Suicídio e o Valor da vida – Setembro Amarelo

Falar de suicídio não é simples. Criou-se a ideia errada de que discutir o tema poderia desencadear o desejo do acto. Até porque, por não se falar do assunto não significa que não seja uma prática comum e não o torna inexistente.

Não existem muitos dados concretos sobre o número exacto de pessoas que cometem suicídio. É ainda um assunto “tabu”, por existirem religiões que se recusam a enterrar os suicidas, por seguradoras se recusarem a pagar os seguros e por a família se envergonhar ou não ser capaz de fugir da culpa …

Em vários países este mês é dedicado à consciencialização sobre a prevenção do suicídio, por isso se fala de Setembro Amarelo.

O dia 10 de Setembro é o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio.

Estatisticamente sabe-se que para cada caso de suicídio há pelo menos 20 tentativas fracassadas.

Vamos falar de como nos podemos preparar para prevenir. Quais os sinais de alerta que nos podem deixar vigilantes? Falemos sobre o valor da vida. Suicídio é um fenómeno complexo, responsável por mais mortes que muitas guerras. Para entender este tema deve-se, antes de tudo, destruir preconceitos e permitir-se a experimentar e entender o sofrimento do outro.

Sinais no quotidiano podem mostrar à família ou a amigos que a pessoa está com pensamentos suicidas, ou seja está a planear a possibilidade de suicídio. A grande maioria das pessoas com ideias de morte comunicam os seus pensamentos e intenções. Dão sinais especialmente através de comentários tais como “quero morrer”, “não valho nada” “não faço falta”, ou podem ter comportamentos de despedida, como desfazendo-se de certos pertences.

Entre nós em conversas, mesmo detetando determinados sinais, interpretamos muitas vezes como chamadas à atenção, vitimizações, mas mesmo que o sejam é porque algo não está correcto, está a ferir, está a doer.

Ridicularizamos quem quer morrer e esquecemo-nos que quem quer morrer já têm uma auto-estima bastante fragilizada. Gozar ou ridicularizar só torna alguém mais vulnerável. Algumas pessoas vêm sem as carapaças necessárias para sobreviver à indiferença, alheamento e à frieza do mundo.

Gostava de fazer-vos ver que o suicídio não é apenas motivado por um episódio da vida, mas por um conjunto de situações, que trazem sofrimento. Muitos gritam por socorro! E nem todos mostram sofrer de depressão ou forte tristeza.

Muita gente acredita que o suicídio é um acto de extremo egoísmo pois quem deseja matar-se não leva em conta a perda que a família e amigos irão sofrer. É importante ressaltar que o suicida não tem interesse em magoar. Simplesmente quer livrar-se de uma dor que para ele é intolerável.

Em suma:

  • O suicídio não é uma decisão livre de razões.
  • O suicídio não é uma forma da pessoa querer dar nas vistas.
  • Tome atenção e tente manter-se a par dos jogos dos adolescentes. Não enterre a cabeça e fale abertamente com filhos, amigos de filhos, adolescentes (por serem a faixa etária mais suscetível). Discutam os temas e comportamentos de risco … sem ridicularizar e evite ser demasiado critico … não se arme em sabichão!!!
  • As pessoas que sentem vontade de se matar, em geral, não querem dar fim a vida, mas ao sofrimento que estão a sentir logo não devem ser julgadas ou tratadas como se nada estivesse a acontecer.
    O Suicídio é um processo final de um sofrimento.

Como ajudar:

A nossa acção não deve pautar-se unicamente por evitar a morte, mas promover a ampliação de situações nas quais a pessoa possa sentir-se viva e ouvida. Muitos de nós deveríamos aproveitar para pôr em prática valores que nos foram transmitidos: desenvolver amor, piedade, partilha e compreensão que pode ter de transcender as nossas crenças, realidades, ideais e verdades nas quais acreditamos.

Porque “Viver é a melhor opção. Sempre”

viver
Mês Mundial da Prevenção do Suicídio

Quando começa a adolescência?

A adolescência é uma fase que me assusta. Espero não ter de me reinventar como mãe! Receio não estar preparada para todos as mudanças de humor, preocupações e principalmente para os ver voar.

