Ser obediente, é bom?

Quando fazemos o exercício de pensar em crianças, por norma, imaginamos crianças com energia, a rir e a brincar. Por outro lado, dá-nos um sentimento de certa estranheza imaginar uma criança no seu cantinho quieta, como se, não existisse. Não raras vezes, estamos demasiado preocupados com as crianças ditas “hiperativas” e esquecemo-nos de olhar para as crianças “hiperpassivas”. Crianças que fazem os possíveis para serem invisíveis, que nunca perturbam e são, regra geral, extremamente obedientes.

Queremos crianças obedientes, desde que a acompanhar a obediência existam gestos espontâneos e a expressão daquilo que a criança sente e pensa. Aquilo que nos preocupa é quando a obediência vem tolhida de uma certa invisibilidade.  Quando a criança por tão assustada que se encontra, às vezes, faz os possíveis para ‘não existir’. E, ‘não existir’ é, muitas vezes, um reflexo de obediência com base no medo. Sempre que uma criança obedece com base no medo, está a distanciar-se de si própria e torna-se incapaz de respeitar o seu espaço e de apreender a noção de empatia e respeito pelos outros.

As regras e as recompensas

É essencial que as crianças sejam capazes de obedecer e ter um conjunto de regras que balizam os seus comportamentos, sem que vivam permanentemente sufocadas pelo que imaginam que esperam delas. Da mesma forma que, as crianças devem aprender que ter um bom rendimento escolar, ajudar nas tarefas domésticas, responder de forma adequada aos adultos. Estas são atitudes que devem ter porque estão correctas e são a base do respeito e não para serem recompensadas de forma directa e imediata. Pois, sempre que uma criança faz uma tarefa com a expectativa de ter uma recompensa, a noção de que o faz porque é assim que deve ser e porque é uma responsabilidade sua, perde-se e, a certa altura, temos crianças que só se movem com base nas recompensas.

É importante que a criança compreenda que tem deveres e que tem direitos e que entre eles, existe respeito, compreensão, empatia e amor.

Claro que, se uma criança consegue levar a cabo um conjunto de comportamentos e atitudes que até então não tinha conseguido, os pais podem e devem recompensá-la. No entanto esta recompensa deve funcionar como um reconhecimento e não como uma recompensa por si só. Isto é, a criança teve uma série de atitudes que deixaram os pais muito satisfeitos, então, os pais vão exercer um gesto de reconhecimento para com a criança. Este gesto acontece sem que a criança esteja a contar e se for imaterial tanto melhor. Se em vez de um brinquedo ou um jogo os pais proporcionarem à criança um momento relacional de que ela goste, como uma ida ao cinema, ou um piquenique a criança será capaz de ter uma linha orientadora que lhe sinaliza que está no caminho certo e que deve continuar desta forma.

Passo por passo, a criança vai adquirir valores que vão reger toda a sua atitude perante os desafios do seu dia-a-dia. Aprende assente nas linhas orientadoras dos pais sem que delas tenha medo, sem que para ser obediente precise de ser invisível.

Desta forma, é importante que as crianças riam com o corpo todo. Que as famílias permitam a liberdade de expressão e dêem espaço à individualidade de cada criança. Que eduquem praticando o amor, o afeto e o respeito, pois, só quando uma criança cresce num ambiente que é estruturante e que lhe permite a individualidade com a retaguarda do calor dos pais, se permite a existir em plenitude.

Síndrome do ninho vazio

O Síndrome do ninho vazio é uma condição que se caracteriza pelo aparecimento de quadros depressivos, sobretudo nas mães, com a saída dos filhos de casa. É um momento de adaptação e transição que afeta todas as famílias. Em algumas mulheres faz despoletar emoções de tristeza e vazio, pelo sentimento de perda da função de mãe na vida dos filhos.

Os filhos consomem ao logo dos anos tantas horas de trabalho e de reflexão que, sobretudo as mulheres, ficam vazias depois da sua saída e é preciso reinventar novas formas de se sentirem mães.

