Não tenho o sonho de ser mãe. Se acontecer, aconteceu.

Não tenho o chamado instinto maternal e o meu relógio biológico, à semelhança da minha idade metabólica, deve estar avariado. A minha mãe diz que nunca fui de brincar aos pais e filhos e que os meus bonecos eram isso, bonecos, nunca foram meus “filhos”.

Já percebi que há quem olhe para mim com estranheza e quem torça o nariz (devem pensar, que sou incompleta, que me falta um chip qualquer) mas, sinceramente, eu vivo bem com isso. Sou eu que mando no meu corpo (quer dizer, tirando este 10 kgs a mais que apareceram sem ser convidados e mais um outro aspecto chato que não controlo) e na minha vida. Faço as minhas escolhas mediante as opções que tenho.

Ser mãe é uma opção. Ir para a faculdade é uma opção. Desistir da faculdade é outra opção. Sou egoísta? E então? Não posso? Temos todas de casar, ter uma casa com jardim, um cão e dois filhos? Que bom que era, se assim fosse. Uma vida estável, férias no estrangeiro, os miúdos em colégios privados e com fios de prata ao pescoço.

Quando era mais nova e dizia que não queria ter filhos as pessoas afirmavam com convicção “isso dizes tu agora”, e a coisa ficava por ali. Hoje em dia fazem um ar mais espantado “mas porquê? Tens tanto jeito para crianças”. “– Porque não!” E é essa a única resposta que tenho para dar: porque não, porque não tenho motivos concretos. Porque nunca me virei para aí. Porque acho que não preciso de ser mãe para ser mulher. Porque se acontecer, acontecerá e talvez até me safe nesse papel. Mas se não acontecer tudo impecável na mesma. Não sonho com esse momento.

Hoje, não tenho o sonho de ser mãe.

Se calhar, a própria vida acabou por desviar-me da maternidade. Aos (quase) 33 anos ainda não tenho um emprego estável. Ainda não consegui viajar como queria. Ainda sinto que estou a começar qualquer coisa. Ou se calhar eu é que sou demasiado ponderada e gosto de ter tudo controlado e o meu ficheiro excel já me mostrou que o que sobra no final do mês não dá nem para uma embalagem de fraldas.

Mas uma coisa eu vos prometo, se nos próximos tempos baixar em mim o tal santo ou santa da maternidade não farei nenhum ritual estranho para os afastar e darei a mão à palmatória. Aliás até escrevo qualquer coisa sobre pés inchados, vómitos, enjoos, barriga pesada, mamas gigantes e bexigas hiperactivas. Até lá… continuo feliz e de bem com a vida, na esperança que compreendam esta minha opção mais ou menos assumida.

O importante é que cada pessoa se sinta feliz no seu papel, seja ele qual for, e que se sinta respeitada e compreendida por quem a rodeia.

imagem@feepik

LER TAMBÉM…

Se, antes de ter filhos, eu soubesse;

Olha que essa tem filhos

Dez coisas que gostaria de saber antes de ter tido filhos

Família não tem definição

Família é mais que pai e mãe, mas é sobretudo pai e mãe.

Família é a raiz, troncos e folhas de uma árvore que não pára de crescer.

Família sou eu e és tu todos dias ao alvorecer.

Família não é só sangue, família é quem cuida, quem cria, quem ama.

Família é a irmã que à noite que te aconchega na cama,

Família é um pai e sua filha pela mão,

E é também o menino que brinca no parque, com o seu irmão.

Família não tem definição,

Família é colo, é mimo, é aquele olhar…

É a palavra amiga que te permite sonhar!

É um sorriso, um beijo, um brilho,

A primeira vez que sentes o teu filho.

Família é mais que um momento.

É para sempre, não há argumento.

Família é coração,

E a forma mais simples de oração.

Família como o Amor é a mais pura indefinição.

imagem@pictures.11

LER TAMBÉM…

Uma mãe é;

A mãe que eu não quero ser

Valorizo as amizades mas escolho passar mais tempo com a família

“Para uma família ser feliz, é necessário haver sedução. Os filhos têm de ser charmosos para encantar os pais, os pais têm de se esforçar para educarem convincentemente os filhos. E marido e mulher, caso queiram permanecer juntos, têm de passar a vida inteira a engatar-se. O mal da família é a facilidade. É pensar que aquele amor já é assunto arrumado.” – Miguel Esteves Cardoso

 

Antigamente era mais fácil ser mãe

Uma das questões que me preocupa enquanto mãe é o facto de não ter tempo suficiente para os meus filhos.

Muitas vezes gostava de conseguir estar mais presente, estar mais consciente e estar mais disponível para cada um.

Muitas vezes, pessoas que só têm um filho, perguntam-me como é que consigo ter tempo para quatro. A verdade é que quatro crianças não ocupam quatro vezes mais tempo do que uma só criança. Porque o tempo não se multiplica mas partilha-se, gastando-se em conjunto, e divide-se. Consigo ter momentos individuais com cada um dos meus filhos, porque os irmãos também dão tempo uns aos outros.

