…lá de cima do telhado. Cantava-me a minha bisavó para me embalar.

A música ficou cá dentro e quando me tornei mãe da J., era uma das poucas que sabia e que cantava para a adormecer.

Acontece que o Papão agora já não está em cima do telhado. Revelou-se ao Mundo no 11 de Setembro de 2001, pela primeira vez e, pela última vez, há dias em França e na Nigéria.

Dei por mim a ter de explicar à J. o que é que se passou em Paris:

– Foram os bandidos que mataram uns senhores.

– E porquê, mãe?

– Porque são bandidos. Há pessoas boas e más no planeta e estes são maus.

Consegui que a conversa não fosse muito mais adiante. A curiosidade dela é grande, e a minha insegurança em passar-lhe a informação certa, também.

O que é que se diz a uma criança de seis anos, que se apercebe de que algo terrível aconteceu, porque a televisão da sala está ligada nas notícias?

Dias depois, o assunto veio novamente à baila:

– Mãe, porque é que aquelas pessoas estão todas juntas a caminhar pela rua?

– Porque estão a mostrar aos bandidos que não têm medo delas.

– Mas por que é que os bandidos mataram aquelas pessoas?

Voltei a raciocinar a mil à hora, com medo de falhar na resposta.

A responsabilidade de uma resposta destas é enorme.

Não queremos que tenham a noção real de que o Papão, da canção de embalar, são terroristas perigosos; não as queremos enganar porque é uma questão de tempo até perceberem que lhes mentimos e aí a explicação fica ainda mais difícil de dar.

A solução foi tentar aproximar a triste realidade do século XXI a uma miúda de 6 anos:

– Isto é como na história das Princesas. Por exemplo, a Branca de Neve, filha. Os bandidos são a bruxa que quer fazer mal à Branca de Neve e todas as pessoas boas, são os anões, a Branca de Neve e o Príncipe, que juntos conseguem vencer o mal.

Confesso que houve umas pausas brevíssimas entre palavras à medida que me saía a explicação.

Correu bem e a J. percebeu que na vida real há bons e maus como nas histórias de princesas que ela tanto adora. Ficou esclarecida e sem medo do Mundo real.

Eu, enquanto mãe, fiquei de coração apertado. O Mundo ao qual a trouxe está cada vez mais negro, mais perigoso, mais cheio de Papões. Os que para mim, na idade dela, só existiam nas canções da minha bisavó.

Por Irina Gomes,
para Up To Lisbon Kids®

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Todas as crianças são, no seu nascimento, uma tela em branco. À medida que crescem, revelam-se.

É incrível como, desde tão pequenos, já são entre si tão diferentes, com os seus temperamentos, sensibilidades, manias e opiniões. As crianças trazem consigo muitos e muitos sonhos, que porão em marcha com a ajuda sábia dos seus pais.

Crianças autónomas são crianças mais felizes. São crianças que se sentem confiantes ao explorar o mundo em redor e que partem para a relação com os outros de uma forma mais espontânea, segura e recetiva. Compreendem os seus comportamentos e assumem a sua responsabilidade sobre os mesmos, desenvolvendo uma matriz de valores pessoais e sociais fundamental para si e para o Mundo em geral. Estas crianças compreendem o seu papel, enquanto filho, enquanto aluno e, um dia, enquanto profissional, reconhecendo que o seu sucesso está diretamente relacionado com a qualidade do empenho que colocam nos seus desafios, e estão dispostos a aprender e a repensar a sua atitude após os seus erros.

Ensinar requer tempo e paciência. É muitas vezes mais fácil supervisionar as tarefas e acabar por ser a mãe a acabá-las, porque o faz mais rápido, porque o faz melhor e porque sentiu pena do seu filho ao vê-lo com dificuldades. Contudo, são estas dificuldades que empurram as crianças para o seu crescimento e as tornarão adultos mais capazes e, consequentemente, mais felizes.

Pais e Educadores devem criar oportunidades onde as crianças possam tomar decisões e assumir a responsabilidade resultante da mesma.

