Mitos sobre Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção

“A PHDA é uma perturbação real. Afeta na maioria das culturas cerca de 5% das crianças e 2,5% dos adultos.”

Diariamente somos assolados pelas mais diversas fontes de informação sobre crianças, desenvolvimento infantil, perturbações, temperamentos e características comportamentais dos alunos de hoje em dia.

Uma das siglas que nos invade frequentemente, tanto em slogans, outdoors publicitários, folhetos, posters farmacêuticos, como sendo parte integrante de diversos títulos de reportagens, é a sigla PHDA – Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção.

Mas, o que é afinal a Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção?

Apesar das enumeras investigações científicas na área, cada vez mais diversificada e com metodologias cuidadosas, há mitos que tendem a persistir e a perpetuar-se até à atualidade. Neste artigo, procuramos esclarecer alguns mitos e contribuir para dar resposta a questões tão prementes como a classificação da PHDA, enquanto verdadeira perturbação do desenvolvimento.

1º Mito

A PHDA não é uma perturbação médica real

Não é verdade.

A PHDA é uma perturbação do desenvolvimento. É legitimamente reconhecida pelas organizações mais distintas nas áreas da medicina, da psicologia e da educação, quer a nível nacional, quer a nível internacional. A sua classificação, descrição e respetivos critérios de diagnóstico, estão presentes no principal manual de diagnóstico e estatística das perturbações mentais, DSM-V, elaborado pela associação Americana de Psiquiatria.

A PHDA tem uma origem multifactorial. Várias investigações dão sustentação a uma base neuropsicológica, onde se assiste à conjugação de fatores biológicos com as experiências do indivíduo nos seus contextos de interação.

Alguns sinais de alerta tendem a caracterizar-se por:

  • dificuldades na manutenção da atenção,
  • impulsividade,
  • excesso de atividade motora.

Tais comportamentos têm impacto:

  • no quotidiano de crianças e jovens
  • a nível do seu desempenho escolar
  • a nível da sua interação social, com repercussões na atmosfera da família.

2º Mito

A PHDA resulta de uma má educação e de estilos educativos parentais deficitários

Não é verdade.

A PHDA é uma perturbação real. Afeta na maioria das culturas cerca de 5% das crianças e 2,5% dos adultos. A dificuldade manifesta-se no incumprimento de regras e de normas, assim como na irrequietude constante destas crianças e jovens.  Estes comportamentos não podem ser atribuídas às especificidades da educação ou do estilo educativo parental, pois ultrapassam os padrões de parentalidade, centrando-se numa fragilidade ao nível da autorregulação comportamental.

Ao contrário do pensamento vigente ou mesmo do senso comum, as crianças com PHDA não cumprem determinadas tarefas ou não acatam determinadas regras porque não queiram ou porque não saibam o que devem fazer, mas sim por causa de uma incapacidade em cumprir, apesar do esforço que muitas vezes aplicam à concretização da atividade. 

3º Mito

A PHDA é o resultado de uma ingestão exagerada de açúcar por parte das crianças

Não é verdade.

Na realidade, muito se tem falado dos efeitos da ingestão do açúcar no cérebro e das possibilidades de integração da referida ingestão em quadros de dependência ou de comportamentos mais extremados, caracterizados pela adição. As investigações conhecidas na área da PHDA não corroboram a teoria de que o açúcar possa estar na origem desta perturbação desenvolvimental.

4º Mito

A PHDA é a designação moderna para crianças mal-educadas e preguiçosas

Não é verdade.

A PHDA é uma perturbação com um quadro diagnóstico concreto e diferencia-se, em larga escala, do efeito de determinado estilo educativo parental, ou mesmo de um comportamento pautado pela falta de investimento.

Na realidade, alguns comportamentos característicos de uma criança com PHDA, quando não devidamente analisados, podem facilmente confundir-se com preguiça e má educação uma vez que sobressaem as dificuldades no cumprimento de regras e normas, a emergência de birras e a manifestação de desinteresse nas tarefas. As crianças com PHDA apresentam uma dificuldade efetiva na concretização de tarefas que exijam um longo esforço mental e na antecipação das consequências dos seus atos.

5º Mito

A PHDA afeta unicamente os rapazes

Não é verdade.

A PHDA tanto surge em rapazes como em raparigas. No entanto, é verdade que o seu diagnóstico é mais frequente no género masculino, seja em crianças ou em adultos. Nas crianças a relação é de 2 rapazes para uma 1 rapariga. Nos adultos, a relação é de 1,6 homens para 1 mulher. Os quadros sintomáticos tendem a ser diferentes ao nível do género, sendo que o feminino apresenta mais sintomas de desatenção do que o masculino.

6º Mito

Só as crianças com hiperatividade é que têm PHDA

Não é verdade.

A agitação motora faz parte de um percurso desenvolvimental saudável. Por conseguinte, só quando a agitação motora se torna exacerbada, capaz de influenciar negativamente os vários contextos de interação (casa, escola, sociedade em geral), tornando-se por si só desadaptativa e comprometendo o desenvolvimento global da criança, é que podemos estar perante um quadro de perturbação.

Por seu turno e apesar da hiperatividade se apresentar como um dos sintomas mais prementes e comuns de uma PHDA, uma criança pode ter o mesmo quadro diagnóstico mas sem a presença deste sintoma. Tal facto deve-se às vários tipologias/subtipos de PHDA.

