Há hoje uma geração de crianças que desde muito tenra idade está habituada e (não raras vezes) viciada na utilização de tablets. Os pais, eles próprios cada vez mais dependentes de tecnologia, estimulam o uso destes dispositivos, que agora estão já a entrar na cama dos mais novos, apesar de todos os alertas, revelou um estudo da britânica Childwise que acompanhou os hábitos de 1034 pais de crianças com idades entre os seis meses e os quatro anos.

O Monitor Pre-School Report, citado pelo Daily Mail, concluiu que uma em cada 10 crianças com menos de quatro anos fica ‘colada’ ao monitor de um tablet a ver programas infantis na cama, apesar de as recomendações dos especialistas serem claras: a cama das crianças deve ser totalmente livre de qualquer dispositivo electrónico. Aliás, nas horas anteriores ao momento de deitar deve mesmo evitar-se ao máximo o uso de aparelhos electrónicos, nunca esquecendo que crianças até aos dois anos não devem de todo ver televisão nem usar tablets.

Conclui ainda o mesmo estudo que cada vez mais crianças em idade pré-escolar [3-5 anos] usam os telefones dos pais para aceder a aplicações e muitos deles têm mesmo o seu próprio tablet ou consola de videojogos.

Com o acesso a programas e jogos infantis cada vez mais facilitados na televisão e tablets, muitos pais recorrem-lhes para ajudar os filhos a adormecer. Mas a preocupação de adição a estes dispositivos é cada vez maior para os especialistas.

O estudo concluiu que nunca os bebés viram tanta televisão como agora, estando já numa média de 2.6 horas por dia, um aumento que se deveu nos últimos anos também à possibilidade de escolher na televisão os programas que se quer ver.

Aos dois anos, a maioria das crianças já está a usar tecnologia, sendo que quase todas aos quatro anos têm acesso total”, lê-se no relatório.

Um especialista em saúde infantil da britânica Royal Society of Medicine, Aric Sigman, apelou aos pais que “parem de estar constantemente a verificar os e-mails nos telemóveis em frente das crianças para tentar travar esta obsessão com tecnologia.

 

Notícia publicada no Sol, a 18.09.15

São várias as características que nos distinguem dos animais. Diz-se que somos seres racionais porque pensamos, conseguimos comunicar de uma forma única utilizando a fala, somos capazes de ter consciência do que já passou e de adequar o nosso comportamento mediante situações que ainda nem sequer aconteceram. Somos capazes de realizar operações complexas, construir os instrumentos mais espantosos e mudar o mundo consoante as nossas necessidades. Entre muitas outras coisas.

No entanto, na minha opinião, a competência mais importante que possuímos é a capacidade para controlar o nosso próprio comportamento. Esta capacidade é muito importante, não tanto pelo que escolhemos fazer, mas principalmente pela inibição de comportamentos que escolhemos não ter.

Como animais, nascemos com reflexos e impulsos biológicos os quais, durante os primeiros anos de vida, não conseguimos inibir. Um bebé que tem fome chora, uma criança enraivecida agride, uma criança com sede pede água. São impulsos internos que não conseguem inibir. Por isso agem impulsivamente. Trata-se de comportamentos definidos biologicamente e ainda não controlados conscientemente.

Uma das tarefas da educação passa por treinar o adiamento e a inibição de muitos destes comportamentos. Desde que nasce, o bebé vai aprendendo a controlar o impulso de dormir, a adiar o impulso de fome ou sede e a inibir impulsos agressivos. Tudo isto faz parte da educação que lhe damos. E leva muitos anos a adquirir. É esta aprendizagem que lhe vai permitir, mais tarde, esperar até à hora da refeição para comer, inibir a vontade de ir brincar para pôr a mesa para jantar ou adiar a vontade de ir passear com os amigos para poder estudar para um exame.

A criança que escolhe não olhar para o que se passa na rua para terminar o trabalho que está a fazer; o jovem que escolhe não mergulhar num sítio perigoso apesar do calor que sente; o adulto que escolhe não agredir apesar da raiva que o fazem sentir são exemplos de comportamentos inteligentes, treinados durante anos e resultado desta capacidade fantástica que é a inibição de impulsos. Escolher não fazer também se aprende.

Na minha prática clínica constato que muitas das crianças que tenho acompanhado têm sérias dificuldades no treino desta competência e, por esta razão, opto por fazer este treino com todas elas. A capacidade de inibição de impulsos é, provavelmente, das competências mais importantes, mais abrangentes e mais determinantes para o sucesso da sua vida futura.

Kátia A. Santos, Psicóloga Clínica, para Up To Kids®
Todos os direitos reservados

Como mãe estou preparada, ou assim o espero, para ver a minha filha ganhar asas e voar livremente, sozinha, enquanto descobre o seu caminho por si.

Pretendo dar-lhe as ferramentas necessárias para que faça as suas escolhas, mas tenho alguns receios que acredito que são transversais à maior parte dos pais:

Não poder acompanhar o crescimento de um filho
Quero estar por perto para presenciar as conquistas, das mais pequenas às mais significativas, os erros em que todos caímos, as certezas que se irão solidificar, a pessoa em quem se vai tornar. A simples possibilidade de (uma de nós) estar ausente deixa-me um aperto no coração.