Sempre disse que durante a infância plantamos sementes e na adolescência normalmente faz-se a primeira colheita … mas agora pergunto-me se terei dado o melhor de mim, se os meus filhos irão reconhecer a nossa casa como o seu porto seguro, se irão continuar a gostar de mim e a ouvir-me, se farei parte das pessoas que procurarão quando têm dúvidas ou preocupações, como tem sido até aqui …

Não acho que deva ser a melhor amiga dos meus filhos pelo simples facto de que, para mim, sou algo absolutamente maior, sou amor de mãe e neste amor tem de entrar a educação e o Não. Como chamar a atenção, proibir ou impor limites se formos compinchas? … Mas não é preciso colocarmo-nos do outro lado da barricada … não pretendo passar a ser vista como o inimigo… a bruxa má das histórias que lhes contei!

Fala-se tanto da fase do gavetão, da fase do armário … mas a fase da adolescência começa realmente quando?

A Organização Mundial da Saúde define que a fase dura dos 10 aos 20 anos.

Socorro! Então, a adolescência cá em casa entrou de mansinho e eu não dei por ela, não se fez anunciar. Mas agora que penso e revejo, algumas atitudes há muito que se modificaram. Realmente as amizades passaram a ser um factor primordial – é verdade que já não querem andar tanto connosco, o tempo passado em casa muitas vezes é de phones nos ouvidos, já procuram outro género de roupa (igual à multidão), e não gostam de sobressair … E já ouvi um “não percebes disto!” Estava à espera das mudanças físicas, mas as emocionais e psicológicas afinal começam antes … a adolescência não se faz anunciar!

Será que na hora da verdade estarei à altura? Conseguirei ter a mesma postura para ele e para ela? Muitas pessoas aconselham para que não forcemos a nossa presença, não sejamos invasivos, respeitemos o espaço e estejamos abertos ao diálogo… agora estes conselhos espalho-os pela casa para que eles os interiorizem…? ou sento-me e espero que me procurem, no momento em que se sentirem preparados?

E estarei eu preparada? Não sei … vou dar o meu melhor, no meu caso triplamente … no fim, com amor e paciência espero que consigamos sair “vivos”, felizes e com muito respeito e carinho mutuo.

Esta historia só a poderei contar daqui a uns bons anos, se não enlouquecer até lá … desejem-me sorte!!!

Mães desnecessárias

“A boa mãe é a que vai se tornando desnecessária com o passar do tempo.”

Um amigo psicanalista costumava dizer esta frase, e sempre me soou estranha.

Agora os meus filhos já não são bebés e chegou a minha vez de reprimir o impulso natural materno de querer manter a cria debaixo da asa. De querer proteger de todos os erros, tristezas e perigos. Uma batalha hercúlea, confesso. Quando começo a esmorecer na luta para controlar a super-mãe que tenho dentro de mim (temos todas!), lembro-me logo desta frase.  Hoje tornou-se absolutamente clara.

Se eu criei os meus filhos para serem adultos autónomos, tenho de me tornar desnecessária.

Antes que alguma mãe mais rápida me acuse de não amar os meus filhos, passo a explicar:

As mães desnecessárias não deixam que o amor incondicional, que sempre existirá, crie vício e dependência nos filhos. Como uma droga ao ponto de não conseguirem ser autónomos, confiantes e independentes. Prontos para traçar o seu rumo, fazer as suas escolhas, superar as suas frustrações e cometer os seus próprios erros.

Em cada fase da vida, vamos cortando e refazendo o cordão umbilical. Em cada nova fase uma nova perda é um novo ganho para os dois lados. Para  a mãe como para o filho. Porque o amor é um processo de libertação permanente e esse vínculo não pára de se transformar ao longo da vida.

Até o dia em que os filhos se tornam adultos, constituem a própria família e recomeçam o ciclo.

O que eles precisam é de ter a certeza de que estamos lá, firmes, na concordância ou na divergência, no sucesso ou no fracasso, com o peito aberto para o aconchego, o abraço apertado, o conforto nas horas difíceis. Mas no dia a dia somos mães desnecessárias.

Pai e mãe solidários criam os filhos para serem livres.

Este é o maior desafio e a principal missão da parentalidade. Ao aprendermos a ser “desnecessários”, transformamo-nos no porto seguro para quando eles quiserem atracar.

 

Por Márcia Neder, Psicanalista e Psicóloga Clínica

Pois é… Parece que foi ontem que o deixei na sua sala, no primeiro dia de aulas, no 1º ano. Com uma enorme mochila de sonhos e curiosidade às costas. Cheio de vontade de brincar e, também, de aprender. E hoje já está a terminar o 9º ano. E traz da escola uma mochila cheia de perguntas e inseguranças. «O que vou escolher, mãe?» «Para que curso vou, pai?»

