Todas as crianças sofrem com o divórcio. 4 Dicas para pais preocupados

Seja qual for a idade dos seus filhos todos sofrem de alguma forma com o divórcio. Quer seja no momento ou uns anos depois.

Apesar de todos os desencontros que a vida possa trazer, o único que não deve ocorrer é com eles mesmos, por esse motivo, seguem alguns conselhos/dicas para todos os pais preocupados:

1- Comunicar eficazmente com os filhos

Os filhos devem ser informados do que se está a passar, afinal, serão os principais afetados de todo o processo. Inevitavelmente um dos pais passará a estar mais ausente. O filho deve entender que a culpa não é sua e que o pai ou mãe não passa a gostar menos dele por não estar a viver debaixo do mesmo teto;

2- Os filhos em primeiro lugar

Independentemente de todas as alterações, seja na morada, seja uma nova companheira do pai ou companheiro da mãe, sejam irmãos, o filho deve sempre sentir que é amado e não foi esquecido no meio de todas as alterações na vida dos pais;

3- Uma boa relação entre todos.

É importante que todos se deem bem! Apesar do que possa ter ocorrido e da mágoa que possa ter trazido, há alguém que é fruto de algo que já existiu e que com certeza quererá que todos se deem bem. Que todos estejam presentes nas suas ocasiões especiais, sem rancores ou mau ambiente;

4- Sintonia na forma de educar

É importante que todos estejam em sintonia com a educação e decisões dos seus filhos. Os assuntos devem ser discutidos em particular para apresentar uma força unida apesar da rutura, de forma a não confundir os filhos e não criar situações em que se possa ouvir a frase “se fosse o pai/mãe deixava”.

O divórcio é uma mudança na vida dos pais, das famílias mas também dos filhos. Isto não deve ser esquecido pois é necessário dar-lhes a entender que a culpa não é deles e que são igualmente amados pelos dois.

Não se deve esquecer:

o divórcio é muitas vezes a ruptura necessária para a construção de uma estrutura mais firme no futuro.

 

Por Catarina Marques Lobo, Assistente Social

Gerir o divórcio com filhos: dicas para pais preocupados

Seja qual for a idade dos filhos, todos sofrem de alguma forma com o divórcio. Poderá ser no momento da separação ou uns anos mais tarde.

Apesar de todos os desencontros que a vida possa trazer, havendo filhos o divórcio deve ser sempre gerido em torno deles. Assim, seguem alguns conselhos/dicas para todos os pais preocupados:

1 – Comunicação – Fortalecer o diálogo

Os filhos devem ser informados do que se está a passar. Afinal, serão eles os principais afetados de todo o processo. Inevitavelmente um dos pais passará a estar mais ausente (nem que seja de forma alternada). Os filhos devem entender que a culpa não é sua e que os pais não passam a gostar menos deles por não estarem a viver sempre debaixo do mesmo teto;

2 – Os filhos em primeiro lugar: redobrar a atenção

Independentemente de todas as alterações, seja na morada, seja uma nova companheira do pai ou companheiro da mãe, sejam irmãos, o filho deve sempre sentir que é amado e que não foi esquecido na vida dos pais;

3 – Evitar discussões e ambientes de tensão

É importante que todos se dêem bem! – Apesar do que possa ter acontecido e da mágoa que possa ter trazido, há alguém que é fruto de um amor que já existiu e que com certeza quererá que os pais consigam ter uma relação cordial e que estejam presentes nas suas ocasiões especiais, sem rancores ou mau ambiente;

4 – Sintonia na educação

É importante que todos estejam em sintonia com a educação e decisões dos seus filhos. Os assuntos devem ser discutidos em particular para apresentar uma força unida, de forma a não confundir os filhos e não criar situações em que se possa ouvir a frase “se fosse o pai/mãe deixava”.

O divórcio é uma mudança na vida dos pais, das famílias e dos filhos. É necessário explicar-lhes que a culpa não é deles e que são igualmente amados pelos dois.

Não se deve esquecer: o divórcio é muitas vezes a rutura necessária para a construção de uma estrutura mais firme no futuro.

 

Por Catarina Marques Lobo, Assistente Social

Quando os pais se divorciam…

Como fica a criança, quando os pais se divorciam?

Os pais são o melhor do mundo para as crianças, é como se fossem assim uma entidade superior comparando com todas as outras.  Mas, quando o pai e mãe se separaram, como fica a criança? Qual é o seu lugar?