Ensinar como fazer e manter-se na retaguarda, deixando-as explorar, cometer erros e aprender com os mesmos, é o tipo de postura que mais potencia o desenvolvimento da autonomia. Como? Segundo Ridvan Foxhall, estas são as melhores formas:

  • Permita que as crianças façam escolhas: A possibilidade de escolha dá às crianças a oportunidade de ter algum controlo num mundo onde os adultos tomam todas as decisões;
  • Respeite a luta: Dêem-lhes tempo para vivenciar as suas dificuldades. Estas desenvolvem a sua força;
  • Quando têm um problema, não lhes dê a resposta de bandeja: Encoraje-os a responder às suas próprias questões, pesquisando, refletindo, conversando;
  • Deixe-os fazer por si próprios: Não faça pelas crianças aquilo que conseguem fazer por si próprias. Incentive-os a vestir-se sozinhos, a escovar os dentes ou a ajudar nas tarefas em casa. Se o fizer desde cedo, verá o orgulho com que se apresentarão perante os outros;
  • Não os desencoraje: Mesmo que considere que a criança não será capaz de determinada coisa, deixe-a tentar e dê-lhe o seu apoio. Permita que saiam da sua zona de conforto. Se a criança conseguir, perfeito. Se não conseguir, aprenderá com a experiência e sentirá que pode contar consigo;
  • Deixe as crianças falar por si: Quando alguém faz uma pergunta ao seu filho, deixe que ele responda. É um forte sinal de respeito por si e pelas suas opiniões.

Mãos à obra: o Crescimento do seu filho já está em andamento!

Márcia Fidalgo, Professora de 1º Ciclo e de Educação Especial

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10 pessoas que há em todos os supermercados

A Chica Esperta
Nos supermercados existe uma fila expresso que se chama “Até 15 unidades”. Há umas aves raras que acham que é a fila para levar tudo o que couber no cesto pequeno. “Eu só vinha buscar meia dúzia de coisinhas” E por isso, nem sequer se dão ao trabalho de contar essas coisinhas. Depois do mal feito toca a dividir tudo em duas ou três contas, e passa de caixa rápida à caixa entupida com uma fila estupidamente grande de pessoas a bufar (incluindo eu)

A Despachada
Entra supermercado adentro e é dona de tudo. Começa a recolher o que precisa até ter os braços cheios e não conseguir ver nada para a frente. Aí apercebe-se que precisa de um carrinho. Então pega no primeiro carro mais ou menos vazio que encontra, despeja lá as suas compras e segue descontraidamente corredor fora. “Neste caso a pessoa lesada perde no máximo a moeda de 1€ do carrinho… “ – ERRADO! Perde tempo, paciência e o raio da moeda é o que menos importa numa situação dessas. É por essas e por outras que levo sempre uma criança dentro do carro.

A Malcriada 
Ir ao supermercado é cansativo. Especialmente se vamos ao fim da tarde, com crianças a reboque e depois de um dia de trabalho. Mas as senhoras da caixa estão a trabalhar, e não merecem (nem são pagas para) apanhar com a má-disposição das suas dezenas/centenas de clientes diários. A malcriada faz gala em deixar toda a gente à espera enquanto fala mal com a senhora da caixa. Ou simplesmente está ao telemóvel e depois de todas as compras contabilizadas continua com seu telefonema calmamente enquanto a fila espera que pague e se ponha a milhas, porque já ninguém a pode ver, nem pintada de ouro.

A Distraída.
Estou grávida. Chego à fila de prioritários, com uma barriga que parece um balão e mais 3 crianças insuportáveis de cansaço, de fome e de sono. À minha frente uma senhora de 50 anos. Sem crianças. Sem bengala. Sem qualquer tipo de deficiência (pelo menos julgava eu) Quando ouve a gritaria olha para trás, e de repente num movimento automático qual réptil a capturar uma presa, vira-se de costas para nós e despeja o mais rápido que consegue os seus dois carros de compras na passadeira. A sério?

A Stalker
Esta toda a gente conhece: é aquela senhora que não sabe manter a distancia higiénica na fila. E quanto mais tentamos afastar-nos, mais esta senhora se chega. Damos um passo à frente e já sentimos o carrinho dela a aconchegar-nos o pelo nas costas. E enquanto tento fugir dela pergunto-me se não estarei eu a ser a stalker da pessoa que está à minha frente…

A Fuinha
Ninguém dá por ela até ser atendida e abrir a carteira. Leva consigo 1001 talões de desconto, o cartão de pontos, o da gasolina, o de cliente e ainda o dos cinemas, não vá o diabo tece-las. Pede uma fatura com número de contribuinte para as fraldas e paga à parte (às vezes dá para pôr no IRS). Outra para o material escolar e paga com um cartão da empresa. O resto das compras no nif do marido porque estão a concorrer ao carro. Apresenta-se na caixa com o catálogo de promoções da semana e confirma os preços de cada artigo ao som da leitura do código de barras. No fim, antes de pagar, saca dos óculos e apercebe-se que as bananas saíram a 0.99€ em vez de 0.49€, e tem de se anular essa entrada. Patinador à caixa 5, se faz o obséquio!

