trabalhar de coração apertado também não é tarefa fácil.

Seria bom poder evitar acordar a minha filha às 6h da manhã porque preciso de ir trabalhar, não me sentir culpada cada vez que tenho de dizer que não posso ir trabalhar porque tenho a minha filha doente, ou que preciso de ir com ela a uma consulta e tenho de explicar que nada pode ser mais importante do que isso.

Em solidariedade para com todas as mães e pais que trabalham fora de casa e que têm de saber equilibrar a família e o trabalho, deixo aqui 8 dicas que eu considero importantes e que gostava de ter lido quando pensei em ter filhos:

1- Não sentir culpa por ter de deixar a criança com outra pessoa e ir trabalhar: acho que é o primeiro e mais importante ponto. Não nos podemos sentir culpados por isso. Temos a responsabilidade de procurar um sítio onde sintamos que a criança estará segura e será bem tratada e devemos estar atentos a todos os sinais de que isso não está a ser feito, depois é confiar e aproveitar ao máximo todos os momentos em que estamos juntos.

Quem tem familiares ou pessoas de confiança com quem possa deixar os filhotes melhor ainda.

2- Aceitar que no infantário, na ama ou mesmo na casa dos avós eles nunca serão tratados como por nós: ninguém irá substituir a nossa presença, nem os nossos cuidados e, por mais que isso nos custe, não podemos esperar que os outros os tratem exactamente como nós faríamos (e não se iludam: as educadoras, as amas ou os avós não irão fazer TUDO o que vocês pedem e como vocês pedem, mesmo que vos digam que sim).

3- Determinar momentos só para eles: a partir do momento em que temos de ir trabalhar e passamos mais horas sem eles do que com eles, é fundamental estabelecer momentos em que ali só para eles, com dedicação total, sem fazer mais nada, sem pensar em mais nada. Temos de planear verdadeiros momentos de qualidade com as crianças e fazer por os aproveitar ao máximo, porque a infância passa a voar e a falta de tempo ou de atenção que tivemos não pode ser recuperada.

4- A casa vem quase sempre em último lugar: é preciso tempo para o trabalho, para a família, para as crianças, para os amigos… acabamos por ter de fazer opções e, por experiência própria, aquilo que pode esperar mais é a arrumação da casa. Claro que arrumar e tratar da casa é importante para o nosso bem-estar, mas ter a casa sempre impecável e limpinha será muito complicado quando se tem crianças pequenas e se quer aproveitar ao máximo o pouco tempo que passamos com elas.

5- Organizar e preparar tudo com antecedência: se o que precisamos é de mais tempo com as crianças, ajuda ter tudo mais ou menos preparado, para perder menos tempo com essas coisas na hora de fazer o jantar, de escolher a roupa ou de preparar a mala para a escola. Assim, evitam-se algumas esperas, algumas birras e aumenta-se o tempo útil com os mais pequenos.

6- Trabalhar, só trabalhar: já que temos de fazer todos estes esforços para estar a 100% com as crianças e no trabalho, então não vamos passar o dia de trabalho a pensar como estarão as crianças, a ligar para saber se já comeram tudo, se dormiram bem e quantos cocós fizeram hoje. É importante conseguir desligar um pouco e trabalhar a 100%, no tempo que destinamos para isso, de modo a não ser necessário fazer mais horas, chegar mais tarde a casa, levar trabalho para casa… e ter mais tempo livre para estar com a família.

7- As férias e fins-de-semana devem ser aproveitados ao máximo: tentar aproveitar todos os minutos livres é importante e no período das férias ou no fim-de-semana temos de aproveitar ainda mais. Nada de trazer trabalho para casa, nem de estar a ver e-mails de trabalho durante as férias. Relaxar é a palavra de ordem!

8- Não se esqueçam de vocês mesmos: para estarmos disponíveis para os outros e com paciência para todos os momentos que queremos passar com os nossos filhos e com a família, convém não esquecer de cuidarmos de nós, do nosso bem-estar e de investir na relação com o/a parceiro/a (se existir).

