Um adeus ao meu filho

Passei pelo quarto do meu filho e vi-o a dormir. Entrei para desligar a luz, e quando alcancei o interruptor, olhei para a pessoa que estava deitada na cama e percebi: ele já é um jovem. Já não é um miúdo, é um jovem com tamanho de adulto.

Calma. Pára, respira. Precisei de um segundo para me recompor. Precisei de um momento para me despedir. Para dizer adeus.

Eu sei que não posso parar o tempo e, que aquele miúdo que ainda vivia preso entre o mundo infantil e a adolescência, ia crescer. Tem sido sempre assim. De um bebé pequenino que cabia de corpo inteiro na palma de uma mão, a uma criança sorridente que para onde ia queria levar o Comboio Thomas ou o Faísca McQueen, até ao estudante robusto que andava sempre em corridas, e que me provocou ataques cardíacos consecutivos – eu amei cada fase da maternidade, cada estágio da sua infância, e chorei muitas vezes a perda do que deixamos para trás.

Saber crescer, saber envelhecer

Há pouco tempo, eu pedi a Deus que me desse mais um verão com ele enquanto criança. Eu precisava só mais uns meses do meu filho pequenino. E aconteceu. Ainda tive um verão perfeito com o meu filho criança mas pouco depois, inevitavelmente, ele cresceu. E eu cresci com ele. Não temos escolha. Ou crescia, ou ficava para trás.

E mesmo agora, eu vejo como tudo tem sido maravilhoso. Eu vejo o adolescente incrível em que ele se está a tornar. Há tantas mudanças diárias na vida dele. Parece que cresceu 20 cm numa semana, e de repente tem uma voz profunda e um riso diferente. Até a maneira de pensar mudou. Discutimos politica, por-amor-de-Deus, e ele sabe o que diz.

Ele está a crescer, a seguir em frente, a deixar a infância para trás e a alcançar o todo o seu potencial. Tal como é suposto. E eu estou a fazer alguma coisa bem, porque o meu filho é uma pessoa incrível. Vai ser um homem magnífico.

Eles crescem e a saudade fica

Eu acho que vou sempre ter saudades daquele miúdo de 6 anos com um sorriso apaixonante, com ideias mágicas, e coração de ouro. Ao dizer adeus a cada fase sua, eu despeço-me do que vou deixar para trás mas preparo-me para o que vem a seguir. O meu filho está a crescer e é maravilhoso, é mágico. Ainda temos tantas aventuras pela frente.

Tenho sorte porque ele ainda me acha divertida na maior parte do tempo. Ou, pelo menos finge. E ainda quer sair comigo. Ainda é o meu companheiro de aventuras, mas agora, é ele que sugere os programas. Ele sai com os amigos, mas dar-me sempre um beijo de despedida antes de sair de casa e responde-me  “eu também” sempre que lhe digo que o adoro, independentemente de quem estiver por perto.
Ele ainda me pede opinião, e depois forma a sua própria.

Às vezes ainda me dá a mão ao atravessar a estrada. Só não sei se é para se sentir seguro, ou para me proteger. Seja qual for a razão, eu dou sempre de volta.

 

Wendy Del Monte, para ScaryMommy,
autorizado para, traduzido e adaptado por Up To Kids®

 

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Toda a verdade acerca de ser Mãe (só) de rapazes

Ah e tal, rapazes e raparigas é tudo igual...” Dizem as línguas por aí. Pois muito bem, eu acho mesmo que não. Já aqui tinha escrito sobre este tema. Passados quase 3 anos, a chuva de Legos continua de ótima saúde, e recomenda-se, com mais um aderente cá por casa!

