Combater o insucesso escolar constitui uma tarefa complexa e desafiadora para Pais/Cuidadores, Educadores e Professores. É emergente compreender o porquê destas dificuldades e procurar alternativas que possam minimizar e adequar todo o processo de aprendizagem de cada aluno.

Uma das grandes lacunas no êxito na aprendizagem deve-se a alterações linguísticas significativas – alterações no processo de desenvolvimento da compreensão e expressão oral e/ou escrita. Por isso, a necessidade de prevenção/vigilância do desenvolvimento linguístico da criança/adolescente evita posteriores sequelas educacionais, comportamentais e até sociais.

No entanto, a origem destas dificuldades é diversa e pode envolver outros fatores, como: orgânicos, intelectuais/cognitivos, emocionais e sensóriomotores, ocorrendo na maioria das vezes uma inter-relação entre todos eles. Além destes, deve-se ter em conta influências externas, como: diferenças culturais, ensino insuficiente ou inapropriado.

Atualmente os estudos apontam que as dificuldades de aprendizagem estão estreitamente relacionadas com um historial de défice na aquisição da linguagem, mas ainda, e não menos importante, em alguns casos, um possível défice na discriminação auditiva.

Salienta-se que défice na discriminação auditiva é distinto de défice auditivo. É comum que os despistes auditivos estejam adequados mas o aluno não discrimine sons muito idênticos (ex: /f/ e /v/) e que estas trocas também possam ocorrer na escrita. Quanto ao processo de aquisição da linguagem, e bastante aglomerante, este inclui quatro sistemas interdependentes: o pragmático (uso comunicativo da linguagem num contexto social); o fonológico (perceção/produção de sons das silabas e palavras); o semântico (respeito pelo significado das palavras) e o morfossintático (respeito pelas regras sintáticas e morfológicas que vão designar se a palavra e a frase está organizada e coerente).

2imagem@bolsademulher

Dentro de uma análise contextual, há necessidade de compreender que, mesmo na presença de uma pedagogia eficaz, as dificuldades de aprendizagem podem ocorrer e por vezes não chegam a desaparecer ao longo do processo de aprendizagem. Na prática, geralmente apresentam uma ampla variedade de queixas académicas e comunicativas, onde se inclui:

  • Dificuldades em cumprir ordens orais
  • Pobre desempenho em testes cognitivos verbais (orais), quando comparados com testes cognitivos não-verbais (escritos)
  • Dificuldades na leitura e no ditado
  • Dificuldades na interpretação da leitura
  • Dificuldades na expressão de sentimentos e acontecimentos (orais/escritos)
  • Erros de escrita significativos após a finalização do 2º ano
  • Dificuldades na manutenção de um diálogo
  • Dificuldades na produção, discriminação e segmentação de sons, sílabas e palavras
  • Dificuldades em manter a atenção, com e sem ruído

De forma sucinta são crianças/adolescentes que, frequentemente, solicitam repetição de informação, apresentam-se distraídas e consequentemente uma panóplia de prejuízos académicos.

Para finalizar e deixar claro uma reflexão atual da aprendizagem, devemos, acima de tudo, saber que não só de aquisições intelectuais caracteriza o bom aluno. Torna-se essencial entender que cada dificuldade de aprendizagem que o aluno apresente, deverá ser analisada minuciosamente. Cada caso merece uma intervenção, por vezes, distinta, e elaborado por uma equipa multidisciplinar. Porque também, e não menos importante, desenvolver as suas aquisições motoras em simultâneo com as restantes aquisições são o meio mais eficaz para atingir as funções mentais de atenção e memória, tão importantes no processo de aprendizagem.

Por Patrícia de Sousa Teixeira, Terapeuta da Fala colaboradora How To…
para Up To Lisbon Kids®

Todos os direitos reservados

imagem de capa@focus.de

“Brincar é consagrar-se a uma actividade pela diversão, pelo prazer. Brincar não tem outra finalidade além de si próprio; a criança brinca para brincar. Se aprende alguma coisa no seu decurso, é de certa forma por acidente, pois não era esse o seu objectivo primeiro. Todavia, compreendemos facilmente que seja fonte de inúmeras descobertas para a criança e permita várias realizações.”

Ferland, Francine; “Vamos brincar? Na infância e ao longo de toda a vida”; Climepsi Editores; 2006

 

Haverá brinquedos que se destaquem por serem didácticos? Não serão todos os brinquedos, de alguma forma, educativos?
Todo o brinquedo que permita uma aprendizagem deveria ser considerado didáctico. Um carrinho de madeira proporciona inúmeras experiências e estímulos: capacidades motoras, desenvolvimento da imaginação, contacto com diferentes texturas, etc.
No entanto, há, de facto, um conjunto de brinquedos e jogos que podem ser rotulados de educativos: aqueles que visam uma aprendizagem precisa e concreta, tal como letras e números ou jogos de memória visual.
Deverão ser estes os únicos brinquedos ao alcance da criança? Na nossa opinião, não. Importante é haver variedade de materiais na hora de brincar. Se apenas se oferecem brinquedos didácticos, estar-se-á a limitar o desenvolvimento da capacidade de imaginação e o prazer lúdico.
Um jogo que consista em carregar num botão para ouvir uma palavra ou um som torna-se repetitivo e aborrecido após algum tempo de brincadeira.
Por outro lado, um simples conjunto de blocos de madeira permite à criança inúmeras formas de brincar, podendo estimular em simultâneo a imaginação, o faz-de-conta, a percepção espacial, o trabalho de equipa, o raciocínio lógico, as capacidades motoras, entre muitas outras competências.
Mas o mais importante de tudo é dar à criança a oportunidade de brincar.