Ora, por entre uma discussão e um fazer de malas, uma criança muitas vezes sente-se apenas sozinha. Quando, de repente, uma criança é confrontada com a separação dos pais, pode acontecer que reaja de várias formas, sendo que, não raras as vezes, reagem com indiferença, raiva ou tristeza. Isto é, ou a criança reage com uma aparente indiferença, como quem diz “não tenho nada a ver com a vossa vida, não quero saber”, ou reage com uma revolta canalizada para os progenitores, como quem diz “vocês são culpados de todos os males e é uma injustiça”. Ou em alternativa, a criança reage cheia de efeitos especiais, com choro e uma tristeza profunda, como o quem diz “se se separarem a minha vida acaba e nunca mais vou ser feliz!”.

Perante tudo isto, nem o pai, nem a mãe se devem sentir fragilizados e voltar atrás numa decisão tão importante e tão pensada como um divórcio. Sim, porque quem se divorcia, não o faz de ânimo leve, habitualmente é uma decisão pensada e repensada.

Os pais enquanto pais e enquanto indivíduos

Nunca os pais devem evitar uma separação apenas com a ideia de que é melhor para as crianças. Pois, um pai e uma mãe com uma má relação entre si, serão seguramente piores pais, do que, um pai e uma mãe que, com sensatez e cuidado, decidem divorciar-se, tornando-se assim, mais felizes cada um deles a nível pessoal e, por consequência, melhores pais.

Os pais são tão melhores, quanto mais tempo tiverem para si e mais felizes forem, enquanto pessoas. Apesar de quando nasce um filho, os pais sentirem que aquele filho pode representar todo o mundo para eles, nunca se devem esquecer da sua individualidade e de cuidarem de si, isto, se querem ser bons pais.

Desta forma, o que devem fazer os pais com as reacções dos filhos ao divórcio?

Devem ser capazes de aceitar e suportar a reacção da criança, isto é, é natural que a criança se zangue, ou fique triste com uma separação dos pais. Esse assunto nunca deve passar a tabu, e deve ser falado com a criança de forma a que os pais a ajudem a ligar tudo dentro dela. Se a criança tiver necessidade de chorar ou temporariamente ficar triste, devemos permitir-lhe que o faça e que expresse tudo aquilo que está a sentir relativamente à nova situação familiar.

Ora, assim sendo, o essencial numa separação é que a criança nunca se sinta culpada e que nenhum dos pais, ou avós, sejam culpados pela separação. Isto é, o divórcio dos pais só acontece porque os dois pais em conjunto tomaram essa decisão que nada tem a ver com o comportamento ou postura de algum dos filhos.

Onde está a culpa quando os pais se divorciam?

É ainda essencial, que os pais não se culpem mutuamente. Não são raras as vezes, em que o pai ou a mãe culpam o outro progenitor da separação e o fazem deliberadamente para obter uma simpatia superior dos filhos, ou a compaixão da outra figura paterna. Também nos cruzamos várias vezes, com situações em que os pais culpam os avós pelo desfecho da relação. Mesmo que efectivamente exista um culpado, o essencial é que os pais percebam que para a criança ambos são figuras de referência e como tal, todas as crianças têm o direito a uma figura parental positiva. Assim, mesmo que o pai ou a mãe tenham um conjunto de características que o outro progenitor reprova, a criança tem direito à protecção da imagem dos pais. A criança não pode ser colocada num conflito de lealdades, como quem para estar com a mãe não pode gostar do pai e para estar com pai tem de deixar de gostar da mãe.

Um pai e uma mãe com sensatez, devem permitir que a criança goste e pratique o amor para com o outro progenitor. O mesmo deve acontecer perante os avós.

O pais devem reagir em conformidade com a protecção da criança, assumir a decisão em conjunto, sem culpas para ninguém. Se comunicarem a decisão com firmeza, com a certeza de que convictamente sabem que esta decisão é o melhor para todos e com afecto, mesmo que haja um período inicial difícil, as crianças irão aceitar. As crianças irão adaptar-se e compreender todos os lados da decisão dos pais e destas novas circunstâncias.

Por Cátia Lopo e Sara Almeida Psicólogas Clínicas

As Crianças não são pombos correio

Há, e todos sabemos, situações familiares muito complicadas.

Há situações em que o diálogo é quase inexistente, outras em que a comunicação é feita através de acusações, gritos, ofensas.

Há pessoas que estão constantemente, por causa disso, a usar os filhos/netos/afilhados/sobrinhos, como mensageiros.

“O teu pai não é capaz de fazer isto bem feito”.

