Os meu dias são uma correria constante. Chego a ficar confusa com a agitação diária, as voltas e contra voltas que dou.

Usufruir do direito de escolha entre parar e cumprir deveres, parece ter-se tornado uma decisão difícil. E quanto maior a entrega, maior se torna a exigência.

Sou extremamente obcecada por cumprir os compromissos, os tempos, as regras. Por cumprir as tarefas de mãe ao mínimo detalhe, sempre numa entrega emotiva e de coração.

O corpo sente-se cansado e acaba por ceder. Nós, mães, esquecemos que temos limites e que como as restantes pessoas precisamos pausas. E dentro das pausas temos o direito de escolher o tempo que desejamos para nós.

Sou Mãe, preciso pausas!

Gosto de me sentar em frente do ecrã do computador a escrever. Descrever o que sinto de forma livre e pessoal.
Gosto de correr para o mar e sentar-me no silêncio a ouvir o bater das ondas e o vai e vem da maré.
Gosto de dançar. Deixar a música entrar no corpo e libertar toxinas.

Exijo-me que crie pausas, na eminencia de entrar num precipício…

Saí de casa à procura da dança e encontrei-a na ingenuidade de um grupo de jovens que dançavam com gosto, e no meio delas fiquei durante duas horas a sentir a música e a dançar os passos que desconhecia e que com alguma facilidade acompanhei.
Pensei, na sorte que estas jovens têm de dançar! Vivi anos a querer dançar sem ter essa possibilidade… Foi como se o corpo tivesse ficado fechado num baú com os movimentos presos e a minha alma sem melodia.

A dança é o escape que o corpo procura para o que fica guardado dentro de nós quando diariamente lidamos com pessoas e acontecimentos que nos fazem controlar as emoções.

Dançar é esquecer o mundo e entrar noutra esfera pessoal onde o eu encontra a sua essencia.

Aproveita a vida e encontra a tua pausa! Tu mereces e precisas.

 

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O “castigo” faz parte do processo educativo de qualquer criança.

É fundamental a criança perceber que, quando faz algo que quebra as regras sociais impostas pela cultura e pelos pais, estas ações têm de ter uma repercussão. Essa função serve para que ela possa apreender o que deve e pode, ou não deve e não pode fazer, sempre com a finalidade de vir a sentir-se integrada na sociedade enquanto adulta. Mas será que a palavra castigo terá realmente este valor na cabeça de uma criança em formação?

Quando nos debruçamos sobre o valor linguístico da palavra castigo deparamo-nos com o seguinte significado:

“punição que se inflige a um culpado; mortificação, tarefa penosa ou grande dificuldade; dar castigo; punir; obrigar (fonte: in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, 2008-2013) que, por si só, é já penoso e negativo.

A criança sabe que a mãe, o pai ou o educador a vai pôr de castigo se fez algo negativo e errado, sendo que na cabeça de muitas crianças isso até pode ter um efeito aterrador, potenciando a mentira como um fator de fuga ao castigo (se eu não disser que  tive má nota, não irei ser castigado, por exemplo).  Contudo, se usarmos a palavra consequência, encontramos como significado: “resultado natural, provável ou forçoso, de um facto; dedução tirada por meio de raciocínio de um princípio ou de um facto; conclusão dimanada das premissas; [Figurado]  importância, alcance (fonte: in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, 2008-2013)  que tem um valor mais educador, construtor, digamos assim, potenciando a aprendizagem.

Castigo ou Consequência – O peso da palavra

O valor e o peso da palavra têm muita importância no entendimento do significado da mesma, ainda mais para uma criança. Dito isto, a utilização da palavra consequência cumpre mais o objetivo já referido, fazendo com que a criança aprenda que o que acabou de fazer não está certo, por forma a que ela não volte a realizar a mesma ação, apreendendo a razão pela qual não deve voltar a fazê-la. Assim, a palavra consequência, porque se alia a coisas mais construtivas, permite à criança sentir que para qualquer situação há consequências, positivas e negativas, com as quais ela tem de lidar, enquanto que o “castigo” tem um valor muito limitado porque a criança não reage por compreensão mas sim por medo.

