Sou mãe de uma menina de quase 3 anos, que ainda só frequenta a creche. No entanto, hoje a minha preocupação com o sistema escolar ultrapassa já a dimensão profissional, sendo também uma preocupação de mãe.  Porquê tão “cedo”? Primeiro, porque sei que uma estrutura como o sistema escolar, leva tempo a mudar. Segundo, porque a escola dos dias de hoje espelha a forma como as sociedades olham para as suas crianças, para o seu presente e para o seu futuro.  Espelham acima de tudo, a forma como nós, adultos, “vivemos” a infância dos nossos filhos. Preocupam-me essencialmente três erros fundamentais, numa perspectiva que, embora com alguns sinais de transformação, ainda está muito enraizada.

 1. Conceber as crianças como todas iguais ou ter de formatá-las

Um dos aspectos que tem vindo a ser cada vez mais criticado no sistema escolar actual, passa pela dificuldade em acompanhar e acolher a individualidade dos alunos. Com o ritmo, metas e as estratégias pedagógicas adoptadas, a diferença nas crianças rapidamente se transforma numa limitação. A escola organiza-se de forma padronizada, com uma estrutura rígida e pouca margem para adaptações e ajustes em sala de aula. Favorece essencialmente a repetição e a imitação, ambos sinónimos de pouco envolvimento.  Estamos assim a ensinar às nossas crianças que o bom, é ser e fazer igual. Viver normalizado. Ser um aluno de sucesso, fecha-se em limites rígidos de como agir.

Com pouca margem para compreender a realidade emocional e afectiva das crianças, não existem condições para gerir os seus ritmos pessoais e investir na sua motivação. A criatividade e os gostos e/ou talentos pessoais dos alunos passam para segundo plano. Quem não se adapta, fica naturalmente integrado no grupo dos alunos sem ou com pouco sucesso escolar que, aqui entre nós, felizmente tem vindo a crescer. Talvez seja sinal de que já não é assim tão fácil formatar as crianças de hoje. Talvez tenham mais força para resistir…

2. Viver o presente da criança focados no seu futuro

O segundo erro que mais me assusta na escola é a forma como esta olha para a criança e a sua infância. A forma como vê as suas experiências e vivências presentes. Na realidade, integrar uma criança na escola, é iniciar-lhe um treino intensivo para que um dia possa ser o homem ou a mulher que ainda não é. A criança é vista como um projecto inacabado.
Importa o que ela um dia vai ser, como se não fosse já uma pessoa inteira. Retiramos-lhe, assim, o que ela tem de mais precioso na vida,  o “agora”. À semelhança do burro que caminha atrás de uma cenoura que nunca irá alcançar, também nós adultos fazemos o mesmo. Sacrificamos constantemente o nosso presente em nome de algo que não existe, e que há de vir (se tudo correr bem). Fazer isto às nossas crianças é ainda mais cruel. É de alguma forma, retirar-lhes parte da sua infância. Acresce a esta “visão” a lógica de que a criança tem que rentabilizar e “retribuir” à sociedade o investimento que é feito sobre si. Daí a necessidade de rapidamente a tornar eficaz e produtiva, o que de resto se reflecte nas avaliações a que começa desde logo a ser sujeita e de acordo com as quais passa desde logo a ser valorizada e classificada. Recaem sobre os nossos filhos o peso das expectativas e a angústia do possível fracasso. Da parte da criança, a resistência a essa integração forçada e “cobrança” precoce, traduz-se muitas vezes em comportamentos de desajuste, agressividade e rejeição das regras “dos adultos”.

 3. Acreditar que o sucesso escolar é preditivo de sucesso no futuro

Este terceiro erro atribuo-o essencialmente a nós, pais. A passividade com que por vezes aceitamos a forma de vida na qual estamos integrados, leva-nos a assumir, para nós mesmos, medos, angústias e crenças que a experiência, a ciência, ou a simples observação da realidade nos provaram estar erradas. Sucesso escolar não é sinónimo de felicidade.

Sucesso escolar não é sinónimo de sucesso na vida adulta. Podemos, sim, considerar que eventualmente trará melhores oportunidades de trabalho, de remuneração, de carreira promissora. No entanto, é tão fácil encontrar pessoas com carreiras brilhantes mas que escondem depressões, tristeza e insatisfação com as suas vidas, quanto é fácil encontrar pessoas com trabalhos simples, um orçamento apertado, mas que vivem o seu dia-a-dia com alegria, carinho e plenitude.
Quando nós, pais, passamos a acreditar que o sucesso dos nossos filhos se traduz em boas notas, esquecendo que o sucesso está em aprender (porque os nossos filhos estão suficientemente saudáveis e felizes para o fazerem), validamos as avaliações e passamos a atribuir aos nossos filhos um valor em números. Valor esse que nos chega da escola. Saímos do registo saudável do “aprender pode ser bom e saboroso” para o “ter boas notas é importante para o futuro”. Para termos melhores alunos, é no gosto pela aprendizagem que devemos focar-nos, e não tanto na avaliação dos resultados. O que acontece actualmente é que o desejo natural de aprender é “sufocado”, por um sistema desadequado, competitivo e excessivamente exigente. E as nossas crianças entram rapidamente numa corrida desenfreada mas sem rumo, como se de ratinhos numa rodinha se tratassem. Como se isso fosse, um dia, fazê-las feliz.

