Saudades do tempo presente

Andava há alguns dias a adiar a tarefa de guardar a roupa de Verão dos miúdos, mas as notícias da vaga de frio polar que se aproxima fizeram-me parar de procrastinar e avançar para as gavetas. E caramba, que difícil foi…

Tantas e tantas memórias que passaram por mim naquela hora em que carinhosamente guardei fofos, calções, e babygrows de Verão… Se a roupa do Pedro foi menos difícil de guardar porque sei que ainda verá a luz do dia no corpo do João, já a roupa do mais pequeno foi embalada com lágrimas, sorrisos e com um coração apertado.

Sei que não voltarei a ter bebés cá por casa. Estas duas gravidezes, tão difíceis e tão próximas deixaram marcas, e não pretendo voltar a colocar-me numa posição tão frágil novamente. Pelos meus filhos e por mim. E é por isso que embalar a roupinha do João é uma espécie de despedida. A partir de agora não haverá mais recém-nascidos, mais mãozinhas minúsculas e fraldinhas de pano. A partir de agora o tempo começa a sua contagem impiedosa e os meus bebés passarão a meninos e, depois disso, a homens.

Eu sei que agora ainda estão aqui comigo, que precisam muito de mim, mas já temo pelo dia em que o meu colo ficar vazio.

Quem me dera que houvesse um comando para controlar o tempo. Era hoje, agora, neste momento, que carregaria no botão de pausa e aqui permaneceria. Sem medo que tudo fosse demasiado rápido.

Sem medo que as gargalhadas felizes que ouço agora se perdessem. Sem medo que este cheirinho a bebé não fosse mais do que uma lembrança de dias felizes.

Nunca fui de viver agarrada ao passado; sei que a vida ainda tem muito para nos dar mas quem me dera que o tempo andasse mais devagar, quem me dera ter todo o tempo do mundo para eternizar estes instantes.

Será assim tão estranho já sentir saudades do momento presente?

 

17 coisas que me dizem… sobre as minhas filhas com autismo

… e que eu – e, provavelmente, outras mães – dispenso bem de ouvir.

Vamos por partes. Ter um (ou mais) filhos diferentes não significa que estejamos predispostas a ouvir tudo o que nos têm para dizer, até porque, na grande maioria das vezes, o que nos dizem… bem… não interessa.

É essa a verdade.

Pessoalmente, e desde que o autismo nos entrou porta dentro sob a forma de diagnóstico, que temos vindo a reforçar o que já fazíamos antes. Evitamos confusões, recusamos convites que impliquem grandes concentrações de pessoas, deixámos de fazer/adiámos alguns planos. Não encaro isto como um fardo ou algo que seja extremamente penoso, um sacrifício.

Todas as mães/pais se sacrificam pelos filhos, ou não?

Não me arrependo das decisões tomadas em prol das minhas filhas. Elas precisam de mim e aquilo que eu queria fazer pode perfeitamente surgir por daqui por mais uns anos. Eu ganho em termos familiares.

Então, vamos lá.

1.  O olhar clínico

Ah, mas elas não parecem ter nada”, “ninguém diria”, “elas são tão bonitas.”

Vamos a ver se nos entendemos.

Existem vários tipos de deficiência: algumas são visíveis, outras não.

O autismo faz parte das deficiências invisíveis porque é algo que afeta a parte intelectual e neurológica, sem alterações físicas. Portanto, o autismo não se vê. Mas a epilepsia, a diabetes, alguns cancros, a infertilidade, a endometriose, etc etc etc também não se vêem! Por isso, qual é o espanto quando se sabe que uma criança tem autismo? Porquê a associação da deficiência à beleza/fealdade? E, já agora, desde quando é que quem diz estas coisas é médico? Nem estes, muitas vezes, sabem como chegar a um diagnóstico!

Sugiro tento na língua e algum discernimento antes de abrir a boca.

2.  A descrença

“ah, para mim não têm nada!”

Ok.

Por muito que nos doa e nos mate por dentro, há uma coisa que toda a gente deve fazer quando lidamos com um diagnostico – principalmente com um diagnóstico de autismo: todos devemos falar a mesma língua. Ou seja, somos uma equipa (pais, professores/educadores, terapeutas, técnicos, médicos) e todos devemos trabalhar com o tal.

Para isso, é necessário que se encarem os factos e que se faça um esforço para cumprir o que nos é pedido, para que a criança beneficie de uma harmonia e coerência entre todos.

Quando nos dizem na cara que não acreditam e recusam a aceitar o que quer que seja, o ideal é o afastamento. Nada do que possamos dizer ou fazer alterará aquela forma de pensar e, no final, pagam os nossos filhos essa fatura.

3.  O cepticismo

“Nem sei como consegues”, “se fosse comigo, já tinha ________________ (preencher a gosto)”

O que raio quer isto dizer?

Alguma criança vem com livro de instruções? Não. Alguma criança tem botões on/off e reguladores de som? Não. Alguém nasceu ensinado? Não. Então? Isto quer dizer que a maternidade é um ato condenado ao fracasso e à desistência?

Não esquecer algo muito importante: somos animais. Sim, animais. E, como tal, temos instintos e temos intuições. E temos algo que ainda nos corre no ADN e que foi deixado lá pelos nossos antepassados das cavernas.

