O bebé cresceu? 6 ideias para adaptar o quarto à criança

O seu filho cresceu e o seu quarto já não está adequado às suas necessidades e gostos? Ou está à espera de um bebé e está a começar a planear o quarto dele?

Este post vai ajudá-la a pensar no quarto dos seus filhos, tanto agora como no futuro.  De uma forma prática apresentamos soluções que permitirão aos seus filhos desfrutar do quarto e sentirem-se bem nele por muito tempo.

Vejas as nossas ideias, em colaboração com o Habitissimo:

1. Transformar o berço em cama

Berço cama

Existem alguns modelos de berço que podem ser transformados em camas de solteiro ou mini-camas, estando essa opção já prevista no seu fabrico. Tudo o que precisa defazer é seguir as instruções que vieram com o berço para o transformar na cama que precisa. Alguns modelos já vêm com gavetas ou escrivaninhas incorporadas, para que o quarto da criança seja ainda mais prático. Apesar de este tipo de berço não ser dos mais baratos, o facto de não ter que os trocar na infância da criança já o torna um bom investimento, uma vez que o usará por muitos anos.

2. Uma cama de sonho

Apesar de conseguir encontrar à venda mini-camas, o ideal é investir logo numa cama de solteiro, a pensar no crescimento do seu filho. No entanto, as mini-camas não precisam de ser logo descartadas, desde que tenha em mente que a terá de trocar mais tarde. Pense no quarto como um espaço de sonho e imaginação para a criança, e faça da cama uma peça especial e que dá o mote ao resto da decoração. Dessa forma, poderá ser mais fácil escolher entre cama de solteiro ou mini-cama.

3. Aproveite o espaço criando nichos e estantes

Outro ponto em que deve pensar desde a concepção do quarto é o armário e restantes espaços de arrumação. Para o armário, uma boa ideia é fazer as portas em fórmica (o material dos quadros brancos) para que as crianças possam desenhar nelas à vontade. Depois, coloque prateleiras, estantes, nichos e caixas para que a criança consiga arrumar tudo e guardar os brinquedos sozinhos. Se tem pouco espaço, pode sempre colocar uma cama suspensa e por baixo fazer a área de brincadeira, com algumas caixas de arrumação.

4. Secretária de tamanho adaptado

Maria Montessori defendia que o mobiliário deve ser todo adaptado às idades e alturas das crianças. Mesmo que o seu filho ainda não saiba ler nem escrever, irá gostar de estar numa mesa adaptada ao seu tamanho e necessidades. Assim, poderá  colocar brinquedos,  desenhar, ou fazer outras actividades plásticas. Pense na secretária como parte integrante da decoração do quarto na fase de planeamento, para que ocupe menos espaço. Com algumas alterações, essa secretária poderá ser também usada quando o seu filho crescer.

5. Uma tenda para leituras

A ideia das tendas nos quartos surgiu com o intuito de criar um espaço sossegado para que as crianças se pudessem sentar e ler. Como as crianças são imaginativas, essa tenda também pode fazer parte de brincadeiras e ser uma casa ou um castelo, sendo por isso muito apreciada por elas. Existem vários modelos de tenda à venda, mas se prefere algo do estilo “DIY” existem muitos vídeos a ensinar como criar uma tenda.

6. As cores das paredes

Photo by shutterstock

 

Esta última dica é para quem quer poupar e não estar a mudar o quarto dos filhos a cada fases do crescimento. Para o conseguir, escolha cores menos evidentes nas paredes como tons pastel, o cinzento ou apenas o branco. Isso não vai retirar o aspeto infantil ao quarto, mas vai deixá-lo mais moderno e com um tempo de vida útil mais longo.

Esperamos que tenha gostado das nossas dicas e as incorpore no quarto das suas crianças!

 

 

 

Educar para a verdade, ou mentir para poupar os filhos?

Quem tem filhos, tem medos.

E desde o primeiro momento que o nosso maior medo é vê-los sofrer. Ou não ver, mas que sofram ainda assim.

Para um bebé recém chegado pouco há a temer. A não ser o teste do pezinho, ou as primeiras vacinas – principalmente para pais de primeira viagem.

Com o tempo aprendemos que “é um mal necessário”, são breves os momentos de dor e que os beijinhos do pai e da mãe tudo curam. As crianças crescem, os pais também – é inevitável.