Uma criança em situação de castigo não reflete, apenas reage emotivamente e sente a reação do castigador (zangado, furioso, chateado…).

Por isso, o castigo não pode atuar adequadamente, porque não exige entendimento. Em vez de se “castigar “deve-se levar a criança a sofrer as consequências do seu agir percebendo o que a levou a cometer a ação, e permitir-lhe um movimento de reparação. Pedir desculpa ou consertar o que estragou podem ser medidas eficazes, não culpabilizam e aliviam a criança da pressão do ato. Em suma, queremos acima de tudo que a criança compreenda o que fez e porque não deve voltar a fazer, não apenas que ela tenha medo da consequência, sem refletir sobre o que fez.

O envolvimento dos pais ou educadores

Há contudo um pormenor que pode ou não ajudar a criança neste processo construtivo: a existência ou não de uma relação/disponibilidade entre a criança e o adulto. Para que a criança consiga fazer este percurso de entendimento das consequências das suas ações, o adulto tem de estar em relação com ela, demonstrando disponibilidade afetiva e capacidade de empatia.

E isto porquê?

Porque, muitas vezes, quando um adulto atribui uma consequência negativa, essa consequência vai refletir apenas uma defesa do adulto face ao que tem de investir na relação com a criança ou adolescente. Ou seja, muitas vezes a tal consequência é mais uma reação de raiva ou frustração do próprio adulto face ao acontecimento, sendo até muitas vezes desmedida essa reação. E, quando isto acontece, quando os adultos atuam sob o sentimento da raiva ou da vingança pela impotência que sentem face à criança ou adolescente que desautorizou ou infringiu alguma regra, ele passa a estar presente na vida da criança, mas de forma negativa. Isto porque ou a ignoram ou reagem de forma desmedida.

Chamadas de atenção

Certamente que já observaram a cena em que adultos se divertem e conversam, esquecendo-se das crianças ao lado. De repente uma criança parte algo para chamar a atenção dos adultos.

Esta ação inconsciente da criança ( fazer uma asneira como chamada de atenção) na verdade, pretende castigar a atitude dos adultos que a ignoraram. Tal como um objeto que a criança partiu para reclamar atenção do adulto, também o comportamento indesejado, por exemplo mentir, roubar, fazer xixi na cama, agressividade entre outros, tem sempre motivos inconscientes (pese embora a noção de que essa mesma asneira tem um objectivo concreto na cabeça da criança).

É fundamental que o adulto esteja disponível para perceber por que a criança teve uma reação descontextualizada.

Se não estiver disponível, a consequência não tem o seu valor, a  criança não aprendeu nada e o adulto lavou as mãos. Não se envolveu. E passa uma mensagem de desamor, o que pode ter  consequências catastróficas para a vida social futura da criança. Não se pensa, apenas se reage ou age! E como podemos pedir a uma criança que consiga controlar o seu comportamento, quando o adulto não o consegue fazer? É igualmente importante refletir sobre o facto de o mais forte levar o outro apenas a calar-se mas só depois de ter perdido a razão, passando-se assim a uma não relação.

A palmada na hora certa

Daí a ideia de que, muito embora possamos naturalmente dar uma palmada (refiro que jamais uma chapada, porque tem um peso ofensivo e pessoal) em situações em que a criança se comporta de forma desadequada, na verdade não é elemento fundamental à educação de uma criança. Podemos, e até arrisco dizer que devemos, educar sem usar a força física e naturalmente a verbal.

As crianças refugiam-se no seu cativeiro da imaginação, da solidão e reagem segundo a sua personalidade e a sua relação com os educadores.

