Diz alguma literatura de referência que os pais deviam dedicar cerca de 15 a 20 minutos diários a cada filho, um “Tempo Especial” de brincadeira, aceitação e atenção plena.

Depois de ser mãe fui aprofundando e integrando todos os conhecimentos que tinha até então. Aprendi por experiência própria que 20 minutos por dia são simplesmente insuficientes. Dependendo dos nossos valores enquanto pais e de saber se pretendemos desempenhar um papel principal no crescimento interior dos nossos filhos temos de dar de nós muito mais do que 20 minutos diários.

Para estabelecer uma relação profunda com os nossos filhos é necessário entregarmo-nos inteiramente e mostrar o nosso amor incondicional por eles.

Mas com um dia a dia tão atarefado, ocupado e preenchido como podemos fazer? Com agendas tão complexas onde vamos encontrar tempo? Aqui vão algumas dicas para pensar, refletir e experimentar!

  1. Estabelecer prioridades
    O dia tem apenas 24 horas, temos de trabalhar, fazer as tarefas domésticas, preparar refeições, estar com os amigos, passar tempo em família, cuidar dos filhos… Agora pense, para si o que é mais importante? o que será que pode acontecer se um dia brincar com os seus filhos deixando a roupa por passar a ferro? E se não tomarem banho num dia para poderem acabar um puzzle em família? E for comerem comida mais rápida mas menos saudável um dia para poderem dar um passeio no parque depois do dia de trabalho?
  2. Dedique-se plenamente em cada momento que passa com os seus filhos
    Aproveitem cada momento de forma plena e consciente. Faça das atividades rotineiras e diárias um momento de partilha, diversão e crescimento mútuo. Seja no carro a caminho de casa, no banho ou na hora da refeição. Evite lutas de poder, críticas, julgamentos e discussões e abra-se plenamente. Deixe-se guiar por ele, aproveite para explorar o mundo com um olhar curioso, como se visse tudo pela primeira vez!
  3. Ligue-se à família e desligue-se do mundo
    Ao chegar a casa desligue o telemóvel, internet, televisão. Quando estamos demasiado ligados ao mundo e com tantos estímulos é difícil concentrarmo-nos no que realmente importa. Viva em pleno o dia a dia com os seus filhos. Quando eles se forem deitar pode ligar-se novamente ao exterior!

Por Rita Felizardo, Conselheira Parental em Leiria

imagem@augsburger-allgemeine

Eu tenho um sonho. Um grande sonho. Um grande desejo para todas as crianças. Um desejo para toda a humanidade. Um sonho que vive comigo desde que eu própria era uma criança. Um desejo que se tem agitado mais e mais e mais rápido dentro do meu coração, bem lá enraizado, no fundo do meu espírito, ao longo dos anos.

E eu estou certa, tão certa como estou de que as estrelas brilham no céu da noite escura, que este sonho, como qualquer outro sonho, é possível. Este sonho, este grande, este enorme desejo que vive comigo desde que me lembro, pode tornar-se realidade.

O universo movimenta-se tantas vezes de forma misteriosa e sempre consegue colocar diante de nós situações, pessoas e desafios para nos ajudar a evoluir. Situações, pessoas e desafios com a finalidade específica de fazer- nos crescer. De mostrar-nos uma perspectiva diferente da vida.

Situações, pessoas e desafios com a finalidade específica de ajudar-nos a colocar tudo o que vimos, acreditámos ou pensámos até agora, em causa. E é maravilhoso quando temos realmente a coragem suficiente para nos questionarmos.

Para questionarmos o que sempre considerámos certo, é preciso coragem e audácia. Somos forçados a deixar a nossa zona de conforto e dar um salto no escuro para terreno desconhecido.

No entanto, para mudar, para evoluir, temos de ser fortes e corajosos. Todos nós podemos aceitar e abraçar a mudança, se estivermos dispostos a mudar por dentro.

Eu tenho um sonho. Um sonho que orienta a minha jornada ao longo da minha passagem. Um sonho que toma diariamente controlo total da minha vida. Um sonho que cresce a cada dia de cada vez que eu abro os olhos de manhã. E é ainda maior quando fecho os olhos para dormir. Um sonho que me trouxe aqui. Até hoje. Até este momento. Até estas palavras. Até si.

E não há sonho que se possa tornar realidade de forma mais rápida do que o meu sonho. Porque é um sonho de paz. É um sonho de amor. E todos nós possuímos essas qualidades dentro dos nossos corações. Nós todos temos paz e amor dentro de nossos corações.

Ninguém nasce com o potencial para qualquer outra coisa, a não ser para o amor. Ele pode estar escondido ou ainda não ter sido descoberto. Mas ele está lá. Eu sei que ele está lá. Basta olhar para dentro de nós mesmos para encontrá-lo.

Eu tenho um sonho.

Um sonho para que a paz reine em cada casa e em cada espaço onde crianças estejam presentes. Um sonho de ver as crianças livres de desrespeito, agressividade e violência. De qualquer espécie. De todos os tipos. Total e completamente livres. Um sonho de ver sorrisos nos olhos que não escondam dor, vergonha ou mágoa, mas sorrisos nos olhos que irradiem felicidade, paz e cabeças limpa de despojos.

