LUNA PARQUE EM PIJAMARAMA | Kalandraka Editora Portugal | M3 | lúdico e interativo

Nós já tínhamos o “Nova Iorque em pijamarama” que desde que entrou na nossa casa se tornou num dos livros favoritos dos miúdos . É um livro cuja história se conta por imagens, e as imagens criam ilusões ópticas de movimento. É em tudo diferente daquilo que as crianças estão habituadas a ver e a ler. Eles é que movem a folha de acetato dando a ilusão de movimento quando e onde querem: para cima, para baixo, mais depressa , mais devagar, conforme queiram. Um livro que nunca se torna repetitivo e que os mais pequenos adoram. O Luna Parque em Pijamarama é ainda mais divertido: todas as possibilidades mas num parque de diversões! 

SINOPSE
E UPA! Vamos lá dar uma volta!
Já cheira a pipocas… Não acham?
ENA! Tantas luzes, tantas músicas, tanto alarido…
toda a gente parece estar a divertir-se.

O pijama às riscas do protagonista de “Luna Parque em pijamarama” é a roupa ideal para brincar com uma antiga técnica de animação, desenvolvida em França no século XIX: o ombro-cinéma. Fazendo deslocar a grelha de acetato por cima da página ilustrada produz-se um surpreendente efeito ótico. O artista visual Rufus Butler Seder foi um dos pioneiros na sua aplicação ao mundo dos livros, mas Michaël Leblond e Frédérique Bertrand elevaram a fasquia, logrando um design moderno e atrativo, com imagens a cores.

Esta fantástica aventura decorre, enquanto todos dormem, num parque de atrações muito especial, onde tudo está em movimento: os carrinhos de choque, as barraquinhas do tiro ao alvo, a montanha-russa… Página a página, levados por um delicioso cheiro a pipocas e a algodão-doce; somos envolvidos pelas luzes multicores, pela música e pelo bulício, recriado à base de onomatopeias e combinações tipográficas.

 

FICHA TÉCNICA
Texto, ilustrações e design de MICHAËL LEBLOND FRÉDÉRIQUE BERTRAND
Tradução de ANA M. NORONHA
Encadernação especial. 24 x 32 cm. 26 pág.
Preço 15 €.
Contém grelha em acetato.
ISBN 978-989-749-010-1.
Livros para Sonhar.

 

Já quase todas se cruzaram umas com as outras a determinada altura das suas vidas: na sala de espera de um médico, nas urgências, num internamento, num teste de provocação oral, na farmácia, numa loja de alimentação adaptada, num workshop de culinária, num hipermercado a estudar rótulos, num grupo de apoio presencial, num grupo de discussão na Internet.
Mas quem são estas mães? Como reconhecê-las? Até que ponto a condição clínica dos seus filhos as define? O que podemos esperar delas?

10 tipos de mães de crianças com alergia alimentar:

1 – A Mãe a “apanhar do ar”
Esta mãe ainda não percebeu bem onde está metida. Geralmente sai das consultas médicas mais confusa do que quando entrou. É frequente vê-la colocar à consideração dos seus pares cibernéticos, pareceres médicos e análises clínicas.

2 – A Maratonista
A mãe maratonista já andava farta de “correr”, mesmo antes do running se tornar numa moda. Antes de sair de casa para ir trabalhar, já cozinhou tudo o que o seu filho comerá naquele dia. Aproveita a hora do almoço para dar um salto ao supermercado, enquanto confere no telemóvel as últimas tendências em termos de substitutos do ovo. Para que o seu filho possa participar em segurança no próximo jantar de família, compromete-se a confeccionar o menu completo… para 27 pessoas.

3 – A Veterana
A mãe veterana já percorreu o verdadeiro “caminho das pedras”. Outrora mãe de criança com alergia alimentar é, agora, mãe de adolescente ou adulto com alergia alimentar.

É a mãe que qualquer iniciante nestas andanças deveria conhecer. Foi confrontada com um diagnóstico numa altura em que a oferta de alimentação adaptada era escassa ou inexistente, não se falava do assunto, não havia Internet, nada!
Ela pode afirmar, com toda a propriedade, “são muitos anos a virar frangos… sem alergénios!