Na verdade precisam de construir um novo formato de maternidade que já não passa por todas as grandes e pequenas, boas e más situações do quotidiano! Sim porque ter os filhos em casa por vezes também é cansativo e exasperante…

Já não passa pelos gritos, o vai estudar ou o por favor arruma o teu quarto…

Para alguns parece que parte de nós se perde com a vossa saída e é preciso reconstruir a vida e a identidade. Como se a nossa identidade estivesse colada à maternidade!?

Mas é verdade que isso acontece muitas vezes e que nem sempre os casais mantêm uma base sólida que lhes permite usufruir com alegria dessa nova etapa da vida e fica um vazio difícil de explicar e sobretudo, ainda mais difícil de sentir!

A força das relações construídas perde-se com o tempo e a distância?

Será que conseguimos ao longo de todos os anos, construir relações suficientemente fortes, próximas e vinculadas que consigam resistir à inevitável distancia que a saída dos filhos exige?

Sim porque a saída dos filhos implica sempre alguma distância para que possam realmente construir as suas vidas e as suas famílias. É muito importante que tenham tempo e espaço para se construírem como adultos que vivem fora das “saias dos pais”. Mais importante ainda é que os pais respeitam esse afastamento, que não é um afastamento no Amor!

É preciso arranjar novas formas e estar na vossa vida, sem nunca vos impedir de voar. Por vezes é difícil estar e não estar ao mesmo tempo. Estar, participar, ser presente, mas não invadir ou intrometer. É uma linha difícil que exige muita maturidade e bom senso e que nem sempre é fácil de definir para os pais…

É importante que os filhos, com amor, também possam ir mostrando essa linha. Para que pouco a pouco todos se possam ir adaptando a essa nova realidade, com a alegria que ver-vos crescer deixa no coração de quaisquer pais.

Desejamos os períodos de férias onde estamos todos juntos, os jantares de família e todos os outros momentos em que os nossos filhos feitos homens e mulheres são um bocadinho nossos novamente… No final damos por nós discretamente a respirar fundo porque já não estamos habituados a tanta confusão…

Acima de tudo é preciso acreditar que o vínculo é forte e duradouro. Para que cada um de vocês, filhos adultos, possa voar sem medo e os pais possam ficar sem medo de vos perder….

Photo by Sam Wheeler on Unsplash

Um dia acordas e o tempo passou assim…

Um dia esse monte de roupa por passar irá desaparecer. Muitas dessas peças já não farão parte da tua vida, estragar-se-ão ou serão doadas, deixarão de ser importantes para ti.

Um dia não terás pilhas de roupa para lavar. Terás a louça ordenadamente arrumada nos armários ou deixará de ser usada quando forem menos aí por casa.

Um dia, os brinquedos que hoje tens espalhados pela sala, estarão todos guardados em caixas devidamente identificadas, num canto escondido da tua casa e da tua memória.

Um dia a casa deixará de ter vestígios das migalhas que teimam em espalhar-se pela casa, esse ser pequenino que por aí circula.

Um dia o teu filho deixará de fazer birras.  Irás apenas recordá-las quando sentada num banco de jardim vires outra mãe a passar pelo mesmo.

Um dia não terás problemas de logística para sair de casa. Serás só tu e a tua bolsa. Chegarás rapidamente onde desejas, sem interrupções, e nessa altura perceberás como uma vida livre de imprevistos pode ser tão monotona.

Um dia o teu filho dir-te-á que é demasiado crescido para colo e que um abraço rápido é suficiente. Nessa altura tudo o que te irá restar será a nostalgia do tempo aproveitado ou o arrependimento por não teres aproveitado melhor esse tempo.

Um dia poderás dormir a noite a fio e acordar sem despertador. Por vezes ficarás sem pregar olho, irás pensar em como trocarias essas horas de sono por mais uma noite acordada/o com o teu filho junto ao peito.

Um dia o teu filho deixará de chamar por ti a toda a hora. Terás de te concentrar para conseguir recordar aquela voz que tão carinhosamente te procurava. O som daqueles pezinhos que te seguiam por toda a casa. A época em que eras tu o centro do seu mundo.