Ler também 10 mandamentos para uma mãe que trabalha

Por Tânia Almeida, para Up To Kids®
Todos os direitos reservados

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No dia em que a Isabel fez três meses, fui trabalhar. Custou-me muito. Esse dia e os que se seguiram. Não estava preparada. Acho que nunca se está. Se há dias em que trabalhar me faz sentir útil, me dá adrenalina e me faz sentir viva, outros há em que as saudades tomam conta de mim. Em que me interrogo se faço as escolhas certas, em que conto os minutos para estar com ela outra vez. Acho que é assim com todas as mães.

Para que aproveitemos melhor todos os segundos e não nos sintamos culpadas, ficam os mandamentos da mãe que trabalha:

10- Não olharás para fotografias no telemóvel mais que três vezes por dia para matar saudades
Melhor do que ficar a vê-los no ecrã, é aproveitar ao máximo o tempo em que estamos longe deles para dar tudo no trabalho, sermos mais eficientes e, caso tenham horários flexíveis, fazer em menos horas o que fazemos normalmente em mais. Caso seja como ir ao respirador e vos der mais pica para trabalhar, força. Se ficarem todas roídinhas por dentro e vos fizer lamentar a vida que têm, é pecado.

09 – Não odiarás as segundas-feiras
Depois do fim-de-semana em que podemos dar-lhes beijos as vezes que quisermos, acordar e voltar à rotina pode ser um crime de lesa-majestade. Mas começar a semana com humor de cão e chegar ao trabalho com cara de traseiro não traz boas energias e não melhora absolutamente nada no trabalho. Ser daquelas pessoas azedas e com ar de que todos lhe devem alguma coisa é pecado.

08 – Tirarás duas horas do teu fim-de-semana para preparar as refeições da semana
Caso padeças de um mal chamado desorganização como eu padeço e queiras aproveitar todos os (poucos) minutos de segunda a sexta sem querer dar um tiro no pé com tanto stress, nada como tirar duas horas do fim-de-semana para fazer as refeições principais da semana, ou pelo menos para esquematizá-las, num calendário, e deixar parte delas congeladas. Fazer por sistema ovos mexidos e arroz é pecado.large (1)

07 – Aproveitarás bem o tempo que estiveres com os teus filhos

Não há coisa muito pior do que nos deitarmos na cama com a sensação de não termos estado tempo nenhum com os nossos filhos. Mas a questão que devemos colocar-nos é: o tempo que passei com ele foi de qualidade? Estar a dar-lhes banho a pensar no email de trabalho que ainda temos de responder, contar-lhes uma história com fogo no rabo para ir limpar a cozinha, estar no Facebook só a ver o feed mais uma vez, em vez de estar a olhá-los nos olhos e a ouvi-los, é pecado.4

06 – Não te martirizarás quando te atrasares um dia para ir buscá-los à escola

Muito provavelmente vai acontecer. Não controlamos uma chuvada, um dia de trânsito infernal, um pedido urgente e mais demorado no trabalho. Não somos omnipresentes nem omnipotentes e quando só dependemos de nós próprias não há ajuda que nos valha. Por muito que nos custe, é jogar a bola para a frente. Ir buscar a chibata e ficarmo-nos a sentir as piores mães do mundo é pecado.

05 – Não falarás dos teus filhos no local de trabalho, de 15 em 15 minutos

Apesar da nossa filho-dependência, o primeiro passo para a cura é afastar o cálice do nosso pensamento. Além de que não há pachorra. Muitas vezes, já temos o interlocutor a bocejar e não damos por isso. Ser uma mãe chatarrona é pecado.

04 – Não compensarás a tua ausência sendo aceleradinha

São tantas as horas em que não os temos nas nossas vidas, que quando estamos com eles corremos o risco do over-booking. Não temos de encavalitar uma ida à praia, com um almoço fora, com uma ida ao jardim e com uma festa de anos. Eles também precisam de sossego, de estar em casa, de fazer as sestas e de segurança. Andar sempre com um speed infernal, a querer percorrer todas as capelinhas, é pecado.

03 – Deixarás tudo preparado na véspera

Aquela coisa do “amanhã logo se vê” não se aplica a uma mãe que trabalha, no que a preparar as malas e as roupas do dia seguinte diz respeito. A não ser que se consiga acordar duas horas antes de sair e se saiba de antemão que não se vai apanhar trânsito. Comer uns flocos a correr, entrar em stress porque o filho fez cocó na fralda antes de sair, quando se perdeu tempo a passar uma camisa a ferro ou a refazer a mala da escola deles é pecado.