“Que mania que a tua mãe tem de mandar X ou Y”.

“Diz à tua mãe que isto ou aquilo”.

Todos os exemplos dados aqui em cima são errados. São de evitar ao máximo. Põem uma carga em cima das crianças que não lhes pertence.

Nenhum miúdo, tenha que idade tiver, deve ouvir comentários menos positivos em relação aos progenitores, por mais verdade que possa haver no que for dito (e isto vale a comentários feitos em relação a avós, tios, etc).

Nenhum miúdo deve sentir que tem uma mensagem a passar à mãe/pai quando regressa de um fim de semana com o outro progenitor.

Nenhuma criança deve sequer preocupar-se com assuntos de adultos, seja o assunto divergências em relação à educação, a como é passado o tempo, aos horários praticados, à roupa que é enviada ou o estado em que regressa, à situação amorosa dos pais (seja a nova seja a antiga: reconciliação entre os pais, impossibilidade de estarem juntos sem se aborrecerem, etc), aos problemas financeiros (contribuições ou falta delas).

As crianças devem ser crianças.

E se existe uma situação em que os pais ou não estão juntos ou não conseguem entender-se isso já coloca nas crianças um peso que preferencialmente todos os envolvidos gostariam que não acontecesse. Não é justo fazer as crianças levantar os olhos dos brinquedos, do seu mundo de fantasia e afectos para os ver a observar os pais com olhos analíticos, com vozes a ressoar na sua cabeça. Não é saudável, não é justo, simplesmente não se faz – seja qual for o recado.

Bem sei que muitas vezes até nem há maldade, os adultos envolvem as crianças nos seus pensamentos, arrastam-nos achando até que podem ser eles o catalisador de uma mudança positiva. Se forem, que seja por presença indirecta e não por estarem no meio do campo de batalha com  a bandeirinha branca na mão, a ser incessantemente agitada.

Se a mãe quer dizer alguma coisa ao pai, fale com ele.

Se a avó quer dizer alguma coisa à mãe, fale com ela.

Se o pai quer dizer alguma coisa ao sogro, fale com ele.

Se o avô tem alguma coisa a dizer, fale com o filho ou a filha.

De adulto para adulto.

Nos casos mais difíceis, em que simplesmente é impossível comunicar, procure-se ajuda de um intermediário, um assistente social, por exemplo.

Nunca as crianças.

Sempre o adulto.

Deixemos as nossas crianças viverem a sua infância sendo livres, leves e apenas tendo como preocupação os que as rodeiam naquilo que é realmente importante.

Mesmo que estejamos cheios de boas intenções.

Os adultos somos nós.

Façamos um esforço.

imagem@weheartit

Este texto é para todos os homens que, num determinado momento da sua vida, se despiram do papel de pai e abandonaram os filhos. Aos homens que se separam não só das mulheres, mas também dos filhos. A todos os pais ausentes.

Para ti o que é ser pai? Aparentemente, pagar uma pensão mensal (ou não) e telefonar de vez em quando? É postar no Facebook fotos “felizes” dos filhos de um fim de semana raro de visita?

Falo com conhecimento de causa.

Perdeste um grande aprendizado na vida. Perdeste a oportunidade de ensinar os teus filhos a dar os primeiros passos. Perdeste noites de sono recompensadas com sorrisos e um cheirinho incrível de bebé. Não viste a tua filha vestir-se de princesa e acreditar na fada dos dentes. Não percebeste que o teu filho não gosta de futebol, mas adora o mar e uma prancha de surf.

Depois da separação achaste que não tinhas mais obrigações na educação dos teus filhos. Concluíste que não dás conta da nova mulher e dos filhos antigos. Eles já não se enquadram na tua nova vida, não é?

É uma pena que não tenhas enlouquecido como eu com os TPC, as zangas e os morreres de amores com os amiguinhos, a conversa sem fim a seguir à escola, as febres, as viroses, as atividades, as contas por pagar.

Tenho pena que seja uma chatice para ti ficares com os teus filhos de vez em quando.

Mal pensas nos teus filhos que abandonaste nas mãos de uma mulher que, teve de ser forte e de criar um ser humano e um futuro cidadão completamente sozinha. Que pena que não te lembres da data de aniversário da tua criança. E que nem vás saber se um dia vai entrar na faculdade ou se vai passar dificuldades na vida.

Não é para o teu colo que o teu filho vai correr quando precisar de chorar. Ufa, certo?

Não é o carinho dele que vais sentir sempre que caíres sem ninguém para te amparar. Não são aquelas mãozinhas pequenas com verniz vermelho que vais segurar depois de um dia de trabalho.