A Conversadora
Estamos na caixa à espera da nossa vez, e por algum motivo a fila não avança: possivelmente alguma das personagens anteriores a atrasar o transito. Há sempre uma senhora mortinha para que olhemos para ela para comentar o que se está a passar. O melhor é agarrar numa revista e começar a folhear afincadamente. A conversadora, às vezes, apanha-nos nos corredores e olha para o nosso carrinho e simplesmente comenta “Eu já comprei esses iogurtes e são muito bons!”. Nesta situação, esboço um sorriso e piro-me rapidamente dali! Loony!!

A boca-de-trapos
Normalmente é uma senhora debilitada, afável e delicada… pelo menos até começar a falar. Aparece com um sorriso amoroso e pergunta “Será que me pode ajudar? Ando à procura do corredor dos produtos de higiene?” e quando nos preparamos para responder remata com “É que estou com uma hemorroidal muito assanhada e preciso de um creme para me aliviar. Já não faço uma refeição sentada há 3 dias” – Menos minha senhora, muito menos faxavor!

A Mais-olhos-que-barriga
Há pessoas que não resistem à tentação de enfiar tudo e um par de botas no carrinho. Quando percebem que 1. Não querem gastar tanto dinheiro; 2. Não precisam de tanta coisa; 3. Vieram a pé e não conseguem levar tanto peso,  nada mais há a fazer do que largar alguns dos artigos para trás. O gelado é supérfluo, é o primeiro a sair, fica já na prateleira dos shampoos. O leite pesa muito. Fica no chão encostado às fraldas que não incomoda.  O papel higiénico ainda percorre o supermercado inteiro, mas acaba por ficar na caixa. A Mais-olhos-que-barriga, inconscientemente dá emprego a muita gente… afinal, alguém tem de arrumar estes artigos! Patinador ao corr…. Ai não, essa piada já foi!

A Jeitinhos
Depois de uma aventura de 1h pelos corredores do supermercado com 3 crianças e um bebé, mais 20 minutos de espera na fila, chega a nossa vez. Já coloquei todos os itens na passadeira. Ouço “A senhora importa-se de me dar o jeitinho? Só tenho estas pêras para passar” A Jeitinhos é assim. Aparece sem nos apercebermos, e pede alto e em bom tom mas de uma forma educada se pode passar à frente. Sem coragem para recusar lá deixamos. Passa as pêras Williams, e quando vai passar a pêra Rocha daquelas já embaladas… está sem código de barras. Mas a Jeitinhos não desiste, não deixa nada para trás. A empregada telefona para a frutaria. Dizem um código de 18 dígitos que não funciona à primeira mas apenas à terceira. Finalmente! Mas quando vai imprimir, acaba o rolo. Nisto já penso: “Maldita Jeitinhos”

 

Por Up To Lisboa Kids®

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No dia em que te vi pela primeira vez eu ainda não sabia que ia passar noites a aninhar-te nos meus braços a sussurrar-te ao ouvido “o papão foi embora”… Nem que, por fim quando adormecesses, apesar de fatigada, eu ia continuar a vigiar o teu sono para garantir que afugentava esse monstro que nasce do escuro para assustar os bebés pequeninos…

Eu ainda não sabia que ia chorar mais do que tu no dia em que te deixasse pela primeira vez no berçário, por não poder continuar a ser eu a acordar-te da sesta com mimos de mãe e papas morninhas, como tu tanto gostavas e eu tão bem sabia fazer…

No dia em que te vi pela primeira vez eu ainda não sabia o quanto custava ver-te febril, com cólicas ou com qualquer outro mal-estar que eu não pudesse transferir para mim, para te poupar a ti das tuas primeiras dores do mundo…

Nem como seria o desespero por deixar de te ver por um segundo no supermercado, nem que esta sensação apenas se dissiparia quando eu te visse ao colo do teu pai ou mesmo atrás de mim, meu docinho, que o medo de te perder é capaz de cegar uma mãe…

Eu ainda não sabia que viria a sentir uma vontade secreta de dar um beliscão àquele miúdo da tua sala que te mordeu e puxou o cabelo, deixando-te a chorar e com medo de voltar à escola no dia seguinte…

Eu desconhecia que a cada queda que desses seriam também os meus joelhos a ficar esfolados.

