6 Alimentos para hidratar o corpo e combater os dias de calor

Hidratar de forma adequada é imprescindível para mantermos o corpo e a mente sãos!

Os picos de calor conduzem frequentemente a situações de desidratação, que por vezes se confundem com cansaço ou irritabilidade.

Eis alguns alguns alimentos top que devem ser consumidos regularmente de forma a evitar o desconforto na época mais quente do ano:

1. Água

Nada mais simples para hidratar de forma equilibrada. Ter atenção à natureza, qualidade da água, características próprias no funcionamento do sistema renal, historial clínico.
O mais sensato será variar no tipo de água, escolher águas de boa mineralização, alterando com águas de nascente de menor mineralização, dessa forma não sobrecarregamos os rins nem criamos descompensações.

2. Sumos naturais (água de coco, gengibre, lima)

De sabor agradável e de elevado conteúdo em eletrólitos, são óptimos re-hidratantes. Importante não adicionar açúcar.

3. Infusões

(hibisco, rooibos, cavalinha, urtigas, hortelã,…)

Podem ser ingeridas como refresco ou como alternativa é possível fazer agradáveis e refrescantes gelados.

4. Melancia, meloa, melão, uvas, maçãs, pêras, pêssegos (aproveite a maior variedade de fruta desta época).

Óptima opção para um lanche prático fora de casa ou para uma agradável passeio, basta preparar a fruta numa caixa e  podemos assim desfrutar de um snack saboroso e nutritivo e hidratar o nosso corpo em simultâneo.

5. Alface, germinados, courgette, pepino, saladas.

Para uma refeição ligeira, são óptimos ingredientes, para além de hidratarem de forma eficaz.

6. Sopa de gaspacho

Pode compor uma refeição leve e surpreendentemente refrescante e que desperta os sentidos pela riqueza dos ingredientes (tomate, pimentos, ervas, especiarias).​

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Vá, agora com profundidade…

Vi que foi o máximo. Foi divertido. Queres voltar e tudo.
Encolheste a barriga para aquela foto (quem nunca?!), saíste de uma face rosada sorridente e fofinha, para um estado de histerismo em menos de um segundo (entre o clique da foto e o instante seguinte).
Vi que as gambas estavam lindas na foto, mas que passaste o tempo a “chorar” porque foram caras.
Vi a foto com mais “gostos”. E lembro-me de que nem querias ir àquele local.
Vi as frases todas.
“Não há bem que sempre dure.”
“ A recarregar baterias.”
“A minha dieta são Bolas de Berlim.”
“Paraíso escondido.”
“Também mereço.”

Agora com profundidade…

Olha para as tuas férias e identifica os momentos que te fizeram mesmo crescer, descansar…

Identifica as experiências proporcionadas à tua família, às tuas crianças…

Pensa com quem estavas. O que estavas a fazer. Pensa no que foi mesmo marcante.

Às tantas, aquela dor, ou o sacrifício de uma visita a alguém que estava longe, no fim de uma estrada sem holofotes, foi o que nunca quererás apagar. Foi o marcante. Nem foi, afinal, sacrifício.

Se não fizeres a reflexão, corres o risco de, para o ano, encheres as férias com nada.

Eu já fiz a minha.
Sei o que me cansou, no bom e mau sentido. Sei o que desejo repetir. Sei com quem tive os melhores momentos. E porquê.
Sei em que fotos encolhi a barriga. Metaforicamente falando, claro. Não tenho barriga.
Sei o que foi o máximo. Divertido. Sobretudo, sei o que não quero voltar a fazer. Também sei que há coisas inevitáveis.
E sei que há acasos difíceis de repetir. Mas o importante é estarmos abertos a esses acasos. E sermos flexíveis para enfrentar o inevitável.

Gostei das partilhas. Agora, partilha contigo mesmo. Com profundidade.

 

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E se não houver sol? Uma mão cheia de coisas…

Já todos sabemos como acabou o Gato…o Gato Malhado…lembras-te?

Mesmo assim, gostamos de reler. Talvez haja uma esperança de chegarmos ao fim e ele – o final – ser diferente, não é?

Como se reler um livro, rever um filme ou reencontrar uma pessoa, fosse capaz de trazer finais diferentes. Não. Não é capaz.