Alguém lhes disse a eles como lidar com crianças – normais ou com deficiências? Não me parece. Não há nada que saber: é agir como mãe, é dedicarmo-nos às nossas crias, é ouvir os nossos instintos e intuições (existem, estão lá, só não conseguimos torná-las palpáveis), é estudar, é ir à luta. Por qualquer filho, não apenas por um filho com necessidades especiais.

E, eu tenho duas boas razões para me levantar todos os dias: as minhas filhas.

4. Do 8 ao 80

“O meu filho também não gosta de usar esse tipo de roupas”, “O meu também escolhe a comida e nunca come as ervilhas” –> “se calhar é autista”

Errado.

Eu detesto sentir etiquetas nas roupas (mesmo que sejam de marcas xpto) e arranco-as todas. Há miúdos que não gostam de ervilhas. Isso não é sinal de autismo. Para se chegar a um diagnóstico, é como montar um puzzle. Há uma série de sinais e sintomas a ter em conta. E três grandes áreas devem estar afetadas:

  • comunicação (a questão da fala e da iniciativa comunicativa);
  • a interação (o estar com outros, o lidar com regras de jogos etc);
  • desenvolvimento (e que, invariavelmente acaba por abarcar o comportamento).

E é um médico especialista quem avalia e dá, eventualmente, um diagnostico que nunca deve ser estanque. Não é a professora ou a educadora, a vizinha do lado ou a sogra.

5.  A comparação

Oh, o meu faz o mesmo e não tem autismo”.

Certo.

Há muitas coisas comuns a todas as crianças, com e sem deficiências, por exemplo, respirar, cortar o cabelo ou a unhas, fazer chichi ou cocó, tomar banho. É óbvio que há muitas coisas que crianças com autismo fazem igual mas uma imensidão de outras que ou não fazem ou fazem de modo diferente, com graus e intensidades variáveis.

As birras (que, na realidade são meltdowns), a reação a estímulos, a incapacidade de gerir a ansiedade, a reduzida capacidade de atenção/concentração, a comunicação, etc. Se as crianças neurotípicas também fazem isto por que não têm um diagnóstico? Ou não tomam medicação? Ou não têm terapias? Porque NÃO têm autismo.

6. Os veterinários de serviço

“Devias arranjar um cão da raça ____ (preencher a gosto)”, “cuidado com os gatos”, “por que não peixes”.

Eu sugiro um tubarão ou um urso pardo ou um pterodáctilo.

Como todas as crianças, algumas reagem e interagem melhor do que outras com animais, umas gostam e outras não. Com crianças com autismo é igual. E eu sei do que falo porque já experimentei e vi o que deu resultado ou não. Ninguém questiona os benefícios de um animal de estimação para uma criança. Mas não preciso de opiniões de terceiros, a menos que as peça, como já fiz. Se correr bem, ótimo; se correr mal, cá estarei para arcar com as consequências. Como sempre fiz.

7.  A culpa

“Está tudo na tua cabeça”, “Tu é que as pões autistas” ou a pérola “A culpa do autismo delas é toda vossa“.

E a culpa do buraco na camada de ozono também, e do acidente em Chernobyl também e da 2ª Guerra Mundial também, .. espera, nessa altura os meus pais ainda nem tinham nascido.

A nossa vida já é demasiado complicada e dolorosa para que nos atribuam (ainda) mais culpas. Inconsciente e involuntariamente, a culpa paira sempre sob as nossas cabeças ou porque há casos na família ou porque foi uma gravidez terrivelmente complicada ou porque deveríamos ter feito assim e não assado. A cabeça não pára. Sabemos, racionalmente, que não há nada a fazer para evitar o autismo mas não conseguimos evitar de pensar nos “e se…”.

Ouvir isto da boca de alguém – e, em 95% das vezes é de alguém familiar muito próximo -, é do mais doloroso que existe. E é aqui que entra o nosso ditado popular “o silêncio vale ouro”.

8.  A fé

Tens de ter muita fé”, “Acredita que isso vai passar”, “Por que não as batizas?”, “Deus só te dá aquilo que consegues aguentar”

Não falo de religião com ninguém.

Tenho formas de interpretação diferentes das que são passadas na catequese. E o que tenho a dizer digo-o até ao padre. E estou chateada e numa relação muito complicada com Deus. E acho que, da parte de terceiros, enfiar o nome de uma qualquer divindade no meio de todas as conversas só prova que se criou algo transcendente para explicar o inexplicável. Não estou para questões metafísicas.

O autismo não é uma benção – apesar das coisas fantásticas que faz com que as piolhas façam mais à frente dos outros – e, para mim, é mais um castigo incompreensível – basta ver todos os desfasamentos do desenvolvimento delas e o sofrimento que causam os meltdowns-  tal como o são as minhas enxaquecas crónicas e a epilepsia da minha mãe ou os diabetes da minha avó. Mas tudo e qualquer coisa que me possam dizer sobre autismo e religião, soa-me a Idade Média. Poupem-me. A minha relação com Deus só a mim me diz respeito, as nossas decisões em prol das nossas filhas competem-nos a nós pais.

9. A auto-ajuda

“Tenho lá uns livros porreiros, assim, do estilo alternativo, para te emprestar se quiseres.”