Felizmente, não terás preocupação nenhuma, até porque está alguém a criar (e bem) os teus filhos. Felizmente, não vais perder horas de sono quando o teu filho for sair à noite. Nunca terás vontade de bater na parede para aguentar uma birra terrível sem te passares. Que sorte, não terás cabelos brancos tão cedo.

Não vais dormir exausto depois de fazer os TPC, ir à  natação, ao ballet, ao inglês. Não vais chorar ao veres o teu filho chorar também.

O fim de semana é só por tua conta! Que maravilha! Nunca vais ter de ensinar alguém a andar de bicicleta e não vais ficar com dores nas costas de tanto empurrar. Nunca sentirás aquela alegria de veres o teu filho a pedalar sozinho depois de várias tentativas. Nunca perderás o teu tempo a ver o pôr do sol ao lado do teu filho, nem a falar sobre o universo e as coisas mais estapafurdias da vida.

É uma pena que sejas apenas pai de certidão de nascimento (às vezes nem isso), e nunca vás experienciar nada disto. Nem a parte boa nem a parte má. Não saberás o que é amor incondicional. O que é ter um companheiro para o resto da vida que vai te amar com todas as forças que tem.

Mas sabes, podes ficar tranquilo. Os teus filhos vão crescer saudáveis, inteligentes, com alguns traumas, mas como se costuma dizer, “o que não te mata torna-te mais forte”. Nada que os marque para sempre, porque os teus filhos ficaram com a mãe.

A Mãe de verdade. Que às vezes sente vontade de fugir, que se tranca na casa de banho a chorar, que fica exausta e irritada com os choros, as manhas e as malcriações. Esta mães consegue ter os mais variados sentimentos dentro de si e ainda assim amar tanto os seus filhos que aguenta tudo por eles.

Por isso, descansa, fica tranquilo.

Os teus filhos estão a ser bem cuidados.

E tu podes continuar livre e desocupado.

 

Por Aline Rolo em ObviousMagazine

 

Mariana, Filha da Alienação Parental

A consciência vem com o tempo. E Mariana, nome fictício, ainda tem 9 anos. Não sabe o que significa Síndrome de Alienação Parental (SAP). Nem tinha de o saber. Mas, sente, todos os dias, embora, não o admita. Não o faz de propósito. Ela, tal como muitas das vítimas deste distúrbio de comportamento, ainda não se consegue soltar das amarras que lhe toldam o comportamento e a condicionam na relação com o pai.

Mariana, Filha da Alienação Parental foi programada, de forma subliminal, para o menosprezar desde o dia em que o pai ganhou coragem para sair de casa e pôr fim ao casamento.

Da boca da mãe é frequente ouvir expressões que desqualificam o outro progenitor: “o teu pai abandonou-nos, a ti e a mim, ele não presta, é um bandido!” Uma campanha de difamação ao serviço de uma intenção clara com fins perversos: tentar afastar a filha do pai e destruir o vínculo afetivo entre ambos. Chega a ser tão intensa e descarada a manipulação que, na escola, Mariana até deixou de usar o apelido do pai.

Longe da mãe, a menina já aprendeu, todavia, que não tem de ser o que, na casa materna, exigem que seja. Um grande passo no patamar da consciência.

De quinze em quinze dias, ao fim-de-semana, quando está com o pai é uma criança, aparentemente “normal” e dá sinais constantes de felicidade. Brinca, abraça o pai, beija-o. Diz que o ama. Escreve-lhe cartas, às escondidas. A mãe não pode saber.

É domingo. E o dia está a acabar. Cheira a despedida. Mariana faz a mala para regressar. Aos poucos, vai incorporando a personagem do costume. Serão assim os próximos 15 dias. Antes do último beijo, deixa para trás, os novos brinquedos que tanto gosta, sempre esquecidos, de propósito, no carro do pai, para a mãe não ver. Parece um relógio suíço.

Os números ainda estão por revelar. Não há contabilização estatística. Em Portugal, não se sabe, ao certo, quantas crianças, como Mariana, são reclusas da manipulação parental. Sabe-se, no entanto, que há cada vez mais casos de SAP identificados pelas comissões de proteção de crianças e jovens (CPCJ).

O perfil do progenitor que aliena o outro é variável. Segundo alguns estudos, a maior parte das vítimas são homens. Mas, também há mulheres. A alienação parental sempre existiu. É um crime que, em Portugal, não raras vezes, resulta impune, por falta de mecanismos legais de prevenção e punição. E pode gerar, de facto, um efeito devastador na vida das crianças.