Há que considerar que no primeiro ciclo, a criança encontra-se numa fase de grande desenvolvimento emocional e vive uma série de conflitos intrapsíquicos que exigem compreensão, aceitação e validação do seu “sentir”. Contrariamente, a escola põe o foco em aprendizagens racionais e passa a mensagem de que importante não é sentir, nem pensar, mas receber do outro o que já está “colectivamente” pensado. O que nós, pais, deveríamos ter como principal preocupação seria que os nossos filhos ultrapassem estes desafios emocionais com sucesso.  Isso sim, é um bom preditivo de uma vida adulta saudável. E uma vida adulta saudável é preditiva de relacionamentos saudáveis, uma boa auto-estima, uma grande vontade de construir e de contribuir positivamente para o próprio e para a vida das pessoas à sua nossa volta. Pessoalmente, é a isto que eu chamo sucesso. As consciências estão a mudar.

É preciso refletir se as escolas de hoje não continuarão a servir um propósito de ontem, estruturando-se como fábricas de trabalhadores, para uma organização social que entretanto já mudou. Este modelo de escola foi importante, até fundamental, durante um período da nossa história. Entretanto, a estrutura social e as consciências continuaram a evoluir. Não terá chegado a hora da escola fazer o mesmo?

A curiosidade por novos modelos pedagógicos tem vindo a crescer. A procura de colégios seguidores do Método Montessori, da Pedagogia Waldorf ou Movimento da Escola Moderna, são alguns exemplos. Uma curiosidade crescente, mas ainda com pouca projecção a nível nacional.

No entanto, parece-me que não deixará de marcar a sua posição, numa altura em que pais e professores se sentem desconfortáveis com a realidade actual. “A ver vamos…”

Eu quero acima de tudo, que a minha filha seja feliz, hoje e sempre.

Por Ana Guilhas, Psicóloga Clínica
para Up To Lisbon Kids®

Todos os direitos reservados

imagem capa@kidshealth.org

Anda a circular um vídeo que nos dói na alma. Vemos jovens que podiam ser os nossos sobrinhos ou filhos, os filhos dos nossos vizinhos ou os colegas dos nossos filhos, a levarem a cabo um conjunto de atividades violentas. Vemos uma vítima (ou serão todos vítima?) a ser esbofeteada e esmurrada várias vezes. A sua passividade também nos inquieta. Tudo é perturbador naqueles minutos. O vídeo deixa-nos tristes, com medo, deixa-nos impotentes e revoltados. No rosto do jovem agredido ficarão marcas. Ficarão marcas também na sociedade?

Serão essas marcas capazes de nos impelir a mudar alguma coisa?

Proponho algumas notas e reflexões para nos ajudar a lidar com a situação, com o choque, com este verdadeiro “murro no estômago”:

NOTA 1 – Nas Escolas o número de Assistentes Operacionais está a diminuir. Os Professores têm cada vez mais trabalho burocrático, os Psicólogos nas Escolas são uma miragem e outros estão mal preparados. Como se fosse pouco, as exigências são cada vez maiores e há a contaminação natural das convulsões sociais típicas da crise e das crises que vivemos.

REFLEXÃO – O que podemos fazer para forçar o poder a dar mais condições às Escolas? As Escolas precisam de mais Assistentes Operacionais, mais Formação (de qualidade, claro!) para os Professores, de mais espaço para se trabalharem as competências sociais, as emoções. E como sociedade civil, o que podemos fazer para ajudar as Escolas? Quais as salas que podemos ajudar a pintar, quais as sessões de sensibilização que podemos dinamizar, quais as associações que podemos criar?

NOTA 2 – Este tipo de acontecimento surge com alguma frequência. Só que a máxima “longe da vista, longe do coração” aplica-se de forma perversa. Como foi filmado e reproduzido nas redes sociais, torna-se mais evidente. Mais real. Mas não podemos esquecer que já aconteceu outras vezes e ninguém gravou. Há números que indicam mais de mil agressões por ano a Professores, Alunos e Funcionários. Os números são assustadores, mas importa reforçar que, no geral, as Escolas conseguem proporcionar ambientes positivos.

REFLEXÃO – Este tipo de acontecimento surge independentemente do nível social ou do tipo de Escola. Devemos estar atentos aos sinais. Porque temos a ideia de que “a mim é que não”?

Não precisamos de Pais ansiosos. Não é positivo demasiada preocupação. Mas ocupemo-nos das questões. Na alegoria da caverna a realidade são as sombras. Era a visão da realidade para os prisioneiros. Libertarmo-nos da escuridão necessita de esforço, de mudança de paradigmas.
Quais são as suas verdades sombra? Porque não põe em causa as suas certezas? O seu filho nunca vai ser vítima? Nunca vai ser agressor? Refletir com conta peso e medida sobre estas questões vai faze-lo estar mais atento. Mais presente. Vai faze-lo ir mais vezes ao quarto dele quando ele estiver entretido com as coisas da Escola. Vai ajudá-lo a quebrar mais vezes o silêncio. Vai dar-lhe mais motivação para o ajudar nas áreas que por vezes não se aprendem na Escola, como a área das emoções.