4 – A Calimera
À mãe calimera acontece de tudo e esta, pura e simplesmente, não consegue ultrapassar o registo lamurioso. Queixa-se essencialmente por dois motivos: por tudo e por nada.

5 – A Empreendedora
A mãe empreendedora vê, definitivamente, o copo meio-cheio. Organiza sessões de esclarecimento informais no prédio onde vive, na escola dos filhos, distribui panfletos, cria negócios, dá workshops de alimentação adaptada. Em suma, transforma uma dificuldade numa oportunidade.
6 – A Resolvida
A mãe resolvida assume com desassombro que isto das alergias alimentares é um aborrecimento, mas há que lidar com isso da melhor maneira possível. É tão resolvida, que às vezes sente que deveria fazer terapia para apurar se tamanha aceitação é normal.

 7 – A “Mea Culpa”
A mãe “mea culpa” ainda se recrimina por aquela sandes de queijo que comeu, no dia da concepção. Basicamente, sente-se culpada por tudo: pelos genes que transmitiu ao filho, pelo pão sem glúten que fica sempre rijo que nem uma pedra, pela indiferença da sociedade, pelo buraco na camada de ozono.

8 – A Verborreica
A mãe verborreica está sempre a falar sobre alergias alimentares. Às vezes, até a ela lhe escapa o que terá dado azo à conversa. No outro dia, disse “boa tarde” à vizinha do rés-do-chão e, a seguir, sem saber bem como, já estava a falar sobre anafilaxia.

 9 – A “Douta”
A mãe douta gosta de discorrer sobre hipersensibilidades mediadas por IGE, linfócitos T e atopia. Às vezes a coisa corre bem, outras nem por isso.
Tem no grupo das “mães a apanhar do ar” o seu público favorito.

10 – A Pessoana
A mãe pessoana tem em si todas as outras mães acima descritas. Pode acordar meio calimera ao lembrar-se dos tempos em que andava a apanhar do ar, mas depressa passa ao registo maratonista, não sem antes ter tido um ataque de douta verborreia, o que lhe causa culpa. Aspira a ser empreendedora, a ser cada vez mais resolvida e torce os dedos para não chegar a veterana.

Por Marlene Pequenão, para Up To Kids®
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Eduquem as crianças e não será necessário castigar os homens

“Eduquem as crianças e não será necessário castigar os homens” é uma citação atribuída a Pitágoras, importante filósofo grego fundador de uma escola de pensamento, que viveu cerca de 500 anos a.C..

Educar passa não só por ensinar a ter bons modos ou comportamentos que sejam socialmente aceitáveis, como também conhecimentos e competências emocionais e sociais.

Mas como podemos promover o desenvolvimento destas competências nas crianças? Todos sabemos que crianças bem-ajustadas a nível emocional e social criam mais cedo um sentimento de pertença e ligação (sentem que têm significado, que são importantes) mas têm também mais hipóteses de ter sucesso escolar. De pouco adianta tentarmos ensinar uma criança a ler e a contar se o medo que ela sente de falhar ou a falta de confiança nas suas capacidades a bloquearem. Uma criança com confiança e autoestima elevada, que sabe relacionar-se com os outros, aprende a regular o seu comportamento, a resolver conflitos ou trabalhar em equipa.

Não há mezinhas ou receitas que sirvam para todas as crianças mas há dicas que ajudam. Este artigo reúne 10 sugestões que podem desenvolver estas competências nas crianças. Vamos à primeira?

  1. Ensinar a reconhecer as emoções

Quando uma criança se sente frustrada, por exemplo, nem sempre ela tem um nome para atribuir a essa emoção. Ela sente-se zangada, confusa com o que sente (por exemplo quando perde um jogo), mas não sabe que é frustração que está a sentir. Somos nós, adultos, que devemos ajudar as crianças nessa tarefa de dar um nome às emoções, porque só identificando o que elas próprias sentem poderão aprender a reconhecer as emoções alheias e, consequentemente, a colocar-se no lugar dos outros. É a falta de ferramentas para compreenderem o que estão a sentir que leva muitas das vezes a birras e a situações descontroladas.