Não quero. Dispenso. Não preciso.

Aliás, só de pensar nisso, lembro-me logo da louca da Solnado (o pobre do pai deve dar voltas no túmulo só com a quantidade de disparates que saem da boca dela). São a prova provada de que o lixo vende e a estupidez assiste. Como é que é possível que este povo seja ignorante ao ponto de rejeitar uma visão científica, estudada, experimentada, defendida por classes médicas e professores, investigadores e afins, para dar ouvidos a uma pseudo-hippie sem o mínimo conhecimento do que fala?

Exemplo?

Na minha opinião, a criança autista tem um laço kármico muito forte principalmente com a mãe. A criança escolheu o autismo (inconscientemente) para fugir à sua realidade. É provável que numa vida anterior, a criança tenha vivido algo muito difícil com a sua mãe actual e que seja a sua maneira de se vingar, recusando todos os alimentos e afectos que dela venham. É também uma  escusa da sua encarnação.

Se és mãe de uma criança autista e leres estas linhas, sugiro que lhe leias esta passagem em voz alta, seja qual for a sua idade, pois a alma desta criança pode compreender. A criança autista deve aceitar que se escolheu voltar a este planeta, tem seguramente experiências a viver. Teria interesse em convencer-se de que tem tudo o que é preciso para enfrentar esta vida e que só vivendo experiências poderá ultrapassar-se e evoluir. Os pais de uma criança autista não se devem culpar, mas aceitar que esta doença é escolha da criança, que faz parte das suas experiências de vida. Só ela pode decidir libertar-se um dia ou viver a experiência da fuga durante toda a vida ou aproveitar esta nova encarnação para viver várias outras experiências.”

Minha senhora, quando conhecer um caso de autismo, aí sim poderá falar do assunto. Até lá, faça-me um favor: comece a tomar chá de camomila (são umas flores parecidas com o malmequer mas mais pequenas, assim tipo boninas – não são papoilas!) e ponha tabaco nos cigarros.

Autismo NÃO é doença, NÃO é escolhido, não é porra nenhuma do que esta gaja diz. E sim, os pais DEVEM estudar e saber cada vez mais, só assim, podem e conseguem ajudar os filhos.

10.  Um, dois, experiência

Já experimentaste a terapia _______ (preencher a gosto)”, “se fosse eu, eu faria _____ (preencher a gosto)”

Ainda bem que não são eu.

Os nossos filhos não podem ser as nossas cobaias. Só experimento aquilo em que acredito – e nunca sozinha – e que me mostra resultados palpáveis, cientificamente provados e que façam falta às piolhas.

Já passei pela fase de testes e foi horrível. Os nossos filhos não merecem isso, são seres humanos, não ratos de laboratório.

Ler um artigo qualquer no jornal, sem fontes de informação ou dados; sugerir um disparate qualquer sem se colocar na pele de quem ouve não faz de ninguém um expert na matéria. Mergulho com apneia e batismos religiosos não curam autismo. Ponto. Forçar alguém a aceitar uma terapia estapafúrdia qualquer sob pena de ficarmos mal vistos ao dizer que não, é pior que chantagem. É idiotice elevada à raiz quadrada da maldade.

11.  Os intelectuais

Eu vi uma reportagem sobre autismo e percebi logo tudo”, “já sei o que é o autismo, vi um episódio do Dr. House/E.R:/ Cold Case”

Eu sou uma autism mom, o nosso médico é um especialista em autismo e não sabemos tudo, não sabemos o que é o autismo no seu todo.

Ver um filme, grandemente estereotipado e com aquilo que toda a gente conhece de autismo, não mostra todo o autismo. Além disso, se for como a bela bosta que a novela “Amor à Vida” mostra, desenganem-se. Um autista clássico nunca evolui tão rapidamente a ponto de, em pouco mais de 1 ano, poder ter um relacionamento amoroso, casamento e autonomia de vida.

Poupem-me. Aqui estamos na mistura da Idade Média com a Renascença, com a teoria de que o Homem pode tudo? O espectro é demasiado vasto e surpreendente para se poder generalizar ou saber o que se passa no caso a, b ou c. Eu trabalhei numa unidade de autismo como tarefeira e todos os casos são diferentes. Não conheço nenhum caso semelhante ao das piolhas exceto elas e, mesmo assim, até elas revelam diferenças dentro do espectro. A menos que tenham experiência de vida ou sejam pais de crianças com autismo ou adultos com autismo, um filme/série/jornal/reportagem/artigo não vos fará experts ao ponto de compreenderem o que passamos, o que passam as nossas crianças. Lamento.

12.  A vida social

Por que não sais mais?”, “Por que não deixas as miúdas com os avós e vais de férias?”

Primeiro: eu não tive filhos para os espetar em casa dos avós, eu criei uma família;

segundo: os avós devem cuidar dos netos na forma avós-netos e não na forma pais, devem complementar o ciclo, não substituí-lo. E, já agora, se tiverem dois dedos de testa, digam-me lá: se até para nós pais é complicado gerir as crises, os comportamentos dos nossos filhos e isso cansa-nos de sobremaneira, é isto que querem fazer aos avós?