Eu sonho que todos os adultos aprendam a baixar a voz e a guardar as mãos para si de todas as vezes que estejam na presença de uma criança. Eu sonho que cada criança seja educada com respeito pela sua individualidade. Para que cada criança seja criada com amor.

Eu desejo a todas as crianças do mundo uma educação pacífica. Eu sonho apagar os danos, a dor e o constrangimento das mentes, corpos e almas de todas as crianças. Eu sonho para que todos os adultos aprendam a parar, a admirar, a honrar, a respeitar, a confiar, a ser compassivos, tolerantes e solidários para com as  crianças. Porque é isso que é o amor.

Estou certa de que este sonho pode tornar-se realidade tão rapidamente como cada um de nós está disposto a fazer uma mudança no nosso próprio espírito. No nosso próprio coração. Na nossa própria casa. A cada acordar. A cada adormecer. A cada palavra. A cada gesto.

O meu sonho pode tornar-se realidade tão rápido quanto estivermos dispostos a crescer e a fazer a diferença na vida dos nossos próprios filhos. Apesar dos desafios. Independentemente das contingências. Apesar das condições ou das situações da nossa vida.

Nós somos os únicos responsáveis ​​por criar almas, mentes e corpos saudáveis ​​e seguros, conscientes de que cada uma das nossas acções, cada uma de nossas palavras têm uma repercussão sobre toda a formação emocional das crianças. E nós somos responsáveis ​​por passar um legado de amor às novas gerações.

Vamos abraçá-lo como nosso dever. Como o nosso propósito de vida. Independentemente de tudo o que possa surgir no caminho.

Que Todos Os Seus Sonhos Se Concretizem,

Hoje acordei com sono! Depois de uma noite mal dormida só me apetecia um pouco de calma, um pequeno almoço descontraído, um banho revigorante antes de ir para o trabalho… Mas ele acordou rabugento. “Não quero mudar a fralda”, “Não quero tirar a roupa”, “Não quero comer”, “Não quero vestir”. Eu fui tentando, negociar, explicar o porquê, dar o tempo necessário, mas hoje estava com sono, eu também tinha o direito de estar rabugenta!

Tive de andar atrás dele para sairmos de casa, lá se tinha ido a manhã perfeita que eu havia idealizado!

Ao longo do dia fui pensando no que tinha acontecido nesta manhã e nos dias anteriores. O filhote anda numa fase de negativismo, diz não a tudo, quer ser independente mas ao mesmo tempo depende mais dos pais, acordando inúmeras vezes ao longo da noite e procurando o nosso conforto. O que vulgarmente se refere como os terríveis dois, ou seja anda numa luta entre a vontade de ser independente, de fazer sozinho algumas coisas e a insegurança, o medo de se afastar dos pais. Esta é uma fase assustadora e cansativa tanto para os pais como para as crianças.

Acabo por ficar com um sorriso na cara, o meu filho sente-se seguro em casa, junto dos pais, para exprimir sentimentos negativos, libertar as tensões do dia, experimentar as suas novas capacidades, exprimir as suas vontades, em suma para fazer “birras”!

Vou guardar este pensamento para a próxima manhã complicada ou fim de dia com menos paciência e repito para mim “Que bom que o meu filho se sente seguro para exprimir toda a sua individualidade e autenticidade”.

Por Rita Felizardo, Conselheira Parental em Leiria

imagem@whatafraid

(mais) 5 minutos

– Mãe, vem cá ver o que eu fiz no meu quarto!

E ela pediu-lhe (mais) 5 minutos para terminar de lavar a loiça. Lavou a loiça, limpou o fogão, limpou o balcão da cozinha e ainda conseguiu tirar qualquer coisa do congelador para fazer para o jantar.

– Mãe, acho que já passaram cinco horas. Tu disseste cinco horas não disseste? Anda cá ver o que eu fiz no meu quarto…

Não, não eram cinco horas, eram só cinco minutos. Arre que criança sem paciência nenhuma!

A mãe já vai lá acima. Primeiro tem de ir tirar a roupa da máquina. Tem também de estendê-la.

E precisa de pôr aquela toalha na lixívia, que está cheia de nódoas. Ah! Quase que se esquecia… Falta-lhe também tirar os lençóis da cama para lavar.

– Mas mãe, eu estou à tua espera. Quando é que vens? Tu disseste que eram cinco minutos e já passaram mais de cinco minutos de certeza!

E a mãe continuou o frenesim de apanhar a roupa seca, estender a molhada…e depois reparou que a entrada da casa precisava de ser varrida e lá foi varrê-la . Depois o telefone tocou.

– Mãe, tu vais ficar tão contente com o que eu fiz no meu quarto! Eu juro que tu vais adorar!

A mãe mandou-o calar. Era um telefonema importante. Alguém do escritório a perguntar sobre uns papéis. A mãe caminhou quilómetros pela casa fora a tentar explicar à pessoa importante do outro lado da linha, onde estava o papel. O telefonema durou muito tempo. Muito mais do que cinco minutos. Ele sentiu-se triste, muito triste. Afinal já tinham passado muitos cinco minutos desde que ele pediu à mãe para ir ver que ele arrumou o quarto todo sozinho.