O amor e a estima, são fundamentais para toda a educação, e são muitas vezes ignorados.

O amor e a admiração adquirem-se por identificação e não por consequências. O educador que dá consequências de forma desmedida e não explicada, não sabe amar nem serve de modelo positivo para que a criança tenha um crescimento mental saudável. Nestes casos acontece muitas vezes que a adoção de regras e limites se façam por interiorização e imitação das atitudes e dos valores de um outro que não o educador, de uma figura de referência mais próxima, pais, educadores, professores, ídolos da juventude, entre outros.

Se os adultos, pais ou educadores têm atitudes repressivas em vez de educativas, até podem conseguir resultados, mas será sempre pela via do medo (castigo), onde a criança tem medo de perder o amor do adulto e reprime o comportamento. Torna-se pois, fundamental, mudarmos de paradigma. É necessário abandonar os modelos de educação pela força, pela lei do mais forte! É urgente educar num ato construtivo positivo, pela compreensão e pela atenção e disponibilidade interna dos educadores para escutarem ativamente as crianças e os seus apelos!

Acima de tudo, educar com amor e humildade.

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Revisto por Babelia Traduções para Up To Kids®

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Pequeno catita está de molho na banheira. Este é um dos momentos altos do nosso dia, é aqui que conversamos sobre tudo e mais alguma coisa até os dedos ficarem “cozidos” (o sinal secreto de que está na hora de sair).

Numa dessas conversas, ele explicava-me como as pessoas são diferentes. Como umas gritam e outras não. Umas comem bananas, outras ele não percebe porque não comem bananas. Ia explicando que há pessoas grandes, pequeninas, peludas e carecas. E há as zangadas, são as que não estão lá muito felizes no coração, na opinião dele porque não comem bananas suficientes.

No meio de tudo isto decidiu nomear as pessoas de que ele gostava mais de todo o Universo e arredores: “Gosto da mamã… gosto do pai. Gosto de mim… gosto do PUK (é o nosso gato, tivemos uma que se chamava PIN e depois veio o PUK para desbloquear a coisa). Gosto da avó e do avô. Gosto de toda a gente! Gosto de todas as pessoas do planeta!”

Do planeta é muito fofinho e tal, mas aquele “Gosto de mim!” foi qualquer coisa de F-A-B-U-L-O-S-O. Gostar de nós é difícil que se farta. E demora… Temos de escavar, procurar, limpar, trabalhar, dançar, chorar, rir e abraçar tudo o que fomos descobrindo pelo caminho. Agora com os meus 38 anos posso dizer que gosto de mim. Que me conheço, que me descobri, que me aceitei. Sabes, eu era uma maçã vermelhinha, bonitinha, envernizada igual a tantas outras numa caixa do supermercado. Era a criança boazinha, nota 20, quadro de honra. Era assim por fora, reluzente. Mas quando chegamos a casa e abrimos a nossa maçã perfeita, ela está magoada, tem mazelas e toques, tem feridas que nunca mostrou a ninguém, nem a si própria. Gostar de nós é aceitar tudo o que somos. Aceitar de braços abertos as nossas maiores qualidades e defeitos. É sentir que temos espaço para os ter. Saber que somos perfeitos e dignos de amor só por estarmos vivos. É aceitar a raiva, o medo, a frustração. O “eu não sou capaz”, o “eu falhei” e o “eu consegui”. Dar-nos colo como damos ao nosso melhor amigo. É sermos tolerantes connosco como somos com uma criança que dá os primeiros passos. É ser reluzente de dentro para fora.

Quando gostamos de nós, há um peso que nos sai das costas. Um ar inspirador que nos enche os pulmões e nos faz abraçar a vida. Quando gostamos de nós inspiramos os outros a fazer o mesmo. Miúdo, estou tão feliz que gostes de ti. Esse é o passo mais importante para gostares da Vida.  