Eu não me sentiria bem comigo mesma sobrecarregando os meus pais e a minha irmã só porque quero tirar férias! As piolhas ficam com eles quando eu vou trabalhar fora de horas ou quando nos juntamos todos, mas não porque “olha, vou de férias porque estou cansadinha“. Desculpem mas isto comigo não funciona. Deixar os netos dormirem nos avós por carolice sim, espetá-los lá como um fardo dos pais, não.

13.  A continuidade familiar

Por que não tens mais filhos?”, “Tens um filho assim e ainda quer ter mais filhos?”

Mas que raio tem esta gente que ver com o que se passa na vida íntima e familiar de uma família com crianças com necessidades especiais? É o quê?

Vontade de falar? Vontade de criticar? Vontade de mandar bitaites?

Eu acabei por desistir, não só financeiramente, mas também por medo e algum egoísmo. Se tivesse só um filho, arriscaria sem sombra de duvidas; com dois, o caso muda um pouco de figura. Só há pouco tempo é que conseguimos fazer coisas básicas que outros pais fazem com os filhos desde que eles aprenderam a andar… E nós queremos aproveitar esses momentos.

Mas a decisão de ter ou não filhos ou mais filhos, só pertence ao casal. Os outros, fora. E parar com as bocas de achar que os irmãos com necessidades serão um fardo para os mais novos e que não é justo e blá blá blá. Ora porra, para que serve uma família senão é para nos apoiarmos uns nos outros? Esta é a minha maneira de ver as coisas, desculpem.

14. As crianças especiais

“Vê/pesquisa/procura cenas sobre crianças especiais, tipo índigo e cristal

ha… sem querer ofender ninguém, os únicos cristais que tenho em casa estão encaixotados no arrumo para sua própria segurança. E índigo, só se for azul-índigo que, já agora, fica lindíssimo em latas com découpage.

Acreditar nestas cenas é quase como dar peso às teorias alucinadas de algumas auto-ajudas.

Cientificamente falando, o autismo é uma perturbação neurológica que afetam as sinapses entre neurónios, ou seja, o modo como estes processam e trocam informações entre si é feita diferentemente do que acontece em crianças neurotípicas = normais. Os poderes especiais de crianças com autismo são semelhantes aos de crianças neurotípicas: carisma, poder de argumentação, pureza de espírito, memória visual/auditiva/etc, jeito particular para desenho/línguas/computadores/etc.. Ninguém diz a uma criança neurotípica que adore computadores que ela é índigo ou cristal ou whatever.

15. O amor

O amor é o caminho para a cura”, “ama muito que vais ver que a cura aparece”

ha, wrong and wrong.

Isso é o que acontece nos filmes românticos e lamechas e nos milagres religiosos. Amo as minhas filhas mais que a própria vida, faço tudo por elas, abdiquei de tanto tanto – sem queixas – por elas and guess what? não se curaram do autismo, porque, bem, o autismo NÃO tem cura. O amor é fundamental para haver evolução, progresso, resultados, para se conseguir levar em frente uma vida bastante complicada mas não é fonte de cura per se.

Se assim fosse, as indústrias farmacêuticas estariam falidas ou, então, face às numerosas doenças que existem, não há amor no mundo e como humanos – e até os animais! – falhámos redondamente.

16. A medicação

“Elas tomam alguma coisa?” ou “Nem acredito que estás a medicá-las!” 

Medicar ou não medicar é uma decisão nossa e só nossa. Ninguém tem nada a ver com isso, nem mesmo os médicos que podem sugerir mas cuja decisão final nos cabe a nós.

A medicação não é o caminho mais fácil mas sim aquele que nos traz qualidade de vida, a pais e filhos. Já escrevi muitos posts  sobre a medicação que tomam e não vou retomar a isso. As minhas filhas andam bem com a medicação que tomam; sem ela, provavelmente não estariam numa sala de aula, usariam capacete e estariam carecas. Por isso, mind your own business. A maioria das mulheres também toma a pílula, certo? E paracetamol ou ibuprofenos, certo? E isso também tem efeitos secundários, certo? Então, deixem-me em paz com este assunto.

17. As vacinas

“Sabias que as vacinas podem causar autismo?”

Sim, as vacinas, o fluor, mulheres mais velhas, pais gordos, mães magras, comida assim e assado, noites de lua cheia, etc.

Sabem o que causa autismo? Mandar uma e engravidar. Poupem-me.

Não vou em modas de não vacinar. Qual é a lógica de trazer de volta doenças que já forma praticamente erradicadas, apenas porque alguém acha que causam autismo? E só causam autismo, não causam mais nada reparem bem! Na minha ótica, isto é voltar à Idade Média e fazer subir uma taxa de mortalidade infantil perfeitamente controlada e das mais baixas do mundo. Jamais me perdoaria se as minhas filhas tivessem meningites ou hepatites ou tétano por optar não vaciná-las quando estas doenças podem ser evitadas.

Além disso, já foi provado que não existe um elo realmente credível e forte entre autismo e vacinas. Just google it.

Não evito vacinas mas evito os efeitos dolorosos e, sempre que possível, peço ao nosso médico de família para que a admnistração das vacinas seja faseada e não levem duas e três vacinas no mesmo dia. E tem corrido bem.