O tempo de contacto próximo com um filho passa assim – acordamos um dia, e já foi.

Enquanto os temos junto a nós podemos decidir viver este amor de duas formas – focados no que há para fazer ou focados no que jamais poderá ser feito, o essencial.

1 marido causa 10 vezes mais stress à mulher do que 3 filhos juntos

Cada casal é um mundo, tal como cada família.

Numa família ideal os adultos deveriam apoiar-se mutuamente e contribuir em partes iguais na criação e educação dos filhos. No entanto, sabemos que em muitos casos a realidade não é esta. Infelizmente, em muitas casas a mulher tem de assumir a responsabilidade da casa e da educação dos filhos.

E assim, um marido causa muito mais stress à mulher do que os próprios filhos.

Este foi o resultado de uma pesquisa publicada no Today Moms, realizada nos Estados Unidos com mais de 7.000  mães e que comprovou que os maridos geravam 10 vezes mais stress do que os filhos. 46% das mulheres inquiridas confirmaram que os maridos eram o seu maior gerados de stress, e não os filhos.

As expectativas não cumpridas das mães

Uma parte das mulheres da pesquisa, referiram que os maridos lhes davam “mais trabalho” do que os filhos. Que os filhos não lhes davam tantas dores de cabeça, mas as atitudes infantis dos seus parceiros é que incomodavam e desorientavam muito.

Algumas também se queixaram de que os maridos não ajudavam o mínimo com as tarefas de casa. Esta situação provoca um sobrecarregamento de um dos elementos do casal, podendo vir a desencadear a longo prazo, exaustão, depressão, esgotamento, entre outras. Tal como a privação de sono, a privação de tempo para si própria, é a chave para manter a mente saudável.

Certamente nem todas têm a sorte de ter um marido que participe ativamente nas  tarefas da casa e na educação dos filhos.

No entanto, é provável que estes estudos também incidissem sobre as expectativas das mulheres inquiridas. Por exemplo: é expectável que uma criança tenha um acesso de raiva, uma birra passageira, mas não é expectável que um adulto se comporte com uma criança.

Agir como outra criança que precisa de atenção é um dos fatores que dá pontos extras aos homens da casa. As participantes do estudo alegaram que depois de um dia inteiro de trabalho, a preocupação com as crianças e as tarefas de casa, acaba por não sobrar tempo nem disposição para se dedicarem ao marido. Isto resulta normalmente em falta de compreensão – de ambos os lados.  “É previsível que uma criança não entenda certas coisas, mas esperamos compreensão e paciência de nosso marido”.

Conclusão

Quando a pessoa fica aquém da expectativa do parceiro, não só provoca desilusão mas também frustração no outro. Estas energias negativas aumentam o stress do dia-a-dia e podem vir a ser a gota d’água de uma relação.

Pais acreditam que já fazem o suficiente e exigem mais reconhecimento

Curiosamente, noutra pesquisa realizada pelos mesmos investigadores com 1.500 pais, metade considerou que partilhava a educação e criação dos filhos com as respetivas mães das crianças.

O estranho foi constatar que das 2.700 mães inquiridas, 75% afirmaram que cuidavam sozinhas das crianças.

Muitos pais mostraram-se incomodados por serem considerados uma parte secundária da família. Dois terços dos pais disseram que gostariam que o seu esforço e trabalho fossem reconhecidos de vez em quando, nem que fosse com palavras de incentivo.

Este estudo revela que existe um problema de comunicação e de expectativas mal ajustadas em muitas (quase todas) as casas.

Alguns pais acreditam que fazem o suficiente e que não são reconhecidos, enquanto as mães acham que eles não fazem o mínimo.

De quem é a culpa?

Excluindo os casos em que um dos pais realmente não se envolve nada na criação dos filhos, o certo é que a paternidade é stressante e muitas vezes é mais fácil atribuir responsabilidade do nosso mau humor ou a nossa incapacidade para administrar a agenda quotidiana da família, a outro adulto.

