Não receie esta palavra. Quando devidamente utilizada saber dizer NÃO é um ato de carinho, de amor e de segurança.

A criança precisa de regras para viver em sociedade, precisa perceber o que pode e não pode e nem sempre o que ela quer é o melhor para ela.

O problema surge quando a famosa palavrinha é utilizada como arma em vez de ser utilizada como instrumento para regular comportamentos. Imagine que chega a casa, o seu filho está mesmo contente por o ver, nesse instante você atende o telefone e ele não para de andar à sua volta, começa por brincar e depois pede para comer chocolates, você diz-lhe duas vezes que NÃO mas ele pede mais alto, grita e você acaba por aceitar. Precisa mesmo conseguir acabar o tal telefonema e esta é, sem dúvida, a forma mais fácil, mais imediata. Ele, contente com a sua conquista, entretém-se a comer chocolates enquanto você continua a falar ao telefone. O telefonema acaba e a espectativa de brincarem juntos por 15 minutos termina em desilusão, ainda assim o seu filho vai para o banho sem grande resistência, veste o pijama e quando chega a hora de jantar instala-se a confusão: ele recusa-se a comer, diz que não tem fome, você diz-lhe que então ele NÃO vê televisão durante os próximos dias.

Quem pode recriminar?

Sabemos que a sociedade não pára e tantas e tantas vezes não conseguimos acompanhar os filhos como queremos, pois estamos numa espiral alucinante. Mas, a verdade, é que a famosa palavrinha tornou-se, nesse caso, realmente um inimigo a combater. Imagine que voltava o filme atrás e que dizia firmemente a famosa palavrinha em duas situações: “NÃO posso falar agora ao telefone porque acabei de entrar em casa!“NÃO podes comer os chocolates porque vamos jantar dentro em pouco!

NÃO posso falar agora ao telefone” – sei que é uma medida impopular, achamos que temos mesmo que falar, no seu caso seria impossível não o fazer, mas será que seria mesmo? Terá escassas situações por semana em que isso é mesmo assim e todas as outras, não podem esperar uma hora, ou umas horas?

NÃO podes comer os chocolates” – este NÃO tem que ser mantido, se ceder está a garantir que vai gastar muito tempo nesta guerra, está a ensinar o seu filho que gritando e levando o outro ao desespero se consegue o que quer. É essa a mensagem que quer passar?

Aceite o CONSELHO DA SEMANA e seja um aliado do NÃO, diga-o com convicção, escolhendo as alturas certas para o fazer. Tips For Parents.

 

 

 

O pai que cuida, que acalma o bebé quando está a chorar, que o embala ao colo, que troca as fraldas e que lhe ensina as primeiras palavras não está a “ajudar” a mãe, está a exercer o papel mais maravilhoso e responsável de sua vida: o da paternidade. Quando nos perguntam se o pai “ajuda”, é uma armadilha da linguagem em que muitas vezes caímos e que é necessário transformar.

Nos dias de hoje, e para a nossa surpresa, continuamos a ouvir muitas pessoas a dizer a clássica frase “o meu marido/namorado ajuda com as tarefas de casa” ou “eu ajudo a minha mulher a cuidar das crianças”É como se as tarefas e as responsabilidades de uma casa e de uma família tivessem património, uma característica associada ao género e que ainda não evoluiu nada nos nossos padrões de pensamento.

A figura do pai é tão relevante quanto a da mãe na criação dos filhosNo entanto, é natural que o primeiro vínculo de apego do recém-nascido durante os primeiros meses de vida se centra na figura materna. Atualmente a clássica imagem do progenitor cujo foco é a férrea autoridade e o sustento básico do lar deixou de ser sustentável e deve ser restituída.

É preciso acabar com o sistema patriarcal ultrapassado em que as tarefas são sexualizadas em cor-de-rosa ou azul para provocar mudanças reais na nossa sociedade. Para isso, devemos semear a mudança no âmbito privado das nossas casas e, acima de tudo, na forma como nos expressamos.

O pai não “ajuda”, o pai não é alguém que vai lá a casa e facilita o trabalho da mãe  de vez em quando. Um pai é alguém que sabe estar presente, que ama, que cuida e que se responsabiliza por aquilo que dá sentido à sua vida: a sua família.

O cérebro dos homens durante a criação dos filhos

É sabido que o cérebro das mães passa por várias alterações durante a criação de um bebé. A própria gravidez, a amamentação, e a tarefa de cuidar da criança todos os dias favorecem uma reestruturação cerebral com fins adaptativos. É algo impressionante. Além de a oxitocina aumentar, as sinapses neuronais mudam para aumentar a sensibilidade e a percepção para que a mulher possa reconhecer o estado emocional de seu bebé.

Mas o que é que acontece com o pai? Será que é um mero espectador biologicamente imune a este acontecimento? Claro que não. O cérebro dos homens também muda, e fá-lo de uma forma simplesmente espetacular. Segundo um estudo realizado pelo “Centro de Ciências do Cérebro Gonda da Universidade de Bar-Ilan”, se um homem exerce um papel primário ao cuidar do seu bebé, experimenta a mesma mudança neuronal que uma mulher.

Através de várias imagens do cérebro, retiradas em estudos realizados tanto em pais heterossexuais como homossexuais, foi possível ver que a atividade das amígdalas cerebrais era 5 vezes mais intensa do que o normal. Esta estrutura está relacionada com a advertência do perigo e com uma maior sensibilidade ao mundo emocional dos bebés.

Assim, surpreendentemente, o nível de oxitocina secretada por um homem que exerce o papel de cuidador primário é igual ao de uma mulher que também cumpre seu papel como mãe. Tudo isso nos revela algo que já sabíamos: um pai pode relacionar-se com os filhos no mesmo nível emocional que a mãe.