Tanta coisa a ter em conta, parece que nada pode falhar. Estes jovens sentem-se tantas vezes angustiados, agarrados a uma escolha que parece vir a determinar a sua vida. Mas não! Felizmente, as escolhas de áreas de estudo, não são deterministas. E são isso mesmo. Áreas de estudo. Ninguém escolhe uma profissão aos 14 anos! E é esta parte que, por vezes, pais, professores e alunos parecem esquecer. Por isso, nada há de errado quando um adolescente a terminar o 9º ano diz “Sei lá o que quero ser quando for “grande”!”

É certo que há uma escolha quem tem de ser feita. E há algumas reflexões que merecem ser feitas. Mas é uma escolha quanto a uma área de estudo e não quanto a um curso superior ou uma profissão.

Quais são as minhas características pessoais? Quais são os meus gostos, os meus interesses? A que é que dou valor? O que é importante para mim? Quais têm sido as minhas disciplinas preferidas? E quais é que são um “castigo” para mim?

Para que é que eu tenho mais jeito? Tenho tido melhores notas a que disciplinas? Sei que tenho mais capacidade e facilidade para quê?

E que oportunidades tenho? Que cursos e formações existem? Para que escolas posso ir?

É um exercício exigente, que implica introspecção, reflexão, ponderação… É um exercício de auto-descoberta interessante. Mas, quando se sugere uma reorganização, reconfiguração ou reconstrução… Quando fica subentendida a necessidade de “metapensar”, sobre o pensado e conversado… Iniciam-se as resistências, as questões de quem está inseguro e precisa de uma mão para avançar. Quando se apela à autonomia, à imaginação, à criatividade, à auto-gestão… Impera o receio na cara destes jovens. Receio esse, tantas vezes, espelhado também na cara dos seus pais…

Porquê?

Primeiro porque o cérebro dos adolescentes está em desenvolvimento; e desenvolvimento emocional não anda de mão dada, ao mesmo ritmo, que desenvolvimento cognitivo.

Mas os adolescentes avançam com mais umas pistas…

Porque desde pequeninos sempre tivemos alguém que fizesse por nós.

Porque desde pequeninos sempre tomámos tudo por certo.

Porque desde pequeninos nos disseram “cuidado, vais cair” em vez de “coragem, tu és capaz.”

Porque desde pequeninos deixámos que pensassem por nós.

E com a sensação de se aproximar uma primeira grande decisão, decisão em relação à qual percebemos que temos de ser mais crescidos, surge um nervoso miudinho.

Se tal constituir um apoio, num mar de dúvidas, um Psicólogo poderá contribuir num processo de Orientação Vocacional.

Coragem! Com ponderação e sem medos, tomarão decisões conscientes, das quais se orgulharão.

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Eu amei-vos o suficiente para…

Um dia, quando meus filhos forem crescidos o suficiente para entender a lógica que motiva os pais e as mães, eu hei de dizer-lhes:

Eu amei-vos o suficiente para ter perguntado “onde vão, com quem vão e a que horas vão voltar”.

Para não ter ficado em silêncio e fazer-vos saber que aquele novo amigo não era boa companhia.

Eu amei-vos o suficiente para os fazer pagar os doces que tiraram do supermercado ou revistas do quiosque, e obriga-los a dizer ao dono: “Nós levamos isto ontem e queríamos pagar“.

Eu amei-vos o suficiente para ter ficado de pé, duas horas, enquanto limpavam o vosso quarto, tarefa que eu teria feito em 15 minutos.

Eu amei-vos o suficiente para vos deixar ver para além do amor que eu sentia por vocês. Viram também o desapontamento e e por vezes lágrimas nos meus olhos.

Eu amei-vos o suficiente para vos deixar assumir a responsabilidade das vossas ações, mesmo quando as penalidades eram tão duras que me partiam o coração.
Acima de tudo, eu amei-vos o suficiente para lhes dizer NÃO, quando eu sabia que vocês me iam odiar por isso (e por momentos até odiaram). Essas eram as mais difíceis batalhas de todas.

Estou contente, venci… Porque no final vocês também venceram!

E qualquer dia, quando os meus netos forem crescidos o suficiente para entender a lógica que motiva os pais e as mães, e lhes perguntarem se a mãe era má, os meus filhos vão lhes dizer:

“Sim, a nossa mãe era má. Era a mãe mais má do mundo…”

As outras crianças comiam doces no café e nós tínhamos que comer cereais, ovos e torradas.
As outras crianças bebiam refrigerantes e comiam batatas fritas e sorvete ao almoço e nós tínhamos que comer arroz, feijão, carne, legumes e frutas.
A mãe obrigava-nos a jantar à mesa, e as outras mães deixavam os filhos comerem a ver televisão.