Manter um relacionamento de casal também requer uma boa dose de trabalho. Frequentemente, as mulheres exigem muito de si próprias, acumulando as tarefas de ser mãe, mulher, filha e amiga perfeitas. Esta tensão em satisfazer a todos acaba por ser demais.

Mas é muito importante procurar a causa desta insatisfação, porque, obviamente vai acabar por afetar o relacionamento do casal.  Na verdade, os estudos concluíram que um casamento stressante é tão mau para a saúde como o fumo. Que aumenta as probabilidades de sofrer uma doença cardiovascular, tanto nos homens como nas mulheres.

Um estudo recente em 300 mulheres suecas concluiu que o risco de sofrer um enfarto multiplica-se por três quando estas vivem casamentos conflituosos.

Qual é a solução?

Nove em cada dez casais reconhecem que a sua relação piora com o nascimento do primeiro filho. Em qualquer caso, para evitar que um seja sobrecarregado de tarefas e desenvolva níveis de stress muito elevados, é importante que a comunicação flua em todos os momentos e em ambas as direções.

Portanto, pais e mães ficam as dicas:

  • Peça diretamente ao seu marido/mulher o que precisa, quando precisa e explique por que precisa. Não fique à espera lhe leiam os pensamentos. Não vai acontecer.
  • Não tente assumir/não assuma todas as tarefas. Não tem de provar nada a ninguém. Demonstre amor aos seus filhos todos os dias, isso já basta.
  • Fale com seu parceiro sobre os seus medos, inseguranças e insatisfações. Isso os tornará mais seguros e confiantes. Deixe claro o que espera dele/dela, sem recriminações.
  • Muita calma nos momentos de stress. Cabeça no lugar, inspira, expira, conta até 5 antes de responder.
  • Pensar sempre, mas sempre em primeiro lugar nos miúdos!

 

Publicado originalmente em The Huffington Post – Tradução e adaptação: Portal Raízes, adaptado por Up To Kids®

Fez ontem uma semana que o meu pai, depois de uns dias internado, teve alta do hospital para nossa casa.

Percebi no momento em que o pai ligou a dizer que ia sair naquele dia, que onde mais lhe apetecia estar e o mais seguro seria ficar connosco. Em nossa casa. Exactamente como, não há tantos anos atrás, também a casa dele, ou melhor, a dos meus pais, foi o meu lugar seguro. Foi onde mais me apetecia estar e o único lugar onde me fazia sentido existir.

Quando lhe dei a mão para o ajudar a entrar no carro e percebi a sua fragilidade fiquei assustada.

Sobretudo até perceber se eu estaria à altura do desafio de o ajudar na sua recuperação. Mesmo que seja por pouco tempo. Dei comigo a divagar sobre o que ele terá sentido nesse momento e se se estaria a recordar de quando, há 41 anos atrás, me pôs a mim no carro, primeira filha, para me levar para casa. Expectativas diferentes mas um mesmo sentimento: o amor mais descomprometido e duradouro de todos, o de pai e filha.

O mundo não está ao contrário

Confrontada com a nova condição de cuidadora, com o cuidado de proteger e não o do conforto de ser protegida, foi como se virassem o meu mundo ao contrário. Ainda ontem era o meu pai que me dava a mão para amparar os meus primeiros passos e agora é a minha que lhe serve de bengala. Mas afinal, o mundo não está ao contrário. É apenas o mundo a ser mundo, a girar sobre si próprio. Umas vezes estamos firmes e de pé e outras em desequilíbrio e ao contrário. E é tão bom sentir que, mesmo quando de cabeça para baixo, tudo se mantém no seu lugar.