Quando engravidei do primeiro, do segundo, do terceiro...sempre quis que fosse uma Violeta. Desde miúda que tenho esse sonho, sabe-se lá porquê. Ou tinha, porque agora não trocava este ser Mãe só de rapazes por nenhuma Violeta deste planeta! Como diz uma querida vizinha minha, no alto dos seus 80 anos e pico: “Ser Mãe de (só) rapazes é a melhor coisa do mundo…até virem as noras!!!”
Agora, verdade seja dita, boys will always be boys! Querem saber porquê? Então vejam (ouçam, leiam) mais de uma dúzia de vezes porque é que as Mães de rapazes:
1 – Sabem melhor do que ninguém como disfarçar ruídos menos agradáveis de miúdos imparáveis;
2 – Dominam todos os truques de boxe, bem a fundo, e são os melhores árbitros do mundo;
3 – Se lembram sempre que antes de cada máquina de roupa é preciso tirar dos bolsos as pedras, os paus, a areia e os lacraus;
4 – Também já gostam de fazer coleções de gafanhotos, caracóis, grilos e anzóis;
5 – Desconfiam que atrás de um beijinho lambuzado vem sempre um empurrão desamparado;
6 – Aprenderam que os playmobils e as suas casas com hipotecas são o mais perto que conhecerão das suas brincadeiras de bonecas;
7 – Fogem a sete pés quando os põem a todos no banho, para não apanhar com maremotos, ondas gigantes, perdigotos de espuma e submarinos esvoaçantes;
8 – Quando passam por um jardim, de lá saem com uma mão cheia de erva e flores de todas as formas e cores, que tão bem fazem lembrar jasmim;
9 – Se sentem com uma confiança mais do que amparada e protegida, ao saber que têm guarda-costas para a vida.
10 – Conhecem de cor e salteado a ameaça de um despiste de bicicletas, louco e desenfreado.
11 – Descobrem em todos os cantos da casa peças de puzzle perdidas, brincadeiras de plasticina comidas, e rodas de carros partidas.
12 – Vibram com todo aquele mundinho novo e maravilhoso que é fazer xixi de pé e em (quase) qualquer sítio, sem fazer birra ou finca-pé.
13 – Adoram ser as princesas da casa, ainda que muitas vezes caiam em desgraça (de AMOR).
(não sou supersticiosa ao ponto de acrescentar mais uma razão, apesar de não as faltar por aí!)

Agradece a sorte que tens

Agradece a sorte que tens por teres os teus filhos perto de ti.

Agradece essa sorte mesmo que, por circunstâncias da vida, não os tenhas perto tanto quanto gostarias.

Agradece a sorte que tens por o teu filho ter saúde, mesmo que esta não seja perfeita.

Agradece por o teu filho comer bem e se comer mal agradece o facto de teres comida para lhe oferecer.

Agradece a sorte que tens por o teu filho ser educado, mesmo que algumas vezes não percebas de onde tirou aquele comportamento que faz duvidar se não foi criado por selvagens.

Agradece o facto de teres oportunidade de ver o teu filho crescer, mesmo que à distância.

Agradece a sorte de o teu filho dormir bem, seja em que escala for.

Agradece a sorte de teres o teu filho a cantar em voz alta vezes sem conta nas alturas menos apropriadas, mesmo que isso signifique que não consegues ouvir a notícia que passa nesse momento na rádio – não vai ter essa leveza de espírito para sempre.

Agradece o facto de o teu filho te chamar repetidamente, mesmo que com isso deixes queimar um pouco o jantar – em breve não será a ti que vai chamar quando precisar de alguma coisa.

Agradece o facto de o teu filho perguntar infinitas vezes pela avó, pelo tio, pela prima, pelo periquito.

Agradece o facto de o teu filho te lembrar o pai algumas vezes e, de outras, te fazer a ti parecida com a tua própria mãe.

Agradece a sorte de receber beijinhos e abraços sem os pedires e de ainda poderes fazer o mesmo sem ser enxotada.

Agradece o facto de o teu filho existir, Deus sabe quantas pessoas vivem com a dor de não poder dizer e viver o mesmo.

Agradece a sorte que tens. Ponto.

Aceita e agradece a tua vida.

Muda o que está ao teu alcance, mas nunca deixes de ser uma boa mãe porque achas que tens falta de sorte.

Afinal… Já te deste conta da sorte que tens?

 

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Pedir um intervalo ao tempo

Ela foi mãe tarde, mas sempre sonhou com esse dia.

Leu todos os livros, preparou-se para tudo o que aí vinha e levou o marido a fazer o mesmo. Acreditava que se soubesse tudo, não haveria razões para não ser uma boa mãe.

O primeiro filho nasceu e depressa percebeu que faltavam vários capítulos aos livros que tinha lido. Ela poderia escrever praticamente uma colectânea com as coisas que tinha aprendido – aprendido que não sabia.