Insistia em saber onde estávamos a todas as horas (ligava-no para o telemóvel de madrugada e “cuscava-nos” os e-mails).

A Mãe tinha de saber quem eram os nossos amigos e o que é que nós fazíamos com eles.

Insistia que lhe disséssemos com quem íamos sair, mesmo que demorássemos apenas uma hora ou menos. Nós tínhamos vergonha de admitir, mas ela violava as leis do trabalho infantil. Nós tínhamos que tirar a louça da mesa, arrumar os nossos quartos, esvaziar o lixo e fazer todo o tipo de trabalho em casa, que nós achávamos cruel.

Eu acho que a mãe nem dormia à noite, a inventar coisas para nos mandar fazer.

Insistia sempre connosco para que lhe disséssemos a verdade e apenas a verdade. E quando éramos adolescentes, até conseguia ler-nos os pensamentos.
A nossa vida era mesmo chata. Não deixava os nossos amigos buzinarem para sairmos. Tinham de subir, bater à porta, para a mãe os conhecer.

Enquanto os outros miúdos não tinham horas para chegar a casa, nós tivemos que esperar até aos 16 para anos chegar um bocadinho mais tarde. E aquela chata levantava-se para saber se a festa foi boa (só para ver como é que estávamos).

Por causa da nossa mãe, perdemos imensas experiências na adolescência. Nenhum de nós esteve envolvido com drogas, roubos, atos de vandalismo, violação de propriedade, nem fomos presos por qualquer crime.

TUDO POR CAUSA DA NOSSA MÃE.

Agora que já somos adultos, honestos e educados, estamos a dar o nosso melhor para sermos “PAIS MAUS”, como minha mãe foi.
E este é um dos males do mundo de hoje: as mães não suficientemente más!

 

Artigo do Psicólogo Dr. Carlos Heckteuer, sugestão do leitor

Um dos meus filhos adolescentes chegou da sua primeira saída à noite a dois. Sentou-se no sofá, tirou os sapatos e contou-me… basicamente tudo! Sem grandes pormenores, graças a Deus. Mas o suficiente para ficar a saber que hoje deu  o seu primeiro beijo.

Conversamos imenso, e acabou por me contar que ainda não se sente preparado para ter relações sexuais. Depois de lhe ter dado alguns conselhos sobre preservativos, que eu sei que nunca ninguém os dá até ser tarde demais, levantou-se e foi comer qualquer coisa.

Passado um bocado, a minha filha adolescente veio contar-me que a sua melhor amiga de infância, agora anda com um grupo de miúdos que fumam erva. Aparentemente, a festa de anos da amiga era uma fogueira na praia e todos a fumar ganzas à volta. Apesar de comentar comigo que acha uma estupidez miúdos de 14 anos andarem a fumar droga, ainda se questionou porque é que a amiga não a convidou para a festa. Sentiu-se excluída.

Um pouco mais tarde, os meus três filhos adolescentes sentaram-se comigo a comentar uma situação actual de vida de um amigo em comum que os está a preocupar por poder vir a ter dimensões que colocam em risco a sua segurança.

Após ter conseguido, finalmente, tirar toda gente do meu quarto, fiquei a repensar nos acontecimentos desta noite. Sexo, drogas, relações interpessoais… e conclui que, acho que nunca me senti tão orgulhosa dos meus três filhos como hoje.

Adeus gráficos de autocolantes!

Eu não sou perita nesta coisa da parentalidade. Eu segui a educação que me foi dada, a abordagem da minha mãe, simplesmente porque me era natural e aparentemente correta. Mas conforme os meus filhos foram crescendo e eu fui crescendo com eles, essa abordagem evoluiu.

Originalmente eu tinha muitas regras, recompensas, gráficos com autocolantes e até castigos. Os meus filhos sempre se portaram bastante bem, e por isso eu achei que era uma mãe espectacular. Um dia tornaram-se pré-adolescentes e começaram a contar-me aqueles disparates que tinham feito às escondidas, na altura que eu achava que cumpriam sempre as regras. Trepar pelas janelas e andar no telhado para passarem de um quarto para o outro (só para fugirem a um castigo) foi aquilo que me fez repensar tudo. Se os meus filhos conseguiram fugir pela janela, sem que eu ou o meu ex-híper-vigilante-marido nos apercebêssemos, era óbvio que controlar em pleno o comportamento dos meus filhos não estava funcionar.

Acabaram-se os limites.