Nesta última semana os meus filhos têm superado todas as minhas expectativas. É nestas alturas que vejo alguma coisa devo andar a fazer bem. O João Maria, no auge dos seus 13 anos que marcam uma adolescência já há muito anunciada, está há 8 dias sem a privacidade do seu quarto e sem o conforto da sua cama. Disse-me à noite, enquanto eu aconchegava no sofá, “mãe, o avô fica o tempo que for preciso, eu estou muito bem aqui”. O Kiki comentou comigo antes de ontem: “Mãe, vê-se mesmo que o avô se sente muito melhor aqui”. O bebé Zé já ajuda com os medicamentos e leva para a mesa o que corresponde à hora do jantar. E ontem, em dia de greve, com o bebé Zé sem escola, fizeram companhia um ao outro toda a manhã.

O tempo que passamos juntos

Temos passado muito tempo juntos e isso já não acontecia há muito tempo. Aliás, os seis, assim juntos, nunca tinha acontecido. E isso é bom. Muito bom.

O nosso paciente está muito melhor. Também com enfermeiros destes não se esperava outra coisa, e ficará connosco o tempo que precisar para se recuperar.

Agradecemos o facto de confiar em nós, de estarmos perto e de podermos todos contar uns com os outros.

Saudades do tempo presente

Andava há alguns dias a adiar a tarefa de guardar a roupa de Verão dos miúdos, mas as notícias da vaga de frio polar que se aproxima fizeram-me parar de procrastinar e avançar para as gavetas. E caramba, que difícil foi…

Tantas e tantas memórias que passaram por mim naquela hora em que carinhosamente guardei fofos, calções, e babygrows de Verão… Se a roupa do Pedro foi menos difícil de guardar porque sei que ainda verá a luz do dia no corpo do João, já a roupa do mais pequeno foi embalada com lágrimas, sorrisos e com um coração apertado.

Sei que não voltarei a ter bebés cá por casa. Estas duas gravidezes, tão difíceis e tão próximas deixaram marcas, e não pretendo voltar a colocar-me numa posição tão frágil novamente. Pelos meus filhos e por mim. E é por isso que embalar a roupinha do João é uma espécie de despedida. A partir de agora não haverá mais recém-nascidos, mais mãozinhas minúsculas e fraldinhas de pano. A partir de agora o tempo começa a sua contagem impiedosa e os meus bebés passarão a meninos e, depois disso, a homens.

Eu sei que agora ainda estão aqui comigo, que precisam muito de mim, mas já temo pelo dia em que o meu colo ficar vazio.

Quem me dera que houvesse um comando para controlar o tempo. Era hoje, agora, neste momento, que carregaria no botão de pausa e aqui permaneceria. Sem medo que tudo fosse demasiado rápido.

Sem medo que as gargalhadas felizes que ouço agora se perdessem. Sem medo que este cheirinho a bebé não fosse mais do que uma lembrança de dias felizes.

Nunca fui de viver agarrada ao passado; sei que a vida ainda tem muito para nos dar mas quem me dera que o tempo andasse mais devagar, quem me dera ter todo o tempo do mundo para eternizar estes instantes.

Será assim tão estranho já sentir saudades do momento presente?

 

9 frases poderosas para te conectares com o teu filho

Há momentos em que não sabemos o que dizer aos nossos filhos. Em que o conflito está ao rubro e nos sentimos impotentes, achamos que não vamos conseguir parar aquela espiral negativa.

Não é fácil recuperar a conexão perdida, recomeçar. Em minha casa tenho tentado aplicar com os meus filhos algumas das “ferramentas” práticas, que aprendi com a Disciplina Positiva. Com bons resultados.

Deixo-vos algumas frases que já experimentei dizer aos miúdos nos momentos de tensão. E que fizeram a diferença.

Da próxima vez que sentires que estás numa autêntica luta de poderes, experimenta dizer uma delas:

1. “Diz-me o que estás a sentir”

Ao mostrar interesse em saber o que está o teu filho a sentir, faz com que ele se sinta ouvido. E importante. Ajudá-lo a encontrar as palavras certas para descrever a emoção do momento – mesmo que o faça de forma curta ou meio atabalhoada – ajudá-lo-á a acalmar-se e a seguir em frente. Assim estarás também a mostrar empatia pela criança e pelos seus sentimentos, o que é meio caminho andado para retomar a conexão perdida.