*Há alturas em que pode dar-lhe vontade de fazer uma birra ainda maior mas calma… respire fundo que passa!

 

  1. Comunicar de uma forma eficaz

Às vezes não entendemos muito bem o que as crianças querem comunicar e, por outro lado,  elas também nem sempre compreendem o que nós lhes estamos a transmitir. Supomos que nos compreendemos mutuamente, o que nem sempre acontece. Estas barreiras de comunicação podem levar a mal entendidos. Devemos ouvir ativamente o que as crianças estão a transmitir e sermos claros quando falamos com elas.


*Neste caso o bebé tentou de tudo mas o pai não estava sintonizado!

 

  1. Envolver-se nas atividades das crianças

Não há melhor forma de nos aproximarmos das crianças do que partilhar os seus interesses. Brincar, jogar com elas, dançar, ler uma história, fazer desenhos juntos… são atividades que devemos fazer com as crianças sempre que possível. Esses momentos de partilha são oportunidades divertidas para criarmos com elas uma maior conexão.

*1… 2… 3! Vamos lá começar!

  1. Mostrar que os sentimentos e necessidades das crianças são válidos

As crianças precisam de entender que os sentimentos contam, que são importantes, mas ao mesmo tempo compreender que elas não são o centro do mundo. Como elas, há muitas outras crianças que também têm desejos e direitos. Elas ocupam um lugar importante mas é preciso que aprendam a respeitar os outros.

*Silêncio que a princesa quer cantar!!!

  1. Encorajar as crianças a encontrarem soluções para os seus próprios problemas

Muitas vezes temos vontade de dizer às crianças como devem resolver os seus problemas. Mas quando o fazemos não as estamos a ajudar a ganhar autonomia, independência e confiança nas suas decisões. É por isso que é tão importante direcionarmos a crianças a serem elas a encontrar soluções desde cedo. Um bom método é perguntarmos o que elas acham que resolveria a situação. Decidir leva-as a compreender que têm controlo sobre as suas vidas.


*Estes irmãos terão de ser bastante criativos para sair deste sarilho! 😉

 

  1. Focar o comportamento que queremos mudar e não a personalidade da criança

Quando uma criança se comporta de uma forma desadequada, devemos sempre manter o foco no comportamento que queremos mudar e não na criança em si. Não devemos dizer “És preguiçoso/a” ou “És má/mau” porque as crianças acreditam no que lhes dizemos e interiorizam as críticas. Ela não é má, o seu comportamento é que pode ser melhorado!

*Muita calma nessa hora!

 

  1. Ajudar a criança a descobrir o que tem de especial

Cada criança é única e especial. Quando uma criança descobre o seu talento sente mais autoconfiança. O talento pode estar ligado à dança ou à música mas nem sempre devemos estar focados no mais óbvio. Saber cuidar de animais ou gostar de ajudar os outros permite às crianças desenvolverem competências sociais e a relacionarem-se melhor com o mundo que as rodeia.

*A Johanna já descobriu o seu!

  1. Incentivar o debate e a discussão

As crianças têm de praticar ouvir e falar. Estas oportunidades têm de ser dadas sempre que possível. Devemos incentivá-las a partilhar as suas histórias connosco e a tomarem decisões sobre atividades que as incluam.

  1. Ser um modelo

As crianças imitam os exemplos dos adultos. É importante estarmos atentos aos pormenores porque… elas estão! Uma criança aprende mais depressa a ter bons modos se palavras como “obrigado” ou “se faz favor” fizerem parte do seu dia-a-dia, da mesma forma que aprende que devemos respeitar os outros se vir que os pais ou os adultos que a rodeiam tratam os outros com respeito.


*Muito importante: mesmo quando parece que estão distraídas, as crianças estão a ouvir tudo!

