Sabia que a música tem uma grande influência no desenvolvimento da linguagem das crianças?

Muitos estudos demonstram a importância da estimulação precoce em aulas de músicas, mas também no quotidiano da criança, tanto em casa como no jardim de infância, tendo um grande potencial nos vários níveis de desenvolvimento infantil.

A conexão estabelecida entre as pessoas e os sons é tão primordial que se inicia antes mesmo do nascimento. Sabe-se que a formação das estruturas auditivas no bebé se dá por volta do 5º mês de gestação. Nesse período, o bebé tem contato com a sua primeira referência de ritmo musical: o batimento cardíaco materno.

Antes de nascer, ele já reconhece o timbre da voz da mãe e já responde a estímulos sonoros: Após o sistema auditivo estar formado, já aprecia todo o reportório musical e os sons com os quais a mãe tem contacto.

Como reage o nosso cérebro à música

O nosso cérebro parece ser moldado pelas experiências proporcionadas nos primeiros anos de vida, e o cérebro de um músico tem características diferentes do cérebro de uma pessoa que não tenha tido contacto com a música na infância.

Muito se tem investigado acerca da influência da música no desenvolvimento da criança, bem como na possibilidade de ajudar na recuperação de lesões no cérebro, tanto em crianças como em adultos.

Esses estudos comprovam a influência da música nas capacidades comunicativas da criança, verbais e não verbais, na sua autoconfiança, nas suas capacidades espácio-temporais, no desenvolvimento cognitivo e motor, nas funções executivas, na memória e na aprendizagem de línguas estrangeiras.

Ao fazer música ativamos sinapses dos sistemas sensorial, cognitivo (simbólicos, linguísticos e da leitura), motivacional, sinapses que veiculam a aprendizagem, a estimulação da memória, o planeamento de movimentos, etc.

Várias investigações sugerem que a música altera a forma como o cérebro processa os componentes da linguagem, melhorando a perceção dos sons, incluindo os sons da fala e, consequentemente, a sua relação com a leitura e escrita.

A música e a aprendizagem

Para aprender a ler, a criança deverá já ter desenvolvido a consciência de que as palavras são constituídas por sílabas e estas por sons (consciência fonológica). A criança deve ser capaz de se abstrair do significado das palavras para pensar, discriminar, comparar e manipular os sons que as compõem e, dessa forma, conseguir realizar tarefas:

  • Dividir frases em palavras.
  • Encontrar ou evocar palavras que rimam.
  • Dividir palavras em sílabas.
  • Encontrar palavras que comecem pela mesma sílaba ou som, entre outras.

Estas atividades são fundamentais para a aprendizagem da leitura e da escrita mais tarde, no seu percurso escolar. Deverá ter desenvolvido também a percepção auditiva e este é um processo complexo, que depende do processamento auditivo e é constituído pela receção e interpretação dos padrões de fala; discriminação entre sons (espectro, características temporais, sequência e ritmo) reconhecimento, memorização e compreensão da fala.

A música e a linguagem

A música e a linguagem são dois estímulos auditivos, estruturados de uma forma semelhante (ambas consistem num determinado número de sons que se organizam segundo determinadas regras) e que utilizam o mesmo sistema auditivo e aparelho vocal.

A aprendizagem destes elementos musicais e linguísticos parece ser semelhante, recorrendo aos mesmos processos auditivos e a partilha destes mecanismos parece ser responsável pela influência da música no desenvolvimento das capacidades de consciência fonológica.

A música e os seus elementos (som, ritmo, melodia e harmonia) podem ser utilizados para estimulação da linguagem pelos pais e/ou educadores, mas também como método de intervenção nas perturbações de leitura e escrita, perturbações fonológicas, perturbações do processamento auditivo, entre outras. Podem ser feitas diversas atividades tendo sempre em conta os objetivos delineados para trabalhar com a criança. Beneficiando não só o desenvolvimento da consciência fonológica, mas também a perceção/sensibilidade auditiva, o processamento (motor e auditivo), a atenção e a comunicação verbal e não-verbal.

A música tem então um papel muito importante no desenvolvimento da criança, em especial na aquisição e desenvolvimento da linguagem. Portanto incentive desde cedo ao gosto pela música, oiça e explore a música em família.