Eu desconhecia que por cada vez que me falasses acerca dos teus medos, também o meu coração ficaria pesado com receios e inseguranças por não poder ser eu a enfrentar por ti tudo de mau que a vida traz…

Eu ainda não sabia nada disto no dia em que te vi pela primeira vez.

Tal como agora também ainda não sei o que está para vir.

Mas desde o primeiro dia que te vi eu soube que, para o bem e para o mal,  irei estar sempre ao teu lado para te dar a mão cada vez que a vida não seja tão justa como deveria ser.

Que por ti vou afugentar todos os monstros que surjam da escuridão, vou chorar ao teu lado sempre que sentires uma ponta de tristeza, vou suportar todos os apertos que o meu coração de mãe sentir, vou esfolar os meus joelhos e o meu coração também… Porque tu estás em primeiro lugar e não há ninguém no mundo inteiro que seja tão especial para mim como tu és.

Hoje e sempre.

Coração da minha vida.

Dedicado a cada um dos corações da minha vida, para quem todos os dias olho como se fosse a primeira vez.

Passo metade do ano a dizer aos meus botões que preciso de mudar algumas coisas no meu dia-a-dia para que possa ter mais tempo e mais qualidade de tempo com os meus filhos. Fui escrevendo algumas notas que agora compilo aqui numa lista de resoluções simples, que acredito que irão tornar o nosso ano melhor ainda.

Deixo-vos as minhas 15 resoluções de mãe para 2017. Querem acrescentar algumas à lista?

  1. Vou parar de me comparar com as outras mães. Cada uma faz o que pode e como pode, e eu faço o meu melhor.
  2. Vou organizar a festa de pijama que prometi à minha filha há mais de um ano. Mesmo que não seja com as amigas todas, pelo menos com 4 delas. Ou duas. Ou vestimos pijamas aos bonecos, acampamos na sala a comer marshmallows e a contar histórias assustadoras!
  3. Vou identificar a roupa TODA dos meus filhos. Ir aos perdidos e achados todas as semanas e ver dezenas de casacos de capuz iguais é desesperante.
  4. Vou ensinar os meus filhos a serem sempre pontuais, e para isso vou deixar de me atrasar.
  5. Vou responder a todos os convites para as festas de anos antes que os miúdos desapareçam com eles.
  6. Vou ler, pelo menos, cinco livros que não sejam infantis. E vou continuar a ler os livros infantis sempre que me pedem mesmo sabendo que já os podem ler sozinhos, porque qualquer dia deixam de pedir e sabe Deus as saudades que teremos desses serões.
  7. Vou fazer mais programas ao ar-livre no inverno. Vou agasalhar os miúdos e habituá-los a não serem controlados pela meteorologia (a não ser que haja alerta, pelo menos, laranja)
  8. Vou comprar ou costurar os fatos de Carnaval pelo menos duas semanas antes do entrudo.
  9. Vou começar a fechar a porta dos quartos ou mesmo a fechar os olhos quando eles estão felizes a brincar no meio de um campo de batalha de brinquedos. Isso significa que eles estão felizes e eu estou por minha conta!
  10. Vou deixar de ser uma control freak das arrumações e passar a brincar mais tempo com os miúdos e de forma mais espontânea e despreocupada. Há-de haver sempre coisas para limpar, mas os momentos com eles são cada vez menos.
  11. Vou substituir as pilhas aos brinquedos todos. Por mais que me custe ouvir os Furbys a falar um com o outro, o carro dos bombeiros em alerta de incêndio e mil e uma luzes que transformam qualquer quarto de criança numa experiência noturna em Las Vegas, sei que todo este aparato os faz mais felizes.
  12. Vou mudar os id-passes dos i-gadgets. As apps aparecem-me como ervas daninhas e acredito que, neste caso, tenho de cortar o mal pela raiz.
  13. Vou deixar de trazer trabalho para casa. Não há nada mais saudável numa mãe que desligar o botão trabalho e ligar o botão família quando chega a casa!
  14. Vou andar, ainda, com mais lenços de papel na mala. Estou farta de limpar narizes com a ponta dos dedos e cantos da boca com o dedo polegar.
  15. Vou (continuar a) agradecer diariamente o momento em que aconchego os meus filhos na cama e lhes dou um beijinho de boa noite. Nesta rotina diária apercebo-me que eles estão a crescer, eu estou a envelhecer e somos uns sortudos porque nos temos uns aos outros.

