Do Normal ao Patológico: como olhar para o comportamento do seu filho

O desenvolvimento infantil não é linear nem contínuo, apresenta movimentos regressivos, surtos evolutivos e pausas. Neste processo nem sempre os ritmos de desenvolvimento e o tipo de comportamento de cada criança é o esperado pelos seus pais, cuidadores e educadores.

A capacidade de uma criança dar uma resposta comportamental adequada é geralmente posta à prova na ausência da satisfação imediata dos seus desejos ou quando é necessária uma regulação emocional face a situações de frustração, cansaço, sono, fome ou mesmo de desafio, traduzidas muitas vezes em comportamentos desadequados e até descontrolados que testam a paciência, dedicação e cansaço de todos.

A adequação na resposta comportamental de cada criança vai depender do seu nível de maturidade emocional, traduzido muitas vezes na capacidade de comunicar as suas emoções através de palavras mais do que em gestos, da maturação do sistema nervoso manifesta na capacidade de responder adequadamente ao controlo dos impulsos e das características da sua personalidade.

No campo da Psicologia podemos olhar as questões comportamentais no campo da “normalidade” como:

– Normal enquanto saúde e não doença, considerando que o comportamento não compromete física e psicologicamente a saúde da criança (pôr-se em risco ou colocar outros em risco, consumo e dependência de substâncias, entre muitos outros). Neste campo incluímos ainda os sintomas psicossomáticos consequentes de uma regulação emocional desadequada que a criança faz das pressões, exigências, desafios e mudanças no seu dia-a-dia. Uma criança que internalize muita ansiedade poderá apresentar várias queixas como dores de barriga, cabeça ou mesmo dificuldades ao nível do sono. O “silêncio” dos órgãos é muitas vezes um bom preditor de “normalidade” nas crianças.

– Normal enquanto estatística, tendo em conta o que é comum acontecer em cada fase do desenvolvimento. Muitas questões comportamentais relatadas por pais estão intimamente interligadas com fases de transição como acontece na infância, pelos 2-3 anos ou na adolescência, períodos de teste das suas capacidades, regulação de emoções e frustrações, teste de limites e exercícios de independência e autonomia. Dentro deste espectro podemos incluir as famosas birras e comportamentos desafiadores e irreverentes ou mesmo sentimentos mais exagerados e pensamentos mais radicais.

– Normal enquanto funcional, mantendo um comportamento adequado ao funcionamento na sociedade em que se insere e no que é esperado de si de acordo com os parâmetros estabelecidos pela mesma: cumprir um currículo escolar e desempenhar funções específicas na sua comunidade, mantendo comportamentos adequados no relacionamento interpessoal e nas atividades sociais. Uma criança com perturbações específicas do desenvolvimento e/ou alguma deficiência (perturbação do espectro do autismo, síndrome de Down, dificuldades específicas de aprendizagem, deficiência física, auditiva, visual ou mesmo motora, entre muitas outras) poderá ver assim comprometida a sua aceitação ou integração pelo comportamento que apresenta. Por muito que a inclusão seja já uma recente realidade para alguns temos ainda um longo caminho a percorrer neste campo.

– Normal enquanto social, referindo-se aos comportamentos socialmente aceites e tolerados pelos outros. A norma social define e tolera alguns comportamentos consoante a sua frequência, nível e a idade em que a criança/jovem o pratica. Brincadeiras de lutas, destruição de materiais, roubar pequenos objetos ou alimentos, entre outros, são comuns quando se restringem a um período de desenvolvimento da infância ou ao ajustamento de limites da adolescência. Apresentam-se como preocupantes comportamentos com um padrão repetitivo e persistente no desprezo pelos direitos dos outros e pelas regras de convivência social. Nestes incluímos comportamentos recorrentes de agressão a pessoas e animais, destruição de propriedade, roubo ou abuso de confiança ou violação grave de regras.

A fronteira entre normal e patológico é muito ténue porque num momento ou outro, todas as crianças mentem, tiram coisas que pertencem aos outros, agridem, gritam ou desobedecem. A diferença entre estes comportamentos e o que os psicólogos consideram como um problema de comportamento está na gravidade dos comportamentos, na duração, na frequência, no aparecimento dos mesmos em mais do que um contexto e na sua persistência através do tempo.

Há elementos a ter em conta nas crianças com perturbações nos seus comportamentos uma vez que estas apresentam de forma mais intensa, desmedida, generalizada e duradora comportamentos como: birras frequentes, amuos sucessivos, discussões constantes sem regulação dos afetos, constante questionamento das regras e recusa no seu cumprimento (“porquê?”, “não quero por sim”), tentativas deliberadas de provocação, culpabilização do outro, raiva e ressentimentos frequentes, linguagem deliberadamente má e agressiva e atitudes maldosas e vingativas. A indiferenciação do alvo e a ausência de constrangimento, vergonha, culpabilidade e falta de empatia são também sinais de alerta.

Nestes últimos casos, a avaliação psicológica e o acompanhamento psicoterapêutico assumem um papel fundamental para tranquilizar e ou dar esperança de um futuro mais feliz e psicologicamente ajustado para estas crianças e jovens.

 

Por Catarina Amador, Psicóloga Educacional da Horas de Sonho, apoio à criança e à família, crl

Porque mente uma criança?