 

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Se já alguma vez usou estas expressões não as repita!

“És preguiçoso! És mau!”

Quando dizemos a uma criança que ela é isto ou aquilo estamos a confirmar e a isolar características que queremos transformar. Percebo que a ideia é boa mas a estratégia podia ser melhor.

Se alguém muito próximo passar o dia a chamar a atenção para o pequeno sinal que tem na mão direita no final do dia esse sinal tomou uma dimensão enorme, certo?

Pois passa-se o mesmo com a criança, se lhe dizemos que ela é desorganizada, é má aluna, é antipática, ela incorpora estas ideias como traços da sua personalidade e muito facilmente começa regularmente a agir assim, já que o seu cérebro no momento da decisão, tem uma indicação muito clara: “A tua mãe bem sabe que não és pontual, atrasas-te sempre, o melhor é dormires mais um bocadinho” ou “Bem que o teu pai te diz que és antipático, para quê um sorriso?”

Conselho da semana

Faça então o seguinte exercício:

Χ  Tu és teimoso.

           Tu estás a ser teimoso.

Χ  Tu és mau.

  √ Tu estás a magoar o teu irmão.

Χ Tu és antipático.

          Tu estás a ser antipático.

Repare como uma simples palavra faz com que a mesma frase passe uma mensagem muito diferente. Quando uma pessoa está a ser teimosa, pode no momento seguinte deixar de ser e tentar outra forma de agir, mas se lhe atribuem um traço e isto lhe é dito dia após dia então, com muita probabilidade, isso passará a fazer parte da sua forma de agir.

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Pelo título seria suposto eu ser mãe de uma adolescente. No meu tempo esta era uma frase que eu diria quase todos os dias aos meus pais, “tu não mandas na minha vida” era usado como escudo para dizer que não queria comer, tomar banho, arrumar o quarto ou para a panóplia de deveres que a minha mãe achava que eu tinha de fazer.

Hoje sou eu que, de quando em quando tenho o desgosto de ouvir a famosa frase que me atinge qual seta certeira no ventrículo direito, com uma pequena diferença: sou mãe de uma menina de seis anos!

Há coisas que não deviam ser permitidas na maternidade, e esta é uma delas. Ouvir a nossa filha de seis anos responder-nos desta forma. Fiquei em choque. Primeiro fica a dúvida “será que ouvi bem?” e depois vem a confirmação: “O que é que disseste?” E, sem pudor algum, a resposta ”disse que não mandas na minha vida!”

É assim que, com uma naturalidade inata se atinge o coração de uma mãe, que se parte no chão e corremos para apanhar os cacos e colar com supercola a tempo de dar uma resposta à altura “se eu não mando quem é que afinal manda na tua vida?”

Nesta fase já estamos esperançosas que ela recue, que afinal nós ainda mandamos na vida deles, que aos seis anos são muito novos para mandar no que quer que seja e muito menos para terem a noção que podem mandar em alguma coisa.

“É o meu coração.”

“Então pede ao teu coração para te mandar arrumar o quarto por favor”.

O conflito resolveu-se porque felizmente o coração dela pediu-lhe que arrumasse o quarto, e teve a amabilidade de fazer o coração de uma mãe feliz. A verdade é que o confronto com esta cruel realidade (principalmente para as mães que, como eu, temem o dia em que os nossos filhos abandonam a nossa alçada, mas ao mesmo tempo os educam para a autonomia) faz-nos pensar que questionarem os seus deveres é uma forma de se aperceberem da sua própria liberdade, por outro tememos que se tornem em pequenos delinquentes anárquicos e sem regras, que não compreendam que a liberdade também envolve limites.

Mas espera, eles só tem seis anos … pois está bem… vamos relaxar por mais uns seis anos… a adolescência ainda está longe? Ou será que não?