Esta é uma história que se passa em muitas casas todos os dias. Passa-se na minha casa muitas vezes, e talvez na sua também, Esta é uma história, que não sendo verídica, rebenta de tanta verdade, e queima o coração de cada um de nós-pais e mães.

Não podemos deixar o frenesim dos dias, o caos da lida da casa (que nunca acaba), os nossos trabalhos, os TPC´s, os compromissos, impedirem-nos de termos tempo para os nossos filhos. Não podemos deixar que as nossas vidas nos impeçam de vivermos.

A vida é demasiado curta para acharmos que as nossas crianças podem esperar por nós para sempre.

 

Por Sofia Isabel Vieira, Mãe de 2, autora do projecto Pais com P Grande, aventureira, realizadora de sonhos…

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Discussão com os seus filhos adolescentes

9 coisas que nunca deve dizer

As divergências entre um pai e seus filhos são um facto assumido da parentalidade. Quando as crianças crescem começam a afirmar a sua independência, e as coisas podem rapidamente transformar-se quando os seus “bebés-adolescêntes” se tornam desobedientes e e lhe faltam ao respeito. Quando se trata de discutir com os seus filhos, faça-o de forma justa evitando a todo custo estas nove frases:

1. Palavrões

Palavrões são completamente proibidos. Não retribua mesmo que o seu filho os diga contra si. Tudo o que fizer estará a moldar o comportamento e as atitudes do seu filho no futuro, quando for adulto.

2. Insultos

És um (insira qualquer rótulo aqui)”
Parte de ser justo numa discussão é conseguir expressar os seus sentimentos reais e preocupações. Depois trabalhar para resolvê-los. Rótulos e insultos não fazem nenhuma destas coisas e apenas provocam mágoa ou mais raiva. Estas palavras ficam gravadas nas memórias dos jovens e podem afetar significativamente os seus relacionamentos e autoestima durante os anos a seguir.

3. Arrependimentos infundados

Quem me dera que nunca tivesses nascido…” ou “Eu bem sabia que nunca devias ter nascido”
É fácil atacar a clássica birra infantil, “Mais valia não ter nascido”, com uma destas frases. Mas não solte a bomba. Questionar a existência do seu filho não é um pensamento que quer implantar na mente de um adolescente.

4. Culpabilizar

“Foste um erro”, ou “Acabaste com a minha vida!
Atribuir ao seu filho a culpa dos seus problemas não só não faz qualquer sentido como o torna imaturo para assumir responsabilidades de parentalidade. Nascer não foi um decisão dele – foi sua. E, mesmo no calor do momento, fazer uma reivindicação tão feia diz mais sobre si do que sobre ele.

5. Comparar

Porque é que não podes ser mais como ___?
Comparar o seu filho rebelde a um miúdo mais calmo e melhor aluno é um clássico dos pais nesta idade do armário (como se não fosse suficientemente má) e entram numa espiral de conflitos e “trombas” para toda a gente. Mas isso é (mais) uma fase, e ele está a tentar encontrar-se. Ele é ele, e pedir que seja outra pessoa é o mesmo que lhe dizer: “Não és suficiente bom para seres meu filho.”

6. Rebaixar

“Odeio-te”, ou “Não gosto de ti!”
Vamos torcer para que nenhuma dessas afirmações seja verdadeira. Inúteis e sem tacto, apenas criam um maior distanciamento entre pais e filhos. Mesmo que sejam verdadeiras naquele momento, não podem ser ditas como trunfo!

7. Não saber ouvir durante uma discussão com os seus filhos

“Cala-te! Não me interessa”
Ouvir é muito mais difícil e mais importante do que falar. O que causou o argumento inicialmente foi provavelmente uma falha de comunicação. Reforçar o facto de não querer ouvir uma explicação só vai aumentar os insultos e a desconexão entre ambos.

8. Ameaçar

Vou-me embora”, ou “Nunca mais volto!”
O seu filho precisa de si independentemente de dizer que não. Nunca lhe dê um motivo para se sentir abandonado. Se precisar de sair para apanhar ar, faça-o. Mas volte!

9. Enxotar

“Sai daqui!”
O s
eu filho precisa de um sítio seguro ao qual chama lar e que seja confortável para descansar. Tirar-lhe isso não só é contra a lei como provoca danos catastróficos no vosso relacionamento.

Manter a cabeça no lugar no meio de uma discussão com o seu filho requer plenitude, paciência e capacidade de autodisciplina e autocontrole. Mas como o pai/mãe, esta é a responsabilidade que assumimos quando planeamos uma família.

Seja o adulto, e certifique-se de que toda discussão com os seus filhos caminha em direção a uma solução – e lembre-se de guardar estas palavras desagradáveis para si mesmo.

 

Por Georgia Lee, originalmente publicado em Familyshare, com autorização para Up To Kids®

imagem@hn1c

Que exemplo somos?

Há dias difíceis. Dias em que mal temos paciência para nós, mas é importante lembrar que estamos a construir mundo, o mundo das nossas crianças. O mundo em que se vão formar, em que estão a ganhar raízes para serem gente, em que estão a aprender a relacionar-se com os outros e, acima de tudo, consigo mesmos.