O seu filho já ouviu musica hoje?

Marta Nunes, terapeuta da fala

“Ele tem uma maneira muito própria de falar mas quando entrar na escola vai ficar melhor… com o meu filho foi assim!”

Muitas vezes, pais, educadores e professores são capazes de detetar que uma criança apresenta uma dificuldade, ainda que ao fazer referência a esta, não consigam identificar qual a área exata onde esta dificuldade se insere.

É importante compreender que existem diferenças entre estes três conceitos, por fim a ajudar a identificar a área em questão.

Ao falar de comunicação falamos de um processo complexo onde ocorre a troca de informação que visa influenciar o comportamento do outro. Por exemplo: o bebé chora quando tem fome ou sono, ainda que inicialmente não o faça de forma intencional, os pais acabam por dar um significado àquele comportamento. A comunicação pode ser realizada de diversas formas e através de combinações verbais (uso da linguagem – oral ou escrita) e não-verbais (olhar, expressão facial, postura, gestos e linguagem corporal).

Por sua vez, exclusivamente humana, a linguagem é o instrumento de comunicação mais importante e poderoso. É através da linguagem que conseguimos desenvolver competências linguísticas de receção, transformação e transmissão de informações. Para haver receção de informação tem de se conseguir compreender a linguagem – linguagem compreensiva; e para que haja transmissão tem de ser capaz de formular a linguagem – linguagem expressiva. A linguagem diferencia-se em três componentes principais: a forma – regras que gerem os sons, bem como todas as suas possíveis combinações (fonologia), formação e estrutura interna das palavras (morfologia), e organização das palavras numa frase (sintaxe); o conteúdo – significado das palavras e interpretação das suas combinações (semântica); e o uso – adaptação e adequação da linguagem ao tipo de contexto social (pragmática).

A fala é o ato motor que permite que ocorra a transmissão de sons, de palavras e de frases, é o modo verbal oral de transmitir mensagens que envolve coordenação neuromuscular, e que permite que se realizem movimentos orais para que se produzam sons em unidades linguísticas. A fala pode ser caracterizada quanto à articulação – produção de sons realizada pelos articuladores; quanto à ressonância – equilíbrio do fluxo aéreo entre o nariz e a boca; quanto à voz – vibração produzida pelas pregas vocais na laringe; quanto à fluência – débito; e quanto à prosódia – que diz respeito à acentuação e à entoação das palavras e das frases.

Em caso de dúvida o Terapeuta da Fala é o profissional competente que o pode ajudar a compreender, e identificar qual a área onde se insere a dificuldade observada.

Quando procurar ajuda especializada?

Se na sua família, ou mesmo no seu dia-a-dia convive com uma criança que não consegue:

  • olhar na direção que é chamada;
  • manter ou iniciar um tópico de conversa;
  • fazer ou responder a perguntas;
  • estabelece relação/conversa apenas com pessoas conhecidas;
  • evita falar optando por apontar;
  • fala de maneira diferente;
  • utiliza palavras próprias;
  • escreve à sua maneira…

então é aconselhado que procure ajude especializada!

 

Por Drª Joana Lopes, Terapeuta da Fala

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Se até aos 2 anos a necessidade de Terapia da Fala em crianças pode não parecer clara para as famílias, quando a criança ingressa na creche ou no pré-escolar, os sinais de alerta começam a ser bastante mais evidentes.

Entre os 3 e os 4 anos, já é esperado que a criança tenha um vocabulário expressivo superior a 500 palavras, utilize, pelo menos, algumas frases simples e seja capaz de compreender ordens e pedidos complexos. Devem também começar a compreender o significado de pouco/muito ou grande/pequeno e responder, como também perguntar, questões “o quê?” e “onde?”.

Numa fase anterior, muitas crianças utilizam muito os gestos como uma forma de suporte ao discurso, algo que já não deverá acontecer nesta faixa etária. O mesmo acontece com os monólogos que as crianças muitas vezes fazem e que, nestas idades, já deverão passar a ser conversas em que é respeitada a regra de turnos de conversação – primeiro fala uma pessoa, depois a outra.