7º Mito

As crianças que usufruem de condições especiais na escola devido à PHDA recebem injustamente vantagens educativas relativamente aos seus pares

Não é verdade. Uma criança que apresenta um diagnóstico de PHDA tem fragilidades sobretudo ao nível da manutenção da atenção e, consequentemente, apresenta dificuldades na capacidade de concentração. Pode também manifestar dificuldades ao nível da autorregulação comportamental. Ao integrar estas crianças ao abrigo de um estatuto de necessidades educativas especiais, estamos a conferir-lhes ferramentas e estratégias o mais adequadas possível ao seu perfil, para que consigam estar num nível similar ao dos seus pares, sempre numa perspetiva equitativa e inclusiva do processo de ensino-aprendizagem. Em síntese, o objetivo não é beneficiá-las, mas diminuir a sua desvantagem, à partida, relativamente aos seus pares.

8º Mito

A

Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção

passa com a idade

Não é verdade.

A PHDA tende a apresentar-se como uma condição de vida, revelando cronicidade e evolução ao longo da mesma.

Os sintomas tendem a alterar-se, verificando-se em alguns casos diminuição ao nível da agitação motora. Os sintomas inerentes às dificuldades na atenção, autorregulação comportamental e impulsividade tendem a persistir no tempo ou mesmo a agudizar-se. Quando não diagnosticada atempadamente a PHDA pode originar outras dificuldades.

9º Mito

A ritalina é a cura para a PHDA

Não é verdade.

A ritalina é considerada um psicoestimulante cujo princípio ativo é o cloridrato de metilfenidato. É o medicamento mais comumente utilizado no tratamento da Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção. Pode ajudar as crianças a melhorar a sua atenção e concentração, e a diminuir o seu comportamento impulsivo. Este fármaco é utilizado como parte integrante de um programa de tratamento, que tende a incluir terapias e estratégias cognitivo-comportamentais centradas nas áreas da psicologia, educação e na área social.

10º Mito

A toma de ritalina origina um atraso no crescimento das crianças

Não é totalmente verdade.

De acordo com algumas investigações e segundo o INFARMED, a utilização de metilfenidato por um período superior a um ano pode originar um atraso no desenvolvimento de algumas crianças. De acordo com o INFARMED este efeito secundário afecta menos de 1 em 10 crianças. Daí a necessidade premente de supervisão médica aquando da utilização do referido fármaco.

11º Mito

A PHDA não está associada a outras perturbações

Não é verdade.

A maioria das crianças com PHDA tende a apresentar outras perturbações associadas. Mais especificamente perturbações de humor, perturbações de ansiedade, perturbações da conduta e dificuldades de aprendizagem, que se manifestam isoladamente ou em conjunto.

12º Mito

Há cura para a PHDA

Não se sabe.

As várias notícias ilustradas nas mais diversas revistas, jornais e outras tipologias informativas que retratam curas milagrosas para a PHDA são divergentes da realidade cientifica, ou seja, os estudos científicos na área não comprovam as referidas metodologias, não havendo por isso ainda sustentação a este nível.

Dores de barriga na criança – sinais de alerta

A dor de barriga é uma queixa muito frequente por parte das crianças e, grande parte das vezes, a maior dificuldade é perceber se é apenas “manha” ou não, até porque surge frequentemente nas horas da refeição.

Assim, é fundamental ter em atenção alguns aspectos.

Em primeiro lugar, é importante ter em conta a idade da criança, porque quanto menor for a idade, maior a probabilidade de a dor de barriga ser “verdadeira”. Depois, convém averiguar se existem ou não outros sintomas a acompanhar. Estes podem dar-nos pistas sobre a causa e devem ser sempre valorizados.
Convém ainda fazer uma observação geral da criança, para tentar perceber se há algum achado que nos possa fazer pensar mais em alguma causa. Por fim, mas não menos importante, não nos podemos esquecer de avaliar ou tentar perceber se há algum motivo de stresse por detrás das queixas, embora esse seja sempre um diagnóstico de exclusão (ou seja, só pode ser estabelecido se conseguirmos excluir todas as outras causas possíveis).
Sempre que uma criança se queixa de dores de barriga, convém que os pais estejam atentos a alguns sinais de alerta, que devem implicar uma observação médica mais urgente.

Os mais importantes são os seguintes:

  • Dores que acordam a criança durante a noite
  • Quando a criança não defeca há alguns dias, nem liberta gases (este último é um aspeto muito importante a valorizar)
  • Sempre que existe uma palidez intensa ou mau estado geral da criança
  • Presença de sangue nas fezes
  • Associação a vómitos com agravamento progressivo
  • Quando a criança localiza a dor num local afastado do umbigo (quanto mais afastada, maior a probabilidade de haver uma causa a justificar a dor)
  • Associação a febre alta e difícil de controlar
  • Associação a emagrecimento
  • Alternância entre prisão de ventre e diarreia
  • Dor muito localizada numa parte específica da barriga, que cede mal à medicação

Como estimular a inteligência emocional do seu filho

O que é a inteligência emocional?

Daniel Goleman, psicólogo e escritor americano, define Inteligência Emocional como sendo a capacidade de reconhecer, compreender e gerir os nossos próprios sentimentos e emoções, assim como uma maior facilidade em reconhecê-los e compreendê-los nos outros.

Seja através de expressões faciais ou do tom de voz, tem-se uma maior empatia para com aquilo que se sente e para com quem nos rodeia. De acordo com este investigador, a inteligência emocional é o que nos permite reconhecer variações emocionais mais subtis, e utilizar as emoções para facilitar o próprio pensamento e raciocínio.