Eu própria sou uma mãe que às vezes tenho de respirar fundo, lembrar-me que a minha filha é um bebé, que não compreende tudo e que estou a aprender com ela mas, principalmente, estou a ensiná-la. E é isso que me faz tentar ser melhor, agir melhor, ter mais paciência, agir segundo a velha máxima de tratar os outros como gostaria que me tratassem e, mais importante ainda, tratar a minha filha como gostaria que os outros a tratassem.

Não temos de ser sempre exemplos perfeitos porque erramos, somos humanos e isso dota-nos de uma falibilidade com que também aprendemos. Mas podemos sempre tentar mais.

No outro dia, na sala de espera para entrar para a consulta de pediatria, estava um casal com um bebé de cerca de um ano. O bebé estava no carrinho e todas as outras crianças da sala estavam no chão, a explorar o espaço, a brincar na área preparada exactamente para isso com material lúdico para os miúdos. O bebé, encantado com aquela agitação, pedia à sua maneira para descer do carrinho. Esticava os braços a pedir que o tirassem dali. A certa altura, começou a choramingar. A mãe, visivelmente enfadada, acabou por o tirar do carrinho, olhou-o nos olhos ainda ao colo e disse-lhe, altiva: Estou a tirar-te daqui porque quero e não porque estás para aí a choramingar.

Já muito se falou de os pais, principalmente as mães, se julgarem muito. Tento não o fazer, mas naquela situação custou-me. Senti que aquela criança deve ser educada naquela base, que apesar de não saber comunicar de outra forma, lhe vão dando permissão para umas coisas e não outras porque querem e não porque isso a deixa feliz (à criança). Pensei que provavelmente até pode ser um bebé que chora muito (não parecia, mas nunca sabemos o que se passa nas vidas dos outros…), que os pais pudessem ter tido uma noite difícil, que estivessem cansados. O seu comportamento é desculpável mas não posso dizer que seja – para MIM – o ideal. Tive vontade de me aproximar e dizer que dava um olhinho enquanto ele brincava com a minha filha, para eles ficarem descansados, mas sei que isso não seria bem aceite.

Há uma semana, no parque onde costumo levar a minha filha ao final da tarde, estava uma rapariga mais velha, com os seus sete anos, a correr contente e feliz, de um lado para o outro. A mãe estava fora do recinto do parque, ao telemóvel, irritada. Dizia-lhe para andar e não correr, para não subir ao escorrega, que tinha os sapatos cheios de pó (inevitável quando o chão é feito de pedrinhas), que estava corada, a transpirar e se ia constipar, que mania que ela tinha de andar sentada no chão. Pensei imediatamente que a miúda estava a fazer tudo o que era suposto: a brincar com os equipamentos, não estava a aborrecer ninguém, estava tão feliz e divertida e tudo isto a brincar sozinha. E mesmo assim a mãe não estava satisfeita. Como já disse, há dias em que não temos cabeça, não estamos disponíveis. Temos direito a esses dias. Mas se sabemos que é assim, então é uma questão de optar por os levar para casa e os deixar brincar com coisas que não necessitem de companhia e acompanhamento. Mais fácil dizer que fazer? Provavelmente. Provavelmente também, aquela mãe mesmo tendo um dia mau – que era visível que estava a ter – preferiu levar a filha ao parque, já que não tinha culpa do seu mau dia. Mas depois não conseguiu relaxar, não se deixou levar pela energia positiva dela. Pena.

Estes são dois exemplos daquilo que vejo e me deixa a pensar. Como será que a minha relação com a minha filha é vista por quem está de fora? Mais importante, como é vista por ela?

Tento, mesmo com todos os meus defeitos, que as coisas boas sejam sempre em número superior às coisas más, que a mensagem que passa seja a mais positiva possível.

Às vezes não consigo. Fica a nota mental para que seja a excepção.

Podemos sempre ser melhores pais.

Os nossos filhos agradecem.

imagem@weheartit

Aqui no Mundo Brilhante, quando falamos em felicidade, em emoções positivas ou em psicologia positiva, descobrimos alguns mitos na cabeça dos nossos interlocutores.

Nos treinos que damos, nos workshops, não há tanto ceticismo, dado que os formandos, de alguma forma, já têm conhecimento sobre os temas, fruto de outras formações onde resolveram investir, ou fruto dos livros que resolveram ler.

Se abordamos o tema com outras pessoas, detetamos vários entendimentos errados, e isso deixa-nos frustrados.

Acho fundamental (digo até mais, acho fantástico!) podermos relfletir sobre aquilo a que resolvemos chamar de «Cinco Verdades sobre Psicologia Positiva, Pistas para Ultrapassar o Ceticismo». Esta reflexão é capaz de revolucionar a nossa qualidade de vida. Até porque, muitas pessoas com entendimentos errados, muitos dos céticos, são pessimistas ou ingénuos (para não dizer ignorantes) em relação ao tema, ou são ambas as coisas. Não consta que tais atributos façam bem à saúde. Nem à saúde dos próprios, nem à saúde das pessoas que os rodeiam.

Verdade um: Tempo de sobra

A humanidade tem futuro há relativamente pouco tempo. Se pensarmos na esperança média de vida, ela aumentou muito nos últimos anos. Há um pouco mais de um século, a esperança média de vida era muito reduzida.

Agora a humanidade tem mais tempo para viver. O tempo deve ser uma dádiva, certo?  Esta prenda da ciência, coloca desafios. Um deles, é sabermos como rentabilizar esse tempo da melhor forma possível.