Um dos grandes sinais de alerta que também surge nesta fase é o facto de os estranhos não compreenderem a criança. É normal que a família e os amigos próximos já tenham aprendido a “decifrar” o que a criança diz – muitas vezes, nem se apercebendo de que ela não fala corretamente – mas, quando alguém que não lida frequentemente com a criança, não é capaz de a perceber, podemos estar perante a necessidade de intervenção em Terapia da Fala.

Entre os 4 e os 5 anos, a criança já deverá ser capaz de utilizar a Linguagem em contexto social, dialogando com a família mas também não sendo oposta ao contacto com estranhos. Já é esperado que saibam nomear as cores primárias e que respondam a questões mais complexas, como “o que é?”, “porquê?”, “como?” e “quanto?”.

Na faixa etária dos 5 aos 6 anos, encontramo-nos na fase de início do 1ºciclo, altura em que, caso existam ainda dificuldades, é absolutamente crucial que sejam superadas o mais precocemente possível, sob o risco de criar mais dificuldades futuramente, como na aprendizagem da Leitura e da Escrita. Nestas idades, é muito comum que a criança ainda não articule corretamente todos os sons da fala (ou acrescente/omita/troque por outros). No entanto, é por volta dos 5 anos que todos os sons devem estar adquiridos e, quando a criança não faz esta aquisição sozinha, pode precisar de um apoio profissional.

Quando a criança ainda não é capaz de contar histórias ou explicar como foi o seu dia, ainda não usa frases complexas, não usa pronomes possessivos (“é meu/é teu”) ou não compreende noções de espaço e tempo, também estamos perante a possibilidade de dificuldades ao nível da Linguagem.

Nesta, como em todas as idades, a prevenção é a palavra de ordem, permitindo à criança fazer todas as aquisições sem chegar a ter repercussões. Através de uma “brincadeira” estruturada, com vista aos objetivos traçados, a criança vai tomando consciência dos sons e das diversas componentes da Linguagem, também com a ajuda dos pais, que recebem estratégias personalizadas e direcionadas para as dificuldades específicas do seu filho, para que o trabalho tenha continuidade em casa.

Se reconhecer algum destes sinais de alerta, a Ipsis Verbis oferece a realização de um rastreio gratuito em que, de forma imediata, os pais ficam a saber se existe necessidade de uma avaliação e posterior intervenção. Todas as sessões são completamente personalizadas, baseadas no gosto da criança e, sempre que possível, realizadas com base na “brincadeira”.

A Ipsis Verbis atua ao domicílio e em escolas, no distrito de Lisboa.

Por Inês Peres Silva Terapeuta da Fala Ipsis Verbis®

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Importância dos Rastreios em Terapia da Fala

Para poderem compreender melhor este tema irei falar um pouco sobre o que são BNM, quando surgiram, os seus objetivos e as suas principais aplicações.

A BNM surgiu nos anos setenta no continente Asiático, nomeadamente na Coreia e no Japão. A técnica refere que o movimento e a atividade muscular são indispensáveis para a manutenção de um estado saudável. Tendo esta ideia como ponto de partida, foi desenvolvida a Banda Neuromuscular: uma banda elástica, de algodão, que auxilia a função muscular sem limitar amplitudes/movimentos; capa de cola hipoalérgica; elasticidade até 140% (igual à elasticidade da pele); material aderido ao papel com cerca de 10% de estiramento; diversas cores; adere melhor à medida que é aquecido; só pode ser utilizada uma vez; resistente à água; e a sua aplicação dura entre 3 a 4 dias. Com o objetivo final de reproduzir a pele humana e aumentar o apoio externo dos tecidos. A aplicação das BNM apresenta como principais objetivos a capacidade de levantar a pele, ativando a circulação sanguínea e linfática, além da capacidade de auxiliar o trabalho dos músculos, ligamentos e tendões, durante a reabilitação ou atividades desportivas. Segundo algumas perspetivas, as doenças devem-se a desequilíbrios ou necessidade de uma determinada cor no organismo humano. Por isso, as BNM apresentam várias cores específicas, para cada tipo de problema, nomeadamente: bege (mais utilizada para a face, pois tenta disfarçar a sua aplicação na pele); rosa (reflete poder e energia e favorece a circulação sanguínea); e azul (tranquiliza e proporciona harmonia, relaxando a mente). Como em todas as técnicas, esta também apresenta algumas contraindicações, tais como: aplicação em feridas abertas; casos oncológicos; problemas dérmicos; exposição direta da banda à luz solar ou a altas temperaturas; trombos sanguíneos; entre outros. Durante o desenvolvimento desta técnica, rapidamente se descobriu que as aplicações possíveis eram muito variadas, por isso começaram a surgir os estudos sobre a aplicação de BNM na Terapia da Fala.