Hoje li um post de uma bloguer australiana, Constance Hall, que me fez pensar sobre as minhas opções e prioridades enquanto mãe. Este post tornou-se viral nas redes sociais, tendo alcançado mais de 60 000 Likes. Por vezes, a melhor maneira de ver as coisas, é simplifica-las.

«O que acontece quando as mães estão sob muita pressão?

Certo dia, depois de ter o meu primeiro filho, perguntei ao meu pai como é que a minha avó conseguiu criar 11 filhos. O meu pai respondeu-me que a avó não estava sujeita à pressão que nós, mães, estamos hoje em dia.

A avó não tinha de ir ao banco, ao supermercado diariamente, não se sentia obrigada a estar fantástica a seguir aos partos e nunca fez pressão para que os filhos alcançassem as etapas de crescimento às três semanas de idade, para ter a casa limpa ou ter um robot de cozinha.

Antigamente, as mães passavam o seu tempo a desfrutar da companhia dos filhos. 

Antigamente era mais fácil ser mãe.

Por isso, o que é que nós devemos fazer, tendo em conta a pressão a que estamos sujeitas?

Muitas de nós nem sequer gozamos da companhia dos nossos filhos porque o tempo que estamos com eles e disponíveis para eles, é muito curto devido a esta tentativa de sermos perfeitas em tudo.

Ir ao ginásio. Responder aos e-mails. Pagar contas. Cozinhar aquela couve, desfazê-la e esconde-la numa refeição para ninguém perceber que é couve. Ir às consultas… Lavar roupa. Pôr gasolina no carro… disfarçar as olheiras! Fazer lanches saudáveis para os miúdos porque se compras feito vais ser JULGADA outra vez.

Com tudo isto estamos a desperdiçar o tempo que poderíamos aproveitar para estar com os nossos filhos, estamos a ouvir apenas metade do que nos dizem e a acenar positivamente com a cabeça enquanto pensamos no raio da multa que temos para pagar!

Ontem, num seminário, fizemos um exercício interessante: uma pessoa contava uma história a um parceiro, e quando estávamos a meio, este desligava e deixava de ouvir. Olhava para o outro lado, bocejava, pensava noutros assuntos e respondia a e-mails no telemóvel, enquanto nós contávamos algo que considerávamos interessante.

Adivinhem como é que me senti? Chateada, envergonhada por não ser merecedora da atenção de alguém, indigna e insignificante.

É assim que os meus filhos se sentem ao optarmos por esta vida acelerada na busca da perfeição?

Hoje acordei com vontade de respirar fundo e libertar-me. Eu não me vou preocupar com os cortinados novos que encomendei, nem quero saber se a casa está impecável ou não.

Eu preocupo-me mesmo é com o tempo que vou passar com os meus filhos e em saber como é que eles se sentem. E não vou deixar que a pressão da sociedade e os ideais de Super mãe me tirem este tempo com eles.» – (Adaptação livre do post abaixo)

 

 

LER TAMBÉM…

Respira fundo, tu consegues

Uma mãe nunca falha

Slow Parenting | Pais sem pressa

 

Proteja o seu filho das principais causas de morte de crianças em Portugal

As lesões e traumatismos na sequência de acidentes continuam a ser primeira causa de morte nas crianças e jovens em Portugal, o que preocupa a Sociedade Portuguesa de Pediatria.

Há pequenos pormenores que podem salvar a vida a uma criança. É estritamente necessário que todos estejamos atentos e cientes dos perigos que nos rodeiam para que possamos proteger os nossos filhos, e ensiná-los a tornarem-se autosuficientes nos que se refere à sua segurança.

Ficam algumas dicas de como proteger o seu filho das principais causas de morte, organizadas por faixas etárias.

Até 1 ano de idade

Os bebés com menos de uma ano, estão a aprender a controlar os seus movimentos e respiração, sendo que as principais causas de mortes nessa faixa etária por acidente são engasgamento, asfixia, aspiração de corpos estranhos, intoxicações e queimaduras.

Como evitar estes acidentes?

  • Os Bebés devem dormir em berços certificados e com colchão firme, virados de barriga para cima, tapados até a altura do peito e com os braços para fora.
  • Não deixe brinquedos dentro da cama
  • Corte e/ou esmague os alimentos em pedaços pequenos quando der refeições.
  • Mantenha fora do alcance das crianças objetos pequenos como botões, peças de brinquedos, berlindes, moedas, pilhas e pionaises. (Especialmente tudo o que é metálico, pilhas e baterias)
  • Retire todos os restos de plástico de balões rebentados do chão.
  • Use cancelas de proteção nas escadas e redes de proteção nas janelas.
  • Não deixe móveis perto de janelas – podem servir de apoio para a criança subir e ter acesso ao perigo.
  • Não deixe o bebé sozinho, em instante nenhum, em cima de um sofá, fraldário ou mesa.
  • Tranque todos os armários de acesso a detergentes e produtos químicos
  • Mantenha os sacos de plástico fora do alcance das criançasPara se aperceber dos perigos mais eminentes na idade certa do seu filho, faça um tour pela sua casa colocando-se à altura dos seus olhos. Gatinhe, deite-se no chão, ande de joelhos e perceberá a quantidade de perigos apelativos que  tentam diariamente o seu filhos.