Como disse Montaigne, “O jogo deveria ser visto como a mais séria actividade das crianças”.

Para Up To Lisbon Kids®
Todos os direitos reservados

E se ouvíssemos os nossos filhos?

Leiam até ao fim, sff. Só assim fará sentido.

Não gosto que me gritem. 
Fico a sentir-me assustada. Triste. Que não valho grande coisa. E acho que essa pessoa não gosta de mim. 
Não gosto que me afaguem depois de dizer que não quero. 
Se só tem piada para um, qual é a graça de continuar? 
 
Não gosto de dormir sozinha.
Não gosto. Só me sinto segura quando tenho quem me protege a meu lado. Mesmo que não haja nada do qual eu tenha de ser protegida.
Não gosto que me digam que não sem me explicarem porquê.
É uma falta de respeito. Só faz com que eu pergunte mais vezes até me darem alguma coisa que faça sentido. Dizerem-me que não é pedirem-me que não seja simpática a seguir. Só porque sim.
 
Não gosto de ir para a cama quando não tenho sono.
Às vezes não tenho sono à hora do costume e, se for para a cama, morro de seca. Estou cheia de energia e não tenho nada para fazer. Além de não ter ninguém que me faça sentir mais segura.
 
Odeio comer sem ter fome.
Nunca o faço. Para quê? Como depois. Não tenho fome porque, provavelmente comi bem antes, o que for. Se tivesse de comer sem ter fome, passaria a odiar a comida e quem me obrigasse a comer. 
 
Odiei as vezes em que adormeci depois de ter passado toda a noite a chorar.
Quando sofremos desgostos é o que fazemos. Acabamos por chorar até adormecer. Piores noites de sempre. Odiaria que todas as noites fossem assim.
 
Não admito que me acordem sem motivo.
Acordo com super mau feitio e mesmo muito muito virada do avesso se me acordarem sem motivo. Ou por mero capricho.
 
Às vezes preciso de chorar e de espernear.
É normal sentirmos coisas. Termos emoções. É bom exprimi-las. Com a idade aprendemos a controlar-nos melhor, às vezes até “bem demais”. 
 
Odeio que não me dêem o meu espaço.
Às vezes quero estar na minha vidinha a ler as minhas coisas, a mexer no computador, a ver as minhas séries. Não quero companhia. Quero sentir-me independente e descansar.
 
Odeio que não me liguem nenhuma.
Toda a gente gosta de miminhos e eu não sou excepção. Adoro que me dêem sem que eu tenha de pedir. Ou de inventar uma discussão para chamar a atenção.
 
Não gosto de fazer todos os dias as mesmas coisas.
Fico deprimida e aborrecida se não sair de casa com alguma frequência, se não fizer coisas diferentes.
 
Fico muito muito cansada se andar todos os dias a passear.
Gosto de ficar em casa, de me sentir confortável, de estar calminha e de poder descansar. 
 
Não gosto que me substimem.
Gosto que puxem por mim, gosto que me tratem de acordo com o meu potencial.
 
Não gosto que me vejam a chorar e que não se preocupem comigo.
Mesmo que não pareça nada de importante. É-o para mim. Não se preocuparem comigo é mostrarem que não gostam de mim. 
 
Não gosto de chamar por alguém e que não me respondam. 
Além de falta de educação, parece que a outra pessoa não quer saber de mim.
 
Não gosto que agora me digam uma coisa e depois outra.
Deixo de confiar nessa pessoa e fico confusa.
 
adoro que me oiçam. adoro que me dêem atenção. adoro que me deixem estar. adoro que me dêem de comer com vontade. gosto que venham logo assim que eu chamo. gosto que sorriam de volta quando eu sorrio. gosto que se riam das minhas piadas. gosto de não levar por tabela. gosto de adormecer no quentinho. não gosto que me deixem sozinha. gosto de miminhos. gosto de sentir que gostam de mim. gosto de adormecer contente com o dia que passou. gosto de acordar e de me sentir feliz, bem recebida. gosto de beijinhos. gosto de abraços. gosto de fazer as coisas com calma. gosto que falem comigo educadamente, com carinho. gosto que me façam festinhas até adormecer. gosto muito de comer as minhas comidas preferidas. gosto de tomar banho e de desfrutar do banho. gosto. gosto. gosto.
 
Isto sou eu que tenho quase 30 anos e que já consigo dizer claramente o que gosto e não gosto. 
 

Por que é que não tratamos os nossos filhos como pessoas, só por não saberem “chegar até nós”?

Ler também Saber Ouvir

imagem de capa@iefap.br

Gostava de partilhar uma pequena reflexão sobre sensibilização, pedagogia e atividades para crianças e jovens.

Faço-o porque há mais locais de aprendizagem do que as salas de aula. Porque há entrelinhas nos programas escolares. Porque acredito que os adultos responsáveis querem desenvolver mais do que (apenas) o conhecimento…
Por isto, e porque queremos o melhor para os nossos filhos, apresentamos uma lista com  10 reflexões sobre as chamadas ações de sensibilização e sobre atividades no geral para crianças e jovens.