  1. Respeitar a criança

Respeitar a criança, os seus gostos, o seu espaço e o seu próprio ritmo, é respeitar a sua natureza. A criança está aprender aquilo que a experiência de vida nos ensina há muitos anos. Orientá-la nesse caminho, com respeito, amor e dedicação é a chave para criar um ser humano que sabe colocar-se no lugar do outro, que é altruísta e positivo perante os desafios da vida, mesmo nos momentos mais adversos.

PS – Tem outras sugestões?

 

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Recentemente, um pai dizia-se assustado, porque o colégio do filho (neste caso seguidor da pedagogia Waldorf) deixava as crianças subirem às árvores. Contudo, dizia conseguir compreender que era uma forma das crianças aprenderem com a queda. Reflectindo um pouco sobre esta questão, é fácil entender o registo em que nós, pais, ainda vivemos. Seja porque a deixamos subir para cair, seja porque não a deixamos de todo subir, assumimos à partida que a criança não consegue. Aparentemente, o sentimento que está na base da nossa escolha, enquanto educadores, é o de que a criança não é capaz. E assim lidamos com os nossos filhos, como se tivéssemos a certeza do seu fracasso ou incapacidade de viver determinadas situações.

E se pudéssemos olhar para as coisas num outro ponto de vista? Algo me diz que, se naquela escola se levasse uma criança ao hospital semanalmente, as coisas seriam diferentes. E se aceitarmos que, na realidade, as crianças podem subir às árvores, porque os educadores acreditam, pura e simplesmente, que elas são capazes de o fazer sem se magoarem? E, de repente, já não se trata de ensinar ou proteger, mas sim, libertar as crianças para que elas possam fazer o que verdadeiramente já são capazes de fazer. Nós ainda acreditamos que o nosso papel é, essencialmente, o de limitar e impedir. Nós ainda acreditamos que ensinar é pela negativa. A lógica ainda é a de que, se subir à árvore, a criança vai cair, e por isso vai aprender. No entanto, cada uma daquelas crianças está, sozinha, a aprender a subir, a agarrar-se bem,  a colocar os pés nos sítios certos (ou seja a proteger-se), a superar-se, a conhecer as suas potencialidades e capacidades, a acreditar em si mesma e, com isto tudo, ainda se diverte!

Nós, pais, dificilmente conseguimos deixar tudo isto acontecer, porque limitamos o mundo das nossas crianças, à partida e de acordo com os nossos próprios medos. Uma árvore é hoje assustadora, e falo por mim, que ficaria com o coração nas mãos se visse a minha filha a subir a uma árvore (ainda que o tivesse feito eu mesma, na infância). Mas na verdade, esta dificuldade dos pais em confiarem nas capacidades dos seus filhos, vai muito além – “Não corras que cais”, “não subas no banco”, “ainda não consegues comer sozinho”, “não sabes… não podes…”, são frases frequentes.

Há relativamente pouco tempo, a minha filha de 3 anos, disse-me “eu entro sozinha na banheira, mãe“, eu respondi-lhe, claro, para ela esperar um bocadinho que eu já a ajudava (assumindo à partida que ela ainda não conseguia). Quando me virei, já ela estava dentro da banheira e, com um sorriso enorme disse-me “vês mãe, eu consigo, eu disse-te”. Se dependesse de mim, estaríamos as duas mais uns valentes meses sem saber que ela já era capaz. Noutra situação, seguíamos na rua, com chuva, e ela decidiu passar entre dois postes mais apertados. Apressei-me logo a dizer-lhe, “filha, não consegues passar aí com o chapéu de chuva, anda por aqui…”, ela olhou em frente, parou, girou o chapéu e passou. Olhou para mim, feliz com o seu sucesso e lá me disse “eu consigui, mãe”. E eu pensei para mim mesma, “perdeste uma oportunidade de ficar calada…“. Deve ser muito estranho para uma criança ouvir um adulto dizer-lhe que ela não consegue fazer uma coisa, quando ela acredita, e sente, que consegue.