E das vezes seguintes, aquando as idas ao médico e respetivas vacinas perguntam-nos com os olhos mais ternurentos do mundo “Vai doer?” enquanto deixam cair uma lágrima ou se escondem atrás de nós.

Respondemos quase sempre “Não. Claro que não!” Mas será essa a verdade? Ou apenas a verdade em que nós pais queremos acreditar para que não sofram, porque não queremos vê-los sofrer?

Só que essa não é a verdade.

E podemos nós, só porque somos pais, mentir-lhes?

Vai doer sim. Mas vai passar. E no dia em que explicarmos isso aos nossos filhos estamos a educá-los para a verdade. Estamos a respeitar o medo que sentem mas estamos também a estimulá-los a serem mais fortes do que ele.

No dia em que fizermos isso os nossos filhos saberão o que esperar. Não nos dirão: “Tu mentiste! Doeu e muito.”

Haverá para nós pais, dor maior do que ver a desilusão espelhada naqueles olhos pequeninos?

No dia em que dissermos “Vai doer mas vai passar” mostramos aos nossos filhos que apesar de  encontrarem experiências dolorosas (ao longo de toda a vida), os nossos braços irão abrir-se sempre, os mimos não acabarão e a nossa voz dirá sempre, mas sempre a verdade!

Temos de pesar o que dizemos aos nossos filhos

Os nossos filhos são verdadeiras esponjas.

Crescem a cada segundo, surpreendendo-nos com as mais fascinantes tiradas, com declarações súbitas que nos demonstram que, apesar de nós, eles existem. Eles existem e bebem de tudo o que está ao seu redor, seja em forma de vivências, seja em forma de diálogo.

É por esta razão que importa cada vez mais não esquecer que tudo o que dizemos fica registado. Pode não ser transmitido de imediato, mas fica lá. Todos os comentários que fazemos à sua frente, a forma como verbalizamos as emoções, as críticas que fazemos aos outros e a nós próprios.

Há uns dias, a minha filha veio dizer-me “Sabes, mãe. A X diz que a comida que comemos vai para as pernas”. Inocente à partida, a declaração. Mas não é.

A minha leitura, depois de alguns segundos, foi a de: foi dito a esta criança que tudo o que ela come vai para o seu corpo. Mas em vez de lhe ter sido passada esta mensagem de uma forma positiva, do género todos os nutrientes, toda a comida que ingerimos vai trazer alguma coisa ao nosso organismo, é importante comer laranja ou manga por causa da vitamina C, o que lhe foi dito foi aquilo que muitas de nós ouvimos a crescer e que algumas de nós perpetuámos já em adultas; “um segundo na boca, uma eternidade nas coxas”.

Enquanto adulta eu tenho a capacidade de perceber, analisar e tirar conclusões sobre esta simples frase. Sim, aquela segunda taça de gelado provavelmente vai fazer menos bem do que deveria, e seria mais sensato parar na primeira.

Mas a uma criança está a passar todo um peso.

Um sentimento de culpa associado a algo que deveria, em primeiro lugar, ser visto como algo positivo: comer.

Educo a minha filha para ser consciente em relação à comida e ela diz muitas vezes “aquilo faz mal porque é só açúcar e não ficamos sem fome, nem tem vitaminas”. Pode ser informação a mais, mas ela apreendeu-a de acordo com a educação alimentar que recebe. E a sua conclusão tem a ver com saúde, não tem a ver com as alterações que eventualmente teria no seu corpo. Nunca ouviu nem ouvirá algo como “se comes doces vais ficar gorda”. E acho que é disto que se trata quando a tal colega lhe falou da comida ir para as pernas. Subjacente à mensagem estava lá um “vê lá o que comes se não queres ficar com pernas gordas”.

É mesmo isto que queremos passar às nossas filhas de cinco anos?

Basta da ditadura da beleza, da pressão da sociedade… Se educarmos os nossos filhos a serem gentis com eles próprios (também pela forma como encaram a comida  e a compreendem) e com os outros, certamente haverá uma geração menos focada nas diferenças e mais engajada no que realmente importa.

Dias depois desta conversa, a minha filha disse-me: “A X diz que eu sou gorda”.