1 – Ir ao teatro, não é o único modo de sensibilizar crianças e jovens. Na verdade, muitas peças de teatro são “apenas” lúdicas. Isso não é bom nem é mau. É mesmo assim. O teatro tem uma nobre e profunda missão. Mas há vida além do teatro, no que à sensibilização diz respeito. No entanto, viva o teatro! Claro. Pela arte.
Quando queremos formar, mudar atitudes, há outras formas mais sistemáticas de o fazer.

2 – Podem criar-se momentos dinâmicos, pedagógicos e verdadeiramente interativos, capazes de mobilizar a “Geração Z” usando os princípios da Psicologia Educacional. Usando os princípios da Formação. Adaptados para os públicos alvo, claro está. Devemos procurar qualidade. Não podemos entregar os nossos filhos apenas a quem “tem muito jeito para crianças”. Há que haver conhecimento teórico. Preparação. Devemos perguntar quais as competências, a formação dos “animadores infantis” ou dos “monitores”. Formação não é sinónimo de qualidade, mas pode ajudar.

3 – Para um evento ser pedagógico não basta querer, ou ter pedagógico no nome. Ou fazer sobre as temáticas em causa, frases a rimar. Se assim fosse, se bastasse cantar, toda a minha geração teria sempre comido a papa. Já agora, grande José Barata Moura. Grande Avô Cantigas. Mas sensibilização a sério, pedagogia, mudança de atitudes, isso é outra coisa.

4 – Sim, um jogo, com cartas, dados ou algo do género, pode chamar-se “Ler a Brincar” ou “Bullying Trocado por Miúdos”. E mesmo assim, pode não ajudar a Promover a Leitura ou a Prevenir o Bullying. Cuidado com os verdadeiros interesses da iniciativa. Há alguma marca a patrocinar? Porquê? Em que moldes?

5 – Falar para (com) crianças e jovens não é o mesmo que falar (com) “adultos em miniatura”.

6 – Vê-se bem nas fotos que colocam no “Face” (por exemplo) que há bastantes ações de sensibilização em Escolas, feitas por Polícias, Bombeiros,  Enfermeiros, com salas demasiado cheias! Não é por se encher uma sala que a mensagem passa melhor. Enchem-se as salas por questões políticas. Querem mostrar os números. Este é um caso em que a quantidade colide com a qualidade.

7 – Não é porque alguns alunos dizem “foi muito giro” que a sessão foi verdadeiramente boa. Quais eram os objetivos? Como se vai avaliar? Dá para medir? Vai existir mudança comportamental?

8 – Conhecer as necessidades das crianças e jovens é fundamental para se escolher a informação que se pretende passar. O desejo de mudar vai surgir, se quem transmite a mensagem entender as necessidades do público alvo. Entender as necessidades das crianças e jovens implica também entender (ou pelo menos ser sensível) a aspetos da sua forma de pensar e de aprender. Há processos psicológicos básicos (como a memória, a percepção, a atenção, as emoções,…) e quem deseja educar deve estar atento.

9 – Apresentar, discutir e colocar em prática. Esta é uma das formas de se ver a sensibilização. Sensibilizar também é entender de emoções. E o que sabem sobre emoções aqueles que sensibilizam os nossos filhos? Sensibilização apenas com slogans e spots publicitários é má sensibilização. Ou sensibilização do “mal”. A sensibilização “do bem” deve ajudar a pensar. A refletir. Deve incluir debate.

10 – Os Pais, por serem Pais, pelo vínculo afetivo, podem impor determinados valores e conceitos. Na sensibilização deve procurar-se a discussão. Para que surja uma resposta dentro das crianças e jovens. Não queremos “papagaios”. Certo?

Façamos a reflexão sobre a diferença entre o entretenimento e a sensibilização. Entre a visita de estudo “para curtir” e aquela com objetivos.

Exigir qualidade ( moral, técnica,…) àqueles que lidam com os nossos filhos, é missão de Pai.

Por Alfredo Leite, Mundo Brilhante
para Up To Lisbon Kids®

Todos os direitos reservados

imagem capa@aqui

imagem capa@shoppingspirit

Mesmo que as coisas possam correr mal, é preciso incentivar e continuar a estimular a criança. É importante mostrar à criança que não pode desistir só porque não deu resultado à primeira.

De certeza que todos já tivemos desconfortáveis e com medo de errar.

O conforto de nada fazer é, por vezes, demasiado aliciante face ao risco de as coisas poderem não funcionar como esperávamos. A confiança está ligada, por oposição, a este medo de errar que é talvez o principal fator inibidor da iniciativa e do empreendedorismo. É por estes motivos, e muito mais, que muitas vezes desistimos dos nossos sonhos e projectos.

Qual a importância da autoconfiança como competência?

A autoconfiança é crucial, pois funciona como um escudo no qual sucumbem os principais argumentos a favor da passividade e da desistência. Quantos projectos já pensámos em começar mas ficam na gaveta por falta de confiança? Todos sabemos que por vezes esses projectos são, na verdade, projectos de vida e escolhas que condicionam de forma decisiva o que fazemos e a nossa felicidade futura.

De todas as competências que consideramos importantes e fundamentais para um empreendedor, esta é a mais determinante, é aquela que garante que de facto, somos donos da nossa vida. Acreditamos que se tivermos confiança em nós somos capazes de coisas extraordinárias e impensáveis. Sim, impensáveis! Impensáveis porque com o receio e com o medo de falhar, acabamos por inibir o nosso potencial e talento pessoal e acabamos por pensar que não somos capazes de fazer alguma coisa relevante.