Estimular a inteligência emocional

A inteligência emocional pode e deve ser estimulada desde cedo na vida de uma criança. Crianças que desenvolvem a sua inteligência emocional têm maior capacidade para gerir as suas emoções internas. Apresentam maior habilidade no relacionamento com os outros e maior auto-motivação para concretizar objectivos. Têm, em suma, maior probabilidade de vir a ter sucesso – pessoal e profissional – enquanto adultos.

Neste sentido, a equipa do Centro SEI, dá-lhe algumas dicas de como pode estimular a inteligência emocional do seu filho:

1 – Seja empático com o seu filho

Imagine que o seu filho está triste ou desiludido com qualquer coisa. Um brinquedo que se partiu, um balão que voou, um amigo com quem se zangou, um jogo que perdeu… Mesmo que não possa fazer nada de concreto para resolver o seu sentimento de tristeza, e que até lhe pareça que ele está a ter uma reacção exagerada, tente ser empático com ele. O pai poderá dizer-lhe: “imagino como te sentes. Provavelmente sentes-te triste e frustrado. Estavas à espera de ganhar e lutaste por isso, mas depois perdeste. Eu lembro-me quando tinha a tua idade também perdi um jogo e o que senti foi parecido… O que fiz na altura foi tentar aprender com a derrota para jogar melhor da próxima vez!”. Deste modo, a criança sente-se compreendida e aceite, e a crise passa.

Ser-se compreensivo é tudo quanto basta para ajudar alguém a libertar-se de sentimentos angustiantes. Sejam eles causados por assuntos sérios ou por um simples acumulado de eventos insignificantes. Explodir permite-nos libertar-nos dessas emoções negativas e seguir em frente sem o peso delas.

Lembre-se que empatizar com o seu filho não significa necessariamente que concorde com ele. Mas tão somente que é capaz de ver a sua perspectiva e de ser solidário com o que ele está a sentir.

As vantagens:

– ao sentir-se compreendida, há libertação de elementos bioquímicos calmantes na criança, através de um processo neurológico que será fortalecido sempre que a criança vive essa sensação de alívio. Será este processo fundamental que ela irá usar para se acalmar a si própria, mais tarde, enquanto adulta.

– a empatia é “contagiante”.  As crianças desenvolvem empatia através da empatia que vivenciam através dos outros.

– ao fazê-lo, estará a a ajudar o seu filho a refletir sobre a sua própria experiência e a tomar consciência das suas emoções. A própria verbalização do seu sentimento é, por si só, uma valiosa ferramenta para aprender a gerir as emoções ao longo da sua vida.

2 – Permita ao seu filho expressar-se

Dado que as crianças não conseguem distinguir as suas emoções do seu “eu”, sempre que não aceitar ou tiver tendência para minimizar as emoções do seu filho, estará a transmitir-lhe a mensagem de que alguns dos seus sentimentos são vergonhosos ou inaceitáveis.

Ao desaprovar o medo ou a raiva do seu filho, não só estará a impedi-lo de viver esses sentimentos, como poderá estar a forçá-lo a reprimi-los. Ao contrário das emoções que são expressas livremente, as quais tendem a desaparecer, sentimentos que são reprimidos tendem a ficar “presos” dentro da criança, como que à procura de uma saída. Acabam por sair cá fora de forma não modulada. Por exemplo através de gestos agressivos, tiques nervosos ou pesadelos durante o sono. Pelo contrário, ao permitir que o seu filho se expresse livremente, estará a ensinar-lhe a aceitar e a compreender que toda a gama de sentimentos é compreensível e parte integrante do ser humano, mesmo que algumas ações devam ser limitadas.

Numa situação em que o seu filho se sinta em conflito, em vez de censurá-lo ou atropelá-lo, poderá ajudar o seu filho a traduzir em palavras o que acha que ele sente e que ele ainda tem dificuldades em nomear: “Eu acho que te deves estar a sentir frustrado. Eu também sinto isso às vezes quando não consigo fazer aquilo que quero… O que normalmente faço é ver o lado positivo das coisas que acontecem!”. Deste modo, a criança aprende a identificar sentimentos, sente-se compreendida e aceite e a crise passa.

As vantagens:

– o seu filho vai aprender a aceitar as suas próprias emoções.
Por conseguinte terá maior capacidade de as regular. Isto é fundamental para permitir-lhe resolver os seus próprios sentimentos e conseguir seguir em frente.

– a criança aprende que a sua vida emocional não é perigosa nem vergonhosa.
Mas sim universal e passível de ser gerida. Desta forma, ela descobre que não está sozinha e aprende a aceitar-se tal como é, incluindo as suas partes menos agradáveis .

3 – Ensine-o resolver problemas

Emoções não são mais do que mensagens que o nosso cérebro emite para nos comunicar qualquer coisa. Se conseguir ensinar o seu filho a assumir essas emoções, a senti-las e a tolerá-las sem o impulso de agir sobre elas, estará a contribuir para que ele aprenda a gerir os seus próprios dilemas.

Na maioria dos casos, assim que a criança (ou o adulto) sinta que as suas emoções são compreendidas e aceites, os sentimentos negativos que lhe estejam associados perdem importância e começam a dissipar-se, criando-se um espaço para a resolução de problemas.

Por vezes, as crianças podem desenvolver essa capacidade sozinhas. Noutros casos talvez precisem de apoio para melhor compreender o que se passa. Em todo o caso, resista ao impulso de tentar imediatamente resolver o problema da criança, a menos que ela lhe peça ajuda directamente. Isto é fundamental para que ela sinta que você tem confiança na sua capacidade de lidar consigo mesmo e de encontrar soluções construtivas para os problemas.