Que um filho fique verdadeiramente doente
Sempre admirei os pais que acompanham filhos doentes – seja qual for a doença – a sua devoção, fé, coragem, mesmo quando as perspectivas são más. Ninguém está preparado para não conseguir proteger um filho de algo grave, que foge ao seu controlo, ninguém ensina como se deve agir. A minha consideração é gigante e desejo do fundo do coração não ter de passar por isso e que um dia esta realidade seja uma raridade.

Ver um filho fazer (más) escolhas que lhe condicionem a vida
Os nossos filhos, por mais que sejam parte de nós e tenham o nosso sangue a correr nas veias, são (ou serão um dia) seres pensantes independentes, com as próprias dúvidas, convicções e vontades. Todos nós, mais tarde ou mais cedo, tomamos más decisões. Torço para que sejam sempre lições – para os filhos e para os pais – e que no fim haja sempre uma luz para iluminar o caminho.

Ter uma má relação com um filho
É daquelas ideias que parecem impossíveis, mas se olharmos em volta vemos todos os tipos de relações, das mais cúmplices às mais esvaziadas de sentimentos. Nenhum pai sonhou um dia não ter uma relação próxima com um filho, não ser procurado numa situação de aperto, não ser um bom ouvinte, um bom companheiro. A vida às vezes encontra maneira de dar a volta ao que tínhamos como certo e torço para que se consiga sempre dar a volta à vida e alimentar da forma mais saudável e verdadeira a relação mais importante das nossas vidas.

Ter um filho cobarde
A cobardia tem muitas faces: está na violência doméstica, está no bullying, na cumplicidade e silêncio de quem assiste a uma injustiça e nada faz, está no seguir os outros porque não temos coragem para mostrarmos quem realmente somos, etc. Espero que os princípios mais importantes fiquem sempre gravados na cabeça e no coração dos meus filhos, para que por mais que errem, nunca sejam os cobardes que infligem sofrimento propositado a quem os rodeia – e em si mesmos.

Não conseguir ajudar um filho
Seja em que situação for, por falta de dinheiro, de tempo, de sabedoria, de “ferramentas”… Que nunca falhe a um filho meu.
Não controlamos nada. Somos pais mas continuamos a ser filhos e temos uma rede de relações que se deve basear no amor. Acredito profundamente que quando há amor se encontra a força necessária para ultrapassar tudo. Os dias menos bons. Uma notícia inesperada. As saudades. Aquele telefonema que andamos para fazer há uma série de tempo. A falta de paciência nos dias longos, o cansaço nos dias mais intensos.

Tenho muitos mais medos do que os que aqui admiti, mas não deixo que estes condicionem a forma como vivo a minha vida. Quanto muito permito que me ajudem a valorizar o que tenho e a investir no que não quero perder.

Porque nenhum medo deve ter o poder de nos impedir de sermos melhores: pais, amigos, namorados, filhos, colegas, seres humanos.

Porque nenhum medo deve ser maior que a esperança.

Nenhum medo deve ser maior que o amor.

Por Marta Coelho, para Up To Kids®
Todos os direitos reservados

imagem@weheartit

 

Brincar Devia Ser Obrigatório

“Será que não poderíamos pensar o tempo de brincadeira em família como uma actividade extra curricular?”

Chega o primeiro dia de aulas: choros, excitação, nervosismo, encontrar os amiguinhos, conhecer os novos, nova escola, rotinas novas. Nervos em franja, tanto para os mais pequenos como para os pais.

Depressa o tempo passa e após uma semana lá nos encontramos nas rotinas do costume. O stress de manhã, os apelos a que se despachem, não esquecer os lanches, não deixar as mochilas em casa. O trabalho para os pais, a escola para os miúdos e depois o regresso. Mas esta última viagem raramente é só da escola para casa: há que levá-los ao karaté, à natação, ao futebol, à ginástica, ao ballet, ao inglês, à música,… E depois ainda passar no supermercado para alguma coisa que nos falta das compras do fim-de-semana.

Chegados a casa, as tarefas do costume.

Fazer o jantar para os graúdos e os trabalhos de casa para os pequenos – “despacha-te a fazê-los, se queres ir brincar!”. Tomar banho, jantar, lavar dentes, vestir pijama, história e toca a dormir, que já se faz tarde. E tudo pronto para se repetir no dia seguinte. E logo, logo chega o Natal e outro ano começa, em que de entre as promessas para o novo ano se encontra o tentar passar mais e melhor tempo com as crianças.

E se tentássemos fazê-lo agora?

Será que não poderíamos pensar o tempo de brincadeira em família como uma actividade extra curricular?

Brincar devia ser obrigatório, não concordam?

Na quarta-feira (ou na segunda, ou na quinta, ou em outro dia qualquer) das 18h30 às 19h30 em vez de ir para o inglês, vai para casa brincar com os pais ou amigos. É gratuito e contribui para o bem-estar de todos. E “TPC’s” só depois da actividade, porque durante o tempo da natação também não se fazem trabalhos de casa.