Deixou-se levar ao sabor do vento, seguindo o seu instinto, dando o melhor de si. O marido, vendo que afinal as coisas não eram como lhe tinham dito, foi-se afastando aos poucos – ao ponto de ser quase um estranho para o filho, para a mulher. Ela continuava a sua luta, queria dar o melhor ao filho, mesmo que isso significasse apenas estar lá. Mas a preocupação constante com aquilo que lhe parecia escapar fez com que se esquecesse do mais importante – conhecer o seu primogénito. Falar com ele, mesmo quando ele mal respondia. Não que não lhe falasse, mas não ouvia a resposta que vinha do outro lado. Foi fazendo as vontades todas, para que não faltasse nada à criança. Esta, sem outra opção, acabou por ficar mimada. De fora, viam-se alguns comportamentos a corrigir, mas apenas isso. Para ela, que estava dentro da bolha, parecia começar a tornar-se insustentável. Afinal, estava sozinha – apesar de acompanhada – com uma criança a que não sabia o que fazer. Depois de muitas noites em claro percebeu a solução: dar-lhe um irmão. Isso abriria os horizontes do primeiro filho, ajudá-lo-ia a partilhar, a perceber que as coisas não são sempre como ele quer (apesar de serem assim porque a mãe se esforçou sempre nesse sentido).

Ela guardou numa parte recôndita da sua alma o facto de se sentir perdida e sozinha mesmo tendo uma pessoa ao seu lado. E segundo filho veio. Para ajudar o mais velho, repetia vezes sem conta.

Mas o mais velho, já capaz de tomar conta de si, viu a sua realidade mudar do dia para a noite. O segundo filho passou a ser o centro de tudo: da atenção, dos cuidados, do amor. Como nunca tinha sido ouvido, o mais velho não falou. Faltou-lhe a coragem e a voz. Foi crescendo e aprendendo, à sua própria conta, o seu novo lugar naquela casa. Deixou de ser mimado, naturalmente, o mimado agora era outro. Passou a ser um espectador dentro da sua própria casa. Não podia fazer isto e aquilo por causa do mais novo, se este lhe batia ou estragava os brinquedos nunca era repreendido – e o mais novo tornou-se o dono da casa.

O cansaço fazia-a lembrar-se que estava sozinha, mas a quantidade de coisas que os filhos (mesmo que o mais velho se limitasse a seguir a onda) exigiam deixavam-na sem tempo para perceber o que estava a acontecer debaixo do seu tecto.

Passaram-se vários anos e, apesar das suas boas intenções, o amor não bastou. Não bastou no início, para que o marido percebesse que ela precisava de ajuda para conseguir dar conta do recado; não bastou para que um filho ainda a ser educado fosse compreendido com a importância que tinha e tem; não bastou para que o mais novo tivesse uma educação melhor, com erros a serem corrigidos.

O amor não bastou.

E a ela, hoje, sobra-lhe cansaço. Luta diariamente sem perceber que lá atrás podia e devia ter parado para pensar. Ainda hoje pensa tão depressa que não respira. Toma as decisões com o coração e sofre com elas.

Esta mãe tem dois filhos. O mais velho perdido sem saber o seu lugar. O mais novo por achar que todos os lugares são seus.

Tem uma luta pela frente. Mas a primeira que devia travar era consigo mesma. Parar. Ouvir. Chorar. Descansar. Criar uma estratégia. Acima de tudo mudar. Mas a mudança assusta, principalmente quando nos sentimos (e estamos) sozinhos.

Esta mãe podíamos ser nós.

Como ela, temos também muito a corrigir, a pensar. Como ela, damos o nosso melhor. Como ela, às vezes merecíamos ter uns segundos para parar.

Mas o tempo não pára, a vida segue e temos de ser.

Mães, mulheres, educadoras, amantes, amigas, trabalhadoras. Animadas, interessantes, interessadas, informadas, cultas, divertidas e de bem com a vida.

Que a história desta mãe nos lembre que não faz mal não saber tudo. Que é bom pedir ajuda.

Que é sempre tempo de mudar.

Para melhor.

Pelo bem dos nossos filhos.

Para nosso bem.

 

Imagem@weheartit

Os filhos são a melhor coisa do mundo.