 

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2014 chegou ao fim, e a Up To Lisboa Kids quer agradecer a todos os leitores por terem feito parte desta nossa aventura. Obrigada por nos lerem lido, seguido e partilhado. Obrigada por gostarem de nós. <3

Em 2015 continue connosco. Saia mais. Veja mais espetáculos. Leve os miúdos a workshops. Não perca uma exposição. Siga os programas gratuitos. Participe nos nossos passatempos. Desça um escorrega. Aplauda uma peça de pé. Vá a um concerto infantil. Passeie de elétrico. Suba ao Padrão dos descobrimentos. Perca-se em Alfama. Vá ao Planetário ao Domingo de manhã. Ande de bicicleta na promenade de Belém. Coma um pastel. Façam pizzas ao almoço. Compre mais livros. Observe as boas ilustrações. Vá ouvir um conto. Ou vá ver uma curta. Descuide a rotina. Seja espontâneo. Vá a uma exposição de banda desenhada. Dê pão aos peixes no lago à frente do Aquário Vasco da Gama. Vá a um bailado. Coma castanhas na rua. Uma fartura nos carrosséis. Grite numa peça de improviso. Salte no parque. Veja um clássico na Cinemateca Júnior. Continue connosco. Estas são apenas algumas das sugestões que irá encontrar nas nossas páginas. Inspire-se nos nossos artigos. E se gostar partilhe. Nós agradecemos.

Os nossos números e os mais lidos

Em 2014 tivemos 2 milhões e meio de visitas, ao longo de 491 posts. O post mais visto foi publicado no dia 25 Fev’14 e teve 79,349 visualizações.

Fomos lidos em 196 países do mundo, sendo Portugal o grande líder das nossas audiências, seguido pelo Brasil, Uk, Angola, Moçambique, EUA, Austrália, etc.

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Fomos convidados para ir à TV duas vezes. E fomos.

Construímos ligações, criamos parcerias, fizemos amizades.

O post mais visto teve 281,112 visualizações, e caso lhe tenha escapado ou queira reler algum artigo fica aqui a lista dos mais lidos em 2014:

7 atitudes dos pais que irão impedir os seus filhos de se tornarem lideres

Carta de um pai para a sua filha

A verdade sobre ter um terceiro filho

Se, antes de ter filhos, eu soubesse…

Carta às mães mais que perfeitas

A influência dos elogios no desempenho das crianças

7 segredos para criar crianças mais felizes

És definitivamente uma mãe quando

O que deve saber uma crianças de 4 anos

Um dos alicerces para uma parentalidade bem-sucedida é o “brincar com os filhos”.

Brincar beneficia de várias formas o crescimento das crianças, proporcionando-lhes oportunidades para aprender sobre quem são, o que podem fazer, e como se podem relacionar com o mundo que as rodeia.

Brincar com os filhos é importante porque contribui para construir uma reserva de sentimentos e experiências positivas, que poderá ser útil em momentos de conflito, ou apenas para criar uma relação próxima, com fortes laços afetivos entre os membros da família. O adulto, através do brincar, ajuda a criança a resolver problemas, a experimentar ideias, a explorar a imaginação, a comunicar os seus pensamentos, a interagir socialmente, a partilhar e a estimular os sentimentos de autoestima.

Ser pai ou mãe, nos dias de hoje, não é tarefa fácil, porque ambos estão sobrecarregados de obrigações e têm pouco tempo para momentos de diversão, partilha e jogo, com os filhos.

É importante pensarmos na qualidade do tempo que passamos com as crianças, tendo em conta que elas precisam de tempo, de espaço, de parceiros, mas sobretudo que no seu ambiente familiar se reconheça a importância de pais e filhos brincarem juntos.

Pretende-se com esta chamada de atenção reforçar que através de uma educação modelada pela sensibilidade, pela atenção, e pela competência, se estimulam comportamentos sociais positivos nas crianças, bem como o aumento da sua autoestima.

Por Verónica Pereira, Enfermeira especialista Diretora do Crescer com Afeto – Saúde Pais e filhos,

8 dicas para manter a “luz” do seu filho acesa

Nesta época natalícia lembre-se de colocar a luz não só à volta da árvore de natal, mas também nas mãos dos seus filhos!

As crianças espantam-nos, com a sua capacidade de aprender, de se relacionar e são elas, muitas vezes, o centro das nossas atenções. Já deu por si embaraçado, em certas situações, porque parece que o seu bebé se mete com toda a gente que o rodeia, puxando qualquer um para a brincadeira?