Uma vez que não sou fã de perder tempo, resolvi experimentar uma nova estratégia. Abandonei todas as regras em minha casa excepto algumas básicas que ficaram definidas em reunião de família. Retirei todos os limites às tecnologias. Comprei-lhes smartphones. Não fiz qualquer esforço para controlar o comportamento deles on-line. Retirei-me enquanto pessoa que detém o poder e tentei criar um novo papel de líder mais envolvida. Deixei de dar tantos sermões e passei a escuta-los mais. E continuei a falar com eles sobre tudo, desde qualquer coisa que vi nas redes sociais e que me comoveu às notícias dos jornais. Quando algum tema me preocupava, passei a falar com eles sobre o assunto em vez de criar uma regra para controlar o problema.

Já passaram dois anos desde que mudei drasticamente a minha abordagem enquanto mãe. Ao longo do tempo, assumi os meus próprios limites – aquilo que estava disposta a aceitar dos meus filhos e tornei-os muito claros. Pode não haver muitas regras em minha casa, mas não aceito que me desrespeitem. Com sentido de humor, vamos aliviando as tensões.

Sugerir os filhos como amigos dos nossos amigos no Facebook

Ultimamente vi uma série de artigos e posts nas redes sociais sobre a necessidade de monitorizar o comportamento dos filhos adolescentes, especialmente online. Um amigo postou qualquer coisa sobre o tema, e os seus amigos sugeriram que se reencaminhasse o e-mail dos filhos para o nosso, pois desta forma poderiamos ver os comentários dos amigos dos amigos dos amigos e perceber com que tipo de miúdos os nossos miúdos andavam a interagir. Uma mãe dizia que lê os sms do seu filho todas as noites. Outra tem instalado software que monitoriza tudo o que o filho faz na net.

Quando me deparo com este tipo de comportamento entre os pais, eu questiono-me desde quando é que perseguir os filhos se tornou um comportamento aceitável. Perseguir um adulto é crime. Eu não percebo como é que perseguir uma criança pode ser considerado positivo e ser aceite em nome da “boa ”parentalidade.

Uma boa maneira de perder a confiança dos seus filhos

Pergunto-me qual o objetivo de tudo isto. É proteger os miúdos dos perigos? É garantir que não irão cometer erros? Em qualquer um dos casos parece-me que este comportamento está projectado para desenvolver ressentimentos, falta de confiança e de honestidade. Imaginem como é que se sentiam se as pessoas em quem confiam lhe exigissem cópias daquilo que faz no seu telemóvel diariamente.

Os miúdos também precisam de privacidade e autonomia. A adolescência é a fase em que os filhos devem começar a tomar decisões, a abrir as asas e… cometer erros! Os mesmos erros que todos os adolescentes cometem há décadas. Em nome do ser humano, imperfeito que erra, aprende e cresce.

Pecar por excesso de confiança

Eu dei aos meus filhos toda a liberdade que considero que poderia dar. No passado, pequei por excesso de zelo. Agora, peco por excesso de confiança. Não por achar que eles nunca vão fazer asneira, mas porque prefiro que tenham a liberdade de errar enquanto têm o seu porto seguro na nossa casa.

Às vezes abano a cabeça quando me contam os disparates que fizeram. Mas porque lhes dei confiança para fazerem as suas próprias escolhas, aprenderam a confiar em si próprios e nas suas opções. Aos 16 anos, por exemplo, o meu filho mais velho ainda não que aprender a conduzir. Ele prefere andar de transportes públicos, e esperar até se sentir mais responsável e confiante.

Eu sei que os meus filhos não vão fazer as escolhas “certas” em todas as situações, como aconteceu esta noite. Eventualmente vão escolher ter relações sexuais cedo demais e fumar erva. E tendo em conta que 99% dos adultos que conheço fizeram estas duas escolhas, eu acredito que os meus filhos vão ficar bem.

Há umas semanas atrás desamiguei os meus filhos do FB. Apercebi-me que, sendo amiga deles, não podia postar tudo livremente. Eles ficaram em choque com a minha decisão, e quase em uníssono disseram “ Mas e agora como é que vamos saber tudo o que se passa na vida da mãe?”

É simples, disse-lhes. Perguntem-me!

 

Por Jody Allard,  publicado em FreeRange Kids
Autorizado por Lenore Skenazy, Author of the bookblog and Twitter feed, FreeRange Kids

Traduzido e adaptado por Up To Kids®, Todos os direitos reservados.