NOTA 3 – A frase “para educar uma criança é preciso toda uma aldeia” faz todo o sentido.

REFLEXÃO – Mas quantas vezes nos fechamos nos nossos apartamentos, quantas vezes nos limitamos ao nosso mundinho? Quantos de nós viram a cara, se por ventura assistem a um ato desprezível perpetrado por um jovem? E quantos de nós ficamos demasiado ofendidos, quando um estranho, num local público repreende a nossa criança por estar a fazer o que, supostamente, não devia?

A agressividade nasce com o ser humano. É a Educação, o contato com a família, com os pares, é a socialização que vai dando capacidade ao jovem de escolher comportamentos não agressivos.

Onde estão aqueles pais a falhar? Ainda tive receio de usar a palavra falhar, a situação está ainda “a quente”, irmos demasiado à pressa arranjar culpados, pode ser contraproducente. No entanto, terá que se fazer, mais tarde ou mais cedo, esta reflexão.

As marcas da violência estão na cara daquele jovem. Ficarão também na sua alma? Ficarão na minha? Ou amanhã já me esqueci? Farei alguma coisa de diferente?

Um dos meus grandes desafios como Psicólogo, é dar ferramentas para ajudar os Pais ou Professores a passar à ação. Para dar um exemplo, até porque o verão está a chegar, usaremos a questão das dietas. Não basta ler o livro das dietas, é preciso começar a comer melhor. Não basta querer comer melhor, deve começar-se pela qualidade da lista de compras. Com as competências sociais é semelhante, não basta ler, há-que praticar. Há, no entanto, uma boa notícia. Se lermos bastante, se lermos com atenção, se pensarmos sobre o assunto, começamos a abrir portas à mudança. Já aconteceu comigo começar a comer legumes salteados, sem entender bem de onde tinha vindo a ideia. Passados uns dias, descobri um livro onde estava essa sugestão e uma receita de legumes salteados. Eu já tinha lido e relido. Demorou um pouco até colocar em prática, mas aconteceu.

Ajude o seu filho a compreender melhor este mundo das competências sociais, das emoções, para não ser vítima nem agressor. Impelindo-o a passar a ação, dá uma “aula prática” e desenvolve nele algumas competências. Há quatro componentes fundamentais neste mundo de emoções. Conhecê-las ajuda a prevenir a violência. Pratica-las ajuda ainda mais. Tenha atenção a elas e veja ideias de atividades para ajudar os seus filhos a praticar.

1) A emoção dá sinais. Podemos sentir o coração a bater ou o aumento da transpiração. Podemos sentir “borboletas” na barriga. Ajude o seu filho a fazer uma lista destes “sinais”. Pensem em conjunto sobre alguma situação recente em que tenham sentido essas mudanças fisiológicas. Treine-o a ouvir o corpo. Melhor, treine-o a escutar o corpo. Converse com ele sobre a diferença entre escutar e ouvir. Reflita sobre a aceleração do dia-a-dia e da forma como este ritmo pode impedir que sejamos capazes de sentir estes sinais, de ter noção destes sinais. Tentem identificar outras expressões como “borboletas” na barriga para poderem conversar sobre os significados.

2) As emoções são boas ou más. Agradáveis ou desagradáveis. Não quer dizer que sejam simples. Geralmente, o leque de emoções conhecido pelas pessoas, é reduzido. É importante aumentarmos esse leque. Assim, não ficaremos pelo “estou bem” e pelo “estou mal”. Vamos abrir o leque. O espelho da alma (ou dos centros de prazer e desprazer do cérebro) é a face.

3) As expressões faciais são capazes de denunciar as seis emoções básicas e universais. Já agora, sabe quais são as seis? Pesquise com o seu filho em sites de referência ou em livros quais são essas seis emoções. Fale-lhe da importância de estarmos atentos às expressões faciais das outras pessoas. Conte-lhes estórias de detetives e de espiões. Debata com ele a importância de sabermos a cada momento se a nossa expressão está a dizer o que estamos a sentir.

4) As emoções costumam desencadear comportamentos. Geralmente comportamentos de fuga ou aproximação. De luta ou de combate. De ternura ou agressão. As emoções estão ligadas a comportamentos. Conversem sobre os possíveis comportamentos que podem advir das diferentes emoções. Conversem sobre as formas de controlar esses comportamentos. Conversem sobre os momentos em que devemos controlar esses comportamentos e os momentos em que nos podemos deixar ir.

Por Alfredo Leite, Mundo Brilhante, 
para Up To Lisbon Kids®

Todos os direitos reservados

Sabe-se que nem sempre as pessoas bem-sucedidas foram as que obtiveram as melhores classificações no seu percurso escolar, assim como a capacidade intelectual não é necessariamente prognóstico de um bom desempenho pessoal e social.

A habilidade de uma pessoa para compreender os seus sentimentos e os dos outros é uma das capacidades mais importantes do ser humano, designando-se Inteligência Emocional. Trata-se de um conceito que ganhou mais visibilidade após a publicação de Daniel Goleman que, em 1998, definiu Inteligência Emocional como a “capacidade de identificar os nossos próprios sentimentos e os dos outros, de nos motivarmos e de gerir bem as emoções dentro de nós e nos nossos relacionamentos”.