Deixe-me contar-lhe um segredo: ele faz isto porque confia em si. Quando o “deu à luz”, estava de facto a dar-lhe uma luz, que se mantém acesa sempre que responde às necessidades do seu bebé. Por vezes esta luz fica mais fraca, e é nestas alturas que o seu filho a procura, em busca de conforto, satisfação e segurança.

A forma como você responde a estas necessidades determina a relação que tem com o seu filho, as relações que este vai ter no futuro com outras pessoas e a sua própria saúde mental (Carr, 2006; Bowlby, 1969).

A confiança do seu filho em si e nos outros desenvolve-se muito cedo, durante a infância, ao acreditar que é uma criança merecedora de amor, carinho e atenção, capaz de levar os pais a responderem às suas necessidades e, por outro lado, acreditar que os outros vão estar disponíveis e prontos a dar-lhe apoio e proteção (Ainsworth & Bowlby, 1991).

Ninguém conhece o seu filho melhor do que você, o que o torna um especialista nas necessidades deste.

Os seguintes pontos vão ajudá-lo a manter a luz do seu filho acesa:

  1. Leia ou cante para o seu filho.
    É curioso, mas os bebés adoram ouvir as nossas vozes e tentam imitar os sons que fazemos (Piaget, 1962). Um aspeto muito importante é que a voz do pai e da mãe são capazes de confortar o bebé (Keener, 2009; Palmer, 2009). Mãe, pai, as vossas vozes são uma verdadeira almofada!
  2. Enquanto lhe muda a fralda, olhe o seu bebé nos olhos, fale com ele e sorria.
    Ao fazê-lo, está a tornar um momento de prestação de cuidados num momento íntimo entre mãe/pai-bebé, e acredite, ele vai gostar destes pequenos momentos!
  3. Estabeleça contacto físico: é muito importante, principalmente nos primeiros anos, abraçar ou agarrar o seu filho.
    Tal permite deixá-lo confortável com o toque e é uma linha direta para que o seu filho sinta afeto, conforto e proteção (Palmer, 2009).
  4. O seu bebé precisa de tempo consigo próprio a fim de compreender que é independente.
    Esta situação é, ao mesmo tempo, geradora de stress para a criança (e até para os pais!) (Hogg, 2006). No entanto, existem experiências seguras que pode fazer a fim de o ajudar a ganhar esta noção. Encontre momentos em que pode deixar o seu bebé num local confortável, com alguns brinquedos próximos.
    Deixe-o sozinho por um curto espaço de tempo e observe enquanto ele explora o que o rodeia, aprendendo a estar sozinho e a entreter-se a si mesmo. Pode, gradualmente, tentar aumentar a quantidade de tempo, no entanto esteja atento aos sinais do bebé, regressando antes de ele ficar agitado ou começar a chorar.
  5. A partir do momento em que ele começa a conseguir sentar-se, sente-se com ele e brinque!
    Brincar é uma das mais importantes atividades quando se é um bebé e à medida que crescemos, estimulando a aprendizagem (Palmer, 2009; Hogg, 2006) e é, para os pais, uma boa porta de entrada para o mundo interno do seu filho. Observe-o enquanto brinca, mas seja ativo também, participe na brincadeira.
  6. Passe tempo com o seu filho.
    A qualidade não basta, é também através da quantidade de experiências relacionais consigo que o seu filho se desenvolve de forma equilibrada (Flemming, 2005).
  7. Caros pais e mãe, se para além de cuidadores desta criança, vivem também em casal, não se esqueçam disso.
    Os conflitos na vossa relação têm impacto na relação que estabelecem com o vosso bebé. Não é fácil ser pai ou mãe e assumir outros papéis em simultâneo, por isso é sempre importante lembrar que, enquanto pais, são uma equipa, que deve funcionar até mesmo quando já não existe um casal.
  8. E como o natal é uma época que nos junta a todos enquanto família, lembre-se:
    assim como os pais fortalecem a relação com os filhos estando atentos às necessidades destes, a própria família assume uma importância central no desenvolvimento do seu bebé. Ele precisa de sentir que os adultos sabem colaborar entre si para assegurar a proteção, conforto e segurança permanentemente (Byng-Hall, 1995).

No natal falamos em esperança. Que a esperança dos nossos bebés em relação aos outros e ao mundo seja renovada, mantendo a luz acesa.