Sei que deves estar a pensar: “Então mas as pessoas não mudam?!“. Mudam. Mas pouco.

Nestas férias, temos um final à nossa espera. Voltaremos para a barriga da cascavel? Provavelmente.

A mim ninguém me tira da ideia…a cascavel tem um chocalho! Eu, se fosse o gato, teria ouvido o chocalho! E teria fugido.

O problema não é esse, bem sei. O problema era a vontade do gato! Eu não quero acabar na barriga da cascavel.

Não quero férias como uma tarde de verão.

Não desejo terra à vista, como quem grita “fim à vista”. Vou beijar demorado, vou acordar cedo, vou tentar o equilíbrio entre a rotina e a falta de regras. Vou beijar roubado, vou acordar tarde…

E vou fazer mais uma mão cheia de coisas. E se não houver sol?

Quero reencontrar-te diferente no fim destas férias porque fizeste o mesmo. Quero ler em ti outro final, porque reescreveste as tuas histórias.

Vou fazer isso também, numa mão cheia de coisas:

  1. Vou contar aos meus filhos a história de uma nuvem feia, má, triste, suja,…E vou explicar a força do vento. O vento capaz de empurrar as nuvens feias para longe. Essa força está dentro deles. Falarei de persistência, de resiliência, claro está. Mas falarei da nuvem e do vento.
  2. Vou contar ao amor da minha vida a história de uma brisa fresca, traiçoeira, aborrecida…e vou explicar a força da prevenção. Esta brisa, chamada “a idade a chegar” pode ser terrível! Mas, como me preparo, hei-de ter sempre um casaquinho. Não se pode confiar neste clima. A partir de certa idade, um casaquinho vai sempre bem. Falarei de regar o amor, claro. E de brisas que afinal, com preparação, não são alterações climáticas. São naturais.
  3. Vou contar sobre o meu sonho matinal. Sonho onde reúno os amigos (aqueles três…quatro…) com frequência. É a história de um cardume navegante, conquistador, capaz de cortar as águas porque está em grupo.
  4. Vou contar sobre o avô Jaime e sobre a forma como morreu. A forma como deixou um legado de boa disposição, de humor, de sorriso e de vinho tinto (daquele incapaz de deixar mancha). De vinho tinto capaz de deixar marca. Uma marca boa.
  5. Vou contar a história do sorriso doce mais inexplicável. A luz surpreendente, surgindo como uma música de ANAVITÓRIA, ou melhor, Rubel em “Quando bate aquela saudade”. Vou contar sobre o sonho. Sonho.

Sonho com o gato a fugir da cascavel.  Não, não chega a casar com a andorinha, mas está escrito com outro fim, com outra cor e luz. Sonho com o chocalho a avisar. Sonho com uma noite de verão que, no fim de contas, pode ser a vida toda. E se não houver sol?

Sonho que, afinal, em vez de gato, sou um sol.

Boas férias.

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A pressão para ter filhos existe e temos de falar sobre isso

Durante o nosso crescimento existem vários marcos, etapas que é esperado que alcancemos, ainda que sejamos todos tão diferentes uns dos outros.

Crescemos a ouvir a pergunta da praxe “como é que vai a escola”, sejamos bons ou maus alunos. Perguntam-nos o que queremos ser quando formos grandes só por curiosidade, tantas vezes sem haver um interesse grande no assunto, porque raras vezes essa pergunta é seguida de um “e porquê?”. Depois vem “que área vais seguir” e mais tarde o “qual o curso que vais tirar”, como se não houvesse vida para quem não quer tirar um curso ou simplesmente não faça a mais pálida ideia do que vai fazer dali a uns meses, ainda que seja das decisões mais marcantes da sua vida.

“Já tens namorados” ou “Quando arranjas um namorado?”. Se formos rapazes há tendência para se ouvir um “és muito novo para namorar tão a sério”, se formos raparigas infelizmente começam a vislumbrar-se perguntas sobre /vestidos de noiva. E depois sobre filhos. O primeiro. Se já tivermos feito check nessa caixinha, sobre o segundo e por aí fora, porque as pessoas nunca se dão por satisfeitas.

E as pessoas que nos fazem estas perguntas tão íntimas sobre a nossa vida são de um espectro vastíssimo que vai desde a nossa avó à senhora que sobe connosco no elevador uma vez por ano.