As crianças mentem por duas razões: porque para elas é “verdadeiro” ou por medo.

As crianças pequenas não sabem distinguir a fantasia da realidade, tudo é possível e tudo é verdadeiro. Os super-heróis que vêem na TV têm “mesmo” super-poderes, os animais falam, os barcos voam e as fadas têm capacidades mágicas.

Por outro lado, não tem percepção de que o outro tem uma existência individual da sua. O mundo que a rodeia é à semelhança do seu próprio mundo e não consegue perceber que existe uma outra realidade que não seja aquela que vê ou que sente. Dito de outra forma, se a criança está a ver, é porque existe, se não é, não existe. É por isso que uma criança pequena quando brinca ao “CuCu, ao tapar os olhos deixa de ver e acha que o outro não a vê a ela.

Então as brincadeiras e expressões, que para os pais podem não ser verdadeiras, para a criança são. Por esse motivo, que quando sonham e acordam assustadas precisam de ser tranquilizadas e não que lhes seja dito que era só “um sonho”, que não aconteceu de verdade, pois para ela é difícil fazer a destrinça entre ambos, para ela é real.

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Como as crianças vêem a escola…

O meu filho entrou este ano para o quinto ano, uma nova escola, novos amigos. Passou a ir de autocarro, a ter que gerir o “dinheiro” de um cartão para comprar senhas da escola e material escolar. A adaptação fez-se de forma muito natural, porque apesar de ser considerado “especial”, o meu filho é um menino inteligente, que como todos da sua idade, gosta de experiências novas e de autonomia.

Tudo isto me deixou feliz. O crescimento causa-nos uns certos arrepios, mas também nos faz sorrir.

No início do ano, ao aperceber-se das novas disciplinas disse-me: “Vou ter Educação Visual e vou ter negativa não é mãe? Eu não sei desenhar

Senti este momento como uma bofetada na cara. Apercebi-me que o meu filho, tal como muitas outras crianças, via a escola como um local de avaliação e não de aprendizagem. Expliquei-lhe que a escola era um local onde os meninos aprendiam, que era para isso que os professores lá estavam: para ensinar, para ter paciência com os alunos, para eles enriquecerem os seus conhecimentos e que isso deveria deixa-lo feliz – afinal, ia aprender muita coisa nova. Disse-lhe que, quando tivesse dúvidas, o professor iria sentar-se e ajudá-lo, pois essa era a sua principal função.

Eu própria não estava muito confiante do que lhe tinha dito. Há professores que querem mesmo ensinar e estimular o gosto pela a aprendizagem. Mas o sistema escolar é tão estanque que mesmo estes acabam por se render e os seus objetivos passam a ser cumprir as metas curriculares  e seguir o programa.

Quanto aos pais, também não os vejo preocupados com que os filhos aprendem. Raramente se ouve um pai a dizer: “hoje, o meu filho aprendeu isto ou aquilo... ” O que ouço são pais a falarem das notas! A aferirem resultados baseados em números, em testes, e em pautas. Onde fica a verdadeira essência do ensino?

O conceito de escola devia ser muito mais abrangente, no entanto tornou-se para muitos alunos “uma seca”, um local onde se mostra o que cada um vale de uma forma muito redutora e padronizada, onde a curiosidade da criança não é tão aguçada quanto devia, onde as dificuldades e particularidades são quase vistas como deficiências. É a era da educação em massa.

A escola deveria receber todas as crianças de uma forma mais equilibrada e  acolhedora.

A escola deveria focar-se no verdadeiro ensino das matérias num modelo mais livre de aprendizagem e não tão encurralado num plano curricular. As linhas condutoras que definem as matérias deveriam ser meras orientações, em que cada professor traçava o seu caminho para lá chegar.

Os alunos deveriam poder adquirir os conteúdos propostos de várias formas e serem avaliados de acordo com a aprendizagem, o desenvolvimento, e o caminho percorrido.

As avaliações deveriam ser menos estanques e mais abrangentes a todo o percurso escolar de cada aluno.

A escola deveria ser vista como um local onde os alunos aprendem e não um local onde são avaliados

É importante que as crianças entrem para escola felizes por inaugurarem uma etapa onde vão aprender coisas novas, fazer novos amigos e ter novas responsabilidades, em vez de entrarem assustadas e preocupadas porque vão para um local onde irão ser avaliadas.

A avaliação é, obviamente, indispensável para que se afira resultados, mas o gosto pela aprendizagem e o empenho dos alunos deveria ser estimulado para  que se conseguisse enaltecer o melhor de cada um.

O meu filho entrou este ano para o quinto ano e embora seja um menino “especial”, vê a escola como todos os outros: um local onde o vão avaliar e não como um porto seguro para a aprendizagem!

 

 

Por Marisa Duarte, 37 anos , Economista e mãe de três filhos, para Up To Kids®

Como promover a autonomia, responsabilidade e competências de organização em função do ano de escolaridade

Eis que recomeçaram as aulas!

O início do ano lectivo é tipicamente turbulento, mais ainda para quem começa agora a caminhada de um novo ciclo, seja como aluno ou como encarregado de educação. Esta é também uma fase crítica para pôr em marcha um ano escolar pleno de sucessos.