Os sintomas ansiosos e depressivos são cada vez mais comuns e acabam, depois, por se refletir, não só ao nível das alterações comportamentais e psíquicas, como também, no rendimento escolar.

Algumas crianças podem mesmo desenvolver distúrbios psiquiátricos: depressão; ansiedade; fobias e medos variados; doenças psicossomáticas; baixa auto-estima; dificuldades relacionais e na capacidade de estabelecer vínculos amorosos, transtornos de identidade, entre outros.

A exclusão de um dos progenitores da vida do filho, como referiu a pediatra e psicanalista francesa, Françoise Dolto, “constitui a anulação de uma parte dele, enquanto pessoa, representando a promessa de uma insegurança futura, já que somente a presença de ambos permitiria que ele vivenciasse de forma natural os processos de identificação e diferenciação, sem prejuízos emocionais na constituição da sua personalidade“.

Tal como muitas crianças, Mariana é usada como instrumento da agressividade alheia. Uma arma de arremesso. Um pequeno exemplo, de 9 anos, de uma triste realidade, cada vez mais comum.

 

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Sabendo que em cada 100 casamentos há 70 divórcios, naturalmente que destes divórcios, há inúmeras famílias com filhos(as). Decorrente deste facto, encontramos cada vez mais famílias reconstruidas que, e ainda bem, tentam a sua felicidade novamente.

No entanto, as famílias reconstruidas encontram desafios diferentes daqueles por que passam as referidas famílias tradicionais, que normalmente se prendem com as inúmeras situações que tornam mais difícil a adaptação, nomeadamente a multiplicidade de laços afetivos envolvidos. Uma das questões que abala com frequência a segurança das pessoas aquando do seu envolvimento romântico com alguém com filhos de outro casamento diz respeito à hierarquização das prioridades. Nas famílias tradicionais, essa questão não se coloca pela naturalidade das relações.

Quando tudo está em equilibrio, sem confrontos, nunca irão haver problemas nas famílias reconstruidas tal como não há nas famílias tradicionais. A questão coloca-se quando os “que não são pais”, têm de “fazer de pais”, exercendo a autoridade necessária à situação.

Educar em consenso

Relevante torna-se assim o período de adaptação anterior ao casamento (ou mudança para a mesma residência). Sendo tudo feito de forma adulta e tranquila raramente os problema irão existir. Mas mais que tudo, o importante é que o novo casal defina regras. Normalmente o ideal é que se mantenha o princípio de que, quem manda em casa são os adultos, sejam eles os pais ou os não pais. Primordial também, é o facto dos pais ( mães) não reagirem mal sempre que um “não pai/mãe” chama a atenção, dá uma palmada ou põe de castigo. Esta é uma questão que até em famílias biológicas (ou adoptivas) acontece, ficando ainda mais relevante no caso de serem “não pais”. O que faz sentido, é ambos terem a autoridade de imporem as regras de acordo com o princípio acordado entre os dois ( algo que todos os pais deveriam fazer aquando da educação dos seus filhos).

Um bom pai ou boa mãe erra

Naturalmente que educar uma criança é muito díficil por não ser algo que siga uma metodologia única. Não há um livro de regras ou boas maneiras para fazer, nem tampouco instruções. Muitas vezes vamos por tentativa e erro. Daí a importância de ir partilhando as dúvidas, receios e medos do que fazer. Aparecem frequentemente em consulta pais com dúvidas acerca do que fazer, como fazer, com medo de que estejam a fazer errado. O que digo sempre é que um bom pai ou boa mãe erra e isso não faz mal algum. Aliás, repito sempre esta frase aos pais que procuram e que foi proferida por um dos melhores e maiores psicólogos que o mundo já conheceu, Winnicott, que diz que “ Quando somos capazes de ajudar os pais a ajudarem os filhos, o que fazemos na verdade é ajudá-los a eles mesmos”.

Regras

É relevante que, os pais antes de se juntarem falem sobre as regras que deverão reger a família, sendo que ambos devem ter autoridade sobre as crianças e jovens que coabitam com eles, ainda que não sejam filhos deles. Só assim haverá harmonia, pois os filhos não irão sentir apoio do pai ou mãe acerca das suas acções menos boas, e assim reagir mal. Aliás, reforço mais uma vez a ideia do princípio ser o mesmo de um casal com filhos seus. Na frente das crianças e jovens os pais devem sempre mostrar acordo e apoio, ainda que depois sozinhos possam conversar e discutir alguma discordância. Por outro lado, é importante manter a relação com os ex para que estes também sintam que os filhos estão a ser balizados e amados, e entender queixas dos filhos que possam existir.