Mais uma vez o peso da palavra, usada para ferir, para magoar. E a minha filha não é gorda. Tem barriga de bebé mas é toda ela músculos e agilidade, força e destreza. E mesmo que assim não fosse, custa-me que a palavra usada pela amiga tenha sido “gorda”. Como acusação.

Fiz o que senti que deveria. Desconstruí.

Tu não és gorda, Mariana. E se fosses não era nada simpático dizer-te isso para te deixar triste. Tens tantas coisas que ela podia ter apontado, mesmo que estivesse triste contigo. Coisas que tu podes melhorar. Como “às vezes falas alto comigo e eu não gosto” ou “fico triste quando não tens cuidado a brincar com os brinquedos que trago de casa”. O que lhe respondeste?”. E ela foi sucinta: “Que não era gorda. E fui brincar”.

Isto acontece porque a Mariana tem uma autoestima que lhe permite passar por cima do problema. Não a atingiu o comentário porque para ela não é relevante. Mas e se fosse? Veio de uma das pessoas de que ela mais gosta e podia deixar marcas. Aprofundar inseguranças.

Fiquei triste. Pensei que a mãe da outra menina podia melhorar a forma como comunica as suas ideias. Os seus preconceitos. Porque infelizmente a imagino a comentar o peso ou o excesso dele relativamente às outras pessoas como sendo algo do género ”não queremos ser aquela pessoa…”.

Os outros podem não ser bons connosco

Uma das autoras que mais gosto de ler (e que não escreve sobre parentalidade) fala muito da relação que tem com a filha de 12 anos e da sua vivência com as outras raparigas na escola. De como fortaleceu a confiança dela mostrando-lhe que os outros, por mais que façamos, podem não ser bons connosco. E que tantas vezes a culpa não é nossa. Não há nada que possamos fazer, simplesmente nem toda a gente vai gostar de nós. E relatava uma situação em que a bully da escola dizia à filha que a roupa dela era horrenda (para que fique registado era pura maldade, a miúda é incrível e veste-se de uma maneira original, isso sim, mas que por vezes acredito que suscite aquela inveja tola dos 13/15 anos…). A resposta da filha foi “Já eu gosto muito da tua. Acho que te fica super bem”. Para mim foi uma chapada. Achei aquilo maravilhoso. Interiorizei, acho que foi a maneira mais bonita de lidar com a situação e a mãe não estava por perto. Ela tinha aprendido aquilo com a mãe, sim, e com a forma como a mãe a ensinou a lidar com os outros.

Nem sempre é ou será fácil, mas cabe-nos a nós não criar este sistema de críticas.

Eu sei que os alunos de aparelho, de óculos, os mais gordinhos ou magrinhas, altos, com maminhas, ou falta delas, os marrões, etc sempre foram alvos. E talvez nunca deixem de ser. Mas quero acreditar que podemos mudar pelo menos o número de miúdos que vão ter dedos apontados na sua direcção.

Somos todos tão diferentes por dentro, por que razão deveríamos ser todos iguais por fora?

A diversidade é importante.

A gentileza salva vidas.

Acreditem.

Há demasiadas crianças a sofrerem depressões à conta da maldade alheia.

Há crianças que decidem acabar com a própria vida.

Quando os nossos filhos apontarem as características dos outros, tentemos que se foquem em características que realmente importam. Sem lhes tirar a oportunidade de questionar, é certo, mas abrindo a sua mente.

Por exemplo “aquela senhora tem o cabelo verde”.

Em vez de dizermos “que horror!”, poderíamos perguntar, “o que é que achas disso?” E enaltecer a coragem que é preciso para andar com um cabelo diferente na rua sem ter receio do que os outros pensam.

É um trabalho em construção.

Mas quando a minha filha ouvir que é gorda ou algum impropério do género, quero que quando já não tiver a capacidade de sacudir o pó dos ombros seja capaz de dizer  “e se for? Por que é que me estás a dizer isso?” Ou “em que é que isso muda a nossa relação?”.

Até lá continuarei a dizer-lhe aquilo que quero que nunca esqueça: é importante é ser bonito por dentro.

E essa beleza ainda falta a demasiadas pessoas…

Conta Comigo | De Marta Coelho | Ilustrações Ana Rita Malveiro | Editora Máquina de voar | Uma parceria Up To Kids

 

Conta comigo é um dos primeiros dois álbuns ilustrados que nascem de uma parceria da Up To Kids com a editora Máquina de voar Editora.