Na preparação de mais um ano escolar, e vendo toda a azáfama de compras de material escolar, não pude deixar de me recordar de uma conversa com um aluno de 3.º ano.

Perguntava-lhe eu onde estava a ficha que tinha levado para casa para terminar. Respondeu com um descansado “não sei”.  Estranhei. Se fosse “esqueci-me” eu percebia, mas não saber de todo pareceu-me estranho. Questionei. “A mãe deve ter-se esquecido de arrumar”, respondeu-me. Curiosa, procurei perceber. Para aquela criança, arrumar a mochila ou guardar os tpc’s era tarefa para os adultos. Olhámo-nos com igual expressão de incompreensão: eu pela surpresa de ser não ser óbvio para um aluno de quase 9 anos de idade que a responsabilidade era sua, e ele porque a minha surpresa lhe era estranha.

Imaginei o que será para os pais organizar o cenário familiar de banhos, jantares e tarefas várias filhos em casa. Vejo um adulto naturalmente cansado a perguntar-se “ensino-o a fazer isto ou faço eu por ele? Hoje já é tarde, amanhã logo ensino!”. E assim se criam rotinas de organização do material que não favorecem o envolvimento da criança com a escola.

O espólio escolar é vasto e a sua gestão autónoma é difícil para alunos do 1.º e 2.º ciclos, mas pode ser também um instrumento de promoção da autonomia, responsabilidade e competências de organização.

Adaptando a tarefa à idade e competências da criança, esta pode desempenhá-la com relativa facilidade, cabendo ao adulto apenas a supervisão da mesma.

Assim, deixamos algumas sugestões em função do ano de escolaridade:

  • 1.º e 2.º anos

Nesta etapa da escolaridade as crianças ainda enfrentam alguns desafios com a escrita. Uma forma eficaz e divertida de agilizar a tarefa de “arrumar a mochila” será fazer uma tabela com ilustrações (legendadas) dos objetos a arrumar. A criança poderá ter de colocar um “visto” à frente de cada item que já arrumou. Caberá aos pais confirmar se tudo está ok. Podem criar um código de pontos convertíveis em algum prémio agradável. Existem à venda quadros magnéticos com pequenos ímans que poderão ser uma boa solução.

  • 3.º e 4.º anos

Nesta fase as crianças já dominam a linguagem escrita pelo que as ilustrações são opcionais (mas continuam a ser apelativas). Agora podem complexificar a tarefa e eventualmente acrescentar aspetos mais difíceis, como arrumar o saco da ginástica ou definir dias para limpar o estojo ou fazer uma limpeza às folhas soltas.

  • 5.º e 6.º anos

Novo ciclo, novas regras. O horário semanal passa a ser a bússola nesta tarefa. Gerir as várias disciplinas e materiais afetos a cada uma delas é ainda difícil. Uma boa estratégia será construir uma agenda onde, associados a cada disciplina, apareçam os materiais que esta exige (por exemplo: Matemática – manual+livro de fichas+caderno+régua…). Para muitas crianças conferir item a item continua a ser importante, bem como a supervisão parental.

O caminho para a autonomia faz-se caminhando. Um passo por dia desde o primeiro dia. Com estes e outros pequenos grandes detalhes damos um importante contributo e reforçamos progressivamente o sentido de auto-eficácia e bem-estar. Crescer, mais do que adquirir conhecimentos, é formar-se, desenvolvendo competências duradouras que promovem o sucesso académico das crianças e jovens.

 

Por Dra. Helena Almeida para Up To Kids®

Os benefícios das artes plásticas para as crianças

A arte desempenha um papel importante no universo infantil. Grande parte das crianças gostam naturalmente de pintar, desenhar e brincar com cortes e recortes, mesmo sem serem estimuladas para tal.

À semelhança de todas as experiências culturais, as artes plásticas são uma ótima forma de desenvolver apetências, conhecimentos e valores que os vão acompanhar durante toda a vida. Não é por acaso que as artes plásticas são usadas por terapeutas ocupacionais e integram grande parte do programa de aprendizagem das creches e jardins de infância.

Ensina a importância de fazer

Desenhando, pintando e esculpindo é natural que as crianças guardem uma imagem projetada do possível resultado final, mas é necessário trabalhar essas expetativas. O incentivo das artes plásticas em casa ou na sala de aula é, portanto, uma ótima forma de ensiná-las a desfrutar de cada passo do processo e a saber lidar com a frustração e com a gestão de expetativas. “O importante é participar” dirão alguns, mas mais importante ainda é divertirem-se pelo caminho! Não interessa o resultado final, o que interessa é o processo – esta é uma lição para a vida.

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Aproxima pais e filhos

As artes plásticas são um caminho para a interação e para preencher tempo de qualidade entre pais e filhos. Sentar-se com os seus filhos a pintar, desenhar e a criar coisas novas estreita laços familiares e promove a comunicação, a cooperação, o espírito crítico e a partilha de experiências e opiniões.

 

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Abre as portas à criatividade individual 

Desenvolver a imaginação é tão importante como aprender a falar, saber as cores e contar até 100. Além disso, as artes visuais são uma excelente forma das crianças se expressarem, quebrando as barreiras linguísticas, principalmente em idades em que o discurso verbal ainda não está completamente assimilado.