Todos os dias, seja a nível pessoal ou profissional, debatemo-nos com esta competência, ou porque somos demasiado confiantes ou porque falta-nos confiança.

Nem sempre é fácil encontrar a dose certa de confiança!

Todos nós gostamos de ser valorizados! Aliás, é importante! Faz com que nos sintamos apreciados e sentimo-nos bem connosco próprios.

E uma criança?

Nas crianças, como nos adultos, é importante começar por valorizar quem faz, quem arrisca, quem sai da sua zona de conforto. Mesmo que as coisas possam correr mal, é preciso incentivar e continuar a estimular a criança. É importante mostrar à criança que não pode desistir só porque não deu resultado à primeira. Há que continuar, continuar e continuar até encontrarmos a solução ideal. A perseverança e a resiliência são fundamentais para manter o rumo. E só um espírito confiante e determinado tem a capacidade de resistir a todas as contrariedades.

Em tenra idade os pais e educadores têm um papel fundamental na regulação e promoção da autoconfiança nas crianças, seja para o bem ou para o mal. Aquilo que dizemos ou não dizemos, a forma como reforçamos e estimulamos a criança, influenciam a construção da sua autoconfiança.

Estimular a autoconfiança é essencial para o desenvolvimento das crianças. É o alicerce de tudo: do que fazem, do que são, do que pensam…Podemos até dizer, que a autoconfiança é o alicerce do futuro. Se começarmos a desenvolver e a estimular esta competência nas crianças, desde cedo, estaremos a contribuir para adultos mais felizes e mais autoconfiantes.

Criar confiança todos os dias

Como pai/mãe/educador é importante ter uma atitude constante de incentivo à iniciativa, mesmo quando corre mal. Aplauda sempre que o seu filho ou educando tenta fazer alguma coisa pela primeira vez, independentemente do resultado final.

Grande parte do medo de errar que encontramos nos adultos nasce de uma educação que chamamos de “caça ao erro”. Onde pais, professores ou colegas estão constantemente à espreita para poder apontar o dedo ou chamar a atenção à primeira escorregadela, ao primeiro erro, ao primeiro passo errado que damos. As crianças percebem, desde muito cedo, se é mais cómodo não fazer nada ou fazer um disparate de vez em quando. Em termos práticos, “fazer um disparate de vez em quando” significa dar autonomia e liberdade à criança, o que acaba por ter implicações ao nível da rapidez com que os próprios adultos executam determinadas tarefas. Pense, contudo, nesse tempo adicional como um investimento que faz no futuro dos seus filhos ou educandos.

Como estimular a autoconfiança na criança?

Leve o seu filho ao supermercado e:

– Delegue à criança, a responsabilidade de fazer a lista de compras antes de sair de casa;

– No supermercado peça-lhe para procurar alguns produtos;

– Ao chegar à caixa, faça um jogo e pergunte-lhe quanto acha que vão custar às compras. Entre no jogo e quem se aproximar mais do valor final, recebe um prémio;

– Dê-lhe 1€ para gastar no que quiser, deixe-o fazer escolhas. Dê-lhe a moeda para a mão e deixe o seu filho passar numa caixa sozinho. Ensine-o a cumprimentar, pagar, receber o troco e agradecer, tudo de forma independente.

É possível, em qualquer situação do dia-a-dia, partilhar tarefas com as crianças.

Ao fazê-lo está a permitir que experimentem coisas novas e que aprendam com elas.
Não pode esperar, porém, que façam tudo exactamente como o adulto faria, lembre-se que é uma criança, por isso não critique! Aplauda, incentive, elogie e celebre cada pequena vitória. Faça-o sentir valorizado e um vencedor.

Partilhe outras tarefas com o seu filho! Verá que muitas das coisas que faz sozinho, podem ser partilhadas com os seus filhos. Pode aproveitar tempo de qualidade com o seu filho e ainda está a contribuir para a sua autoconfiança e responsabilidade.

Explique à criança que a auto confiança é uma competência importante que leva ao sucesso.

Para empreender eu acredito que sou capaz!

imagem capa@saveupdata

Antes de ter filhos acreditava que quando as crianças se portavam mal, ou eram mal criados, ou faziam coisas nojentas, havia qualquer coisa em casa que não funcionava bem. Obviamente os pais não sabiam educar uma criança. (Posso voltar atrás no tempo e esbofetear-me?)

Agora eu sei que, provavelmente, eram crianças comuns e os seus pais estavam tão chocados como eu com o comportamento deles. Porque independentemente da educação que damos há coisas que as crianças fazem.