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Mãe, confia em mim, vai correr tudo bem! Eu estou bem, eu sei a batalha que tenho pela frente mas, do alto dos meus baixos 18 anos penso, o que é que eu tenho a perder? Se calhar por isso, pela minha inconsciente juventude e sede de vida, pela força que vem sabe-se lá de onde, é que enfrento este cancro, não como o bicho mau de que tanto se fala, mas como o bicho bom que me vai ensinar a ser mais e melhor.

Mas tu não, mãe! Tu tens tudo a perder! Tens a perder o fôlego, tens a perder cada pedaço do teu ser, tens a perder o que te faz acordar de manhã e querer enfrentar mais um dia, tens a perder o fruto de um amor imenso, tens a perder tudo que tens na vida, a tua única e amada filha!

Podes chorar, não precisas de te esconder de mim. Podes falar ao pé de mim sobre o que vais sabendo sobre a minha doença. Sobre o pouco tempo de vida que os médicos dizem que posso ter… e que eu sei que é verdade, mas em que opto por viver como se não o soubesse. Podes falar com os meus amigos à vontade, eles, agora, fazem parte da tua família, fazem parte do pelotão que comigo combate nesta guerra desleal. Se eu penso positivo, se eu estou tão envolvida com a cura e “entretida” entre sacos de quimioterapia, períodos de sonolência, períodos de melhoras em que tento sugar todo o tutano do mundo… tu só tens pela frente o medo de perder o melhor de ti! Como é que vais lidar com os sentimentos de medo, amor, culpa, raiva, tristeza, dor, angústia e morte, que te assolam a mente a cada segundo de respiração? Acreditar para mim é mais fácil, mal tenho tempo para pensar, o relógio do tempo passa tão depressa e envolve tantos episódios, dos bons e dos maus, dos que surpreendem e dos que assustam, que nem me apercebo que pode correr mal. Para ti, por mais que seja o que mais queres, acreditar é um esforço, uma coisa que quem foi atropelada assim de repente com a notícia de poder perder o coração que tem fora do seu corpo, tem de se forçar a fazer todos os dias.

Não tens de ser a super mulher, a que conduz todo este comboio cheio de carruagens sozinha, basta seres a super mãe que tens sido até agora, a que não se importa de falhar, a que se permite a chorar mesmo que seja à minha frente, a que pode partilhar comigo os receios, as preocupações, todas as “galinhices” de mãe… e a que pode pedir ajuda para caminhar!

Quando eu estiver boa, quero que tu também estejas! Quero que estejas preparada para comemorar comigo esta taça da champions league da vida! Quero que consigas saborear, sem mais medos, sem estares sempre no sobressalto em que agora te sinto.

Lembras-te do dia em que tivemos a notícia…a Drª Sónia esteve lá, foi ela que me ajudou a ver a luz ao fundo do túnel, a manter o meu sorriso e a minha confiança e é ela que está presente cada vez que me sinto a quebrar… Acho que devias também encontrar o teu porto seguro, aquela que te ajudará a desvendar os segredos, a trabalhar os teus medos e a olhar para o futuro com olhos de quero mais! Sim, mãe, uma Psicóloga! Vais ver que te vais sentir melhor! E eu preciso de ti melhor!

Sofia, 18 anos, doente oncológica

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Eu vejo-te
Não me limito a olhar para ti, vejo-te.

Já tive a tua idade, treze anos, e sei como tudo o que sentes é exacerbado em duzentos por cento.

Há dias em que acordas e estás triste, sem saberes porquê. Quando chegas ao pé das tuas amigas pensas que sem elas não serias ninguém, porque foram elas que alegraram o teu dia.

Não te apercebes da forma como te tratam, como se devesses estar agradecida por poderes dizer que és amiga delas. No fundo, é o que sentes, porque elas são populares e falam de uma maneira confiante e não se envergonham dos seus corpos nem têm as borbulhas chatas que teimam em pontuar o teu rosto.

Gostas delas, mas principalmente gostas que gostem de ti. Não tens a oportunidade de experenciar esse gostar muitas vezes. Em casa amam-te, mas não se lembram de to dizer. (Eu digo-to sempre no teu aniversário, mas pensando bem também eu falho, porque não é suficiente. Em trezentos e sessenta e seis dias, um dia não chega. Vou melhorar, prometo. Porque gosto mesmo muito de ti).

Quando te olhas ao espelho vês uma série de coisas que não adoras. Não te demoras nos teus olhos, redondos e grandes, com um tom de castanho raro. Não te apercebes da forma dos teus lábios, que é sublime quando sorris. Só vês a dificuldade em desembaraçar o teu cabelo e não as ondas que se formam de maneira tão natural.