Entendo que exista curiosidade, carinho, preocupação, expectativas. Entendo mas acho que na maior parte dos casos devemos parar para pensar antes de perguntar porque não fazemos a menor ideia do que se passa do outro lado – mesmo quando são pessoas de família às vezes estão às escuras porque há coisas difíceis de partilhar, de tão íntimas e sofridas que são.

Falo-vos de um casal amigo que estava junto desde a escola secundária, casados há três anos. À volta estava toda a gente a começar a ter o primeiro filho. Lembro-me como se fosse ontem, estava eu grávida da Mariana, num jantar de aniversário de um amigo em comum e foram três pessoas que lhes perguntaram sobre quando iam eles ter filhos. A resposta foi a educada, “estamos a trabalhar nisso”. Meses mais tardes separaram-se e viemos a saber que estavam a tentar há três anos sem sucesso. Que essa luta diária trouxe para dentro de casa um stress, desilusão e culpa tão grande que o amor acabou por não ser suficiente. No caso deles havia uma razão médica para a gravidez não acontecer.

Noutro casal amigo, em vias de separação, era constante a pergunta de quando viria o segundo filho. Ninguém sonhava que estavam a atravessar uma crise e que por isso o segundo filho estava longe do horizonte.

Noutro ainda o facto de o pai querer mais um filho e a mãe não sentir que era esse o caminho também não transparecia, mas a pressão externa pouco ajudou.

E depois há simplesmente as pessoas que não querem ter filhos.

As que não querem pensar nisso para já.

As que querem mas não podem. Porque financeiramente não seria viável ou porque as suas vidas não lhes permitem ter a família que gostariam.

É por isso que nunca faço esta pergunta aos meus amigos, mesmo aos mais próximos. Porque eu posso conhecê-los bem mas não sei tudo, nem é suposto saber. Como amigos devo criar um ambiente de confiança e tocar no assunto, eventualmente falando da minha própria experiência, e deixar espaço para que se a outra pessoa quiser falar o possa fazer. Sem pressões.

Fazemo-lo com boas intenções mas há momentos em que uma simples pergunta pode provocar uma tempestade. Dentro da pessoa, dentro da sua casa.

E que temos nós a ver com o desejo de uma pessoa ter filhos, se casa ou não casa, se descasa, se compra carro ou vai a pé? Se for apenas companheirismo e preocupação, então que a façamos chegar em forma de amor e não de interrogatório.

Empatia. Pormo-nos no lugar do outro. Lembrar-nos de quando nos fizeram perguntas que preferíamos não ter tido de responder.

Ser amigos, filhos, pais, sogros, padrinhos, sem pressões.

Só amor.

Pode parecer difícil mas é mais fácil do que parece.

Somos fruto de uma soma, não de divisão

Acredito que todos temos um propósito, que viemos ao mundo – seja por quanto tempo for – para o transformar de alguma forma.

Há quem passe uma vida inteira sem perceber qual o sentido de andar por cá, sem por isso se aperceber que provavelmente está a ensinar a alguém lições valiosas.

Somos a soma do amor que em nós foi depositado, dos planos que foram feitos, mesmo quando não fomos planeados ou “desejados”.

Somos a soma das nossas experiências, das nossas escolhas, das pessoas que tivemos e temos à nossa volta.

Somos para os nossos filhos muitas vezes mais do que os nossos pais foram para nós e, outras tantas, menos.

Ensinamos como sabemos, às vezes sem saber ensinar.

Lamentamos coisas erradas, agarramo-nos a sentimentos e por vezes a coisas. Deixamo-nos ir abaixo, erguemo-nos e caminhamos, mancos ou com energia, conforme a vida e o destino nos deixam.

Cometemos os mesmos erros repetidamente, conseguimos inclusivamente saber antecipadamente que o vamos fazer e gostaríamos de o poder evitar. Noutras alturas evitamos esses erros e sentimos alguma glória nessa conquista, que nos enriquece.

Fraquejamos, rimos, choramos. Muitas vezes sozinhos.