Os filhos dão um trabalho que só quem os tem entende.

Às vezes só querem (e precisam de) atenção.

Os pais fazem o melhor que podem, na maior parte dos dias. Nos outros sabem que têm direito a uma excepção de vez em quando.

Os pais fingem que não vêem um disparate ocasional porque os filhos já estão a fazer outra coisa em segundos e dar importância ao que aconteceu não mudaria nada.

Os pais escolhem que guerras comprar, para bem da sua sanidade mental.

Noutras alturas o mínimo deslize espoleta uma guerra civil.

Os filhos, muitas vezes culpa dos pais, acham que estes nasceram para os servir.

Os pais, ainda mais vezes, acham que nasceram para servir todas as necessidades dos filhos. Mesmo que as necessidades sejam um bolo cheio de creme na pastelaria depois de terem lanchado na escola – porque “coitadinho, é só um bolo e se posso por que não hei de lho dar?”.

Há pais para quem os filhos são uma verdadeira bênção.

Há pais que de pais têm apenas o título.

Há pais que deveriam receber prémios pelos esforços continuados que fazem.

Há pais cujos esforços são tão bem disfarçados que os filhos nunca os vêem.

Há filhos que gostavam de ter outro tipo de pais.

Há filhos para quem os pais são simplesmente o melhor do mundo.

Há filhos que são pais dos seus pais.

Os dias são todos diferentes, mesmo quando parecem sempre iguais.

Uma brincadeira conforta os mais pequenos e ajuda os mais velhos a ultrapassarem um dia pior.

Às vezes basta um sorriso.

Basta um abraço.

Basta saber que os filhos estão em casa à espera.

A convivência é uma estrada de dois sentidos. Dar e receber. Muitas vezes esta troca é escassa. Tantas outras vezes é repleta de bons momentos. A aprendizagem de se ser pai não vem em nenhum dos livros, nem mesmo nos mais afamados – porque é uma experiência única.

Não há pais perfeitos, como não há também filhos ideais.

 

imagem@weheartit

A minha filha não é uma criança fácil de gostar

O dia que eu me apercebi de que a minha filha era “aquela” criança, foi quando tudo mudou para mim enquanto mãe.

Foi o dia em que comecei a sentir vergonha pelo comportamento da minha filha. Foi o dia em que me questionei se haveria algo de errado com ela, ou comigo, como pessoa que a trouxe ao mundo e responsável por torna-la um ser humano correto.

Foi num dia como outro qualquer. Tínhamos combinado um programa com amigos em nossa casa. Amigos que já lá foram inúmeras vezes. A minha filha de cinco anos e a deles de quatro andavam a jogar à “apanhada” a correr à volta do sofá. A minha filha não conseguia apanhar a amiga então começou num pranto e atirou-se para o chão a gritar: “NÃO CONSIGO APANHAR-TE! TENS DE CORRER MAIS DEVAGAR! TEM DE SER OU NÃO BRINCO MAIS CONTIGO!” – Eu olhei para ela num suspiro, como costumo fazer em situações destas, e olhei para a amiga dela que está quase sempre bem-disposta e sorridente, e foi aí que eu percebi. Foi nesse momento que eu soube. O meu maior medo, aquele que vinha a crescer nos meus pensamentos e a apertar-me o coração, era agora inequivocamente uma verdade: A minha filha não é uma criança fácil de gostar

E claro que não conclui isto por causa deste episódio. Isto foi só a gota de água. Não foi um episódio isolado. Já aconteceram situações semelhantes muitas outras vezes. É sempre assim! Quer esteja sozinha, com os irmãos, com os amigos, no meio da rua, em casa, a minha filha é sempre assim! É a mais mandona. A mais exigente. A que chora e chora numa loja porque não lhe compro uns collants de ginástica (Ela nem faz ginástica!). A minha filha chora à mínima coisa, e desata numa birra daquelas que, antigamente, eu achava que só as crianças de 2 anos faziam. Falta ao respeito a toda a gente e é rude. É temperamental. Incapaz de partilhar e constantemente preocupada com o raio dos brinquedos dela ou dos outros. Quer fazer tudo à sua maneira, e fica impossível se algo não corre como queria. É manipulativa. Pensa sempre em si própria. E está sempre preparada para dizer exactamente o que pensa e sente em qualquer momento. Se a minha filha não gostar de ti ou daquilo que estás a fazer, vais sabê-lo de imediato.