A paternidade e a maternidade responsável

Existem pais que não sabem estar presentes. Existem mães tóxicas, pais maravilhosos que criam seus filhos sozinhos, e mães extraordinárias que deixam marcas inesquecíveis no coração de seus filhos. Criar um filho é um desafio e pêras, algo para o qual nem todos estão preparados e que muitos outros enfrentam como o desafio mais enriquecedor das suas vidas.

A boa paternidade e a boa maternidade não têm a ver com géneros, mas com pessoas. Além disso, cada parceiro tem consciência das suas próprias necessidades e irá realizar as suas tarefas de criação e atenção com base nas suas características. Ou seja, são os próprios membros do casal que estabelecem a partilha e as responsabilidades do lar com base na disponibilidade de cada um.

Chegar a acordos, ser cúmplices uns do outro e deixar claro que o cuidado dos filhos é responsabilidade mútua e não exclusividade de um só irá criar uma harmonia que promoverá a felicidade da criança, pois terá acima de tudo um ótimo exemplo.

Da mesma forma, e além dos grandes esforços que cada família realiza, é necessário que a sociedade também seja sensível a este tipo de linguagem que alimenta os rótulos sexistas e os estereótipos.

As mães que continuam com a sua carreira profissional e que lutam para ter uma posição na sociedade não são “más mães”, e nem estão a deixar de cuidar dos seus filhos. Por outro lado, os pais que dão biberons, que procuram remédios para as cólicas dos seus bebés, que vão comprar fraldas ou que dão banho às crianças todas as noites não estão a ajudar: estão a exercer sua paternidade.

Por Valeria Amado, em A mente é maravilhosa, adaptado por Up To Kids®

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As birras fazem parte do crescimento, hão-de existir  sempre.

Não havendo uma fórmula para as evitar na totalidade, há formas de lidar com as crianças. Ensinando-as a gerir melhor as emoções conseguem  acalmar as suas próprias ansiedades.

Ficam três dicas simples que o vão ajudar:

  1. Antecipar

Antecipar alguns momentos do dia-a-dia é fundamental para que tudo aconteça duma forma mais tranquila. Se vai a casa dos avós e tem de sair mais cedo explique-lhe o que vai acontecer de preferência antes de sair de casa. Planeie o dia para que o seu filho não seja apanhado de surpresa. Quanto mais as crianças tiverem o seu dia planeado, também elas gerem melhor o que sentem. Caso contrário, vai estar a brincar com os primos e, de repente, os pais dizem: “vamos embora”. Para a criança é um atentado à diversão e gera-se um problema. No entanto, se já estiver preparada irá lidar melhor com o que sente e mesmo que faça uma birra, não sente que foi uma traição dos pais.

  1. Olhos nos olhos

Quanto tempo consegue falar com o seu filho a olha-lo nos olhos? Sem as distrações do telemóvel, da televisão, da máquina da roupa ou o jantar para fazer? Criar o hábito de ter um espaço de conversa com o seu filho vai dar-vos uma oportunidade de se conhecerem melhor, de partilharem o que pensam e sentem e, acima de tudo, vai passar a mensagem ao seu filho de que se preocupa com ele. Quanto mais cedo na relação houver este espaço mais fácil será a comunicação entre os dois. Se a criança for muito pequena, esta conversa pode ser uma brincadeira com um simples brinquedo, de forma a que a atenção não seja exclusiva para o brinquedo mas sim para a relação entre os dois.

  1. Atenção

Se o seu filho está a fazer uma birra porque quer um brinquedo, uma ida ao parque ou a casa dos avós, está a exigir atenção. A melhor forma de o fazer entender que não é possível satisfazer o seu desejo nessa altura é baixar-se, colocar-se ao nível dele, olhá-lo nos olhos e falar com um tom de voz calmo.

Lembre-se que se responde com frustração ou impaciência vai gerar ainda mais frustração. O que o seu filho lhe está a dizer é “nunca olhas para mim, nunca queres saber de mim, só fazes o que tu queres”. Mantenha-se calmo e devolva-lhe aquilo que ele sente. “Eu sei que estás chateado comigo porque queres ir ao parque, mas neste momento não vai ser mesmo possível porque tens de ir tomar banho e jantar”.

Não prometa ir no dia seguinte porque os imprevistos acontecem e as crianças não se esquecem do que lhes foi prometido.

Este tema surge muitas vezes nas sessões de psicologia com os pais. As birras são uma situação recorrente nas famílias e de difíceis contornos quando já está instalada. Isto provoca um desgaste emocional muito grande para todos. As birras são naturais, a não ser que se tornem muito repetitivas e persistentes. Nesse caso poderão ser um sintoma de que algo está a correr menos bem.

O mais importante é apostar na relação de confiança e partilha. Garantir que os pais são o adulto na relação (muitos pais acabam por ceder às birras cabendo no fim o poder de decisão à criança), ter calma suficiente para lidar com os imprevistos, e incluir o seu filho nos planos preparando-o para a dinâmica dos vossos dias.

 

 

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As mães boazinhas ao criar filhos relaxados tornam-se incubadoras de adultos desleixados. 

O que é mais importante para uma mãe: manter a casa em ordem ou deixar os filhos à vontade, sem disciplina, e sem ordem? A resposta adequada seria: manter a casa em ordem e esperar que os filhos fiquem à vontade mantendo a disciplina e a ordem. Basta que sejam educados para isso.