De 2 a 4 anos

A Associação para a Promoção da Segurança Infantil (APSI) lança anualmente uma campanha de prevenção contra a morte por afogamento – “A Morte por Afogamento é Rápida e Silenciosa”. Ao longo dos últimos quatro anos, o afogamento a par com as quedas, asfixia, engasgamento, afogamento, intoxicações, choques elétricos e traumatismos tem sido a principal causa de morte em acidentes doméstico, nas crianças entre 2 a 4 anos
Nesta idade as crianças estão mais autónomas e aventuram-se a experimentar o espaço que as rodeia livremente. É obrigatório a supervisão de um adulto, pois as crianças ainda não têm consciência do perigo.
Estas são as dicas para evitar acidentes nesta idade. Não devem ser descartadas ainda as soluções de segurança aplicadas até um ano de idade.

  • Nunca deixe crianças sozinhas quando estiverem dentro ou próximas da água. As crianças mais pequenas podem afogar-se tanto na praias, piscina, rios, lagos e barragens, como em qualquer recipiente com muito pouca água ou outros líquidos, quer seja uma banheira, pia, alguidar, balde, etc
  • Para evitar afogamentos, o colete salva-vidas adaptado à idade é o equipamento mais seguro. Braçadeiras e outros equipamentos insufláveis dão-nos uma falsa noção de segurança – se a criança ainda não souber dominá-las podem virar a qualquer momento, tornando o retorno à tona da água muito difícil.
  • Nunca guardar detergentes, lixívia, inseticidas, pesticidas ou desinfetantes dentro de garrafas de água ou refrigerantes de plástico já usadas.
  • Os brinquedos devem ser suficientemente grandes para que não caibam na boca, e suficientemente resistentes para que não possam ser mordidos (lascas)
  • Mantenha objetos afiados como facas, tesouras e chaves de fendas, entre outros, fora do alcance das crianças.
  • Proteja os cantos das mesas e arestas vivas, especialmente aquelas que vão estar exatamente ao nível dos olhos do seu filho quando começar a aquisição de marcha

Details

Educar, ensinar e liderar – 6 Reflexões

Educar, ensinar, liderar, dirigir, todas são tarefas onde é muito importante as capacidades e os conhecimentos dos executantes. Podemos estar a falar de psicólogos, pais, professores ou de líderes empresariais.

É fantástico quando a arte e o engenho se fundem e temos bons profissionais. Nessas circunstâncias, as crianças ganham, os alunos melhoram as notas, o ambiente é mais positivo.
Mas desejamos ter mais do que apenas bons profissionais! Desejamos ter profissionais excelentes.
É um mundo mais brilhante que começa a emergir, quando os profissionais são excelentes. É ter cérebro, sim, o cérebro é importante. Claro. Mas é ter mais ! Mais alma, mais coração.
É que há algo ainda mais relevante do que as características de cada elemento que intervêm no processo pedagógico , psicológico ou relacional.
Poucos (nenhuns?) conseguem fazer alguma coisa brilhante de forma isolada, sozinhos, sem apoio. A vida não é estanque. Os processos contaminam-se, sofrendo influências de diferentes fatores. Uma criança não é só educada pelo pai. Também há a mãe (na maioria dos casos, claro). Uma criança não é só educada pela mãe. Também há o pai. O professor não ensina sozinho. A Escola está numa comunidade.
Um aluno tem família, avós, tios. Estes são mais ou menos participativos. Uma equipa de trabalho tem diversos atores, cada um com o seu papel.
Por isso, é fundamental saber trabalhar em equipa! Nas minhas (trans) Formações para professores, tentamos sempre dar ferramentas para a melhoria dos processos de trabalho de grupo. Uma andorinha não faz a primavera.
Como estamos todos longe de ser prefeitos, mas como grande parte de nós deseja melhorar, ofereço seis sugestões para reflexão, no sentido de sermos melhores colegas, trabalhando melhor em equipa.

1 – Inspiremo-nos no trabalho da Psicóloga Barbara Fredrickson.

Entre outras coisas, ela demonstra a existência de uma ponte entre as Emoções Positivas e outros comportamentos positivos, tais como a Curiosidade e a Criatividade. Se cada um de nós levar Emoções Positivas para a equipa de trabalho, estamos a melhorar a produtividade, ao incrementar indiretamente esses comportamentos positivos. Também o fazemos em família. E podemos fazer mais e melhor, tendo esta noção, tendo esta clareza.

2 – Há psicólogos que defendem que “as zonas de prazer, não têm ligação com as zonas de aprendizagem”.