Crianças que desenvolvem a sua inteligência emocional têm maior probabilidade de vir a ter sucesso – pessoal e profissional – enquanto adultos.

Os clássicos Disney e a mensagem para as nossas miúdas

Recentemente a actriz britânica Keira Knightely veio a público dizer que a sua filha de três anos está proibida de ver alguns clássicos da Disney, como a Cinderela, pela mensagem que passam, de que a mulher deve esperar que um homem venha salvá-la dos seus problemas.

Percebo o que ela quer dizer, é claro, mas acredito que esses filmes têm muito valor e são uma boa porta de entrada para a abordagem de vários tópicos e que podem ajudar a espalhar uma mensagem de igualdade de género, nem que seja pelo exemplo: viste o que ela fez e devia ter feito em vez disso?

Sou da opinião que o maior problema desses filmes é passar a ideia de um felizes para sempre, que bem sabemos não é assim tão plausível quanto isso. Porque a vida é feita de ciclos e depois de alguns obstáculos haverá outros e é isso que nos leva para a frente, nos fortalece ou nos machuca, faz de nós aquilo que somos. Nos ensina a valorizar a felicidade pelo que ela é, o que sentimos no momento – e isso deve ser mais valorizado do que a busca por uma felicidade inatingível que estará lá para sempre.

Ainda assim, aqui vai a forma como encaro os clássicos e como me ajudaram a conversar com a minha filha:

– A Branca de Neve e os Sete Anões: 

A vaidade é algo que tem o seu lugar mas se torna perigoso se se tornar uma obsessão. 

Se alguém vier ter contigo e te disser que alguém a mandou fazer-te mal, chama ajuda e não fujas. Não te escondas. Fala com alguém e conta o que aconteceu.

Nunca, mas nunca aceites coisas de estranhos.

Se alguém te disser “és tão bela, anda daí no meu cavalo em direcção ao horizonte” faz o favor de lhe perguntar primeiro o nome e de o conhecer antes de tomares qualquer decisão.

– A Bela e o Monstro:

A importância dos livros, porque ler é uma das maiores armas que uma mulher pode ter. Quando Gaston diz que não é certo para uma mulher ler porque pode ficar com certas ideias, não há nada mais certeiro que esse argumento para falar sobre a importância da cultura, da educação. Até mesmo da forma e do papel que a mulher teve na sociedade antes dos nossos tempos. De como as coisas mudaram. De como somos sortudas.

Não devemos ter vergonha de sermos diferentes, mesmo que isso faça os outros cochicharem sobre nós. Muitas vezes o problema está na pessoa que julga e não em ti.

A Bela era super especial por não querar casar com o rapaz mais bonito da aldeia só porque ele queria: ela não queria e isso basta. É importante saber dizer “não” mesmo quando há pressão para dizer “sim”.

Devemos sempre proteger os nossos pais, defendê-los e acreditar neles.

Devemos tentar conhecer as pessoas para lá da sua aparência – da boa (o caso do Gaston) e da má (o caso do monstro) e aí decidir se queremos que façam parte da nossa vida.

– Cinderela:

O nosso lado bom deve sempre prevalecer.

A maneira como os outros nos tratam não deve fazer com que nos tornemos maus como eles, nunca.

Devemos ser amigos dos animais.

Cantar pela manhã ajuda a começar o dia. ?

Se te disserem que não consegues fazer alguma coisa e acreditares que consegues, tenta até ao fim (se for bom para ti, se for bom para os outros e não faltar ao respeito a ninguém).

Se estiveres num sítio onde não te sintas bem nem feliz é legítimo que te vás embora. Talvez assim não vás àquela festa nem conheças o príncipe, mas o teu caminho pode passar bem longe daí.

– Pequena Sereia:

Nunca, mas nunca, abdiques da tua voz, seja qual for o teu objectivo, mesmo que ele pareça nobre e maior que tudo. A tua voz é a tua maneira de te fazeres ouvir e de continuares a ter um lugar neste mundo.

Aceita as tuas características, mas se sentires que elas te limitam não deixes de sonhar com um futuro em que é possível ultrapassá-las (sem nunca trocares esse sonho pela tua voz, mais uma vez).

Há coisas que manteremos sempre para nós. Há coisas que devemos contar aos nossos pais e falar com eles mesmo que tenhamos opiniões divergentes sobre os assuntos – esta partilha, esta comunicação pode evitar que nos metamos numa grande alhada.

Não é errado querer coisas diferentes. Mas sê cautelosa. E rodeia-te das pessoas certas. Sempre.

Sou apaixonada pelos clássicos da Disney e as interpretações que fiz deles tem mudado à medida que eu também mudo. E é por isso que não privo a minha filha de os ver, porque acho que a magia que transportam é essencial para os sonhos. E porque não sou antiprincesas, sou apenas da opinião de que nem todas deveremos ser princesas e não está escrito que todas queiramos o mesmo, vemos juntas. E conversamos.

Muito sobre como as coisas eram naquela altura, como são hoje.

O que mudou e o que ainda tem de mudar. Porque estes filmes são, acima de tudo, parábolas e se formos literais muitas vezes corremos o risco de perder o mais importante na mensagem.

A minha filha é uma princesa guerreira e tenho muito orgulho nisso.

Ser obediente, é bom?

Quando fazemos o exercício de pensar em crianças, por norma, imaginamos crianças com energia, a rir e a brincar. Por outro lado, dá-nos um sentimento de certa estranheza imaginar uma criança no seu cantinho quieta, como se, não existisse. Não raras vezes, estamos demasiado preocupados com as crianças ditas “hiperativas” e esquecemo-nos de olhar para as crianças “hiperpassivas”. Crianças que fazem os possíveis para serem invisíveis, que nunca perturbam e são, regra geral, extremamente obedientes.