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Resiliência e autoestima

Saber falhar é a regra número 1 de um artista e essa regra é válida também para artistas de palmo e meio. É importante escolher atividades que se adaptem à idade da criança, para que haja sempre superação. Além de desenvolver ferramentas emocionais tão importantes como a resiliência, a paciência e o autocontrolo, todas as artes plásticas incluem uma boa dose de encorajamento para fazer melhor – tendo um papel importantíssimo na construção da autoestima e confiança dos mais pequenos.

Descobrir o mundo e descobrir-se
Os adultos não devem influenciar o processo criativo das crianças, mas podem dar-lhes oportunidades para elas poderem conhecer o mundo e experienciá-lo. Papel, tinta, gesso, argila e elementos naturais como folhas, terra e água são uma ótima maneira de elas terem contacto com novos materiais, objetos, texturas e possibilidades, ao passo que descobrem o mundo através deles. Sujar, claro, faz parte do processo. Aprenda como tirar tinta da roupa facilmente e não deixe de incentivar o sentido de exploração e descoberta dos seus filhos!

 

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Consciência corporal e coordenação motora

Através do tato e da manipulação de objetos os mais pequenos descobrem o mundo, interpretam o que os rodeia e aguçam a curiosidade. O desenho, a pintura e os trabalhos manuais são um excelente “empurrão” no desenvolvimento motor da criança. No topo da lista estão a destreza dos dedos e a coordenação entre o olhar e o movimento das mãos. Logo de seguida, a consciência de si próprios e a aprendizagem de que é preciso cuidar do próprio corpo em todas as ações e atividades.

Precisa de mais argumentos?

 

Por Joana Teixeira para Up To Kids®

Porque prefiro que os meus filhos aprendam empatia em vez de mandarim

“Desde que sou mãe que tenho ouvido diferentes opiniões sobre o que é mais importante que os nossos filhos aprendam para ter sucesso na vida. Programação. Inglês. Xadrez. Ballet. Mandarim. Comunicação. Matemáticas. Desportos de equipa. Música. Artes marciais. “

Estou grávida de sete meses da minha terceira filha e com uma barriga gigante. No fim de um dia de trabalho, sempre que entro no metro a abarrotar é inacreditável a forma como as pessoas viram a cabeça para o outro lado e fingem que não me viram. São muito poucas as pessoas que me olham nos olhos e me cedem o lugar. Não sei se sabem mandarim, programação ou se são uns génios em matemática. Mas todas elas têm algo em comum: empatia. Empatia tal que as move e as leva a fazer algo pelos outros. É chamada Empatia em ação.

Esta é a empatia que move as pessoas a fazer coisas pelo próximo.

A ajudar a construir uma maternidade, a doar o seu tempo e esforço por uma causa em comum. A que leva um jovem a montar uma iniciativa social na sua escola.

A Empatia em Ação é de extrema importancia na formação de uma criança não só por ajudar o próximo, mas também por se tornar uma competência essencial para se ser bem sucedido e feliz. A empatia é o que faz que uma pessoa trabalhe bem em equipa, que seja um bom líder, que uma empresa concentre o seu serviço às verdadeiras necessidades do cliente, ou que um jovem saiba como atuar numa entrevista de trabalho.

A empatia não surge quando olhamos à nossa volta. A empatia faz-nos olhar de outra maneira à nossa volta, focando-nos nas necessidades e preparando a ação.

A Empatia em Ação leva-nos a inovar e torna-nos mais pragmáticos, mais bem sucedidos e mais felizes. E claro, ajuda a tornar o mundo melhor.

A boa notícia é que a empatia se pode aprender e praticar.

Existem empreendedores sociais, como a canadense Mary Gordon, que impulsiona a empatia em escolas há quase 20 anos, e tem promovido os benefícios objetivos da empatia.

Também em Espanha, há colégios que estão a trabalhar a Empatia em Ação com os seus alunos e têm conseguindo resultados excelentes. As crianças do Ensino Fundamental de Canárias, pela primeira vez, terão a sorte de ter a disciplina – obrigatória e avaliativa – “Educação Emocional e para a Criatividade”, onde duas vezes por semana trabalharão a empatia e outras emoções.

Hoje em dia este tipo de indicadores não faz parte dos rankings dos top 100 colégios da Espanha, que continuam, infelizmente, centrados nos resultados quantitativos de avaliação. Mas se todos valorizarmos, praticarmos e ensinarmos a Empatia aos nossos filhos, tal como aconteceu com as regras e outros valores sociais e morais noutros tempos, as coisas irão mudar.

Eu quero que os meus filhos desenvolvam a empatia.

Para que não virem a cabeça para o outro lado. Para que sejam pessoas ativas e que se importam com o que se passa à sua volta. Para que façam algo pelos outros. Para que tenham êxito pessoal e profissional. E para que quando forem à China, sejam capazes de entender os moradores locais com apenas um olhar.

Das crianças que trabalharam a empatia em salas de aula:

  • 78%  incrementaram a sua atitude e conduta perante os colegas;
  • 74% aceitaram melhor os colegas;
  • 71% aprenderam a avaliar as situações em perspectiva;
  • 39% diminuíram a agressividade relativamente aos colegas.

empatia

 

Traduzido e adaptado por Up To Kids®,

Artigo original “Por qué quiero que mis hijas aprendan empatía en vez de chino”, em Forbes

Vai visitar uma escola?