O que é mais importante para uma mulher: um marido satisfeito, feliz e relaxado, à custa de cuecas atiradas para o chão e toalhas molhadas em cima da cama, ou um parceiro ordeiro e colaborativo? A resposta adequada  seria: um marido feliz, satisfeito, ordeiro e colaborativo que ajude a manter a casa longe do caos.

A verdade é que há situações que não se excluem, aliás, complementam-se.

Os filhos e os maridos  devem colaborar com a mínima ordem sob pena de se tornarem abusivos fora do convívio familiar. Não há felicidade na desordem. Não pode haver tolerância com a desordem organizada sistematicamente como se a desordem fosse a ordem.

Uma criança que cresce sem envolvimento com a ordem vai aprender a envolver-se com a desordem. Um adulto que em criança não se habituou a arrumar os brinquedos que usou, terá grandes possibilidades de vir a ser  pouco colaborativo, do género de se levantar da mesa sem ajudar a levantar os pratos e nem pensar em fazer a sua cama.

Não é de nenhum tratado filosófico que retirei essas conclusões; é da vida, da experiência, da análise prática.

Todas as crianças que são deixadas sem a disciplina da ordem criam uma desordem amplificada depois de adultos. As casas que habitam são uma confusão. As tarefas que deviam ser resolvidas diariamente passam a ser desempenhadas em prazos dilatados por semanas, meses, e anos. A louça é lavada quando não há lugar na bancada. As roupas vão para a máquina, quando o último par de cuecas vai para o corpo. Tudo é abusivamente acumulado.

Não há regras que possam valer para quem foi criado sem regras.

Há nos desordeiros domésticos uma forte tendência para se tornarem acumuladores, ou seja, guardarem todo tipo de lixo dentro e fora de casa. Começam por não catalogar objetos que, sem lugar definido, se misturam nas mais diversas categorias. Livros no chão fazem companhia a chinelos perdidos, documentos espalhados, almofadas abandonadas pelo caminho. As mais variadas coisas e “coisinhas” cujo destino é incerto, juntam-se às coisas maiores que se acumulam no chão, nas mesas, nas camas.

A Teoria do Caos prevê a grosso modo que, se uma casa for deixada limpa, arejada, arrumada, com todos os objetos nos seus devidos lugares, ao fim de um tempo relativamente curto o abandono se encarrega-se de instalar o caos.

Ou seja, todas as forças do Universo trabalham a favor do caos.

Não é preciso que façamos alguma coisa para que o caos se instale. Basta que não fazermos nada.

O pó rapidamente se depoisita sobre as superfícies em camadas sedimentadas (eu sei que vocês sabem disto), as aranhas fazem teias, o mofo expande-se nas áreas que guardam algum vestígio de humidade e tudo, absolutamente tudo, entrará em processo de desintegração e morte.

A vida pede a nossa colaboração para que o universo se mantenha em cadência de ritmo, harmonia, e perfeita intencionalidade da ordem.

Há mães que parecem ignorar esta necessidade e não inserem os filhos na cadeia da ordem. Deixam que se juntem à cadeia da desordem.

É a pior coisa que uma mãe pode fazer.

As mães boazinhas ao criar filhos relaxados tornam-se incubadoras de adultos desleixados. As mães muito boazinhas, inconscientemente, esperam que os seus filhos as amem mais, por isso e, no devido tempo, cobrarão que esse “amor” lhes seja devolvido.

Mães muito boazinhas são um problema existencial  quando os filhos crescem. Queixam-se constantemente e alegam quão boas foram para os seus filhos, e exatamente por terem criado filhos irresponsáveis, desleixados e relaxados,  não receberão de volta nem o amor nem a ordem minimamente necessária, que a última etapa de vida pede, para que se morra em paz.

Há dias  fui testemunha de um facto bastante humano e convincente: Quando se deparou com um quarto de pantanas,  a mãe o mandou o filho tomar banho e enquanto ele tomava o banho, confiscou-lhe o Ipad.

Ao sair, o filho perguntou:
– A mãe mexeu no meu Ipad?
– Sim. O Ipad só volta  quando o teu quarto estiver tão organizado como estava de manhã.”

Assim aconteceu por dois dias. Não foi preciso mais do que dois dias para que o hábito se instalasse.

Havia três hipóteses: arrumar o quarto enquanto o filho tomava banho; pedir-lhe que o arrumasse e andar todos os dias em cima dele elevando a voz cada vez mais;  exercer autoridade acompanhada da remoção de um privilégio que o filho dava valor: o Ipad.

Penso que esta mãe fez uma ótima escolha.

Então, é isto: mães eduquem os vossos filhos para a manutenção da ordem. É um benefício que irá fazer grande diferença (gigante) na vida adulta e que  é tão importante que até o ar, o céu, o sol, o mar, as árvores, as plantas, os rios, os peixes, os animais, os homens de boa vontade, a Terra, e o Universo agradecem.

Por Ana Maria Ribas Bernardelli para Contioutra, adaptado por Up To Kids®

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Estudo garante que focarmo-nos apenas na inteligência pode deixar as crianças desmotivadas, e ao valorizar a persistência estamos a criar empreendedores.

Existe uma tendência a associarmos, inconscientemente,o sucesso profissional e académico à inteligência de cada individuo.

Pessoas que possuem algum dom ou talento especial irão destacar-se tanto na vida académica como na profissional. Certo? Errado! A psicóloga e investigadora da Universidade de Stanford, Carol Dweck, que estuda motivação e perseverança desde os anos 60, garante que focarmo-nos apenas na inteligência e no talento pode deixar as crianças desmotivadas e com medo de aprender, enquanto que valorizar o progresso e a persistência irá produzir grandes lutadores e empreendedores.