Uma pessoa emocionalmente inteligente identifica as suas próprias emoções, gere as suas reações emocionais de forma adequada, pratica o auto-controlo e a empatia e desenvolve uma aceitação incondicional de si mesmo e dos outros.

Embora exija treino, existem várias formas de estimular a Inteligência Emocional nas crianças, sendo que esta pode e deve ser estimulada desde o nascimento, através das crescentes interações entre o bebé e as figuras de vinculação e, à medida que as crianças vão crescendo, através da qualidade das interações da criança com os outros. A vida diária é uma ótima escola de aprendizagem para o desenvolvimento da Inteligência Emocional, pelo que ajudar a criança a resolver os desafios que surgem diariamente será um excelente ponto de partida para criar uma criança emocionalmente inteligente. Os pais ou cuidadores estão na primeira linha de ação enquanto preparadores emocionais dos seus filhos.

Atente algumas das estratégias mais eficazes para fomentar a Inteligência Emocional na criança:

  • Dê espaço à criança para se expressar abertamente sobre os seus sentimentos e ajude-a a verbalizar o que está a sentir, dando-lhe um nome e significado;
  • Ouça a criança com empatia e fomente a importância do saber escutar;
  • Desenvolva brincadeiras de reconhecimento de emoções nas personagens favoritas da criança em histórias ou desenhos animados;
  • Brinque regularmente com a criança, fomentando a interação e o respeito pela opinião do outro;
  • Fale das situações do dia-a-dia, perguntando-lhe o que faria em determinada ocasião;
  • Fomente o diálogo familiar e oriente a criança nas suas escolhas e decisões, entendendo as suas angústias;
  • Estimule a resiliência, ao explicar à criança que nem sempre tudo irá acontecer como deseja, ensinando-a assim, a lidar com problemas e a superar obstáculos;
  • Imponha limites e ensine a criança a lidar com a frustração dizendo “não”.
  • Perante a desmotivação da criança para enfrentar um desafio mostre-lhe a necessidade de se superar, valorizando o seu esforço acima das suas capacidades;
  • Não negue a sua tristeza como forma de proteger a criança. Encare esse momento como uma oportunidade para ela reconhecer a emoção nos outros, através da empatia.

O uso eficaz das emoções permite que a criança ganhe um maior controlo sobre os seus impulsos, ajudando-a a ser menos agressiva e mais sociável. Ao aprender a comunicar de forma mais adequada o seu estado emocional, a criança desenvolverá relações mais saudáveis ao longo da sua vida, com base no respeito e na assertividade.

As crianças emocionalmente inteligentes são crianças mais seguras na procura de soluções para os seus problemas, bem como na adversidade, isto é, em eventos como perdas de entes queridos, separações ou outros acontecimentos críticos.

Ao permitir que a criança desenvolva a sua Inteligência Emocional estará a dar-lhe a oportunidade de crescer de forma saudável e tranquila, vacinando-a contra possíveis perturbações de foro psicológico, como depressões, ansiedades ou outras, fomentando uma personalidade sólida e significativamente mais impermeável a eventos críticos.

Cristina Reis, Psicóloga Clínica

imagem capa original de Luís Nobre

A leitura de histórias não só apoia a construção de sentido em torno da escrita, como também enriquece a interacção da criança com a leitura” (Mata, 2008, p.80).

Sabia que nas crianças a aprendizagem sobre a escrita começa precocemente antes de qualquer ensino formal? Em idade pré-escolar? A criança a partir do momento em que adquire a linguagem assume um papel central no seu próprio desenvolvimento, pois ela é activa e participativa no mundo que a rodeia. Ela vai assim construindo o seu próprio conhecimento à medida que explora o meio em que vive. Tendo isto em conta, as actividades de leitura e escrita contextualizadas na realidade da criança constituem-se como actividades de extrema importância, pois permitem uma fonte de exploração e de tomada de consciência sobre as características do código escrito. Esta tomada de consciência surge assim que a criança inicia o contacto com a linguagem escrita.

Diversos trabalhos de investigação sobre a leitura de histórias têm sido realizados. Estes trabalhos têm vindo a demonstrar que esta prática assume uma importância central, não só antes da entrada para o 1ºano – início do ensino formal da aprendizagem da escrita – como também ao longo da escolarização da criança. É indiscutível e de largo consenso a importância que a leitura de histórias assume quando se constitui como uma actividade regular, sendo uma actividade agradável e que proporciona interacções, vivências, partilha de ideias e de concepções. Ouvir e contar/ler histórias permite que as crianças interajam enquanto ouvintes e enquanto contadores de histórias, promovendo em ambos os casos capacidades de ouvinte, de leitura e de compreensão. É por isso considerada uma actividade rica e completa. Eis alguns aspectos que a vivência da leitura de histórias promove, segundo Mata (2008):

  • Oportunidade para ouvir leitura fluente
  • Alargamento de experiências
  • Desenvolve a curiosidade pelos livros
  • Aprendizagem de comportamentos de leitor
  • Apoia o desenvolvimento de conceitos sobre a escrita

Ainda que fora do contexto escolar, as crianças aprendem muito sobre a escrita através da leitura de histórias. Aprendem que o mesmo texto aparece associado à mesma mensagem independentemente de quem o lê – a mensagem é sempre a mesma e aparece sempre na mesma ordem. A leitura de histórias permite, ainda, que as crianças se apercebam da orientação da escrita (da esquerda para a direita, e de cima para baixo) e das relações entre o oral e o escrito (quando o leitor aponta para o que está a ler), e ainda que as palavras se escrevem sempre da mesma maneira ao longo do texto, podendo a mesma palavra aparecer várias vezes sempre escrita da mesma maneira. Por fim, a leitura de histórias facilita o reconhecimento das letras e dos sinais de pontuação, de uma forma integrada e contextualizada, e que faz sentido.