A Terapia da Fala não é uma profissão que apenas trata problemas na fala, mas que abrange ainda a prevenção, a avaliação e a intervenção em toda a comunicação humana e nas suas perturbações (voz, fala, linguagem oral e escrita), bem como nas alterações referentes às funções estomatognáticas (respiração, fala, mastigação, deglutição e sucção). Por isso, podemos observar que o Terapeuta da Fala trabalha com músculos (faciais e cervicais) e articulações (articulação temporo-mandibular), podendo assim recorrer ao uso de BNM, de forma a otimizar e a acelerar a sua intervenção. Contudo é de ressaltar que estas, só por si, não irão resolver o problema, por isso continua a ser necessário a intervenção do Terapeuta, com ajuda de outras técnicas. Sendo assim, irei expor algumas situações/patologias em que o uso de BNM pode ser benéfico, tais como:

  • Disfunção temporomandibular: a elasticidade permite que os tecidos sejam suportados durante a sua função, permitindo uma completa liberdade de movimento;
  • Sialorreia (perda excessiva de saliva pela cavidade oral): a aplicação da banda permite aumentar a propriocepção local, a frequência do número de deglutições de saliva, atuando diretamente nos músculos supra-hióideos, agindo assim na postura da língua;
  • Disartria: a aplicação da banda diminui significativamente o tónus facial ao longo do dia;
  • Paralisia facial, disfonia, disfagia.

De uma forma conclusiva, a aplicação das BNM em casos específicos que envolvam a intervenção de um Terapeuta da Fala poderá constituir uma forma de maximização dos seus resultados na prática clínica. Nesta técnica são utilizadas bandas que se aderem à pele, com caraterísticas específicas, com o objetivo de suportar os tecidos sem limitar a sua ação. Vários estudos revelam que tal técnica mostra-se eficaz no desempenho das estruturas intervenientes nas funções da voz, deglutição e motricidade oro-facial.

Por fim, terapeutas ou simplesmente todos os interessados neste tema, procurem “saber mais”, pois só assim podem evoluir a nível pessoal e profissional.

Como diria Albert Einstein: “A mente que se abre a uma nova ideia, jamais voltará ao seu tamanho original”.

Por isso, não desistam de procurar ou inovar os vossos conhecimentos, pois todos os dias há novas “descobertas”.

 

Cátia Silva, Terapeuta da Fala

Evidenciemos a necessidade de desmistificar o conceito de que o Terapeuta da Fala (TF) é o profissional de saúde que intervém, , na fala das crianças e adultos.

Noutros países somos apelidados de Fonoaudiólogos, Logopédas, Orthophonistes, Speech & Language Therapists or Pathologists porque, definitivamente, intervimos em todas as áreas que condicionem a comunicação oral/escrita de qualquer indivíduo, e não só meramente na fala.

Desta forma, se considera que não faz sentido ir a um rastreio de Terapia da Fala porque “fala bem”, consciencialize-se que o TF é o profissional de saúde responsável pela prevenção,  avaliação e  intervenção da comunicação humana e deglutição.

A importância dos rastreios em Terapia da Fala mede-se por serem de carácter preventivo, não definem um diagnóstico terapêutico mas conseguem despistar qualquer desenvolvimento atípico da comunicação oral/escrita.

Sabia que…

Desde o nascimento que o TF tem um papel fundamental para o desenvolvimento harmonioso do bebé? Presta cuidados na área da amamentação, alimentação e comunicação ao bebé e aos seus pais ou cuidadores.

Em crianças em idade pré-escolar,  a sua intervenção centra-se na promoção das competências linguísticas, vocais e de comunicação, bem como na intervenção das suas perturbações?

Em crianças e jovens em idade escolar exerce um papel crucial na intervenção das perturbações da leitura e escrita, na potencialização da comunicação e na gaguez?