Para te sentires melhor “cobres-te”. Com roupas que as tuas amigas aprovam e os rapazes reparam (mesmo que te deixem desconfortável na maior parte das vezes), com maquilhagem que não deverias usar porque não é para a tua idade (e porque não precisas dela), com os últimos ténis de marca que toda a gente usa. Com essa “embalagem” sentes-te mais segura, consegues calar por momentos as vozes que estão dentro da tua cabeça e que te dizem que não és bonita o suficiente. Que não tens um corpo desejável. Que ninguém quer estar ao pé de ti se usares uma t-shirt comprida e o cabelo apanhado num rabo-de-cavalo. É bom lutares contra essas vozes, mas tudo o que fazes é superficial. À noite tiras do corpo esse peso todo que transportas e é contigo que tens de dormir.

Sabes que mais? Tenho mais dezassete anos que tu e vejo as coisas de outra maneira. Não é fácil, mas tu consegues.

Livra-te dessas amigas que inferiorizam os outros com base nos seus “defeitos” (a ti incluída, se prestares atenção), volta a dar importância à escola, onde sempre te saíste tão bem e agora pareces fazer questão de que seja ao contrário, aprende a ver-te. E a gostar de ti. Terás sempre coisas que não gostas tanto. Aprende a viver com elas, porque vão estar sempre aí. Quando não forem essas serão outras.

Sei que tens dificuldade em falar. Achas que os adultos não te compreendem (provavelmente porque quando falaste não te ouviram com a atenção que merecias), mas não guardes para ti tudo aquilo que pensas. Escreve. Num caderno ou num blogue. Ninguém precisa de saber que és tu. Mas deita cá para fora. E depois lê o que escreveste. Vais aprender coisas sobre ti. Vais dar valor a algumas coisas e corrigir a maneira como vês outras. Vai ajudar, prometo. Se te sentires com coragem escreve uma carta à tua mãe. Diz-lhe o que pensas. O que gostavas que fosse diferente. A forma como ela pensa estar a ajudar-te e não está. Ela também precisa de saber e só tu poderás dizer-lho. Ouve-a mais vezes, ela tem o coração no sítio certo, mas não sabe como chegar a ti.

Sonha, não tenhas medo de sonhar. Mas acima de tudo, sonha pela tua cabeça. Pensa naquilo que realmente desejas. Tu, não o que os outros esperam que desejes, não o que achas que os outros vão querer ou esperar de ti.

Pode não parecer, mas eu vejo-te, não me limito a olhar para ti.

Tens um longo caminho pela frente e vai ser tão bom. Juro.

Vais ser muito feliz… Aconselho-te a começar agora!

(Nota: esta é uma carta para uma menina que vi crescer dentro da barriga da mãe, ser criança e entrar aos trambolhões na adolescência. É uma carta para alguém que está perdido e que não o reconhecendo não deixa ninguém aproximar-se. Faço o exercício que lhe aconselho, escrevendo. Pode ser que alguma coisa lhe chegue ao coração. Tenho a certeza que sim…)

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Nas duas últimas semanas, vi-me envolvida em duas situações diferentes, e em que não tinha bem a certeza de como deveria agir em cada caso.

Primeiro um amigo do meu filho acertou-lhe com uma pedra na cabeça, e feriu-o.

Será que eu deveria ter dito alguma coisa à mãe? Eu sei que foi um acidente, e que o miúdo se sentiu mal por isso.

Pensei em dizer alguma coisa, mas acabei por não fazê-lo.

Numa outra situação, e esta não envolve os meus filhos, eu vim a saber que o filho adolescente de uma conhecida minha com quem me dou bastante bem e costumamos encontrar-nos de vez em quando, andava envolvido com coisas pouco saudáveis. E ilegais.

O que devo fazer? Devo dizer alguma coisa, ou não me meter?

Eu sei que se fossem os meus filhos, em qualquer uma das situações eu queria saber.
Acredito que muitas de nós, mães, já passamos por situações destas. Sem saber se devemos falar ou não.

Por isso eu vou deixar bem claro: se o meu filho atirar uma pedra à cabeça do teu, eu quero que me contes. Acidente ou não, eu quero saber!

Se o meu filho te faltar ao respeito, quero que me contes.

Se o meu filho consumir drogas, eu quero que me contes.

Se vires os meus filhos num sítio que não seja suposto estarem, eu quero que me contes.