ESTUDO:
Durante dois anos, os investigadores visitaram cinquenta e três famílias para registrar suas rotinas. As crianças tinham 2 a 3 anos de idade no início do estudo. Os investigadores, então, observaram e registaram como os diferentes pais elogiavam as suas crianças: uns enalteciam o esforço, outros os traços de caráter e outros elogiavam de forma neutra com palavras como “Que bom!”, “Uau!”, “Muito bem”.

Depois de cinco anos estas mesmas crianças foram entrevistadas, agora com 7-8 anos de idade.

CONCLUSÃO:
As crianças que tinham ouvido mais elogios pela sua persistência eram as mais interessadas em desafios. Para os perseverantes o foco do trabalho é encontrar os erros cometidos ao longo do processo e tentar corrigi-los para avançar.

Como podemos ajudar nossos filhos a desenvolver a capacidade e a vontade de se esforçarem?

  • Fique atento ao tipo de elogios que faz aos seus filhos. Em vez de enaltecer apenas os resultados, elogie o processo para chegar ao resultado. “Que bom teres tentado diferentes estratégias para conseguir resolver isso”, ” Eu vi que não desististe mesmo sendo uma tarefa tão difícil .” “Parabéns pela nota do teste, compensou o esforço!”
  • Estimule os seus filhos para a curiosidade e para o gosto em aprender – o termo em inglês usado por Dweck é “growth mindset”. Se as crianças acreditarem que o sucesso é resultado direto do quanto são (ou não) inteligentes, a motivação diminui: já que o sucesso está “predestinado” para que tentar?
  • Errar é humano e faz parte da aprendizagem. Não deixe que os seus filhos acreditem que falhar é algo horrível. Pelo contrário, mostre-lhes que o erro é apenas um desafio a ser superado. Não há razão para ter vergonha de errar ou falhar, se o erro nos fará progredir. Além disso, todos falhamos, temos dúvidas ou nos sentimos fragilizados em determinados momentos da vida – temos que ensinar os nossos filhos a ficarem tranquilos quando esses sentimentos aparecerem, para não se tornarem crianças muito vulneráveis e frágeis.
  • Conte histórias de sucesso que enfatizem trabalho duro e o desejo de aprender. Ensine-lhe que o cérebro é uma “máquina de aprendizagem” e que quanto mais a usarmos, mais forte ele fica.

Ensine aos seus filhos que eles podem ser tão inteligentes quanto queiram.

 

Por Tudo sobre a minha mãe, adaptado por Up To Kids®

 

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Filhos perfeitos, crianças tristes: a pressão da exigência

Auto-Estima: o caminho para a felicidade!

imagem@plus.google

A infância tem o seu próprio ritmo, a sua própria forma de sentir, de ver e de pensar. A pretensão de criar os filhos segundo a nossa forma de sentir, ver ou pensar poderá vir a ser um grande erro, porque os filhos nunca serão cópias dos pais. As crianças são filhos do mundo e são feitas de sonhos, de esperança e de ilusões que constroem nas suas mentes livres e privilegiadas.

Há uns meses atrás saiu uma notícia que nos abalou e nos convida a refletir. No Reino Unido muitas famílias preparam as suas crianças de 5 anos para que com 6 anos possam fazer um teste de seleção que lhes permita acessar às melhores escolas de uma elite. Um suposto “futuro promissor” anda agora de mãos dadas com a perda da infância. Transformando em “concorrentes” crianças que deveriam estar a brincar.

Atualmente muitas mães e pais continuam com a ideia de acelerar a aquisição de competências dos seus filhos, de estimulá-los cognitivamente, de ouvir Mozart enquanto ainda estão na barriga da mãe. É possível que essa vontade de criar crianças aptas para o mundo esteja a formar crianças inaptas emocionalmente. Miúdos que com apenas 5 ou 6 anos já sabem o que é o stress, a ansiedade, e o medo de falhar.

É um peso muito grande para crianças tão pequenas, não acha?

Os nossos filhos e o retorno da exigência a longo prazo

Todos sabemos que nestas sociedades mutantes e competitivas é necessário que existam pessoas, acima de tudo, capazes de se adaptarem a este nível de exigências. Também não há dúvidas de que as crianças britânicas que conseguirem entrar nas melhores escolas de elite terão, no dia de amanhã, um bom emprego. No entanto, fica a questão:

Valerá a pena o preço emocional a pagar? Perder a sua infância? Seguir as orientações que os  pais programaram para eles desde os 5 anos de idade?

É de realçar que, até agora, não existem pesquisas conclusivas que sustentem a ideia de que forçar a aquisição de determinadas competências, como a leitura em crianças de 4 anos, seja positivo nem que isso repercuta a longo prazo no seu desempenho académico.

O que se consegue em muitos casos é que os miúdos comecem a conhecer dimensões como a frustração, o stress e principalmente, ter que se adequar às expectativas elevadas criadas pelos pais.

As crianças são feitas de sonhos e é preciso tratá-las com cuidado.

Se enquanto pais nos encarregamos de preparar os nossos filhos para um mundo tão competitivo que aos cinco anos exigimos que trabalhem para desenvolver competências académicas, então estamos a cortar-lhes as asas. Asas essas que, possivelmente, iam ajuda-los a conquistar os seus sonhos no futuro.

As crianças precisam de trabalhar as competências através da arte, da música, de brincadeiras espontâneas, da experimentação, das histórias contadas, das quedas da bicicleta, e acima de tudo através do amor da paciência e do apoio incondicional dos pais.