Esta lista não é estanque. Provavelmente, à medida que as piolhas crescem e as suas dificuldades presentes vão transformar-se noutras ou desaparecer, irei continuar a ouvir muitas e muitas coisas. Claro que, associado a cada uma das frases, está o síndroma da coitadinhice. Somos sempre uns “coitados” façamos o que façamos. Até somos uns “coitados” porque pagamos impostos, vejam lá só.

A culpa e a insegurança maternas

Observando os primeiros dias de aulas numa instituição de Educação da Infância, percebemos a postura das mães em relação aos pequenos. Demonstram insegurança, receio, apego excessivo e até mesmo uma espécie de ciúme velado (ou explícito) em relação à professora. Tudo isto é muito natural, se passar nas primeiras semanas de aulas, quando os diferentes intervenientes deste processo já se encontram adaptados.

Acontece, no entanto, que algumas mães continuam a apresentar dificuldades em deixar a criança na escola com tranquilidade. Este é um dos muitos exemplos através dos quais podemos analisar a figura da mãe, com processos psicológicos de culpa e insegurança…

Análise histórica

Remontando a questões históricas, a 2ª guerra mundial levou homens para campos de batalha e mulheres para fábricas. A guerra acabou, os homens voltaram para as fábricas, mas as mulheres não quiseram voltar para os fogões. Sentiram-se capazes de trabalhar fora e, ao mesmo tempo, gerir a criação dos filhos. De serem esposas, sem abrir mão de serem profissionais.

Embora a conquista desse espaço tenha sido justa, gerou impactos na estrutura social da família, cujas filhos precisavam de ficar num ambiente substituto. Então, ao mesmo tempo que as mulheres se rejubilavam com as conquistas profissionais, começaram a sofrer as consequências da sua ausência em casa.

Na verdade, está implícito na culpa uma condição histórica da mulher que “só” ficava com os filhos. É raro vermos homens que se sentem culpados por trabalhar 8 horas por dia, pois já estava “estabelecido” que o homem trabalha fora, e não tem a responsabilidade de estar perto dos filhos o tempo todo.

A mulher é biologicamente condicionada a ficar em casa quando sua criança nasce. Deve parar de trabalhar. O recém-nascido precisa do seu corpo para viver. O vínculo de afeto estabelecido entre mãe e filho alimenta a criança.

Mas… Tudo na vida são fases, casulos, pupas e borboletas… Com o passar do tempo, mudam as necessidades da criança. E do adulto também!

A evolução

E esta mãe, que sentia dificuldades em deixar a sua criança na escola, que fará ela quando o seu filho crescer e for trilhar os caminhos da própria vida? O que vai acontecer a esta aquela mãe culpada, quando encarar de frente o ninho vazio? Deixou as autorrealizações de lado para se dedicar única e exclusivamente aos filhos? Desistiu do casamento? Da carreira? De si mesma?

Estas reflexões são necessárias. Dolorosas, mas necessárias. A culpa e a insegurança maternas, na primeira infância, podem moldar um futuro caráter inseguro e egoísta nas crianças, mas sobretudo, fazer com que a própria mulher perca a identidade e o autoconceito, perdendo-se a si mesma.

O meu filho está doente

Já passa da meia-noite. Deitado ao meu lado o Pedro vai descansando num sono leve e constantemente interrompido por gemidos. As bochechas absurdamente rosadas não enganam: a febre disparou outra vez.

Estamos há mais de vinte e quatro horas nesta dança onde volto a vestir a farda com que trabalho todos os dias. A questão é que no hospital sou “só” enfermeira e aqui, no nosso quarto, a sentir o calor exagerado que emana do corpo do meu pequenino, sou uma mãe que, por acaso, também é enfermeira lá fora.

Aqui, com o meu filho, o meu discernimento perde-se um bocadinho e esqueço-me que a febre significa que o sistema imunitário dele está a funcionar e que até às 72h não são necessárias preocupações. Aqui não quero saber de fisiologia, normas hospitalares ou protocolos de actuação. Aqui tenho o coração mais pequeno que uma noz. Aqui só quero que a doença vá embora e deixe o meu menino em paz.

Há meia-dúzia de meses, à porta da Unidade de Cuidados Intensivos onde trabalho, uma mãe desesperada dizia-me entre lágrimas engolidas que dava tudo para poder trocar de lugar com o filho. Nessa tarde eu dei-lhe a mão e disse-lhe que a compreendia. E a verdade é que a cada dia que passa a compreendo um bocadinho mais.

Somos mães.

Somos mães, não estamos preparadas para ver os nossos filhos sofrer. Se for preciso lutar contra moinhos de vento para os termos felizes nós lutamos, se for preciso ir à lua nós vamos, se for preciso dar a nossa vida nós damos. De boa vontade. Sem pensar duas vezes.

Hoje a minha casa permaneceu arrumada, houve pouco barulho e o sofá chegou ao fim do dia sem migalhas. E eu tive saudades da gritaria, dos constantes pedidos de pão e das peças de Lego espalhadas.

Os olhos do meu filho que costumam ser brilhantes de felicidade hoje estiveram brilhantes por culpa da febre.

Quem me dera ser eu no lugar dele.

Hoje o meu filho está doente. E o meu coração também.

image@gettyimages

 

Ser mãe dói…

“…sobretudo no coração quando os vemos fazer algo novo. Quando nos abraçam e nos olham com amor. Quando percebemos que o tempo passa e jamais voltará atrás.”