 

SINOPSE

O que há de comum a todos os pais do mundo? A vontade de proteger, o desejo de estar perto, a presença de um amor eterno e inabalável. Todas as promessas que são ditas em voz alta e as que os pais sussurram ao ouvido são, no fundo, Conta Comigo.

FICHA TÉCNICA

Marta Coelho e aRita

32 páginas . 200 x 230 mm
ISBN: 9789899970854
PVP: 10,60 €
Preço site: 9,54 €

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Não tenhas medo | De Marta Coelho | Ilustrações Ana Rita Malveiro | Editora Máquina de voar | Uma parceria Up To Kids

 

Não tenhas medo é um dos primeiros dois álbuns ilustrados que nascem de uma parceria da Up To Kids com a editora Máquina de voar Editora.

 

SINOPSE

Não tenhas medo ilumina os possíveis obstáculos no caminho que, com os pais eternamente por perto, serão sempre ultrapassados. Palavras doces sobre auto descoberta e confiança nas características que nos tornam únicos, palavras que mesmo depois de lidas ficarão para sempre no subconsciente do amor.

FICHA TÉCNICA

Marta Coelho e aRita
32 páginas . 200 x 230 mm
ISBN: 9789899970661
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Pais presentes criam filhos independentes e autónomos

Tão interessante perceber que o que os pais mais querem é filhos independentes e autónomos. Querem que façam as coisas por eles, que não dependam de ninguém. Querem que não estejam atrasados no desenvolvimento. Que não haja nada de errado quando parece que já deviam ter dado aquele passo ou ter dito aquela palavra.

O foco está todo em forçar a independência. E “forçar” é a palavra-chave aqui, que advém das nossas crenças. Da forma como nos sentimos perante a “dependência” e que nos leva agir de uma forma, por vezes, até inconsciente na relação com as crianças. Se a relação tiver um começo que é a dependência e um fim que é que independência, um fim como sendo um objetivo, o nosso foco está, na maioria das vezes, nessa independência.

E na verdade, famílias, o foco deveria estar nas seguintes perguntas:

O que eu posso ser agora para o meu filho para que ele venha a ser independente de uma forma saudável?

O que é necessário para que ele sinta que tem os recursos todos para ser quem é?

Quando nos focamos apenas no quer ser independente, estamos com toda a nossa atenção no futuro e a forçar o desenvolvimento da criança. Fora do ritmo da criança. É, por exemplo, quando pegamos o bebé pelos braços para ele começar andar, quando ele ainda não demonstrou sinais para o fazer. É o que fazemos quando começamos a forçar as palavras, sem que a criança comece a fazer sons com a voz. Com isto, não significa que o melhor seja não interagir com a criança. A diferença que eu quero reforçar aqui, é o quanto é importante estarmos presentes no agora.

Como?

Observando como estou a sentir-me. Reconhecendo, observando a criança, sendo um canal facilitador para o seu desenvolvimento, como as margens de um rio que vai desaguar no oceano.

Maria Montessori

Maria Montessori tem uma frase que ajuda a perceber esta questão: “ajuda-me a crescer, mas deixa-me ser eu mesmo”. Montessori diz que a criança nasce com um mestre interior. Uma vozinha que lhe diz o que precisa de fazer naquele momento. E essa vozinha, muitas das vezes, devido ao nosso ego, à falta de conhecimento, é lhe dito que não tem espaço para se expressar. É o exemplo da criança que quer subir as escadas e os pais acham extremamente perigoso. Neste caso, é necessário apenas que o adulto esteja a suportar aquilo que a criança quer fazer naquele momento.

O que seria se permitíssemos que a voz da criança se expressasse mais?

Para existir independência da criança, é necessário que haja uma dependência que lhe transmita segurança. Uma base de sustentação, um espaço único de expressão, de liberdade para ser quem ela já é.

A dependência e a independência fazem parte do mesmo círculo. Vivem muito bem uma com a outra. E são necessárias à nossa existência saudável quando nos ajudam a expandir e a crescer.

 

image@ Lorri Lang por Pixabay 

Perturbação de aprendizagem não verbal

Já ouviu falar?

É uma dificuldade ainda pouco conhecida, mas existe.