9 perguntas indispensáveis para fazer ao director

Embora a maior parte dos pais já tenham escolhido a escola onde irão colocar os seus filhos no próximo ano letivo, há também muitas escolas que já estão a para marcar visitas para o ano a seguir, aproveitando assim a interrupção letivas do verão.

Se ainda não tem uma opção definida para os seus filhos e vai visitar uma escola brevemente, este artigo é para si!

Escolher uma nova escola pode ser uma saga . Agora que domina a ciência complexa que está na origem desta decisão, queremos mesmo que faça boa figura no primeiro contacto com as escolas que seleccionou para o seu filho. São nove perguntas essenciais que o vão tornar um especialista na matéria aos olhos do director, e nove respostas que vão pesar na balança.

Ficam as nove perguntas indispensáveis a fazer ao diretor quando vai visitar uma escola:

1. O que distingue esta escola das outras?

Porque a resposta a esta pergunta pode ser vital na sua decisão, o director deve conseguir estruturá-la com a clareza e energia de um apaixonado. Uma escola segue o caminho que a direcção marcar.

2. Como asseguram a comunicação escola-família?

Este é dos aspectos interessantes de avaliar se pretende saber qual a abertura da escola à família. Há um sem número de ferramentas tecnológicas que permitem que os pais acedam com facilidade a tudo o que acontece na escola: visitas, actividades, projectos, avaliações, assiduidade. Não usufruir deste recurso é uma limitação séria a ter em conta.

3. Existe um programa de acolhimento para os novos alunos?

A integração numa nova escola pode ser problemática especialmente se não for planeada do lado de lá. No caso das crianças mais novas, deve existir uma forte articulação com a família. No das mais velhas, o envolvimento do director de turma e do representante dos alunos é essencial.

4. Qual o nível de rotatividade do corpo docente?

A estabilidade é fundamental para a qualidade do ensino. Uma instituição em que os professores estão constantemente a mudar de rosto talvez não os valorize tanto quanto deveria. Se o rendimento dos professores é afectado o do seu filho também, acredite.

5. Os colaboradores fazem formação contínua?

Uma escola lida com uma multiplicidade grande de serviços: alimentação, ensino, transporte, higienização dos espaços. É importante que cada área possa usufruir de um plano de formação planeado de acordo com as necessidades, e que contribua para a melhoria contínua das práticas.

6. A escola pratica inquéritos de satisfação com regularidade?

A opinião dos mais directamente afectados pelo serviço educativo não deve ser menosprezada. Por norma as crianças, os pais e os colaboradores reconhecem com bom rigor quais os pontos fortes e as práticas a melhorar numa escola. Este procedimento é também um bom caminho para fomentar hábitos de cidadania e para democratizar a gestão.

7. Em média quantos vigilantes existem por grupo?

O tamanho dos grupos e o ratio adulto-criança são elementos chave na manutenção da segurança física e emocional das crianças. Questione a direcção acerca dos recursos humanos que a escola disponibiliza para o nível de ensino que procura, e para os diferentes momentos da rotina: aulas, refeições e pausas.

8. Quantas vezes os alunos podem sair para o exterior?

Ter tempo e o espaço coberto que permita respirar ar puro ou esticar as pernas mesmo no Inverno, é muito importante para ter bom desempenho. Uma criança precisa de movimentar-se mais que um adulto e essa necessidade deve ser respeitada. Para além disso, as salas de actividade precisam de arejamento frequente durante estes intervalos para que sejam evitados os habituais contágios.

9. Que áreas são contempladas pela avaliação dos alunos?

Se é exigido aos estudantes que adoptem uma determinada linha de conduta ao nível do comportamento, da cidadania, dos valores e dos hábitos, não incluir esses elementos na avaliação é boicotar a sua importância na formação global do aluno. Que incentivo terão os mais novos em envolver-se em projectos sociais relevantes, se eles tiverem um efeito nulo nos resultados?

Muito se tem falado e escrito sobre a relação pais-filhos, no entanto, pouco ainda se sabe e se estudou, até ao momento, sobre as relações entre irmãos e nomeadamente sobre a influência dos mais velhos no crescimento e desenvolvimento físico e psíquico dos mais novos.

Será que existe uma influência? Qual será o papel dos irmãos mais velhos no crescimento dos irmãos mais novos? Em que se manifesta esta influência? É uma influência positiva ou negativa?

As relações dos irmãos são marcadas por vínculos e emoções fortes, como a amizade, a cumplicidade e/ou zangas e rivalidades. Estas relações são marcadas por diferenças individuais de personalidade e pela diferença de idades. Sendo reguladas e mediadas pelos pais, principais modelos de referência e a quem cabe o importante papel da educação, as relações entre irmãos, parecem constituir um lugar protegido e seguro, para aprender a interagir com outras crianças, aprender formas construtivas de resolver desacordos e problemas e a regular emoções positivas e negativas.

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Os irmãos mais velhos, são muitas vezes cuidadores, figuras de suporte e amigos e as relações que estabelecem com os irmãos mais novos, são mediadas pela socialização, por comportamentos de ajuda em diferentes tipos de tarefas, por actividades de cooperação e por brincadeiras e desafios que proporcionam o desenvolvimento cognitivo, social, emocional e físico.