 

 

 

Ainsworth, M. D. S., & Bowlby, J. (1991), An ethological approach to personality development.
American Psychologist, 46, 331-341.
Bowlby, J. (1969). Attachment and Loss. Volume 1.London: Hogarth Press.
Byng-Hall, J. (1995), Creating a Secure Family Base: Some Implications of Attachment Theory
for Family Therapy. Family Process, 34: 45–58.
Fleming, M. (2005). Um modelo em dupla hélice do desenvolvimento psicológico:
vinculação/separação ao longo do ciclo de vida. In Entre o medo e o desejo de crescer:
Psicologia da adolescência (p. 22). Porto: Edições Afrontamento.
Hogg, T. (2006). Prolonged Separation Anxiety: When Attachment Leads to Insecurity. In The
Baby Whisperer Solves All Your Problems: Sleeping, Feeding, and Behavior--Beyond the Basics
from Infancy Through Toddlerhood (pp. 80-88). Atria Books.
Keener, A. P. (2009). Growth and Development. In Caring For Kids: Hard-to-Find Facts for
Parents About Child Health & Development (p. 65). Riley Children’s Foundation.
Palmer, F. L. (2009). Crying and Caring. In The Baby Bond: New Science Behind What’s Really
Important When Caring for Your Baby (pp. 43-68). Naperville, Illinois: Sourcebooks, Inc.
Piaget, J. (1962). Play, Dreams and Imitation in Childhood. New York: Norton.

Tem circulado pela Internet um texto sobre as 11 regras de vida proferidas por Bill Gates num discurso numa escola secundária nos EUA. Diz-se que chegou de Helicóptero entrou na sala, e em menos de 5 minutos, leu as onze notas que teria escrito no seu notebook A plateia teria aplaudido de pé ao longo de 10 minutos sem parar. Bill Gates teria agradecido e abandonado a sala.

Na verdade, essas regras foram escritas por Charles Sykes, autor do livro “50 Rules – Kids Won’t Learn in School”, um educador preocupado em preparar os nossos filhos para um futuro real. Charles Skyes defende que a proteção excessiva das crianças e o ensino politicamente correto normalmente aplicado nas escolas, tem criado uma geração de crianças sem noção da realidade e acredita que devemos prepará-los-los para o fracasso no mundo real.

Transcrevemos aqui as 11 regras de vida (das 50 regras) que Charles Sykes recomenda que ensinemos aos nossos filhos:

  1. A vida não é justa, habitua-te…
  2. O mundo não está preocupado com a tua auto-estima. O mundo espera que alcances objetivos independentemente de te sentires bem ou não contigo próprio.
  3. Não vais ganhar 40 mil €/ano quando acabares o curso. E não vais ser vice-presidente de uma empresa e ter carro de serviço, a não ser que trabalhes para os merecer.
  4. Se achas que o teu professor é mau, espera até teres um chefe. Este sim, não terá pena de ti.
  5. Virar frangos ou hamburgueres nas férias não é nenhuma vergonha. Os teus avós chamavam a esses part-times oportunidades!
  6. Se fizeres asneira e fracassares em qualquer objetivo da tua vida, os teus pais não têm a culpa. Não te queixes dos teus erros, assume-os e aprende com eles.
  7. Antes de nasceres, os teus pais não eram tão chatos como agora. Eles só ficaram assim depois de terem contas por pagar, depois de terem de arrumar o teu quarto e ouvir-te dizer o quão idealista és. Antes de tentares salvar a floresta virgem, experimenta arrumar primeiro o teu quarto.
  8. Na faculdade tentam minimizar as diferenças entre vencedores e perdedores, mas na vida real não é bem assim. Na faculdade dão-te o máximo de oportunidades até conseguires a resposta certa, a nota positiva, o passar de ano. Podes até ter de repetir um ano. Na vida real, se errares és despedido.
  9. A vida não é dividida em semestres. Não terás sempre os Verões livres, e muito poucos (ou nenhuns) empregadores estarão interessados em ajudar-te a “encontrares-te”. Faz isso na idade certa.
  10. O que vês na televisão é completamente diferente daquilo que acontece na vida real. Na vida real, as pessoas têm que sair do café e ir trabalhar.
  11. Sê simpático com os Nerds. Há uma grande hipótese de vires a trabalhar para um deles.

Traduzido e adaptado por Up To Lisbon Kids®. Todos os direitos reservados

TPC – Trabalhos de casa ou uma carga de trabalhos?

Há palavras que fazem mais sozinhas do que frases inteiras, todas juntas. É o caso. O adjetivo ‘solene’, por ter em si duas derivações opostas, é o que mais se assemelha à atualidade do nosso mundo escolar, isto é, duas formas de agir, e de reagir, dentro do mesmo conceito. Respeito e aparato. Dois sentidos diferentes, o mesmo significado.