Para refletir:
Passámos de um paradigama biológico (vivíamos pouco tempo) para um paradigma psicológico. Neste sentido, com mais tempo, é determinante o estudo das emoções positivas e da felicidade para vivermos da melhor forma possível. 

Verdade dois: O cérebro consciente

Não é o “cérebro consciente” o responsável pelo estado emocional que é a felicidade. Ele tem a sua parte de responsabilidade, mas não a totalidade. Este argumento é usado muitas vezes pelos céticos que encontramos pelo caminho. Eles colocam tudo do lado da genética e descartam a hipótese das emoções poderem ser trabalhadas. É como se as emoções fossem a nossa parte má. Não são.

O “cérebro consciente” pode fazer pouco pelos processos celulares, mas faz! Este “pouco” pode fazer a diferença. Quer um exemplo? Uma decisão consciente, como começar a beber mais água durante o dia, pode interferir positivamente na qualidade dos processos celulares, tendo influência direta nos níveis de felicidade.

Para refletir:
Quais as decisões que pode tomar ainda hoje para poder dar força aos seus processos celulares? Deixar de comer carnes vermelhas? Parar de fumar? Iniciar a prática desportiva? Procurar um psicólogo para o ajudar a lutar contra a ansiedade?  

Verdade três: Sem teorias da conspiração, mas…    

A sua infelicidade interessará a quem? Se pensar bem, pode tentar questionar se os sistemas políticos se interessam pela sua felicidade, ou se, pelo contrário, desejam apenas a sua normal “vidinha”, onde os impostos são certos, a morte inevitável e a felicidade algo utópico.

Para refletir:
Quando há uma descoberta científica (como o caso da evolução presente na chamada psicologia positiva) quanto tempo demora até passar para o quadro cultural da maioria? Os programas escolares, e até de governo, são influenciados pelas evoluções cientificas com que rapidez?

Verdade quatro: Temas importantes

Quando falamos em psicologia positiva, podemos juntar outros temos muito importantes:

  • A saúde;
  • O envelhecimento ativo;
  • O tempo livre;
  • A gestão das emoções;
  • A inteligência emocional.

Acredito que já ouviu falar de todos estes temas, no entanto, tenho a certeza de que nos falta um caminho longo até os entendermos a fundo. Até os integrarmos nas nossas vidas, nos nossos trabalhos, na forma como educamos os nossos filhos e na forma como os apontamos à felicidade.

Para refletir:
Algumas destas temáticas até “estão na moda”. Cuidado. Se forem abordadas de forma ligeira, com pouca preparação ou com más intenções, o efeito pode ser negativo. Atenção às modas, peça referências, lembre-se de que estamos a falar de ciência. Infelizmente, porque é uma área agradável e interessante, vamos encontrar muitas imprecisões, ou pior ainda, alguns vendedores de “banha da cobra. 

Verdade cinco: Prazer. Prazeres.

A psicologia positiva distingue o prazer imediato, do prazer quando temos compromissos na vida e para a vida.

Ter um compromisso, uma espécie de bússola interna que nos orienta, parece ser fundamental. De acordo com as investigações levadas a cabo, nomeadamente por Mihaly Csikszentmihalyi, professor de Psicologia em Chicago (garanto que não carreguei acidentalmente nas teclas, é mesmo assim o nome dele) é determinante este compromisso.

Para refletir:
Tem tirado tempo para criar um significado para a sua vida?

Para finalizar, deixamos cinco mandamentos para quem quer ser (mais) feliz no século XXI. Esperemos que possam ser úteis.

  1. Posso não saber ocupar o meu tempo livre com atividades de qualidade, por isso vou reunir ideias, sugestões e vou praticar o ócio com a exigência que ele merece;
  2. Posso saber que a genética existe, mas vou fazer tudo para ter as ações e as atitudes capazes de me dar mais força para contrariar a carga genética que pode haver;
  3. Posso viver num país onde me mandam emigrar, mas vou lutar pela minha visão de felicidade!;
  4. Posso não ter aprendido na escola o que eram emoções positivas, inteligência emocional ou resiliência, mas vou procurar fontes seguras para conhecer o tema;
  5. Posso viver numa “roda viva”, mas vou ter tempo para criar uma visão para o meu trabalho, ou para o meu negócio, ou para a minha família,…uma visão para a minha vida.

Há sempre áreas em que desejo melhorar, há sempre coisas de que não gosto, mas vou gostar sempre de mim. Conheço-me, sei quais as minhas qualidades e tento aplicá-las com criatividade nos problemas.

Porque os problemas são inevitáveis. Mas ser pessimista, rancoroso e estar mal informado, é evitável. Façamos por isso.

imagem@tumblr

Sir Richard Branson disse sabiamente que quando somos pais “deixamos de ser a imagem e passamos a ser a moldura”. Não porque tenhamos de ser pais perfeitos ou porque deixemos de importar. Pelo contrário.

Devemos querer, a cada dia, ser a melhor versão de nós próprios. Para que possamos ensinar aos nossos filhos a serem a melhor versão de si próprios.

Não para nos agradar, para ter a nossa aprovação ou para impressionar os outros.