Queremos crianças obedientes, desde que a acompanhar a obediência existam gestos espontâneos e a expressão daquilo que a criança sente e pensa. Aquilo que nos preocupa é quando a obediência vem tolhida de uma certa invisibilidade.  Quando a criança por tão assustada que se encontra, às vezes, faz os possíveis para ‘não existir’. E, ‘não existir’ é, muitas vezes, um reflexo de obediência com base no medo. Sempre que uma criança obedece com base no medo, está a distanciar-se de si própria e torna-se incapaz de respeitar o seu espaço e de apreender a noção de empatia e respeito pelos outros.

As regras e as recompensas

É essencial que as crianças sejam capazes de obedecer e ter um conjunto de regras que balizam os seus comportamentos, sem que vivam permanentemente sufocadas pelo que imaginam que esperam delas. Da mesma forma que, as crianças devem aprender que ter um bom rendimento escolar, ajudar nas tarefas domésticas, responder de forma adequada aos adultos. Estas são atitudes que devem ter porque estão correctas e são a base do respeito e não para serem recompensadas de forma directa e imediata. Pois, sempre que uma criança faz uma tarefa com a expectativa de ter uma recompensa, a noção de que o faz porque é assim que deve ser e porque é uma responsabilidade sua, perde-se e, a certa altura, temos crianças que só se movem com base nas recompensas.

É importante que a criança compreenda que tem deveres e que tem direitos e que entre eles, existe respeito, compreensão, empatia e amor.

Claro que, se uma criança consegue levar a cabo um conjunto de comportamentos e atitudes que até então não tinha conseguido, os pais podem e devem recompensá-la. No entanto esta recompensa deve funcionar como um reconhecimento e não como uma recompensa por si só. Isto é, a criança teve uma série de atitudes que deixaram os pais muito satisfeitos, então, os pais vão exercer um gesto de reconhecimento para com a criança. Este gesto acontece sem que a criança esteja a contar e se for imaterial tanto melhor. Se em vez de um brinquedo ou um jogo os pais proporcionarem à criança um momento relacional de que ela goste, como uma ida ao cinema, ou um piquenique a criança será capaz de ter uma linha orientadora que lhe sinaliza que está no caminho certo e que deve continuar desta forma.

Passo por passo, a criança vai adquirir valores que vão reger toda a sua atitude perante os desafios do seu dia-a-dia. Aprende assente nas linhas orientadoras dos pais sem que delas tenha medo, sem que para ser obediente precise de ser invisível.

Desta forma, é importante que as crianças riam com o corpo todo. Que as famílias permitam a liberdade de expressão e dêem espaço à individualidade de cada criança. Que eduquem praticando o amor, o afeto e o respeito, pois, só quando uma criança cresce num ambiente que é estruturante e que lhe permite a individualidade com a retaguarda do calor dos pais, se permite a existir em plenitude.

A educação e inclusão na vida dos nossos filhos

Hoje falava com uma pessoa amiga, mãe, que me dizia, de lágrimas nos olhos, que sentia que o seu filho era tratado de maneira diferente por não ser português.

Eu, habituada às nossas conversas num outro tom, estaquei. Olhei-a, como se fosse a primeira vez e eu própria senti as lágrimas a molharem-me os olhos.
Quis dizer que era impressão sua, que não podia ser assim, mas à medida que ela ia falando fui percebendo que, estando no mesmo sítio a fazer as mesmas coisas, pura e simplesmente, não me tinha apercebido. E eu sou atenta, preocupada.

Mas não vi.

Ela disse-me que é porque não tenho esse preconceito, porque ajo com ela, com o filho, com toda a gente, da mesma forma e, por isso, nem sequer pus em causa que pudesse ser de outra forma. E está certa.
Sabem aquele momento nos filmes em que a mulher percebe finalmente que o marido a trai e depois começa a ligar todos os pontos e percebe que esteve sempre à sua frente? Foi assim que me senti, a reviver todos os momentos e a dar-lhe razão. E com o coração partido por, no meu lugar de privilégio, nunca ter notado.

Quis dizer que entendia, que compreendia, mas na verdade não é possível nenhuma dessas coisas sem sentir na pele. Não sei o que é sentir que tratam os nossos filhos como alguém menos digno de carinho, afecto ou consideração apenas porque a sua origem é diferente. Magoou-me enquanto portuguesa, feriu-me enquanto mãe. Não aceito uma coisa destas, não acho legítimo nem justo. E sei que está em todo o lado, em várias situações no dia a dia.

No caso destas pessoas ambos os filhos nasceram em Portugal e são, na verdade, portugueses, apesar de os pais serem emigrantes. E estes filhos ainda não pequeninos para, na maioria das vezes, perceber a diferença de tratamento mas os pais sentem. E vivem isso diariamente.

E sofrem a angústia do futuro dos filhos.

Eu tento falar com a minha de diversidade, e andando ela numa escola multicultural com um aclamado projecto de inclusão e integração de várias comunidades, sei que lida diariamente com a diferença, de tal forma que para ela não é assim tanta diferença do que para outros meninos que partilhem o seu espaço só com crianças de origem semelhante. Isto para dizer que no outro dia, já não consigo precisar a propósito de quê, lhe disse mais uma vez a minha célebre frase “somos todos diferentes”. E ela revidou, “mas a minha educadora diz que nós somos todos iguais”.