Os filhos em primeiro lugar

O divórcio e novo casamento não é opção nem escolha dos filhos, pelo que os pais e novos companheiros devem agir em função do bem estar deles. Mas claro que nada é estanque, e o mais importante é sempre a comunicação e partilha entre o casal e com a restante família. E refiro ainda que há situações que tornam estas adaptações difíceis e que cada caso é um caso.

Para finalizar ficam aqui algumas ideias de como poderão colocar em prática esta nova realidade.

1 – Respeito

Para que haja relação entre os seus filhos para com o/a seu novo/a companheiro/a, e relação dos seus enteados consigo. Para tal, procure demonstrar interesse, verdadeiro claro, pelas atividades dos seus enteados, e evite compará-los aos seus próprios filhos. O objetivo é estimular a relação de amizade entre os mais novos e não a rivalidade.

2 – Dar tempo ao tempo

É normativo que o ciúme , rejeição inicial ocorra. Não tenha pressa de se juntar ou casar. Dê tempo a que os seus filhos se habituem à ideia e a este novo companheiro/a.

3 – Criar regras

Tal como referido, é fundamental que o casal esteja de acordo com as regras da casa e da educação, e que irão permitir uma convivência saudável e feliz.

4– Procurar o dialogo

É fundamental que a comunicação flua acontecimento natural. A conversa entre os vários membros da família é a forma mais adequada para a criação de um ambiente familiar verdadeiro e tranquilo. Aproveitem um momento do dia onde estejam todos juntos, para ficarem juntos e debaterem temas importantes para as crianças, quer seja o seu quotidiano e questões escolares, quer outros assuntos relevantes para os mesmos. Fundamental usar o sentido de humor e brincar com respeito sobre as várias temáticas.

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Há dias assim. Há dias que as histórias nos aparecem como cogumelos, como se tivessem de vir ter connosco para que possam finalmente ser contadas. Hoje foi um dia assim.

De repente surge a história de uma mãe, que depois de um divórcio conturbado tem a cabeça e a vida da sua filha completamente minada pelo que o pai lhe diz. Surge em catapulta a história de outra mãe, que não tem qualquer contacto com o seu filho porque o pai condiciona a imagem que o mesmo tem da mãe. Um pouco mais tarde, recebo um telefonema de um pai que precisa de ajuda, porque a mãe do seu filho continua a dizer mal do pai ao filho. No meio destas histórias recordo uma outra, de um pai que procurava ajuda psicológica para conseguir lidar com a questão de alienação parental. Sim, a estas histórias damos o nome de alienação parental.

A alienação parental é o afastamento do filho de um dos progenitores provocado pelo outro, tendo origem no verbo latino “alienare” que significa afastar. Contudo, a  alienação parental (PAS, parental alienation syndrome, ou SAP, síndrome de alienacão parental) não é um fenómeno recente. Podemos afirmar que será tão antiga quando a existência da regulação do poder parental aquando de um divórcio. Na verdade, as feridas resultantes do rompimento duma relação conjugal são muitas vezes difíceis de ultrapassar, levando tantas outras vezes à  necessidade de magoar o outro a quem se imputa culpa na separação, e que acaba por determinar, consciente ou inconscientemente, que o  progenitor que tem a custódia do filho a usar este poder, por forma a atingir o outro progenitor,  punindo-o com o afastamento do(a) filho(a) ou incutindo neste, sentimentos negativos contra aquele.

No decorrer da vida destas pessoas que escolheram os seus companheiros com o objectivo de criarem uma família estável, organizada e cheia de amor, algures, não sabemos quando nem como, duas pessoas entraram em conflito, e uma delas, concentrada na sua frustração, focada na sua dor e mágoa, esqueceu-se que há uma criança. Uma criança que não pediu para nascer, não pediu para ter aqueles pais, e muito menos, para ter nascido numa família que, algures no tempo mais uma vez, se esqueceu que ela existia. Digo esqueceu, porque efectivamente, se tal não acontecesse, tínhamos pais que pensavam acima de tudo no bem estar desta criança e na sua saúde mental, e só depois na sua frustração, na sua mágoa, na sua dor.