  1. BIRRAS
    O que é que me fez pensar que é possível calar uma criança a meio de uma birra? É como tentar parar um comboio. Um comboio barulhento. Um comboio barulhento, descontrolado e desenfreado que vem na nossa direção, e tudo o que podemos fazer é atirar-nos para os trilhos para o tentar parar. Podes tentar falar calmamente, devagar, mas… é um comboio descontrolado! Boa sorte!
  2. LAMENTAR-SE
    Eu já disse aos meus filhos 5.387 827 vezes “Eu não percebo nada quando falas assim” mas eles continuam. A sério, as crianças não falam assim porque resulta. Eles falam assim porque gostam do som da sua voz a lamentar-se. E por causa do Ruca.
  3. NÃO RESPONDER
    Não dar resposta, pura e simplesmente, quando alguém fala com eles. Dois dos meus filhos não respondiam às pessoas, apesar das inúmeras conversas que tive com eles sobre o facto de isso ser falta de educação (consideração, respeito etc) Um deles responde na própria cabeça e nem sequer se apercebe que não o disse em voz alta. O outro não responde se não tem nada a dizer. A timidez é difícil de superar.
  4. NÃO DORMIR A HORAS
    O meu filho mais novo é uma coruja. Ele chega a ficar 2h30 às escuras no quarto e não dorme. A sério, 150 minutos é muito tempo. Ele fala sozinho, canta, e ocasionalmente chama-nos para dizer que não está a dormir (como se não tivéssemos percebido) É indiferente se tivemos um dia muito agitado ou não. Por mais calmas e relaxantes que sejam as rotinas de ir para a cama, ele simplesmente não adormece. É dele.
  5. FALAR ALTO
    Algumas crianças não têm controlo do volume. É sempre no máximo. Não precisam de estar a gritar ou a berrar. A voz delas é assim, fura o ar! Até a sussurrar é num tom muito alto. E não há nada que se possa fazer quanto a isso, senão amordaça-las.
  6. MENTIR
    Um dos meus filhos é naturalmente honesto. Eu também era assim em criança, lembro-me de mentir à minha mãe uma vez e ainda me sinto mal por isso. Mas os outros dois já brilharam no palco dos miúdos aldrabões, apesar de falarmos com eles e lhe tentarmos ensinar a importância de ser honesto desde muito cedo.
    Eu nem queria acreditar a primeira vez que um dos meus filhos me mentiu descaradamente. Como é que ele pode? Dizem que é sinal de inteligência! Claro, vamos entrar na onda. Sempre é melhor do que o pensamento “O meu filho é um sociopata”
  7. TIRAR MACACOS DO NARIZ
    Todos os miúdos que conheço o fazem. Em casa ou em público. Normalmente passará com a idade, mas até lá é uma batalha diária, que por vezes dura meses.  Às vezes vejo-os ali sentados simplesmente com o dedo enfiado pelo nariz adentro. Nem sequer o mexem. É nojento.
  8. NÃO LAVAR AOS MÃOS DEPOIS DE IR À CASA DE BANHO
    Lavar as mãos fazia parte da rotina de treino para tirar fralda: íamos à casa de banho, cantávamos o abc, falávamos sobre germes e lavávamos as mãos.
    E mesmo assim, levou uns seis ou sete anos até que se habituassem a lavar as mãos quando começaram a ir sozinhos à casa de banho. E eu tornei-me numa mestra em cheirar mãos de crianças!
  9. MASTIGAR COM A BOCA ABERTA

CHOMP. CHOMP. CHOMP.

-Mastiga com a boca fechada, sff

10 segundos depois.

CHOMP. CHOMP. CHOMP.

-Querida, mastiga com a boca fechada, sff.

10 segundos depois.

CHOMP. CHOMP. CHOMP.

-Princesa, não comas de boca aberta!

10 segundos depois.

CHOMP. CHOMP. CHOMP.

-A sério, já te pedi para não mastigares de boca aberta. E se vais a casa de alguém, mastigas assim?

-Eu não como assim na casa das outras pessoas.

(Olhar vazio)

-Bem, então também não comes assim cá em casa, entendido?

10 segundos depois.

CHOMP. CHOMP. CHOMP.

É como falar para uma parede.

        10. TODA AS OUTRAS COISAS NOJENTAS

Estávamos em casa de uns amigos no outro dia, e encontrei em cima do balcão da cozinha as meias sujas do meu filho. Meias sujas do MEU filho. No balcão de cozinha. Na casa dos meus amigos. Não era do meu filho mais novo, mas sim do meu mais-de-dez-anos-e-que-já-deveria-ter-juízo filho. Eu nem sabia o que fazer com aquilo.

Imaginem um miúdo de uma família super simpática, com uns pais ótimos a fazer xixi na escova de dentes do irmão. Sim, isso aconteceu mesmo.

O nosso filho de 5 anos, no ano passado, basicamente lambeu a Disney world de uma ponta à outra. Tive de lhe dizer repetidamente para tirar a boca de todos os corrimãos que passávamos. Eu nem sequer sou germafóbica, mas juro que cheguei a ficar mal disposta com aquilo.

Tantas. Coisas. Nojentas.

Ensinamos aos nossos filhos estas coisas? Não. Eles aprendem com outras pessoas? Talvez. Nós damos o tudo-por-tudo para ensiná-los bem? Sim! Será que resulta sempre? Claro que não.

Há uma razão para se demorar 18 anos (ou mais) a criar seres humanos responsáveis, sociavelmente adaptados e 100% asseados.

Vamos cruzar os dedos!

Por Annier Reneau para Scary Mommy,
traduzido e adaptado por Up To Lisbon Kids®

Todos os direitos reservados

Nota: Todos os textos traduzidos, adaptados e publicados pela Up To Lisbon Kids® têm a a autorização do autor e/ou foram comprados os direitos dos mesmos.

imagem capa@dollarphotoclub

Sozinhos em casa

O tema não é novidade, no entanto muitos pais e mães continuam a debater-se com a questão:
Posso deixar os meus filhos sozinhos em casa?
A partir de que idade é possível deixar os meus filhos sozinhos sem supervisão?