Então? Com tanto terreno para ser desbravado sobre o conhecimento do cérebro, vamos aceitar este dado como uma verdade absoluta? Para quê? Para educarmos “à força”? Para gerir uma equipa através do medo? Pessoas com medo trabalham melhor? Há evidência que aponta para o contrário. Podemos fazer a experiência. Coloca-se um grupo de médicos a trabalhar num diagnóstico. A este grupo, ameaça-se com uma punição caso o resultado não surja. A um outro grupo oferece-se um bom ambiente, uma recompensa…e vamos ver os resultados. E cada um de nós pode avaliar também em que momentos da vida foi mais produtivo.
Quando tinha medo ou quando estava tranquilo e feliz no desempenho das funções? Para esta reflexão, é enriquecidor que as pessoas tenham tido experiências em diferentes projetos ou empresas.

3 – As equipas melhoram quando o líder é positivo.

Em casal, a liderança vai alternando. Os professores vivem diferentes momentos. Ora lideram, os são liderado. Tenhamos em conta o nosso papel. Desejamos equipas melhores, por isso, oferecemos o melhor de nós a cada momento da relação. Tentemos ser líderes positivos, com o objetivo final em vista. O objetivo não é ganhar uma discussão, não é ganhar mais um projeto ou ganhar dinheiro a todo o custo. O objetivo é ajudar a estruturar aquelas crianças, sejam filhas, sobrinhas ou alunas.

4 – Conheça as forças de cada elemento do casal.

Conheça as capacidades, de cada professor. Identifique as capacidades dos seus colegas de trabalho. Interesse-se por descobrir em que área cada um pode brilhar mais, trabalhar com mais empenho, explanar melhor as suas capacidades.

5 – Liberdade para agir sem uma visão, sem um foco, sem um plano previamente trabalhado, de nada serve.

O professor precisa conhecer o foco da Escola, o verdadeiro projeto capa de nortear tudo. Os pais precisam chegar a acordo sobre que tipo de família querem. A intervenção psicológica precisa de consenso entre os intervenientes. Os boicotes, as dificuldades de relação entre membros das equipas, surgem quando a liderança falha ao criar um foco. Um empresa sem visão, acaba por desaparecer. Um casal sem um plano para educação, corre o risco de educar ao sabor de uma maré ou corrente que não sabemos onde vai dar. No fundo, tem que estar escrito o que cada um deve fazer e o porquê. Depois é que surge a liberdade. Há casais que pensam nisto e chegam mesmo a colocar por escrito. Não é só nas (boas) empresas.

6 – Um desafio para terminar. Trabalha em equipa? É pai? É professor?

Então conheça a “Betari Box”! Se lhe interessa o tema, se deseja melhorar, faça a sua pesquisa sobre a “Betari Box“. É uma ferramenta muito útil. Pode ser adaptada para o trabalho com crianças e jovens. Pode ser útil se estiver numa empresa.
Para finalizar, uma DICA:
  • Diálogo, sincero e honesto com cada um dos membros da equipa. Fale à parte com cada um deles.
  • Ideias contam. Ouça-as. Se não ouvir as ideias dos seus  colegas, parceiros ou colaboradores, pode estar a perder o melhor…
  • Contribua com Emoções Positivas.
  • Aja com naturalidade, e, por vezes, com “saudável loucura” e irreverência, mas não esqueça de ter foco.

imagem@emaze

O Avô não volta

O ciclo da vida determina que um dia tudo acabará. Morrer deveria ser tão natural como nascer. No entanto, não é.

Para nós adultos, falar de morte é algo difícil. Não sabemos como abordar o tema e muitas das vezes mudamos de assunto para evitar explicações mais demoradas. É como falar de sexualidade,… ou talvez não! Este já não é um assunto tabu.

Na semana passada partiu o avô paterno dos meus filhos e pela primeira vez em muitos anos tive de enfrentar o medo. Talvez eu sentisse mais medo que eles… Os mais velhos já antecipavam o que estava para acontecer e embora a experiência de vida os tenha poupado destes momentos, já possuem bagagem para enfrentar a situação. O mesmo não acontece com a mais nova. A doença do avô era algo curável aos seus olhos e a morte não era algo viável no seu pensamento. Estava tão longe.

Durante algumas horas pensei em varias formas de lhe contar, de abordar o assunto, sabia que a notícia não seria de fácil gestão.

Não havia volta a dar. Por mais horas que demorasse a dizer, teria de fazê-lo… A voz tremeu e o som saiu… A primeira reação foi a negação e em tom de riso afirmou que eu estaria a brincar. O silêncio reinou e por momentos a brincadeira parecia negar os acontecimentos…

À noite tudo parou e ai surgiram as dúvidas… Não volto a ver o Avô?  Não posso falar com ele e abraçá-lo? Ele já não sente e já não ouve? Tantas perguntas surgiram e eu não estava preparada para responder… Sabia que a frieza das minhas respostas não correspondia ao que ela queria ouvir… Teria de fazê-la sofrer… A única solução era minimizar o seu sentir com a ilusão da estrela brilhante no céu. Da alma que parte e que apenas deixa guardado na terra um corpo imóvel. Por entre soluços adormeceu e passados alguns dias diz que ainda está triste e que a dor não passa… Como mãe tive lhe de dizer que demora uns dias a sentir-se melhor, às vezes mais… Que as memorias perduram no tempo…