O nosso caminho é solitário, mesmo quando temos uma família grande, quando estamos rodeados de amigos e temos filhos, um, dois ou cinco. Porque o nosso caminho é feito pelas nossas pernas e os “pesos” que carregamos por vezes fazem-nos demorar mais um pouco em alguns lugares, outras vezes permitem-nos ficar onde somos esperados. Mas o nosso caminho só pode ser feito por nós.

Temos a responsabilidade de deixar aos nossos filhos algumas respostas que os nossos pais não nos deram.

Temos a responsabilidade de, à nossa maneira, deixar o mundo diferente do que o encontrámos, preferencialmente melhor.

Temos a responsabilidade mas também temos as recompensas, se as soubermos identificar, se com elas conseguirmos sorrir e agradecer.

Às vezes esquecemo-nos de valorizar as pequenas conquistas do nosso dia a dia.

De agradecer o que de bom temos, mesmo que seja muito pouco. Porque por mínimo que seja, está lá e faz de nós humanos. Faz de nós pais que querem o melhor para os seus filhos e eles só serão seres humanos melhores que nós se lhes mostrarmos o caminho.

Em muitos casos isso não será suficiente.

Haverá filhos que não deixarão os seus pais orgulhosos.

Haverá filhos que terão caminhos que são um “retrocesso” em comparação com o que foi trilhado pelos pais (e não, não falo de conquistas financeiras, de trabalho, estudos, casas ou número de carros na garagem e carimbos no passaporte).

Haverá filhos que vieram fazer uma viagem diferente da nossa.

Com outro propósito, com outras lições.

Com uma vida aparentemente triste, por vezes.

Mas enquanto mãe, se for esse o meu caso, quero sentir que a vida que trouxe a este mundo tem um significado e o sabe. Que sabe que foi amada e o será para sempre, enquanto viverem as pessoas que cresceram do seu lado.

Que mesmo que o seu percurso não seja tudo aquilo que está escrito nas estrelas ela viveu e não ficou presa às expectativas, aos sonhos alheios, ao que a sociedade esperava que fizesse só para se encaixar no padrão.

No fundo, acho que todos viemos a este mundo com a missão de nos encontrarmos.

E alguns, os mais sortudos de nós, encontram-se uns aos outros no caminho.

E isso já valeu a pena.

Estarei a meio?

Estarei a meio da vida? Não estou a par das mais atuais indicações sobre a esperança média de vida. Acredito que rondará os 90 anos…

A minha idade vezes dois, aproxima-se deste número!

E agora? Que reflexão poderei fazer?

Por vezes, sinto-me menos tolerante para conversas vazias. Para dias sem gelo na bebida ou sem gindungo no prato.

Estarei a “ficar velho” no mau sentido, ou estarei mais exigente?

Será que já começo a apreciar melhor a vida, como vaticinaram outras pessoas com quem falei sobre envelhecimento?

Gostava de ir à praia mais vezes. No inverno, principalmente.

Não sei onde guardei as cartas de amor, mas vou socorrer-me delas para trazer o jovem sonhador que fui.

Ser sonhador está fora da moda? É piroso?

Piroso é querer estar na moda.

Os miúdos estão crescidos. Preciso estar mais com eles. Pensamos que crescem e pronto, mas não. Não há pronto. Há paciência para exercitar. E persistência.

Posso estar a meio, só que, sinceramente, não sinto.

Mas sinto que, demasiadas vezes, quem diz “sinceramente” está a mentir.

Preciso abrir um buraco mais fundo no meu coração para descobrir os diamantes que serão as minhas forças e virtudes. Assim, poderei alinhar a vida que falta. Alinhar nesta direção. Na direção das situações onde me sinto pleno.

Assim, estar a meio não vai assustar.

Não me assusta.

Sinceramente.

imagem@PxHere

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“Tenho tanto para aprender e o tempo passa ora muito rápido, ora lento e penoso.
Por vezes gostaria de encontrar um atalho para saber mais sobre a vida, e admito, sem egoísmo, continuo a perseguir um significado para minha própria existência e isso tem um custo elevado, às vezes me sinto já sem crédito, usando uma forma onerosa de cheque especial, já sacando a descoberto.
Essa busca não é resultado de uma crise qualquer, é bem mais antiga, remonta à minha consciência, quando comecei a perceber que havia algo além do meu quintal.
Admiro as pessoas que conseguem viver e se preocupar apenas com o dia presente, que por si só, nesse tempo onde tudo é tão rápido e complexo, já é muito.” – Paulo Afonso de Barros

 

 

A falta de reflexão, filha da pressa, uma senhora chata, com o senhor preguiçoso é, por sua vez, mãe do intento perdido.