Ser mãe dói na garganta quando os enjoos teimam em não passar.

Na pele quando começa a esticar, no peito quando começa a inchar.

Dói nos órgãos quando o espaço começa a faltar, dói no parto, e nos seios nas primeiras vezes que damos de mamar.

Nas costas depois de horas de colo.

Dói no corpo quando dormirmos todas tortas para os manter aconchegados. Nos olhos quando lutamos de madrugada para os abrir.

Ser mãe dói na cabeça quando as palavras faltam, a memória falha e o cansaço teima em não passar.

Dói na barriga quando percebemos que eles nunca mais voltarão a lá morar.

Dói na alma quando os vemos doentes.

Ser mãe dói.

Sobretudo no coração quando os vemos fazer algo novo.

Quando nos abraçam e nos olham com amor.

Quando percebemos que o tempo passa e jamais voltará atrás.

A maior dor de uma mãe é a de viver com mais amor no coração do que aquele que acreditava ser possível.

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Minudências dirão alguns, necessidades básicas digo eu.

Estou há mais de cinco minutos focada numa nódoa do tamanho de uma moeda de vinte cêntimos que descobri na manga da camisola branca que tenho vestida. Num dia normal já estaria a pensar qual o produto mais adequado para fazer o pré-tratamento. Mas hoje, não sei porquê, acho que esta nódoa não caiu aqui por acaso. Hoje acho que esta nódoa é a prova inequívoca da falta de glamour da minha vida pós-maternidade.

Confesso que às vezes invejo aquelas mães das redes sociais sempre muito bem-vestidas, de unhas arranjadas e com imensa vida para lá dos filhos. Como é que elas conseguem é que eu não sei. É que desgraçadamente pertenço de corpo e alma à classe de pessoas que limpa a própria sanita. Desde que os putos nasceram que o expoente máximo da minha vida social sem eles é ir à casa-de-banho e sentar-me na sanita a olhar para o Facebook.

O meu estado é grave ao ponto de ver fotografias de copos de vinho nas mãos dos pais que se sentam no sofá juntos, depois de adormecerem as crianças, e a primeira pergunta que me vem à cabeça ser como é que já têm a cozinha arrumada àquela hora. E depois penso que se calhar têm empregadas. E que eu sou a única mãe no mundo que gasta mais de metade do tempo a dobrar meias. A fazer máquinas de roupa, passar a esfregona no chão ou limpar a fritadeira.

Caraças! Sempre que ouço dizer que é preciso existir para além dos filhos tenho vontade de me deitar em posição fetal e chorar. É que o tempo que vou conseguindo sem eles gasto com tarefas muito pouco glamourosas, contudo, necessárias ao bom funcionamento cá de casa. E já sei que vão dizer que devia esquecer as tarefas domésticas e dedicar-me ao que realmente importa. Mas é capaz de ser chato não ter umas cuecas lavadas para vestir ou uma sopa para o jantar do puto. Minudências dirão alguns, necessidades básicas digo eu.

A verdade é que padeço de falta de tempo, pronto. E de falta de glamour. Em dias como hoje, despenteada e de nódoa na manga, sinto-me uma espécie de mãe de armazém chinês do Porto Alto num mundo de mães de lojas da Avenida da Liberdade.

E agora vou só ali tirar a loiça da máquina. Vou passar a ferro a roupa dos putos e fazer as camas com lençóis lavados. Tempo para lá dos filhos e da casa? Devo conseguir arranjar daqui a uns dez anos.

 

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O amor de mãe é um amor que não se mede

Há quem diga que se ama um filho assim que sabemos que estamos grávidas.

Eu digo que não, que é mentira, o que amamos é a ideia abstrata de um filho, a ideia de sermos mães.

Eu não amei os meus filhos ao primeiro olhar, nem ao segundo, nem ao terceiro, nem sei precisar o momento exato em que os comecei a amar.

Ao primeiro olhar, acabados de sair da minha barriga, vi-os roxos, com restos de mim e com um cordão umbilical ainda por cortar. Perguntei-me se aquilo que me parecia um filme estava mesmo a acontecer. Fechei os olhos e voltei a deitar a cabeça.

Ao segundo olhar, depois de os ouvir chorar ao longe, trouxeram-nos até mim, enquanto os médicos costuravam o corpo que já lhes tinha servido de casa. Beijei-lhes a testa e pedi que os fossem mostrar ao pai. Ao terceiro olhar, no recobro, deitaram-nos ao meu lado e eu percebi que estava presa dentro de um filme e ninguém me tinha dado o argumento.

Em nenhum destes olhares senti amor. Senti estranheza e medo.

Os meus filhos nasceram e com eles nasceu a mãe e a mãe ama. Mas, amar? Amar como, se acabei de os conhecer? E logo ali senti-me culpada por não sentir o que diziam que devia sentir. Senti-me esmagada pelo peso das expectativas dos outros. Peguei neles, cheirei-lhes os cabelos vezes sem conta, beijei-lhes as mãos pequeninas e a testa. Aconcheguei-os no meu peito, decorei-lhes as linhas do rosto e nada.