Compreendo que ao assumirmos o papel de pais educadores teremos sempre esta dúvida eminente na nossa relação parental.  Sabermos até que ponto estamos a fazer bem ou mal, questionarmos se em determinado momento deveríamos ter sido mais ou menos exigentes, esperar que um dia mais tarde quando estes “pirralhos” tiverem realmente idade de mandar na sua própria vida se lembrem que têm sempre mais do que uma opção, e que nem todas são certas.

Porque no fundo só queremos que sejam felizes e nós mães iremos sempre achar que podemos “mandar “ um bocadinho na vida deles, ou não é?

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Antecipar a acção

“Já chamei 5 vezes para virem para a mesa!

Se esta frase lhe é familiar encontre estratégias divertidas para que eles venham para a mesa.

Conselho da semana

Comece por antecipar a acção,  avisar que vão jantar dentro de 10 minutos. Não os surpreenda com o famoso “Para a mesa!” Eles estão tão entretidos na sua rotina, nas atividades que escolheram para aquele momento, que isso é tudo o que menos lhes apetece e ainda por cima surge como uma imposição de última-hora sem aviso prévio.

Se os seus filhos ainda são pequenos diga-lhes que tem um desafio para eles, avise que vai começar esse desafio e comece mesmo, se o seu filho chegar atrasado o desafio fica para o dia seguinte, sem zangas nem reações fortes.

Pense em adivinhas, anedotas, histórias cómicas, qualquer coisa que vos faça rir em conjunto e torne assim o tempo de refeição um momento mágico, um momento pelo qual eles esperam o dia todo.

 

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Quando a nossa voz interior nos dá cabo da cabeça

Hoje dei por mim a pensar que a viagem da parentalidade é semelhante a comer um saco de amêndoas deliciosas. Uma a uma sentimos o sabor, valorizamos a experiência, queremos mais. Ficamos tão envolvidos que sem reparar comemos uma atrás da outra, até que, aparece uma bem amarga BLERGHHH!!!  Então o único sabor que fica na boca é mesmo esse, amargo. Um amargo que invade, ofuscando todos os momentos doces e as conquistas que fizemos. Daí a criar um pensamento crítico sobre nós, é um saltinho“Sou uma péssima mãe”; “Nunca estou com os meus filhos”; “A culpa é minha”; “Estou sempre a gritar”.

Estas generalizações ocupam muito espaço e sugam muita energia. São fruto de uma vozinha crítica que vive a tempo inteiro na nossa cabeça. Sabem qual é? Aquela que quando nos baldamos ao ginásio diz “És sempre a mesma coisa, não levas nada até ao fim.” Pode também usar alguma ironia, se tiver uma pontinha de humor britânico “Uauu pelo menos faltas com regularidade, isso deve queimar algumas calorias!”

Mas de onde é que ela apareceu? É que desde que me lembro, ela fala comigo. De uma forma crítica e levemente ácida diz-me que não vou conseguir, que não sou suficientemente boa ou que “isso nunca vai resultar”. O seu tom preocupado ilude, parecendo que até está ali para me ajudar.

Esta voz parece ter superpoderes visionários, muitas vezes usados pelas pais, “Olha, olha que ainda vais cair!” PUM! Criança estatelada no chão. “Vês? Eu avisei-te” sai imediatamente em tom vitorioso.

Este sabotador interno, que acha que não somos merecedores de sucesso, mesmo quando estamos a caminho do êxito dispara um “Hum, isto não vai durar”. É uma espécie de balão gigante cheio de frases desmotivadoras disparadas nas alturas em que precisamos é de compaixão e força.

Se prestarmos bem atenção vamos reconhecer essas frases. Vamos reconhecê-las nas pessoas que fizeram parte do nosso crescimento. Vamos reconhecê-las em momentos da nossa vida em que foram ditas por alguém e as tomámos como verdades. São assimiladas e transformadas na nossa voz interior. A Peggy O’Mara, resume o processo na seguinte frase The way we talk to our children becomes their inner voice.” Ena.