Porque as actividades físicas e artísticas são importantes, mas o tempo de ser verdadeiramente uma criança em família também o é!

Fica o desafio!

Boas Brincadeiras!

  • que fosse adorar o cheiro a cocó do bebé. – Sim, do bebé. Importante dizer de quem, para não haver mal entendidos. Não ficamos loucas por cocó no geral. Não começa a ser um fetiche e começamos a querer chafurdar-nos nuas na areia dos gatos. Gostamos quando eles fazem cocó (já sei que nem todas) e, principalmente quando não comem peixe e ainda estão a leitinho, o cheiro é bom. Cheira a iogurte.
  • que me passasse o mau feitio de ser acordada tão cedo. – Ser acordada às 5h da manhã e não ser mais ordinária ainda que o Fernando Rocha? Ou ter uma cara de tão mau feitio quanto o Miguel Sousa Tavares quando lhe falta o tabaco? Só mesmo com uma criança e minha. Se fosse a criança do vizinho, talvez me tentasse espetar contra os botões do fogão.
  • que fosse passar a adorar andar. – Eu? Andar? Ui. Até no trabalho designávamos uma pessoa para ir buscar o almoço de todos ou, então, eu nem ia almoçar só para não ter que andar uns metros. Agora é maravilhoso. Calma, não “maravilhoso” como aquela primeira sensação de que emagrecemos quando experimentamos umas calças de ganga e nos ficam mais largas, mas aquele “maravilhoso” de… “olha… não morri!”.
  • que fosse passar a ter tanta fruta e vegetais em casa. – As minhas refeições resumiam-se a cereais (porquê “cereais” e não assumir logo Chocapic?) ou a Bolas de Neve ou a um bife de frango/perú (nunca os consegui distinguir até estarem descongelados) com imensa massa. De repente, tenho pêssego, manga, courgete, abóbora, gengibre em casa. O meu frigorífico está em choque.  Não tanto quanto todas as esteticistas nacionais com o bigodinho da Mariana Mortágua (e não é que também se nota no cartaz? É um statement? Percebo pouco de política…).
  • que achasse graça ter alguém a chamar o meu nome 43 vezes num minuto. – Ui! Se fosse um colega de trabalho a fazer-me isso, era espetar logo com metade de um bloco a3 de papel cavalinho pelo esfíncter anal (ou outro qualquer à escolha) acima ou abaixo, depende se estiver a fazer o pino ou não.
  • que fosse por as minhas mamas de fora na rua. – Nunca tinha feito topless, muito à conta de ter umas mamas assim para o feiosas. Digamos que não me punham num calendário do barbeiro sem ser vestida com um kispo da Duffy. Agora, não quero saber. Mesmo quando a Irene não está em casa, faço questão de andar com as mamas de fora, fico mais fresca. A verdade é que, amamentando, não sinto que esteja a despir-me, sinto que estou a alimentar a minha cria. Nem me lembro que são as minhas mamas. Até porque já não o são. Digamos que são… as suas vizinhas de baixo. Muito de baixo.
  • que fosse ter sempre uma pessoa a todas as horas na minha cabeça.  – E que essa pessoa não fosse a filha da “dona” da Zara que deve ter um armário do caraças. Passa a ser uma constante no nosso cérebro. Somos nós mais um bocadinho, não parece ainda ser separado de nós. É incrível. É como se fosse um furúnculo, mas mais amoroso e sem nada a ver.
  • que voltasse a querer estar grávida um dia. – Mesmo depois das últimas semanas tãaaao chatas do final da gravidez, mesmo depois de estar prestes a rebentar, das dores, dos xixis, das contracções, do parto, das noites mal dormidas, das preocupações, do cabelo a cair, dos pontos no pipi, do baby blues, das crises de choro, das crises de cansaço… querer repetir tudo e acreditar ser capaz de ser ainda mais feliz.

Ler também Se, antes de ter filhos, eu soubesse

Por Joana Gama, no Blog A mãe é que sabe,
autorizado para Up to Kids®

 

Enquanto mãe de três que trabalha a tempo inteiro, sinto que a gestão de tempo é essencial para conseguir fazer tudo a que me proponho.

O facto do Little Style reunir 60 marcas durante um fim de semana, possibilita a outras mães e mulheres no geral, com tão pouco tempo livre, conhecer a nova coleção e escolher os conjuntos e acessórios de que mais gostam. Roupa para o dia-a-dia, para festas, calçado, meias, laços, toucas e gorros, abrigos, colares, pulseiras e muito mais para bebés e crianças.