Assim, embora muitas vezes estas relações, sejam verdadeiros desafios e por vezes, verdadeiros testes à paciência dos pais, estes devem proporcionar, desde o início, uma relação favorável entre irmãos, devendo estimular a relação, o respeito mútuo, a cooperação e a habilidade para resolver problemas.

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Termino, com o testemunho de 3 mães e também irmãs:

Carolina, 32 anos. | Irmã de dois rapazes  | Mãe de uma rapariga e de dois rapazes
“Os irmãos mais velhos “puxam” pelos mais novos. São modelos, são heróis, são mais fortes e mais capazes aos olhos dos mais novos.
Os mais novos seguem os mais velhos, vão atrás deles para brincar, seguem-nos com o olhar e correm para os apanhar, mas também lhes “roubam” os brinquedos e destroem as construções de legos.
Os irmãos são companheiros inseparáveis mas por vezes querem mesmo estar separados:)
A Leonor que é a mais velha diz muitas vezes que não quer os rapazes no quarto dela porque desarrumam tudo, mas outras vezes quer partilhar brincadeiras com o mais novo e tem paciência para emprestar brinquedos e dar-lhe sugestões de brincadeiras: “Olha leva os copinhos da Nô e faz um chá…”.
E também pede ao do meio para brincar com ela. Nesta fase em que estamos, a Leonor e o Miguel brincam mais juntos e o Francisco assalta as brincadeiras deles ou vai andando pela casa atrás da mãe:)
Os mais velhos podem ajudar os mais novos a superar dificuldades ou a desmistificar algum medo”.

Sofia, 30 anos. | Irmã de duas gémeas. | Mãe de três raparigas.
“Ter irmãos é o melhor do mundo! Crescer numa casa cheia ajuda-nos a aprender a viver com pessoas com feitios diferentes e até gostos! Há sempre alguém para brincar, para partilhar, para aprender ou ensinar, para emprestar coisas, para ajudar, para embirrar, para defender, para chatear, para dormir agarradinhos, para cantar em coro, para ter cumplicidades imensas… Ter segredos que os pais não podem saber! Ter irmãos é partilhar uma vida, uma casa e dividir as melhores memórias da infância!”

Margarida, 33 anos. | Irmã de dois rapazes. | Mãe de um rapaz e duas raparigas.
“Ter irmãos-mais-velhos…
Para além de ser o melhor presente que os Pais podem dar aos seus filhos, ter irmãos (ou irmãs) mais velhos é ter sempre, e para sempre, com quem partilhar – alegrias e tristezas, brincadeiras e birras, saltos na cama e quedas de bicicleta, bolachas e brócolos! Contas feitas, os nossos irmãos (mais velhos ou mais novos) são os nosso primeiros melhores-amigos e aqueles que nos ensinam o que é o Amor”.

Afinal como diz o filósofo Agostinho da Silva:

Ninguém reprovará o seu irmão por ele ser o que é; mas com paciência e persistência, com inteligência e com amor; procurará levá-lo ao nível mais alto”

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A importância de ter irmãos mais velhos! ? #uptohappykids www.uptokids.pt

Um vídeo publicado por Up to Kids (@uptokids) a

imagens@babybulletblog

A sobrecarga escolar e social das crianças é uma preocupação crescente para os pais e educadores. Dos diversos artigos de especialidade que li, a opinião da maioria dos educadores e psicólogos é unânime: as crianças precisam de menos  brinquedos e mais tempo com os pais, precisam de menos trabalhos de casa e mais tempo de brincadeira, precisam de menos individualismo e mais tempo para sociabilizar com os amigos, menos tempo entre paredes e mais tempo no exterior.

Em primeiro lugar, as crianças precisas de ser crianças.
As crianças precisam de ser felizes para poderem crescer saudáveis e terem capacidade de assimilar uma educação sólida que começa em casa, continua na escola, e passa por todos os hobbies e experiências vividas. As atividades extracurriculares, principalmente quando são escolhidas pela criança, são também extensões desta aprendizagem. Mas não nos prendamos à ideia de que as crianças têm imenso tempo de brincadeira porque têm atividades todos os dias. Essas atividades, e que considero de extrema importância para o desenvolvimento da criança (mais uma vez reforço que parto do principio que a criança gosta e quer realizar a actividade e não lhe é imposta pelos pais) fazem parte de uma rotina associada às obrigações e afazeres. O meu filho adora as suas aulas de teatro, mas quando chega a casa, antes de fazer os TPC quer brincar um bocadinho porque sente que teve o dia todo preenchido com obrigações. De seguida, as tarefas de casa a realizar antes do dia acabar: os banhos, os TPCs, o Jantar, a hora de ir para a cama que já começa a atrasar… Tudo isto causa algum stress nas crianças principalmente quando nós, pais, começamos a ver a rotina a descarrilar e, inconscientemente, pressionamos (nem sempre da melhor forma), os nossos filhos a viverem num ritmo que não é aconselhável para a idade.