Mas por eles próprios, para que, como seres independentes e livres que são, possam alcançar os seus sonhos e objectivos  – presentes e futuros – com integridade, valores, sabendo distinguir o certo do errado, o que querem e o que não querem. Essencialmente com a confiança e a segurança de que serão capazes. Porque nós lhes ensinámos isso com o nosso exemplo. E quanto mais cedo começarmos, melhor.

É fácil deixarmo-nos  levar pela rotina dos dias. E acomodarmo-nos ao que existe. Tantas vezes, sem querer. Tantas outras sem sequer darmos por isso. Simplesmente deixamo-nos levar e quando damos por nós, passaram meses, anos.

E sem querer, vemo-nos parados no meio de um trilho poeirento.

Olhamos para trás para tentar descortinar onde foi que tudo começou, onde foi que nós ficámos, onde foi que ficou a pessoa que éramos quando vimos o rosto do nosso bebé pela primeira vez, como nos tornámos as pessoas que somos hoje, os pais e as mães que somos hoje.

Mas, por alguma razão, parece que já não se consegue ver o início do caminho onde nos encontramos.

Mas consegue-se.

Volte atrás e siga estes passos. Verá como mudarão a sua vida. E a sua relação com os seus filhos.

  1. Descubra o seu propósito

Pode parecer uma tarefa árdua e trabalhosa a mudança. No entanto, desprender-se dos traços que o (a) prejudicam – a si próprio interiormente e na sua interacção com os outros –  e iniciar um caminho na direcção da pessoa que realmente quer ser, do pai ou mãe que quer ser, que sempre desejou ser, é o primeiro grande passo  para se tornar mais consciente, uma pessoa mais calma, menos afectada pelos turbilhões de estímulos e exigências exteriores que o(a) rodeiam.

Primeiro tem de pensar sobre o seu propósito. Precisa de descobrir qual é o seu papel, qual é o seu objectivo, a sua missão enquanto pai ou mãe. Transporte-se para aqueles momentos em que desejava ardentemente ser pai ou mãe. Recorda-se? O que planeava na altura? Que tipo de pai ou mãe dizia que seria? Qual é que acha que é a sua missão enquanto pai ou mãe? O que o(a) motivou a querer ter filhos?

  1. Defina o seu propósito

Depois de descobrir o seu propósito principal enquanto pai ou mãe, depois de encontrar as respostas que lhe fez chegar a esse lugar onde está agora, defina o seu propósito. Decida que passos quer dar a partir de agora. Decida o que quer mudar. Trace um plano.

Para definir o seu propósito, olhe para si. Bem para dentro, para que possa conectar-se totalmente com quem é, com quem quer ser.

Defina o seu propósito de forma clara e ao pormenor, pois ao definir o tipo de pai ou mãe quer ser, já está a ganhar consciência e a criar essa realidade. Uma nova realidade para si mesmo(a) e para a sua família.

Estará a redefinir – ou talvez a definir pela primeira vez – o seu objectivo e a sua missão como pai ou mãe. E, na verdade – talvez pela primeira vez – esteja a reconhecer e a constatar que tipo de relacionamento tem com os seus filhos e que relação quer ter.

Agora sabe um dos maiores segredos dos pais pacíficos.

  1. Simplesmente seja o pai ou mãe que quer ser

Todos desejamos ser a melhor versão de nós próprios. E enquanto pais, isso não poderia ser mais importante.

É importante não apenas para nós, mas porque estamos a guiar pessoas pequenas que precisam de uma liderança segura, emocionalmente estruturada, baseada na compreensão e na empatia. Na segurança emocional. No respeito e no amor.

Pesquise sobre a parentalidade pacífica. E veja como e porque é que este tipo de parentalidade funciona.

Faça seu objectivo de vida cumprir o seu propósito. Agora é o momento em que vive. Agora é o momento que pode escolher quem quer ser, o pai ou mãe que quer ser.

Sermos pais pacíficos é uma escolha diária. Uma escolha.

Seja a pessoa que quer ser. Seja o pai ou mãe que que quer ser. Livre-se das suas próprias correntes que o(a) deixam encarcerado(a) no seu passado. Ofereça aos seus filhos quem você realmente quer ser.  Ofereça-lhes o seu melhor lado. A sua essência mais sensível, a sua compreensão. A sua ajuda.

  1. Seja grato

A gratidão é um dos grandes passos da mudança. E é um dos grandes segredos dos pais pacíficos. Quando somos gratos, desapegamo-nos de sentimentos de controlo e abrimo-nos a uma serie de outros sentimentos que vivem mesmo abaixo da superfície. Sentimentos como a flexibilidade, a empatia, a aceitação. Que de alguma forma e por algum motivo que só você pode saber, não deixa que saiam cá para fora.

  1. Assine um contrato

Como uma promessa, um juramento, uma declaração solene, é de extrema importância que tenha um compromisso escrito, um contrato onde se compromete à sua finalidade, aos seus objectivos para com os seus filhos. Escrever e assinar o seu próprio contrato vai ajudá-lo(a) a manter o seu propósito e ficar focado(a) no que definiu para si e para a relação com os seus filhos. Uma promessa escrita é um voto forte, um acordo que faz consigo, onde se compromete a criar os seus filhos de uma forma calma. Positiva. Rica.