A parentalidade que respeita os tempos, ritmos e os sonhos da criança

Em vez de se tentar acelerar o desenvolvimento da criança, os pais deveriam optar pelo método da aproximação. Ou seja, facilitar o acesso às coisas e aos objectos, como por exemplo, aproximar os livros das crianças de 3 ou 5 anos sem obrigá-las a ler ou a iniciar a aprendizagem.

A curiosidade é o maior impulsionador do cérebro infantil, por isso recomenda-se que pais, mães e educadores uncionem como facilitadores da aprendizagem e não com agentes de pressão.

Preocupados com esta tendência de acelerar o desenvolvimento da criança, muitos pais e educadores começaram a procurar e a desenvolver abordagens que respeitem os ciclos naturais da criança, como por exemplo, “Parentalidade consciente” ou o “Slow Parenting”.

Slow parenting

O “Slow Parenting”, ou “Pais sem pressa”, é o fiel reflexo dessa corrente social e filosófica que nos convida a ir mais devagar, a ser mais conscientes do nosso meio. Por isso, no que se refere à criação, propõe-se um modelo mais simplificado e paciente, com o qual respeitar os ritmos da criança em cada etapa evolutiva.

Os eixos básicos que definem o Slow parenting são os seguintes:

  • A necessidade básica de uma criança é brincar e descobrir o mundo.
  • Não somos os “amigos” dos nossos filhos, somos os pais e temos de assumir esse papel. O nosso dever é amá-los, guiá-los, ser o seu exemplo e facilitar a sua maturidade sem pressões.
  • Lembre-se sempre de que “menos é mais”.Que a criatividade é a alma das crianças, que um lápis, um papel e um relvado têm mais poder que um telefone ou um computador.
  • Passar tempo com os filhos em espaços tranquilos.

Parentalidade consciente

Apesar de ser uma abordagem que valoriza o uso do estímulos positivos em vez do castigo ou das clássicas repreensões, este estilo educacional possui outras dimensões que vale a pena considerar.

  • Educar sem gritar.
  • O uso das recompensas nem sempre é adequado: corremos o risco dos nossos filhos se habituarem a receber sempre recompensas, sem compreender o benefício intrínseco do esforço, da conquista pessoal.
  • Dizer “não” e impor limites não traumatiza e é necessário.
  • A parentalidade consciente faz uso intenso da comunicação, da escuta e da paciência. Uma criança que se sente atendida e valorizada é alguém que se sente livre para conversar sobre estes sonhos da infância e lhes dar forma na maturidade.

Respeitemos a sua infância, respeitemos essa etapa que oferece raízes às suas esperanças e dará asas às suas expectativas.

 

Por Valéria Amado, em A mente é maravilhosa, adaptado por Up To Kids®

 

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Importância do pai no desenvolvimento da criança

Ao longo do tempo, e de uma forma discreta, o papel da figura paterna tem vindo a passar por importantes transformações, acompanhando o desenvolvimento cultural e social. Cada vez mais se torna evidente a sua grande importância na estruturação psíquica e no desenvolvimento social emocional e cognitivo da criança.

A condição de pai evoluiu, e continua em processo de evolução, deixando cada vez mais este de ser visto apenas como suporte financeiro da família e mentor das grandes decisões. Num passado não tão longínquo assim, a função do pai focava-se essencialmente nas questões educativas e de disciplina, tendo por base um modelo frequentemente rígido e repressivo. A interacção entre pai-filho/filha, na maioria das famílias revelava-se parca em termos afetivos, particularmente nos primeiros anos de vida. Ao longo dos últimos anos o pai foi-se tornando mais participativo e emocionalmente presente na vida da criança. O número cada vez maior de mulheres no mercado de trabalho, que conquistam desta forma a sua independência, teve uma grande influência nesta importante transformação do núcleo e organização das famílias que trás, por sua vez, significativas mudanças nas relações entre homens e mulheres, assim como nos papeis parentais.

O pai e a função paterna:

O papel do pai (ou seu representante) e da função paterna no desenvolvimento da criança, quer a nível cognitivo, facilitando a capacidade de aprender, quer a nível emocional e relacional, torna-se, assim, cada vez mais evidente. As representações que um adulto possui da relação com o seu pai, desde os tempos mais precoces, ou seja, desde bebé, refletem-se na forma como este se vê, se sente e se vai relacionar com os outros.

Nos primeiros meses o pai desempenha um importante papel de suporte e reforço da díade mãe-bebé. É fundamental a sua presença no apoio e segurança emocional que proporciona e que será, inevitavelmente, sentido e reconhecido pelo bebé. Actualmente estão ainda a surgir evidências de que a interacção precoce do pai com a criança, inclusive desde o momento do nascimento, parece promover o interesse e o envolvimento de ambos nas seguintes etapas da sua vida. Posteriormente a presença do pai vai permitindo trazer e ensaiar a questão de um terceiro na relação entre a criança e a mãe, alguém que vai interferir, que vai mostrar que se pode estar a três tranquilamente, permitindo ir elaborando e transformando o medo da perda, da rejeição e da exclusão. Ao mesmo tempo que o pai abre esta possibilidade, base de um desenvolvimento social e relacional adequado, a valorização que faz da criança será fundamental para a imagem que esta terá de si própria no futuro. Um pai que investe, valoriza, está presente e se mostra disponível afectivamente está a proporcionar a construção de uma boa auto-estima e de uma personalidade mais flexível e segura. Por outro lado o pai também representa a regra, a firmeza. É necessário que seja sentido como forte, um bom exemplo de autoridade, mas também tolerante, flexível e compreensivo. Desta forma a criança interiorizará com mais facilidade a diferença entre o que deve ou não fazer, assim como o modo de agir consigo perante o erro, a infracção e a falha. Pais muito autoritários, inflexíveis e agressivos poderão estar na base de crianças que desenvolvam comportamentos desviantes (como forma de protesto ou desafio à autoridade) ou, pelo contrário, crianças muito auto-críticas, que se castigam e desvalorizam constantemente, o que terá efeitos devastadores para a sua auto-estima.