Depois, quando temos tempo, muitas vezes, queremos que os miúdos se entretenham com gadgets ou televisão (porque de outra forma estão aborrecidos) para podermos, também nós, fazer qualquer coisa que andamos a adiar há tempo demais, nem que seja relaxar cinco minutos! E que exemplo transmitimos aos nossos filhos? Será que com tanta obrigação estamos a criar reféns de uma educação programada e dependente dessas rotinas? Ou saberão os nossos filhos fazer uma pausa e usufruir dos pequenos prazeres do dia a dia?

O famoso psiquiatra brasileiro Augusto Cury, que lançou recentemente uma versão do  livro Ansiedade – Como Enfrentar o Mal do Século, numa conversa sobre os desafios de se criar filhos hoje em dia, não poupou críticas à forma como a família e a escola têm educado os miúdos.

Deixo-vos os 8 pontos essenciais assinalados pelo especialista:

«Excesso de estímulos
“Estamos assistindo ao assassinato coletivo da infância das crianças e da juventude dos adolescentes no mundo todo. Nós alteramos o ritmo de construção dos pensamentos por meio do excesso de estímulos, sejam presentes a todo momento, seja acesso ilimitado a smartphones, redes sociais, jogos de videogame ou excesso de TV. Eles estão perdendo as habilidades sócio-emocionais mais importantes: se colocar no lugar do outro, pensar antes de agir, expor e não impor as ideias, aprender a arte de agradecer. É preciso ensiná-los a proteger a emoção para que fiquem livres de transtornos psíquicos. Eles necessitam gerenciar os pensamentos para prevenir a ansiedade. Ter consciência crítica e desenvolver a concentração. Aprender a não agir pela reação, no esquema ‘bateu, levou’, e a desenvolver altruísmo e generosidade.”

Geração triste
“Nunca tivemos uma geração tão triste, tão depressiva. Precisamos ensinar nossas crianças a fazerem pausas e contemplar o belo. Essa geração precisa de muito para sentir prazer: viciamos nossos filhos e alunos a receber muitos estímulos para sentir migalhas de prazer. O resultado: são intolerantes e superficiais. O índice de suicídio tem aumentado. A família precisa se lembrar de que o consumo não faz ninguém feliz. Suplico aos pais: os adolescentes precisam ser estimulados a se aventurar, a ter contato com a natureza, se encantar com astronomia, com os estímulos lentos, estáveis e profundos da natureza que não são rápidos como as redes sociais.”

Dor compartilhada
“É fundamental que as crianças aprendam a elaborar as experiências. Por exemplo, diante de uma perda ou dificuldade, é necessário que tenham uma assimilação profunda do que houve e aprender com aquilo. Como ajudá-las nesse processo? Os pais precisam falar de suas lágrimas, suas dificuldades, seus fracassos. Em vez disso, pai e mãe deixam os filhos no tablet, no smartphone, e os colocam em escolas de tempo integral. Pais que só dão produtos para os seus filhos, mas são incapazes de transmitir sua história, transformam seres humanos em consumidores. É preciso sentar e conversar: ‘Filho, eu também fracassei, também passei por dores, também fui rejeitado. Houve momentos em que chorei’. Quando os pais cruzam seu mundo com os dos filhos, formam-se arquivos saudáveis poderosos em sua mente, que eu chamo de janelas light: memórias capazes de levar crianças e adolescentes a trabalhar dores perdas e frustrações.”

Intimidade
“Pais que não cruzam seu mundo com o dos filhos e só atuam como manuais de regras estão aptos a lidar com máquinas. É preciso criar uma intimidade real com os pequenos, uma empatia verdadeira. A família não pode só criticar comportamentos, apontar falhas. A emoção deve ser transmitida na relação. Os pais devem ser os melhores brinquedos dos seus filhos. A nutrição emocional é importante mesmo que não se tenha tempo, o tempo precisa ser qualitativo. Quinze minutos na semana podem valer por um ano. Pais têm que ser mestres da vida dos filhos. As escolas também precisam mudar. São muito cartesianas, ensinam raciocínio e pensamento lógico, mas se esquecem das habilidades sócio-emocionais.”

Mais brincadeira, menos informação
“Criança tem que ter infância. Precisa brincar, e não ficar com uma agenda pré-estabelecida o tempo todo, com aulas variadas. É importante que criem brincadeiras, desenvolvendo a criatividade. Hoje, uma criança de sete anos tem mais informação do que um imperador romano. São informações desacompanhadas de conhecimento. Os pais podem e devem impor limites ao tempo que os filhos passam em frente às telas. Sugiro duas horas por dia. Se você não colocar limite, eles vão desenvolver uma emoção viciante, precisando de cada vez mais para sentir cada vez menos: vão deixar de refletir, se interiorizar, brincar e contemplar o belo.”

Parabéns!
“Em vez de apontar falhas, os pais devem promover os acertos. Todos os dias, filhos e alunos têm pequenos acertos e atitudes inteligentes. Pais que só criticam e educadores que só constrangem provocam timidez, insegurança, dificuldade em empreender. Os educadores precisam ser carismáticos, promover os seus educandos. Assim, o filho e o aluno vão ter o prazer de receber o elogio. Isso não tem ocorrido. O ser humano tem apontado comportamentos errados e não promovido características saudáveis.”