Estas dúvidas são legítimas, deixando desde já claro que não existe um acordo, entre especialistas, sobre a idade a partir da qual as crianças podem ficar em casa sozinhas. Se os pais de uma criança de 12 anos ficam confortáveis ao deixá-la sozinha por umas horas, outros com um filho de 16 anos exigem a presença de um adulto que assegure a supervisão.

Se, para alguns pais, uma criança sozinha em casa é sinónimo de negligência parental, para outros é sinónimo de autonomia e crescimento.

Da lei sabe-se que, de acordo com o artigo 138.º do Código Penal, “quem colocar em perigo a vida de outra pessoa, por exposição a uma situação em que esteja impossibilitada de se defender por si mesma, ou que a abandone quando era seu dever guardar, vigiar ou assistir, é punido até 5 anos de prisão” (sem contar com agravação por ofensa à integridade física ou morte).

Ora, cada criança é única e irrepetível, não existem duas iguais. O ritmo a que se desenvolvem é muito variável, o que significa que algumas estarão aptas para desempenhar determinadas tarefas mais cedo, outras mais tarde. Ninguém conhece melhor o próprio filho ou filha do que o pai ou a mãe. Assim, cada pai e cada mãe são a melhor pessoa para avaliar quando o seu filho está ou não preparado para ficar sozinho em casa.

Este texto tem como objetivo oferecer algumas sugestões, deixando muitas questões em aberto, as quais os pais, atentos que são aos seus filhos, terão já colocado ou até respondido. Os pontos que se seguem podem ajudá-lo a tomar uma decisão:

1 – Certamente é um dado adquirido mas nunca deve deixar sozinhos recém-nascidos, bebés ou crianças em idade pré-escolar. O número de situações que colocam a criança em risco nestas fases é incontável, mesmo quando a ausência é de breves instantes. Nesta altura as crianças estão a dar os primeiros passos na descoberta acerca de um mundo sobre o qual pouco sabem, precisando de um adulto que as supervisione, sempre. Têm muita dificuldade em lidar com emoções intensas como o medo de estranhos ou de serem deixados sozinhos, sendo por isso também que correm para os pais em busca de segurança. Só mais tarde desenvolvem, de forma mais expressiva, capacidades como a regulação de emoções, essencial para poderem ficar sozinhos por algumas horas.

2 – O meu filho quer ficar sozinho em casa?
Assim como os adultos, as crianças também têm necessidades, motivações e preocupações próprias. Como se vai sentir o seu filho perante a ideia de ficar sozinho em casa? Entusiasmado com a responsabilidade que lhe é dada, ou assustado? Se o seu filho não quiser ficar sozinho em casa, tal será um bom indicador de que é ainda cedo para o fazer – explore alternativas.

3 – Pense agora nas capacidades e competências do seu filho:

  • Sabe trancar e destrancar a porta de casa? Consegue chegar ao visor da porta?
  • Sabe usar o telefone para atender e fazer chamadas? Numa situação de emergência, sabe para que número ligar?
  • Sabe o que fazer se tocarem à campainha ou baterem à porta?
  • Sabe preparar o lanche ou algo para comer quando tem fome? Sabe usar os eletrodomésticos necessários para preparar os alimentos que vai consumir (micro-ondas, fogão, frigorífico, etc.)?
  • Consegue estar entretido sem a supervisão de um adulto? Arranja as suas atividades e fica envolvido?
  • Tem capacidades de resolução de problemas?
  • Como reage perante situações inesperadas?
  • O seu filho sabe quando pedir ajuda?

4 – Em relação à segurança, o meu filho (a):

  • Sabe como me contactar numa emergência?
  • Sabe quando e em que situações é importante ligar para os números de emergência e como?
  • Existe um contacto alternativo de algum familiar ou amigo que possa contactar se não conseguir falar comigo?
  • Sabe o que fazer em emergências como, por exemplo, um incêndio?

Considere deixar uma chave de casa disponível para o seu filho. Nunca o tranque sozinho em casa sem possibilidade de abrir a porta. Em caso de incêndio, por exemplo, a criança pode ficar impossibilitada de se colocar fora de perigo.

5 – O meu filho está emocionalmente preparado para ficar sozinho em casa?
As crianças, para ficarem sozinhas sem os pais, devem conseguir autorregular as suas emoções. Se para nós é difícil, por vezes, ficar sozinho sem ninguém por perto, para o seu filho pode resultar numa carga muito elevada de stress com a qual não consegue lidar, por não ter ainda “ferramentas” que o permitam. Assim, sendo os pais quem melhor conhece os próprios filhos, podem refletir sobre estas questões: O meu filho é confiante? Fica facilmente agitado? É influenciável? Tem a capacidade de resistir à tentação e seguir regras sem supervisão?

6 – E nas situações em que deixo o meu filho ou filha mais velhos a tomar conta do mais pequeno?
Bem, para quem tem irmãos, esta é uma situação comum e muitos de nós já ficámos a cargo da nossa irmã mais velha, ou responsáveis pelo irmão mais novo. Esta situação implica, para si, ponderar acerca da relação entre irmãos e reconhecer uma responsabilidade acrescida: o irmão mais velho não só vai estar responsável por si próprio, mas também pelo irmão mais novo. As sugestões e questões anteriores aplicam-se neste caso e acrescem outras tantas, como por exemplo:

– Como é a relação entre irmãos? Estar sozinho em casa sem supervisão pode significar que, caso os irmãos discutam ou se agridam, não existem adultos presentes para gerir a situação.