Parei.

É a mesma abordagem para a mesma temática e para a minha filha aquilo parecia que estávamos cada uma a dizer uma coisa. E por isso expliquei que isso queria dizer a mesma coisa. Somos todos diferentes e devemos aceitar as diferenças com respeito e somos todos iguais, temos direito às mesmas coisas e os mesmos deveres.

Ela percebeu.

Vivemos num tempo em que ainda se dizem coisas terríveis como “volta para a tua terra”. Mas as pessoas esquecem que no seu ADN têm as mais variadas origens. Que os seus antepassados e até gerações mais recentes, andaram pelo mundo, vieram e foram de e para os sítios mais distantes no planeta. Por isso já começa a ser um bocadinho absurdo mandarmos as pessoas seja para
onde for em vez de tentar fazer como que sejam bem-vindas, incluídas e contribuam todas para o bem comum.

Não sei se a minha filha vai viver sempre em Portugal ou se haverá um dia em que a estrangeira será ela. Mas desejo-lhe o mesmo que desejo para os filhos dos outros: muito amor, respeito, paz e oportunidades de mostrar o que vale e o que é apesar de onde vem.

Da próxima vez que qualquer um de nós estiver em contacto com alguém diferente, seja essa diferença qual for, pensemos um pouco antes de agir.

Às vezes, só essa pausa já pode mudar tudo.

Porque se pararmos muitas vezes somos a melhor versão de nós mesmos.
Como se espera que os nossos filhos também sejam.

image@weheartit

A menina que sabia usar o coração… | Chiado Books | De Persica Autora – Isabel Leal

Sinopse

Era uma vez uma menina que tinha perdido o coração… Era uma vez uma menina que não sabia onde tinha o coração… Era uma vez uma menina que sabia usar o coração. Sim sabia que onde punha o coração há um som mágico, um sorriso, o som de um golfinho ou um abraço do seu melhor amigo.
Este conto infantil feito para grandes e pequenos quer lembrar a todos como se usa o coração para que a vida seja mais alegre, bonita e bem vivida. Joana e Rui vão de mãos dadas consigo mostrar como se faz.
Deixe-se contagiar por esta bela história que de tão simples que é entra sem pedir licença e mostra que os sentimentos do coração são os mais puros, mais infantis mas os mais fortes.

Um livro para toda a família

Este livro destina-se a incentivar o tempo de leitura em família dedicado aos mais pequenos antes de dormir. Encerra um conto infantil, uma meditação infantil, um artigo sobre arte terapia – teatro e os seus benefícios, um artigo que explica como organizar, ensaiar e encenar uma peça com os mais pequenos e uma adaptação para teatro do mesmo conto.
Tire partido da adaptação da peça de teatro para brincar a sério em casa ou na escola. Viaje com a Joana e o Rui nas diversas possibilidades que este trabalho lhes oferece!

Peça de teatro

a menina que sabia usar o coração

Huawei usa inteligência artificial para ajudar crianças surdas a aprender a ler

E se o seu filho não conseguisse ouvir?

Aprender a ler é um processo difícil e demorado para a maioria das crianças. Por isso, quando os nossos filhos começam a aprender a ler, gostamos de incentiva-los a ler em voz alta. Porque sabemos que conseguir ouvir-se a ler as palavras e transformar silabas em sons, tem um papel de extrema importancia nesta evolução.

Fazer a união da língua falada com a língua escrita.

Agora imagine que o seu filho não consegue ouvir. Como será a aprendizagem da leitura de palavras escritas e a tradução imediata para língua gestual?

Para uma criança surda que já domina a língua gestual aprender a ler é como aprender uma outra língua. O grau de dificuldade é grande. O processo é ainda mais complexo e demorado do que para uma criança sem quaisquer problemas auditivos.

Estas crianças não estão diariamente a ouvir o som das palavras. Não ouvem os pais a ler-lhes histórias. Não ouvem o som dos brinquedos didácticos que repetem vezes sem contas os nomes das cores, ou dos números, enfatizando a silaba tónica sempre que se carrega num botão.

Estas crianças precisam da visão para ver e ouvir em simultâneo.

A maioria de nós, pais, nunca pensou nisso.

É importante aumentar a consciencialização sobre a questão da alfabetização das crianças surdas. É importante criar empatia e compreensão pelos desafios enfrentados em conjunto com as suas famílias.

A pensar nestas questões, a Huawei veio a desenvolver um projeto diferente e inovador. Um utilitário que vai fazer com que também os meninos surdos possam ouvir histórias antes de ir dormir.

StorySign, a app que vai ler histórias às crianças surdas

StorySign é a app gratuita desenvolvida pela Huawei que usa a inteligência artificial para interpretar em língua gestual livros infantis previamente selecionados.

Como funciona?

1º  Abrir a aplicação e clicar num dos livros disponíveis na biblioteca do StorySign. (Deverá ter uma cópia física do livro para que o StorySign possa fazer a sua magia e contar esta história em língua gestual portuguesa.)

2º. Segura o telemóvel na vertical sobre as palavras na página e a Star, a avatar tradutora, conta a história em língua gestual, enquanto as palavras escritas são realçadas. Assim a criança consegue de forma simples associar gestos e palavras de forma a facilitar a aprendizagem da leitura mantendo o seu próprio ritmo.

Star

A Star é a avatar, criada para traduzir os livros para língua gestual. Foi desenvolvida pela Aardman Animation, recorrendo a tecnologia avançada de captura de movimento, para garantir que a expressão facial e as mãos da Star comunicam em língua gestual perfeita. Assim, todas as crianças surdas e ouvintes vão adorar “ouvir” a Star a contar histórias.