Há crianças que leem bem e escrevem de forma correta.

Revelam uma boa capacidade de memória.

Falam bastante e, muitas vezes, numa idade ainda precoce, mostram-se muito curiosas fazendo muitas perguntas, o que os leva a serem vistos como crianças com grande capacidade de aprendizagem.

Mas, com o tempo, revelam dificuldades de compreensão, expressão e relacionamento social.

Por exemplo, leem um texto, mas têm dificuldade de resumir o essencial, de realçar o mais importante.

As ironias, ou a expressão corporal são “pedras no sapato”, tão difíceis de entender, que se transformam num obstáculo a novas amizades e ao bom relacionamento social.

Sinais a ter em atenção:

RACIOCÍNIO LITERAL

Crianças com perturbação de linguagem não verbal tendem a encarar tudo de forma literal.

Um adulto, já universitário, confessou-nos que passou muito tempo em criança assustado com a possibilidade de um dia ser deixado sozinho na linha do comboio, tudo porque, quando se portava mal, a mãe dizia-lhe: “vou-te pôr na linha”. Este tipo de compreensão à letra é próprio de quem tem dificuldades ao nível da linguagem não verbal.

A expressão corporal é outro desafio. Um sorriso nervoso, num meio de uma conversa triste, pode levar uma criança com perturbação de linguagem não verbal a rir à gargalhada porque não entende o peso do sinal que lhe foi transmitido.

Uma dificuldade que contribui, muitas vezes, para que estas crianças sejam geralmente muito dependentes dos pais, precisamente porque sentem grandes dificuldades em relacionar-se com os pares.

DIFICULDADES MOTORAS:

Problemas de coordenação e de movimento são comuns.

Geralmente estas crianças e adultos passam a ideia de “desajeitados”. Recortar um desenho com uma tesoura, por exemplo, ou até mesmo andar de bicicleta podem ser tarefas difíceis.

RELAÇÃO ESPAÇO-VISUAL:

Apesar das dificuldades de relacionamento que apresentam é comum estas crianças manterem-se demasiado perto da pessoa com quem comunicam. O que se justifica com a dificuldade que têm em relacionar o que veem com o espaço em que estão.

Pela mesma razão é bastante habitual que recordem facilmente o que ouviram, sem que o consigam relacionar com o que viram.

NA ESCOLA:

Devido à dificuldade em compreender conceitos mais abstratos são alunos geralmente com dificuldades ao nível da matemática, sobretudo na resolução de problemas com uma componente que exija uma compreensão escrita.

O que está na origem do problema e como procurar ajuda?

Por enquanto não se sabe ao certo que disfunção no cérebro provoca o Perturbação da Aprendizagem Não Verbal. Não há por isso um tratamento para o problema, mas é possível encontrar estratégias que o permitam superar da melhor forma.

Com a idade os sintomas tendem a ser mais evidentes. As crianças geralmente percebem que entendem o que os rodeia de uma forma diferente dos restantes amigos ou colegas de escola. Sem ajuda poderão desenvolver problemas de ansiedade, que no limite podem levar a comportamentos compulsivos.

Procure a ajuda de um especialista.

Um psicólogo educacional ou um psicopedagogo, será capaz de traçar uma estratégia que passará sempre por identificar quais são as maiores dificuldades do seu filho e as competências em que revela maiores potencialidades.

A intervenção envolverá sempre os pais, que querem ajudar os filhos, mas muitas vezes sem saber como o podem fazer.

Um especialista, dar-lhe-á instrumentos para que o dia a dia possa tornar-se mais fácil. Há truques de linguagem que podem, de forma imediata, levar o seu filho a sentir-se mais compreendido. O apoio especializado ajudá-lo-á também a fazer a ponte com a escola, com indicações que podem facilitar a abordagem dos professores.

Acima de tudo não desanime, ao tentar resolver um problema estará também a permitir que o seu filho descubra o que tem de melhor, uma aprendizagem que terá boas recompensas no futuro.

És um quadrado ou um circulo?

Desde há uns anos que uso este vídeo (elaborado a partir do livro “Por quatro esquinitas de nada”, de Jerôme Ruillier, da Editorial Juventud, em algumas das minhas ações de sensibilização para o autismo, em especial, em escolas ou quando abertas à comunidade escolar.