Eu odeio rótulos, mas tenho de admitir, a minha filha é uma força da natureza, um furacão, e como é óbvio, um pirralho. E sempre que interage com alguém que não conheço sinto-me num campo de minas, onde nunca sei quando nem como irá explodir.

Isto é especialmente problemático para uma mãe que não gosta de conflitos. Eu não sou do género de deixar que as pessoas me pisem, mas orgulho-me de ser generosa, gentil e ter bom coração. Eu gosto de agradar as pessoas e fazer os outros felizes. E  a minha filha, não! As pessoas sempre me disseram que a coisa melhorava depois da fase dos dois anos. Mas com a minha filha, não!

A minha filha agora grita mais alto e um vocabulário mais elaborado. E não vejo, num futuro próximo, significativas melhoras. Quando a observo com pares, torna-se cada vez mais evidente que a minha independente, determinada e teimosa diva se destaca dos restantes miúdos. A minha filha é a definição de uma criança difícil. E eu quero aceita-la e ama-la por ser esta sua característica. Não quero compará-la com os outros miúdos, mas a verdade é que eu adorava que a minha filha fosse mais como o teu filho ou a tua filha, mais simpática e afável.

Por isso, para quem vier a conhecer a minha querida pirralha de olhos grandes, estás perdoada se não gostares dela. Eu própria, muitas vezes, não gostaria dela.

Mas eu sou a sua mãe, e conheço-a no seu melhor. Eu reconheço o seu potencial. As suas forças. Eu sei o quanto ela se esforça para fazer o irmão bebé dar gargalhadas, vejo o carinho com que dá festas ao nosso cão, e a forma como atravessa e conquista confiantemente uma sala cheia de estranhos, enquanto as outras crianças ficam coladas aos pais. Eu ouço quando suspira “Eu adoro-te!” à sua irmã antes de adormecer, ou quando vê outras crianças na fila do supermercado e pergunta “Queres ser meu amigo”? – coisa que eu nunca consegui fazer toda a vida. E está constantemente a encher-me de abraços apertados, beijinhos, colares feitos por si própria e desenhos meus, com cabelo de rapunzel.

Eu sei o quão maravilhosa a minha filha consegue ser.

Mas e tu? Se calhar se passasses um minuto, uma hora ou uma manhã com ela, se tivesses sorte também receberias todo o seu charme e carinho. Mas e se não fosse assim? Se passasses o teu tempo a responder às suas observações mordazes, a chamar a atenção por estar constantemente a tirar o brinquedo ao teu filho, a ouvi-la constantemente a chorar, a desejares estar em qualquer outro sítio do mundo menos ali, porque estás saturada e não aguentas.

Peço desculpa, mas eu estou a tentar. Com todas as minhas forças.

E eu preciso de acreditar que a minha filha também, porque num dia bom eu percebo que ela quase morde a língua para não dizer algo que sabe que eu não quero que diga, o que me dá muita confiança – ou em última análise, uma esperança moderada –que um dia a minha filha será uma pessoa integra e de carácter forte, exactamente como eu estou a tentar educa-la. Talvez um dia, a ideia de combinar um programa com os seus amigos não me deixe de coração fora do peito.

Mas entretanto, não tenhas medo de dizer aos teus filhos que lhe façam frente. Que lutem pelo brinquedo que querem. Que ganhem o jogo que a minha filha quer desesperadamente ganhar. Eu vou negar que disse isto, mas eu até agradecia que algum dos miúdos lhe desse uma canelada. A sério. Que a calassem. A minha filha precisa de amigos (e Deus sabe o medo que tenho que ninguém queira ser amigo dela), mas também precisa de miúdos que a ponham no seu lugar de vez em quando. A forma como estou a educar, incluindo os meus lembretes delicados, as conversas, as repreensões, as consequências e críticas, falhou.

Pode ser que, neste caso, a pressão dos colegas lhe traga um mundo novo.

Uma mãe tem, pelo menos, o direito a ter esperança.

Publicado em Scary Mommy, mãe anónima.