Na idade adulta, o seu foco de intervenção é maioritariamente em perturbações adquiridas, patologias vocais e de deglutição, alterações fisiológicas na estrutura orofacial que limitam a funcionalidade dos órgãos fonoarticulatórios? E que ainda tem um papel preponderante na promoção das competências da comunicação e qualidade vocal?

Após a realização de cada rastreio é elaborado um relatório com as devidas conclusões retiradas da observação, e serão sugeridas recomendações, bem como aconselhamento sobre a necessidade de acompanhamento.

Não é necessário ter um problema ou uma doença para procurar um TF, nem existe uma idade definida para consultar um especialista nesta área. Neste sentido, uma observação feita atempadamente é tanto mais favorável quanto mais precocemente for iniciada a intervenção terapêutica.

Aproveite os rastreios que decorrem durante o mês de Janeiro e esclareça todas as suas dúvidas.

Estaremos no Dolce Vita de Miraflores na loja da Multiopticas nos dias 16 e 23 de Janeiro de 2016 (das 10h às 18h).

Este rastreio é direcionado exclusivamente para crianças e adolescentes. No entanto, na eventualidade de existir interesse por parte de um adulto ou seu cuidador poderá contactar-nos através do e-mail howto@sapo.pt ou 966 370 349 para marcação de rastreio.

Patrícia de Sousa Teixeira & Leonor Barruncho (Terapeutas da Fala)

image@synapseaudiology

Desde sempre que o processo de aquisição e desenvolvimento da linguagem tem sido alvo de inúmeros estudos, não fosse a linguagem vista por muitos como “a janela do conhecimento humano”. Muitos foram os que a consideraram como uma capacidade inata. No entanto, actualmente sabe-se que o seu desenvolvimento depende de questões neurobiológicas e sociais, isto é, da interacção entre as características neurobiológicas de cada criança e a qualidade dos estímulos do meio em que está inserida (Mouzinho et al, 2008).

É incrível a capacidade do ser humano de, sem esforço e em apenas 40 meses, evoluir de um simples choro (como forma de comunicar que tem fome) para a frase “Gostava tanto de comer um gelado!”, provida de sofisticação gramatical e pragmática. Embora rápido, é um processo dotado de grande complexidade (Sim-Sim, 1998). Mas afinal, o que é isto da linguagem? Entende-se por linguagem “um sistema complexo e dinâmico de símbolos convencionados, usado em modalidades diversas para [o homem] comunicar e pensar”(A.S.H.A., 1983). Se pensarmos bem, falar implica uma vasta diversidade de processos. Necessitamos de ouvir, processar o que ouvimos, pensar, recorrer a símbolos para expressar o nosso pensamento, escolher as palavras adequadas, construir frases, utilizar de forma correcta os músculos para articular as palavras e ainda regular a capacidade respiratória… E tudo isto numa fracção de segundos.

À semelhança do que sucede no desenvolvimento das outras áreas, também na linguagem o desenvolvimento é gradual e o ritmo não é o mesmo em todas as crianças. No entanto, existem alguns marcos deste processo. Assim:

  • 1/4 meses
    Começa a palrar, produzindo vogais e posteriormente algumas consoantes como p, b, k, g. Reage aos sons e dirige o olhar e/ou cabeça na direcção dos mesmos;
  • 4/6 meses
    Começa a reconhecer o próprio nome e entende quando está a ser chamado. Começa a distinguir os rostos conhecidos dos rostos estranhos. Responde com tons emotivos à voz materna e inicia a fase do balbucio. Produz uma maior variedade de vogais e consoantes, produzindo sílabas do tipo consoante-vogal sem mudar a consoante (por ex: “dudadá”);
  • 6/8 meses
    Começa a fazer jogo vocal, aumenta o reportório de sons e experimenta diferentes combinações de sílabas (por ex: “pabada”);
  • 8/12 meses
    Começa a tentar repetir e imitar tudo o que ouve, desenvolve a sua intenção comunicativa e começa a utilizar um discurso aproximado do real, usando a entoação e um conjunto de sílabas com diferentes funções comunicativas (chamar a atenção, questionar e protestar) e já reconhece algumas palavras do seu quotidiano (por ex: bola; carro; rua; não);
  • 12/18 meses
    Uso repetido do mesmo som para um determinado significado, produz as primeiras palavras, reconhece o nome de pessoas próximas, objectos e partes do corpo, compreende ordens simples (por ex: diz adeus; dá o carro). No final desta etapa, a criança já imita palavras e os sons de objectos e animais e utiliza cerca de 8/10 palavras relacionadas com o seu dia-a-dia;
  • 18/24 meses
    Utiliza uma linguagem simples e directamente ligada às descobertas sensório-motoras, começa a utilizar algumas regras de comunicação (entoação e turnos de comunicação) e recorre a diferentes formas de comunicação não verbal para chamar a atenção (apontar, olhar e tocar). Utiliza a linguagem enquanto brinca, frequentemente fazendo monólogos com uma linguagem própria e de difícil compreensão. Compreende e responde a perguntas simples (por exe: tens fome?; o que é aquilo?), faz pedidos e o seu vocabulário aumenta de forma explosiva.No final desta etapa, surgem as primeiras combinações de palavras, dando origem a um discurso telegráfico (por ex: “João rua”; “João dá”);
  • 24/36 meses
    Compreende cerca de 300 palavras e a cada dia que passa o seu vocabulário aumenta, começa a adquirir regras e padrões básicos da organização da estrutura frásica da linguagem, utiliza frases de duas ou três palavras e começa a generalizar enunciados de três palavras, formando frases na ordem correcta (sujeito/verbo/objecto), como por exemplo “Maria quer água” ou “mãe dá colo”;
  • 3/4 anos
    Utiliza frases mais complexas com 3 ou mais palavras, adquire regras de concordância (número e género), começa a questionar tudo (idade dos “porquê’s”);
  • 4/5 anos
    Expressa-se bem através de um discurso mais complexo, utilizando frases mais elaboradas. A articulação verbal pode ainda não ser totalmente correcta.Embora todo este processo de aquisição e desenvolvimento da linguagem seja natural, podemos e devemos estimulá-lo.
    Como? Proporcionando experiências interactivas mais ricas.
    Eis algumas ideias:

    • Falar e associar alguns gestos do quotidiano (por ex: olá; adeus; vem cá; ali; em cima);
    • Dizer o nome do que está à vossa volta, para que serve e alguma característica observável (por ex.
      cor, tamanho);
    • Descrever as actividades do dia-a-dia, diversificando e adequando o vocabulário;
    • Ler livros e contar histórias;
    • Incentivar o brincar e o cantar;
    • Ir ao teatro ou ao cinema e depois discutir a história.Em síntese: Fale! Fale muito com a sua criança!Se identificar uma criança cujo desenvolvimento da linguagem não esteja de acordo com a sua idade, deverá recomendar uma avaliação em terapia da fala.

 

Por Joana Firmino, Terapeuta da Fala, para Up To Kids®
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E porque hoje, é o dia Europeu do Terapeuta da Fala, publicamos um vídeo que tão bem retrata o trabalho diário deste profissional de saúde

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=0onES_nhu-A]
Este vídeo foi elaborado pela nossa associação – APTF e, retrata muito bem o trabalho do TF em todas as suas áreas de intervenção.

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imagem de capa@glbing

Combater o insucesso escolar constitui uma tarefa complexa e desafiadora para Pais/Cuidadores, Educadores e Professores. É emergente compreender o porquê destas dificuldades e procurar alternativas que possam minimizar e adequar todo o processo de aprendizagem de cada aluno.

Uma das grandes lacunas no êxito na aprendizagem deve-se a alterações linguísticas significativas – alterações no processo de desenvolvimento da compreensão e expressão oral e/ou escrita. Por isso, a necessidade de prevenção/vigilância do desenvolvimento linguístico da criança/adolescente evita posteriores sequelas educacionais, comportamentais e até sociais.

No entanto, a origem destas dificuldades é diversa e pode envolver outros fatores, como: orgânicos, intelectuais/cognitivos, emocionais e sensóriomotores, ocorrendo na maioria das vezes uma inter-relação entre todos eles. Além destes, deve-se ter em conta influências externas, como: diferenças culturais, ensino insuficiente ou inapropriado.

Atualmente os estudos apontam que as dificuldades de aprendizagem estão estreitamente relacionadas com um historial de défice na aquisição da linguagem, mas ainda, e não menos importante, em alguns casos, um possível défice na discriminação auditiva.