Em contrapartida, a minha filha começou a andar aos 9 meses porque acreditámos e deixámo-la experimentar. Logo depois, decidiu que andar não tinha piada e começou a correr para todo lado. Coração de mãe sofre, mas não lhe podia dizer que ela não era capaz! Começou a comer de talheres muito cedo, porque eles sempre estiveram lá, para quando ela quisesse experimentar. Deixo-a experimentar bastante, mas tenho plena consciência de que ainda a limito muito, baseada na minha crença (muitas vezes errada) de que ela ainda não é capaz sozinha.

As crianças não precisam de aprender a ser crianças, nós é que estamos a aprender a ser pais. Por isso é que vivemos tantas vezes inseguros e assustados. Por isso, os limites devemos impô-los a nos mesmos e estes devem ser definidos por uma auto-análise cuidada dos nossos receios (por vezes infundados), e da nossa necessidade de controlar a realidade dos nossos filhos. Porque a crença de que os estamos a proteger e a ensinar, esconde muitas vezes o medo que temos de falhar na sua protecção, e o medo de não sermos pais suficientemente bons. E com isto, pecamos muitas vezes pela sobre-protecção, e por nos substituirmos a eles na sua experiência da vida e do mundo.

Deixar o nosso filho correr para a estrada? Claro que não, somos adultos e perfeitamente capazes de usar o bom senso. Precisamos, acima de tudo, de perceber quais são os limites que fecham os nossos filhos numa sensação de incapacidade contínua, e distingui-los daqueles que efectivamente lhes permitem perceber que nós estamos cá para os proteger. O nossa responsabilidade não é só de impedir. É, muito mais ainda, de permitir e promover as conquistas. Precisamos, acima de tudo, de confiar nas nossas crianças, para que elas não acabem por perder a confiança que lhes é inata.

Por Ana Guilhas para Up To Kids®
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Crianças transgénero. Uma palavra que nos assusta, seja pela estranheza, seja pela conotação muitas vezes dada. Crianças transgénero são crianças cujo expressão ou identidade de género é diferente da esperada tendo em conta o seu sexo biológico.

Falamos de crianças transgénero, por exemplo, quando uma criança rapaz brinca com bonecas, gosta de se vestir com vestidos ou prefere praticar ballet. Muitos cuidadores não veem (e bem) nisto qualquer problema em termos de desenvolvimento. Outros ficam assustados, com receio de que seja um indicador da orientação sexual dos filhos. No raciocínio de que “quer vestir vestidos e ir para o ballet? É gay”, reprimem os filhos, ensinando-lhes que é “errado” comportarem-se assim (muito baseado no pressuposto infeliz de que “ser gay é mau e/ou inferior”, (o que dará matéria para outro artigo).

Com efeito, a literatura indica-nos que o principal grupo que inflige maus tratos às crianças é o familiar, principalmente familiares mais próximos. Acontece que, muitas vezes, os cuidadores não estão preparadas para aceitar a expressão ou identidade de género não normativa dos seus filhos, o que pode desencadear, por um lado, sentimentos de culpabilização dos pais e conflitos no sistema conjugal (caso um dos pais integre mais facilmente estas questões) ou, por outro, rejeição do membro da família que seja transgénero.

Ler também Nós somos as mães dos homens de amanhã: Educar para a igualdade de género

Desfazendo a primeira confusão, criada com base nos estereótipos existentes: a orientação sexual é independente da expressão/identidade de género. Isto significa, por exemplo, que um rapaz gostar de vestir saias em nada indica qual é a sua orientação sexual. Impedi-lo de se expressar porque “é isto que os meninos/meninas fazem são” apenas o vai tornar mais triste e ensinar-lhe que é errado ser quem ele é.

A importância da família, enquanto instituição social responsável pela transmissão de competências sociais e morais às crianças e aos jovens, é inquestionável. Deste modo, uma comunicação efetiva no âmbito de uma relação positiva é essencial para a promoção de práticas parentais mais adaptativas. No que concerne a vivência de questões de expressão e identidade de género, estudos sugerem que tem um impacto significativo no desenvolvimento destas crianças e jovens, nomeadamente no seu ajustamento psicológico, perceção de suporte e envolvimento no meio social.