No outro dia – são tão longas as viagens – dei comigo a pensar que estava muito seguro de que a palestra ia correr bem. Fiquei assustado. De repente, já não estava tão seguro assim…

É que há tempos, tinha lido algures, que um palestrante deve sempre estar um pouco nervoso. Seria sinal de que estava empenhado.

Acabei por entender que era possível a coexistência de ambas as sensações. Estava seguro, mas não deixava de sentir a adrenalina a galopar nas minhas veias.

Esta reflexão levou-me a um local muito bonito. O local onde nasce a segurança. Eu estava seguro porque tinha muito claro o que pretendia alcançar com a palestra.

Na vida é igual!

O que pretendes alcançar? O que queres realizar? Tem isto claro e sentirás segurança.

Decifra isto é terás felicidade.

Irás sentir medo também. Por vezes. É natural. Mas a segurança, qual armadura, fará o teu intento ficar mais próximo. Isso é felicidade.

Qual é mesmo o teu intento? É isto que tens que saber.

A falta de reflexão, filha da pressa, uma senhora chata, com o senhor preguiçoso é, por sua vez, mãe do intento perdido.

Já reparaste, quase de certeza, que falo do Propósito. 

Acabo a palestra e tenho uma grande ovação. Estava seguro, sabia o que ia dizer. Sabia o que desejava provocar. Saio de lá com mais vontade de ter claros os meus propósitos para a vida.

Quais os meus próximos projetos? O que tenho em vista?

Também quero uma ovação da vida.

Cansado, de missão cumprida, surge-me um restaurante na beira da estrada.

Já te tinha dito que as viagens são longas, não já?

Apetece-me um bife. Com alho. Mal passado. Mas bebo água? Só uma cerveja não há-de fazer mal. Mas amanhã acordo cedo…comer muito à noite faz mal… isto pode prejudicar o propósito que defini para o meu trabalho.

Aqui, traiçoeiro, surgiu o outro pilar: o Prazer.

E agora? Qual é que vai ganhar?

Ultimamente tenho notado que já tenho mãos de “senhora”.

Vejo-as expostas, a provocar-me, paradas no computador enquanto escrevo ou no volante enquanto conduzo, velhas e cheias de rugas.

Fico a pensar: “Quando é que isto aconteceu? Foi uma coisa gradual ou de um dia para o outro? Como é que eu não reparei até agora?” Olho para as minhas mãos e tento perceber.

Não as adoro. Não parecem minhas. Mas não as odeio.

Penso no que estas mãos já fizeram.
Estas são as mãos que abraçaram inúmeras chávenas de chá e café à procura de calor e conforto para a alma.
Estas são as mãos que limparam tudo o que se possa imaginar, de rabos a lágrimas, e limparam este raio desta casa de cima a baixo milhares de vezes para passados poucos minutos estar tudo de pantanas, outra vez.
São as mãos que seguraram vários copos de vinho à procura de paz, conforto, e especialmente de um momento de descanso.
São as mãos que lutaram desesperadamente por coisas que eu sabia já ter perdido: antigas paixões, a minha infância, a minha mãe. São as mãos que por vezes acenaram tarde demais e que gesticulavam no ar enquanto eu tentava encontrar as palavras que não me saiam.

São as minhas mãos, e estão a ficar mais velhas. Como eu.

E é só isto. Este é que é o verdadeiro elefante  no meio da sala, mas que só reparamos nele quando perdemos alguém que acreditávamos que estaria sempre connosco.
Estamos a ficar mais velhas. Eu e as minhas mãos. Com mais rugas e com veias salientes mas mais experientes e mais seguras, espero eu.
É assustador, a velocidade que a vida corre. Agora, parece-me que se fecharmos os olhos por um segundo que seja, corremos o risco de abri-los vinte anos depois.
Eu tenho dado o meu melhor para aproveitar cada momento da minha vida. Dos meus filhos, dos meus pais, do que me rodeia. E por isso é que fiquei tão surpreendida quando olhei para as minhas mãos.