Como criança que sonha ela incorporou a missão de diminuir a dor da perda dos que ama e a experiência fez-la crescer. E nós adultos, temos muito a  aprender, todos os dias, com as crianças. Pois o impossível para elas, é apenas uma questão de minutos…

imagem@livrosefatos

As pessoas que choram são mais fortes

Todas as emoções são diferentes e têm graus diferentes de aceitação na nossa sociedade. A emoção mais prezada é a felicidade, pois é um sinal de segurança, confiança e êxito. Por isso, muitas vezes, por cedermos as pressões sociais vemo-nos obrigados a fingir que estamos felizes.  Quando nos perguntam “Está tudo bem“, assumimos como um cumprimento,  e respondemos que estamos bem e esboçamos um sorriso em piloto automático, mesmo que por dentro estejamos destroçados.

Isto é prova de que, muitas vezes, vivemos de uma imagem e não deixamos que ninguém conheça o que se encontra por detrás da nossa mascara: se a felicidade nos assegura um êxito social e transmite uma imagem de êxito, sejamos felizes!

A tristeza, no entanto, é catalogada como uma emoção negativa, uma emoção que se deve esconder e da qual nos envergonhamos. As expressões corporais e faciais de tristeza como os ombros caídos, o olhar triste e o choro, são considerados sinais de debilidade e insegurança.

Uma sociedade que exige que estejamos felizes e alegres e sempre dispostos a conquistar o mundo é tremendamente injusta para o ser humano. Porque nós não funcionamos assim. Estigmatizar a tristeza só serve para nos fazer sentir pior, para que pensemos que não somos suficientemente fortes para aguentar os problemas ou imprevistos.

Concluiu-se que as pessoas que se atrevem a expressar a sua tristeza e choram quando sentem vontade, têm um maior equilíbrio emocional do que aquelas que reprimem as lágrimas e escondem os seus sentimentos.
As lágrimas derramadas são amargas, mas mais amargas são as que não se derramam”. – Proverbio Irlandês

Então afinal porque é que as pessoas que choram são mais fortes, ou seja, mais equilibradas emocionalmente?

1. Não reprimem suas emoções

Se te sentes eufórico escondes o teu sorriso? Se ouves um som alto em casa à noite, não te assustas? Então, porque é que reagimos de forma controlada ao choro?. As pessoas seguras de si mesmas e com uma Inteligência Emocional elevada, são capazes de reconhecer as suas emoções e expressá-las independentemente de serem ou não consideradas “negativas” pela sociedade. É necessário muita coragem para nadar contra a corrente e expressar quem és realmente ou como te sentes num determinado momento.

Não há maior motivo para chorar que não poder chorar“.– Séneca

Manter a mente fria e reprimir as emoções tem um grande custo não só para nossa saúde psicológica como também física. Alguns estudos tem vinculado a repressão emocional com um maior risco de desenvolver enfermidades como asma, hipertensão e patologias cardíacas. Curiosamente, um estudo realizado na Universidade de Standord descobriu que as pessoas que costumam reprimir as suas emoções reagem à pressão e ao stress de maneira exagerada, com um maior aumento da tensão arterial do que as pessoas catalogadas como ansiosas. Isto indica-nos que essa “calma aparente” na realidade não é boa para o nosso equilíbrio emocional.

2. Aproveitam as lágrimas para mudar a perspectiva

Sabias que as lágrimas aliviam o stresse, a ansiedade, a dor e a frustação?
Na verdade, 70% das pessoas afirmam que chorar é reconfortante. E que o choro nos permite ver a situação através de uma perspectiva mais positiva. Quando paramos de chorar, o nosso pensamento e raciocínio torna-se mais claro e em poucos minutos tornamo-nos capazes de analisar a situação a partir de outro prisma. Isto deve-se ao facto de que as nossas emoções encontram um equilíbrio e a nossa mente racional está preparada para entrar em ação.

3. O choro é terapêutico

Sabias que o choro estimula a libertação de endorfinas no nosso cérebro que nos ajudam a aliviar a dor e também fomentam um estado de relaxamento e paz? É por isto que depois de chorar, nos sentimos muito melhor. Na verdade, confirmou-se que não é positivo cortar o choro mas deixar que flua porque embora a primeira fase do choro só tenha um efeito ativador,  a segunda fase tem um efeito calmante que reduz a frequência cardíaca e respiratória, propiciando um estado de relaxamento. Às vezes, o choro é mais benéfico que o riso.
Um estudo realizado na Universidade da Florida descobriu que o choro é profundamente terapêutico, sobretudo quando se une com um “remédio relacional”, ou seja, quando nos aproxima a outras pessoas que nos dão consolo. Também perceberam que o choro triste, aquele que está destinado a criar novos vínculos depois de uma perda, tem um poder catártico.