Para pais que possam ter dúvidas ou sejam curiosos, deixo-vos dois artigos interessantes de  ler, um com testemunhos na primeira pessoa  e um outro com alguns dos principais mitos sobre estas questões de género.

Andreia Pires Pereira, Psicóloga Clínica da Horas de Sonho, apoio à criança e à família,
para Up To Kids®

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imagem@Luís Nobre

O nosso sistema límbico, ou seja, o “centro das emoções” – tão bem ilustrado no filme DIVERTIDA–MENTE, permite-nos fazer a distinção entre o que é agradável ou nos causa desprazer e desenvolver ações em conformidade como que sentimos. É a zona do nosso cérebro que comanda muitos dos comportamentos necessários à nossa sobrevivência.
O modo como reagimos é alavancado por emoções, como medo, ódio, alegria, tristeza (entre tantas outras). São processos intrapsíquicos, que se expressam pelo sentir, pela linguagem verbal e corporal e estão estreitamente relacionados com as funções cognitivas (memória, atenção, pensamento e linguagem). O “centro das emoções” vai influenciar a maneira de ser e a capacidade de raciocinar, ou seja, tem impacto em alguns aspetos da identidade e da personalidade de cada pessoa.

Apesar de parecer paradoxal, algumas emoções tidas como negativas podem ser positivas. E aqui identifica-se um importante “mediador” – o córtex pré-frontal. Esta zona do cérebro processa várias funções, incluindo o controlo funcional das emoções. Dito de outra forma, é responsável pelo desenvolvimento do juízo crítico e do autocontrolo. Não tem a ver com o saber se é o correto (a criança até pode saber que não é a melhor atitude), mas com a capacidade de fazer o correto. O córtex pré-frontal permanece em desenvolvimento por mais de 20 anos e muitos adultos não chegam a conseguir uma maturidade saudável. Estando em desenvolvimento a regulação do pré-frontal, outras zonas, entre elas a amígdala cerebral (muito associada a situações de explosão de raiva), tornam-se dominantes o que, dentro de certos parâmetros, é perfeitamente normal e esperável em crianças e adolescentes.

Mas a raiva tem o seu lado positivo. Funcionando como antídoto do medo, permite avaliar as situações, distinguindo o que é benéfico do que é prejudicial para nós ou para os outros. A título de exemplo, imagine que vai de viagem e o seu carro e não tem indicador de fim de gasolina. A qualquer momento pode ficar sem combustível e sem poder continuar a viagem. A raiva funciona, de certo modo, como esse indicador da reserva. Sinaliza que alguma coisa não está a correr bem e que algo necessita de ser feito. Regra geral, crianças que têm crises frequentes de raiva são crianças em que a angústia e a tristeza predominam e pode significar um pedido, latente, de ajuda.

Tristeza e alegria andam lado a lado e uma não existe sem outra. Por estranho que possa parecer, muitos momentos bons, em que a criança se sente amada, acarinhada e suportada, ficam “gravados na memória” como resultado de alguma situação menos positiva (uma queda, por exemplo). No entanto, sociedade atual está cada vez mais orientada para o prazer e para a recompensa imediata. Somos diariamente bombardeados com a necessidade de ser, permanentemente, felizes, a qualquer custo e em qualquer circunstância. As crianças estão a crescer num contexto em que apenas a alegria importa e não aprendem a sentir a perda e a frustração. Os pais compram um jogo e após algumas jogadas o filho perde o interesse, ao que os pais compram um jogo novo para reforçar e dar continuidade ao prazer da criança. A criança faz birra ou fica irada porque quer um gelado, apesar de saber que a regra é comer gelados apenas ao fim de semana. Os pais, também eles orientados para a ideia de que sentir alegria é o que mais importa e não estando preparados para lidar com a raiva dos filhos, não são capazes de os frustrar, mantendo o que está acordado.