7 – Regras
É importante definir regras com o seu filho relativamente ao tempo em que vai estar ausente. Por exemplo, para as crianças que chegam da escola e não encontram os pais em casa, pode ser tranquilizante ligarem aos pais a informar que chegaram.

Outra regra que deve ponderar: o seu filho pode sair de casa sem permissão?

8 – Avise quando vai regressar a casa
É importante avisar sobre a sua hora de regresso a casa, caso contrário o seu filho poderá ficar assustado, achando que lhe aconteceu algo, ou ansioso por não saber quando regressa.

9 – Tecnologias
Com a entrada das novas tecnologias no quotidiano das famílias, uma das maiores preocupações relaciona-se com os perigos de estar ligado à rede. A segurança neste mundo (diga-se antes universo) que é a internet tem sido uma preocupação crescente entre os pais. Nem sempre é fácil para estes estarem informados acerca das novas tecnologias, pois nesse campo os especialistas são os mais novos. Sendo assim, como conversar com o seu filho sobre este assunto, sendo ele mais experiente? Lembre-se: Não vai conversar com o seu filho apenas sobre tecnologias e sim, acerca de temas como privacidade e segurança, assuntos sobre os quais todos os pais têm uma palavra de orientação. Deixe que estas conversas se transformem num encontro, em que ambas as partes se sentem competentes, ensinando e aprendendo.

Mantenha-se atento ao que o seu filho lhe diz sobre o que gosta de fazer no computador ou no tablet, se joga, se utiliza as redes sociais. O que pode ser partilhado? O que não deve ser partilhado? Esta e outras questões podem ser o início de uma conversa rica para ambos sobre os benefícios e riscos da internet, especialmente quando se está sozinho em casa.

Atenção, procure obter informações úteis, não sendo intrusivo. Exigir ao seu filho que mostre as conversas com os amigos na rede social ou as mensagens no telemóvel, dificilmente será bem recebido. Fazê-lo poderá transmitir ao seu filho a mensagem de que as pessoas não têm direito a um espaço privado, digno de ser preservado.

Existem também pais que utilizam as novas tecnologias como recurso que lhes permite monitorizar a segurança dos filhos nestas situações. Por exemplo, pode considerar deixar a webcam ligada na sala ou noutro local da casa em que a criança se encontra, trocar mensagens de telemóvel ou fazer chamadas de tempos a tempos para se assegurar que os seus filhos estão bem.

Esta e outras soluções estão cada vez mais acessíveis, num mundo em que é cada vez mais difícil imaginar uma vida sem tecnologia.

Se ponderou sobre estas e outras questões e o seu filho abraça esta responsabilidade, poderá então praticar com ele/ela algumas destas tarefas:

– Localizar os números importantes e praticar chamadas de emergência;

– Atender o telefone de forma segura, sem transmitir informações pessoais;

– Garantir que o seu filho não abre a porta a estranhos;

– Usar os diversos utensílios e eletrodomésticos de cozinha necessários para preparação de refeições;

– Trancar e destrancar a porta.

Estes são apenas alguns exemplos do que pode ensaiar com o seu filho de modo a que este esteja mais preparado/a para novas situações.

Se é frequente deixar um adolescente sozinho em casa por longos períodos de tempo (por exemplo uma tarde inteira), dificilmente uma criança mais nova ficará confortável, sem supervisão, durante tanto tempo. Prepare este momento em conjunto, por exemplo, vendo o filme Sozinho em Casa. Colocando de lado algumas das peripécias da criança de oito anos no filme, esquecida em casa pelos pais, podemos encontrar momentos adequados para falar sobre como lidar com estranhos e com outras situações relacionadas com o tema, que vão surgindo no decorrer da longa-metragem.

A ausência de linhas orientadoras claras sobre estas situações, não deve impedir os pais e mães de refletirem sobre um assunto tão importante. Pelo contrário, este é um dos momentos em que só o pai ou a mãe, em conjunto com o filho, podem tomar uma decisão adequada.

 Para um futuro de adultos que se recordam crianças “protegidas em casa”, ao invés de “esquecidas em casa”.

 

 

Imagem@http://www.fansshare.com/ 

Não fomos ao concerto, mas somos espectadoras assíduas desta história da Disney. Eles falam espanhol e esquecemo-nos que é uma produção da Disney. A verdade é que os ingredientes estão todos lá. Prova disso é o último episódio da temporada que foi emitido na semana passada.

Enquanto mãe assumo sempre a responsabilidade de vigiar o que a minha filha vê. Às vezes, chego mesmo a proibir uma série ou desenho animado, por considerar que há diálogos demasiado adolescentes, quando o target são crianças a partir dos seis anos.

Sei que os miúdos, hoje em dia, dão beijos na boca aos cinco anos e falam de namorados… muito mais cedo que há 30 anos, quando eu tinha a idade deles.

A importância aqui é a de lhes passar a mensagem certa na dose adequada.

Tarefa fácil? Não.

Na vida corrida que se tem gosta-se que os miúdos se percam frente à televisão, enquanto despachamos isto, aquilo ou aqueloutro.