4. Não se submetem as expectativas sociais

As pessoas que não tem medo de chorar sentem-se mais livres e são capazes de expressar-se soltando-se dos convencionalismos sociais. Estas pessoas não têm medo de decepcionar nem de se expor perante as que as rodeiam, porque sabem que, na realidade, chorar não diminui ninguém.
As pessoas que choram são mais verdadeiras e não se querem ver maquilhadas pelas expectativas sociais. Esta consciência leva-as a viver pelas suas próprias regras e rédeas.

5. Conectam-se emocionalmente através das lágrimas

O choro é uma das expressões mais íntimas do ser humano. Quando choramos à frente de alguém é como se estivéssemos a despir a nossa alma. Por isso, as lágrimas ajudam a criar um conexão muito especial através do nosso “eu” mais profundo.
Quando outra pessoa “aceita” essa tristeza, sem tentar fugir dela ou nos brindar de falsas palavras de alento, cria-se uma conexão única. Uma das funções das lágrimas é precisamente a de pedir ajuda, mesmo que seja de maneira indireta, mostrando nossa impotência, para que os demais se acerquem e nos confortem.

Portanto, o choro e a tristeza não devem ser entendidos como um sinal de debilidade, mas sim como um sinal de força interior e atenção plena.
Não choramos por sermos débeis ou incapazes, mas sim porque estamos vivos e não nos envergonhamos de expressar o que sentimos.
Chorar a lágrima viva, chorar a choros…..Chorá-lo todo, mas chorá-lo bem.(…) Chorar de amor, de cansaço e de alegria”. – Poeta argentino Oliverio Girondo
Por Jenifer Delgado, em Capricho de mulher

Dicas de organização pessoal

Quando falo de organização pessoal, não falo só de organização da casa, mas sim da organização como um todo. Não somos organizados só porque temos os armários ordenados e bonitos (também é importante)! Não basta, ser-se organizado engloba também o nosso comportamento no dia-a-dia e como lidamos com as múltiplas situações, que surgem ao longo da nossa vida.

Sermos organizados em vários aspetos da nossa vida é um ponto a nosso favor, mas isso exige disciplina e uma mudança de mentalidade. Conseguirmos assumir o controlo da vida, dá-nos um equilíbrio e garante que o nosso tempo é aproveitado de uma forma eficaz.

A falta de organização no nosso dia-a-dia reflete-se no nosso trabalho, em nossa casa, na relação com as outras pessoas e obviamente na nossa vida em geral.

Organização na minha opinião não é inata. Uma pessoa que não nasceu organizado, não vai ser necessariamente desorganizado para o resto da sua vida. Essa pessoa tem é que aprender a ser organizado, criando os seus próprios métodos e rotinas que propiciem o sucesso.

Veja abaixo algumas dicas para que consiga de uma forma mais fácil, melhorar a sua organização pessoal.

Planeie a sua semana

Uma vez por semana, de preferência ao fim-de-semana para que tenha mais tempo para o fazer, destine um dia para planear a semana seguinte. Reveja compromissos, faça o menu semanal, as rotinas diárias dos seus filhos, o que necessita comprar, idas ao médico, etc., para que nada fique esquecido.

Tenha uma agenda/caderno

Anotar tudo o que temos a fazer durante a semana, garante que nada fica por fazer. As agendas /cadernos, principalmente para quem tem má memória, são fundamentais para confirmar o que tem a fazer diariamente. São uma boa ajuda à nossa memória.

Destralhe

Destralhar é banir da sua vida tudo aquilo de que não gosta, não usa ou que já não tem qualquer utilidade. destralhar é a 1ª fase da organização e uma sem a outra não resulta. A acumulação de coisas na nossa vida, tanto físicas como emocionais são nefastas e prejudicam o bem-estar do dia-a-dia. Destralhar é um processo contínuo, porque tralha está constantemente a aparecer na nossa casa e na nossa vida.

Defina prioridades

Para definir as prioridades, primeiro tem que ter em mente o que é necessário fazer, e depois com a cabeça fria, tomar decisões de forma organizada para que consiga determinar o que é urgente e importante fazer. Um conselho, execute as tarefas mais urgentes numa altura em que se sinta mais ativo e produtivo.

Tenha rotinas

Fazer sempre as mesmas coisas parece ser uma coisa chata, mas não é. Rotinas dão-nos previsibilidade, fazem com que façamos certas tarefas em “piloto automático” e facilitam desta forma a nossa vida.

Mantenha a casa limpa e arrumada

Para ter a casa sempre limpa e arrumada é essencial fazer guias / listas de tarefas domésticas. Estes guias para além de serem uma excelente ajuda para nos lembrarem o que temos que fazer, também garantem de que nada fica por fazer. Estas também nos ajudam a gerir melhor o tempo que temos disponível, para as tarefas domésticas.

Não procrastine

Há um proverbio muito certo que se aplica à procrastinação, e que diz tudo, “não deixes para amanhã o que podes fazer hoje”. Adiar pode ser um alívio temporário, mas rapidamente verificamos que a acumulação de tarefas só nos traz stress e infelicidade.

Durma bem

O sono além de ser um rejuvenescedor da beleza é também indispensável para o nosso bem-estar físico e mental. Dormir bem, contribui para restabelecer as energias tão necessárias para a vida agitada que temos hoje em dia.