02 – Cuidarás de ti

Passas pouco tempo do dia com os teus filhos, é um facto. Trabalhas que te fartas. Fazes das tripas coração (que bela expressão…) para seres uma boa profissional e uma mãe presente. Mas, de vez em quando, podes tirar umas horas para ti. Ir fazer a depilação passa a equivaler a uma massagem. Ir ao ginásio uma vez por semana não te rouba tempo, dá-te tempo e genica para fazer tudo em casa. Ir comprar uma lingerie nova pode dar um abanão a essa relação. Deixar de cuidar de nós é pecado.

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01 – Não invejarás a vida das mães que ficam em casa

Ao contrário do que muitos querem fazer parecer, estar 24/24 horas em casa com os filhos é trabalho de guerreira e não de dondoca. É ter de abdicar de (quase) tudo por eles, é ter de aturar todas as birras, todas as lágrimas e aproveitar as sestas deles para passar a ferro ou fazer a sopa. Invejar a vida de uma mãe que fica em casa, como se de uma coisa fácil se tratasse, é pecado.

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Por Joana Paixão Brás, co-autora do Blog A mãe é que sabe,
para Up To Lisbon Kids®

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Levar as crianças para o emprego. Será assim tão boa ideia?

“Muitos deixam as crianças com os avós e as crianças adoram esses mimos especiais.”

Quando as crianças atingem a idade escolar, muitos são os pais que têm de fazer uma grande ginástica logística para que as crianças não fiquem abandonadas em casa em períodos de interrupção escolar.

Muitos deixam as crianças com os avós e as crianças adoram esses mimos especiais. Outros têm a possibilidade de os deixar em espaços que organizam programas de férias. Aqui a pedagogia não pode faltar, muito menos a diversão e a fantasia.

Outros, ainda, organizam férias com os amigos dos filhos e a diversão é completa.

Mas, na falta de todas estas opções, há pais que levam os filhos para o emprego, durante uns dias. O suficiente para o patrão não reclamar! (Lembro-me bem deste tempo, em que ia para o escritório do meu pai e me deliciava a bater nas teclas da máquina de escrever, imitando aquele velhinho anúncio que passava na televisão, fazendo publicidade à máquina de escrever petite da Concentra. E de como gostava de conhecer o que era a vida de um adulto, compartimentada em várias salas a que se dá o nome de “escritórios” ou “gabinetes”).

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Levar a turma do filho para o emprego.

Mas, e se em vez do filho, os pais levassem a turma do filho para conhecer o local onde trabalham?! Não acharia isso possível? E para quê se dar ao trabalho?! O que é que as crianças haveriam de aprender?!

Vamos dar-lhe um exemplo.

Um pai/mãe que trabalhe numa editora de livros, ao organizar uma visita com a Educadora / Professora do seu filho, levará as crianças para um mundo que normalmente está camuflado entre capas, contra-capas, guardas, miolo e lombadas. Conhecer o processo ligado à edição de um livro poderá soar-nos banal, mas não o será para uma criança. Muito menos para 15 ou 20 crianças!

Na editora terá oportunidade de perceber que também os escritores dão erros. Que o livro tem de ser montado em programas de computador. Que há uma pessoa por detrás da decisão de onde se colocar uma ilustração. Que há outro conjunto de pessoas que trabalham o grafismo das capas dos livros e das colecções. Que se pode escolher através de um catálogo o tipo de papel e a cor a usar como se de uma tinta plástica se tratasse, e outra que diz o “sim” final e decide que já pode ir para uma gráfica.

Outras pessoas ainda que apenas imprimem os livros e entregam à distribuidora que os fará seguir até às livrarias, até às mãos de adultos e crianças.

Podemos encarar este tipo de visitas da mesma forma como se encara a visita à quinta pedagógica sendo que, na editora, a pergunta é antes “de onde vem o livro?”.

Ora experimentem!

Por Patrícia Azevedo, Programadora Cultural do MAPA, para Up To  Kids®

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