Wells (1988, 1991), um dos primeiros autores nas investigações sobre a leitura de histórias, debruçando-se na frequência de leitura de histórias, identificou uma associação positiva entre a frequência e os conhecimentos sobre literacia das crianças aos 5 anos de idade. E identificou igualmente uma maior compreensão na leitura nestas mesmas crianças aos 7 anos. Nesta mesma linha de investigação, também Sénéchal e LeFévre (2002) identificaram associações positivas entre os hábitos de leitura de histórias em crianças de idade pré-escolar com o seu vocabulário nessas idades, tendo mais tarde avaliado os níveis de leitura dessas mesmas crianças no 3ºano de escolaridade. Concluiu-se assim que as crianças cujos hábitos de leitura de histórias eram mais frequentes apresentavam maiores níveis de leitura no 3ºano.

Os estudos descritos vieram assim enfatizar a importância da leitura de histórias em idades pré-escolares, sendo esta actividade considerada como importante e significativa, uma vez que permite e facilita não só o desenvolvimento precoce de algumas competências de literacia, como também se constitui uma base de motivação para a aprendizagem da leitura e da escrita, pelo seu carácter lúdico. Isto porque a partilha precoce com a linguagem escrita cria oportunidades às crianças de questionarem, de contactarem, de reflectirem, e obterem respostas e informações sobre a linguagem escrita, que vão permitir uma maior e melhor compreensão sobre as particularidades, potencialidades, e funcionalidades do escrito (Mata, 2004). Ler para as crianças é uma das melhores formas de encorajar a emergência e o desenvolvimento das capacidades literárias. Estas experiências de leitura têm vindo a mostrar que providenciam múltiplos benefícios (Zeece, 2007).

A escolha do livro também é algo a ter em conta e que carece de algum cuidado. Acima de tudo, o livro deverá tratar de um tema que seja do agrado da criança e que seja igualmente adequado ao seu contexto. Deve conter imagens coloridas e variadas, e inicialmente devem escolher-se livros com pouco texto. Mas à medida que a criança progride na leitura, devem escolher-se livros com texto mais longo, para ouvir, ler e para descobrir sílabas, palavras e frases (Mata, 2008).

Foi assim exposta a importância da leitura de histórias, sendo esta uma actividade extremamente rica, pois permite a relação do oral com o escrito, promovendo nas crianças capacidades na leitura, de compreensão do escrito e um desenvolvimento ao nível do vocabulário.

Madalena Ferreira de Lima | Psicóloga Educacional, para Up To Kids®
Todos os direitos reservados

imagem@cmeimarcelino.blogspot.com

A Perturbação do Espectro do Autismo (PEA) é uma condição que perturba o desenvolvimento global, que surge precocemente e que se manifesta num conjunto de características que diferem de criança para criança. A PEA é caracterizada por apresentar uma tríade de sintomas, nomeadamente diminuição da interação social e reciprocidade das relações, dificuldade na comunicação verbal e não-verbal e interesses restritos e repetitivos.
A criança com PEA apresenta dificuldades na interacção social, mostrando desinteresse e pouca curiosidade pelo meio envolvente e pelas pessoas. Revelam ser crianças mais distantes e com pouca reciprocidade na interacção social. Evidenciam rigidez relacional, tendo dificuldade em compreender e responder às emoções dos outros.

Relativamente à comunicação e linguagem, apresentam dificuldades na compreensão e descodificação das mensagens e na expressão de sentimentos ou necessidades. As dificuldades nesta área poderão ser variar desde a ausência de linguagem e intenção comunicativa até o uso de um discurso espontâneo fluente e bem estruturado. No entanto este discurso será monocórdio e sem grandes variações na prosódia. Geralmente são crianças que manifestam alterações da pragmática, ou seja, na utilização funcional da linguagem verbal oral.
Quanto ao envolvimento nas actividades, a criança com PEA evidencia interesses repetitivos e restritos. Mostra interesse por temas invulgares ou manipula os objectos mecanicamente com movimentos peculiares. Apresenta pouca flexibilidade no jogo simbólico, sendo-lhe difícil “brincar ao faz de conta”.
Presentemente sabe-se que a intervenção com crianças com PEA deve iniciar-se o mais precocemente possível, assim que a criança evidencia sinais, mesmo que o diagnóstico ainda não esteja concluído. A criança com PEA deve ser integrada em contexto educativo, uma vez que será o ambiente mais favorável para o desenvolvimento da interacção com os pares e da comunicação. Defende-se igualmente que a intervenção deve ser realizada nos contextos naturais da criança e com a família. É fundamental que a família assuma um papel ativo no processo de intervenção. É ela que passa grande parte do tempo com a criança e por isso deverá ser orientada pelo terapeuta. Este poderá ajudá-la a desenvolver capacidades sociais e comunicativas, através da passagem de estratégias que possam ser aplicadas diariamente nas suas rotinas.