Estranheza e medo. Conversei com eles, talvez o amor de mãe fosse assim, mais medo que coração acelerado. Mais culpa que amor. Pedi-lhes desculpa, alimentei-os, dei-lhes banho, vesti-os e mudei-lhes as fraldas. Cantei-lhes canções de embalar, adormeci-os no meu colo e num dia qualquer, no meio da confusão dos dias que mudaram para sempre, houve um momento em que o meu coração bateu mais forte e rebentou-me o peito. No meu peito ficou um buraco e o meu coração ficou exposto. À mostra. E assim ficará, como naquele lugar-comum, que diz que os filhos são um coração a bater fora do peito.

Não importa quando foi.

Palpites na gravidez. Quando o mundo inteiro tem uma palavra a dar.

Quando engravidamos e anunciamos ao mundo que vamos ser mães, o mundo segura-nos na mão e começa a dar-nos conselhos.

E por mundo quero dizer mundo, o mundo inteiro. Todas as pessoas do raio do mundo inteiro possuem informação privilegiada que por um qualquer acaso não chegou até nós. Mães. Mães desprovidas de cérebro, capacidade de pesquisar informação e de tomar decisões.

As mães dos grupos de mães, a vizinha do 3.º esquerdo e a colega de trabalho.  A enfermeira do centro de saúde, a nossa chefe, a mulher na sala de espera do consultório. As terapeutas do sono, as deusas da parentalidade positiva, a bloguer/influencer/instagramer/youtuber. (inspira, expira)

A avó que está com o neto no parque infantil, o taxista que nos leva a uma consulta.

A empregada de balcão do café onde tomamos o pequeno-almoço, a mulher na paragem do autocarro, a educadora da escola dos miúdos. A nossa cabeleireira, a empregada da caixa do supermercado, a nossa gestora de conta do banco. (inspira, expira)

O nosso pai, a nossa mãe, a nossa avó, a nossa sogra, a nossa tia, a tia da tia da prima, a prima em quarto grau que só vemos no Natal. A melhor amiga, a amiga que está a viver o estrangeiro, a amiga que acabou de ser mãe, a amiga que não tem filhos, a sogra da nossa amiga e a amiga da nossa amiga que conhecemos na festa de aniversário da filha da nossa amiga. (inspira, expira)

Qualquer uma das pessoas acima e todas as outras que se abeiram de uma mãe, que me levava a vida toda enumerá-las a todas, conseguem perceber rapidamente que merda é que estamos a fazer mal e mostrar-nos a luz. O caminho da sabedoria, os passos para a perfeição e enfiar-nos na cabeça a filha da mãe da culpa.

Rapidamente nos mostram que não escolhemos o melhor obstetra.

Que estamos a engordar demasiado. Que não estamos a usar o melhor creme para as estrias ou a tomar as vitaminas adequadas. Que a barriga está muito descaída e a criança deve estar quase a nascer e que para acelerar o parto basta-nos andar muito ou comer comida picante. Dizem-nos que não sabemos o que é parir porque implorámos por uma epidural. Que devíamos ter tido o nosso filho num hospital público e não no privado.

Elas sabem se devemos ou não receber visitas, se estamos a amamentar bem ou que não devíamos dar leite adaptado. Elas olham para os nossos filhos e pesam-nos com os olhos e juram que estão magrinhos. Aconselham-nos os melhores médicos que nunca são os nossos. Indicam-nos medicamentos, tratamentos e duvidam seriamente das razões porque os nossos filhos estão sempre doentes. Dizem-nos que damos demasiado colo, que os miúdos são mimados, que sabem mudar as fraldas melhor que nós e os rabos só ficam assados com a mãe porque a mãe não usa creme suficiente.

Sabem a idade exata em que os nossos filhos devem começar a comer a sopa e fuzilam-nos se lhes damos papas.

Sabem quando devem nascer os primeiros dentes e quando devem começar a palrar, a sorrir, a gatinhar, a andar, a falar corretamente português e inglês e a andar a cavalo. Ensinam-nos todas as teorias da parentalidade positiva, consciente, mindfulness e todas as tretas para nos conectarmos com os nossos filhos. Conseguem resolver qualquer birra sem esforço, impor rotinas para adormecer e não, com eles não há cá essa merda da privação do sono.

(inspira, expira, inspira, expira)

Quando somos mães dizem-nos que estão felizes por nós. Dão-nos os parabéns e juram que vamos ser as melhores mães. Mas no fundo desconfio que estão só felizes por ter mais uma mãe a quem lixar o juízo.

A minha filha tem fúrias

Faço esta pergunta como mãe e ainda estou à procura de respostas.

A minha filha tem 4 anos, é um amor, carinhosa e preocupada mas também tem fúrias. Há alturas em que passa para o lado de lá da força e nessas alturas vai tudo à frente.

Há uma tendência de os pais ficarem incrédulos porque não foi assim que educaram os filhos. Ou porque simplesmente foram crianças tão diferentes deles.

Cresci a ouvir dizer que nunca tinha feito uma birra e, bem, digamos que não somos minimamente iguais.

Conheço a minha filha como ninguém mas isso não significa que saiba tudo sobre ela ou que consiga perceber tudo o que está a sentir.

Tento, é esse o meu papel, e tento também orientá-la dentro da raiva e fúria que está a sentir, a frustração que transmite no seu comportamento.

Tento que perceba que pode comunicar de outra maneira.