 

A aplicação StorySign está disponível gratuitamente para Android através da Google Play Store e Huawei AppGallery, em dez línguas gestuais (inglês, francês, alemão, italiano, espanhol, holandês, português, irlandês, flamengo da Bélgica e alemão da Suíça).

Para a apresentação da app, a Huawei lançou o emblemático livro “Onde está o Bolinha?” de Eric Hill, que já se encontra disponível gratuitamente em Portugal.

O StorySign é apoiado por associações de caridade por toda a Europa, incluindo a União Europeia dos Surdos. Assistido pela Inteligência Artificial da Huawei, desenhado pela Aardman Animations e com livros clássicos infantis da Penguin Random House.

 

O mérito, o valor e a excelência foram convidados para a festa do ano.

Vestiram-se a rigor, puseram no rosto o seu melhor sorriso e dançaram juntos ao som de Freddie Mercury, antes de sair de casa.
Ao chegar à escola, sentiram-se ainda mais especiais. Tudo estava tão mais bonito! As flores enfeitavam o auditório, as luzes acesas iluminavam o palco. A toalha azul, a mesa de café e chá e uns rolinhos brancos com fita de cetim muito alinhados, faziam adivinhar o que de tão importante lá traziam escrito.

Todos se endireitavam, imponentes, de mãos atrás das costas para os receber: a equipa de direção, os professores, os pais e uii… imagine-se, até o presidente da câmara lá estava.

O mérito, o valor e a excelência ficaram envergonhados com tal acolhimento mas encheram o peito de orgulho por ali terem sido chamados.

À medida que a cerimónia avançava, anunciavam-se os nomes da lista dourada. Os meninos e as meninas subiam ao palco, debaixo de aplausos. Os pais, de pé na plateia, não cabiam em si de contentes. Por entre flashes de telemóvel e braços no ar, via-se uma ou outra lágrima de emoção.

O mérito, o valor e a excelência distribuíam abraços e assinavam contentes os diplomas dos alunos premiados que, assim que podiam, fugiam outra vez para os braços da família.

E mesmo no momento em que começavam a habituar-se a tão especial missão, o mérito, o valor e a excelência perceberam que os rolinhos brancos com fita de cetim haviam chegado ao fim.

O mérito, o valor e a excelência: critérios

Mas… quantos alunos tem esta escola?”, perguntou com estranheza a excelência.
“Cerca de 300!”, respondeu alguém prontamente.
“E então onde estão os outros 260?”, devolveu o mérito.
Um silêncio constrangedor tomou conta da sala. Sim, era verdade, naquela escola viviam 260 crianças que ali não tinham cadeira naquela noite.
“Ahãã…” avançou corajosamente alguém:Sabem é que os critérios este ano são apertados. É preciso ter nível 4 ou 5 a todas as disciplinas! Ah, e claro, não ter sido sujeito a nenhuma medida disciplinar…

O mérito, o valor e a excelência olharam confusos uns para os outros e perceberam, finalmente, o que por ali se passava. Não conseguindo disfarçar o natural desapontamento, baixaram os braços, deixaram esmorecer o sorriso, apagar-se o entusiasmo e, abandonaram a festa.

Já em casa e antes de adormecer, tomaram a mais sábia decisão das suas vidas: falar com a organização e propor a revisão dos critérios a concurso. Para o ano bastaria apenas o cumprimento de um, para que se excedessem todos os padrões de mérito, de valor e de excelência: Ser Criança.

E com pós de perlimpimpim, esta história chegou ao fim.

Era só isto, meus senhores. Era com esta história de encantar que hoje vos queria adormecer…

Dois dos meus filhos têm pele atópica. Também eu, quando era mais nova costumava ter algumas crises de eczemas, tendo sido diagnosticada numa crise mais severa na adolescência, como dermatite atópica. Por este motivo, reconheci os mesmos sintomas nos meus filhos quando ainda eram bebés, e começaram a ser acompanhados pelo dermatologista pediátrico desde muito cedo.

O que é a Dermatite Atópica?

Estima-se que 20% das crianças em todo o mundo têm pele atópica*, sendo a principal doença tratada pela dermatologia infantil. Também conhecida como Eczema Atópico, a Dermatite Atópica (DA) é uma doença de pele que pode ser alérgica ou crónica.

Caracteriza-se por secura, comichão e zonas avermelhadas durante períodos mais ou menos longos.

Os meus filhos faziam eczemas nas dobras (como sabemos, os bebés têm muitas pregas), na zona do pescoço, no peito, nas axilas, atrás dos joelhos, interior das pernas e parte inferior das costas, especialmente nas zonas da fralda.

Possivelmente alguns dos vossos filhos já tiverem eczemas, e eu que já sofri do mesmo mal posso dizer-vos que dá muito incómodo pois dá uma espécie de comichão e ardor em simultâneo. Lembro-me de haver alturas em criança, em que me coçava até fazer ferida.

Agora imagino nos bebés, que não têm a capacidade de se queixar, nem de ser coçar ou massajar para aliviar os efeitos.

Por isso, é normal que crianças com dermatite atópica apresentem um comportamento irritado que, muitas vezes, se confunde com uma birra de sono ou de cocó na fralda, com choro à mistura. Esta é a sua forma de comunicarem. De se queixarem e dizer-nos que estão desconfortáveis. É também normal que apresentem padrões de sono mais irregulares, uma vez que, quando estão com irritação na pele, se sintam extremamente desconfortáveis.