PieceofPaper

Para as mães, marcas giríssimas com propostas que vão adorar, o difícil vai ser escolher.dixo

Aqui é o local ideal para fazer as compras da nova coleção outono-inverno, já que reúne num só espaço uma seleção das melhores marcas de moda, acessórios e decoração para mães e filhos, num ambiente descontraído, entre sumos naturais, comidas saudáveis e saborosas, e atividades giras para crianças e workshops pais e filhos!

workshops

No que toca à moda infantil, o próximo outono-inverno veste-se de tons cinza e taupe, como o rosa, azul anilado, água e cru, para além do inevitável marsala. Cor em bloco, padrões com flores ou geométricos, as tendências são várias mas revestem-se de mais modernidade, menos folhos, golas e rendas.

rosa

Para os bebés os conjuntos em malha são um must-have, uma proposta super confortável e apetitosa, que deve ser conjugada com um body de golas redondas ou Peter Pan. As toucas e gorros com pompon são também essenciais para os mais pequenos.

foto_tuchique_bebeAs crianças entre os 12 meses e os 3/4 anos continuam com propostas essencialmente clássicas, com vestidos, túnicas, calções, jardineiras, tapa fraldas, camisas de gola à padre ou capuz, casacos e camisolas de lã nos tons e padrões da estação.
creiancas_bebes

Já os mais velhos, a partir dos 5/6 anos têm cada vez mais oferta de peças práticas, descontraídas e com muita pinta, nomeadamente sweat-shirts com prints, túnicas e camisas, jumpsuits e vestidos de corte trapézio.

tuchique_crianca

Vai assim haver muito por onde escolher, não só para bebés, crianças e adolescentes, dos 0 aos 16, mas também para as mães e tias. Será um fim de semana de compras muito tentador, sendo que para as mais indecisas o ideal será assistir aos desfiles de sábado e domingo às 15h30.

Dias 3 e 4 de outubro nas Cavalariças do Pestana Palace
Sábado 10h-20h e domingo 10h-18h
Jau, 54, Lisboa

Acompanhe as novidade em Little Style

Por Filipa Cortez Faria, do  Blog My Happy Kids, para Up to Kids®
Todos os direitos reservados

Agradecimentos imagens Little Style,
D.I.X.O.,
TuChique,
Piece of paper

 

Todos temos dias – e momentos – mais difíceis.

E termos a capacidade e a coragem suficiente para reconhecer as nossas próprias falhas é um dos desafios mais difíceis nesses em momentos.

Nós sabemos como funciona a paciência, a empatia – aliás quando estamos calmos, tranquilos e relaxados respondemos aos nossos filhos num tom correspondente. Mas há momentos em que parece que não conseguimos encontrar na nossa caixa interna de velocidades maneira de reduzir para uma mudança mais baixa. E numa fracção de segundo… excedemo-nos, erramos. Numa fracção de segundos – que é tudo o que é necessário – podemos provocar uma pequena – ou grande – fractura na relação com os nossos filhos. E pior, na sua estrutura emocional.

Aceitarmos que também cometemos erros – e muitos! – é uma das capacidades que melhor deve definir os pais.

Um pedido de desculpas é um dos actos mais nobres de um pai ou de uma mãe. Porque requer humildade, requer reconhecimento de que também se erra. Pedir desculpa aos filhos deve ser uma questão de honra.

É fundamental para a construção emocional dos filhos que os pais reconheçam quando reagem de forma excessiva. Devem arrepender-se das suas acções menos correctas e não ver qualquer tipo de ameaça em pedir aos seus filhos que os perdoem.

Pedir desculpa é um sinal de força, não um sinal de fraqueza. Pedir desculpa deve ser um acto cuidadoso e atento, quando os pais ferem os filhos de alguma forma. Porque todos cometemos erros, muitos deles sem nos darmos conta, não é verdade?

Saber pedir desculpa, dar esse exemplo, vai ensinar-lhes muito sobre a vida. Sobre o amor.

E não se trata de um pedido de desculpas seguido por uma justificação da acção. Mas um pedido profundamente honesto, sincero sem desculpas associadas. É assim que deve ser um verdadeiro pedido de desculpas para que seja válido.

“Desculpa se te magoei” ou “desculpa se feri os teus sentimentos” seguido de nada mais do que silêncio da nossa parte.

E depois de pedirmos desculpas, sabermos deixar os nossos filhos terem o tempo que eles precisam para aceitar as nossas desculpas.

Para quê ter medo que as crianças possam ficar mimadas ou estragadas ou que nos desrespeitem porque lhes pedimos desculpas? Antes pelo contrário. Vão respeitar-nos mais. Admirar-nos mais. O que estraga uma criança, o seu interior afectivo ou o que faz com que ela nos desrespeite são questões que se prendem com a carência emocional e com outros factores de desconexão parental ou relacional. Nunca com momentos de conexão, de compreensão ou de amor. E pedir desculpas aos nossos filhos é, sem dúvida, um acto de amor.

E porque é que nos custa tanto pedir desculpa aos nossos filhos?

Os pais que sabem pedir desculpa aos seus filhos sabem que eles vão crescer aprendendo a ser responsáveis pelas suas próprias acções. Vão aprender a humildade, a consciência, a empatia.

Desculpando-nos aos nossos filhos ajuda-os a perceber que não somos perfeitos. E isso ajuda os nossos filhos a entender que eles próprios não têm que ser perfeitos.