Traduzido e adaptado com autorização por Up To Kids®

As crianças aprendem o que vivem

Se as crianças vivem com críticas, aprendem a condenar.

Se as crianças vivem com hostilidade, aprendem a ser agressivas.

Se as crianças vivem com medo, aprendem a ser apreensivas.

Se as crianças vivem com pena, aprendem a sentir pena de si próprias.

Se as crianças vivem com o ridículo, aprendem a ser tímidas.

Se as crianças vivem com inveja, aprendem a ser invejosas.

Se as crianças vivem com vergonha, aprendem a sentir-se culpadas.

Se as crianças vivem com encorajamento, aprendem a ser confiantes.

Se as crianças vivem com tolerância, aprendem a ser pacientes.

Se as crianças vivem com elogios, aprendem a apreciar.

Se as crianças vivem com aceitação, aprendem a amar.

Se as crianças vivem com aprovação, aprendem a gostar de si próprias.

Se as crianças vivem com reconhecimento, aprendem que é bom ter objectivos.

Se as crianças vivem com partilha, aprendem a ser generosas.

Se as crianças vivem com honestidade, aprendem a ser verdadeiras.

Se as crianças vivem com justiça, aprendem a ser justas.

Se as crianças vivem com amabilidade e consideração, aprendem o que é o respeito.

Se as crianças vivem com segurança, aprendem a confiar em si próprias e naqueles que as rodeiam.

Se as crianças vivem com amizade, aprendem que o mundo é um lugar bom para se viver.

 

Poema de Dorothy Law Nolte (1954)

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Como criar os filhos para serem felizes?

Durante a minha experiência profissional vi muitos pais sentarem-se à minha frente e falarem sobre as preocupações que têm em relação ao futuro dos filhos. Posso generalizar e dizer que em todos eles a preocupação essencial era se os filhos viriam a ser adultos felizes. Ou, ainda, se as lembranças de infância seriam felizes. Assim como esses pais que pude ajudar de forma mais individual e objetiva, imagino que outros tenham as mesmas preocupações. Por isso, resolvi dividir alguns segredos da psicologia em relação a isso.

O que é a felicidade?

A felicidade não é uma constante na vida, visto ser cheia de situações inesperadas. Porém, a forma com que percebemos os desafios impostos , é o gerador de emoções “positivas” ou “negativas”. Isto é que determina as nossas ações. Podemos dizer que o segredo para se ser mais feliz está em ter a capacidade de se adaptar à adversidade. E a isso em psicologia chamamos de resiliência.

Para aumentar a capacidade de resiliência nas crianças há uma série de ações que os pais podem tomar desde cedo! Vamos ver algumas delas:

  1. Mostrar consistência

    As crianças tem necessidade de saber o que esperar dos pais e o que esperam dela. Ser consistente entre o que diz e o que faz traz confiança aos pequenos e reduz as chances de produzir stress e falsas expectativas.
    Isso é possível através da criação de rotinas. Com horários específicos para as refeições, para dormir, para realizar as tarefas de casa e para passar tempo em família. E através da criação de regras consistentes, para que os pequenos também percebam que devem seguir algumas normas e que o não cumprimento dessas implica consequências previamente combinada com os pais (aqui é importante sempre manter as combinações).

  1. Conversar sobre as emoções

    Falar sobre as emoções é essencial para fortificar a relação entre pais e filhos. Além de promover nas crianças as habilidades de reconhecer as suas próprias emoções e a dos outros. Aqui também é importante para os pais dividirem como se sentem e como fazem para resolver a situação que causa aquele sentimento. Dar espaço para a criança falar sobre como se sente também faz todo o sentido.Tão importante quanto falar sobre as emoções é falar sobre como geri-las! E isso pode ser feito através de histórias (inventadas ou sobre experiências de vida dos pais, por exemplo). Ou através de jogos, onde os pais criam uma situação hipotética – com personagens que a criança goste, por exemplo – e ela pode encontrar maneiras alternativas para lidar com aquele sentimento e situação que a personagem está a enfrentar.