Porque o que eu vi foram as mãos da minha mãe…

Por  Liz Petrone em Scary Mommy, traduzido e adaptado por Up To Kids®

Os pedidos de desculpa não tem prazo de validade

Quando contei à minha família que estava grávida, a reacção de maior felicidade veio da minha irmã. Gritou vezes sem conta “vou ser tia!”, saltou e chorou. Apesar desta alegria inicial, o desenrolar da gravidez trouxe outras questões.

A verdade é que, do alto dos seus 22 anos, a minha irmã não conseguia encarar a gravidez como mais do que um conjunto de alterações físicas. O nosso amor pela bebé crescia a velocidades distintas.

Desde o segundo mês de gravidez até dois dias após o parto fiquei longe do pai do bebé que estava em Angola a trabalhar (eu só regressei a Portugal depois de engravidar). Tal fazia com que tivesse necessidade de ter maior atenção de quem me rodeava; a verdade é que jamais me havia imaginado a passar por um processo de gravidez longe do meu marido. Eu tentava ter companhia e envolver a minha irmã no processo mas ela não percebia a emoção de momentos tão simples como ver uma barriga a tremer com os pontapés de um bebé ou de ouvir o bater do seu coração – estávamos em patamares díspares.

Nos primeiros tempos de vida da sobrinha o problema persistiu. Embora comprasse imensa roupa e miminhos, a minha irmã dizia não conseguir ligar-se a ela por ainda haver pouca interação. Além disso, não compreendia o que eu vivia (o pai da bebé só regressou definitivamente quando ela tinha quase quatro meses), pelo que não colaborava muito na rotina, não me acompanhava nos longos passeios solitários pelo parque e não abdicava de sair para estar comigo.

Os meses passaram, a bebé cresceu e começou a sorrir, a palrar, a interagir de forma mais clara. Tia e sobrinha tornaram-se inseparáveis e até hoje são as melhores amigas.

O pequeno Alex

Quase 2 anos depois, a minha irmã engravida. Infelizmente foi um período duro da sua vida em termos pessoais. Desliguei-me do mundo e dei o máximo para suavizar esta fase mais amarga.

Com apenas 35 semanas de gravidez as águas rebentaram. O nosso Alex nasce prematuro e com um quadro de dificuldade em respirar e em alimentar-se. Penso que conhecerão a dureza da realidade dos bebés prematuros e por isso não me irei alongar. Deixo-vos apenas a noção de que nunca passei tantos dias num hospital esmagada pelas incertezas. Acompanhei de perto a minha irmã e o meu sobrinho. Era a primeira a chegar e das últimas a sair, ligava-lhe constantemente durante a noite, tratava do que era necessário.

Numa das nossas visitas à Neonatologia, depois de estarmos juntas a tentar que o Alex mamasse, a minha irmã olhou para mim e de lágrimas nos olhos disse: “Tânia, tenho pensado imenso em tudo o que tem acontecido e queria pedir-te desculpa. Sem o teu apoio isto estaria a ser muito pior para mim, não imagino como deve ter sido para ti passar por estes primeiros tempos sem o meu. Fui egoísta, só pensei em mim e por isso quero que saibas que me arrependo e que se voltasse atrás faria tudo de forma diferente”.

Chorámos, abraçamo-nos de forma sentida e fortalecemos laços.

Ainda que este não fosse um assunto mal-resolvido para mim, pois entretanto tia e sobrinha desenvolveram uma relação fantástica, foi incrivelmente libertador receber aquele pedido de desculpa tão sincero. O facto de ultrapassarmos as questões não significa que se apaguem. Por vezes apenas se esbatem ligeiramente. Por isso, mexer nelas, ainda que possa doer ao início, pode trazer-nos uma paz indescritível.

Por muito que o tempo passe, um pedido de desculpa pode fazer toda a diferença. Sim, os pedidos de desculpa não têm prazo de validade! Mais, ainda que nos incutam a ideia de que é um acto de fraqueza e submissão tenho aprendido com a vida que só os mais fortes, corajosos e altruístas são capazes de o fazer, mesmo que levem o seu tempo.

Quando os pais se divorciam…

Como fica a criança, quando os pais se divorciam?

Os pais são o melhor do mundo para as crianças, é como se fossem assim uma entidade superior comparando com todas as outras.  Mas, quando o pai e mãe se separaram, como fica a criança? Qual é o seu lugar?