Organize as finanças

Ter as finanças saudáveis e organizadas permite-nos gerir as nossas despesas de uma forma mais fiável e sem grandes sobressaltos. Pagar as nossas dívidas e fazer o controlo financeiro é a regra número um.  Não queremos ser apanhados de surpresa com o descalabro financeiro.

Estas são algumas dicas muito importantes de organização pessoal. Uma vez implementadas, ajudam-nos a ter uma vida mais tranquila e saudável!

Espero que tenha gostado!

Mensagem que deixei ao meu filho adolescente na noite de Natal:

Querido filho:

Os preparativos para o natal tornaram mais claro e difícil que alguma coisa não anda bem entre nós. Fica descansado, hoje não vou falar das notas, da tua preguiça para levantar, nem do quarto desarrumado. Posso bem com a tua oposição às minhas reclamações, e até já aprendi a divertir-me com as tuas respostas em forma de suspiro controlado.

É mais grave.

Estamos distantes como nunca, e por mais que tente, parece que não consigo ligar-me a ti como dantes. Tu sabes que é verdade.

Quando te contar como tentei resolver isto na minha cabeça, vais odiar-me: ando tão preocupada, que pedi ajuda a literalmente todas as pessoas com filhos da tua idade que conheço. Sim, a alguns pais dos teus amigos, já deves estar a imaginar quem são.

Parece que te estou a ver a ler isto, e a mergulhar repentinamente a testa no travesseiro – sobreviverás. Não esperava deles uma cura milagrosa para o meu problema, contava sim com alguma sugestão que me surpreendesse, uma estratégia que tivesse resultado com eles e que eu pudesse replicar, para errar menos contigo. Mas nada, nenhum foi capaz de me ajudar na medida que eu precisava. Custa-me aceitar que os conselhos que me deram sejam tudo o que podemos fazer por nós: conformar-me  que na tua idade é assim mesmo, que te devo deixar estar alheado da tua relação comigo enquanto durar, e que por tempo indefinido possamos somente conversar de assuntos puramente funcionais – a que horas é que te vou buscar; se as calças que tu mais gostas já estão prontas; ou se tu achas que estar frente ao computador até de madrugada é normal.

Não me parece mesmo que a opção dar tempo ao tempo vá funcionar, e não é por detestar frases feitas.

Não gosto, acho perigoso ter com o meu filho uma relação de improviso, nem que seja a prazo. E porque há qualquer coisa que me diz que esperar que sejas tu a dar o primeiro passo é o mesmo que aumentar este intervalo vazio que aconteceu nas nossas vidas, pus tudo no papel, tal como fazia na escola antes dos testes, mas com muito mais cuidado. Tive mil cuidados, filho, para vermos se isto resulta melhor entre nós. Quem dera poder dizer-to, em vez de escrever, mas não consigo.

Vais pensar que não tem nada a ver, mas faço analogias muito óbvias entre ter que colocar este papel debaixo da tua almofada e a nossa vida quotidiana, porque parece que andamos mesmo a jogar às escondidas.

Sei que já não és uma criança, nem desejo que voltes a sê-lo, garanto-te. Deves pensar que o meu desejo é agarrar-te por debaixo dos braços e fazer círculos com o teu corpo pelo ar a grande velocidade, como quando eras pequeno. Nem penses, serias demasiado pesado. Mas já pensaste como estabelecemos tão pouco contacto físico? Podes abraçar-me de vez em quando, não te vou levantar a camisola da barriga e começar a fazer um alarido de sons com a minha boca, na tua pele arrepiada. Podes deitar a tua cabeça no meu colo quando estivermos no sofá, bem sei que perdi os teus caracóis de criança para a cera modeladora. Posso quando muito dar-te um beijo na testa, daqueles que já não te dou há meses, porque já nem sei como fazer para chegar a ti, sem que sintamos algum desconforto.

Agora compreendo porque cometi um erro em procurar ajuda junto dos pais dos teus amigos.

Tu não és o filho deles, tu és o meu filho, uma fusão da educação que te dei e da tua vontade. Demorei muito tempo a perceber isso porque temia a resposta, mas agora estou pronta.

Vá, podes dizer-me que começaste a caminhar com apoio nas minhas pernas. Que fui eu quem te ensinou a tomar banho sozinho e a apertar os cordões aos sapatos. Que fiz de conta que as tuas braçadeiras preferidas estavam furadas, só para que aprendesses a nadar com a minha mão insegura na tua cintura. Explica como não só não me arrependi disso, como ainda te contei que o fiz, alguns anos depois. Havemos de rir. Vais falar-me daquele aniversário em que te ofereci uma viagem a Londres para melhorares o inglês. A tua cara de alegria a rodopiar para espanto, quando eu disse que não ia contigo, porque já te achava capaz de ires sozinho, motivou a maior gargalhada familiar de que há memória.

Vais perguntar-me porquê, filho.