Desculparmo-nos perante os nossos filhos ensina-os a regular as suas próprias emoções, ensina-os a respeitarem-se a si próprios e, por consequência, a respeitarem os sentimentos dos outros. Pedirmos desculpa aos nossos filhos é mostrarmos-lhes que os amamos.

No entanto, muito mais do que isso, pedir desculpa permite que os nossos filhos percebam que estamos a escolher ser melhores pais, melhores pessoas a cada dia. E faz-nos a nós tornarmo-nos mais conscientes disso, também.

Quando estamos a trabalhar as nossas próprias emoções, modelamos para os nossos filhos um caminho para eles aprenderem a trabalhar os seus próprios sentimentos e reacções.

Os pais que têm melhores relações com os seus filhos são, sem dúvida os pais mais felizes e realizados. Numa casa cheia de empatia e compreensão, há maior cooperação e entendimento, há maior aceitação e felicidade.

Claro que um pedido de desculpas não apaga o que já está feito e não pode ser pretexto para um comportamento desnecessário ou excessivo com os nossos filhos. Precisamos de desenraizar a ideia de que somos donos e senhores dos nossos filhos e por isso, podemos fazer o que quisermos, falar como quisermos.

Se queremos ser pais mais felizes e que os nossos filhos cresçam mais felizes, temos de saber reconhecer que cada pequena acção, reacção ou palavra pode permanecer para sempre gravados nas gavetas da memória. Gravados no núcleo profundo do seu espírito emocional. E ele irá manifestar-se eventualmente. Imediatamente ou só mais tarde. Inevitavelmente. De uma forma ou de outra.

Há, infelizmente, muitas pessoas que passam a sua vida adulta a tentar curar as mágoas do passado. Eu li algures que, infelizmente, muitos adultos, mesmo sem estarem cientes disso, vingam a sua própria infância nos seus filhos. Pode parecer mórbido, mas é cheio de lógica e sentido. Eu podia escrever muitos artigos e livros só acerca deste assunto.

Talvez a sua infância não tenha sido fácil. Provavelmente não foi. E essa é mais uma razão pela qual estas palavras sejam para si.
Para ajudar a entender que o caminho que está a escolher diariamente, mesmo que inconscientemente, com seus filhos, é um resultado de seu próprio passado. A nossa resposta ao comportamento de uma pessoa ou a uma situação é activado pelas nossas próprias emoções, pelos nossos próprios sentimentos. As nossas respostas são movidas pelo nosso próprio diálogo interno e pelas experiências contínuas, repetidas que testemunhamos e registamos ao longo da nossa vida.

Devemos ficar muito atentos para não descarregar as desgraças do nosso mais profundo eu, as frustrações do nosso dia-a- dia nos nossos próprios filhos. E nunca é demais frisar isto. A nossa jornada é a nossa jornada. E ninguém é responsável por transformá-la a não sermos nós mesmos.

Temos de saber pedir desculpas sempre que ferirmos os sentimentos dos nossos filhos de alguma forma. Sabemos bem ver nos seus olhos quando isso acontece.

As crianças são pessoas, seres humanos, antes de serem crianças. E muito antes de serem nossos filhos.  

Temos de aprender a respirar e a escolher a mudança abaixo na nossa caixa de velocidades. Temos de saber ignorar certas situações, levar outras para a brincadeira, ou pedir calmamente uma pausa, caso seja necessário. Não podemos culpar os nossos filhos quando somos nós que chegamos maçados do emprego ou estamos cansados e reagimos impacientemente com eles. Quando somos nós que passamos das marcas. Simplesmente não é assim que funciona. Nós é que somos os adultos. Não somos perfeitos mas temos de ser nós a saber regular as situações. A saber gerir as nossas emoções. Pode não ser fácil quando estamos mais cansados ou irritados, mas se nos treinarmos a fazê-lo, os resultados são espantosos e surpreendentes.

Os pais felizes vibram numa dimensão extraordinária, olhando para os seus filhos com empatia e conexão, tirando experiências e benefícios a partir de tudo o que aprendem com eles. E levam essas experiências e benefícios para o mundo lá fora, para as suas vidas diárias.

Nos seus momentos mais difíceis, lembre-se sempre de parar, respirar e perguntar-se: O que faria o amor?

 

imagem@ask.fm

Cuidar de Quem Cuida dos Nossos Filhos

Dizemos frequentemente que as crianças mudaram, mas ainda que isso possa ser em parte verdade, na realidade fomos nós, adultos, que passámos a ver a infância com outros olhos. Fomos nós que, revendo-nos em criança e perspectivando o nosso futuro, passámos a desejar mais e melhor.

Desta transformação nasceu uma sede de conhecimento, uma necessidade de tornar consciente o que se fazia por instinto, a ambição de desvendar os “segredos” dos nossos filhos, e de dominar as estratégias para o “perfeito” desenvolvimento da criança.

No percurso, por vezes, esquecemos a melhor e maior aprendizagem das nossas próprias histórias de vida, que é o que todas as pessoas que cruzaram o nosso caminho nos deixaram.

O que é que nos marca mais na infância?