Ora, por entre uma discussão e um fazer de malas, uma criança muitas vezes sente-se apenas sozinha. Quando, de repente, uma criança é confrontada com a separação dos pais, pode acontecer que reaja de várias formas, sendo que, não raras as vezes, reagem com indiferença, raiva ou tristeza. Isto é, ou a criança reage com uma aparente indiferença, como quem diz “não tenho nada a ver com a vossa vida, não quero saber”, ou reage com uma revolta canalizada para os progenitores, como quem diz “vocês são culpados de todos os males e é uma injustiça”. Ou em alternativa, a criança reage cheia de efeitos especiais, com choro e uma tristeza profunda, como o quem diz “se se separarem a minha vida acaba e nunca mais vou ser feliz!”.

Perante tudo isto, nem o pai, nem a mãe se devem sentir fragilizados e voltar atrás numa decisão tão importante e tão pensada como um divórcio. Sim, porque quem se divorcia, não o faz de ânimo leve, habitualmente é uma decisão pensada e repensada.

Os pais enquanto pais e enquanto indivíduos

Nunca os pais devem evitar uma separação apenas com a ideia de que é melhor para as crianças. Pois, um pai e uma mãe com uma má relação entre si, serão seguramente piores pais, do que, um pai e uma mãe que, com sensatez e cuidado, decidem divorciar-se, tornando-se assim, mais felizes cada um deles a nível pessoal e, por consequência, melhores pais.

Os pais são tão melhores, quanto mais tempo tiverem para si e mais felizes forem, enquanto pessoas. Apesar de quando nasce um filho, os pais sentirem que aquele filho pode representar todo o mundo para eles, nunca se devem esquecer da sua individualidade e de cuidarem de si, isto, se querem ser bons pais.

Desta forma, o que devem fazer os pais com as reacções dos filhos ao divórcio?

Devem ser capazes de aceitar e suportar a reacção da criança, isto é, é natural que a criança se zangue, ou fique triste com uma separação dos pais. Esse assunto nunca deve passar a tabu, e deve ser falado com a criança de forma a que os pais a ajudem a ligar tudo dentro dela. Se a criança tiver necessidade de chorar ou temporariamente ficar triste, devemos permitir-lhe que o faça e que expresse tudo aquilo que está a sentir relativamente à nova situação familiar.

Ora, assim sendo, o essencial numa separação é que a criança nunca se sinta culpada e que nenhum dos pais, ou avós, sejam culpados pela separação. Isto é, o divórcio dos pais só acontece porque os dois pais em conjunto tomaram essa decisão que nada tem a ver com o comportamento ou postura de algum dos filhos.

Onde está a culpa quando os pais se divorciam?

É ainda essencial, que os pais não se culpem mutuamente. Não são raras as vezes, em que o pai ou a mãe culpam o outro progenitor da separação e o fazem deliberadamente para obter uma simpatia superior dos filhos, ou a compaixão da outra figura paterna. Também nos cruzamos várias vezes, com situações em que os pais culpam os avós pelo desfecho da relação. Mesmo que efectivamente exista um culpado, o essencial é que os pais percebam que para a criança ambos são figuras de referência e como tal, todas as crianças têm o direito a uma figura parental positiva. Assim, mesmo que o pai ou a mãe tenham um conjunto de características que o outro progenitor reprova, a criança tem direito à protecção da imagem dos pais. A criança não pode ser colocada num conflito de lealdades, como quem para estar com a mãe não pode gostar do pai e para estar com pai tem de deixar de gostar da mãe.

Um pai e uma mãe com sensatez, devem permitir que a criança goste e pratique o amor para com o outro progenitor. O mesmo deve acontecer perante os avós.

O pais devem reagir em conformidade com a protecção da criança, assumir a decisão em conjunto, sem culpas para ninguém. Se comunicarem a decisão com firmeza, com a certeza de que convictamente sabem que esta decisão é o melhor para todos e com afecto, mesmo que haja um período inicial difícil, as crianças irão aceitar. As crianças irão adaptar-se e compreender todos os lados da decisão dos pais e destas novas circunstâncias.

Por Cátia Lopo e Sara Almeida Psicólogas Clínicas