A identificação da criança com o universo do seu pai dá-se por meio da experiência da interação, quando ele aparece como interdito na relação entre mãe-filho/filha e a sua presença marca, simbolicamente, a dinâmica de rompimento necessária na infância. A presença do pai poderá facilitar, ou dificultar se não for adequada, à criança a passagem do mundo da família para o da sociedade. A ausência ou desinvestimento paterno tem potencial para gerar conflitos no desenvolvimento psicológico e cognitivo da criança, bem como influenciar o desenvolvimento de distúrbios de comportamento.

O vazio promovido pela ausência do pai, ou pelo seu desinvestimento na criança, é formado pela fantasia que esta faz (perante a sua falta) de não ser verdadeiramente amada ou ter suficiente valor para ser desejada, porque se o fosse o seu pai mostrar-se-ia presente e interessado. Esta fantasia infantil, para além de promover a auto-desvalorização, promove ainda sentimentos de culpa na criança por esta acreditar que se o pai não aparece, não existe ou não a procura é porque ela é má, não merecedora de “coisas” boas. Como se o pai refletisse uma parte do valor da criança, fosse o “medidor” desse valor. Um valor que ela tanto procura para se poder ver e sentir a si própria.

Eu quero ser como o meu pai…”  frase tantas vezes dita pelos meninos significa, eu quero sentir-me amado, valorizado, gostado pelo meu pai para poder também vir a gostar de mim. Quero poder identificar-me com ele e ver que tipo de homem poderei vir a ser. Não será estranho que as meninas queiram ser as princesas do seu pai, base de uma dinâmica um pouco diferente mas que na sua base tem um significado idêntico, eu quero ser desejada, amada, valorizada pelo meu pai para poder gostar de mim própria e ter desta forma uma ideia como vou ou não permitir que os outros homens me tratem no futuro.

As implicações da representação da figura paterna são inúmeras, complexas e importantíssimas na vida emocional da criança, menino ou menina. A par do indispensável papel da mãe, o pai  é um pilar fundamental no desenvolvimento de qualquer criança. O crescimento ao lado de pais afetivos, firmes mas que mostram apoio incondicional, conforto, proteção e tolerância permite desenvolver estruturas psíquicas mais fortes, flexíveis e seguras para enfrentar os vários obstáculos da vida, o que dá conta de uma robusta vida emocional e saúde mental.

Por Dra. Dina Cardoso

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imagem@weheartit

A personalidade toddler de um computador com vontade própria e os malabarismos circenses de uma mãe quando os filhos oferecem resistência.

Nestes últimos dias tenho tido um desafio informático daqueles. O scroll, em tudo que é programas do meu computador, está com personalidade toddler e só vai para onde ele quer ir. Eu quero ler um artigo, plim, põe tudo para cima. Quero desenhar uma ilustração, plim, desaparece a folha do ecrã. Tem sido um desafio à minha necessidade de controlar o que estou a fazer e, como o estou a fazer, para além de demorar o triplo do tempo a fazer qualquer mini tarefa.

Curiosamente, no meio de tudo isto, comecei a encontrar formas alternativas, nunca antes experimentadas, para conseguir ir trabalhando. O que me lembrou dos malabarismos circenses que faço com o pequeno catita para lhe vestir o pijama quando ele só prime a tecla “NÃO”. Se insisto no “veste” ele retribui com o “não veste”. É um jogo que pode demorar horas, criar muita tensão e minar a nossa relação. O que se passa é que o meu filho está em modo “counterwill” (em tradução livre catita está “do contra”), um conceito desenvolvido pelo Dr. Gordon Neufeld, referente à utilização de um instinto inato de reagir com resistência quando a criança se sente controlada, manipulada ou separada. Sim, mas é só um P-I-J-A-M-A. Para ela não. Para ela é um impasse que disparou o seu alarme de resistência e de auto-preservação. Quando me dizem como devo pensar sinto o mesmo alarme a disparar a altos berros.

Apesar de ser bem desafiante numa série de alturas (acho que está super ativado quando é hora de sair de casa para a escola), é muito útil; protege a criança de indicações de pessoas com quem não tem conexão (fixe quando um estranho qualquer lhe dá ordens com intenções menos positivas), ancorando o papel dos pais como cuidadores e orientadores.

O “do contra” é também importante porque ajuda a definir o “eu” da criança / adolescente como algo distinto do Outro: Estas são as minhas opiniões, os meus gostos, os meus valores, as minhas perspectivas. Vai ser fundamental para o distanciar do que não concorda e do que colide com seus valores base.

 “Ah. Pois. Mas eu tenho uma relação cheia de conexão com o meu filho e ele desafia-me até eu ficar em ponto rebuçado.”Sim, a mim também. Há dias em que os enchemos de “tens que”, “devias” sem deixar espaço para os “eu quero” deles. Essa falta de espaço para o seu “eu” se expressar origina uma onda de resistência potenciada pela imaturidade da criança. “Então faço tudo o que ele quer, não?” Nop. O desafio é manter a ligação de cuidador com a criança, enquanto contornamos o impasse da resistência, que não devemos levar de todo a peito.

A forma como o guias em plena resistência, sem atropelar o seu “eu”, vai permitir-lhe crescer sabendo como o seu “eu” é mesmo importante.