Mas como posso quebrar este ciclo crítico e dar ao meu filho a possibilidade de ter uma voz interior que o apoia, compreende e aceita tal como é?

1- Notando o que digo e quando o digo.
Em que situações o meu crítico está mais ativo? Perceber que triggers despoletam estes pensamentos negativos em mim e conscientemente olhar para eles com carinho. O crítico é desarmado com a compaixão.

2- Questionando.
“Porque é que eu estou a dizer isto?”; “De onde é que isto vem?”; “Acredito mesmo nisto?” Este processo permite tirar-nos do piloto automático negativo e finalmente começar a ter noção e poder sobre os nossos pensamentos.

3- Trocando pensamentos negativos por pensamentos compassivos.
Sê objectivo no que estás a ver à tua frente. Não uses julgamento mas observação isenta. “Reparei que esta semana fui ao ginásio uma vez.” É bastante diferente do “és uma baldas”. Em qual das situações ficam mais motivados para ir ao ginásio? Ah pois é. O mesmo se passa quando falamos com os nossos filhos com uma voz profundamente crítica que sublinha o erro e o falhanço. “Nunca arrumas o teu quarto. És mesmo desarrumado.”

Quando mudo a forma como falo comigo, mudo a forma como falo com o meu filho e dou-lhe a possibilidade única de ter uma voz interior que apoia o seu interior a vir cá para fora brilhar.

Uma voz interior que o recebe de braços abertos e lhe diz “Anda vamos ser felizes! Tu mereces.”

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Antigamente era mais fácil ser mãe

Uma das questões que me preocupa enquanto mãe é o facto de não ter tempo suficiente para os meus filhos.

Muitas vezes gostava de conseguir estar mais presente, estar mais consciente e estar mais disponível para cada um.

Muitas vezes, pessoas que só têm um filho, perguntam-me como é que consigo ter tempo para quatro. A verdade é que quatro crianças não ocupam quatro vezes mais tempo do que uma só criança. Porque o tempo não se multiplica mas partilha-se, gastando-se em conjunto, e divide-se. Consigo ter momentos individuais com cada um dos meus filhos, porque os irmãos também dão tempo uns aos outros.

Hoje li um post de uma bloguer australiana, Constance Hall, que me fez pensar sobre as minhas opções e prioridades enquanto mãe. Este post tornou-se viral nas redes sociais, tendo alcançado mais de 60 000 Likes. Por vezes, a melhor maneira de ver as coisas, é simplifica-las.

«O que acontece quando as mães estão sob muita pressão?

Certo dia, depois de ter o meu primeiro filho, perguntei ao meu pai como é que a minha avó conseguiu criar 11 filhos. O meu pai respondeu-me que a avó não estava sujeita à pressão que nós, mães, estamos hoje em dia.

A avó não tinha de ir ao banco, ao supermercado diariamente, não se sentia obrigada a estar fantástica a seguir aos partos e nunca fez pressão para que os filhos alcançassem as etapas de crescimento às três semanas de idade, para ter a casa limpa ou ter um robot de cozinha.

Antigamente, as mães passavam o seu tempo a desfrutar da companhia dos filhos. 

Antigamente era mais fácil ser mãe.

Por isso, o que é que nós devemos fazer, tendo em conta a pressão a que estamos sujeitas?

Muitas de nós nem sequer gozamos da companhia dos nossos filhos porque o tempo que estamos com eles e disponíveis para eles, é muito curto devido a esta tentativa de sermos perfeitas em tudo.

Ir ao ginásio. Responder aos e-mails. Pagar contas. Cozinhar aquela couve, desfazê-la e esconde-la numa refeição para ninguém perceber que é couve. Ir às consultas… Lavar roupa. Pôr gasolina no carro… disfarçar as olheiras! Fazer lanches saudáveis para os miúdos porque se compras feito vais ser JULGADA outra vez.