 

É um vídeo fantástico que, muito sucintamente, nos remete para o “enquadrarmo-nos, fazermos parte de”. E, se nos permitirem interpretar, chegar à conclusão que, em muitos casos, o que precisamos de alterar – e, às vezes, são “umas esquinitas de nada” – é o caminho, o meio para atingir um fim, o que está ali entre um lado e o outro.

Eu sinto-me um quadrado, vezes demais…

E não tenho qualquer sombra de dúvida que as piolhas – e outros tantos indivíduos como elas – são uns quadrados. Os que nos rodeiam – os amigos, a família, os professores, os técnicos, os estranhos – são uns círculos. Os círculos não precisam de mudar pois são a maioria e, tal como em situações onde a maioria prevalece, as coisas estão construídas e preparadas à medida dos círculos. O que acontece, então, quando surge um quadrado ou até um triângulo?

Estes é que têm de se adaptar. Começa, então, toda uma maratona de idas a hospitais, a escolas, a serviços de recursos para a inclusão.  Uma incessante procura da melhor abordagem, da terapia que melhor resultados pode trazer, etc., para que estas figuras diferentes possam entrar naquelas áreas circulares.

Os círculos não precisam de trilhar estes caminhos e, muitos deles, nem fazem ideia de que estas maratonas existem. Não é por mal, apenas, nunca foi necessário olhar para além daquele aro em que vivem. Uma grande parte dos círculos quer estar com os quadrados e os triângulos, mas, a pressão da mudança acaba por recair nos que são diferentes. E porquê? Porque são diferentes, porque são uma minoria, porque a sociedade tal como ela é, está feita para a maioria, porque quem quiser que se adapte. Muitas vezes, nem é por mal, apenas nunca foi necessário olhar para além daquele aro em que vivem.

Ora que podemos então fazer?

Por que não “cortar quatro esquinitas de nada” para que, por esse aro, por esse círculo, possam passar não só os círculos, mas também os quadrados, os triângulos, os hexágonos, e outros? Não teríamos todos a ganhar se todos fizéssemos um pequenino esforço que, em tantas situações, são “umas esquinitas de nada” mas que vêm aliviar as tais maratonas que os quadrados têm que viver? Não podemos todos fazer “umas esquinitas de nada” e vivermos de forma inclusiva sem qualquer tipo de frete?

Ser um quadrado não é fácil.

Não cabe na maioria das áreas. Nem sempre há “esquinitas de nada” que permitam a passagem. Nem sempre há círculos compreensivos do outro lado. A questão social – e, mais além, o pensamento social – é tão mais complexo do que apenas estar com alguém ou dizer um simples “bom dia”. Quando nos sentimos como um quadrado – e somos um círculo -, estamos a experienciar uma ínfima parte daquilo que sente um quadrado ou um triângulo, todos os dias, em quase todas as situações. E custa sentir este “misplacement”, este “desenquadramento”, este “no fit in”, este “não me sinto bem aqui”.

Ontem senti-me o quadrado no mundo dos círculos na reunião de entrega de avaliações das piolhas. Estamos todos perfeitamente integrados e está tudo a correr bem. As “esquinitas de nada” foram as primeiras barreiras quebradas mas o esforço que os quadrados fazem para viver num mundo de círculos é imenso. Mesmo que, do mundo dos círculos, haja reciprocidade.

Isto tudo para dizer que, independentemente, da nossa forma, temos de conseguir colocar-nos no lugar do outro e tentar perceber o esforço que foi necessário para se chegar ali, se houve ou não “esquinitas de nada” ou se esse ainda é um caminho que precisamos de desbravar, por entre maratonas.

A importância de expressar as emoções na infância

O que pensa sobre as emoções?

Demonstrar emoções é sinal de fraqueza?

Não devemos chorar?

O medo e a raiva são emoções perigosas e por isso não devemos senti-las?

Pois bem… estas são algumas das crenças que por vezes são interiorizadas ao longo da infância, que se perpetuam na idade adulta e que inconscientemente os pais poderão passar para os filhos.

Quando uma criança cai e chora o adulto tem, por vezes, a tendência, em jeito de conforto, de dizer: “Não chores!” Se uma criança cai e se magoa pode demonstrar o que está a sentir. Importa que o adulto não contrarie a tendência de reprimir a emoção, para que a criança não interiorize que deve guardar dentro de si o que sente.