Assim vai a nossa escola, baralhando tudo.   Pais e professores, dois grupos inseparáveis na formação das crianças enquanto indivíduos, duas pedras basilares que contribuem em pé de igualdade para o seu desenvolvimento, são muitas vezes a causa, e o efeito, que transforma aquilo que deveria ser importante, calmo e majestoso, (solene) num aparato estridente e confuso que nos funde a todos, educadores e educandos, numa espécie de anel apertado de regras e deveres, que a todos desgasta e consome, causando um atrito que faz separar os grupos que mais se deviam unir.

Cresce a distância entre aquilo que é o papel da escola e aquilo que é o papel da família, sendo cada vez mais visível a mistura de papéis, e a confusão das crianças.

Quero com isto dizer que, da mesma forma que os professores foram confrontados com um aumento da permanência das crianças na escola, também eu sou diariamente confrontada, para não dizer obrigada, com/a desenvolver tarefas escolares que apesar de serem da minha filha e pertencerem ao espaço da escola, me são servidas por altura do jantar, como se fizessem parte do meu menu diário.

Na verdade sinto-me cada vez mais refém da vida escolar da minha filha, e posso mesmo afirmar que a nossa relação se vem deteriorando a cada dia por razões totalmente impostas pela escola. O meu caso não é único, e são grandes as diferenças entre professores.

Os trabalhos de casa, imensos, diários e repetitivos – que não acrescentam em nada à aprendizagem ou à evolução escolar da minha filha, isto se pensarmos que está 8 horas dentro de uma escola (e mais de dois terços dentro da sala de aula – vêm ocupar um tempo que é meu! Ora se a criança necessita dos dois grupos basilares (escola e família) para se fazer enquanto indivíduo, há aqui uma notória usurpação por um dos grupos na educação da minha filha, e como a balança pende totalmente para a escola, o desequilíbrio surge na família.

A escola e a família

A escola impõe-se à família através dos trabalhos de casa, e isto é desrespeito, quando deveria ser solene. Oiço dizer que as crianças são mal-educadas. Pois são. E serão. A razão radica tão-somente no papel da família, sem tempo e sem fulgor, tão reduzido e tão mínimo que é quase imperceptível na identidade da criança. É como se a criança fosse obrigada a trabalhar sempre através da escola, sem descanso, tornando-se prisioneira do seu próprio desenvolvimento, prisioneira do saber académico.

A minha filha de oito anos quando chega a casa deveria ter o tempo que lhe resta para absorver a educação filial, dos afetos, das brincadeiras, dos ensinamentos, das emoções, mas não, a minha filha chega a casa para continuar os ensinamentos da escola. Além de ser excessiva esta espécie de formatação académica, a escola está a cometer um grande e perigoso erro: rouba-me o tempo e enfada e satura a criança, que a curto prazo pode criar anticorpos contra a escola e vir sofrer de falta de criatividade, isto é, falta de liberdade para brincar, tempo para pensar, tempo para si enquanto indivíduo, impedida de estar sozinha, enfiada que está num meio coletivo, numa aprendizagem unilateral, pejada de números e letras, em cadernos enfadonhos e sem cor.

«O meu tempo de mãe é-me assim roubado por três composições, quatro tabuadas e contas ambíguas de somar.»

O meu tempo de mãe é-me assim roubado por três composições, quatro tabuadas e contas ambíguas de somar. E é aqui que entra o aparato. Porque eu disparato.   E disparato com a miúda, que não sabe escrever como eu, que a cada palavra apaga, a cada conta erra, porque são dez e meia da noite e o texto ainda vai a meio. E eu tenho o saco cheio. E só me apetece é ralhar com a professora, coitadinha da senhora, que até é minha amiga. Como disse lá atrás, sinto que a escola está a educar a minha filha, mas não só.

A escola com a sua mania de mandar trabalhos para casa, especialmente esses travestidos de Natais, São Martinhos, dias de Mães e de Pais, e com a sua rocambolesca teoria de que só assim se consegue que os (irresponsáveis) pais façam algumas atividades em conjunto com os filhos, está no fundo a dar palpites e a impingir-me um tipo de relação que não quero ter com a minha filha. E vou mais longe, está a tentar ensinar-me como devo relacionar-me com ela.

A escola, ao tentar unir os pais aos alunos, com cópias e ditados ‘inocentes’, está sim a separar a família dos filhos e ainda mais os alunos da escola. Desde que a minha filha começou o seu longo percurso escolar, há três anos portanto, que tenho escola por todo o lado.

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