Ao realizar a intervenção no contexto de sala de aula, o terapeuta terá oportunidade de orientar o educador na forma como deverá trabalhar com a criança com PEA. Este tipo de intervenção proporcionará mais oportunidades de aprendizagem à criança, pois todas as rotinas poderão ser aproveitadas para desenvolver as competências em deficit. A intervenção nos contextos também favorece a consolidação das competências, uma vez que se sabe que a criança com PEA tem dificuldade em generalizar as aquisições adquiridas individualmente e aplicá-las nas situações de dia-a-dia. A intervenção na sala de aula também possibilita que os pares com um desenvolvimento típico, sejam promotores do comportamento social. Deve-se aproveitar os momentos do brincar com os pares, para favorecer o desenvolvimento da capacidade de atenção partilhada, a tomada de vez e a imitação reciproca dos comportamentos.
É igualmente importante que o terapeuta ajude a educadora na organização do espaço, dos materiais e na rotina da criança. O espaço da sala deve estar organizado por áreas e estas devem estar identificadas com uma imagem correspondente, para ser mais fácil a criança visualizar. Os materiais devem também estar identificados, de forma a facilitar a criança saber onde deve encontrar determinado material, bem como onde deve arrumá-lo, quando termina a atividade. Outro aspeto fundamental a ter em conta é a organização das atividades. A criança com PEA não reage bem ao imprevisto e portanto “funciona” melhor se antecipar o seu dia e, perceber quais as tarefas que vai desenvolver. Isto pode ser feito, apresentando um mapa de atividades diárias que permita à criança ter conhecimento qual a actividade que vai desenvolver de seguida. Este método de intervenção visa melhorar e favorecer a autonomia da criança, facilitar o processo de aprendizagem e também diminuir a ocorrência de problemas de comportamento.

Susana Moreira- Terapeuta Ocupacional, para Up To Kids®

Todos os direitos reservados

imagem de capa@www.muitotudo.com

Ontem, às portas de Lisboa, no Auditório da Biblioteca Municipal do Pinhal Novo, um grupo de pais fez algo em prol do futuro dos filhos. Algo a acrescentar ao já hercúleo esforço que é educar.

Dezenas de Pais e Encarregados de Educação deram o exemplo e saíram de casa para um evento formativo. Para uma Palestra.  Uma “aula” para adultos. Ou Conferência, se preferir. Voltaram à Escola. Sinais dos tempos. Belos sinais dos tempos! Sinais da evolução. Os Pais querem fazer melhor, e educar no século XXI, exige mais armas.

Qual foi a última vez que leu um livro sobre pedagogia?
Qual foi a última palestra em que se entregou de corpo e alma?
O que tem feito para melhorar como Pai?

Na manhã seguinte, imagino que estes Pais puderam contar aos filhos sobre a aventura de terem ido à Palestra. Por causa deles. Porque desejam o melhor para eles. Porque o saber ocupa lugar! Ocupa lugar no pódio das preferências do Pai atento e positivo.

Também quero ser esse Pai.
Quero ver os meus filhos nas primeiras filas dos eventos interessantes. A vida não está só nos Programas Escolares, escolher os eventos certos abre horizontes. Há mais dados fundamentais fora dos manuais escolares do que nesses manuais. Temos de os saber procurar e devemos capacitar os nossos filhos para essa busca. Dar o exemplo e ir a uma palestra, é capacitá-los.
Os Pais presentes na sessão, entenderam que para mudar é preciso agir! Ir à Palestra foi o primeiro passo.
Estes Pais deram uma energia gigante ao psicólogo e palestrante, através da postura positiva com que estiveram. Debateram alguns temas com o companheiro no caminho para casa. Elogiaram. Criticaram. Refletiram. Foram provocados. Cresceram.

No final, os filhos ganharam!

Infelizmente, estas ações nem sempre são notícia. O bom, não vende. A fofoca tem mais audiência. É o país no seu pior. Há inveja. A cultura é mal tratada. Enchem-se pavilhões com música de qualidade duvidosa. Há o culto da figura pública. Muitas vezes perdem-se os valores daquilo que é realmente importante.

Enche-nos a alma de esperança ver que há Pais que desejam melhorar. Esse é o melhor retorno para quem, como nós, vive profissionalmente com a obsessão de dar ferramentas para o desenvolvimento cerebral e da personalidade das crianças e jovens. Ultrapassamos todo os aspectos piores do país quando vemos associativismo a sério como o da Associação de Pais promotora do evento.

Participa numa Associação de Pais? Já pensou em criar uma? Pelo protagonismo ou por missão? Crítica de forma construtiva ou é “bota abaixo”? … Os filhos não precisam de “bota abaixo”.