É benéfico para as crianças serem ensinadas desde cedo a entrar em contacto com as suas emoções e a saber como exprimi-las. É no seu porto seguro, na família que as vão conhecer e explorar. É aqui que vão ganhando confiança para futuramente experienciarem as emoções no mundo lá fora.

O que ajuda a criança a aprender a identificar o que está a sentir é que o adulto leia a emoção no seu comportamento e que a devolva à criança num discurso claro e empático.

Ora vejamos mais atentamente

A tristeza

Todos nós já estivemos tristes em algum momento. O contacto com a tristeza permite-nos saborear os momentos de felicidade, daí a importância de ser sentida. Imagine uma criança que chora porque um amigo lhe tirou um brinquedo. Em vez de o adulto dizer: “Não chores!” poderá dizer: “Compreendo que estejas triste, ficaste sem o teu brinquedo!”

O medo

Uma emoção que tendencialmente tende a ser evitada é imprescindível para a nossa sobrevivência.

Já imaginou se não tivesse medo de nada? Atravessaria uma estrada cheia de carros sem perceber que corria perigo de atropelamento. É bom sentir medo, mantém-nos vivos!

Quando a criança diz que tem medo de algo, dizer-lhe: “Não tenhas medo!”, faz com que ela sinta que não deve sentir medo. Em vez disso, poderemos dizer: “Compreendo que tenhas medo, mas eu estou aqui contigo e não vou deixar que nada de mal te aconteça.”

É esta leitura emocional que faz com que a criança aprenda em situações futuras a identificar o que sente.

A educação emocional desde pequenos, torna-los-á CRESCIDOS com mais autoconhecimento, mais seguros de si, mais capazes de compreender o que os outros sentem. Crescerão mais disponíveis para a aprendizagem escolares e com mais capacidades relacionais com o mundo que os rodeia.

E, consequentemente, serão adultos mais saudáveis a nível psíquico.

A educação infantil e a física quântica: interseções

A Física Quântica, em traços gerais, estuda os fenómenos que acontecem com as partículas atómicas e subatómicas. Ou seja, partículas que são iguais ou menores que os átomos, como os elétrons, os prótons e os fótons…

Trata-se de um novo modo de pensar e fazer ciência. As micropartículas não podem ser estudadas e observadas através da Física Clássica, já que esse “micromundo” não é prioritariamente regido pelas leis que compõe a ciência tradicional, tais como a gravidade, a ação e a reação, etc.

O interessante é que apesar de todos os seus estudos se darem em relação aos fenómenos microscópicos, estes também se refletem nas questões macroscópicas, já que tudo o que há no Universo é composto por átomos, elétrons, etc…

Segundo experimentos da Física Quântica, é possível a existência de duas situações diferentes e simultâneas para um determinado corpo subatômico.

Se o comportamento desta partícula pode ser tão incerto e tão contraditório, de acordo com os estímulos externos, como é que isso não ocorreria também no macrocosmo das crianças, visto que somos todos um amontoado de elétrons e prótons, interagindo e reagindo uns com os outros?

Nesse sentido, o pensamento humano, como sendo ondas eletromagnéticas que irradiam, captam e devolvem ondas semelhantes, tem grande poder de realização.

Cada indivíduo é capaz de alterar o universo em seu redor com a capacidade de influenciar na disposição das micropartículas atómicas em torno das pessoas, como os observadores dos átomos são capazes de modificar o comportamento das partículas com as quais têm contacto.

É necessário sensibilizar o olhar e acolher essas crianças que estão perto de nós com todos os sentidos aguçados. Estão num ponto ótimo para serem conduzidas a criar realidades positivas, sob a orientação de um adulto que também caminhe na intenção de ser artífice do seu próprio mundo.

A interseção entre a Física Quântica e a Educação da Infância dá-se assim, no lugar do novo e do criativo, visto que nessa perspectiva, somos nós adultos educadores que construiremos conjuntamente às crianças, realidades mais significativas para todos.

Esta é uma proposta revolucionária que desde a base transformará os modos de pensar dos pequenos, formando cidadãos mais conscientes de seu poder de concriar realidades de equidade, equilíbrio, bondade, confiança e de todas as habilidades das quais o mundo tanto necessita.

Photo by frank mckenna on Unsplash