Ao início da febre Violetta comecei a ter algumas questões em deixar a minha filha ver a dita série. A protagonista andava indecisa e a ser beijada por mais do que um rapaz. Não há mal nisto na adolescência, mas passar a informação com naturalidade para uma criança de seis anos, que começa a fazer uma série de descobertas, deixou-me na dúvida.

Sem querer ser muito mais bruxa (do que às vezes tenho de ser enquanto mãe), decidi atirar para o ar que não simpatizava com a protagonista, pois parecia-me ser uma rapariga muito pouco certa das suas ideias e quereres. O comentário saiu e a resposta foi pronta com a justificação de que ela só estava indecisa, pois um dos “meninos” tinha ido embora, ela gostava de um que a deixou e havia outro a trata-la bem: “Ela só está a pensar em qual deles gosta mesmo e é o melhor para ela!”

Toma lá e embrulha!

Do pequeno alto dos seus seis anos a minha filha explicou-me que a Violetta não é “uma maria vai com todos”, como se chamava no meu tempo, mas sim uma rapariga firme e resolvida, que estava a analisar o melhor para ela.

Meti a viola no saco, como se diz em bom português, e decidi dedicar mais tempo a ver cenas da série e, depois, o DVD do concerto em Milão. Rendi-me!

E não só! Ainda há pouco tempo contrapus, perante outros, o mesmo pensamento que tive antes de olhar para a série com olhos de ver.

A mensagem da Violetta não pode ser mais clara e nem uma melhor semente para o futuro das mulheres (como a minha filha), na sociedade daqui a uns anos: mulheres seguras de si mesmas, que lutam pelos seus sonhos sempre com o coração como guia e persistentes em todas as adversidades. Uma espécie de Principezinho feminino do século XXI, em que na história mostra que o que “é importante é invisível aos olhos”.

Por isso mesmo, obrigada Violetta por me ajudares nesta tarefa difícil de ser mãe de uma futura mulher.

Por Irina Gomes,
para Up To Lisbon Kids®

Todos os direitos reservados

 imagem capa@www.quizz.biz

Quando há necessidade de recorrer à fisioterapia respiratória?

A fisioterapia respiratória, indicada em todas as idades, é particularmente importante em pediatria porque as crianças e bebés, devido às especificidades do seu aparelho respiratório e pelo seu sistema imunitário não estar totalmente desenvolvido, têm uma sensibilidade maior a determinados microrganismos, como os vírus e as bactérias, desenvolvendo facilmente infeções respiratórias.

Esta intervenção, individual e personalizada, é recomendada quando há associação de sintomas como a obstrução nasal, a tosse, os “gatinhos” (sibilâncias), febre, diminuição do apetite ou sono alterado. Estes sintomas indicam que a infeção pode ter progredido para as vias aéreas inferiores, ou seja, para o interior dos pulmões, sendo agravada pelo facto de a criança apresentar dificuldade em libertar as secreções, que se acumulam criando um espaço ideal para o desenvolvimento dos microrganismos. No entanto, é importante realçar que se a criança consegue libertar as secreções sozinha, deveremos estimular esse sucesso e não intervir!

A fisioterapia respiratória consiste, assim, na reprodução do movimento normal da inspiração e expiração facilitada pelas mãos do fisioterapeuta, com o objetivo de mobilizar e eliminar as secreções. São utilizadas técnicas como a aspiração nasal, técnicas inspiratórias forçadas, a expiração lenta e prolongada, associados (ou não) à tosse provocada.

Durante a intervenção é provável que a criança chore, esperneie, chame pela atenção dos pais ou tente tirar as mãos do fisioterapeuta do seu corpo. Estes sinais de inquietação apenas significam que a criança não está a gostar que a agarrem à força e a obriguem a sujeitar-se à introdução de soro nas narinas e de alguma pressão no tórax. No entanto, é importante informar os pais que nenhuma destas técnicas provoca dor ou representa qualquer risco para a criança. Por outro lado, o choro pode ser considerado um amigo, pois a vibração que provoca é transmitida às vias aéreas pulmonares, ajudando no descolamento das secreções.

Estas técnicas têm sido estudadas nos últimos anos, verificando-se uma melhoria significativa dos sintomas logo após a primeira sessão e uma diminuição do tempo de recuperação. Deste modo, evita-se o uso abusivo de antibióticos, que não têm influência no curso das infeções virais, incentivam ao aparecimento de numerosas resistências bacterianas e podem matar bactérias benéficas para o corpo.

A fisioterapia pode e deve atuar também na prevenção das infeções respiratórias, contribuindo para a qualidade de vida da criança e dos pais. Os ganhos dessa intervenção podem ser significativos: poupam-se os custos com hospitalizações, reduz-se problemas como a ausência laboral dos pais e reduz-se a morbidade associada a problemas respiratórios na primeira infância. Desta forma, o fisioterapeuta pode capacitar os cuidadores, nomeadamente os pais e educadores de infância, das ferramentas necessárias para reconhecer e lidar com as infeções das vias aéreas superiores, atuando de forma preventiva e evitando possíveis recidivas.

A fisioterapia respiratória pediátrica contribui para prevenir, reverter ou minimizar possíveis disfunções e respetivas complicações, promovendo a melhoria da qualidade de vida da criança, através da integração social e familiar e do aumento da sua funcionalidade.

Por Nelma Paiva, Fisioterapeuta do Crescer com Afecto – Saúde Pais e filhos,
Para Up to Lisbon Kids®

Todos os direitos reservados.

imagem@istock