Salienta-se que défice na discriminação auditiva é distinto de défice auditivo. É comum que os despistes auditivos estejam adequados mas o aluno não discrimine sons muito idênticos (ex: /f/ e /v/) e que estas trocas também possam ocorrer na escrita. Quanto ao processo de aquisição da linguagem, e bastante aglomerante, este inclui quatro sistemas interdependentes: o pragmático (uso comunicativo da linguagem num contexto social); o fonológico (perceção/produção de sons das silabas e palavras); o semântico (respeito pelo significado das palavras) e o morfossintático (respeito pelas regras sintáticas e morfológicas que vão designar se a palavra e a frase está organizada e coerente).

2imagem@bolsademulher

Dentro de uma análise contextual, há necessidade de compreender que, mesmo na presença de uma pedagogia eficaz, as dificuldades de aprendizagem podem ocorrer e por vezes não chegam a desaparecer ao longo do processo de aprendizagem. Na prática, geralmente apresentam uma ampla variedade de queixas académicas e comunicativas, onde se inclui:

  • Dificuldades em cumprir ordens orais
  • Pobre desempenho em testes cognitivos verbais (orais), quando comparados com testes cognitivos não-verbais (escritos)
  • Dificuldades na leitura e no ditado
  • Dificuldades na interpretação da leitura
  • Dificuldades na expressão de sentimentos e acontecimentos (orais/escritos)
  • Erros de escrita significativos após a finalização do 2º ano
  • Dificuldades na manutenção de um diálogo
  • Dificuldades na produção, discriminação e segmentação de sons, sílabas e palavras
  • Dificuldades em manter a atenção, com e sem ruído

De forma sucinta são crianças/adolescentes que, frequentemente, solicitam repetição de informação, apresentam-se distraídas e consequentemente uma panóplia de prejuízos académicos.

Para finalizar e deixar claro uma reflexão atual da aprendizagem, devemos, acima de tudo, saber que não só de aquisições intelectuais caracteriza o bom aluno. Torna-se essencial entender que cada dificuldade de aprendizagem que o aluno apresente, deverá ser analisada minuciosamente. Cada caso merece uma intervenção, por vezes, distinta, e elaborado por uma equipa multidisciplinar. Porque também, e não menos importante, desenvolver as suas aquisições motoras em simultâneo com as restantes aquisições são o meio mais eficaz para atingir as funções mentais de atenção e memória, tão importantes no processo de aprendizagem.

Por Patrícia de Sousa Teixeira, Terapeuta da Fala colaboradora How To…
para Up To Lisbon Kids®

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O curso Baby’s Best Start foi especialmente desenvolvido para ensinar inglês a bebés dos 3 aos 22 meses de idade.

Apesar da reação comum e vulgar ser a incredulidade face a esta apresentação, os resultados estão comprovados e o número de alunos desta faixa etária está a aumentar nos Centros de Ensino Helen Doron por todo o mundo.

Baby’s Best Start oferece sete cursos num só: ensina vocabulário básico em inglês, permite o desenvolvimento social com outras crianças, implementa técnicas de préleitura, introduz música e ritmos diferentes todas as aulas, impulsiona o desenvolvimento cerebral, utiliza linguagem gestual universal e desenvolve a destreza física dos bebés através de diversas atividades motoras.

O estímulo desde tenra idade possibilita uma fluência futura e uma facilidade de aprendizagem e estimulação auditivas naturalmente vantajosas no mundo global dos dias de hoje.

As aulas têm a duração de 45 minutos, uma vez por semana e a mãe ou o pai do bebé participam ativamente na aula de modo a compreenderem a metodologia e poderem estimular a criança em casa durante a semana através das histórias Helen Doron e do CD de canções originais.

São aulas extremamente estimulantes que alternam entre atividades de grupo, jogos de associação, canções, gestos e coreografias. Os grupos têm no máximo 8 bebés por aula de modo a garantir um ensino personalizado e o conforto necessário para que tudo decorra com naturalidade e alegria.

Participe numa aula de demonstração gratuita e observe os resultados.

Por Mariana Torres, Helen Doron National Franchisor Portugal,
Para Up To Lisbon Kids