Poderia centrar-me nos pais, mas não vou fazê-lo (noutro artigo o farei). Vou centrar-me nos que não escolheram esta história de vida. Nas crianças e jovens cujas cicatrizes irão ficar marcadas nas suas vidas, não pedidas, e que irão condicionar o adulto que serão no futuro. Um dia, uma destas crianças disse-me, em consulta, que eu era uma espécie de médica de cirurgia plástica da mente, porque eu “tratava de cicatrizes do coração e da cabeça”. Custa muito perceber, ainda que psicóloga, que é assim que se sentem….vazios, perdidos, confusos, mas com a noção de que nada disto seria suposto. Seria suposto sim, que esta criança ( crianças e jovens) apreendesse destes adultos significativos (seus pais), os seus super-heróis, que quando temos um conflito, conversamos, reflectimos, somos empáticos com a dor do outro, e resolvemos as coisas pacificamente. Seria suposto que estas crianças e estes jovens, apreendessem destes adultos significativos, os seus super heróis, o que é ser adulto, o que é viver em sociedade, e acima de tudo, como se relacionam com o outro.

Peço a todos os pais e mães, que ao passarem por situações de divórcio, se centrem nos seus filhos, nas suas necessidades, em não deixar sequelas nas suas vidas, no seu crescimento emocional e psicológico saudável. Peço algo tão simples como, amem os seus filhos!

Sejam verdadeiramente os super heróis da vida deles.

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Há dias ia na rua e sem querer ouvi a conversa entre dois rapazes:  “Olha que essa tem filhos. Tens de ter cuidado com as mulheres hoje em dia: têm todas filhos atrás.” Fiquei indignada ao ouvir um discurso tão machista e cheio de preconceito. Infelizmente para nossa “linda e justa” sociedade, a mulher que tem filhos seja ela divorciada ou mãe solteira, não merece ser amada, respeitada e valorizada.

Este facto fez-me lembrar a história de uma mulher que tive o prazer de conhecer, muito inteligente e bonita por sinal. Sempre foi dedicada à família, uma esposa amorosa e fiel, mas numa das voltas que a vida dá o marido abandonou-a com três filhos pequenos e resolveu “curtir a vida”, se não me engano um deles era recém-nascido na altura. A vida dela ficou do avesso quando se viu sozinha, desamparada, com filhos e muitas, muitas contas para pagar.

Calculo que não deva ser nada fácil ouvir da boca da pessoa que se ama que deixou de gostar de ti, que tu não vais ser feliz com mais ninguém porque tens três filhos e que nenhum homem  irá dar valor a uma mulher assim.  Deve ser difícil ser fintada pelo próprio companheiro, o pai dos teus filhos, pai este que não paga as pensões, não sustenta os filhos e nem se preocupa em cumprir seu papel de progenitor.

Esta mulher – a separada, a largada ou a cheia de filhos, como muitos costumam chamar – ficou sem chão mas não desistiu. Esta mulher levantou-se com toda coragem para lutar, para vencer as dificuldades, as derrotas, as humilhações e principalmente com o objetivo de dar a volta por cima.

Existem muitas mulheres nesta situação que são muito mais “homem” que muitos homens que aí andam. As verdadeiras guerreiras, dignas de se tirar o chapéu, que merecem todo respeito e uma oportunidade de serem felizes novamente.

Infelizmente o preconceito de muitos, como estes dois com quem me cruzei na rua, as priva desse direito. A vida muitas vezes rouba-nos os sonhos, mas pior que isso são as pessoas que ainda insistem através do preconceito em arrancar dessas mães a sua dignidade, o seu respeito, o seu direito de recomeçar e de ser feliz.

É muito fácil apontar o dedo, julgar, condenar, ridicularizar e culpar o próximo. O difícil mesmo é estar no lugar da pessoa, é ter que superar as barreiras fazendo do passado a escola do presente. O difícil é superar-se a cada dia, é deixar o preconceito e abrir os olhos e o coração para o que realmente tem valor.

Ser divorciada, separada ou mãe solteira não é nenhum crime. Crime é não ser capaz de amar alguém que só sofreu por amar demais.

Por  Irailde Santana em A mente é maravilhosa

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Este é um assunto que afecta imensos casais, que é fortemente abordado na literatura, contudo na realidade parece não afectar ninguém pelo menos até se tornar público que a Maria e o João se separaram.

A diminuição da felicidade que a relação conjugal nos traz, habitualmente tratada por satisfação conjugal, continua a ser um tema tabu que funciona como uma pescadinha de rabo na boca – ao não ser falado faz com que as pessoas sintam que não é suposto falar sobre isto, logo ninguém toca no assunto.