Ainda hoje me recordo daquela professora de substituição, que vi poucas vezes, mas cujos cabelos longos de cor cinza nunca vou esquecer, “só” porque me disse, num tom doce, o contrário do que sempre ouvira até ali. “Tens uma letra tão bonita”. Essas palavras nunca mais me deixaram, nem a doçura e a sabedoria com que foram ditas.

O que mais marca as nossas crianças não são os conhecimentos e o domínio de todas as suas etapas de desenvolvimento. O melhor que lhes podemos dar, são experiências emocionais gratificantes, saudáveis e equilibradas. E isso só se consegue através de relações de afecto.

No momento de pensarmos em quem está a cuidar das nossas crianças, é certo que se devem valorizar requisitos gerais, como gostar de crianças, ser paciente, ser responsável, ser criativo e ter os conhecimentos necessários para exercer a profissão. Mas o que é que faz que cada um de nós esteja disponível para dar respeito, carinho e atenção a outra pessoa? O que nos faz ter a capacidade de ouvir? Se, por um lado, existem as características inerentes à nossa personalidade, a verdade é que podemos ser dotados das melhores “qualidades”, mas não estarmos capazes de fazer uso delas.

Quem Cuida dos Nossos Filhos

Quem trabalha com crianças, trabalha com a relação, e a nossa capacidade de nos relacionarmos é afectada pelo nosso bem estar geral e a nossa saúde mental em particular.
Para que uma pessoa se possa dedicar e realizar um bom trabalho com crianças, é importante que tenha condições físicas e ambientais para isso. É importante que o número de crianças pelas quais é responsável, seja adequado. É preciso trabalhar em sintonia com as famílias (demasiadas vezes pais e professores agem como se tivessem interesses opostos). É preciso reconhecer e ver reconhecida a importância do seu trabalho.

Assim como em muitas outras profissões, quem trabalha com crianças tem que gerir na sua dimensão profissional as relações (tanto com colegas e chefias, como com as crianças e suas famílias), o desgaste inerente à própria actividade, factores de realização e/ou falta de reconhecimento e valorização do trabalho, factores da vida pessoal (saúde, finanças, conflitos familiares, etc.). No entanto, acresce a isto, um trabalho que envolve gestão de afectos, disponibilidade emocional e um agir (inevitavelmente influenciado pelo estado em que se encontra o cuidador) que resultam num maior ou menor bem estar das crianças.

Os professores, educadores e auxiliares.

É por isso que acredito que professores, educadores e auxiliares que amam, cuidam e respeitam as crianças, só o conseguem fazer se os respeitarmos, valorizarmos e cuidarmos. Professores, educadores e auxiliares que humilham, batem e por vezes até aterrorizam crianças, não é uma opção, e só acontece sob um olhar pouco atento (e cuidador) de todos nós.

Hoje, ultrapassámos a visão meramente funcional dos cuidados à criança, e não vivemos tranquilos apenas com o facto de um filho estar entregue a um adulto.
Faz sentido que sejamos mais exigentes na sua protecção (que é também a do nosso futuro). No entanto, querer mais, deve estar aliado a dar mais. Parece-me incoerente a crescente valorização da infância, com  uma simultânea desvalorização da função dos “cuidadores de infâncias” (amas, auxiliares, educadores de infância, professores, e tantos outros).

É importante continuarmos a preocupar-nos com o desenvolvimento físico e cognitivo da criança, sim. Mas, fundamental, é não esquecer a importância de um desenvolvimento emocional saudável.

É por isso que cuidar das nossas crianças é, também, estar atento e cuidar de quem cuida dos nossos filhos.

 

imagem@ifla.org

20 coisas que os meus filhos nunca vão perceber. Bem vindos aos anos 80/90!

Quando era mais nova lembro-me dos meus pais me contarem episódios que começavam com “No meu tempo…” Cheirava-me logo a anos 40/50, a histórias longínquas e desatualizadas, com o encanto de imaginar o meu pai com 6 anos, em África, a brincar na rua, tal como via na fotografia na sala de nossa casa. Parecia que, da infância deles à nossa, tinham ficado centenas de histórias por contar.

Hoje, dou por mim a começar frases da mesma maneira. “No meu tempo…”

Os meus filhos gostam de saber.

Com os olhos a brilhar tentam adivinhar o que vou eu contar: serão aventuras como andar de bicicleta sem que ninguém soubesse do nosso paradeiro, ou serão coisas que me passam pela cabeça como “Menina, que polos conhece? – Polo Norte, Polo Sul e Polilon!”. 1, 2, 3, diga lá outra vez: de onde vem esta famosa frase?

 

A pensar nestas conversas, resolvi compilar 20 coisas que os meus filhos nunca vão perceber… Bem vindos aos anos 80/90!

 

1.A Televisão era a preto e branco.

Só tinha dois canais, e o mais parecido com controlo remoto para os nossos pais éramos nós: “Vai lá ver o que está a dar no 2”. Não existia zapping, e se algum visionário se lembrasse de alternar entre canais fazia, quando muito, ping pong.
tv2

Mais tarde um asterisco que piscava no canto do ecrã indicava que estava a começar um programa no outro canal.