Porque foi que passei a vida toda a dizer que os miúdos não nos pertencem e que os geramos para oferecer ao mundo, preparados com o melhor que lhe pudermos ensinar. Porque estou  agora a reclamar daquilo que eu sempre procurei desenvolver em ti?

Eu não sabia que ia ser tão difícil, e é-me muito difícil explicar. O tempo passou depressa demais, tu cresceste com ele, e já não precisas de mim para planear as tuas conquistas. Eu sei, nada me deves, nem posso cobrar-te. Por isso, se devolveres outra vez este papel ao lugar entre o lençol e o travesseiro, prometo acreditar que não reparaste, não leste, nunca soubeste.

E continuarei a aprender o mundo sem ti, o melhor que puderes ensinar-me.

Mãe.

 

Resposta em  “Carta do meu filho adolescente em resposta à minha mensagem”

imagem@digistar

 

Há uns dias foi aceite em Portugal a adopção por casais do mesmo sexo e, assim, o ato hoje reconhecido é uma grande vitória  da luta dos casais homossexuais pela conquista de direitos iguais. O desejo de constituir uma família é o desejo de muitas pessoas e não limitá-lo à orientação sexual é um passo em direção ao futuro.

Mas, por preconceito ou mesmo por curiosidade começam a surgir perguntas sobre o que acontece com crianças que nascem e/ou crescem em famílias de casais do mesmo sexo. A resposta não pode ser generalizada – assim como não podemos generalizar todas as outras famílias – mas existem alguns pontos que podem ajudar a elucidar a questão.

Famílias Homoafetivas – A saber: dúvidas sobre filhos de casais do mesmo sexo

1 – As crianças serão homossexuais?

É claro que não se pode afirmar com certeza, mas assim como casais héteros podem ter filhos que mais tarde se revelem homossexuais, nos casais de mesmo sexo as crianças não estão destinadas a serem gays. Aliás, estudos apontam que crianças que crescem em famílias do mesmo sexo são em sua maioria heterossexuais e tendem a ter maior tolerância e compreensão em relação às diferenças[1], fator esse positivo e preditor de inteligência emocional – essencial para dar conta das dificuldades na vida adulta.

2 – Essas crianças sofrerão bullying?

O bullying homofóbico é uma realidade em Portugal [2] e é provável que essas crianças sofram preconceito de alguma forma. Mas isso não as torna diferentes das outras crianças. Vale lembrar que os filhos de casais héteros também sofrem bullying. As crianças podem ser cruéis ao julgar e ridicularizar os colegas pelo cabelo, pelo peso, pela roupa, pelas sapatilhas, pelos óculos e, também, nesse caso, pela família. Cabe aos casais homossexuais orientar os filhos no sentido de que se protejam contra essas agressões, assim como cabe aos casais heterossexuais orientar seus filhos em relação a qualquer preconceito que venham a sofrer dos seus pares. Ainda, é preciso, independente da configuração familiar, trabalhar no sentido de orientar as crianças a aceitar as diferenças e tolerá-las. Somente esse movimento fará com que as agressões e as consequências emocionais geradas diminuam de forma considerável.

3 – Como identificam quem é o pai e quem é a mãe?

Nesse sentido entra outra questão importante: Não ter um pai ou não ter uma mãe é grave? Não, não é grave. Uma criança criada por um casal homossexual terá dois pais ou duas mães, mas isso não é um problema do ponto de vista psicológico. Afinal, há uma série de configurações familiares diferentes por aí – de mães solteiras, de avós a criar netos, de pai viúvo, etc – e não necessariamente a criança terá um prejuízo qualquer. É importante que a criança tenha contacto com pessoas dos dois sexos, mas ela naturalmente escolhe uma referencia de modelo para cada género e essa escolha é inconsciente.

4 – Como falar sobre a homossexualidade com meus filhos?

Com o aumento das diferentes configurações familiares esse tem sido um assunto enfrentado cada vez mais com naturalidade pelas crianças. Por isso, responder as dúvidas que possam aparecer é essencial. Para isso, responda apenas o que a criança perguntar e tente ser o mais simples e breve possível, sem reprimir ou julgar as suas dúvidas. É isso que fará com que seu filho confie e se volte para si quando tiver mais questões.

Por Letícia Machado, coach pessoal e profissional e psicóloga especialista em psicologia hospitalar, com ampla experiência no atendimento à crianças e adolescentes. Atualmente realiza atendimentos na YellowRoad através do coaching infantil e do treino de pais

 

[1] The National Lesbian Family Study: 4. Interviews With the 10-Year-Old Children. Gartrell, Nanette; Deck, Amalia; Rodas, Carla; Peyser, Heidi; Banks, AmyAmerican Journal of Orthopsychiatry, Vol 75(4), Oct 2005, 518-524.

[2] António, Raquel, Pinto, Tiago, Pereira, Catarina, Farcas, Diana, & Moleiro, Carla. (2012). Bullying homofóbico no contexto escolar em Portugal. Psicologia, 26(1), 17-32. Recuperado em 20 de novembro de 2015, de

 

imagem@nelcisgomes.jusbrasil