Perante uma grande resistência do teu pequenino, lembra-te de:

  • Aumentar a conexão, esta é a chave para desbloquear a resistência. Olha-o nos olhos e respira fundo para te manteres sereno.
  • Ter presente que ele não te está a desafiar só para te chatear, está com o scroll preso algures.
  • Não usar frases mandonas, nem os “se não fazes não sei o quê, já não vais não sei aonde até teres 18 anos” (consequências só lógicas, fugir das ameaças e das recompensas) só o vão deixar ainda mais resistente.
  • Dar-lhe espaço para manifestar a sua opinião e ideias. Quando são ouvidos querem ouvir.
  • Fazer um intervalo se já tiver tudo muito enrolado (podes dizer-lhe que voltas daqui a nada para falarem outra vez sobre o assunto) ajuda a baixar a resistência e, a olhar para a situação com uma nova perspectiva.
  • Atribuir responsabilidade adequada à idade (vai ajudar a criança a sentir-se útil, vista e no comando da sua vida).
  • Se correu tudo mal e acabou numa luta ninja de vontades, está tudo bem. Exprime o que sentes, rebobinem e façam restart ao computador. Às vezes é mesmo disso que estamos todos a precisar.

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imagem@mãecatita

Quando os meus filhos eram mais novos, eu questionava-me o que tinha eu feito para merecer crianças com tanta personalidade. Eu olhava para as outras famílias e os filhos eram tão fáceis de agradar e de lidar. Os meus filhos sempre foram muito vivos. Muitas vezes eram mesmo desobedientes. Testavam constantemente a minha paciência. Ou as coisas corriam à maneira deles, ou não havia maneira possível – quando obrigados, faziam birras, gritavam e esperneavam até conseguirem o que queriam. Cheguei a questionar-me se esta vontade própria toda seria genética, e a quem é que eles teriam saído?

Num domingo, à saída da missa, o meu filho Andrew de 3 anos na altura, estava particularmente agitado. Enquanto ele gritava, uma senhora mais velha veio ter comigo e disse-me: “Os seus filhos são muito queridos

Olhei para o meu filho aos gritos, e perguntei se estava a falar com a pessoa certa.

“Eles são muito destemidos, o que significa que vão alcançar muito na vida”

Eu disse-lhe que esperava que ela tivesse razão, e confiante, a senhora assegurou-me que sim.

Confesso que, o que mais me surpreendeu foi o timming dela. Todos os domingos me via com os meus filhos na missa a debater-me com o comportamento deles, semana após semana. Ela sabia que passei mais tempo de pé a tentar controlá-los do que a ouvir os sermões. Não percebi porque é que escolheu aquele momento em particular para falar comigo. O meu filho estava aos gritos, a minha paciência praticamente a explodir e foi nesse momento que a senhora me veio dizer que eles tinham um potencial imenso.

Eu sabia que esta senhora não era uma mulher qualquer. Ela tinha criado 5 filhos fantásticos. Era daquelas pessoas que falava pouco, mas quando abria a boca os restantes paravam para ouvir, porque era a personificação da sabedoria. Quem me dera ser como ela!…

E lá ficou, ao meu lado, a dizer-me que estes momentos avassaladores com os meus filhos iriam passar. Ela sabia da luta interna que eu estava a viver: sabia que me questionava se valia a pena leva-los à igreja ou sobre o que poderia fazer para os educar melhor.

Eu quis desesperadamente acreditar nela. Mas como é que podemos ter certezas? Na verdade ela nem sequer conhecia os meus filhos!

Enquanto me ia embora, continuei a pensar nas suas palavras até que o meu coração se encheu de esperança e os olhos de lágrimas. Eu queria muito acreditar que esta senhora sabia de algo que eu não sabia. Aliás, eu acho que ela sabia MUITAS coisas que eu nem sequer sonhava. E quem sabe, talvez fosse a resposta às minhas preces. Uma garantia de que esta fase não duraria para sempre e que os meus filhos, aparentemente impossíveis, tinham tanta personalidade porque iriam precisar dela um dia mais tarde. Isto deu-me algum conforto na altura.

Tenho pensado muito nas suas palavras desde então. Eu lembro-me delas cada vez que estou a passar por momentos mais difíceis. Eu lembro-me delas sempre que uma fase destas a se transforma numa fase de crescimento e compreensão mutua. Eu lembro-me delas sempre que vejo crianças “impossíveis” a tornarem-se em adolescentes motivados e conscientes, cuja personalidade forte e a força de vontade se enraizou de forma a fortalece-los e fortalecer os que os rodeiam.

Hoje em dia, não tenho qualquer dúvida de que, há uns anos atrás, aquela senhora sabia exactamente o que estava a dizer. Ela sabia, e só agora é que eu estou a aprender que a personalidade forte numa criança não deve ser algo que nos assusta porque é uma excelente qualidade.

É claro que estas crianças precisam de orientação e exigem paciência extra. Estas crianças precisam de pais exigentes, lideres fortes que, gentilmente mas com firmeza, lhes lembrem que têm muito que aprender. E que o caminho que escolhem nem sempre é o melhor. Estas crianças exigem pais que lhes ensinem a canalizar a força de vontade em actividades construtivas, o que para elas, pode ser avassalador.

Houve momentos em que me senti a falar para uma parede. Houve momentos em que senti  a andar para trás e não para a frente. Houve momentos em que só me apeteceu baixar os braços e desistir e por vezes acabei mesmo por fazê-lo. Mas também houve momentos em que me senti o aluno e não o professor. Houve momentos que me sentei e fiquei a observar maravilhada a genica e a convicção dos meus filhos. Nestes momentos consegui visualizar a grandeza deles, ainda num processo de casulo.