Mas é, precisamente, o afeto balizado pelas regras, o facilitador, “a ponte” nas ligações entre o córtex pré-frontal e amígdala cerebral. No fundo, é o amor e o desejo manifesto dos pais pelos seus filhos, associado aos limites que consideram ser os adequados, que permitem o estabelecimento das ligações neurais que promovem o tal juízo de valor e o autocontrolo emocional.
Este afeto balanceado, a que podemos chamar de cuidado, é o “alimento” do nosso sistema límbico e leva à concretização ou à inibição de condutas adequadas e ao desenvolvimento de comportamentos, mais ou menos, saudáveis.

Se puder, não deixe de ver o filme e aproveite para discuti-lo com o seu filho, explorando as várias componentes: a afetiva (o que foi sentido), a expressão verbal e facial dos vários estados emocionais e as respostas ou comportamentos que se verificaram.

imagem@saudeinfantil

É o mais difícil para qualquer mãe, e ainda mais para as que são galinhas, como eu.

Junho é o mês do fim do ano letivo. A euforia das crianças pelas férias misturadas com a ânsia dos pais, que sonham com dias em família e descanso, sem a correria de todos os outros meses do ano.

Junho é o mês das plataformas sociais e de todos os telemóveis se encherem de baba de mães, pais e avós com os feitos dos seus filhos.

Uns preparam-se para o 1º ano. Outros, já sabem ler e seguem para o 2º ano, convictos de uma maioridade, que graças a Deus ainda tarda. Outros já passam para o 5º ano, mudando muitas vezes de escola, e colocando aquele friozinho no coração de mães e pais.

Junho é o mês do equinócio do Verão, mas é também o mês em que as mães percebem que têm de abrir um pouco mais as suas asas. Aquelas que fecharam para proteger os filhos, mal eles nasceram e precisaram de sentir o calor e o cheiro do seu corpo.

É o momento em que se toma ainda mais consciência do quanto o ano letivo foi levado a correr entre o trabalho, a escola e as atividades extras, e passou a correr com os filhos a crescerem.

Não é que não tenhamos noção disso com o passar do tempo. Mas é naquele momento da festa de final de ano, em que os olhamos e os vemos tão cheios e orgulhosos de si, que sustemos a respiração por segundos… e num misto de amor incomensurável e de um sentimento de missão cumprida, que percebemos que as nossas crias já estão cada vez mais preparadas para o dia em que voarão do ninho.

É tão bom vê-los crescer.

Aquece-nos tanto o coração e faz-nos dar tanto sentido à vida.

Mas, ao mesmo tempo, é aquele momento em que percebemos que a fugacidade da vida nos pode pregar uma partida. Aí despertamos do stress da rotina do trabalho, para a magia de ter dado vida a outra vida.

O mês de Junho é mês de mudança de estação, mas é também momento de mudança em todos os corações de mães e pais.

É o mês de pararmos e cairmos em nós com a consciência de que a jornada é mais importante que o destino, e que a vida é para ser vivida e saboreada um dia de cada vez. Com momentos doce e amargos. Mas sempre saboreada, pois só temos uma oportunidade para o fazer.

Por Irina Gomes, para Up To Kids®
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Um dia quando fores crescida…

Hoje conversámos sobre a velhice. Disseste-me que vais ser minha amiga para sempre. Que vais cuidar de mim nessa época em que eu já não terei mãe para o fazer. Fizeste-me uma festinha na cara e eu prometi-te que serei uma velhinha fixe. Sempre tua amiga. Tal e qual como somos agora. Só que nessa altura terei muitas rugas e tu serás grande, tão grande como só tu saberás ser. “O que são rugas, mamã?“ Explico-te que são as pequenas marcas que a vida vai deixando no rosto das pessoas à medida que envelhecem.