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Conselho final para os pais
“Vejo pais que reclamam de tudo e de todos, não sabem ouvir não, não sabem trabalhar as perdas. São adultos, mas com idade emocional não desenvolvida. Para atuar como verdadeiros mestres, pai e mãe precisam estar equilibrados emocionalmente. Devem desligar o celular no fim de semana e ser pais. Muitos são viciados em smartphones, não conseguem se desconectar. Como vão ensinar os seus filhos e fazer pausas e contemplar a vida? Se os adultos têm o que eu chamo de síndrome do pensamento acelerado, que é viver sem conseguir aquietar e mente, como vão ajudar seus filhos a diminuírem a ansiedade?”  »- Liliane Prata, em M de Mulher – 

imagem@psychone

Os nossos filhos são humanos.

E isso significa que erram.

O que fazem com esse erro é responsabilidade deles mas, até que sejam capazes de o fazer por si mesmos, é uma responsabilidade nossa.

Grande parte dos pais poderia dizer que os “defeitos” dos seus filhos são demorar muito a responder quando os chamam para vir para a mesa, deixarem a mochila no chão quando chegam da escola, beberem leite directamente do pacote ou nunca substituir o rolo do papel higiénico quando o usam até ao fim. Até aqui tudo certo mas que ser humano tem apenas estas características negativas? Ninguém é perfeito e se alguns pais pecam por minimizar as situações há também os que tendem a transformar a mais pequena coisa numa calamidade a nível mundial e a tratar os filhos com a chamada rédea curta, demasiado curta para que possam usar as ferramentas certas para não voltarem a cair nos mesmos erros. Por si.

Mas não é destes pais que escrevo hoje. Nem dos filhos destes pais.

Falo dos filhos que tudo têm para ser felizes, saudáveis, educados e responsáveis e mesmo assim não o são.

Falo dos filhos que, apesar de isso ser algo absolutamente contrário à sua educação, são expulsos das aulas dia após dia (coisa que os pais desculpam porque tal acontece devido ao colega do lado que se comporta mal e que os faz rir), dos filhos que não almoçam em casa como os pais pensam (e porque pensariam outra coisa se lhes ligam para casa e eles não atendem mas atendem o telemóvel e advogam que o telefone anda sempre perdido pela casa e não o conseguiram encontrar a tempo de atender a chamada), falo dos filhos que mudam de roupa assim que chegam à escola, assim como o penteado e a maquilhagem que passa de inexistente a brutal.

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Estes filhos têm pais de vários tipos, bem sei, mas quero referir-me àqueles que tendem a fechar os olhos e a desculpar o que eles fazem de errado. Porque a culpa nunca é deles. Porque a professora embirra, porque calhou estarem numa turma problemática, porque o mundo não vê como estes miúdos são especiais e lhes aponta o dedo. Pode até ser verdade, mas fechar os olhos ao comportamento, não lhe dar o devido acompanhamento, faz com que os miúdos se sintam perdidos.

Perdidos porque ainda estão a tentar perceber quem são e se desafiam os professores para serem expulsos e a consequência desse acto é passarem-lhes a mão pelo pêlo isso acaba por os confundir e, a longo prazo, fragilizar. Se não sabes quem és mas estás a testar um lado teu mais negativo e os teus pais te dizem que és perfeito vais sentir que não és nem uma coisa nem outra. E vais sentir que consegues enganar os teus pais tranquilamente e isso dá-te uma aura de vitória mas também de desgosto, porque no fundo sabes que se eles acham que só te consegues comportar bem então por que é que te comportas tão mal?

Quando um pai não vê um filho por aquilo que ele é deixa de ser um porto de abrigo. Deixa de ser alguém que é procurado em alturas de crise. Deixa de ser alguém a quem pedimos desculpa. Porque ele não entende. Nada sabe. Não nos conhece. Muitos adolescentes passam pela fase de repetir este mantra mas é saudável quando sentem que isso acontece porque há um gap geracional. Porque é isso que os separa dos pais – o tempo que passou entre os pais serem adolescentes e serem pais. Não dialogam porque não se entendem, mas é melhor um não diálogo em que se diz o que realmente se sente e pensa do que um diálogo que nunca tem oportunidade de existir porque “está tudo bem”. Sempre.

Falo como filha. Falo como mãe. Falo como testemunha de alguns casos que tenho à minha volta e que me preocupam. Porque sem comunicação, seja ela o mais mínima que for, há muitos problemas que não são detectados. E o tempo aqui é de ouro.

Acha que conhece os seus filhos?
Quando teve a última conversa sincera com eles?
Ouviu-os verdadeiramente?
Tem a certeza do que acontece quando sai de casa e os deixa livres e soltos no seu tempo?
Está a pensar que também fez das suas, que os seus pais também nunca sonharam com muitas das coisas que fez e isso não fez de si alguém perdido no mundo?
Ainda bem. Tenha é a certeza que daqui a alguns anos o seu filho vai poder dizer o mesmo.

Os nossos filhos são humanos.

Erram.

E precisam de nós.

Precisam que não desistamos deles.

Precisam que os vejamos por quem são.

Precisam que lhes demos a mão.

Da melhor maneira que soubermos.

Que hoje ao jantar se construa uma conversa ou se comece a construir um diálogo. Porque ele é sempre rico. E é também nos silêncios que aprendemos a perceber aquilo que nos escapa e a que temos de nos dedicar mais.

Porque os nossos filhos são humanos.

Erram.

E nós também.

 

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