Para mudar, é fundamental que se comprometa com a mudança.
Se queremos ser pais mais calmos, mais conscientes, mais disponíveis emocionalmente, com mais paciência, darmos passos pequenos, gerirmos e transformarmos os nossos sentimentos é o caminho a seguir.

E isso passa por uma transformação interior profunda, que implica reflexão e acção. Uma transformação que vale a pena.

Este pode ser um processo curto ou longo. Depende de si e só de si. Mesmo que sinta que depende de factores exteriores. Não depende. Depende apenas de si. Agora. Pode começar agora mesmo.

E neste novo caminho, viva um dia, um momento de cada vez. Um passo de cada vez. Depois tente no dia seguinte, no momento seguinte. E depois no outro e no outro e no outro.
Eu garanto-lhe que vai conseguir.
Que todos os seus sonhos se concretizem.

imagem@gruposanremo

Os estudos constatam que se os nossos filhos não receberem atenção positiva quando se portam bem, vão fazer os possíveis para atrair atenção negativa, portando-se mal. E este é o princípio básico na origem de muitos problemas de comportamento, que levam os Pais a procurar ajuda especializada.

Ora vejamos: o que é que costuma fazer quando a sua criança adota o comportamento adequado ou esperado? Ou, o que é que acontece quando o/a seu/sua filho/a está sossegado/a a brincar?

Bom, o que muitas vezes acontece é que deixamos passar em branco o seu bom comportamento, desperdiçando a oportunidade de o reforçarmos positivamente e de lhe darmos atenção positiva. Agindo desta forma, a mensagem que estamos a passar à criança é que não compensa ela pendurar o seu casaco, pôr a mesa corretamente ou brincar tranquilamente, pois quando assim acontece não é presenteada com nenhum tipo de atenção ou reconhecimento por parte das pessoas mais importantes para si – os seus Pais. Atenção que, por outro lado, lhe é dada a rodos se ela fizer ou disser alguma coisa errada. Aí sim, será contemplada com um valente ralhete, juntamente com umas palavrinhas menos boas ou, até mesmo, com um pequeno “enxota moscas”.

E o que é que vai acontecer, se não começarmos a fazer diferente? Primeiro a criança aprende que é muito mais fácil conseguir a atenção das pessoas, especialmente dos Pais, se fizer alguma coisa errada. Porque quando faz bem, ninguém lhe liga. Depois, e uma vez que só lhe dão atenção quando ela falha ou erra, a sua auto estima ficará fortemente afetada, levando a que esta se foque muito mais nas suas características negativas do que nas positivas (tal como os outros lhe ensinaram a fazer).

Um dos princípios do exercício de uma parentalidade positiva passa, precisamente, por inundarmos as nossas crianças de atenção positiva (na forma de afeto, no tempo de qualidade que passamos com elas, elogiando-as quando elas adotam o comportamento adequado ou manifestando a nossa satisfação pelos seus feitos e conquitas), diminuindo ao máximo a sua exposição à nossa atenção negativa (com reprimendas ou críticas, ralhetes, gritos, castigos e até bater), fortalecendo, assim, a relação.

Por Manuela Silveira, publicado originalmente em Peças de Família
autorizado para Up To Kids®

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Todos temos dias – e momentos – mais difíceis.

E termos a capacidade e a coragem suficiente para reconhecer as nossas próprias falhas é um dos desafios mais difíceis nesses em momentos.

Nós sabemos como funciona a paciência, a empatia – aliás quando estamos calmos, tranquilos e relaxados respondemos aos nossos filhos num tom correspondente. Mas há momentos em que parece que não conseguimos encontrar na nossa caixa interna de velocidades maneira de reduzir para uma mudança mais baixa. E numa fracção de segundo… excedemo-nos, erramos. Numa fracção de segundos – que é tudo o que é necessário – podemos provocar uma pequena – ou grande – fractura na relação com os nossos filhos. E pior, na sua estrutura emocional.

Aceitarmos que também cometemos erros – e muitos! – é uma das capacidades que melhor deve definir os pais.

Um pedido de desculpas é um dos actos mais nobres de um pai ou de uma mãe. Porque requer humildade, requer reconhecimento de que também se erra. Pedir desculpa aos filhos deve ser uma questão de honra.

É fundamental para a construção emocional dos filhos que os pais reconheçam quando reagem de forma excessiva. Devem arrepender-se das suas acções menos correctas e não ver qualquer tipo de ameaça em pedir aos seus filhos que os perdoem.

Pedir desculpa é um sinal de força, não um sinal de fraqueza. Pedir desculpa deve ser um acto cuidadoso e atento, quando os pais ferem os filhos de alguma forma. Porque todos cometemos erros, muitos deles sem nos darmos conta, não é verdade?

Saber pedir desculpa, dar esse exemplo, vai ensinar-lhes muito sobre a vida. Sobre o amor.

E não se trata de um pedido de desculpas seguido por uma justificação da acção. Mas um pedido profundamente honesto, sincero sem desculpas associadas. É assim que deve ser um verdadeiro pedido de desculpas para que seja válido.

“Desculpa se te magoei” ou “desculpa se feri os teus sentimentos” seguido de nada mais do que silêncio da nossa parte.

E depois de pedirmos desculpas, sabermos deixar os nossos filhos terem o tempo que eles precisam para aceitar as nossas desculpas.