Claro que há arestas a limar. É claro que as Associações falham. Só não falha quem fica em casa no sofá.
E quem saiu do sofá ontem, pode participar e refletir sobre temas importantes:

  • Tempo de qualidade;
  • Brincar bem;
  • Entender que estar presente de corpo e alma faz toda a diferença na hora de brincar com os filhos;
  • Refletir sobre as horas que roubamos ao sono, sobre o nosso ritmo e sobre o ritmo de aprendizagem dos nossos filhos.Ontem, fizemos mais do que aprender:
  • Revimos os passos da escuta ativa;
  • Falámos da importância da entoação na hora de usarmos as palavras quando brincamos;
  • Reforçámos a ideia da importância de entrar em silêncio no quarto dos filhos, enquanto eles arrumam a mochila da escola e esperar pela iniciativa deles, para nos tornarmos extraterrestres. “E então?” “O que fizeste?” “Ai é? Como foi?” Vamos perguntar para desenvolver o cérebro;
  • Também expulsámos a inércia;
  • Entendemos nas palavras (por vezes apressadas) do palestrante que há muita (demasiada?) informação para digerir e assim ficámos com vontade de aprender mais;
  • Refletimos sobre o brincar com pistolas. Pistolas de brincar, claro;
  • Matámos uma vaca;
  • Vimos uma demonstração de exercício.

Educar com pouco tempo é possível. 

Ontem, às portas de Lisboa, no Auditório da Biblioteca Municipal do Pinhal Novo aconteceu algo que pode acontecer em qualquer Escola, caso haja vontade.  Caso haja o espírito de se “ser pelos miúdos”. O espírito de ajudar os Pais.
E, para terminar, porque já me alonguei, pergunto-me:

Quantos Pais terão ficado inspirados para fazer o jogo da vela?
Quantos terão ficado ainda mais certos de que estão no bom caminho?
Quantos ouvirão de hoje em diante e nas suas cabeças, a voz do psicólogo a dizer que se deve escutar o silêncio dos adolescentes?
Quantos terão achado piada à estória do elefante e das inteligências múltiplas?
Quantos já não se lembram de nada…

E você que não foi, já matou a sua vaca? 🙂

 

Ansiedade, que “bicho” é esse que entra sem pedir licença, controla e comanda a nossa vida, sem ter tipo permissão para tal….

Muitos pacientes chegam agora ao consultório com a mesma queixa! Muitas crianças sofrem diariamente com uma ansiedade que não compreendem nem conseguem explicar. Quando perguntamos a uma criança se sente ansiedade, ela invariavelmente pergunta: O que é isso? É como um aperto estranho no peito que parece que não nos deixa respirar bem e que atrapalha todo o nosso dia… –  Isso é ansiedade? Bem eu odeio isso!

Todos odiamos esse dragão felpudo que nos aperta e não nos deixa em paz.

Mas o que é a ansiedade afinal?

Ela é um impulso! É uma resposta do corpo a determinados estímulos ambientais que provocam uma série de reacções cognitivas, sensório-perceptivas e neurovegetativas, relativas ao Medo, principal emoção envolvida nas experiências de ansiedade. Neste sentido, a ansiedade é positiva porque nos alerta para o perigo, garantindo a nossa sobrevivência.

Mas, nem sempre é assim que acontece… A ansiedade invade tanto o terreno do “normal”, quando existe um medo real, ao qual eu preciso e devo estar atenta, como o terreno do “patológico”, em que o medo é desconhecido e não existe razão aparente para a ansiedade, ou pior, para os ataques de pânico.

Ouvimos frequentemente as pessoas referirem, mas qual medo, medo de quê? Têm razão. Este medo não é racional nem conhecido. Simplesmente existe em nós, faz parte da nossa estrutura e está relacionado com as etapas do nosso desenvolvimento em que por algum motivo o direito de existirmos e de nos sentirmos seguros e amados ficou comprometido.

É muito difícil entrarmos em contacto com as nossas emoções. Elas parecem ser avassaladoras e limitantes. Um dia uma criança disse-me: –Sobre isso, eu não quero falar mesmo porque prefiro ignorar esse assunto. Sempre que penso nele dá-me vontade de dormir!
Parece realmente mais fácil ignorar e criar mecanismos que aparentemente nos defendem de nós próprios. No entanto, na construção de todos esses meandros de fuga, surgem vários sintomas corporais que não conseguimos controlar e que são sempre uma resposta á nossa insegurança interna, ao medo irracional que tentamos disfarçar, mas que o corpo teima em revelar.

São inúmeras as formas de auto-regulação possíveis para cada um de nós mas o primeiro passo é, sempre, aceitar e incluir sem críticas. Olhar para os sintomas como uma janela de oportunidade.

Continua a precisar de se auto-regular através da dança. Chegou e pediu para colocar a luz mais baixa, a música da Violetta e fazer bolinhas de sabão enquanto dançava em frente ao espelho. Disse-lhe que me parecia que sempre que ela estava mais triste, usava a dança como forma de se regular. Respondeu que a vida dela não está fácil. No fundo sente-se um pouco rejeitada e tem medo. Precisa de ser ver e de ser vista. Enquanto dança em frente ao espelho, vê-se e gosta do que vê. Eu tenho que ficar sentada perto dela e ir fazendo bolinhas de sabão que acrescentam liberdade e paz ao cenário que ela construiu.

Neste caso é a dança que abre a porta para o mundo das suas emoções e ajuda a fazer a ponte entre o interno e o externo.