Eu sei que tenho muito a aprender com os meus filhos. Até com o mais velho de 15 anos. E sei que faltam muitos anos para ver o resultado do meu trabalho com os meus filhos. Sei que por mais que me esforça, nada me garantirá que se tornarão em adultos respeitáveis e felizes. No entanto estou num ponto em que confio nas palavras daquela senhora, cuja sabedoria excedia largamente a minha, ainda hoje em dia. Estas palavras deram-me a força que precisei para superar as fases mais difíceis.

Talvez também consigas encontrar conforto e força nas palavras dela. Confia nelas, como eu confiei, quando não conseguires guiar-te na floresta. Confia nelas quando te questionares se a lagarta algum dia se vai transformar em borboleta. Apoia-te nelas quando a tua paciência for levada ao extremo e quando tiveres a certeza de que, um único dia a mais vai acabar contigo.

Confia nestas palavras. A minha amiga sabia o que dizia.

 

Artigo publicado originalmente em Simplyforreal

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Atualmente muitas mães/pais encaram o presente e futuro dos filhos com algum receio. Lêem diversos manuais de educação, tentam estar a par das mais recentes teorias e procuram respostas para tudo na internet ou em conversas com amigos (independentemente de serem ou não pais), como se fossem verdadeiros gurus em questões parentais.

Estes pais esquecem-se de dar ouvidos ao mais valioso trunfo que podem ter: o seu instinto natural.

O instinto de uma mãe ou a capacidade natural de um pai no momento de perceber e identificar as necessidades dos seus próprios filhos é, sem dúvida, a melhor estratégia para educá-losOs filhos chegam ao mundo com uma bondade inata, e merecem ser tratados com respeito, encarando com naturalidade e sem medo cada acontecimento que o dia a dia nos traz.

Os filhos devem ser tratados com afeto e sem medos

Existem mães/pais que têm medo de falhar nos seus papéis como progenitores.  Todos querem ser bons pais (os melhores), e a preocupação constante quanto ao bem-estar e à estabilidade dos filhos é muitas vezes confundida e compensada pelo consumismo desenfreado e desnecessário.  Estes pais acreditam que não lhes dar aquela festa de anos top, não ter vaga na melhor (e por vezes mais cara) escola da cidade ou não lhes comprar todas as roupas de marcas xpto que os colegas usam nos intervalos das aulas pode vir a ser uma tragédia Franciscana. No fundo, estes pais querem oferecer aos seus filhos aquilo que eles próprios não tiveram.

Cada um é livre para escolher como educar um filho, mas muitas vezes esquecemo-nos como são as crianças e como se adaptam e vivem as situações.

Andamos obstinados na constante procura dos melhores locais/preços para lhes comprarmos tudo o que inconscientemente acreditamos ser necessário para a sua felicidade, e esquecemo-nos do mais importante, daquilo que os nossos filhos mais precisam e prezam: o nosso tempo.

  • Uma criança não é um adulto em miniatura, é uma pessoa que precisa de perceber o mundo através dos pais.
  • Uma criança age sempre por necessidade e não por manipulação ou malícia como os adultos. Temos que ser intuitivos perante cada situação.
  • Uma criança deve, acima de tudo, ser tratada com afeto.
  • Os nossos filhos não precisam de roupas de marca ou gadgets para serem felizes. Precisam, sim, do nosso tempo, do nosso exemplo, dos nossos abraços de boa noite e das nossas mãos para os guiarem.

A criação autorregulada: compreender e acompanhar

A criação autorregulada baseia-se nas teorias do apego formuladas pelo psiquiatra Wilhelm Reich. Estas teorias exaltam uma série de conceitos-chave mediante os quais é possível aprendermos a conectarmo-nos mais facilmente com a infância, com os seus tempos e as suas necessidades.

A autorregulação é sinónimo de vida, da necessidade de fazer contato pela primeira vez com a nossa própria complexidade pessoal, para entender que a criança também tem suas próprias necessidades, os seus próprios conflitos, por vezes, gerados por uma sociedade que não compreende a infância e nem a criança.

Chaves para uma criação autorregulada

A criação autorregulada defende que uma criança tratada com respeito na sua infância e que também viu como os pais a respeitarem aqueles que os rodeavam será um adulto respeitoso.

Mas como podemos alcançar essa conquista? Como pode a criação autorregulada ensinar-nos a criar adultos felizes para o mundo?

Uma criança deve-se sentir compreendida e acompanhada em todos os momentos. Se a frustração aparece, a criança deixa de se sentir integrada e desadapta-se do modelo familiar.

É preciso educar com um apego saudável baseado no amor e na proximidade. Desta forma, pouco a pouco esta criança vai-se sentir segura para dar os seus próprios passos para a independência.

A voz de uma criança deve ser escutada em todos os momentos, quando ri e quando chora, quando exige ou quando sugere.

A criação autorregulada também nos fala do tempo:  defende que não se deve iniciar a aprendizagem  intelectual até a criança perfazer 7 anos, de forma a permitir que esta goze de uma infância de descobertas através da brincadeiras e da exploração do meio que a rodeia

A interacção através dos cinco sentidos e das relações com os pares, nos ambientes onde a criança está inserida mediante a alegria,  oferece-nos um modo interessante de favorecer o seu desenvolvimento psico-social.

Concluindo: independentemente da abordagem que cada um escolhe para criar os seus filhos, o importante é premiar a simplicidade de trata-los com a mais potente e eficaz fórmula mágica: o amor!

 

Texto de Valéria Amado, em A mente é maravilhosa, adaptado por Up To Kids®