Falaste dos filhos que irás ter um dia. Perguntei-te se poderei ajudar a tomar conta desses seres de amor e luz que estão por vir e tu sorriste e respondeste que sim…
Que há tantas coisas que eu posso vir a fazer para ajudar. Olhaste para os lençóis que nos embrulhavam e lembraste-te que posso fazer a cama dos teus bebés. Beijei esse teu narizinho pequenino. Como eu gosto de beijar esse teu narizinho e de te fitar enquanto o coças e afastas os cabelos dos olhos.
Fecha os olhos, meu amor… Dorme só um bocadinho aqui ao meu lado…” Lembrei- me de mim própria há muitos anos atrás. A tua avó a querer que eu dormisse a sesta e eu, com tanto caminho pela frente, com tanta pressa para me fazer à estrada, fosse para saltar de pés juntos para o meio das poças de água ou para levantar poeira na terra seca, pensava que não havia nada pior para se fazer ao tempo do que dormir.
Abraçámo-nos. Viajas comigo até às minhas primeiras recordações enquanto me deixas espreitar esse futuro cheio de possibilidades de encanto que hás de viver. E é uma paz que sentimos…

É sábado à tarde e hoje podemos ficar neste sossego. Não tarda a vida terá passado por nós e acordaremos deste sonho doce. Fecha os olhos, meu amor. Mas antes tira uma fotografia a este momento tão nosso. Fixa as cores, os tons da luz que entram pela janela e o perfume da cama feita de lavado. Sente o calor do nosso abraço, o toque da minha mão e a ternura em cada beijinho que te dou. O tempo vai passar por nós e vai deixar as suas marcas nos nossos rostos e nos nossos corações. Mas sempre que sentires muitas saudades do que ficou para trás, podes fechar os olhos e regressar a este quarto.

Estarei aqui à tua espera para te abraçar.

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Ожидая / Waiting from Vera Myakisheva on Vimeo.

Por Susana Pedro, Blog Coração da minha vida, fundadora da Sociedade do Bem
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Uma das coisas que a filosofia para crianças me tem mostrado é a riqueza de ser diferente. Numa educação massificada e com pouco espaço – falo até de espaço físico nas salas de aula – para atender aos pedidos particulares de cada aluno, as aulas ou oficinas de filosofia permitem que essa riqueza flua, naturalmente.

O Frederico – Fred para os amigos – é um menino diferente. Ainda que nada conste a seu respeito em termos de défice de atenção ou um síndroma com um nome mais ou menos conhecido. É diferente. Raramente participa nas aulas, prefere ficar a fazer outras coisas. Quando consigo captar a sua atenção, celebro intensamente. Os seus colegas reconhecem a dificuldade do Fred, em se focar nas actividades.

Lembro-me de ter recusado à turma o pedido para trocarem de lugares: por vezes, tínhamos essa regra, a de trocar de lugares, mas estava sempre sujeita a aprovação, tendo em conta a reflexão que fazíamos sobre o comportamento do grupo e a sua colaboração nos trabalhos para pensar. Naquele dia, recusei a troca de lugares. O Fred entrou no seu registo agitado, recusando participar nas tarefas. Levantou-se e começou a incomodar os amigos. A Sandra, uma menina da sua turma, disse: “Fred, senta-te aqui comigo. Fazemos um quantos queres juntos”. Resultado: o Fred acabou por trocar de lugar.

O Vicente insurgiu-se: “Joana, disseste que não podíamos trocar de lugares, hoje! E o Fred trocou!” Nem precisei dizer nada. Mais uma vez, foi um dos alunos a evidenciar algo que é muito óbvio e que tantas vezes esquecemos. O Carlos disse:

“Sabes, Vicente, às vezes temos que usar regras diferentes, pois somos todos diferentes. Temos que nos adaptar.” E piscou o olho ao Vicente.

A aula prosseguiu tranquila e até conseguimos – eu e os alunos – com que o Fred estivesse efectivamente presente nos trabalhos, a colaborar na medida do seu interesse.

Esta diferença existe – e é muito rica. É evidente, ainda que nem sempre consigamos reparar nela, pelos mais diversos motivos. Pais, educadores e professores deverão fazer um esforço diário para que esta diferença não se esbata. Claro que queremos que todos os meninos tenham direitos iguais – o que não queremos é que sejam iguais, protagonistas de uma identidade amorfa e sem textura, sem riqueza.

Joana Rita Sousa,
para Up To Lisbon Kids®

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