Mas atenção, para que esta “estratégia” resulte, tenta descer ao nível da criança, olhá-la nos olhos e ESCUTAR realmente o que ela tem para lhe dizer.

2. “Amo-te, mesmo quando estás assim”

As crianças precisam de sentir amor incondicional dos seus pais, para que se tornem adultos estáveis do ponto de vista emocional. Esta frase mostrar-lhe-á que a ama até mesmo nos momentos em que não estão a dar-se lá muito bem.

3. “É normal sentires-te zangado, às vezes”

Como pais tentamos muitas vezes “abafar” os sentimentos dos filhos. Fazêmo-lo de forma consciente ou inconscientemente, é certo, mas é frequente. Por exemplo, quando queremos pôr termo de forma imediata a uma birra ou a uma crise de choro. Só que, ao tentarmos que a criança “abafe” o que está a sentir, o mais provável é que o “mau” comportamento se intensifique e, possivelmente, com ainda mais força.

Sentir é normal, certo? Faz parte de sermos humanos e não há distinção entre adultos e crianças. Quando compreendemos que é normal sentirmo-nos menos bem por vezes, mostramos aos miúdos que os amamos até nesses momentos.

4. “Posso dar-te um abraço?”

Quando as crianças estão no meio de uma birra, tudo à sua volta parece ser uma ameaça. Por isso reagem tantas vezes intensificando a conduta, gritando, esperneando quando tentamos ralhar com elas para que parem.

Sei que pode parecer estranho, mas dar um abraço ao teu filho durante um momento de conflito pode ser o suficiente para lhe pôr fim. “Preciso de um abraço, filho” é a frase certa e preferível a “Dá-me um abraço”, já que mostra vulnerabilidade e não autoridade, sendo por isso mais fácil retomar assim a conexão perdida.

É claro que nem sempre esta solução resulta, nem resultará com todas as crianças. Por vezes, quando a criança está de tal modo furiosa, o ideal é dizer algo como “Preciso de um abraço mas já percebi que agora não o consegues dar. Vem ter comigo quando achares que estás pronto”.

5. “Vamos respirar fundo juntos?”

Inspira, expira… Respirar fundo é para muitos pais a melhor forma para se acalmarem. E que tal propor o mesmo aos seus filhos? É um exercício simples e que acalma o stress e diminui a frequência cardíaca. Ideal para momentos de conflito!

6. “Como é que eu te posso ajudar?”

Fazer perguntas ajuda a criança a mudar o foco, a pensar em soluções em vez de se centrar na emoção negativa. Mesmo que não obtenha resposta, só o facto de perguntar, de lhe oferecer ajuda, mostra que se importa realmente com o que ela está a sentir.

7. “Podemos recomeçar?”

Esta frase funciona como uma espécie de ‘reset’. As primeiras vezes que a usar, é possível que não resultem, mas não custa ir tentando…

8. “Desculpa-me por…”

Os pais também são de carne e osso, também erram, falham, choram, sentem. Mostrar às crianças que também somos humanos não só é reconfortante para elas, como lhes passa também uma mensagem poderosa: de que pedir desculpa é normal e algo certo a fazer muitas vezes. Por isso, se gritou demasiado alto, se foi demasiado duro/a ou se ignorou sentimentos que não devia ter ignorado, não custa nada dizer “desculpa”.

9. “Da próxima vez, prometo que…”

“Desculpa se perdi a cabeça, da próxima vez prometo que vou reagir com mais calma”. Ao contrário do que possa pensar, esta frase não o/a fragiliza enquanto educador/a, pelo contrário. Mostra compromisso, compromisso de mudança, algo que é essencial quando pedimos desculpa. E ajuda a retomar a conexão perdida.

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O amor de mãe é um amor que não se mede

Há quem diga que se ama um filho assim que sabemos que estamos grávidas.

Eu digo que não, que é mentira, o que amamos é a ideia abstrata de um filho, a ideia de sermos mães.

Eu não amei os meus filhos ao primeiro olhar, nem ao segundo, nem ao terceiro, nem sei precisar o momento exato em que os comecei a amar.