Nos meus filhos foi desaparecendo com a idade, até que numa crise de asma, a minha filha voltou a ficar com eczemas grandes, agora mais concentrados apenas em duas zonas, e que me fez andar outra vez à volta deste assunto.

Por isso, para melhor perceber o que é a dermatite, deixamos 12 perguntas e respostas que esclarecem algumas das dúvidas mais comuns:

1. Em que idade surge?

Normalmente, as crianças são mais vulneráveis e a doença surge antes dos cinco anos de idade, havendo uma grande percentagem de incidência em crianças com menos de um ano. Verifica-se em muitos dos casos, o desaparecimento parcial e por vezes total dos sintomas com a idade.  No entanto, pode aparecer em qualquer altura da vida, sendo que, quando aparece mais tardiamente, os efeitos tendem a ser mais duradouros.

2. Quais são os sintomas mais comuns?

Apesar de nenhum organismo ser igual, as queixas mais comuns são:

  • Pele seca;
  • Manchas vermelhas;
  • Comichão.

Para qualquer um destes momentos mais inquietantes, poderá ter um aliado apaziguante, pronto para atuar sobre qualquer tipo de pele, seja em que idade for, com manteiga de Karité, madecassosside e Glocunato de Zinco antibacteriano, uma fórmula tripla de peso que vai querer ter sempre à mão.

 

3. Tem cura?

Assim como outras doenças crónicas, a DA não tem cura, mas tem forma de ser controlada. E a verdade é que com a idade, a maioria das crianças tendem a sentir um alívio considerável dos sintomas e uma diminuição dos episódios de crise.

4. Quais as suas causas?

Pode existir uma predisposição genética (eczema atópico) e alguns factores ambientais que contribuem para o seu aparecimento, como os elevados níveis de poluição. De facto, quando um dos pais sofre de atopia, existe uma maior probabilidade de a criança também desenvolver esta patologia. (Agora percebo onde é que os meus filhos foram buscar isto!)

Por outro lado, existem também causas alérgicas, isto é, quando a pele entra em contato com ingredientes reativos, provocando uma reação de sensibilidade (eczema de contacto alérgico).

5. Quais os factores do nosso dia-a-dia que podem agravar a doença?

  • Banhos demorados
  • Água muito quente
  • Sabonete com ingredientes agressivos
  • Cosméticos não indicados para pele com tendência atópica
  • Roupas sintéticas, transpiração,
  • Alguns detergentes mais agressivos
  • Alimentação.

6. É contagioso?

Nem pensar, a DA não se transmite pelo contato direto. Podem continuar a dormir todos na mesma cama e abraçar-se como antes que não existe qualquer contágio direto.

7. O estado emocional tem influência no aparecimento de sintomas?

Sim, a parte emocional tem um papel importante nas crises de dermatite atópica. Nos bebés é muito fácil de perceber esse desenvolvimento: quando não os ajudamos a acalmar a comichão, eles choram muito, e verifica-se um aumento grande de um dia para o outro da vermelhidão. Depois torna-se numa bola de neve.

Também é possível que o stress dos pais passe para os filhos por isso, em situações destas (e também outras do quotidiano) é impreterível que os pais consigam controlar a sua ansiedade perante os filhos, para que estes não se tornem também crianças nervosas/inquietas, aumentando os sintomas da crise.

8. Uma criança com Dermatite Atópica deve consultar um psicólogo?

Não se tratando de uma doença psicológica, o eczema e os seus sintomas podem ter alguns impactos na qualidade de vida do paciente. Posto isto, pode ser importante ter um acompanhamento profissional, nalguns momentos, sobretudo nos casos mais severos.

9. Como é feito o tratamento?

A melhor forma de lidar e cuidar da sua pele é, nada mais, nada menos, do que através da hidratação.  Quando a pele está seca e desidratada, a sua barreira de proteção está incompleta o que gera mais episódios e crises. Procure sempre nutrir a pele com cuidados emolientes, ricos em óleos e adequados à pele com tendência atópica.

Não descure a importância do banho e restaure o seu equilíbrio cutâneo com os aliados certos.

10. Pode uma pele com Dermatite Atópica frequentar uma piscina?

Sim. No entanto, sem estar demasiado tempo. E assim que sair, deve passar-se por água corrente e hidratar-se devidamente. O cloro e outros desinfetantes colocados nas piscinas, até mesmo o sal, pode ser prejudicial para uma pele atópica, se não lavada de seguida.

11. Os animais de estimação são proibidos?

Muitas crianças sonham com o momento em que têm o seu primeiro animal de estimação. Não é preciso abolir de todo a ideia, mas infelizmente é necessário haver vários cuidados para que não agrave esta condição. A título de exemplo: a animais com pêlo, como cães e gatos, não deve ser permitido o contacto com a cama do mais pequeno, evitando também o sofá. A casa também deve ser aspirada, pelo menos três vezes por semana. Em todos os casos, uma conversa com o dermatologista deve ser o primeiro passo.

12.Quais devem ser as rotinas essenciais de uma pele com Dermatite Atópica?

  1. Hidratar a pele todos os dias.
  2. Banhos rápidos e com água pouco quente.
  3. Utilize produtos de limpeza e sabonetes adaptados à pele sensível e com fórmulas hipoalergénicas.
  4. Prefira sempre roupas de algodão.
  5. Fuja de produtos com muitos químicos e de amaciadores na lavagem das suas roupas.

 

[1] *Nutten, S. Atopic Dermatitis: Global Epidermology and Risk Factors. Ann Nutr Metab 2015; 66 (suppl 1): 8-16