  1. Incentive o desenvolvimento mental e social

    Envolva-se na vida escolar dos seus filhos. Incentive a leitura e a criatividade deles através de jogos diferentes e brincadeiras em família. Através da leitura de livros interessantes que envolvam o que eles tem estudado na escola e também outras coisas que sejam do interesse familiar.
    Brincar com o som das palavras, com as rimas, e com exercícios de lógica também impulsiona o desenvolvimento cognitivo e as habilidades de comunicação. Estes estão fortemente associados ao sucesso académico e interpessoal no futuro.

Lá está, três pequenas dicas que podem melhorar a qualidade de relacionamento entre pais e filhos e ainda melhorar a capacidade de resiliência dos pequenos. Criar filhos felizes a 100% do tempo é impossível. Mas prepara-los para a vida e ajuda-los a adaptarem-se às adversidades fará com que eles, com certeza, tenham uma melhor qualidade de vida agora e no futuro!

E talvez isso seja mesmo o mais próximo da felicidade plena.

imagem@fabricadementes

A maternidade transforma qualquer mulher…é uma constatação obvia e secular. O que importa procurar descobrir é o poder destas mudanças no nosso curso de vida.

Um filho chega, independentemente do momento, da circunstância e do planeamento envolto em surpresa e amor, um amor diferente de todos os outros porque é imensurável, incondicional, indestrutível. A relação que criamos com um filho pode sofrer abalos, deceções, mágoas, mas a verdade, é que amamos com a maior liberdade que conseguimos, e por isso é imenso este AMOR.

Dos sentimentos que mais se destaca é esta capacidade de aceitar o outro e de decidir em função da felicidade de alguém, que não nós mesmos. Conseguimos ver para além da nossa vontade, sacrificamos o nosso conforto e estamos na linha frente quando se trata de o proteger, contra tudo e contra todos. Tentamos convencer-nos que é nosso, o filho que desejamos, mas no fundo sabemos, que não. Ele existe para nos premiar com esta capacidade única de amar alguém, para sabermos que somos capazes. No entanto, criamos o nosso filho para o mundo, e é assim que deve ser!!

Cada decisão tomada deve refletir o que é mais construtivo para ele e não o mais confortável para nós. É um exercício difícil, porque, a maioria das vezes, queríamos tê-lo quietinho no nosso colo, sob a nossa guarda e proteção. Mas um filho, não é um “objeto” que guardamos em segurança, é um sonho que arriscamos em tornar real! As escolhas que fazemos devem ser oportunidades de crescimento para este “sonho” avançar de forma segura e feliz!

Os momentos de aprendizagem dos filhos são muitas vezes anulados, pela necessidade que os pais tem em retirar os obstáculos do caminho. Crescer num ambiente rigorosamente controlado, sem responsabilidade, sem conflitos para gerir, sem dor, sem perdas, sem Nãos, é crescer num mundo de ilusão…que mais tarde ou mais cedo se vai desmoronar.

Não podemos continuar a acreditar que os filhos são Nossos, criamos os filhos para o Mundo e guardamo-los para sempre no coração!!

imagem@wundervisuals

Mães chatas, filhas bem sucedidas!

É daquelas mães que está sempre em cima dos seus filhos, gosta de saber onde vão e com quem? E a que horas voltam? Impõem horários e rotinas em casa? Verifica os testes e cadernos da sua filha? Então, este artigo é para si, Mãe Chata!

De acordo com um estudo realizado pela Universidade de Essex, em Inglaterra, filhos de mães mais rigorosas (Mães chatas) são mais bem-sucedidos profissionalmente do que as crianças que foram criadas por mães mais permissivas.

O estudo

Durante seis anos, um grupo de especialistas acompanhou a vida de 15.500 raparigas entre os 13 a 14 anos de idade. Concluiu-se que as filhas de mães mais rigorosas e com elevado padrão de educação, conhecidas por “mães chatas”, obtiveram maior sucesso a nível de avaliações escolares e posterior ingressão na faculdade.

A pesquisa concluiu ainda, que estas raparigas revelaram ser menos propensas a engravidar durante a adolescência. Ok. Isto pode ter sido só sorte.

Portanto, mães Chatas, continuem a mandar postas de pescada que estão no caminho certo!

Regras são para cumprir, e mesmo que as suas filhas lhe digam que é a mãe mais chata do mundo, daqui a alguns anos, irão agradecer-lhe!

E quem sabe, se se tornarão também um dia, numa mãe Chata!!

 

imagem@123.rf