Por que é que são poucos os casais que assumem que o nascimento do bebé os afastou? Penso que existem vários motivos – entre sentirem que estão a culpar o bebé, algo tão positivo nas suas vidas, por um acontecimento negativo; passando pelo sentimento de vergonha em admiti-lo (se ninguém fala no assunto é porque somos o único casal a passar por isto); até à crença que desenvolvemos de que as famílias têm de ser felizes quando nasce um bebé, tal como a Disney nos ensinou nas suas histórias.

São vários os estudos que confirmam que nos primeiros anos de vida o bem-estar do casal é inferior comparativamente a casais da mesma idade que não têm filhos. Não se preocupem, existem boas notícias: à medida que as crianças crescem o nosso bem-estar torna-se superior ao desses casais sem filhos (Toma! Vai buscar!). Resumindo, com o tempo vamos sentir-nos melhor, só precisamos disso mesmo – de tempo!

Nos primeiros tempos de vida do bebé dedicamo-nos quase em exclusivo a ser mães. Aprendemos a ser mães, a fazer actividades de mães, a conciliar as novas tarefas com outras (domésticas) que já desempenhávamos, a centrar o nosso tempo e recursos no bebé. Naturalmente, investimos tanto neste papel que deixamos de ter vontade, paciência e/ou energia para cuidar igualmente dos outros papéis que protagonizamos. Geralmente, a Mulher fica esquecida e com ela leva as memórias dos motivos pelos quais o nosso companheiro já nos fez tão felizes. Quanto mais permitimos que esse afastamento aconteça, mais sentimos que perdemos pontos em comum e passamos a vê-lo como o bebé o vê – apenas como pai.

Enquanto alguém que passou por tudo isto na “pele”, gostava de vos deixar algumas palavras de ânimo e dicas que talvez possam ajudar:

1- Vocês não estão sozinhos!

Acreditem que mais perto do que imaginam existe um casal a passar pelo mesmo, a sentir essa tristeza por já não sentir uma ligação tão forte entre si. Aceitem esses sentimentos, tentem perceber porque surgem, será mesmo que a pessoa mudou ou o meu estado de sonolência/cansaço/irritação é que não me permite vê-la da mesma maneira?

2- Conversem, conversem e conversem!

Claro que para as mulheres isto é mais fácil (um dia venho contar-vos porquê), mas existem timings em que falar se torna mais fácil, tentem encontrá-los e, sem apontar dedos e culpar ninguém, procurem dizer apenas o que sentem.

3- Partilhem, se possível, com alguém que vos aceite.

Por vezes, quando não exprimimos o que sentimos, nem partilhamos a nossa visão sobre as situações, tudo parece mais negro. Damos por nós a achar que não existem alternativas para o comportamento daquela pessoa (fez isto com aquela intenção, sem dúvida); este tipo de pensamento, conhecido por pensamento preto ou branco, leva-nos a ver as coisas de forma absoluta, quando por vezes existem outras justificações bastante razoáveis. Além disso, falarmos com outras pessoas ajuda-nos a perceber que como nós – numa fase menos boa – existem muitos.

4- Invistam em vocês como casal.

Confesso-vos que dei este passo com muitas reticências, só de me imaginar a ir jantar enquanto a minha filha, embora aos cuidados da excelente avó que tem, ficava a chorar, sem saber da mãe, partia-me o coração e trazia grandes sentimentos de culpa (que tipo de mãe és tu que faz isto à filha?). Na verdade, ela não só não chorou, como eu me diverti imenso. Durante o jantar quase que senti que estava a  conhecer o meu companheiro pela primeira vez; no meio de tudo esqueci-me de tantas características positivas que ele tem (se não há partilha de novos momentos, que por sua vez criam novas memórias, como podemos continuar a conhecer-nos?). Posto isto, apostem nestes momentos, mesmo que não tenham a minha sorte e o bebé chore durante 1 hora, acreditem que quando voltarem para junto dele se vão sentir pais mais felizes, revigorados e, por conseguinte, mais disponíveis para abraçar os desafios da parentalidade – vejam isto como um investimento.

5- Procurem ajuda profissional.

Se sentem que já tentaram de tudo e que a relação tende a piorar, procurem um psicólogo que faça terapia conjugal. Acreditem, imensas pessoas recorrem a este tipo de terapia, não tenham complexos. O que existe de errado em fazer de tudo para ficarmos com a pessoa que amamos?!

Espero que consigam continuar a aprender a ser pais, mas que possam, em simultâneo, reaprender a ser um casal, agora com mais papéis e desafios.

 

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