Com tudo isto estamos a desperdiçar o tempo que poderíamos aproveitar para estar com os nossos filhos, estamos a ouvir apenas metade do que nos dizem e a acenar positivamente com a cabeça enquanto pensamos no raio da multa que temos para pagar!

Ontem, num seminário, fizemos um exercício interessante: uma pessoa contava uma história a um parceiro, e quando estávamos a meio, este desligava e deixava de ouvir. Olhava para o outro lado, bocejava, pensava noutros assuntos e respondia a e-mails no telemóvel, enquanto nós contávamos algo que considerávamos interessante.

Adivinhem como é que me senti? Chateada, envergonhada por não ser merecedora da atenção de alguém, indigna e insignificante.

É assim que os meus filhos se sentem ao optarmos por esta vida acelerada na busca da perfeição?

Hoje acordei com vontade de respirar fundo e libertar-me. Eu não me vou preocupar com os cortinados novos que encomendei, nem quero saber se a casa está impecável ou não.

Eu preocupo-me mesmo é com o tempo que vou passar com os meus filhos e em saber como é que eles se sentem. E não vou deixar que a pressão da sociedade e os ideais de Super mãe me tirem este tempo com eles.» – (Adaptação livre do post abaixo)

 

 

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As últimas décadas têm sido testemunhas de uma crescente tendência em quase todo o mundo: o crescimento precoce das crianças. É comum ver pais que se sentam ao lado do berço do bebé e lhe falam sobre a importância de chorar em certos momentos e noutros não. “Precisam de aprender desde pequenos”, dizem.

Desde o início, procuram educar estas crianças para uma coisa que parece uma espécie de autonomia inflexível. Querem que os seus filhos os perturbem o mínimo possível: que aprendam a levantarem-se e a deitarem-se sozinhos; que cumpram as suas tarefas escolares sem que ninguém os supervisione; que esperem “tranquilos” em casa até os seus pais chegarem do trabalho. Por outras palavras: que se comportem como pequenos adultos.

“A infância tem as suas próprias formas de ver, pensar e sentir; não há nada mais insensato que pretender substituí-las pelas nossas.” –Jean Jacques Rousseau

Esta atitude não deixa de provocar um certo sentimento de culpa nos pais. O lado mau é que procuram diluir essa culpa com presentes caros ou cuidados extremos sobre certos aspetos da vida. Talvez telefonem para os filhos a cada 2 horas “para saber como estão”. Ou aproveitem as férias para ir com eles até ao outro lado do mundo para, supostamente, reparar um pouco as ausências.

Pais esgotados e crianças insatisfeitas

A solidão das crianças é uma verdadeira epidemia, provocada pelo clima destes tempos onde parece que os momentos para os abraços, os beijos e a conversa tranquila já não existem. Em vez disso, só existe tempo para o trabalho: gente esgotada e rostos cansados. Pais que chegam tarde e estão sempre cansados e alterados.

A UNICEF realizou uma pesquisa sobre o que significa qualidade de vida para as crianças, e pôde assim comprovar que o seu ponto de vista é muito diferente do dos adultos. Crianças de todo o mundo, entre os 8 e os 14 anos, deram uma lista do que consideram ser “viver bem”. Não incluem brinquedos caros, nem presentes ultra especiais, mas coisas muito simples:

  • Que os pais gritem menos e dialoguem mais
  • Que desliguem os seus telemóveis
  • Que os abracem mais
  • Que os coloquem menos tempo trancados nas escolas e mais tempo em atividades físicas com eles
  • Que as pessoas sorriam mais
  • Que não mudem de casa

As crianças tornaram-se silenciosas e tristes

Agora é mais comum do que nunca ver crianças com expressão triste ou distante. As crianças de hoje em dia sentem-se muito sozinhas e isso transforma-as em pessoas silenciosas. Não sabem como expressar o que sentem, porque este tema nunca é abordado. E não saber perceber o seu mundo interior aumenta a sua solidão.