2. Fazer viagens Lisboa-Algarve pela Estrada Nacional.

Sem cintos atrás, e ficar horas no trânsito com temperaturas a roçar os 40 graus, sem ar-condicionado. A paragem obrigatória era em Canal Caveira ou Mimosa e não era para fumar um cigarro. Os cigarros fumavam-se dentro do carro, ao longo da viagem. Para os mais novos, cigarros de chocolate para agarrar entre dedos e ir comendo, powered by “próprios pais”.

3. TV a cores e Eurovisão

Assistir pela primeira vez ao festival da canção numa televisão a cores com toda a família e os amigos dos pais.

Sim, marcavam-se convívios para viver momentos especiais, e este foi um deles.

4. A mira da televisão antes de abrir a emissão

Acordar ao sábado de manhã para ver bonecos animados, e o desapontamento de ficar 1h a olhar para a mira da RTP porque a emissão ainda não tinha começado.

mira

A excitação do início da emissão era tanta que até dançávamos ao som da orquestra de abertura (Este video é mais antigo, mas não arranjei com a mira dos anos 80, gozem só a orquestra).

 

Falar ao telefone sem poder sair do mesmo sítio e enrolar o dedo à volta do fio durante a conversa.

Quando a ligação não estava boa, trocávamos o telefone de orelha. Quando queríamos telefonar para casa de um amigo, tínhamos de saber falar ao telefone: cumprimentar, identificarmo-nos, e perguntar, “A Ana está?”

5. Colecionar borrachas com cheirinho, folhas queridas, caricas, berlindes, latas de bebida, ou pedras.

vorrachas6. Querer telefonar para os amigos e ter um cadeado no telefone. Sim, já nos bloqueavam o teclado na altura, o método é que era um bocadinho diferente.cadeado

7. Para brincar bastava termos vontade.

Éramos pequenos Macgyver a improvisar brinquedos: fazíamos fisgas, cabanas, e arcos e flechas. Com pedras jogávamos à mosca, com um canivete (ups!) jogávamos ao mundo, com um elástico ou uma corda saltava-se. Com um fio fazíamos manobras de mãos e jogávamos ao pé de galo. Faziamos 3 covas e jogávamos Bilas ou Guelas.Só tinhamos de decidir se valia palmo e ganso ou não. Éramos incansáveis.  Sabíamos que os presentes se recebiam nos anos e no natal, e vivíamos bem com isso. A moeda que a Fada dos dentes deixava dava para comprar pastilhas Gorila, e era fantástico! (Até porque, também, colecionávamos os cromos dos aviões)
gorila

8. Saber esperar

Marcar encontros no cinema ou no café sabendo que não haveria hipótese de desmarcar caso surgisse um imprevisto. Esperávamos até que o outro aparecesse. Às vezes, quando o atraso era grande, íamos a um café ligar para casa:  “Quanto é que é cada impulso para chamada local?” – “Dois e quinhentos”. Nessa altura falávamos em escudos.

9. Assistir ao telejornal até ao fim, para ver as sessões de cinema que passava logo de seguida.

10. Load aspas aspas Enter.

Rezar que o jogo “entre”. Quando caía, afinava-se um parafuso no gravador e tentava-se novamente. Depois esperávamos uns 2 a 5 minutos para descarregar o jogo, numa espécie de hipnose provocada pelas riscas e sons que eram produzidos na televisão.


Poder jogar Pacman em casa… e depois Mrs. Pacman.

11. Ter uns headphones da Sony amarelos e rebobinar as cassetes com uma caneta bic para não gastar pilha.sony-walkman

11. Revelar fotografias

Pôr as fotografias das férias finalmente a revelar, esperar uma semana para levantar, pagar os olhos da cara, e não haver uma foto que se aproveite. O rolo tinha a “asa” errada e ficou com muita ou com pouca luz. Ou simplesmente abrimos a tampa antes de rebobinar, e ficou todo queimado!kodak

12. Gravar musicas da rádio

Esperar ansiosamente que passe a música preferida no rádio para pôr a gravar, e alguém falar a meio. Ou estar a gravar uma música e a cassete acabar: virar rapidamente para o outro lado, pôr no Rec e apanhar a parte branca da fita até ao fim da música.rec

13. Linhas cruzadas

Arranjar uma extensão de telefone gigante para conseguires falar com alguma privacidade. Estar ao telefone e ouvir um “arfar” na linha. Alguém em tua casa estava a ouvir a conversa no outro telefone (Esta para eles parece muito à frente!)

14. Trabalhos escolares (Calma, os TPC já existiam, só davam um bocadinho mais de trabalho a realizar)

Fazer um trabalho de pesquisa, para a escola, na biblioteca. Ter de consultar vários livros, e criar a apresentação em acetatos! (Graças a Deus já existia o retro-projetor!)retroprojetor

15. Videoclubes sem ser on-line

Esperar meses para que aquele filme que perdemos no cinema chegasse ao clube de vídeo. Conseguir alugá-lo ao fim de duas semanas esgotado, chegar a casa ansioso para ver, e a fita não estar rebobinada!
vhsOu gravar um filme no vídeo, e no dia que vamos ver… alguém gravou outro programa por cima.