Ao primeiro olhar, acabados de sair da minha barriga, vi-os roxos, com restos de mim e com um cordão umbilical ainda por cortar. Perguntei-me se aquilo que me parecia um filme estava mesmo a acontecer. Fechei os olhos e voltei a deitar a cabeça.

Ao segundo olhar, depois de os ouvir chorar ao longe, trouxeram-nos até mim, enquanto os médicos costuravam o corpo que já lhes tinha servido de casa. Beijei-lhes a testa e pedi que os fossem mostrar ao pai. Ao terceiro olhar, no recobro, deitaram-nos ao meu lado e eu percebi que estava presa dentro de um filme e ninguém me tinha dado o argumento.

Em nenhum destes olhares senti amor. Senti estranheza e medo.

Os meus filhos nasceram e com eles nasceu a mãe e a mãe ama. Mas, amar? Amar como, se acabei de os conhecer? E logo ali senti-me culpada por não sentir o que diziam que devia sentir. Senti-me esmagada pelo peso das expectativas dos outros. Peguei neles, cheirei-lhes os cabelos vezes sem conta, beijei-lhes as mãos pequeninas e a testa. Aconcheguei-os no meu peito, decorei-lhes as linhas do rosto e nada.

Estranheza e medo. Conversei com eles, talvez o amor de mãe fosse assim, mais medo que coração acelerado. Mais culpa que amor. Pedi-lhes desculpa, alimentei-os, dei-lhes banho, vesti-os e mudei-lhes as fraldas. Cantei-lhes canções de embalar, adormeci-os no meu colo e num dia qualquer, no meio da confusão dos dias que mudaram para sempre, houve um momento em que o meu coração bateu mais forte e rebentou-me o peito. No meu peito ficou um buraco e o meu coração ficou exposto. À mostra. E assim ficará, como naquele lugar-comum, que diz que os filhos são um coração a bater fora do peito.

Não importa quando foi.

Como elogiar os nossos filhos

O elogio, sentido e verdadeiro, está na base da construção de uma auto-estima sólida e duradoura.

Como as primeiras testemunhas das pequenas conquistas dos nossos filhos, é da nossa boca que ouvem os incentivos que mais importam.

Uma criança que cresce sentindo que os seus actos importam será um adulto mais consciente não só das suas capacidades, mas também do mundo que o rodeia: mais aberto a sentir-se como parte de um todo, uma parte importante e construtiva.

Sou adepta do elogio, mas acredito que nem todo o elogio é benéfico e é por isso que devemos pensar antes de o proferir.

Por exemplo, dizer constantemente aos nossos filhos como são inteligentes pode passar-lhes a sensação de que isso lhes basta. De que como são inteligentes não terão de se dar ao trabalho de fazer certas coisas porque já têm como dado adquirido essa característica intelectual. No caso acho mais responsável elogiar o esforço, o trabalho e perseverança que a criança teve para alcançar o objectivo.

Devemos exaltar a sua coragem quando têm de ultrapassar um obstáculo.

Elogiar a forma como ficam bem vestidos, mas deixar claro que não é a forma como estão vestidos que faz deles pessoas mais ou menos bonitas.

Incentivar a empatia, elogiar a amabilidade para com o próximo.

Promover a partilha e dirigir sempre uma palavra de apreço quando essa partilha acontece sem intervenção externa.

Evitar expressões como “sabes tudo” porque naturalmente, apesar das nossas boas intenções, está longe de ser verdade e pode passar-lhes uma sensação de superioridade em relação aos outros que não é saudável.

Elogiar a dedicação que aplicam a uma tarefa, mesmo que os objectivos não sejam alcançados – na vida importa muito mais sermos humanos que máquinas, que competem entre si e acabam por se perder no caminho, esquecendo-se que na maior parte das vezes o mais importante é aproveitar a viagem.

Este é um trabalho em construção que faço diariamente com a minha filha.

Dou por mim a pensar antes de falar e, algumas vezes, depois de já o ter feito, tentando analisar o impacto que as minhas palavras possam ter nela.