Também são mais irritáveis, intolerantes e exigentes. Não conseguem organizar as suas emoções de forma coerente. Muitas têm dificuldade em ser espontâneas e são extremamente vulneráveis à opinião dos outros.

A solidão imposta nunca é boa, porque afunda quem a sofre num tipo de lama emocional, especialmente se for uma criança. Ela sente-se sem apoio, sem chão. Vivencia o medo e por isso pode desenvolver uma personalidade defensiva e com sinais de fobia, o que na sua vida adulta lhe trará grandes dificuldades no relacionamento saudável com os outros.

O que fazer perante a imensa solidão das crianças?

Certamente muitos pais já se deram conta de que os seus filhos estão muito sozinhos, mas sentem-se perante uma terrível encruzilhada: ou trabalham para sustentar financeiramente o lar ou passam privações junto com os seus filhos. Contudo, alguma coisa, ou muita coisa, pode ser feita a este respeito. Estas são algumas possíveis atitudes:

  • É importante procurar negociar no trabalho algum tipo de flexibilidade de horários em função do cuidado das crianças. Pode ser pelo menos uma hora por semana para se dedicar aos seus filhos.
  • Combinar com o companheiro, ou com outros adultos, a distribuição do tempo, para que as crianças permaneçam o mínimo tempo possível sem um adulto de confiança ao seu lado. Isto para os períodos em que não estão na escola.
  • Destinar um tempo dedicado exclusivamente às crianças. Se dedica pelo menos 30 minutos por dia, para abraçar o seu filho, contar-lhe em linhas gerais como foi o seu dia e perguntar-lhe como foi o dele, com o telemóvel desligado e sem pensar em nada, certamente estará a dar uma grande contribuição. Se não pode dedicar 30 minutos, dedique pelo menos 15 minutos todos os dias.
  • Brinque pelo menos uma vez por semana com a criança. Este tempo é muito precioso: passa muito rápido e quando passa, não volta. Se brinca com o seu filho não precisa de dizer que o ama: ele irá saber e vai sentir-se valorizado.

Sejam quais forem as condições, vale a pena pensar na forma de dedicar mais tempo às crianças. Elas merecem. Estão numa etapa da vida onde todas as experiências marcam. Talvez isso signifique, para os pais, algum sacrifício, mas certamente valerá a pena.

Lembre-se de que para elas existem coisas que são muito importantes!

 

Artigo publicado em A mente é maravilhosa, adapatado por Babelia Traduções para Up To Kids®

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Fala-se muito em tempo de qualidade, mas os pais acabam por se ver enredados em tanta coisa do seu dia-a-dia que, às vezes, passam 1 hora ao lado dos filhos, mas com a  atenção no seu mundo, naquilo que deixaram por fazer, naquilo que ainda têm de executar, no chefe que estava mal disposto … Em tudo, menos na criança que está ao lado.

Na realidade, vale mais menos tempo, mas de total atenção.

Agora só tenho olhos para ti

Tente fazer isso durante uma semana todos os dias, peço-lhe apenas 15 minutos do seu dia. Se tem vários filhos pode fazer ao mesmo tempo com todos eles, o que é mesmo importante é que nesse momento seja mesmo você e eles, não há telemóveis, televisão, cozinhados, arrumações. Você está ali para eles, não importa o que faz, importa que está numa escuta ativa.

Conselho da semana

Nestes momentos repita a informação que eles lhe deram por outras palavras, por exemplo “Que bom, então deves estar mesmo contente com a novidade que o Miguel te deu isso é mesmo importante”. Nesse momento o seu filho pensará “uau, a mãe está mesmo a ouvir, não respondeu apressadamente Boa, boa, que giro”.

 

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Não precisamos de passeios largos, precisamos de mais tempo com as nossas crianças!

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