16. Passar bilhetinhos nas salas de aula.

17. A primeira ligação à internet.

Aproveitar a extensão do cabo de telefone para fazer a ligação à internet no computador. O som que a internet fazia a ligar. O tempo que a internet demorava a ligar. A meio alguém resolvia fazer um telefonema, e adeus internet.

18. Ver a astrologia e os jogos no teletexto. (Isto já foi muito recente)teletexto

Lembra-se de todas estas coisas? De longe e de olhos vendados? Então vamos lá experimentar, feche os olhos e descubra de que são os 8 sons que estão na seguinte gravação! A seguir, faça o mesmo exercício com os seus filhos.

Veja quantos destes sons eles reconhecem!
Deixe o seu comentário!

Pontuação Filhos:
Até 2 respostas certas | Fantástico – Já andaste a ver vídeos no youtube sobre o século passado…!
2 a 4 | Afinal quantos anos tens?
4 a 6 | Uaaaauuuuu! Com esta pontuação também te deves lembrar da “Amiga Olga”, não?
6 a 8 | Agora a sério. Pontuação dos FILHOS! Não é a dos pais. Mas boa tentativa.

 

Por Up To Kids®
Todos os direitos reservados

Todas as imagens tiradas da net

Há dias tive uma experiência no parque infantil, que me ensinou uma importante lição de maternidade.
Fez-me pensar sobre a forma como eu reajo, respondo e trato outras mães e os respetivos filhos.

Eu estava nos baloiços a empurrar o meu filho de 1 ano, ao lado de outra mãe que empurrava a sua filha. Estávamos na conversa, quando uma menina que estava em cima de um brinquedo do parque começou a chorar, com medo, porque achava que não conseguia descer. Apesar dos seus gritos, aparentemente ninguém vinha socorre-la.

Olhe para aquilo…” – Comentou a outra mãe. “Como é que alguém deixa uma criança desta idade sozinha no parque? E se a miúda cai?”

Eu olhei para esta mãe, e para a criança. Depois olhei em volta para perceber quem era a mãe da menina. Percebi que estava do outro lado do parque com outros dois filhos mais novos.

Neste momento, das duas uma: ou juntava-me a esta mãe a criticar a situação, ou fazia qualquer coisa para ajudar.

Acha que vá lá ajuda-la?”, perguntei. Mas de repente a resposta pareceu-me obvia. “Eu vou lá ajuda-la!”, disse.

Deixei o meu filho no baloiço, afastei-me 15 metros, ajudei a miúda a descer e voltei. Depois, apareceu a mãe da menina com os outros filhos, e estavam a leste do que se passou.

Eu estou a partilhar isto agora, mas não para me valorizar. Aliás o que eu fiz nem sequer foi grande coisa. E gosto de pensar que se eu não tivesse ido lá, qualquer outra mãe teria ido, ou a mãe da criança teria aparecido antes que acontecesse alguma coisa má.

Eu estou a partilhar esta história porque eu apercebi-me de uma coisa: nós, enquanto mães, muitas vezes julgamos os comportamentos de outras mães de tal forma que perdemos a noção de senso comum. Uma criança precisava de ajuda, a mãe não estava suficientemente perto, e em vez de ajudarmos de imediato, ficávamos ali a dizer mal da mãe que deixou a criança sozinha no parque.

A mãe da criança, estava obviamente sem mãos a medir, sozinha com três filhos. Conhece-os bem e sabe que a sua filha é perfeitamente capaz de brincar por sua conta no parque. E apesar da miúda não conseguir descer do brinquedo, na verdade não estava a correr nenhum perigo. Mesmo que tivesse caído, não estava assim tão alto. E havia outras mães à sua volta que a poderiam ajudar caso fosse preciso.

A mãe que estava ao meu lado e que fez juízo de valores, é uma mãe de primeira viagem com uma filha. Com base na conversa que tivemos, e na forma como agiu no parque, é uma mãe bastante protectora. Para ela é difícil de perceber como é que alguém pode deixar uma filha a brincar livremente no parque, nem que seja por um minuto apenas. O juízo de valores que fez foi baseado no conhecimento e na relação que tem com a sua própria filha.

Provavelmente nenhumas das mães que estavam lá nesse dia se lembram desse episódio, mas é algo que me tem vindo frequentemente à memória. Foi algo que me definiu enquanto mãe.

Junto-me à outra mãe e critico, ou ajudo a criança? Aqui trata-se de fazer parte do problema ou da solução. Neste caso optei por ajudar. O meu plano é continuar a fazê-lo, até porque também eu por vezes preciso de uma mão extra.

Nós jogamos todas na mesma equipa. O que nós queremos é a felicidade e o bem-estar dos miúdos que nos rodeiam (e de todos os outros).

Vamos dar o beneficio da dúvida umas às outras, e sempre que uma criança estiver em apuros, tentemos ajudar em vez de criticar.

 

Por Mindy Raye Friedman para familyshare.com
Traduzido e adaptado por Up To Kids®

imagem@http://hdwyn.com/