Uma das estratégias que encontrei foi pedir-lhe que me tente explicar o que está a sentir usando palavras. Sei que isto, para quem está fora de si, dá vontade de chutar o balde e mandar o outro para um certo lugar. E às vezes não resulta. Noutras resulta e ela vai verbalizando e eu vou tentando ajudar a falar, a exprimir, a explicar.

Mas há alturas em que nem ela sabe já o que a deixou assim e, por isso, esta estratégia não resulta.

Já fiz este mundo e o outro e tento seguir o meu instinto no momento.

É cansativo, suga-me a alma e muitas vezes acabo derrotada e a chorar por dentro (até que posso chorar para fora), mas procuro fazê-la perceber que não é assim que se resolvem conflitos ou se manifesta tristeza ou raiva. Não deveria ser.

Já li que as crianças só têm maturidade emocional por volta dos 5 anos e estou a contar os dias para lá chegar, para provar a teoria, sabendo à partida como todas as crianças são diferentes e como os timings variam de umas para outras.

Quero que sinta que se pode exprimir. Mas que entenda que nesse processo não pode magoar os outros, verbal ou fisicamente – e não se pode magoar a si.

Este processo de não desistir dela e de não a deixar por sua conta dá-lhe a segurança de sentir que, apesar de às vezes errar, não está sozinha.

Porque não está e canso-me de lho dizer.

Às vezes termina a pedir-me desculpa e a dizer “vamos voltar a ser amigas”.

Explico-lhe que nunca deixei nem deixarei de ser sua amiga porque ela age de maneira errada comigo. Porque sou sua mãe e estou aqui para a ajudar. Mas faço questão de dizer que para as outras pessoas isto pode não ser válido, porque quero que compreenda que não se pode fazer tudo aos amigos. Há coisas que simplesmente não têm perdão e não podemos esperar que nos aceitem depois de errarmos. Podemos desejá-lo, trabalhar para isso, mas não exigir isso dos outros.

Porque este amor incondicional pertence aos pais. E nós somos os primeiros a terem de ser tratados como tal.

Se desse lado também há dias cinzentos, muita força. Às vezes temos de atravessar a tempestade de mãos dadas para conseguirmos chegar juntos até ao arco-íris.

Estudo confirma: Ficar em casa com os filhos é mais extenuante que ter um emprego

Manter a casa limpa e arrumada, preparar e planear refeições (de preferência saudáveis), lavar e passar roupa a ferro.

Levar os miúdos à escola e da escola para as atividades extracurriculares. Acompanhar os TPCs, brincar, leva-los ao pediatra, dentista, oftalmologista, otorrinolaringologista e a todas as especialidades médicas que precisarem. Saber o nome dos amigos e respetivas mães e lidar com os grupos de whatsapp de cada turma e de cada actividade de cada filho.

A lista de afazeres diários de muitas mães e pais pode ser longa, exaustiva e muitas vezes desesperante. No entanto, a sociedade geralmente não reconhece este esforço dos progenitores que optaram por ficar em casa com os filhos.

Muitas pessoas, especialmente as que não têm filhos, pensam que é muito mais cansativo ter um emprego a tempo inteiro do que ficar em casa a criar e a educar os filhos.

A critica alheia

O pior é quando familiares próximos, muitas vezes o próprio marido ou mulher do progenitor que está em casa, não percebem porque é que este está sempre cansado. Aliás, não há pior pergunta do que “O que é que fazes o dia inteiro?

Investigadores da Universidade Católica de Lovaina entrevistaram quase 2.000 pais, principalmente mães, e concluíram o trabalho de mãe/pai a tempo inteiro é muito mais cansativo do que trabalhar fora.

13% das mães demonstraram um alto nível de exaustão. Com um profundo sentimento de incapacidade de lidar com todas as tarefas diárias, apenas uma em cada dez mães conseguiu reconhecer que abdicar do seu emprego veio a comprometer seriamente a sua saúde física e emocional.

Es definitivamente uma mãe/pai quando…

Um outro estudo, da empresa Aveeno, sobre a mesma temática, aprofundou também as dificuldades do dia-a-dia dos novos pais. Segundo esta pesquisa, 22% dos pais e mães inquiridos admitiu que, depois do bebé nascer, nunca mais conseguiram terminar uma chávena de chá, 33% só utilisa uma mão enquanto come, 19% nunca mais conseguiu ver um programa de televisão completo e  17% queixaram-se de dores de costas. (Os restantantes não se queixaram, mas garantidamente sofrem do mesmo problema.)

A Competição de mães/pais nas redes sociais

Também foi abordado neste estudo a influencia das redes sociais na parentalidade.

Segundo os resultados,71% dos pais admite que as redes socais os tornaram mais competitivos em relação a outros pais. 22% afirmaram que a pressão para se ser uma mãe/pai perfeita/o é grande. Que cada  a partir do momento que cada um exibe os seus feitos com os filhos. São bolos e festas de anos megalómanos e quartos de criança que parecem ter saído das revistas. Gurus da parentalidade que nunca deram um grito aos filhos. Amigos da natureza que reciclam, não usam fraldas descartáveis e só dão alimentos bio. Nas redes sociais vale tudo. Aqui é exibida uma parentalidade que raramente corresponde à real.