Porque as eles lhes escapa pouco. Ainda ontem me dizia “mãe, aquele senhor tem sapatos de salto alto, são sapatos de menina”. E eu, atenta às questões de género e à importância da liberdade de expressão, respondi ”vou-te contar um segredo: os rapazes podem usar os sapatos que quiserem e as meninas também podem usar os sapatos que quiserem. O importante é estarem confortáveis com quem são e serem felizes”. Respondeu-me ela “Ai é? Então por que é que de manhã não me deixas usar os sapatos que eu quero?”. ?

Eles são atentos, eles ouvem e absorvem, eles imitam-nos, eles aprendem connosco.

Neste crescimento contínuo entre pais e filhos a nossa missão é a de ensinar o melhor que sabemos.

E isso também passa por saber quais as palavras que os servirão melhor no futuro.

Um futuro que todos queremos que seja brilhante. Seja lá o que isso for para cada um de nós.

Estudo confirma: Ficar em casa com os filhos é mais extenuante que ter um emprego

Manter a casa limpa e arrumada, preparar e planear refeições (de preferência saudáveis), lavar e passar roupa a ferro.

Levar os miúdos à escola e da escola para as atividades extracurriculares. Acompanhar os TPCs, brincar, leva-los ao pediatra, dentista, oftalmologista, otorrinolaringologista e a todas as especialidades médicas que precisarem. Saber o nome dos amigos e respetivas mães e lidar com os grupos de whatsapp de cada turma e de cada actividade de cada filho.

A lista de afazeres diários de muitas mães e pais pode ser longa, exaustiva e muitas vezes desesperante. No entanto, a sociedade geralmente não reconhece este esforço dos progenitores que optaram por ficar em casa com os filhos.

Muitas pessoas, especialmente as que não têm filhos, pensam que é muito mais cansativo ter um emprego a tempo inteiro do que ficar em casa a criar e a educar os filhos.

A critica alheia

O pior é quando familiares próximos, muitas vezes o próprio marido ou mulher do progenitor que está em casa, não percebem porque é que este está sempre cansado. Aliás, não há pior pergunta do que “O que é que fazes o dia inteiro?

Investigadores da Universidade Católica de Lovaina entrevistaram quase 2.000 pais, principalmente mães, e concluíram o trabalho de mãe/pai a tempo inteiro é muito mais cansativo do que trabalhar fora.

13% das mães demonstraram um alto nível de exaustão. Com um profundo sentimento de incapacidade de lidar com todas as tarefas diárias, apenas uma em cada dez mães conseguiu reconhecer que abdicar do seu emprego veio a comprometer seriamente a sua saúde física e emocional.

Es definitivamente uma mãe/pai quando…

Um outro estudo, da empresa Aveeno, sobre a mesma temática, aprofundou também as dificuldades do dia-a-dia dos novos pais. Segundo esta pesquisa, 22% dos pais e mães inquiridos admitiu que, depois do bebé nascer, nunca mais conseguiram terminar uma chávena de chá, 33% só utilisa uma mão enquanto come, 19% nunca mais conseguiu ver um programa de televisão completo e  17% queixaram-se de dores de costas. (Os restantantes não se queixaram, mas garantidamente sofrem do mesmo problema.)

A Competição de mães/pais nas redes sociais

Também foi abordado neste estudo a influencia das redes sociais na parentalidade.

Segundo os resultados,71% dos pais admite que as redes socais os tornaram mais competitivos em relação a outros pais. 22% afirmaram que a pressão para se ser uma mãe/pai perfeita/o é grande. Que cada  a partir do momento que cada um exibe os seus feitos com os filhos. São bolos e festas de anos megalómanos e quartos de criança que parecem ter saído das revistas. Gurus da parentalidade que nunca deram um grito aos filhos. Amigos da natureza que reciclam, não usam fraldas descartáveis e só dão alimentos bio. Nas redes sociais vale tudo. Aqui é exibida uma parentalidade que raramente corresponde à real.