Para quê ter medo que as crianças possam ficar mimadas ou estragadas ou que nos desrespeitem porque lhes pedimos desculpas? Antes pelo contrário. Vão respeitar-nos mais. Admirar-nos mais. O que estraga uma criança, o seu interior afectivo ou o que faz com que ela nos desrespeite são questões que se prendem com a carência emocional e com outros factores de desconexão parental ou relacional. Nunca com momentos de conexão, de compreensão ou de amor. E pedir desculpas aos nossos filhos é, sem dúvida, um acto de amor.

E porque é que nos custa tanto pedir desculpa aos nossos filhos?

Os pais que sabem pedir desculpa aos seus filhos sabem que eles vão crescer aprendendo a ser responsáveis pelas suas próprias acções. Vão aprender a humildade, a consciência, a empatia.

Desculpando-nos aos nossos filhos ajuda-os a perceber que não somos perfeitos. E isso ajuda os nossos filhos a entender que eles próprios não têm que ser perfeitos.

Desculparmo-nos perante os nossos filhos ensina-os a regular as suas próprias emoções, ensina-os a respeitarem-se a si próprios e, por consequência, a respeitarem os sentimentos dos outros. Pedirmos desculpa aos nossos filhos é mostrarmos-lhes que os amamos.

No entanto, muito mais do que isso, pedir desculpa permite que os nossos filhos percebam que estamos a escolher ser melhores pais, melhores pessoas a cada dia. E faz-nos a nós tornarmo-nos mais conscientes disso, também.

Quando estamos a trabalhar as nossas próprias emoções, modelamos para os nossos filhos um caminho para eles aprenderem a trabalhar os seus próprios sentimentos e reacções.

Os pais que têm melhores relações com os seus filhos são, sem dúvida os pais mais felizes e realizados. Numa casa cheia de empatia e compreensão, há maior cooperação e entendimento, há maior aceitação e felicidade.

Claro que um pedido de desculpas não apaga o que já está feito e não pode ser pretexto para um comportamento desnecessário ou excessivo com os nossos filhos. Precisamos de desenraizar a ideia de que somos donos e senhores dos nossos filhos e por isso, podemos fazer o que quisermos, falar como quisermos.

Se queremos ser pais mais felizes e que os nossos filhos cresçam mais felizes, temos de saber reconhecer que cada pequena acção, reacção ou palavra pode permanecer para sempre gravados nas gavetas da memória. Gravados no núcleo profundo do seu espírito emocional. E ele irá manifestar-se eventualmente. Imediatamente ou só mais tarde. Inevitavelmente. De uma forma ou de outra.

Há, infelizmente, muitas pessoas que passam a sua vida adulta a tentar curar as mágoas do passado. Eu li algures que, infelizmente, muitos adultos, mesmo sem estarem cientes disso, vingam a sua própria infância nos seus filhos. Pode parecer mórbido, mas é cheio de lógica e sentido. Eu podia escrever muitos artigos e livros só acerca deste assunto.

Talvez a sua infância não tenha sido fácil. Provavelmente não foi. E essa é mais uma razão pela qual estas palavras sejam para si.
Para ajudar a entender que o caminho que está a escolher diariamente, mesmo que inconscientemente, com seus filhos, é um resultado de seu próprio passado. A nossa resposta ao comportamento de uma pessoa ou a uma situação é activado pelas nossas próprias emoções, pelos nossos próprios sentimentos. As nossas respostas são movidas pelo nosso próprio diálogo interno e pelas experiências contínuas, repetidas que testemunhamos e registamos ao longo da nossa vida.

Devemos ficar muito atentos para não descarregar as desgraças do nosso mais profundo eu, as frustrações do nosso dia-a- dia nos nossos próprios filhos. E nunca é demais frisar isto. A nossa jornada é a nossa jornada. E ninguém é responsável por transformá-la a não sermos nós mesmos.

Temos de saber pedir desculpas sempre que ferirmos os sentimentos dos nossos filhos de alguma forma. Sabemos bem ver nos seus olhos quando isso acontece.

As crianças são pessoas, seres humanos, antes de serem crianças. E muito antes de serem nossos filhos.  

Temos de aprender a respirar e a escolher a mudança abaixo na nossa caixa de velocidades. Temos de saber ignorar certas situações, levar outras para a brincadeira, ou pedir calmamente uma pausa, caso seja necessário. Não podemos culpar os nossos filhos quando somos nós que chegamos maçados do emprego ou estamos cansados e reagimos impacientemente com eles. Quando somos nós que passamos das marcas. Simplesmente não é assim que funciona. Nós é que somos os adultos. Não somos perfeitos mas temos de ser nós a saber regular as situações. A saber gerir as nossas emoções. Pode não ser fácil quando estamos mais cansados ou irritados, mas se nos treinarmos a fazê-lo, os resultados são espantosos e surpreendentes.

Os pais felizes vibram numa dimensão extraordinária, olhando para os seus filhos com empatia e conexão, tirando experiências e benefícios a partir de tudo o que aprendem com eles. E levam essas experiências e benefícios para o mundo lá fora, para as suas vidas diárias.

Nos seus momentos mais difíceis, lembre-se sempre de parar, respirar e perguntar-se: O que faria o amor?

 

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