Por Ana Galhardo Simões, Psicoterapeuta Corporal
para Up To Lisbon Kids®

Todos os direitos reservados

Ana Galhardo Simões, Psicoterapeuta CorporalVisite o site PSICOTERAPIA CORPORAL | Espaço CresSER

imagem@www.minhavida.com.br

“Por mais que tentes, não há nada que te possa preparar para o que vais sentir quando tiveres a tua filha nos braços. Será como se tivesses esperado toda a tua vida por esse momento, em que o vosso coração bate em uníssono, em que a mãozinha pequena dela agarra o teu dedo com força e confia que vais cuidar dela.”

– Experiência para fazer com os pais/filhos –

MATERIAL

  • saquinho de M&M´s de chocolate
  • taça rasa transparente
  • água

PROCEDIMENTO

1 – Colocar vários M&M’s coloridos dentro de uma taça com as letras viradas para cima.

2 – Deitar muito devagar e cuidadosamente cerca de 2 dedos de altura de água na taça. Não deve mover a taça.

3 – Observar o que acontece!

O que aconteceu?

mm1mm2

Os corantes dos M&M’s começam a dissolver-se na água.

mm

As letras soltam-se e flutuam!

Os M&M’s estão revestidos por uma cobertura de corante alimentar que se dissolve na água, transferindo toda a sua cor para a mesma. No entanto, a tinta comestível utilizada para estampar as letras não é solúvel na água. Quando o corante se dissolve as letras flutuam porque são menos densas que a água.

Experimentem!

images@autora |  imagemcapa @VK.com

O açúcar é a nova droga do século XXI

«O açúcar não tem qualquer valor nutricional e é directamente nocivo para a saúde (…) o açúcar é veneno para o metabolismo.» – Dr. Robert C. Atkins, cardiologista e autor de “A Dieta Revolucionária do Dr. Atkins”

Dizem que é um veneno, comparam-no a uma droga, culpam-no pelo aumento da obesidade, da diabetes, das doenças cardiovasculares, das cáries que assaltam os dentes das crianças. O açúcar, que transforma refeições sem interesse em iguarias, actor principal de sobremesas, usado na nossa gastronomia em doses elevadas à centenas de anos, passou a estar na lista negra dos alimentos. Multiplicam-se os estudos, as teorias, a literatura. Os consumidores mostram-se cada vez mais preocupados e a gigante indústria alimentar procura alternativas para adoçar a comida e manter as vendas.

Mas a culpa não é dele. É dos excessos.

No final do século XX, começou o consumo desenfreado e camuflado de refrigerantes, molhos processados, caldo de legumes, bolos, cereais, leites para crianças, ketchup, pão, comida para bebés, produtos embalados e enlatados … não há quase nada em que a indústria alimentar não ponha açúcar. Funciona para realçar sabor, preserva e é barato. Este é que é o verdadeiro problema, o excesso de açúcar nos alimentos.

1a

O açúcar é a nova droga do século XXI. O açúcar causa dependência, tal como a cocaína, a heroína, a nicotina e o álcool. Já se desconfiava disto há algum tempo mas parece que faltava a evidência científica. Em 2008, Nicole Avena, do Center for Addiction Research & Education da Universidade da Florida, publicou dados que confirmam que o açúcar afecta os receptores de ópio e dopamina do nosso cérebro, causando, portanto, adição.

A comida de plástico foi inventada para causar dependência e não tem qualquer valor nutricional. O açúcar presente nos refrigerantes é um autêntico veneno. Uma coca- cola e qualquer outro refrigerante de 33 cl tem cerca de 12-15 colheres pequenas de açúcar e o efeito que isso tem no nosso corpo é simplesmente devastador. Precisamos de 32 copos de água para anular o prejuízo de apenas um refrigerante!

1c

Este excesso de açúcar em tantos alimentos é também o motivo porque vemos crescer a obesidade e os diabetes nas crianças.

sugar-in-foods-and-drinks
A coca-cola tem um estimulante e um diurético (faz-nos perder água) que se chama cafeína. Tem também outro componente chamado sódio (sal). O que acha que acontece quando comemos alimentos demasiado salgados? Ficamos com mais sede!

Porque acha que a coca-cola tem tanto açúcar? Para esconder o sal e o ácido fosfórico presente que a torna mais ácida que o vinagre ou o limão. A quantidade de açúcar é tão grande que nem notamos o sal, nem o ácido!

E desengane-se se pensa que os produtos light ou zero calorias são mais saudáveis como tentam vender. Tudo o que é light é enriquecido com adoçantes artificiais como o aspartame (fenilanina), acesulfame K, sacarina, sucralose (E-955), xarope de glucose, isto só para citar os mais conhecidos. Além de obesidade e diabetes, estes produtos podem causar perturbações no sono, disfunção sexual, cancro, esclerose múltipla, lúpus, diabetes e outras doenças degenerativas.

É urgente e de grande importância para o nosso futuro, para o futuro das nossas crianças, que se leiam os rótulos dos alimentos comprados, que se reduza ao máximo o consumo de açúcar, de doces, de alimentos processados, que haja mais informação, para que haja mais consciência dos erros cometidos e se possam mudar maus hábitos, passando a fazer escolhas mais saudáveis, aumentando o consumo de frutas e vegetais, pela sua SAÚDE.

 

Fontes Público e Pedro Correia Training

Todos os direitos reservados

images@adietadpmeugato | equilibrionutriesportiva | imagemcapa @shutterstock