Se te contarem que o meu filho consome drogas, mesmo que não tenhas a certeza se é verdade ou não, eu quero que me contes.

Se souberes que os meus filhos me andam a mentir, eu quero que me contes.

Se o meu filho faz bullying , quero que me contes.

Se o meu filho não faz bullying, mas é o parvalhão da escola, eu quero que me contes.

Se o meu filho usar uma linguagem totalmente inapropriada eu quero que me contes.

Se o meu marido me andar a enganar (não anda, nunca andou, mas hipoteticamente), por favor conta-me.

Se eu tiver um macaco do nariz a passear do lado de fora, e visível para toda a gente, diz-me!

Se toda a gente souber que estou com a “história” menos eu, por favor avisa-me!

Se descobrires que uma das minhas filhas está grávida, eu quero que me contes.

Se vires um pêlo preto e grande a sair do meu queixo, pescoço ou qualquer parte do corpo acima da cintura (ou já agora abaixo também), quero que me digas!

Se algum dos meus filhos andar sempre com miúdos com problemas de droga, ou com o traficante mesmo, com prostitutas, ou com alguém mais velho, quero que me contes.

Se o meu filho está a fazer ou a ver asneiradas no computador que não deixarias os teus filhos verem, eu quero que me contes.

Se eu tiver a braguilha aberta, quero que me digas.

Se o meu lápis dos olhos está tão borrado, ao ponto de parecer que estive no ringue com o Mike Tyson, quero que me contes.

Se a minha saia estiver entalada nas cuecas, quero que me contes!

Se acontecer qualquer coisa que não está nesta lista, e ficares na dúvida se deves ou não contar-me, eu quero que me contes.

E se me quiseres contar alguma coisa desta lista e não souberes como, basta dizeres: “lembras-te daquela vez que o teu filho estava a ser um idiota, e querias que eu te contasse? Bom…”

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Publicado em Scary Mommy, traduzido e adaptado com autorização por Up To Kids®
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“ Eu não quero crescer!

Quando crescemos tornamo-nos “maus”, deixamos de ser inocentes. Olho para o meu primo de 2 anos e fico triste de pensar que ele, coitado, vai crescer. Eu detesto fazer anos…estou quase a fazer 16 anos, e estou a crescer e é horrível!!”

Quando estas inquietações invadem a mente de uma adolescente, como armas perfurantes que picam e cortam um futuro que se desejava sonhador e brilhante, quase perdemos a fala e nos rendemos ao eco ensurdecedor de uma existência dilacerada e incompreendida. O que a I. me trouxe na forma de embrulho amachucado, escondendo uma angústia dolorosa não é novo. Infelizmente o medo de crescer tem invadido os gabinetes de consulta entre os mais pequenos e os “quase adultos já não crianças”.

“ No outro dia fui tomar café com a minha mãe e as amigas dela a um barzito/discoteca e de repente ela começou a dançar!! A dançar!! Eu passei-me e disse: O que é que tás a fazer?? – Estou a divertir-me!! (respondeu a mãe) – Mas os pais não se divertem. Os adultos não se divertem, pára com isso!

Que imagem estaremos nós a dar aos nossos filhos? Às nossas crianças? Que reflexo é este que os faz temer o seu amanhã e desejar regredir a uma dependência imatura, protectora e desajustada, como quem teme um bicho papão que nada nem ninguém deterá?

De alguma forma fica latente a ideia que andamos a alimentar “lobos maus” e “bruxas más” na nossa sombra, que nos acompanha passo a passo dentro e fora de casa, que leva à escola, dá banhos, come à mesa e (com sorte) se senta na beira das suas camas.

E explorando um pouco mais a imagem que a I. tem dos adultos, surge um reflexo gritantemente depressivo e exasperado que os adultos são “despejadores de zangas e frustrações”. A I. está longe de ser a única a expor esta hodierna concepção dos adultos que somos. Infelizmente tenho encontrado todo um abecedário que de olhos lacrimejantes e baços, espelham o medo e a incompreensão dos “lobos maus” que saíram dos livros e do imaginário e ganharam forma na realidade diária. Dos professores, aos pais, passando pela família, esse mundo dos crescidos outrora aliciante é hoje visto como uma gigantesca caverna escurecida e fria, da qual não há retorno.

E por outras linhas, já meias tremidas e apagadas é certo, podemos perceber que ser crescido parece, hoje, bem mais do que aniquilar a criança e jovem que fomos, é padecer de um mal no qual jamais cabe um sorriso que abrace, contenha e faça florescer a vontade de crescer.

Drª Joana Cloetens, Setúbal

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